Espelho por Paulo Vitor Grossi - Versão HTML

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2011

EPÍLOGO

Na manhã do dia certo, acordo nesta prisão. Talvez o

sepulcro da morte, talvez a jaula dos homens. O certo é que me fui,

não tô mais no que quer que seja. Com ou sem intenção de expor

minhas várias vozes!... Ou sonhei ou foi sonhado, das duas uma...

Daí em diante, achando a potência e força da vida, reflito.

Não há medo, só brisas. Não me resta mais. Sem esse teatro

cotidiano inventado e nutrido besta. E acredito que me queiram é

calado... ignorante de sentimentos. Relegam o expurgar diário!

Mesmo assim, relembrem destes dizeres: “Pensa no permear

da tua existência; a morte é tua única certeza dura. Bebe do teu

sangue, respira fundo. Vive antes de tudo, corrói o mal que ronda, já

que morrer é a parte”. É única diferença que fiz.

No caos de possibilidades, amei mais intensamente. Segue

minha história, desajustada; tirem as próprias conclusões.

CAPÍTULO 1:

“AGORA INGLÊS”

“É tão difícil assim pedir desculpas?”, neste mundo de ideias

& imagens vasto.

Sabe, briguei ontem com minha Deborah, esposa & mãe.

Começou a buzinar no meu ouvido, daí saí voado! Na hora, me deu

vontade de desabafar com o primeiro idiota: LEVA ESSA MULHER

DAQUI!!! Em português mermo, pra ninguém entender porra

nenhuma! Hoje, já nem me lembro das causas, já perdoei e me

perdoei sem rancor. Eu sempre esqueço essas trivialidades, nem dou

bola. Será que vou virar um gato de armazém? A Irlanda é como

dizia meu guia da PUBLIFOLHA! Uísques...

Fúria, tenaz, guardada e a pia cheia, vomitando. Não me

agrada ter que lavar louça depois de comer. É nessa hora que se faz a

digestão, fuma um cigarro, olha pra nada, esvazia! Só lavo a merda

com a bosta da pia lotada! Foudasse o que elas pensam!! Devia

relaxar, dona.

Sujeira, dias sombrios se foram, tô em paz agora!! Pareço um

cidadão a se rebelar... Nada dessa palhaçada de liberdade garantida

por habeas corpus preventivo ou sei lá... Sonhei com minhas roupas

ensanguentadas, desde a camisa até calça. Sorri! E tô aí. Um

patrulhamento de rotina local passa na minha fuça, como seria se

soubessem? Mas ninguém sabe. Quatro anos depois! Ainda mais

aqui, onde Judas escondeu as botas.

Só pra começar de pirraça, a fazer trajetórias de ninguém, o

poema do hotel permanece, vô citar mais uma, ah nada não (risos)..

O hóspede vai ter que esperar!!

É finito.

CAPÍTULO 2:

“ALDO”

A camisa encharcada de suor e fedendo a mofo. Agora sô

outro, já sabem, de passaporte italiano falso. O mesmo contozinho..

Ratoeira barata, agonizando de tédio, a contragosto inserido

no verão Europeu que já me encantou... sabe lá por qual motivo de

posição. Vou ficar de molho. Imagina se fosse eu um esnobe!?

Masoquista é aquele que sabe mas num faz nada pra reverter o puta

quadro.

Não deixa a peteca cair, não, mermão! Pois chegam ao final

meus atos. Eu sei, eu sei, tenho que ser forte: uma lenda tá

nascendo!!! Leva tempo. Ou já foi, né. O novo bandido Bandini, esse

agora aterrador, fascinante, ridículo, irreverente, igual bicho-papão já

invade a Internet! Vão tentar me dá prisão perpétua! Sempre.

Crucificar a criança de orfanato, eles têm orgasmos com minhas

historinhas sensacionalistas, é uma curiosidade mórbida pior que a

minha, minha!!!

Numa noite idiota, envelhecendo aos poucos, fumando uma

lanterninha na janela como um presidiário nessa terra seca – apesar

de nem ter que precisar exatamente de esconderijo. Quem tem um

cérebro funcionando, tá na boa. Mas senti uma tensão nova, do nada,

um cheiro legal, nem bala nem caramelo. Era palpite... um lugar mais

justo! Fatalmente acabei por voltar e cair nas tramas do destinar

natural a que este poder todo veio... Eita, lá fui eu caçar uma

conversa...

CAPÍTULO 3:

“NÚMERO DE SORTE NO CIRCO”

Chevetão ao lado do bar da praia. Dentro, partes de cartas

das vítimas dos confeitos, umas notificadas, outras desconhecidas. É

impressionante o que se consegue no Brasil com maracutaias, e em

matéria de bagulho roubado então, putz... É até viável esse meu

bairro ser rodeado de favelas em todas as suas entradas. Curti esse

carrão estacionado e levando todo o Conteúdo. Desovei os presuntos,

os cacarecos dos miquinhos amestrados. Suvenires do “quíler”

carioca, eu, porra!, mais conhecido como o “Poeta”.

É, eu ando na área... e até consegui um serviço fácil. Mandei

outra leva!!

O barmein, como já conheço desse turno, o Quênede, logo

vai desconfiar. Nem preciso forjar uma denúncia anônima. Aí vai ser

aquela gritaria de sempre: ambulâncias, curiosos, parentes,

reconhecimento de rostos, acusações, investigações e mais

investigações que até hoje num deram em nada. Ah corregedoria,

sacos coçando, fodasse, sindicâncias, IPMs engavetados, ainda não

bem explicado pelas autoridades... Os verminhos, tadinhos,

desorientados e de 38 na cintura vasculhavam, faziam perguntas pros

comerciantes... Fui dar um mijão e me acalmar, era muita pressão,

bróder! Mas já acabou, esse foi meu último lance, a tacada final, bola

oito na caçapa. Fim de jogo.

CAPÍTULO 4:

“NO ÔNIBUS, VOLTANDO”

“Um filho do Rio”, eu nem teria feito mais do que o

RAZOÁVEL, se não tivesse tido uma família estruturada. Voltaria

todos os meus dias baixoastral pelo ônibus lento & triste, mais ainda

um filho do Brasil, da Submissão – acreditaria mais em coisas

divinas, me arrastaria como um zumbi, e o Zumbi dos Palmares,

vinho largado podre da Cultura, teria me parido... Como fez meu pai?

Graças, meu pai.

Tem do que se orgulhar, eu CRESCI! – É, TENHO “UM

EMPREGO” – TÁ BOM, TINHA...

CONFESSO, SOU O PINCELADOR! MAS NUNCA

VÃO SABER, ESSAS COISAS EU VÔ LEVAR PRO MEU

TÚMULO, LONGE.. COMO A FUMAÇA

Esta Biblioteca do Pensamento Vivo não é um sucesso nem

de crítica nem de público, só foi algo, um sonho de papilas aguçadas

na hora que seu criador teve, NADA MAIS PASSOU DISSO.

QUEM SE LEMBRARÁ DO SIMPLES ATRAVESSADOR

DAQUI A TANTOS PUNHADOS DE ANOS??... ISSO ACABA,

É UMA PRETENSÃO VÃ

CAPÍTULO 5:

“2503”

Farrapento, desabrigado, com um novo emprego velho

voltando no tempo, matando aos montes, quase em crise existencial,

mas melhorando, e me aparece essa ninfetinha. Queria eu mesmo é tá

comendo e engordando o tempo todo em casa, no ócio, mas não quero

um emprego duradouro, essa porra de estagnação me dá azia,

continuo com a herança!

Tava quase despreparado, mas sempre doido pra fazer uma

saliência, ainda mais vendo a gatinha serelepe à minha frente, com

essa cara inofensiva! Os dois no quarto 2503, o salão abandonado.

Chegamos às alturas!!

Sussurrei “FELAÇÃO!”. Ela, tadinha, disse “que?”. Eu

“nada, morzinho, tô louco de prazer”. Ela fez um “ah” meio que

rindo e respirando, já despudoradazinha, tão jovem, morzinho.

Era um novo trem a três: eu, a ninfetinha e o espirito

sudorífico ao meu lado. Imaginei a bucetinha molhada da ninfeta, ela

sem fôlego.

Mas então a notícia que me deixou frustrado, cortou logo o

barato e me trouxe à minha realidade: “Tou menstruada, lindinho.

