Estressores no trabalho das enfermeiras em centro cirúrgico: conseqüências profissionais e pessoais por Jael Maria de Aquino - Versão HTML

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ambiente de trabalho decorre dos aspectos da organização, administração e sistema

de trabalho e da qualidade das relações humanas. Esse clima torna o trabalho da

enfermeira complexo e envolve uma grande tensão emocional, desgaste físico e

psíquico o que contribui para desencadear estresse.

Os elementos das escalas de fatores de estresse para o profissional enfermeiro

foram separados em quatro categorias conforme se observa na Quadro 3.

Quadro 3 – Distribuição dos itens sobre fatores de estresse em suas

respectivas categorias. Recife, PE

FATORES

PAPÉIS

ESTRUTURA E

RELAÇÕES NO

INTRÍNSECOS AO

ESTRESSORES DA

CULTURA

TRABALHO

TRABALHO

CARREIRA

ORGANIZACIONAL

06. Fazer esforço físico

01. Começar uma nova

04. Fazer um trabalho

02. Executar tarefas

para cumprir o

função.

repetitivo.

distintas

trabalho.

simultaneamente.

07. Desenvolver

12. Conciliar as questões

05. Sentir desgaste

03. Resolver imprevistos

atividades além da

profissionais com as

emocional com o

que acontecem no local

minha função

familiares.

trabalho.

de trabalho.

ocupacional.

09. Cumprir na prática

16. Trabalhar com

22. Trabalhar em clima de

08. Responder por mais de

uma carga horária

pessoas despreparadas.

competitividade.

uma função neste

maior.

emprego.

10. Levar serviço pra

23.Relacionamento com

27. Prestar assistência ao

11. Administrar ou

fazer em casa.

os colegas enfermeiros.

paciente.

supervisionar o trabalho

de outras pessoas.

13. Falta de material

24. Relacionamento com

30. Distanciamento entre

14. Manter-se atualizada.

necessário ao trabalho.

a equipe médica.

a teoria e a prática.

15. Falta de recursos

25. Relacionamento com

32. Desenvolver

18. Falta de espaço no

humanos.

a chefia.

pesquisa.

trabalho para discutir as

experiências, tanto

positivas como negativas.

17. Trabalhar em

26. Trabalhar em equipe.

37. Sentir-se impotente

19. Fazer turnos

instalações físicas

diante das tarefas a

alternados de trabalho.

inadequadas.

serem realizadas.

20. Trabalhar em

28. Prestar assistência a

38. Dedicação exclusiva à

34. Ter prazo curto para

horário noturno.

pacientes graves.

profissão.

cumprir as ordens.

21. Trabalhar em

29.Atender familiares de

39. Indefinição do papel

35. Restrição da

ambiente insalubre.

pacientes.

do enfermeiro.

autonomia profissional.

33.Executar

31. Ensinar o aluno.

40. Responsabilizar-se

36. Interferência da política

procedimentos rápidos.

pela qualidade do serviço

institucional.

que a instituição presta.

44. Receber este

43. Atender um grande

41. Impossibilidade de

42. A especialidade em

salário.

número de pessoas.

prestar assistência direta

que trabalho.

ao paciente.

Fonte STACCIARINI (1999)

Relacionando os aspectos referentes ao trabalho cotidiano das enfermeiras,

participantes desta pesquisa sobre as respostas obtidas através do Inventário de

Estresse para Enfermeiros (IEE), observam-se as situações apresentadas na análise

RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS

68

das Tabelas 3, 4, 5 e 6. Serão considerados os somatórios de muitas vezes e

sempre para análise e discussão dos dados.

Fatores intrínsecos do trabalho

Tabela 3 – Distribuição das respostas das enfermeiras de centro cirúrgico em 7

hospitais públicos segundo os “Fatores intrínsecos do trabalho” como estressores.

Recife, PE 2004

Fatores do

Nunca Raramente Algumas

Muitas

Sempre Total

Inventário de

Vezes

Vezes

Estresse para o

N % N % N % N % N % N

enfermeiro

6

4 13,3 5 16,7 6 20,0

12 40,0 3 10,0 30

7

3 10,0 4 13,3 8 26,7 7 23,3 8 26,7 30

9

4 13,3 5 16,7 8 26,7 7 23,3 6 20,0 30

10

9 30,0 8 26,7 7 23,3 4 13,3 2 6,7 30

13

- - - - 1 3,3

15 50,0 14 43,7 30

15 1

3,3

1

3,3

5

16,7

17 56,7 6 20,0 30

17 -

-

2

6,7

6

20,0

16 53,3 6 20,0 30

20

9 30,0 3 10,0 3 10,0 5 16,7 10 33,3 30

21

3 10,0 3 10,0 9 30,0 5 16,7 10 33,3 30

33

5 16,7 6 20,0 10 33,3 3 10,0 6 20,0 30

44

5 16,7 6 20,0 6 20,0 3 10,0

10

33,3 30

Dentre os Fatores Intrínsecos ao Trabalho, destacaremos aqueles que foram

mais significativos na discussão da análise dos dados quantitativos.

Fazer esforço físico para cumprir o trabalho se refere ao fator 6 (Tabela 3)

que aparece como estressante para 15 (50%) das entrevistadas. A função da

enfermeira de centro cirúrgico é supervisionar todas as salas de cirurgia, controlar os

materiais e equipamentos, e sendo estas atividades consideradas burocráticas, o

seu desenvolvimento gera cansaço físico e este é um estressor para as enfermeiras.

Guido (2003) em sua pesquisa com enfermeiros em Hospital Público no Rio Grande

do Sul, diz que 41,18% dos participantes destacaram como um estressor a

sobrecarga de atividades burocráticas.

RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS

69

Para a categoria Fatores Intrínsecos ao Trabalho (Tabela 3) referente ao fator

7-Desenvolver atividades além da minha função ocupacional, foi apresentado como

fonte de estresse, para 15 (50%) das entrevistadas, pois sobrecarrega a enfermeira,

exigindo mais esforço para realizar suas tarefas e as de outros profissionais. A

diversidade de tarefas tem um efeito significativo no trabalho, pois quanto maior a

demanda de atividades novas, surgem estímulos novos, sendo situação geradora de

estresse (LAUTERT; CHAVES; MOURA, 1999).

Quanto ao fator 9 Cumprir na prática uma carga horária maior, foi

considerado um estressor para 13 (43,3%) das enfermeiras pesquisadas, embora as

instituições do estudo tenham como prática institucionalizada uma carga horária

semanal de 24 horas dividida em plantões de 12 horas; na ausência de uma das

enfermeiras escaladas a que estiver de plantão deverá permanecer no setor, em

virtude de não disponibilidade de uma profissional para substituí-la o que acarreta

fadiga por longas horas trabalhadas, resultando como interpreta a Association of

Operation Room Nursing (AORN, 2005) em estresse.

