Estudo comparativo entre a haste intramedular bloqueada e a placa em ponte no tratamento cirúrgico.. por Eduardo Benegas - Versão HTML

ATENÇÃO: Esta é apenas uma visualização em HTML e alguns elementos como links e números de página podem estar incorretos.
Faça o download do livro em PDF, ePub, Kindle para obter uma versão completa.

EDUARDO BENEGAS

Estudo comparativo entre a

haste intramedular bloqueada e a placa em ponte no

tratamento cirúrgico das fraturas da diáfise do úmero

Tese apresentada à Faculdade de Medicina da

Universidade de São Paulo para obtenção do título

de Doutor em Ciências

Área de Concentração: Ortopedia e Traumatologia

Orientador: Prof. Dr. Rames Mattar Junior

São Paulo

2008

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Preparada pela Biblioteca da

Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

reprodução autorizada pelo autor

Benegas, Eduardo

Estudo comparativo entre a haste intramedular bloqueada e a placa em ponte no tratamento cirúrgico das fraturas da diáfise do úmero / Eduardo Benegas. -- São Paulo, 2008.

Tese(doutorado)--Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Departamento de Ortopedia e Traumatologia.

Área de concentração: Ortopedia e Traumatologia.

Orientador: Rames Mattar Junior.

Descritores: 1.Fixação interna de fraturas/reabilitação 2.Fraturas do úmero/cirurgia 3.Dispositivos de fixação ortopédica 4.Ensaios clínicos controlados aleatórios como assunto 5.Seguimentos 6.Estudos prospectivos

USP/FM/SBD-427/08

DEDICATÓRIAS

À minha esposa Samara,

que, ao cuidar de forma tão dedicada de nossa família,

possibilitou a tranqüilidade necessária para que eu fizesse

esta tese. Sem o seu apoio, nada disto teria sido possível.

Aos meus pais, Oswaldo ( in memoriam) e Maria Genny, por terem proporcionado, com muito sacrifício pessoal,

todas as condições para que eu pudesse dar meus

primeiros passos.

Às minhas filhas Beatriz e Paula,

musas inspiradoras das minhas melhores atitudes.

AGRADECIMENTOS

Ao Prof. Dr. Arnaldo Valdir Zumiotti, que me incentivou a ingressar na pós-graduação e a escrever esta tese.

Ao Prof. Dr. Rames Mattar Junior, por ter me orientado nesta tese de doutoramento.

Aos Profs. Drs. Tarcísio Eloy Pessoa de Barros Filho e Olavo Pires de Camargo pela confiança e apoio na minha carreira acadêmica.

Aos Drs. Raul Bolliger Neto, Túlio Diniz Fernandez e Marcos Hideyo Sakaki, membros da banca de qualificação, pelas correções e orientações

fundamentais para o término desta tese.

Aos Profs. Dr. Gilberto Luiz Camanho, chefe do Grupo de Ortopedia

Especializada do IOT do HCFMUSP, Arnaldo José Hernandez, chefe do

Grupo de Medicina Esportiva do IOT HCFMUSP e Dr. Arnaldo Amado

Ferreira Neto, chefe do Grupo de Ombro e Cotovelo do IOT do HCFMUSP, pelo constante estímulo e pelas orientações na realização desta tese.

Aos Drs. Flávia de Santis Prada, Eduardo Angeli Malavolta, Mauro Gracitelli, Marcos V. Muriano da Silva e Daniel Sabatini Teodoro e aos fisioterapeutas Luis Artur Lui e Raquel Xavier Rocha, pelo inestimável auxílio no

atendimento e na coleta dos dados dos pacientes desta tese.

Ao Dr. Arnaldo Amado Ferreira Filho pelas correções e inesgotável paciência em ensinar.

As Srtas. Andrea Forgas e Diva da Silva Godoy pelo auxílio na editoração e elaboração das referências bibliográficas.

“A felicidade é um estado de espírito, um sentimento complexo que se alimenta da plenitude da vida familiar que só é possível com a presença de esposa e filhos que nos dão a razão de ser, da realização profissional que nos auto-afirma, da satisfação dos íntimos desejos pessoais que nos faz sonhar e da bondade que formos capazes de projetar ao nosso redor que completa nossa dimensão humana e traz brandura ao nosso coração.