NUM POSSO... QUE PENA, NÉ?”. Eu nem tenho esses troço de

pena, sô puro cinismo, morzinho. “Você me avisa quando estiver

pronta, morzinho?”, eu parecia um anjo quando perguntei. “Coooom

certeza”, iluminou a adolescente. Cordeira de Deus. Eu já era pura

chama pra zarpar!!!!!!!! Hummm... “refri, salgadin, pipoca, chiclete,

fixação ou outro meio insidioso ou doce”?, tudo vinha na minha

cabeça alucinada.

Senti vergonha, apreensão, medo, uma vontade de cagar me

fulminou, mas na hora que corri pro banheiro num desceu nada, só

arame farpado nas pregas do cu me atazanando, era minha prisão de

ventre! Ela me perguntou “Que foi?”, quando retornei um tempinho

depois. Nem deu nem pra responder, pois eu já tinha dado uma

machadada na cara dela, forte, um barulhão de pedra quebrada,

arrebentando tudo... ficou um saco de ossos e carne rasgada num

milésimo de segundo pairando no ar até cair... virou a ninfetinha

despedaçada!.. imagina um rosto varado ao meio... uma quantidade

surpreende de sangue voou na parede... dentes, pedaços da língua,

cabelo, tudo dilacerado... fiquei zonzo de espanto... cara retalhada oh

Deus... oh glória.. Vomitei na hora quando vi a bestialidade que eu

fiz... caralho, cara esbugalhada... foi-se a história, a vida da ninfetinha

despedaçada... puta que me pariu, a guria ficou muito feia. Perdi o

desejo de comer o coração dela! Vomitei de novo, deu pra me

acalmar; que fraco sou. Num era aquela a função do Matador senão a

apologia à brutalidade? Agora aguenta a barra, parceiro!!

Tô criando meu mito. Quero receber flores e bilhetes das

minhas vítimas! Mas sei que, na primeira oportunidade, vô ser

queimado vivo em praça pública!... claro, se for achado...

Estraçalhei a machadadas, lancei pedaço pra tudo quanto é

lado do quarto. Joguei com raiva, pra ver se fazia aquele som oco,

num deu, foi mesmo um ruído gordo e abafado, nem sei explicar

direito. Parecia um quadro daqueles que os psicólogos, psiquiatras, sei

lá, mostram pra gente. E a menina tinha um sangue forte mermo, o

cheiro era incrível, empesteou tudo. Peguei meu desodorante e

borrifei na atmosfera. Levantei o que sobrou do tronco e caminhei

pela habitação pro sangue escorrer e emporcalhar tudo aquilo de

vermelho, como em desenho animado que fazem trilha de pólvora.

Tinha caco dela na cama, chão, cadeira, banheiro. Foi um sacrifício

cortar tudo sem chamar atenção, sempre é... daí o elemento música

alta pra distrair as atenções (risos). Catei o batom dela da bolsa e

escrevi no espelho “cabelos pro lado por causa do vento/ se

movimentando/ a água deve estar fria/ trabalho/ o mundo inteiro

em casa/ o mar revolto/ lá vem chuva/ acordar pra trabalhar/

marina”.

Acabou. Câmeras pela porra toda. Caixões fechados na

minha frente. Recoloquei o machado besuntado de sangue no

corredor da sala de máquinas, acabou. Joguei cocô no ventilador, geral

vai sabê! Pimba!!! Gol de placa!!! Inimigo número um da polícia do

Rio!!!! Mas será que o mundo vai me querer?

Sempre sinto esse tipo de alívio. Mochila nas costas e tchau!

CAPÍTULO 6:

“ÁGUA BENTA”

BURROS. Esse era o papel dos outros funcionários durante

os três anos em que tive em ação: BURROS, NADA. Bobos que não

desconfiavam de nada. É incrível, parece impossível, mas é a triste

realidade de ser estúpido. Sem testemunhas, implantando pistas

falsas, eu sou o “fodão”, o “pica grossa”, o “grande assassino”, sei

não, talvez “justiceiro”... Quase fui despedido da última vez, tão puto

que tava, e num deu em... BURROS, NADA!

Matei um rato, dos grandes, sei lá se não era uma puta

ratazana, como chamam... joguei aquele troço na caixa d'água do

prédio e contaminei o líquido todo!! Na hora do almoço, claro, bebi

refrigeréco!

Pressenti a cova dos homens e mulheres, barrenta,

esquecida, o fedor de osso velho: zoado, quebradiço, é.. morte. Que

sujeira necessária.

E a diarreia mandou brasa. Muitos pararam no hospital.

Teve quem morresse logo, logo. Imaginem a diáspora, organismo

canibal e massivo na casa monstro.

A poluição da gentinha varou o mundo! Eu não sei como a

“Justiça” não mandou ainda fechar as portas dessa babilônia! O “M”

deve ter bons “contatos”.

“Limpa o cu na pia mermo, já não tem papel higiênico de

tanto que se cagaram!”, eu ouvi pelos cantos.

Assim é a coisa... trabalho com a dor, invasão forçada pelo

destino... Pode-se dizer que sou um artista, não? Claro que sim, eu

sei.

Tão fotogênico, porra, pena num botar a cara à tapa, pros

aplausos. Os jornais tudo doido! E eu quero ver é mais sofrimento!!

Tá russo!

Fui ao buteco aqui mermo, perto dos ricos, visitei o altar da

cachaça pro deus Pinga. Me espantou é a facilidade do turismo de

jovens rolando solto. Me estirei na cadeira, relaxei, sorri, os óculos

escuros, depois pedi mais uma breja e uma gatinha me deu mole.

CAPÍTULO 7:

“RJTe Vê”

Tava eu zapeando outro dia, quando sintonizei no Te Vê.

Cheguei cedo, acabei o serviço no setor rapidinho e desci ao refeitório

pra rangar. Então, como disse, enunciava lá:

“Neonazistas europeus perdidos na Orla carioca agrediram

anciã de 90 anos com as bocas besuntadas de batom e beijaram todo o

rosto da Senhora Cora, bisneta da famosa prostituta dos cabarés

áureos” “Vídeo perturbador mostra suposto E.T. à luz do dia,

passeando de óvni pela praia do L. Especialistas afirmam que o

veículo extraterrestre é obra de gaiatos do EiTube”

“““Ainda do L, mais uma do “Poeta”, alcunha atribuído ao

“Quíler Carioca” desconhecido que espalhou o terror no Hotel - -

orla- anos atrás, ao se atribuir os xxxxxxxxxííííí assassinatos

ocorridos nos últimos xxxxxxxxxííííí dentro e nos arredores do

xxxxxxxxxííííí medo xxxxxxxxxííííí..”””

PORRA! BOSTA DE TELEVISÃO!!!

É isso...

Olho pro grude do tipo de colar pipa que é a refeição daqui.

Deprime essa lavagem. Penso nos últimos tempos, eu não vou

confessar, nunca, nem! Sempre vai ficar pairando no ar. Tal

abandono!! Nem tem provas pesando sobre mim, só uma angústia no

peito de vez em quando. Eu sou como o SALVADOR, dou o alívio,

transformo em bons os demônios que foram em vida quem matei.

Ainda por cima levo comoção pras pessoas, sô quem agita os dias

chatos, emociono duma forma ou de outra a dona de casa cansada;

todos precisam disso.

Tudo faz parte da estratégia! A coisa aconteceu debaixo dos

panos, a fachada do prédio engana. Pobre... a polícia do Rio de Janeiro

é muito mal remunerada, tenho até pena. Eles num me preocupam. E

tive uma puta ideia!:

“ NINGUÉM VAI ROUBAR MEUS MELHORES

ANOS... NUM DEIXO... NÃO POSSO FICAR AQUI

PERDENDO MEUS MELHORES ANOS!

Cuspi na prato de Satã, fiz aquela minha conhecida cara de

nojo meio desgostoso e saí dali, debochado. Larguei a porra toda.

Assim é minha vida, cheia de fugas, reviravoltas e recomeços –

intensa! Grevistas faziam passeata ao mesmo tempo que pacifistas na

praia do L, esperei o ônibus. Limpa a merda com a cueca, animal!

Tem fé? Eu tenho imagens ”

CAPÍTULO 8:

“2105”

Keite Perebenta & Kélly Piolenta!!! Nesse quarto

simplesmente tavam hospedadas Keite Perebenta & Kélly Piolenta,

do grupo KEPE-KÉPE, novíssimas estrelas em ascensão rápida, o

funk carioca nunca teve tanta projeção. Era turnê, vi nos jornais. A

bacanada tava numa de sair sem calcinha pro baile também. Quem

entende essa gente? Se eu conseguisse matar a dupla, minha fama ia

atingir as massas, AS FOFOCAS! Aí fudeu, ninguém me segura,

serei “O Cara”!!! Tentei até cartinhas endereçadas à mídia, porque

depois desses anos, eu já ia meio em desuso.