Com relação ao fator 13 Falta de material necessário ao trabalho, 29 (93,7%)

das participantes disseram que este fator foi considerado como um estressor. Na

literatura sobre estresse, encontramos nos estudo de Bianchi (1990) e Guido (2003)

a relação entre a falta de material e o nível de estresse dos enfermeiros. Embora os

estudos citados tenham sido realizados em cidades diferentes, a falta de material

parece ser um estressor comum para as enfermeiras de centro cirúrgico que

trabalham em hospitais públicos.

No fator 15 Falta de recursos humanos, este foi considerado um fator

estressor para 23 (73,3%) das enfermeiras entrevistadas do centro cirúrgico. A falta

RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS

70

está relacionada a uma situação decorrente da crise do setor saúde por que passam

os hospitais públicos.

A precariedade de recursos humanos leva a queda da qualidade em relação a

assistência prestada ao paciente, assim o quadro de pessoal de enfermagem deve

levar em consideração a eficácia do serviço, reunindo quantidade e competência

técnica( MELO et al 1999).

Quanto ao fator 17 Trabalhar em instalações físicas inadequadas foi visto por

22 (73,3 %) das enfermeiras participantes como estressor, pois o centro cirúrgico é

um setor que necessita de instalações físicas adequadas. Marzialli e Robazzi (2000)

salientam que as condições de trabalho inadequadas são representadas por um

conjunto de fatores interdependentes, que atuam direta ou indiretamente na

qualidade de vida das pessoas e nos resultados do próprio trabalho.

No fator 20 Trabalhar no horário noturno foi considerado por 15 (50%) das

enfermeiras como um fator estressor. As condições do trabalho noturno estão

relacionadas às funções orgânicas e que diferem entre o dia e a noite, de forma que

o trabalho noturno implica alterações não só na vida social, mas também no

organismo (MENESES; AQUINO; 1999).

Em relação ao fator 21 Trabalhar em um ambiente insalubre é também

considerado um estressor para 15 (50%) das enfermeiras desta pesquisa. Como diz

Massaroni (2001), o centro cirúrgico é um ambiente onde existem aparelhos que são

antiergonômicos, e o seu manuseio é considerado um estressor para os

enfermeiros.

RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS

71

Relações no trabalho

O relacionamento interpessoal no trabalho aparece nos discursos das

participantes deste estudo e no Inventário ao Estresse para Enfermeiros (IEE), de

Stacciarini (1999), na categoria Relações no Trabalho.

Tabela 4 – Distribuição das respostas das enfermeiras de centro cirúrgico em 7

hospitais públicos segundo “As relações no trabalho” como estressores em centro

cirúrgico. Recife, PE 2004

Fatores do

Nunca Raramente

Algumas Muitas

Sempre

Total

inventário de

vezes

vezes

estresse para o

enfermeiro

N % N % N % N % N % N

1 5

16,7

2

6,7

12

40,0

7

3,3

4

13,3

30

12 6

20,0

6

20,0

4

13,3

5 16,7 9 30,0 30

16 -

-

3

10,0

10

33,3

12 40,0 5 16,7 30

23

2 6,7 12 40,0 6 20,0 5 16,7 5 16,7 30

24 2

6,7

4

13,3

10

33,3

8 26,7 5 6,7 30

25 5

16,7

10

33,3

5

16,7

5

16,7

5

16,7

30

26 6

20,0

7

23,3

6

20,0

3

10,0

8

26,7

30

28 4

13,3

4

13,3

8

26,7

7

23,3

7

23,3

30

29 5

16,7

8

26,7

10

33,3

-

-

7

23,3

30

31

6 20,0 9 30,0 7 23,3 3 10,0 5 16,7 30

43 -

-

7

23,3

12

40,0

5

16,7

6

20,0

30

Com relação ao fator 12 Conciliar as questões profissionais com as

familiares, para 14 (46,7%) das entrevistadas são estressantes, considerando que a

amostra deste estudo era do sexo feminino casada ou com filhos. Além da esfera

profissional, as enfermeiras têm o trabalho doméstico que para Meneses e Aquino

(1999) exige esforço físico considerado moderado e mesmo pesado com média de

23 horas semanais, sem diferenças dos grupos que desenvolviam seu horário de

trabalho.

Em relação ao fator 16 Trabalhar com pessoas despreparadas, para 17

(56,7%) das participantes da pesquisa é estressante. Bianchi (1999) constatou em

sua pesquisa com enfermeiros de instituição hospitalar que os fatores relacionados à

RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS

72

administração de pessoal, coordenação das atividades da unidade e condições de

trabalho obtiveram os maiores escores para o nível de estresse. A dificuldade da

enfermeira em trabalhar com pessoas despreparadas reflete na organização e na

qualidade da assistência prestada ao paciente, mesmo que não realize o cuidado

direto ao paciente, a enfermeira é responsável pela equipe de enfermagem e pelas

atividades desenvolvidas por qualquer técnico ou auxiliar de enfermagem.

De acordo com o fator 24 Relacionamento com a equipe médica, para 13

(33,4%) das enfermeiras de centro cirúrgico foi considerado como um fator de

estresse. Observou-se que o relacionamento interpessoal não é considerado

essencial. Percebe-se que o desenvolvimento das técnicas, a organização e a

manutenção dos equipamentos são questões valorizadas, em detrimento do

relacionamento, contribuindo para o individualismo no trabalho.

Nesse sentido Dejours; Jayet; Abdoucheli (1994) chamam a atenção para o

individualismo que, mesmo sendo recente, vem disputar espaço com o trabalhador

que procura escapar individualmente do poder patogênico das relações sociais de

trabalho, tornadas perigosas para a saúde mental. Salientam ainda que a

generalização do individualismo pode conduzir a desordens na organização do

trabalho, na qualidade, na produtividade e na segurança, considerando que para a

enfermeira a qualidade e a segurança são relacionadas às técnicas e também aos

pacientes e familiares.

Maslach e Leiter (1999) dizem que a união no trabalho é destruída pela perda

da segurança no emprego por um enfoque empresarial excessivo no lucro de curto

prazo, que exclui a consideração às pessoas. Essa crise do ambiente de trabalho

mina o trabalho de equipe, o que estimula a falta de união entre as pessoas e

desaparece o sentimento de pertencer a uma comunidade.

RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS

73

Com relação ao fator 28 Prestar assistência a pacientes graves, para 14

(46,6%) das enfermeiras participantes é um fator estressor. Por outro lado quando

as enfermeiras foram questionadas sobre o relacionamento com o paciente, as

respostas confirmam os resultados do Inventário de Estresse para Enfermeiros

(IEE). As enfermeiras relatam que não têm tempo para prestar cuidados de

enfermagem, ao mesmo tempo o paciente cirúrgico não é compreendido como grave

pelas depoentes, pois o paciente grave é um paciente de risco.