Infelizmente todas essas condições não estão em todos os momentos ao nosso alcance e a felicidade completa e permanente é impossível de ser conseguida. Mesmo assim não deixamos de buscá-la e essa busca é a força que impulsiona e motiva nossa vida.”

Talvez seja por isso que provérbio hindu, na sua sabedoria, considera a

“vida um mistério para ser vivido e não um problema para ser resolvido”.

Dr. Arnaldo Amado Ferreira Filho – Dezembro de 1999

NORMALIZAÇÃO ADOTADA

Esta tese de doutoramento está de acordo com as seguintes normas, em vigor no momento desta publicação:

Referências: adaptado de International Committe of Medical Journals Editors (Vancouver)

Universidade de São Paulo. Faculdade de Medicina. Serviço de Biblioteca e Documentação. Guia de apresentação de dissertações, teses e monografias.

Elaborado por Annelise Carneiro da Cunha, Maria Julia de A. L. Freddi, Maria F. Crestana, Marinalva de Souza Aragão, Suely Campos Cardoso e Valéria Vilhena. 2ª. Ed. São Paulo: Serviço de Biblioteca e Documentação; 2005.

Abreviaturas dos títulos dos periódicos de acordo com List of Journals Indexed in Index Medicus.

SUMÁRIO

LISTA DE FIGURAS

LISTA DE TABELAS

RESUMO

SUMMARY

1. INTRODUÇÃO............................................................................................1

1.1. OBJETIVOS ........................................................................................5

2. REVISÃO DA LITERATURA......................................................................6

3. MÉTODO ..................................................................................................31

3.1. ESTUDO DA CASUÍSTICA...............................................................33

3.2. SELEÇÃO DOS PACIENTES ...........................................................37

3.2.1. Critérios de inclusão ................................................................37

3.2.2. Critérios de exclusão ...............................................................38

3.3. CONTROLE PRÉ-OPERATÓRIO.....................................................39

3.3.1. Exame clínico ..........................................................................39

3.3.2. Exame radiográfico..................................................................40

3.4. TRATAMENTO CIRÚRGICO ............................................................42

3.4.1. Técnica operatória...................................................................43

3.4.1.1. Posicionamento ..........................................................43

3.4.1.2. Haste intramedular bloqueada....................................44

3.4.1.3. Placa em ponte...........................................................46

3.5. CONTROLE PÓS-OPERATÓRIO.....................................................49

3.6. CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO ...........................................................50

3.6.1. Critérios baseados nos dados clínicos ....................................50

3.6.2. Critérios baseados nos achados radiográficos ........................53

3.6.3. Complicações ..........................................................................53

3.6.4. Estudo estatístico ...................................................................54

4. RESULTADOS .........................................................................................55

4.1. ANÁLISE DOS PARÂMETROS DA CIRURGIA................................56

4.1.1. Resultados da análise do uso da radioscopia intra-

operatória ................................................................................56

4.1.2. Resultados da análise do tempo total da cirurgia ....................58

4.2. RESULTADOS DA ANÁLISE CLÍNICA PÓS-OPERATÓRIA ..........58

4.2.1. Resultados da análise clínica pós-operatória do ombro ..........59

4.2.1.1. Presença de dor..........................................................59

4.2.1.2. Função do ombro........................................................61

4.2.1.3. Flexão ativa do ombro ................................................62

4.2.1.4. Força de flexão do ombro ...........................................63

4.2.1.5. Satisfação dos pacientes ............................................64

4.2.1.6. Avaliação do resultado clínico final do ombro .............64

4.2.2. Resultados da análise clínica pós-operatória do cotovelo .......65

4.2.2.1. Mobilidade do cotovelo ...............................................65

4.2.2.2. Força muscular ...........................................................66

4.2.2.3. Presença da dor..........................................................67

4.2.2.4. Estabilidade do cotovelo .............................................68

4.2.2.5. Avaliação do resultado clínico final do cotovelo..........68

4.3.