Mas primeiro eu tinha que saber como, já que sempre prezei

pela criatividade. Assim um profissional fica bem visto na praça...

A primeira medida foi fazer a coisa beeeem profissa.

Seguindo cartilhas. Dei meu jeito de ter acesso às câmeras. Cara, esse

lugar tá nas minhas mãos!!!

Mas o que vi me deixou foi de pau duro: rolava de tudo

naquela suíte em chamas!!! Eu que achava que já tinha visto de tudo

quanto é doidera nessa existência...

Resumidamente, pra num perder tempo, anotem as palavras:

cunilíngua, tribadismo, sodomia, sadismo, ssss... etc etc, além de pó,

Black Leibel, muito pó, nunca via nada igual, essa galera gosta de

cheirar pó mermo! Além de criatividade pacas!!! Os movimentos

eram muito violentos, não consigo explicar, cara. E tinha a bajulação

por parte do empresário, incentivando, falando coisas sem nexo –

acho que ele tava é chei de hempa na cabeça. Odeio gente papa-tudo-

por- dinheiro!! Uma tinha a cara da perfeita Mulherzinha Sonsa,

cara... a outra parecia a Poção do Amor em pessoa! Não sabia como

alguém podia dar pra tantos ao mesmo tempo!!! Os buracos pareciam

não ter fim... Fiquei olhando a fita, gozei antes do gran finale: elas

naquela modalidade de sexo grupal praticado com mulheres que

“recebem” a ejaculação de diversos homens, envolvendo as duas

mulheres e vários, vários, homens. Quem disse que eu pude ou tive

vontade de contar? O desfecho foi aquele mar de gosma branca nas

arruaceiras...

Nem bem tinham enchido o cu de dinheiro e já tavam

torrando, se destruindo, coisa que o pobre quando sobe faz na mesma

hora...

Esperei a cambada dormir. Esperei saírem aquela muntueira

de macho. Esperei. Enquanto isso, peguei os remédios da bolsa prata

da vovó e fiz um coquetel. Era uma profusão de nomes doidos:

marevan, neosemid, diovan, selokok, ancoron, aldactone etc. Fiz uma

farinha daquela merda, derreti açúcar no fogão e misturei. O

resultado foi um total de 37 balinhas – trabalho fudido pros canas

descobrirem que substâncias foram usadas na intoxicação. Embrulhei

nuns plásticos coloridos, e botei num saquinho de Cosme & Damião

pro serviço de quarto. Essa galera entende quando mandam esse tipo

de coisa, é a união das seitas. A camareira nem deu bola, só entregou.

“ACHO QUE VÔ MORRÊ, VACA!!!”, disse Keite. Keite

já meio que sabia. Você é muito sabida, garota. “É TETO, É TETO,

BURRA” – Berrava a amiga. Eu não previa quais reações iam dar, só

que iam meio de agonizar, ter ataques, soltar espuma pela boca e cair

duros. Mas antes passaram maus bocados delirando e se debatendo e

chorando. É incrível como eu conto com a sorte e ela me ri: morreram

só os três (artistas e empresário), não havia ninguém mais!

“pessoas pequenas lá longe & caminhando/ ooohmn/

cháááá/ a espuma é amarela, suja como areia amarela/ quebra-mar/

mar vazio/ peixes solitários dando lições aos filhotes/”

Eu queria que fosse uma lambança, sssss... pra geral ficar

revoltado, e foi! MA-TAN-ÇA!!! E tinha categoria na coisa,

refinamento apesar de tudo.

Arrebentei as barrigas e puxei um pouco dos intestinos no

chão pra ver como era a sensação, e foi aquela loucura... o sangue

parecia que brilhava, puta me pariu, nunca fiz tanta lambança!!!! Dei

umas risadas porque a coisa era hilária... jorrando, escorrendo, eu

parecia um açougueiro de bairro, o açougueiro do Brasil – digo isso

porque usei um daqueles facões com cabo branco típico dos caras! Dei

um arrancão e puxei mais daquela corda. O corpo da Kélly deu um

tranco, parecia que tinha espirrado! E me banhou pra caralho, sorte

que eu uso aquelas capas de chuva transparentes pra ficar visível a

sujeira.

Levei coisa de duas horas pra separar a merdalhada toda,

desmembrar as panças, e tentei, também, jogar alguns pedaços de

órgãos pelo vaso e dar descarga, em especial os fígados, mas fiquei

com cagaço e só zuni pra lá alguns bolos de cabelo duro do escalpo e

do saco do mané. Ah, notei também que pelo cu do empresário saía

sangue e porra, misturados, com aquela nova tonalidade chegando ao

amarelo catarro. Me deu asco pensar no que se meteu esse... suíno! O

aviso de NÃO PERTURBE ainda tava na porta!! Conveniências.

Adoro essas ironias! (e vai por rir)

Os presuntos ainda tavam um pouco quentinhos. Quando

acharem, vão ver que foi há pouco, coisa de meia hora... Aposto que

vão noticiar que assombrou aos próprios veteranos do IML presenciar

o quarto pintado de vermelho, e nem os repórteres mais cascudos

tiveram peito pra ver aquela desgraça... minha obra. Um dia da caça,

outro do caçador... proverbiando como meu papai!! Quem vai

remontar o quebra-cabeças de partes???

Antissocial, limpei e limpei mais gentes... tô ficando bom

nisso!! Mamão com açúcar!!!

CAPÍTULO 9:

“1901”

“Tranquilo, tranquilo, tá executado nos conformes, mandei

decepar a cabeça do inimigo lá no Matagal. Agora falemos de

negócios, não é pra isso que tamos aqui, digníssimos?” – Disse, anel

de ouro no dedo mindinho, rubi no anel, enfaticamente Dr. Fernando

pros outros dois Chefões do Crime &, AINDA POR CIMA! DEUS

DO CÉU..., criadores de galos de briga, todos à sua frente.

Curiosamente, os seguranças tinham saído pra comer uma coxinha

na esquina, já que os patrões num dão merenda da boa..

Neste momento entra um homem, um puto homem sozinho,

encapuzado, com uma roupa normal, mas de um detalhe marcante,

com uma camisa cujo desenho era um sarcófago sepultado cheio de

poeira e lágrimas. Tinha uma pistola preta com silenciador na mão, e

antes que os três pudessem se dar conta, ele já tinha disparado nos

joelhos e eles agonizavam como baratas tontas no carpete bonitão do

quarto 1901. O escarcéu que eles faziam agora era abafado pela

festinha de confraternização dos funcionários do turno, logo acima,

no Salão de Festas U – mas e daí? E quem iria ter a audácia de entrar

no quarto deles, poderosos que já tavam “acostumados” às festinhas

privadas??? Quem correria tantos riscos assim? Esses Grandões eram

“assim ó” com os delegados, cheios desses troços de conchavos.

Quanta magia havia nos olhos do nosso herói protagonista!!! EU,

PORRA!!! (risos) SOU EU AQUI Ó!

Ainda assim, nosso herói tomou a precaução, outra vez, de

calar a boca deles com cuecas sujas, suas, claro, preparadas

cuidadosamente dias antes. “Sigilo, ouviu bem?”, debochei na cara

dum dos malas..

Aí foi que começou a canalhice!

SOSSEGA O FACHO, CÍNICO!!!!!!!! – Cuspiu nosso

vingador, justiceiro, essas pirações idólatras...

HURRRRRRRRUUHHUHU...

Blá blá.. aceita logo a morte, num adianta gemer agora

não – Debochou, de joelhos, na cara do Chefão caído. E ao levantar,

um sorrisinho meu de satisfação na cara. Eu debochei, eu sou o

Vingador!

Cês foram condenados pelo Júri Popular pelos

seguintes crimes: contrabando, estelionato, venda de narcóticos,

ganância.. añññ.. jogo do bicho, cinismo, vigarice, prazer, falta de

escrúpulos, negócios sujos... E O PIOR DE TUDO... PUTA QUE

ME PARIU, ME DÁ ASCO: BRIGA DE GALO. REVOLTANTE,

HUNF... E CHEGÔ O FIM DE VOCÊS, TRASTES! Fui

sucinto??? Faltô algo, hunnn.. dexa eu pensar.. iáhh, viva Máiquel!!!

IRRRRIIINIIII!

SHIIIIIIIIIIIIIIIIIii! Vai chamar atenção, pô! – Dizia

isso e balançava a pistola, intimidando os presentes. Olhava ao redor,

sou o novo Rei. E minha voz tá abafadona!