[...] nós não temos a sistematização da assistência de enfermagem

perioperatório, a visita pré-operatória não existe o que teria uma interação

maior com o paciente, a gente não tem um quantitativo de funcionários, colegas

enfermeiras que possam sair e fazer a visita pré-operatória, se não fosse esta

situação seria melhor, teria mais colaboração e faria toda a assistência de

visitar o paciente, conhecê-lo, recebê-lo no centro cirúrgico, levá-lo até a sala

de cirurgia, fazer toda monitorizarão na sala, poderia ser assim”. Violeta.

[...] Aqui dentro do centro cirúrgico não tem essa coisa, porque o contato é

muito pouco com o paciente porque ele chega e rapidinho ele vai para a sala de

cirurgia, aqui é pouco”. Tulipa.

O centro cirúrgico é considerado como uma unidade de prioridade do hospital,

pelo alto grau de risco ao qual o paciente é submetido, requerendo das pessoas que

ali trabalham habilidade técnica, dinamismo, conhecimento científico, treinamento

contínuo, capacidade de julgamento, tomada de decisão e um relacionamento

interpessoal satisfatório. As pessoas devem ser tratadas como seres humanos para

que possam realizar uma assistência humanizada, reconhecendo que se a equipe

não se percebe humanizada, não poderá realizar um bom trabalho (CORRÊA; REIS

1989).

Na compreensão de Waldow (1999), a enfermagem no Brasil vem se

afastando gradativamente da relação com o paciente, pois as enfermeiras são

RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS

74

solicitadas, devido à formação universitária e ao reduzido número, à liderança da

equipe de enfermagem, à organização e planejamento das tarefas, controlando a

equipe e os gastos, de forma a tornar o serviço eficiente, prático e econômico.

Fator-31 Ensinar o aluno significa que, para 15 (50%) das enfermeiras

entrevistadas, não é um fator de estresse, pois elas não se envolvem diretamente

com os alunos, embora trabalhem em hospitais públicos onde estes servem de aulas

práticas e estágios curriculares para alunos de graduação dos cursos de

enfermagem e de especialização em enfermagem na modalidade de residência em

enfermagem.

Papéis estressores da carreira

Tabela 5 – Distribuição das respostas das enfermeiras de centro cirúrgico em 7

hospitais públicos segundo os “Papéis estressores da carreira” como estressores.

Recife, PE 2004

Fatores do

Nunca Raramente

Algumas Muitas

Sempre

Total

inventário de

vezes

vezes

estresse para o

enfermeiro

N % N % N % N % N

% N

4 3

10,0

7

23,3

8

26,7

7

23,3

5

16,7

30

5 1

3,3

4

13,3

4

13,3

13 43,3 8 26,7 30

22 5

16,7

3

10,0

9

30,0

8 26,7 5 16,7 30

27 7

23,3

5

16,7

8

26,7

7

23,3

7

23,3

30

30 2

6,7

6

20,0

11

36,7

8 26,7 3 10,0 30

32 11

36,7

7

23,3

8

26,7

1

3,3

2

6,7

30

37 3

10,0

5

16,7

8

26,7

9 30,0 5 16,7 30

38 2

6,7

5

17,7

10

33,3

8 26,7 5 16,7 30

39 7

23,3

4

13,3

9

30,0

5

16,7

5

16,7

30

40 2

6,7

5

16,7

9

30,0

8 26,7 6 20,0 30

41 3

10,0

8

26,7

9

30,0

7

23,3

3

10,0

30

A categoria Papéis estressores da carreira é representada pelos sujeitos

deste estudo nos seguintes fatores:

RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS

75

O fator 5 Sentir desgaste emocional com o trabalho é considerado um fator

estressor para 21 (70,0%) das participantes. Corrêa e Reis (1989) salientam que as

condições do ambiente de trabalho repercutem de forma subjetiva na saúde física e

mental do trabalhador. Esta situação torna-se mais complexa quando se desenvolve

em um hospital por ser uma organização que possui características peculiares no

que se refere à estrutura física, à clientela e ao serviço que é prestado. Assim, as

pessoas que nele trabalham, guardadas as individualidades e as peculiaridades dos

setores que atuam, convivem com a doença, com o sofrimento, e com certas

situações de gravidade.

Em relação ao fator 22 Trabalhar em clima de competitividade, para 13

(43,4%) das entrevistadas, conforme Andrioli (2002) ressalta que a competitividade é

um dos aspectos mais marcantes do atual contexto social e é exacerbada pela

competição que aparece impregnada nas relações humanas, é evidente que essa

lógica competitiva, que divide o mundo em vencedores e perdedores (onde a minoria

vence e o restante perde) cria situações de angústia e revolta. Embora essa tenha

sido uma característica também de outros tempos, podemos notar que a sua

presença é tão forte em muitos espaços da nossa vida.

Este comportamento também foi revelado na competição entre a enfermeira e

os auxiliares de enfermagem, tornando o centro cirúrgico um setor onde existe clima

de competitividade. Quando questionamos a respeito do relacionamento, ficou

explícito na fala das enfermeiras participantes da pesquisa quando se referem às

dificuldades vivenciadas no relacionamento com a equipe de enfermagem

principalmente com os técnicos e auxiliares de enfermagem neste setor.

O problema é embora eu não tenha, eles [técnicos e auxiliares de enfermagem]

têm um ranço em relação às enfermeiras, querem sempre achar que a

enfermeira tem que fazer o que eles fazem, e não conseguem diferenciar as

RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS

76

atividades acho que eles se sentem mal por serem comandados, por ter uma

pessoa superior a eles. Na realidade querem nivelar conhecimento e não têm

condições, ainda tem uma questão mais séria que é a função porque não

conseguem ver a diferença de conhecimento entre o nível técnico e a formação

da enfermeira. Calla.

O fator 30 Distanciamento entre a teoria e a prática 11 (36,7%) é considerado

estressante para as enfermeiras desta pesquisa, acreditamos que esta situação é

decorrente das dificuldades existentes tanto financeiras como em relação à

disponibilidade de tempo.

Em pesquisa realizada por Bedin; Ribeira; Barreto (2004) observaram o

distanciamento do enfermeiro de centro cirúrgico entre teoria e a prática, onde este

profissional era visto como o administrador e ocupavam-se com a manutenção de

equipamentos, mesas, bandejas, papéis entre outras rotinas.

Com relação ao fator 37 Sentir-se impotente diante das tarefas a serem

realizadas, para 14 (46,7%) das enfermeiras pesquisadas, as tarefas não dependem

delas, mas sim da responsabilidade de outros profissionais. Segundo Guido (2003)

em seu estudo com enfermeiros, observou que o cuidado direto ao paciente e a

circulação de sala eram desenvolvidos por técnicos e auxiliares de enfermagem.

Também constatamos esta realidade com os sujeitos deste estudo, a enfermeira

gerencia e os auxiliares e técnicos de enfermagem prestam assistência direta ao

paciente.

O fator 38 Dedicação exclusiva à profissão, para 13 (43,4%) das enfermeiras

pesquisadas este é um fator de estresse, pois se considerarmos o contexto

econômico em que estão inseridos os servidores públicos estaduais, tornar-se-á

difícil a dedicação exclusiva. Diferente do estudo de Guido (2003) e de Bianchi

(1999) em que os enfermeiros têm apenas um emprego.

RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS

77

Com relação ao fator 40 Responsabilizar-se pela qualidade do serviço que a

instituição presta, 14 (46,7%) das enfermeiras pesquisadas consideram como um

fator estressor. Neste estudo as enfermeiras sentem que não são responsáveis pela

qualidade dos serviços prestados pela instituição. Entendem que cada um faz a sua

parte. Parece que trabalhar em equipe representa mais um fator de estresse.

Embora sejam comprometidas com o trabalho, a profissão, o cansaço e o descrédito

na organização são visíveis, o que parece levar ao esgotamento e à desesperança.

Estrutura e cultura organizacional

Nessa mesma situação, encontramos outra relação entre fatores intrínsecos

ao trabalho e estrutura e cultura organizacional disposto na tabela 6, de acordo com

a distribuição das respostas das enfermeiras de centro cirúrgico.

Tabela 6 – Distribuição das respostas das enfermeiras de centro cirúrgico em 7

hospitais públicos segundo a “Estrutura e cultura organizacional” como estressor.

Recife, PE 2004

Fatores do

Nunca Raramente Algumas Muitas

Sempre

Total

inventário de

vezes

vezes

estresse para o

enfermeiro

N % N % N % N % N % N

2

3 10,0 5 16,7 13 43,4 6 20,0 3 10,0 30

3 -

-

4

13,3

11

36,7

9 30,0 6 20,0 30

8 3

10,0

3

10,0

9

30,0

8 26,7 7 23,3 30

11 2

6,7

5

16,7

5

16,7

6 20,0 12 40,0 30

14

-

-

7 23,3 11 36,7 6 20,0 5 16,7 30

18

7 23,3 3 10,0 6 20,0 9 30,0 5 16,7 30

19

10 33,3 5 16,7 7 23,3 7 23,3 1 3,3 30

34

4 13,3 4 13,3 12 40,0 7 23,3 3 10,0 30

35 2

6,7

3

10,0

9

30,0

13 43,3 3 10,0 30

36 4

13,3

3

10,0

6

20,0

12 40,0 5 16,7 30

42

3 10,0 8 26,7 7 23,3 5 16,7 7 23,3 30

RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS

78

Quanto ao fator 3 Resolver imprevisto que acontecem no local de trabalho,

15 (50%) das enfermeiras consideram este fator como uma atividade estressante

sendo esta situação, decorrente da organização dos serviços de saúde. A

enfermeira precisa resolver os problemas que acontecem no decorrer do seu turno

de trabalho, tais como troca de lâmpadas do foco, conserto de monitores, de

aspiradores, entre outros, durante a cirurgia ou mesmo antes para não suspender a

cirurgia. Estas intercorrências acontecem porque o serviço de manutenção

preventiva dos equipamentos e aparelhos é deficiente.

Com relação ao fator 8 Responder por mais de uma função neste emprego,

os resultados mostram que 15 (50%) das enfermeiras consideram este fator

estressante, pois a função administrar e supervisionar o trabalho de outras pessoas

e colegas deixa-as estressadas, enquanto 4 (13,3) não expressaram este fator como

estressor.

Em relação ao fator 11 Administrar ou supervisar o trabalho de outras

pessoas é um fator estressante, para 18 (60%) das enfermeiras. Conforme Bedin;

Ribeira; Barreto (2004), os enfermeiros estão envolvidos cada vez mais com os

avanços científicos, tecnológicos e a modernização de procedimentos, levando-os a

assumir mais responsabilidades dessa ordem e controle administrativo.

O fator 35 Restrição da autonomia profissional, 16 (53,3%) das enfermeiras o

têm como fator estressante, pois a organização do trabalho e as decisões tomadas

no âmbito dos gestores de saúde sem o conhecimento prévio levam a situações

estressoras. Dejours; Jayet; Abdoucheli (1994) afirmam que é preciso transformar o

trabalho fatigante em um trabalho equilibrante. Para tanto é necessário flexibilizar a

organização do trabalho, oportunizar maior liberdade ao trabalhador, levando em

conta as suas aptidões para que tenha prazer. Ainda nesse aspecto, Beck (2001)

RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS

79

responsabiliza o sofrimento do trabalhador pela forma como a organização do

trabalho se dá, visto que as organizações não oferecem condições adequadas.

Com relação ao fator 36 Interferência da política institucional, 17 (56,7%) das

enfermeiras consideram um estressor, assim Pitta (1990) em seu estudo ressalta

que a organização do trabalho atua na gênese do sofrimento psíquico através dos

seguintes elementos: as jornadas prolongadas de trabalho, os ritmos acelerados de

produção, a pressão claramente repressora e autoritária instalada numa hierarquia

rígida e vertical, a inexistência ou exigüidade de pessoas para descanso ao longo

das jornadas. São fontes de insatisfação e conseqüente agressão à vida psíquica do

trabalhador veiculado à organização do trabalho.

Sentimentos em relação ao trabalho

Quando questionamos a respeito de como você se sente em relação ao seu

trabalho, obtivemos os seguintes resultados que estão apresentados nas figuras 1 e

2. Os sentimentos foram expressos nos itens relacionados ao trabalho e quanto à

existência de satisfação e insatisfação do trabalhador.

RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS

80

60

50

40

Muita Insatisfação

Insatisfação

30

Alguma Insatisfação

Alguma Satisfação

20

Satisfação

Muita Satisfação

10

0

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10 11

Figura 1: Distribuição das respostas referentes aos fatores de um a onze das enfermeiras

de centro cirúrgico em 7 hospitais públicos segundo a “Como você se sente em relação ao

seu trabalho” como estressor. Recife, PE 2004.

No fator 1 As comunicações e a maneira como as informações circulam na

sua organização mostra como as enfermeiras participantes desta pesquisa,

apresentam um grau significativo de insatisfação no processo de comunicação,

tendo em vista que, o somatório das variáveis muita insatisfação e insatisfação foi

elevado, comparando ao índice de alguma satisfação.

A comunicação é um processo essencial para o estabelecimento das relações

humanas, materializa-se através da linguagem e corporifica-se nas relações entre os

indivíduos sociais que trazem para essa relação a bagagem das suas experiências

objetivas e subjetivas, do ambiente sociocultural em que vivem e da visão

particularizada de homem e de mundo, conforme Tavares (1997). Observa-se na

figura 1 que as enfermeiras demonstram-se insatisfeitas com a qualidade da

comunicação e das informações, isto porque o processo de interação humana

possui natureza complexa e ocorre, permanentemente, entre as pessoas, sob a

forma de comportamentos que podem ser verbais e não-verbais.

Penteado (1997) considera que a comunicação significa colocar em comum,

através da compreensão e das idéias e tem como objetivo o entendimento entre os

RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS

81

homens, sendo a linguagem o veículo comum, que pertence tanto ao receptor

quanto ao transmissor da mensagem. Desse modo, as pessoas interagem com o

meio em que trabalham e convivem através da comunicação que pode ser escrita,

falada, ou transmitida apenas por gestos e símbolos, forma que é muito comum no

processo de trabalho de uma equipe cirúrgica.