RESULTADOS DA ANÁLISE RADIOGRÁFICA PÓS-

OPERATÓRIA .................................................................................69

4.3.1. Desvios....................................................................................69

4.3.2. Consolidação...........................................................................69

4.4. COMPLICAÇÕES .............................................................................70

4.4.1. Infecção ...................................................................................70

4.4.2. Lesão nervosa pós operatória do nervo cutâneo lateral do

antebraço.................................................................................72

4.4.3. Complicações relacionadas ao material de síntese.................72

4.4.4. Capsulite adesiva ....................................................................73

5. DISCUSSÃO.............................................................................................74

6. CONCLUSÕES.........................................................................................96

7. ANEXOS...................................................................................................98

8. REFERÊNCIAS ......................................................................................106

LISTA DE FIGURAS

FIGURA 1- Classificação de Müller ...........................................................41

FIGURA 2 A - Preparo do paciente com o suporte de apoio do braço .......43

FIGURA 2 B - Apoio do braço sobre o suporte e campos cirúrgicos ..........43

FIGURA 3 - Dissecção cuidadosa do manguito rotador sem desinserí-

lo do tubérculo maior ....................................................................................45

FIGURA 4 - Guia de introdução do parafuso e proteção das partes

moles............ ................................................................................................45

FIGURA 5 - Exposição do plano ósseo entre os músculos peitoral

maior e deltóide ............................................................................................47

FIGURA 6 - Placa posicionada sobre o úmero na via de acesso distal e o nervo radial ...............................................................................................48

FIGURA 7 - Posicionamento para se medir a força de extensão do

cotovelo ....... ................................................................................................52

FIGURA 8 - Ferimento da pele sobre a cicatriz da incisão proximal da técnica da placa em ponte, causado por infecção profunda ........................70

FIGURA 9 - Parafuso de bloqueio distal saliente .......................................72

LISTA DE TABELAS

TABELA 1 - Estatística descritiva do parâmetro quantitativo idade da casuística nos dois grupos............................................................................33

TABELA 2 - Distribuição das freqüências absoluta e relativa (%) do gênero nos dois grupos ................................................................................34

TABELA 3 - Distribuição das freqüências absoluta e relativa (%) do lado operado nos dois grupos.......................................................................34

TABELA 4 - Distribuição das freqüências absoluta e relativa (%) dos casos, segundo a causa do traumatismo......................................................34

TABELA 5 - Distribuição das freqüências absoluta e relativa (%) dos casos, segundo a classificação do grupo AO ...............................................35

TABELA 6 - Distribuição das freqüências absoluta e relativa (%) dos tipos de fraturas segundo a classificação A.O. nos dois grupos ...................36

TABELA 7 - Distribuição das freqüências absoluta e relativa (%) do número de casos em que foi realizada a contagem do tempo de uso da radioscopia no intra-operatório nos dois grupos ...........................................56

TABELA 8 - Avaliação entre o tempo de uso da radioscopia (em

segundos) e o material de síntese utilizado ..................................................57

TABELA 9 - Avaliação entre o tempo total da cirurgia (em minutos) e o material de síntese utilizado .........................................................................58

TABELA 10 - Distribuição das freqüências absoluta e relativa (%) do total dos casos, segundo a presença da dor no ombro, conforme os

critérios da UCLA (Oku et al., 2006), na avaliação final................................59

TABELA 11 - Distribuição das freqüências absoluta e relativa (%) do total dos casos, segundo a presença ou ausência da dor no ombro,

conforme os critérios da UCLA (Oku et al., 2006), na avaliação final ...........60

TABELA 12 - Distribuição das freqüências absoluta e relativa (%) do total dos casos, segundo a função do ombro, conforme os critérios da UCLA (Oku et al., 2006), na avaliação final ..................................................61

TABELA 13 - Distribuição das freqüências absoluta e relativa (%) do total dos casos, segundo a função normal ou alterada do ombro,

conforme os critérios da UCLA (Oku et al., 2006), na avaliação final ...........61

TABELA 14 - Distribuição das freqüências absoluta e relativa (%) do total dos casos, segundo a flexão ativa do ombro, conforme os critérios da UCLA (Oku et al., 2006), na avaliação final .............................................62

TABELA 15 - Distribuição das freqüências absoluta e relativa (%) do total dos casos, segundo a flexão ativa do ombro normal ou alterada, conforme os critérios da UCLA (Oku et al., 2006), na avaliação final ...........62

TABELA 16 - Distribuição das freqüências absoluta e relativa (%) do total dos casos, segundo a força de flexão do ombro, conforme os

critérios da UCLA (Oku et al., 2006), na avaliação final................................63