Espera um pouco, vou me servir de algo. Se importam?

Humnn, vamos ver: Caipirinia, Vermouth Rosso, Bacardino,

nããããoo, prefiro Vinho do Rio Grande, Vinho de Cancão, vaidade, tô

em dúvida.. Cês têm aí, héim?

HUUUUUUUNNNNN..

Chora não, amiguinho... tudo vai acabar bem... –

Debochou o futuro assassino. – Quero cabeças rolando – continuou.

Enquanto dizia isso, os Chefões se contorciam e mijavam nas calças

de linho.

Tsic, tsic.. Logo tu, infanticida que abandonou a filhota

pra ser devorada pelos animais da politicagem... gemendo de medo?

Por quê? Por quê?... é o que te pergunto. Meu sangue é frio, sô teu

irmão réptil, seu demente. Pensa nisso enquanto me divirto com teus

dois parceiros de túmulo.

E cê aí, tão poderoso quando... arrgghnn, que revolta a

minha, foi tu né fildaputa, que afogou o filósofo humanitário na água

ácida da chuva na Favela das Dores.. tsic, tsic.. Vô te castrar pra

amansar a merdinha do mau comportamento, mais equilíbrio.

Hummmmnn.. mutilação sexual, que cê acha???

HUUUURRRRRRRRRRRRRIHN – gemia o

afrontado. E o vingador abaixou as calças dele abruptamente e puxou

o monte de pele do pênis do Chefão caído e passou a faca, uma faca

como aquela do Rambo. Olha a influência gringa aqui ó! O Chefão

esbugalhou os olhos, caíram algumas lágrimas e desmaiou. Da calça

minava sangue pra caralho.

TU AÍ!!!!!!!!!

IRRRRRRIIIIIINN – Se espantou o outro, branco

igual a fantasma.

Tua mulé agora num é aquela política terrorista que

trocou de rosto? Pra que tanto poder? Tu é bola murcha!!!!! Se fudeu,

otário – Cravou a faca na pança gorda e deixou lá. O atingido calou.

Voltei, chefia. Agora só falta você, a grande maçã

podre do cesto. “Agora só falta você, agora só falta você iê, iê...”, de

quem é essa música?? Sabe que é bancarrota, né? Meu tempo tá

terminando. Sei que tu também é traficante de órgãos, imune às

palavras das vítimas surpresas que quitou... agonizante... já era..

Espera, espera, vou te dá a voz, diz aí – E no momento que tirou a

cueca suja da boca do Chefão, quando este ia dizer algo, quando o

bafo começou a sair, nosso assassino pisou na cara do Chefão, seco,

bem duro, uns três dentes voaram na hora.

CÊS FIZERAM NEGA JUREMA ABORTAR OS

GÊMEOS QUE ELA TAVA ESPERANU!!!!!! BÓRA, CARALHO,

DESEMBUCHA!!

MEU DEUS DO CÉU, DO QUE TU TÁ

FALANDO, SEU MALUCO????????????????? – Arranjou fôlego e

gritou isso com a boca fofa desdentada, em seu último lance.

CALABOCAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!! – berrei

insanamente, anti-herói que era... Podia-se ver os olhos animalizados,

o coração pulsando. ASSASSINATO POLÍTICO DE CU É

ROLA!!!

PUF. PUF. e... PUF. Tiros nas testas e fim de papo.

CAPÍTULO 10:

“JUIZ & CARRASCO”

Ex-namorado frustrado com a separação esfaqueou com 77

punhaladas a jovem Cibele... O pai da jovem pegou o salafrário e

amarrou o bicho no para-choque dum fusquinha 69 que tinha

guardado de recordação na garagem de casa e atravessou o bairro com

ele. Chegando à DP, os próprios jovens soldados e os velhos tenentes

ainda puderam perceber o cheiro forte e surdo do sangue e dos miolos

brotando como gelatina quente dos despojos do parasita assassino.

Ninguém fez nada quando o pai enfurecido e meio aliviado foi

embora, atirou o carro no São Francisco e foi pra casa. Ainda que isso

não fosse curar a dor da perda, apaziguava. Ah os jovens guardinhas,

ainda tinham muito que presenciar, logo ficarão calejados e essas

idiossincrasias parecerão nada! Nunca mais o pai fumou os seus

cigarros com calma, pensando “(ele) queimou os cabelos da minha

menina”.

Tem bandido que é burro mermo. Quando ouço essas

merdarrala, fico quieto e penso. Eu, “Poeta”, teria feito assim:

Ex-namorado frustrado com a separação esfaqueou com 77

punhaladas a jovem Cibele... O pai da jovem TENTOU PEGAR o

salafrário, MAS SE FUDEU, FOI DÁ UMA DE BESTA, METEU

OS PÉS PELAS MÃOS, POIS FOI ELE É AMARRADO, ô bicho

BURRO, no para-choque dum fusquinha 69 que tinha ELE MESMO,

PAI TOLO, guardado de recordação na garagem de casa e FOI

ATRAVESSADO PELO bairro DEPENDURADO. Chegando à

DP, os próprios jovens soldados e os velhos tenentes ainda puderam

perceber o cheiro forte e surdo do sangue e dos miolos brotando como

gelatina quente dos despojos do PAPAI CORAJOSO. BANDIDO

BOM É BANDIDO IMPUNE... IMAGINA SE O BANDIDO É

AMIGO DE TRAFICANTE??? Ninguém fez nada quando o

ASSASSINO enfurecido e meio aliviado foi embora, atirou o carro

no São Francisco e foi pra casa. Ainda que isso não fosse curar a dor

da perda DA NAMORADA, apaziguava. O HOMEM É SÓ UM

OBSTÁCULO MAIS. Ah os jovens guardinhas, ainda tinham

muito que presenciar, logo ficarão calejados e essas idiossincrasias

parecerão nada! A PALAVRA CONCHAVO NUM VAI SER

MAIS UM MISTÉRIO. Nunca mais o AMANTE SÓ, QUE SE

TORNOU O ASSASSINO, fumou os seus cigarros com calma, DE

TÃO ATORMENTADO QUE VIVIA, pensando “QUEIMEI os

cabelos da minha menina”.

CAPÍTULO 11:

“1706”

Este é o caso do ladrão cheiroso. Um dos seguranças que me

falou, saca só:

Déco Lacuna, mais conhecido só como Lacuna, vivia de

aparências. Teve o estalo de se hospedar no nosso hotel rebelado e dar

um golpe – “dar um golpe” é o modo dos ricos dizerem que vão

ASSALTAR, FURTAR. Era só espreitar alguém do seu andar – de

preferência mulheres ou homossexuais –, travar amizade pra depois

ter acesso ao quarto da presa. Aí é só escolher o que pegar, apesar do

golpe depois ter o incremento do remédio xx/xy, dopador, pra drogar

a presa e fazê-la dar tudo o que o nosso Lacuna quiser – é o Boa-noite,

Cinderela.

Lacuna tinha um perfume encantador, saberia seduzir quem

quer que fosse, era um desses homens de 35 charmosos e alinhados.

Os cabelos grisalhos solitários já despontavam, esbanjando os brotos.

Infelizmente a expectativa esvai-se aqui: Lacuna passou por

muitas dores de barriga e vômitos esta noite, foi levado, branco, e

com muita febre, ao hospital e internado. Três horas depois veio a

falecer – o chefe do restaurante V ficou apreensivo. Sem família na

terra dos Mortos de Fome, até seus sapatos foram levados... Déco,

Déco...

CAPÍTULO 12:

“O QUE É UM PEIDO QUANDO CÊ JÁ TÁ

CAGADO???”

A primeira vez é sempre traumática e marca. Lembro! Foi

um ferro abrasador numerando minhas ações. E quem diria da pobre

menina, arrancaram o desgostozinho dela. Me sinto o grande ex-

acompanhante maldito, um xucro demente e sem nenhum pingo de

coração. A porra se chama “Nascimento Parcial”. Num vô dizer onde

é feito pra cês não saírem correndo pra lá, seus filhos da puta

desalmados. Todo mundo tem um pouquinho de mim... Uma

anestesia diabólica dormiu minha menina. A gravidez avançava pras

vinte e tantas semanas. O bicho pegando pra gente. O Carniceiro,

munido do ultrassom, agarrou a perninha do meu clone detido e

puxou da perseguida da Ísis, minha menina, mas deixou a cabeça do

feto lá dentro. Deu um talho na nuca do guri e sugou o cérebro com

um canudinho e depois retirou a ameixinha da jovem mãe de

mentirinha. Será que respirava o feto?? O Carniceiro não respira

não!! Tinha muito vermelho, jorrava aquela meleca, “a cor do

Desgraça”, da mão do Carniceiro. Existe? Minha menina toda

emporcalhada, quengo fedido de tanto suar. Carniceiro. E não era eu.