Fator 6 As oportunidades de crescimento e promoção na sua organização.

Este fator apresenta um índice elevado de muita insatisfação, comparado à

satisfação. Compreende-se que esta situação reflete o momento vivenciado pelos

servidores de instituição pública estadual, e isto ocorre em decorrência dos baixos

salários e da falta de uma política de planos de cargos e carreiras, levando à

incerteza e à falta de perspectiva desses profissionais. A condição financeira é um

ponto crucial para a recuperação do cansaço e da qualidade de vida, e é capaz de

neutralizar os aspectos psicossociais negativos do trabalho, mas os salários baixos

impedem práticas de lazer ativo nas horas de folga e nas férias. (SELIGMANN–

SILVA, 1994).

Em relação ao fator 10 A maneira como as mudanças e inovações são

implementadas na sua organização, as enfermeiras apresentam muita insatisfação,

e insatisfação, pois na área de saúde, as pesquisas e desenvolvimento tecnológico,

condicionam as instituições e profissionais que nelas trabalham a se adaptarem às

mudanças e inovações tecnológicas para atender a clientela com qualidade.

Maslach e Leiter (1999) salientam que a perda da satisfação intrínseca do trabalho

leva as pessoas que gostam do que fazem a não sentir prazer.

RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS

82

50

45

40

35

Muita Insatisfação

30

Insatisfação

25

Alguma Insatisfação

Alguma Satisfação

20

Satisfação

15

Muita Satisfação

10

5

0

12

13

14

15

16

17

18

19

20

21

22

Figura 2: Distribuição das respostas referentes aos fatores de doze a vinte dois das

enfermeiras de centro cirúrgico em 7 hospitais públicos segundo a “Como você se sente em

relação ao seu trabalho” como estressor. Recife, PE 2004.

O fator 13 A maneira como os conflitos são resolvidos na sua organização,

mostra que os sujeitos deste estudo sentem-se insatisfeitos, pois as pessoas são

diferentes e agem também de forma diferente, portanto, conhecer o outro é uma

opção para resolver o conflito.

Moscovici (2004) salienta que, antes de pensar numa forma de lidar com o

conflito, é conveniente procurar compreender a sua dinâmica com a finalidade de

elaborar o diagnóstico da situação, o qual servirá de base para qualquer plano de

ação. É importante saber a causa do conflito e como as pessoas agem e sentem,

sem estimulá-las, mas procurar solucionar o conflito de forma racional.

Em qualquer espaço onde convivam pessoas, os conflitos existem, e no

centro cirúrgico não é diferente, Gonzales (2001) diz que a enfermagem é composta

por enfermeiras, técnicos e auxiliares de enfermagem que atuam junto com outros

profissionais integrantes da equipe de saúde. Esta inter-relação dos diversos atores

geralmente é conflitiva, pois cada um deles está carregado de valores, símbolos,

representações e poderes frente à saúde, à doença, à vida, e à morte, acumulados

RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS

83

ao longo do tempo. A própria atividade, as normas, as rotinas a serem cumpridas

com horário determinado, o estado de alerta constante, a falta de autonomia expõem

os trabalhadores à possibilidade de gerar conflitos. O centro cirúrgico, pelas suas

características, é um espaço onde as pessoas se relacionam e interagem o tempo

todo. Quando esse relacionamento ocorre de forma harmônica, tendem a aumentar

a produtividade e o prazer das enfermeiras que ali trabalham.

Com relação ao fator 18 O clima psicológico que predomina na sua

organização, as enfermeiras participantes desta pesquisa mostram insatisfação

elevada, pois o clima no ambiente do centro cirúrgico parece ser um fator

considerável comparando a satisfação.

Pitta (1990) em seu estudo ressalta que a organização do trabalho atua na

gênese do sofrimento psíquico através dos seguintes elementos: as jornadas

prolongadas de trabalho, os ritmos acelerados de produção, a pressão claramente

repressora e autoritária instalada numa hierarquia rígida e vertical, a inexistência ou

exigüidade de pessoas para descanso ao longo das jornadas. O não controle do

trabalhador sobre a execução do trabalho, a alienação do trabalho e do trabalhador,

a fragmentação de tarefas e a desqualificação do trabalho realizado e, por

conseguinte, de quem o realizar. Tudo isso aparece como fontes de insatisfação e

conseqüente agressão à vida psíquica do trabalhador veiculado à organização do

trabalho.

Fator 19 O nível do seu salário com relação à sua experiência profissional.

Neste fator as enfermeiras participantes mostram-se insatisfeitas e na figura 1

apresentam-se as variáveis muita insatisfação e insatisfação muito próxima.

Quanto à remuneração, o nível de insatisfação é alto, pois se trata de uma

pesquisa realizada com enfermeiras de serviço público estadual e federal, cujos

RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS

84

salários foram congelados por quase dez anos, e a escala de reajuste é baixa,

levando essa categoria profissional a uma baixa remuneração e grande insatisfação.

Para manter um padrão de vida, as enfermeiras são condicionadas a trabalhar em

dois ou mais hospitais ou outras unidades de saúde como o Programa de Saúde da

Família. Em conseqüência, surge o cansaço físico e mental o que dificulta o

desempenho e as expõe ao estresse e ao sofrimento.

Massaroni (2001) afirma que a falta de suporte financeiro para atender às

próprias necessidades e as de suas famílias tem levado as profissionais a uma

excessiva jornada de trabalho. Com isto, são condicionadas a tomarem providências

necessárias para supri-las, mesmo que seja em detrimento da sua integridade física

e/ou emocional.

Como a sobrecarga de trabalho dificulta também a dedicação aos filhos e aos

cuidados da casa, aumenta a insatisfação no trabalho. Gonzales (2001) diz que a

enfermagem continua muito marcada pelo trabalho feito por caridade, por amor ao

próximo, realizado de forma voluntária como sacrifício para alcançar o reino do céu e

muito vinculado ao trabalho doméstico. Hoje, ainda percebe-se este pensamento no

trabalho da enfermeira; elas chegam até a falar [...] com o plantão deste lugar com

tantas ocorrências garantimos nosso lugar no céu [...]. Expressões como esta

ouvimos várias vezes, enquanto atuávamos como enfermeiras de Unidade de

Tratamento Intensivo e mesmo no centro cirúrgico. Porém, a mulher do século XXI

trabalha e quase sempre é a provedora do lar com salários maiores do que os

homens, sem poder de reivindicação que muitas vezes os homens têm, apesar de

seus salários mais baixos. É uma questão cultural e de gênero.