TABELA 17 - Distribuição das freqüências absoluta e relativa (%) do total dos casos, segundo a força de flexão do ombro normal ou

alterada, conforme os critérios da UCLA (Oku et al., 2006), na avaliação final......................... ......................................................................................63

TABELA 18 - Avaliação do resultado clínico final do ombro, pela escala da UCLA (Oku et al., 2006), relacionada ao tipo de material de síntese ......64

TABELA 19 - Distribuição das freqüências absoluta e relativa dos casos, segundo a mobilidade do cotovelo, conforme os critérios de

Broberg e Morrey (1986), na avaliação final .................................................65

TABELA 20 - Distribuição das freqüências absoluta e relativa dos casos, segundo a força muscular do cotovelo, conforme os critérios de Broberg e Morrey (1986), na avaliação final .................................................66

TABELA 21 - Distribuição das freqüências absoluta e relativa dos casos, segundo a força muscular do cotovelo, diminuída ou normal,

conforme os critérios de Broberg e Morrey (1986), na avaliação final ..........66

TABELA 22 - Distribuição das freqüências absoluta e relativa dos casos, segundo a dor no cotovelo, conforme os critérios de Broberg e Morrey (1986), na avaliação final..................................................................67

TABELA 23 - Distribuição das freqüências absoluta e relativa dos casos, segundo a presença ou ausência da dor, no cotovelo, conforme os critérios de Broberg e Morrey (1986), na avaliação final ..........................67

TABELA 24 - Avaliação do resultado clínico final do cotovelo, pela escala de Broberg e Morrey (1986), relacionada ao tipo de material de síntese............ ..............................................................................................68

RESUMO

Benegas E. Estudo comparativo entre a haste intramedular bloqueada e a placa em ponte no tratamento cirúrgico das fraturas da diáfise do úmero

[Tese]. São Paulo: Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo; 2008. 117 p.

O objetivo deste estudo é o de comparar os resultados clínicos e

radiográficos do tratamento cirúrgico das fraturas da diáfise do úmero com haste intramedular bloqueada ou placa em ponte. Quarenta fraturas da diáfise do úmero, em 39 pacientes, dos tipos A, B ou C da classificação do grupo A.O., foram tratadas no período compreendido entre junho de 2003 e dezembro de 2007. Destas, após seleção por sorteio, 21 fraturas foram submetidas à osteossíntese com placas em ponte de 4,5 mm e parafusos (grupo PP) e 19 com hastes intramedulares bloqueadas não fresadas (grupo HIB). Duas eram fraturas expostas, uma do tipo II e outra do tipo III-a de Gustilo. Vinte e cinco pacientes eram do sexo masculino (64%) e a idade variou de 19 a 75 anos (idade média de 41 anos e 10 meses). O lado direito foi acometido em 22 pacientes (55%) e a queda, o mecanismo de trauma mais freqüente (46%). O tempo mínimo de seguimento foi de seis meses e o máximo de 60 meses para o grupo PP (M=34,5 meses) e de oito e 58 meses (M=27meses) para o grupo HIB. Em apenas um caso, operado com haste intramedular bloqueada, não houve a consolidação. Houve um caso de infecção profunda no grupo PP e um de infecção superficial no grupo HIB.

Dois casos do grupo PP evoluíram com capsulite adesiva e, em apenas um dos casos do grupo HIB, o parafuso distal ficou saliente. Ocorreu

neuropraxia do nervo cutâneo lateral do antebraço em um dos casos do grupo HIB que regrediu em três dias. Não houve diferença entre os grupos com relação ao tempo total da cirurgia. O tempo de utilização da radioscopia no ato operatório foi maior no grupo HIB. Houve semelhança entre os dois métodos de fixação nos resultados referentes à dor, à função, à flexão ativa e à força de flexão na articulação do ombro e também com relação à dor, mobilidade, força muscular e estabilidade na articulação do cotovelo.

Segundo os critérios da UCLA para o ombro, obtivemos resultados

excelentes e bons em 85,7% no grupo operado com placa em ponte e 79%

no grupo com haste intramedular bloqueada e de acordo com os critérios de Broberg e Morrey para o cotovelo, obtivemos resultados excelentes e bons em 85,7% no grupo operado com placa em ponte e 90,5% no grupo com

haste intramedular bloqueada. Na avaliação subjetiva, duas pacientes, uma do grupo HIB e outra do PP, não ficaram satisfeitas. Conclusão: Não houve diferença no resultado clínico e radiográfico entre os dois métodos.