Ainda. Foi o vexame da humanidade. Deu vontade de meter uma

bala na minha cabeça e acabar com essa miséria.

Logo que acordou, a carinha dela mudou, ficou opaca,

desfocada. Disse baixinho “Completamente meu”. Ela profetizava.

Eu era o maior racista da face da Terra. Lembrei dos meus motivos

abomináveis... a agonia da responsabilidade perebenta... da minha

paraibinha... no começo eu repudiava em pensamentos troços do tipo

“Tá doido di pegá esse jaburu!? Sai fora saisai!!!”, mas logo os

encantos e sensualidade me tocaram... havia sensualidade no ato...

mas sabe como é, sempre dizem que quando se vê a mãe, o cara sabe

como a menina vai ficar quando parir, ficar velha, obesa, essas

coisas... e via a Comadre, a bomba atômica do peido da minha sogra...

e pasmei. “O que é um peido quando cê já tá cagado???”, disse pra

mim. “Arranca essa porra, eu dou um jeito de pagar, vô pedir pra

minha família fazer uma vaquinha”. Família? Eu era puro impulso.

Coitadinha, ela aceitou. Acho que também pensou “O que é um peido

quando cê já tá cagado???”. Sou o mandante. Sou pior do que o

Carniceiro, acho que por isso me tornei um. Chega de lendas.

CAPÍTULO 13:

“1605”

Querido poema/ acho que te desprezo/ nunca soube e

quando tentei fazê-lo/ não mais consigo/ E ela se vai – é isso

mesmo? –,/ cadê/ No quarto tá tudo dissonante &/ MENOR/ Ah

poema/ Ah poema/ é uma voz aguada/ é uma bestialidade

Esse foi o bilhete que deixei pra ser achado pela camareira

Janete, antes de matá-la, dias atrás. Atualmente o bilhete tá nas mãos

da supervisora de andar, Francisca, a Turrona... machona, dura, mal

amada, morta de cirrose daqui a pouco – ela usava óculos de grau

alto... Mas, até este momento, Francisca não tinha descoberto a

origem, finalidade, essas porras, do bilhete, pô.. Dei uma de difícil pra

polícia! – É que ia usar esse novo poema pras próximas séries de

traquinagens, mas pô, nem acabei o outro!!!

E então algum COLABORADOR achou uma cópia do

bilhete, tava debaixo da cama – Como será que essa porra foi parar lá

é um mistério até pra mim!!! Ele, o colaborador, questiona

rapidamente: “QUE PORRA É ESSA??” Vêm à cabeça dois meses

passados, a garota de 19 anos, Janete, recém no posto, pendurada

numa corda naquele quarto. “Merda! Os jornais de novo não...”

Foi assim...

Comprei um escorpião no Mercadoria Livre. Um tipo,

espécie, raça, sei lá, que se chamava tityus serrulatus, escorpião

amarelo ou escorpião branco, é... como queiram, dá na mesma, porra.

Engraçado que só existem fêmeas dessa espécie, segundo pesquisei. O

carinha que fez o rolo disse que tem muito aqui no sudeste. Usei essa

técnica tão velha, mas identicamente eficiente.

A picada parecia extremamente dolorosa, tóxica pra caralho,

quando Janete deu um grito seco. Sei lá como num saiu nenhum som,

só a dor. Esperei um tempinho, observava, fumava meus filtros

amarelaços. Não tirei os olhos dela, amarradinha, o coraçãozinho

bateu rápido, teve uns espasmos, pontadas, me agitei.

Eu passava minhas mãos e ela se contorcia como uma lacraia

dessas de quintal. Ficou lá como lacraia, olhando pros lados, nem quis

me encarar, acho que tava pensando, curtindo o fim.

Esperei ela delirar, sei lá, meio que suar frio, ainda que eu

num tenha visto gotinhas..., e esvair aos poucos. Eu tava muito

calmo. Olhava mais e mais meu objeto de desejo, tentava entender

essas pessoas, mas só via bichinhos de estimação esquecidos no

quintal de casa novamente.

Acredito que morreu por parada respiratória, geladinha,

segundo li sobre. Um crime acidental grave (ri). Fêmea mata fêmea.

Dependurei o presunto numa corda e fiz parecer suicídio.

Entretanto era óbvio que ninguém engoliria essa, ainda mais no

Hotel M!... mas sei lá, quem sabe?, a porra balançando lá daquele

jeito, alta demais, logo iam ligar as coisas e associar à minha pessoa.

Mas fodasse, fodasse e foudasse.

“Uma besta, um tirano, que me mijava na cama, que vou

morrer num manicômio”... tão dizendo de tudo sobre mim, menos

que sou um artista. É isso, tenho a maior carreira monstruosamente

bem articulada dos últimos tempos nas artes brasucas!!! “Frio,

calculista e dono de uma mente doentia”... quanto desperdício de

letrinhas... (e se ri)

CAPÍTULO 14:

“OBRA-PRIMA DA INSANIDADE”

“meros trocadilhos e outros apenas alguma provocação, sátira ou

piada com conotação sexual”

OLHA SÓ COM QUEM EU FUI TER UM LANCE?

COM A ARRUMADEIRA, FAXINEIRA, SEI LÁ COMO TÁ

GRAVADO NA CARTEIRA DE TRABALHO DELA... UMA

MERDA DE NOVELINHA BARATA QUE TALVEZ

ATRAPALHE MEU RENDIMENTO... Mas diz aí, Poeta: não foi

maneiro... eu comendo o cu dela enquanto dá aquela gozada titânica?

Seguro os cabelos, aperto a cintura e num deixo ela se mexer. Tá

presa!!!!!!! Ahh, loira farmácia de unhas vermelhas e meia-calça preta

cuspindo na mão e alisando o cu que já foi de 40 reais. Gosto do fato

de você já ter sido prostituta, garota totalflex, me excita mais,

úúúúu... Marina cantando o Marina! Só rebolando e mostrando o

rabo pra se dar bem nessa vida mermo, né, fofa!?... Não te julgo mais.

Você me completa, menina. Formamos um casal doentio também. Eu

quero é aventura, o elogio da paixão cega, páginas de contradição! Eu

sou maluco!!!

“Só arrumava pé rapado”, ela me disse, “foragidos dos AA,

essas porras..” O ex-marido, vendedor de cerveja na praia, ficou rico,

daí realizou o sonho de se hospedar no que achava melhor, cheio de

pompa, pôs a melhor roupa, e foi aloprar!... Logo voltou arruinado. O

território dos marajás é a areia movediça à milanesa de cobras!!

“Lava o prato, vadia!” foi a última coisa que ele te gritou.

Toda esculhambada, mas foi ao baile funk, cheia de orgulho!!

Caminhou pelas ruelas esburacas e lamacentas do Bairro Baixo em

dia de sábado. Fugiu, como eu, de tudo.

Foram tempos incríveis, sempre excitada, portadora duma

rara síndrome de excitação permanente, pois andei estudando a coisa.

Cicí alcançava múltiplos orgasmos com pouco ou nenhum esforço.

Ela me estrangulava, mas num era pra matar não, meu amorzinho

gostava, queria sempre me dar choques, ver se eu tava alerta..

tragando meu pau cheio de veias e torto. Ah, tinha também a mania

de maquiar meu pau. Imagina a doidera! E fazia desenhinhos, essas

coisas. Pura tara chave de cadeia. E depois fazia como bambolê no

meu cacete... hummmmmmnn..

Ahhh, ela é que gostava de me ver sujo, a roupa suja, o pau

cheio de sebo, coroado de branco.. – Com fome ela chupa é até

melhor, é isso aê – E – Queria eu ela mesmo menstruada... isso me

deixava é mais excitado. Gostávamos de ver nossos sangues se

unindo durante a prática sexual, indo desde mordidas a pequenos

cortes com facas afiadíssimas de cortar aqueles pedações de carne lá

da cozinha... trocas e trocas e selvagerias.

Mijei na cara dela e ela amou. Depois foi a vez dela de fazer

o mesmo! E fez como ninguém.

Folia, orgia, vadiagem, profanação de cadáver é que é o meu

verdadeiro crime! Não vou te omitir socorro, enfim.. mostra a

periquita, vai.. a pirâmide da paixão da tua cara... Agora chupa a

vareta, hem, béim.. vô usá afrodisíacos pra batizar a nossa rapidinha.