Nos discursos das enfermeiras, fica claro o significado da baixa remuneração

e o excesso de vínculos o que as obriga a reduzir o orçamento doméstico, o que

RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS

85

implica abrir mão de lazer e qualidade de vida. Nos relatos das enfermeiras,

percebe-se esta situação, [...] às vezes tenho um pouco de lazer [...]. Flor-de-Maio;

[...] não tenho tempo para lazer [...]. Calla . Assim o trabalho é avaliado como

prioritário para suprir as necessidades financeiras.

Fator 20 A estrutura da sua organização foi para as participantes desta

pesquisa apresentada como muita insatisfação e insatisfação. A enfermeira de

centro cirúrgico é responsável pela organização e funcionamento das salas de

cirurgias, com todos os materiais e equipamentos, além da escala dos funcionários

de acordo com a ocupação das salas. Este mapa só é conhecido 12 horas antes da

cirurgia acontecer, isto é, o mapa é organizado até 13 horas para o dia seguinte às

07:30h, fazendo com que as enfermeiras tenham pouco tempo para organizar o

setor. Também depende diretamente da Central de Material e Esterilização que

fornece todo material esterilizado para as cirurgias. Assim, a organização é vista

como um estressor para as enfermeiras e, segundo Laurell e Noriega (1989), o

planejamento centralizado que controla as ações representa uma forma de

organização que fraciona as atividades e tem a característica de se desenvolver em

um trabalho autoritário.

O hospital modificou sua missão, sua forma de organização, hierarquizou

cada vez mais as categorias. Nesse sentido, Dejours; Jayet; Abdoucheli (1994)

afirmam que a organização do trabalho é responsável pelas pressões sofridas pelos

trabalhadores. Localizam as pressões ligadas às condições de trabalho e têm como

alvo o corpo dos trabalhadores, podendo ocorrer desgaste, envelhecimento e

doenças somáticas. Porém, a organização do trabalho corresponde à divisão do

trabalho, divisão de tarefas entre os trabalhadores.

RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS

86

O trabalho em centro cirúrgico ressalta esta situação com a divisão das

tarefas mais complexas para a enfermeira por ter formação em nível superior,

ficando para os técnicos e auxiliares de enfermagem as tarefas consideradas menos

complexas. Em uma das falas encontramos esta questão expressa da seguinte

forma.

[...] eles (técnicos e auxiliares de enfermagem) têm ranços em relação às

enfermeiras sempre achar que a enfermeira tem que fazer o que eles fazem e

não conseguem diferenciar as atividades, acho que eles se sentem mal por

serem comandados” Cal a.

As múltiplas divisões técnicas do trabalho na enfermagem reforçam, cada vez

mais, as diferentes valorizações do trabalho feminino. Entre os profissionais

graduados, o enfermeiro é o que tem a força de trabalho mais desvalorizada o que

se estende às demais categorias de técnicos e de auxiliares de enfermagem

(LUNARDI FILHO, 1995).

Mesmo com a desvalorização financeira, a profissão desponta como uma das

mais disputadas na seleção do vestibular [em 2004 foi o terceiro curso em número

de candidatos para a seleção do vestibular da Universidade de Pernambuco]. Isto se

dá pelo fator empregabilidade e capacidade de mais de um vínculo; ao crescimento

da população principalmente idosa, à organização dos serviços de saúde e aos

avanços da tecnologia que exige mão-de-obra capacitada.

Além da convivência com os membros da equipe de enfermagem, com os

conflitos, com a chefia, a organização do hospital deixa a enfermeira em condições

de trabalho com um rígido horário. Talvez o modelo de gestão participativa pudesse

substituir o trabalho tradicional até então vigente.

RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS

87

[...] Este modelo de gestão participativa envolve a formação de

unidades gestoras de trabalho, com a participação de vários

profissionais, sendo a proposta básica constituir uma gestão

interdisciplinar participativa e flexível que ofereça condições para

recriação das práticas cotidianas, com ênfase no desenvolvimento do

compromisso, envolvimento e competência do trabalhador ( SAEKI et

al. 2002, p.90).

Este processo aplicado à Unidade de Centro Cirúrgico poderá possibilitar à

enfermeira mais liberdade para planejar a sistematização dos cuidados ao paciente

cirúrgico bem como manter relacionamento com os membros da equipe de

enfermagem e da equipe médica.

5.3. As categorias temáticas

A partir da análise do conteúdo das entrevistas, relacionado à questão que

indagava sobre os sentimentos das enfermeiras em função ao trabalho, seu

relacionamento com todos os segmentos da unidade e as estratégias de

enfrentamento do estresse, foram estabelecidas quatro categorias temáticas que

serviram de orientação para a interpretação, discussão e as considerações deste

estudo.

Categoria Temática I: Prazer no trabalho da enfermeira de centro cirúrgico.

Recuperação do paciente.

Sentir-se útil.

Conhecimento técnico e científico.

Gostar de ser enfermeira.

RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS

88

Categoria Temática II: Sofrimento no trabalho da enfermeira de centro cirúrgico.

Falta de material.

Sofrimento do paciente gera sofrimento na enfermeira.

Categoria Temática III: Relacionamento da enfermeira de centro cirúrgico com o

paciente, a equipe médica e a equipe de enfermagem.

Trabalhar em equipe médica e de enfermagem.

Relacionamento só de trabalho.

Relacionamento da enfermeira com o paciente.

Categoria Temática IV: Estratégias de enfrentamento do estresse usadas pelas

enfermeiras de centro cirúrgico.

Fazer caminhada.

Voltar para casa.

Pensar em Deus.

Discussão das categorias temáticas

5.3.1. Categoria Temática I: Prazer no trabalho da enfermeira de centro cirúrgico

Recuperação do paciente

As enfermeiras ao responderem à questão levantada acerca do sentimento

de prazer em seu trabalho, se colocaram de várias maneiras, ou seja, através da

RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS

89

participação na recuperação do paciente e no reconhecimento de seu trabalho,

sendo estes aspectos prioritários para o prazer das enfermeiras que trabalham em

centro cirúrgico.

[...] Este prazer vem de várias formas, quando vejo a recuperação do paciente,

quando vejo que o trabalho tem uma dinâmica independente de ser gerente ou

não. O trabalho tem uma rotina, e seguimos os padrões que deve ser. A

gratificação é nisso mesmo. Eu vejo o meu trabalho sendo reconhecido.

Violeta.

O prazer em contribuir para a recuperação do paciente tem um significado

importante para a enfermeira que trabalha em centro cirúrgico. Sabemos também

que a organização e o preparo da sala são algumas das tarefas da enfermeira para

que a cirurgia transcorra sem problemas.

Beck (2001) reforça essa questão quando ressalta o sentimento de

gratificação que é possível com o alívio do sofrimento do outro. Este pode ser o

significado do prazer da enfermeira pela reposição de energia profissional e a busca

do ponto de equilíbrio. O bem-estar leva à cicatrização de feridas deixadas pelo

sofrimento vivido pelos trabalhadores de enfermagem.

Os pacientes que dependem de cirurgia em hospitais públicos enfrentam filas

e, às vezes, passam seis meses para chegar ao centro cirúrgico. Portanto, a

enfermeira tem conhecimento dessa situação e sente-se gratificada em participar do

alívio da dor e da recuperação do paciente.