Descritores: 1.Fixação interna de fratura/reabilitação 2.Fraturas do úmero/cirurgia 3.Dispositivos de fixação óssea 4.Ensaios clínicos

controlados aleatórios como assunto 5.Seguimentos 6.Estudos prospectivos

SUMMARY

Benegas E. Comparative study using nonreamed intramedullary locking nail and bridging plate for the treatment of humeral shaft fractures [thesis]. São Paulo: “Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo”, 2008. 117 p.

The purpose of the study is to compare clinical and radiographic

outcomes between nonreamed locked intramedullary nail and bridging plate for the treatment of humeral shaft fracture. Forty humeral shaft fractures in 39

patients, A, B or C AO types were treated between June 2003 and December 2007. The cases were randomly assigned into two groups being 21 fractures fixed by a 4.5 mm bridging plate, and 19 by nonreamed intramedullary locking nail. Two cases had open fractures, one Gustilo type II, the other type IIIa. Twenty five patients were male (64%), ages ranging from 19 to 75 years old (mean age 41 years and 10 months). The right side was treated in 22

patients (55%) and fall was the most frequent cause of fracture (46%). The minimal period of follow-up was six months and the maximum was 60 months for the bridging plate group (mean=34.5 months) and ranged from eight to 58

months (mean=27months) for the nail group. Only one case from the nail group presented a nonunion. One case, in the plate group, developed a deep infection, and another one, in the nail group, had a superficial infection. Two cases of the bridging plate group had adhesive capsulites and in one case of the nail group the distal screw became prominent. A transient neuropraxis of the antebrachial lateral cutaneous nerve was found in one case of the nail group, but it recovered in three days. There were no differences between the groups concerning pain, function, active flexion and strength of flexion of the shoulder, as well as pain, range of motion, muscle strength, and stability of the elbow. According to the UCLA score, we had 85.7% excellent and good results in the plate group and 79% in the nail group. According to Broberg and Morrey score for the elbow, we had 85.7% excellent and good results in the plate group and 90.5% in the nail group. Just one patient, from the nail group, was not satisfied with the final result, according to subjective criteria.

In conclusion, there were no differences in the final clinical and radiographic results between the two methods of fixation.

Descriptors: 1.Internal fixation of fractures/reabilitation 2.Humerus fractures/surgery 3.Implants in orthopaedic fixation 4.RCT Randomized clinical trials as subject controlled 5.Follow-up 6.Prospective trials 1. INTRODUÇÃO

Introdução

2

1.

INTRODUÇÃO

As fraturas da diáfise do úmero (FDU) representam 3% das fraturas

do aparelho locomotor (Christensen, 1967). Estima-se que em torno de 60

novos casos de FDU em adultos são tratados por ano para cada grupo de 600.000 habitantes (Tytherleigh-Strong et al., 1998).

O tratamento das FDU é, na sua maioria, realizado por meio de

métodos não cirúrgicos, com bons resultados funcionais (Klenerman, 1966; Mast et al., 1975 e Sarmiento et al., 1977). Entretanto, existem situações e determinados tipos de FDU para as quais o tratamento conservador não se mostra eficaz.

Amparados pelos sensíveis progressos das últimas décadas na

cirurgia do traumatismo do aparelho locomotor, com melhores técnicas e materiais de osteossíntese, as indicações cirúrgicas nas FDU são adotadas em situações como traumatismos múltiplos, fraturas expostas, fraturas bilaterais, fraturas patológicas, cotovelo flutuante, lesão vascular associada, paralisia do nervo radial após redução fechada, incapacidade de

manutenção da redução e pseudartrose (Zuckerman e Koval, 1996). Mais recentemente, alguns autores, como Rommens et al. (2002), também

indicam o tratamento cirúrgico em FDU espirais longas, transversas, lesões do plexo braquial ipsilaterais, déficits neurológicos como a doença de Introdução

3

Parkinson, obesidade e falta de cooperação por abuso do álcool ou outras drogas.