Mostra a lógica simples e a beleza incomum da buceta massacrada

com os anos de uso, pra fora, como uma flor de cemitério preta e

queimada, seca. Ah, que vida besta, só resta me masturbar e esperar

algo acontecer. Ainda amo você. Nunca vi ninguém mais assim, de

verdade. É perfeita!

Zureta da cabeça, numa ziquizira, saí voado daquela porra...

Começou a buzinar no meu ouvido, daí saí voado! PORRA! O

cérebro chacoalhando na caixa craniana, confuso pela merdalhada

toda. Precisava entender como era possível existir alguém como Cicí.

Má onda... a galera até fala... quero virar camponês pescador

de salmão no Chile! Te poupei! Poupei alguém!! Isso aqui tá tudo

errado, louuuuco!

CAPÍTULO 15:

“1407”

Abati uma porca, abri a pança com meu canivete do

Paraguai, num era engraçado. Comi as tripas dela, mas só as tripas, a

carne me deu nojo. Chupei as tripas, bebi o sangue dela, que, aliás, era

gostoso como o vinagre fresco, mas jorrava aquela merda o tempo

todo... eu chafurdava nas poças de sangue, uma imundice da porra..

ensopou tudo, foi dose pra lião. Dei pequenas cusparadaszinhas, meus

dentes tavam vermelhos. (...) Aí esperei dar vontade de mijar e cagar,

pra recolher as amostras.. Tinha que provar uma coisa pra mim,

TIVE QUE ELIMINAR A ELEVADORA!

Foi fácil pra caralho. Cambaleio na trilha do maldito, mãos

manchadas de sangue. Tem mulher que ao mesmo tempo que é

mística é ingênua igual a um animalzinho doméstico, abrindo a porta

do quarto pra qualquer um, solícita, boba demais pro meu gosto.

Escândalos, horror, nada dessa bosta aparece quando a fatalidade é

seca, como no caso dela, que executei rápido com uma facada no

peito. Depois foi só trabalhar.

Violentei ela ainda dormindo (ri espaçado...), dormindo

nada, tava é mortinha da silva... meti no caixão que me oferece nada,

e agarrei os cabelos, enrolei no meu pau ereto e comecei a friccionar,

até que esporrei e vi aquela argamassa grudada no penteado dela; me

deu prazer, tive vitorioso. Eu sou como um ex-presidiário sedento por

sexo, sexualidades.

Que dirão os rapazes do elevador quando souberem? Vão

segurar o fluido préjaculatório dessa vez? Terão garra pra vomitar?

Pra tu nunca mais pôr as patas nela, por isso matei. Calor humano é o

escambau! Quem disse que eu sou maníaco sexual??

Fechei com chave de ouro decapitando a gostosa – era

realmente um belo exemplar de mulher – apesar de colega de

profissão da tal Jena Jémison. Eu conheço essa tal Internet!... Mas

suei porque só dispunha do tal canivete... sabe como é, tem dias que a

gente sai desprevenido do lar. Mas gostei de ver as formigas já

andando sobre a vagina morta... Levei a cabeça comigo e escondi a

titica de galinha no meu quartinho de relíquias, junto com o quadro

do Bandido da Luz Vermelha. Levantei a taça, que nem bebê, na

minha frente, ri do persona. Quero vê pôster de borracharia de tu

agora!!! Quem não tem uma referência?? Ah luz, luz, tive que gastar.

Foda foi levar aquele troço no ônibus até o bairro.. tive receio, não

medo, porra, claro, de respingar e ter que dar desculpas idiotas.

Na outra semana, tatuei o rostinho da ELEVADORA com o

nome dela na testa do tal desenho, que era bem uma caricatura que eu

fiz, e descobri com a ajuda dos jornais que a gostosa defunta se

chamava Vicky – já tavam em versões descartadas e tudo sobre o

assassinato, lá na DP, onde foi registrada a ocorrência. A tatu foi no

braço esquerdo, e embaixo mandei o carinha pichar “CINISMO”.

Que coisa maluca, saindo desse cenário, me deu uma puta

vontade de comer aquele bolo de fubá e café com leite lá da Tia Jôse...

CAPÍTULO 16:

“ELEVADORA”

Fora. Então. Escuta isso, servente: eu e mais dois rapazes lá

da cozinha tínhamo que pega guerridón usado lá no sétimo andar. A

merda era que o elevadô de selvicio tava com defeito. Disserum:

“NUNCA, REPETINDO, NUNCA UTILIZAR O ELEVADOR

SOCIAL”, a merda era que sabíamo que, na prática, quando o de

selvicio quebra, TEMO que usá u outro mais bonitão. A merda é que,

assim que chega um hóspede, temo que, literalmente, “EVACUAR

O SOCIAL”. Esse é o x da questão...

Quando chegamu pra pegar u social, já tinha até outro garoto

lá esperano, esse que fuma direto lá na portaria – Aldo, né!? Algum

tempinho depois entrô: ELA, A LOIRA, LOIRA DE VERDADI,

ATRIZ PORNÔ DUS TEUS SONHO, A QUE ELEVÔ, DEXÔ

“FELIZ” CADA FUNCIONÁRIO DAQUELE CUBÍCULU;

LINDA,

CI-NE-MA-RRÃRRÃ-TO-GRÁ-FI-CA,

AHH,

COXUDA, GOSTOSA, UMA DELÍCIA QUE CÊ SÁBI QUE

NUM EXISTE PRO TEU MUNDO, NÃO PRA GENTE COMO

VOCÊ O EU... Entrô e, TODOS, tavamo parados, vivos; ela, sei lá,

sorria. Queríamo se fartá dela ali mermo, a gente era urubu, mas ela

não era carniça! BABAMOS! (...) Mas tínhamo que sair, né. PUTA

QUE MEO PARIU!!! (...) Saimo. (...) Comentamo e fizemo

piadinhas entre a gente (...) Nessas hora – tensão – os hômi se

compadéci (com as mediocridadi dos pobre que são...) Pois foi ela que

mataron...

CAPÍTULO 17:

“O SUPER-HOMEM PERDEU OS PODERES???”

Por volta de 04 de abril, saltou um maluco suicida,

egocêntrico e imaturo, provável que traído ou pela mulher ou pelo

sócio. Pode ter tido que comer a própria merda, desesperado, quem

sabe? A besta pulou do décimo terceiro andar. Claro que “eles” num

podiam deixar barato e no começo da reportagem me citaram. Mas,

depois de resumirem, contar sobre a vida e buscar porquês pra morte

proposital, num chegaram a lugar algum. Legal foi a imagem do

defunto, caído sobre um táxi... amassou o capô quase inteiro. Não foi

aquela chuva de sangue, muito pelo contrário, me parece que só

vazou pelas extremidades – será que pelo fiofó também??? Ficou todo

retorcido, como um cachorro velho estatelado, língua de fora, ossos

cortados ao meio dentro da carcaça borrachuda, parecia um pouco a

Emília do Sítio, boneca de pano destrambelhada!

Eu pequei, ele pecou. Idealizei suas lamúrias. Será que ele

antes de se tirar a vida não esfolou brutalmente a namorada,

saboreando cada detalhe, e se arrependeu estupidamente? Ou ele viu

que o estrume de boi que é o sócio passava a perna nele todo mês, no

Caixa II, aos poucos minando de água o teto da empresa?? Fodam-se

os abastados, fodam-se os abestados também. Indefectível rixa.

Num sei por que raios me deu uma puta fome. Pedi pra tirar

uns minutinhos pro cigarro. Acendi rapidamente enquanto

caminhava e fui num buteco desses de bairro. Empadinha,

“Surrasquin”, cachorro-quente de forno, coxinha de galinha. Refleti

sobre essas e outras coisas, mas só me veio aquele enjoo de como

quando vou a algum lugar e tá aquela marola de maconha batizada.

Juro que quase botei tudo pra fora!!! Pedi uma gelada, bebi em três

goles, senti refrescar tudo. Cara, puta merda. Me meteram numa

sinuca de bico, e agora eu tô pagando o pato! Alguém em algum ponto

da minha formação... Traí, menti, roubei e matei e dei risadas, além

de ridicularizar as “autoridades” canas com pistas toscas, mas nada

melhor que uma cerva trincando e meu Lucky's pra achar que posso

levar adiante... Marcas, como nos atrapam.

Depois dei uma golada num outro troço doido de cana-

absinto-guarachampe que pedi pra bargarota que apareceu do turno..

tô nadando em bosta... só quero morrer. Todos os dias sofreram

metamorfose, é o Dia dos Mortos todo tempo.