Krahl (2001) salienta a importância do profissional ter seu trabalho

reconhecido e valorizado, sobretudo pelos seus pares. Esta atitude é relevante para

o bem-estar do ser humano.

RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS

90

Sentir-se útil

Sentir-se útil para cuidar do outro eleva o sentido da profissão, para as

enfermeiras entrevistadas, bem como o ser útil também permite expressar o sentido

de ao se ter acesso ao conhecimento técnico-cientifico poder conquistar o respeito

dos funcionários, tornando com isto um trabalho prazeroso.

Prazer em ser enfermeira. Eu estou sendo útil. Sei o que faço (tenho domínio

teórico e prático). Sou respeitada pelos funcionários que me procuram quando

têm dúvidas. Às vezes, eu chego e converso com eles procurando a melhor

maneira de resolver as situações surgidas do dia-a-dia e, juntos, encontramos

uma saída, e dá certo isto. Ou, quando o bisturi bipolar quebrava durante a

neurocirurgia, eles ficavam sem atitude e queriam comunicar ao cirurgião. Eu

chegava e trocava por outro sem o cirurgião interromper a cirurgia. Ficavam

admirados como eu fazia aquelas manobras com tanta facilidade. Eu ficava

contente e alegre e trabalhava com prazer. Flor-de-Cera.

Neste sentido Gonzales (2001) ressalta que o trabalho pode representar um

espaço onde as mulheres sentem-se valorizadas, úteis. Destaca também como fonte

de prazer o fato do serviço fluir bem, sem intercorrências dentro da rotina de

trabalho.

Conhecimento técnico e científico

Para a enfermeira, o centro cirúrgico é visto como um espaço de

aprendizagem constante, e ter conhecimento científico é ser reconhecida como uma

profissional valorizada em instituições públicas e em hospitais particulares.

RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS

91

[...] Eu sinto prazer e gosto de trabalhar em centro cirúrgico e gosto de ser

enfermeira. Desde garota, era uma profissão que me despertava interesse, e

minha mãe é técnica de enfermagem. Quando estava grávida, passou sua

gestação aqui trabalhando e, desde pequena, eu conhecia todas as

dependências do hospital, sendo este uma extensão de minha residência.

Meus pais se conheceram aqui. Conheci meu marido aqui, fiquei grávida e

trabalhei até o ultimo mês aqui. Portanto este hospital tem um significado muito

forte para mim. Se alguém critica este hospital, eu me sinto mal porque é um

hospital muito meu. Só gostaria que ele tivesse condições de atender ao

público bem. Hortência.

Sinto [prazer] e gostaria de trabalhar só em centro cirúrgico. Eu gosto porque é

uma atividade que envolve tudo, a experiência clínica, prática e administrativa,

e permite que a enfermeira tenha uma visão global de muito conhecimento que

é pré-requisito para trabalhar em outra clínica. Acho que temos um

conhecimento fundamentado sobre infecção hospitalar e esterilização. É muito

bom, e como eu trabalho com cirurgias de urgências e emergência, atendo

todos pacientes graves e tenho uma base de conhecimento para tudo. Não

gosto de trabalhar em ambiente aberto. Calla.

O fato de sentirem-se valorizadas por ter conhecimento específico é referido

como fonte de prazer. O trabalho da enfermeira, em centro cirúrgico, depende do

conhecimento técnico e científico, pois para que as cirurgias ocorram a enfermeira

precisa fazer um planejamento de materiais e equipamentos, e a equipe médica, os

técnicos e auxiliares de enfermagem dependem da sua organização e

conhecimento. Assim, o conhecimento das teorias de administração possibilita à

enfermeira o gerenciamento do centro cirúrgico, com reconhecimento e este

representa uma forma de prazer.

No entendimento de Massaroni (2001), a realização de um trabalho

efetivamente útil para o indivíduo é um importante elemento de equilíbrio para sua

RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS

92

vida, favorece a interação social, a afirmação de si mesmo ante os demais e significa

ser um sinal de identidade de seu próprio eu.

Gostar de ser enfermeira

Diante dos depoimentos, fica claro que as enfermeiras sentem prazer em

trabalhar no centro cirúrgico e com isto demonstram que gostam de ser enfermeiras

mesmo diante de tantas dificuldades. Na compreensão de Gonzales (2001), o

trabalho pode ser uma experiência prazerosa desde que seja possível enxergar com

a mesma intensidade a dor e a alegria e ressalta que os trabalhadores de

enfermagem vinculam o prazer com o fator do serviço fluir bem, sem intercorrências

negativas, portanto o prazer não está no resultado originário, mas sim no que

aprenderam sobre o que seria a sua profissão.

Como enfermeira eu sinto prazer porque eu gosto do que faço e sinto-me bem

em trabalhar no centro cirúrgico. O paciente vai preparado física e

psicologicamente. Entra na sala para se submeter a um tratamento cirúrgico

curativo ou paliativo. Eu não lido com a morte, porque no centro cirúrgico o

paciente é mais saudável. Ele entra e sai, e isso para mim é motivo de

satisfação, pois o resultado é imediato e torna o seu trabalho positivo. Açucena.

RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS

93

[...] o prazer de ser enfermeira, eu abracei a minha profissão. Foi por opção.

Gosto do que faço e para eu trabalhar no centro cirúrgico ou qualquer outro

setor, eu abraço da mesma forma. Do centro cirúrgico, eu gosto. É um setor

diferente, aonde os pacientes chegam mais carentes, mais sofridos. Eu tento

dar assistência da melhor forma possível para ajudar o paciente junto com a

equipe médica. Eu tenho prazer, eu gosto de trabalhar no centro cirúrgico.

Begônia.

Tenho prazer, no centro cirúrgico ou em qualquer lugar do hospital, gosto de

ser enfermeira e, se pudesse, faria tudo novamente com certeza. Ser

enfermeira para mim é gratificante. Eu gosto de cuidar, eu fiz saúde pública,

mas não sei por que eu deveria ter feito médico-cirúrgico. Identifico muito,

principalmente no pós-operatório da cirurgia. Eu não me identifico em trabalhar

em comunidades, com vacinas (imunização). Eu acho prazerosa a visita, ouvir

as queixas, ajudar quem precisa, chamar o médico, avaliar e acompanhar o

paciente. É o que eu gosto: concentrar meus esforços no paciente interno.

Crisântemo.

Para essas enfermeiras o prazer é um sentimento cultivado desde a

graduação, porque no imaginário dessas pessoas quando a enfermagem foi a

primeira opção do vestibular, significa dizer que já existia uma associação da

profissão com o ato de cuidar e de servir ao próximo. Assim, Dejours; Jayet;

Abdoucheli (1994) salientam que o amor ao ofício, o orgulho profissional, a noção de

utilidade para a coletividade são aspectos importantes na percepção dos

trabalhadores. Além disso, a consciência profissional da enfermeira é muito forte e a

maioria sente-se envolvida com o bom funcionamento do seu setor.