CAPÍTULO 18:

“PINTOU O ZARALHO”

“– tô chei de mitinga

– vai tomá banho, então, vai filhinho – disse a vovó! – vai

lavar o pintinho, escovar os dentes, trocar logo essa roupa

– vô nada, vó, vô é pra rua!”

“– Porrr que cê náo me ouve?

– Ô tio só quero uns trocado...

– Te dou o que vocé quiserrr, mas olha só... se vocé tocarrr,

ele fica grrrááánde..

– Já sei os esquema.

– Entáo tá, gatinho..

– Ei, qualé teu nome?

– Fritz Harmann.

– É gingo é?

– Sou alemáo.

– Num parece!

– E xenófobo, parece?

– Ããn?

– Eu saber que náo. Foi piada, rêrêrêe..”

Traição, emboscada, dissimulação, através da hipnose do

dinheiro fácil.. escambo dos felás.. socão nos cornos do ex-Garoto

Febem, tão bobinho agora. Esse é o texto clínico de análise humana

em vida.. Logo eu vou ler nos jornais, beeem indignados, com a

perversão, em choque, glória:

“Banho de sangue em turismo carioca!!”

“Menino é violentado e esquartejado no banheiro de

habitação 1203. O corpo, de cabeça pra baixo, encostado no vaso

sanitário, foi encontrado ontem, pela manhã, por...”.

Seu Francisco, aquele otário... Tomou mó susto na hora de

limpar a nojeira de lá. RRárrárráa!!!

MAIS E MAIS NOTÍCIAS, EM TODOS OS

CANTOS!!!!

“Os pés da criança foram decepados e esfolados, e o monstro

arrancou as unhas, cozinhou o que tinha, e apenas sobraram os ossos

chupados, encontrados dentro de uma sacola plástica do Carrefur, na

ruela ao lado”.

“Um crime bárbaro que chocou o país”.

“Não há pistas do assassino ainda, apenas uma folha de

papel com os dizeres: nublado/ pombos/ areia vazia/ ondas

grandes/”

AHHHHHHH... HUUUU... HUMM..

Ahhh, jornalistazinho de meia tigela, esqueceu de mencionar

“Menino afeminado procurando dinheiro em troca do rabo...”. E nem

vão achar pistas, não até eu deixar... hum... lembro do sangue

fresquinho esguichado, misericórdia, os olhinhos gritavam.. Eu

parecia possuído pelo Demônio.. Que é o Demônio senão uma

disposição!!!

Usei minha navalhinha de barbeiro enferrujada, sórdida,

libertária. Antes, estuprei com raiva aquele bastardinho, enchi de

porrada, mas tomei a precaução de tapar a boca dele com minha

meia.. Acho que ele tava é gostando, essa gente sabe como vai morrer,

ou pelo menos imagina que logo terá um fim trágico. Eles são órfãos

de todos, marionetes nas patas de quem tem o conhecimento.. “Vai

conhecer agora a Sapucaí, vai, gringo otário”, dizem...

Desejo reprimido de praxe, matrimônio de gerações

estranhas, puro entretenimento. Olhei o merdinha na praia, naquele

universo fictício, desejei o corpinho dentro da camisa com sovaco

molhado, as olheiras, a pele cinzenta, o campo de batalha hormonal.

Disse um monte de porcarias, e ele veio, como um cachorrinho, ser

deflorado.Pedi a ele pra, antes de tudo, demarcar o território com

urina. Ele num entendeu, burrinho demais. Eu acompanhei: “É pra

sacanear os faxineiros”. “Vamos brincarrr, vamo, neném?”. Ele riu.

Por que riem? Acho que no fundo já sabem que tão fudidos.

“Eu sinceramente pensei é que eram hemorroidas pra fora,

no banheiro, a primeira coisa que pensei, entranu... Já vi essas

imundície antes, tem gente que se diverte sacaneando o trabalho dos

otro, mas não... era sangue pra todo lado... tadin. Minha tarefa é

difíçu, mas juntar todos aqueles pedaço, cês do IML são guerrero...

Santo Deus, como pode uma coisa assim? Vomitei na hora!”, relatou

o Seu Francisco, depois que chamou socorro... Um deus necessita

dum culto!

CAPÍTULO 19:

“1001”

O “Artistinha” abonado pensa:

Quero fazer um roteiro, quero fazer. Vou nadar em

dinheiro!

Cinco horas depois...

RC (ROTEIRO DE CONTO)

Um homem que, não aguentando mais segurar as poucas

pregas, peida durante todo o dia, é compulsivo, doente, desesperado.

Até que esses infortúnios começam a MATAR DE ASFIXIANTE

PODRIDÃO. Agora é a hora que conseguirei que todos riam: “As

pessoas ao seu redor caem, e ele, o PEIDORREIRO!, anda por cima

dos corpos no harém dos seus súditos...”

Nem tinha acabado de digitar o resto daquela porcaria,

quando vim por trás, sorrateiro, meio metro de comprimento de

várias linhas de pipa besuntadas de cerol dum vidro grosso pra

caralho de garrafa de 88 na mão, e dei duas voltas rápidas ao redor do

pescoço e, num puxão rápido, enterrei uns dois dedos dentro do

pescoço do mané. Havia sensualidade nos meus atos... Ele emitiu um

hírrq fraquinho toda vida. Tem gente que morre tranquilão,

hipocondríaco, nada de gritos ou pedidos de socorro, tudo rápido,

tudo certin. A linha ficou vermelha. Pingou um pouquinho do sangue

azul na minha camisa, mas num tem nada não. A cabeça tombou na

direção das pernas. Olhei. Vergonhoso, imaginei enquanto, assim que

entrei na habitação, vi o escroto usando sutiã e se maquiando...

Merda, onde tamos vivendo??? Minha mente flutuando. Tava na

hora de iniciar o pequeno mar de fluidos vitais... Em prática, a nova:

“Ressaca no mar/ branco/ 18 graus no Rio/ surpresas ao

descer do ônibus/”

CAPÍTULO 20:

“PULVERIZA”

Um anão pentelho queria me vender bugigangas, na minha

solidão, enquanto tava na praia do L. Me infernizou. Puxou assunto,

coisa que me mata, puxar assunto. Disse que era Idalécio, que a mãe

gritou “menino, cuidado com a biciclet..” PÁFT! e foi assim que

ficou com aquela cara torta e murcha, disse também que já foi

pedreiro. E ria sei lá de quê. Provável que tivesse se lamentando da

vida que tem, ou me sensibilizando – caralho, logo comigo??? MAS,

PUTA QUE ME PARIU, TENHO EU CULPA DA TUA

CRUZ??? Os pobres coitados são assim. Soma-se o fantasma do

desemprego, e o cara mendiga na praia. Quer que as pessoas lhe

ajudem purificando dos seus pecados. Dose.

Matei mesmo sem motivo, nem sei o que me deu.. Acho que

foi estresis, pode ser. Pura vaidade. Hoje não teve elegância, foi só

aquela coisa “uh!!!... crime abominável!”. Hunf... Onde foi, a hora,

essas coisas de detalhes, num vô revelar. O bom crime é um mistério

até o fim.

A agitação denunciava o medo de partir... Asfixiei o anão

com saco plástico do sacolão da esquina lá de casa, aquela porra da

Dona Xepa. Silencioso e mortal como o incesto! Ficô roxo, zero

fôlego. Sem o saco plástico, onde vou colocar meus chinelos??

As lembranças ficam nítidas na minha cabeça.

Depois enfiei um cacto com formato de cassetete na boca do

bandido e berrei: “MASTIGA, SEU MONTE DE COCÔ!!!!”. Isso

eu faço pra eles se arrependerem das coisas.

Incrível como, na hora, enquanto executava o lixo tóxico da

cidade, lembrava toda hora da cena dum filme trash em que um

matuto na Roça, sei lá, cagava no mato e limpava o rego com folha de

espiga de milho, imitando riso. Acho que era lá nos confins do

interior do Espírito Santo. A bostalhada toda era desagradável,

fodasse. Vi a mosca varejeira dos meus sonhos pousar na ferida

exposta. Ela bailava na carne fresca e retalhada que vai ficar verde.

Era o orgulho do açougueiro!! As larvinhas logo crescerão fortes e

loucas. Aqui jazem os destroços de carne imunda do jovem rapaz,

vítima da vontade pura e simples de viver e trampar. Que loucura!

Nem foi por maldade, cara, foi porque aconteceu.

Esse guri era o Mosquito Dengue da Sociedade! Mas num

tive medo, nem hesitei em pegar o facão e fatiar a coisa, pra largar na

lata de lixo perto do serviço. Vesguinho da silva, cegueta, mirolha, a

porra toda mais. Quase me acertei na hora de reduzir o anão a

pedaços. É porque tô distraído, o trabalho é fatídico, é ofegante, me

dá pressão alta! – Ah sim... devo citar, poxa... Tentei, também,

vender uns filés como carne de porco, mas sem sucesso...

Saí pra andar e esfriar os miolos. Parecia como aquela vez

em que ganhei a aposta e fugi logo do centro da cidade, pois queriam

minha cabeça na panela pra cozinhar e devorar meus miolos no

sábado. A teimosia vem de família!

Pensei bem. Planejo agora uma viagem de férias, usando

meu passaporte italiano falsificado. Vou dá um tempo longe, pra ter

novas ideias. Pintei e bordei pra caceta!... Mas vamo ver.

CAPÍTULO 21:

“0201”

Disperso. Procurando o que comer, pensando em como seria

minha próxima vítima, me deparei com o inusitado, o que logo

depois apelidei, artisticamente, de “garrulitas vulvae”: uma ricona

que queria me comer!

Ela veio com aquele papinho, começando por pedir uma

informação estúpida, dessas que se a pessoa parar pra pensar logo

descobre, mas precisa, PRECISA, perguntar prum funcionário. E ela

gosta da criadagem pra transar, e eu faço parte da criadagem. Eram

sutilezas. Mas na hora de casar, ter os filhotes, ela prefere pegar um

ricaço como ela. Ladra! Depois eu é que descrimino. Isso sim é uma

ofensa grave!

Pelos miados de cio e pela roupa que a dona chegou trajando,

compreendi que se tratava de uma Dominatrix!! Huhhh.. isso me

excita de verdade! Nem sei se vou arrancar desse mundo uma doida

dessas, o ser humano precisa, PRECISA, EU DISSE, disso. Levantou

a saia e fez aquela cara de gata, quase uma caricatura dela merma!

Falando sussurrando. O pecado é uma invenção!!

Que beleza, huhhh... vestida toda de couro preto, elástico e

ajustadinho ao corpo, parou, entortou o corpo como fazem as modelos

quando chegam ao final da passarela, mostram o quadril, e voltam,

rebolando. Linda, maravilhosa, mandona. A pura mordomia. Uma

mulher de verdade, não os projetos que se encontram por aí. Acima

de tudo, ela tinha um tipo de classe, sabia o que fazia, e por quê. Esse

tipo de Mulher num perde tempo! Me encheu logo de cordas, eu

parecia um animal descontrolado que a sociedade não pode ver livre.

“Eu decido as regras do jogo”, ela disse no meu ouvido, rude,

doidinha pra dá um cruza chei de polêmicas. Só faltou eu babar. Tava

pronto pra latir e sair correndo por aí despretensioso!

Me açoitou com chicotes e um tal floguê que me deixou o

corpo vermelho igual a tomate da estação. Cuspia na minha fuça

verdades como “pede perdão, seu lixo!”. Depois se banhou inteira de

KY! Pintou e bordou comigo, uma humilhação boa – no outro dia, vi

a gangrena que se formava. Ahhh.. esse hotel é um Clube de Suingue

pra todas as modalidades, mas ainda não sabe desse “detalhe”! Eu me

sentia naqueles labirintos desses clubes, mas nem tinha saído do

lugar, mas já me deparava com as pequenas surpresas. O ambiente

era saliente.

Uma flex dedicada, sem limites, apenas prazer e dor. Um

escravo rastejando, era eu, com ela me levando na coleira, rumo à

cruz improvisada – Cacete, o que o dinheiro num paga, cara? Como

ela arrumou um troço desses aqui??? – eu na Cruz de San Andrés.

Anilingus ni mim! Saí mermo com uma dondoca. A Dona era do DF,

claro! Tinha que ser, realizando as taras, presunçosa, com o

proletariado que na terra dela NUNCA se misturaria. Agora

confirmo mesmo que esse pardieiro é um clube sádico sugador,

masmorra anti cotidiano!

Aí, vi quando ela tomou um negocinho que funcionou

mermo foi como um afrodisíaco: ELA FICOU ALUCINADA,

ARRANCOU AS ROUPAS, ME TIROU DO CATIVEIRO E ME

OBRIGOU À COMÊ-LA, NÃO SEM ANTES ENFIAR UM

VIBRADOR NA BUNDA MESMA – Esse troço era engraçado,

pois, além do falo, vinha com uma calda de raposa, como o olhar, má!

Aí foi minha vez, eu com o motor possante de jovem, ahhh garoto!!!

Pra coroar a noite com os deuses, ela pediu constrangimento

pela garganta e espanhola seguida de ejaculação, formando aquele

colar pérola. Uma rainha merece o melhor!

CAPÍTULO 22:

“CASA”

...e os jornais noticiaram assim, no outro amanhecer:

“CRIME HORRENDO NA ORLA CARIOCA”. Horrendo é

descobrir.

Querem me encarcerar, dar prisão perpétua e me surrar

todos os dias. É incrível como a imaginação das populações se

deturpa, como as pessoas se tornam reacionárias junto, é, com o apoio

das mídias. Mas quem sabe quem sou??? Me julgam sem olhar nos

olhos. Quem vai me fazer botar o rabinho entre as pernas e me

mandar?

Depois que passou a maré, veio a saudade, aquela diarreia

fantasiosa... lembrei de quando eu era menino e fomos e minha tia

numa viagem de barco num sei pra onde e eu, sabe-se lá como, entrei

debaixo da saia duma jovem. A saia era grandona e eu me enfiei lá,

abraçado à perna dela. Era tudo vermelho. A visão, os cheiros, não

lembro bem. Lembro mais de como aconteceu. Parece até sonho, e

minha “mãezinha” correndo atrás de mim, envergonhada, pedindo

desculpas a todos. Por quê? Acho que a jovem nem ligou, cara..

De pileque, queria falar com alguém real... Tô cansando.

“Vai ter que andar com olho nas costa”, ecoava nas minhas feridas.

Depois de trucidar minha mâmi, por que num esvaziei o freezer que

tenho ao lado da churrasqueira e enfiei ela lá? Sorte que agora vivo

só, papai nos abandonou faz tempo...

CAPÍTULO 23:

“CENAS DE ATURDIR

E A IDA AO TRAMPO...”

Há muita luz. Veio de carroça o infeliz, veio da ruela de

terra batida, e gritou, a língua presa, meio que como o Romário..

passando no ponto de ônibus: “RIO-AZARÃO dois REAU!!”. Todos

desataram a rir da comédia.. Meu número nunca vem. Só é mesmo o

futuro pra quem acredita.

Jagunço cabeça oca brigando com caçadora na entrada do

Centro Comercial Evangélico durante o louvor do entusiasta pé de

chinelo. Quem tem razão?

Contrabando e pirataria debaixo das patas do menino-peixe.

Camelô, alguém quer a bananada dos teus sonhos??

Marginais, “imprudência, imperícia ou negligência”,

voltando pra casa saídos da Estação Terminal do Brasil, geral vindo

do presídio da Central, esse que conduz as almas pra outro dia no

paraíso. Pipas cruzando no céu do município descalço chei de

rachaduras nos pés, enquanto o guardinha de frente da Escola da

Prefeitura passa um trote no orelhão da Telemaré.

Vanderlei, furúnculo da família, meteu o bedelho na zona do

meretrício!! E vê que só começou.

Caminhoneiros buzinando na estrada pra adolescente feliz e

proeminente – ela no sol de 40 graus, suando o bigodinho. Tou

chegando, tou passando.. o circo dos horrores me acompanha,

desfruto a passagem. Sô um filho do Rio!! Crateras, buracos, furos e

desocupados que esqueceram como se escreve o nome do Beco e da

Vala. Ahhh.. um filho de Sol... índios esmolando, índio assassino!

desunião

index-55_1.jpg

revisão luiz antonio de souza jr

2013 © paulo vitor grossi

index-56_1.jpg

cabelos pro lado por causa do vento/ se movimentando/

a água deve estar fria/ trabalho/ o mundo inteiro em

casa/ o mar revolto/ lá vem chuva/

acordar pra trabalhar/

marina

pessoas pequenas lá longe & caminhando/ ooohmn/

cháááá/ a espuma é amarela, suja como areia amarela/

quebra-mar/ mar vazio/

peixes solitários dando lições aos filhotes/

nublado/ pombos/ areia vazia/ ondas grandes/

Ressaca no mar/ branco/ 18 graus no Rio/

surpresas ao descer do ônibus/

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