Esses sentimentos são encontrados nas falas das enfermeiras, pois o

interesse pelo trabalho foi relatado.

“Sinto tanto prazer que me esforço ao máximo para chegar pontualmente no

horário porque assim a cirurgia vai transcorrer sem grandes problemas e o

RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS

94

paciente que estava na lista de espera vai para a enfermaria operado. Isso é

um prazer”. Gérbera.

Observa-se também na fala de Gérbera a importância da pontualidade da

enfermeira que trabalha no centro cirúrgico. O tempo é visto como um fator

prioritário, porque nesse setor cada cirurgia tem um tempo determinado e quando

ocorre atraso da primeira cirurgia, as cirurgias subseqüentes também serão

atrasadas e o paciente é quem sai prejudicado.

Por ser um ambiente diferenciado do hospital, as normas e rotinas também

são relatadas pelas enfermeiras como geradoras de prazer.

As normas e rotinas do centro cirúrgico são elaboradas e implementadas

pelas enfermeiras, o que serve como instrumento de poder para as enfermeiras.

Estas estabelecem que determinadas atividades são das enfermeiras; e outras, dos

auxiliares e técnicos de enfermagem com a supervisão das enfermeiras. Tal situação

parece determinar um status à enfermeira como chefe de uma equipe.

[...] é um trabalho de rotina, mas ao mesmo tempo é um trabalho dinâmico. Eu

gosto [...]. Flor-de-Coral.

Eu reviso todas as salas, entro nas cirurgias de grande porte para ajudar os

auxiliares de enfermagem, e programo as cirurgias da tarde equipando as

salas, é uma coisa prazerosa [...]. Cravo de Amor.

Na percepção de Beck (2001), a enfermeira é a coordenadora da equipe de

enfermagem, ela é quem organiza, avalia e direciona o trabalho. Os profissionais

convergem para ela, realizando suas solicitações, reclamações e necessidades.

RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS

95

5.3.2 Categoria Temática II: Sofrimento no trabalho da enfermeira de centro

cirúrgico.

Ao mesmo tempo, o sofrimento também é expresso no conjunto de

depoimentos das participantes. É relatado por meio de diversas circunstâncias.

Sim, o sofrimento é em relação à conscientização com os funcionários que

trabalham aqui no centro cirúrgico, isto é, o subalterno. Também sofro porque

vejo algumas colegas enfermeiras não trabalharem de acordo com as

necessidades do setor e, com isso, o andamento e a evolução do serviço são

prejudicados. Existe falta de cooperativismo. Flor-de-Coral.

Sofrimento, a gente tem quando vê que muitas vezes aquilo que a equipe

estava fazendo não é o melhor para o paciente. Mas eles [médicos] gostam de

estudar. Também quando paciente já está na sala e quebra o equipamento.

Cravo de Amor.

O centro cirúrgico tem uma dinâmica diferenciada dos outros setores do

hospital, portanto aqueles que ali trabalham precisam compreender a importância de

cada procedimento realizado, para que não haja prejuízo para o paciente.

No entendimento de Pitta (1990), a natureza do trabalho ao lidar com a dor, o

sofrimento e a morte influencia a produção de sintomas psíquicos. O contato direto

com o paciente em situação crítica ou mesmo o processo anestésico-cirúrgico

constitui-se em elementos determinantes para a produção de sintomas psíquicos

detectáveis e utilizados como indicativos do sofrimento psíquico do trabalhador.

RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS

96

Sofrimento do paciente gera sofrimento na enfermeira

Em alguns relatos, encontramos também o sofrimento da enfermeira

associado à dor no centro cirúrgico.

Sinto, sinto quando vejo chegarem aqueles pacientes de atropelamento, de

violência sexual, qualquer tipo de violência. Quando falo em violência sexual,

lembro-me das crianças. Estas representam uma situação muito triste por que

quando olho para a criança e vejo aqueles olhos de sofrimento, dá vontade de

dizer eu vou embora, porque não quero ver este sofrimento. Aqui chegam

muitos pacientes de acidente de moto que nos últimos dias vêm aumentando

bastante. Os pacientes, vítimas de acidente de moto chegam às vezes sem um

membro inferior ou superior e às vezes sem os dois. Eles falam “eu trabalho

com moto, e agora o que vou fazer para trabalhar”. Diante deste sofrimento, dá

vontade de a gente dizer “eu não quero mais trabalhar aqui, basta de ver tanto

sofrimento. Flor-de-Cera.

[...] Tem esta questão do paciente, quando ele não sai bem na cirurgia, falhou

alguma coisa. Não porque seja da dinâmica, mas da própria patologia do

paciente. Eu tenho este vínculo com o paciente. Violeta.

[...] quando chega paciente terminal que não tem mais jeito, aquela cirurgia que

só é paliativa, aí eu sinto. Flor-de-Maio.

Massaroni (2001) estudou o estresse da equipe de enfermagem de centro

cirúrgico e encontrou nos discursos desses profissionais que o contato com o

paciente mesmo que seja rápido gera sofrimento. Em nosso estudo, também as

enfermeiras relataram que o sofrimento do paciente corresponde ao sofrimento

delas. Assim, Shimizu e Ciampone (1999) ressaltam que as enfermeiras necessitam

aprender a lidar com a morte do paciente, e entender a morte como um percurso

RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS

97

natural da vida. Mesmo sabendo da gravidade do paciente, a esperança é que ele

venha a sair do centro cirúrgico para a unidade de tratamento intensivo com vida.

Durante nossa trajetória como docente e enfermeira assistencial no centro

cirúrgico, houve poucas ocasiões em que o paciente foi a óbito. Freqüentemente o

paciente sai com vida para a unidade de terapia intensiva ou para a sala de

recuperação pós-anestésica. Em algumas ocasiões, conversando com o médico

cirurgião, ele expressou não querer que o seu paciente morresse durante a cirurgia,

para ele não ficar sendo conhecido como aquele que opera e o doente morre. É

importante lembrar o medo sentido pelo profissional, de que a morte do paciente

ocorra durante o processo anestésico-cirúrgico. Este sentimento parece ser

compartilhado na equipe, sendo a enfermeira membro dessa equipe, sente-se

solidária e compartilha com esse sentimento como os demais.

Labate (1997) diz que a humanidade constantemente procura criar defesas

para se proteger da dor, do sofrimento e da morte, que são grandes limitações do

ser humano. O profissional de saúde, muitas vezes, está em contato diário com o

sofrimento humano, especificamente entra em contato com pacientes que estão

vivenciando esta realidade.

Falta de material

Nas falas das enfermeiras, o sofrimento vivido nos centros cirúrgicos por

essas profissionais está relacionado também à falta de material, porque os poucos

recursos destinados à saúde não atendem à necessidade das instituições públicas

RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS

98

hospitalares, isto face à conjuntura sócio, política e econômica que enfrenta os