No tratamento cirúrgico das FDU, a técnica cirúrgica, a quantidade e a qualidade dos materiais de síntese utilizados ainda são motivos de controvérsias.

A placa de compressão de 4,5 mm, com estabilidade absoluta,

colocada por meio de redução cruenta, por via de acesso ampla, é

considerada uma boa forma de tratamento, permite boa redução da fratura e demonstra bons resultados na literatura (McCormack et al., 2000; Shemitsh e Bhandari, 2003; Kesemenlü et al. , 2003; Bhandari et al., 2006 e Jawa et al., 2006).

Entretanto, graves complicações decorrentes desse tipo de

tratamento, como a pseudartrose e a osteomielite, geralmente de difícil solução, motivaram uma tendência crescente em se evitar maior exposição e desvitalização do foco da fratura, com preservação do seu hematoma. É

cada vez mais freqüente, portanto, a utilização de técnicas de estabilidade relativa como os pinos intramedulares, as hastes intramedulares bloqueadas (HIB), tanto de introdução anterógrada quanto retrógrada, ou os fixadores externos, no manejo destas fraturas. (Rush e Rush, 1950; De La Caffiniére, 1988; Habernek e Orthner, 1991; Ingmar e Waters, 1994; Zuckerman e Koval, 1996; Lin, 1998; Kesemenlü et al., 2003).

Os fixadores externos, por apresentarem características de rápida e fácil instalação, têm sido muito utilizados nas osteossínteses provisórias Introdução

4

realizadas na emergência, como nas FDU expostas com perda do

revestimento cutâneo (Rommens et al., 1995). Entretanto, devido à soltura ou infecção próxima aos parafusos de fixação, são pouco utilizados para o tratamento definitivo.

A HIB com introdução retrógrada, cuja técnica é realizada por meio de orifício criado na face posterior do úmero, acima da fossa do olécrano, não agride os tendões do manguito rotador. Em contrapartida, o pequeno diâmetro do canal medular da diáfise do úmero nesta localização, dificulta a introdução da haste e aumenta o risco de novas fraturas. (Rommens et al., 1995 e Modabber e Jupiter, 1998). Na situação inversa, a HIB com

introdução anterógrada, cuja técnica é realizada por meio de orifício criado no tubérculo maior do úmero por entre as fibras do tendão do músculo supra-espinal, não aumenta o risco de novas fraturas, entretanto aumenta a ocorrência de dores no ombro (Ingmar e Waters, 1994).

Alguns estudos comparam as placas com estabilidade absoluta e as

hastes intramedulares bloqueadas, de estabilidade relativa, e concluem que ambos são bons métodos para o tratamento cirúrgico das FDU (Chapman et al., 2000 e Flinkkilä et al., 2004).

Outro método de tratamento que, como o fixador externo e a HIB,

também proporciona estabilidade relativa ao foco da fratura é a placa em ponte (PP). Embora esta técnica seja de utilização freqüente nas diáfises da tíbia e do fêmur, apenas recentemente, após os estudos de Livani e Belangero em 2004(b), vem sendo utilizada para as FDU. Na sua técnica Introdução

5

cirúrgica, a via de acesso distal, através das fibras do músculo braquial, protege o nervo radial de uma possível lesão, possibilita boa redução e estabilização dos fragmentos ósseos, além de não desvitalizar os tecidos próximos ao foco da fratura.

Frente a todas estas controvérsias e com a intenção de comparar dois métodos de estabilidade relativa, ainda não confrontados na literatura, como a haste intramedular bloqueada e a placa em ponte, elaboramos um estudo prospectivo e randomizado.

1.1 OBJETIVOS

Comparar pacientes submetidos ao tratamento cirúrgico com o uso da placa em ponte ( grupo PP) ou haste intramedular bloqueada ( grupo HIB) em relação aos:

¾ Resultados clínicos finais.

¾ Resultados radiográficos finais.

2. REVISÃO DA LITERATURA

Revisão da literatura

7

2.

REVISÃO DA LITERATURA

As FDU correspondem a 3% das fraturas do aparelho locomotor

(Christensen, 1967). Por apresentarem aspectos diversos, muitas são as formas de tratamento preconizadas na literatura.

Sir John Charnley, em 1968, afirma que “a fratura da diáfise do úmero (FDU) é a fratura mais fácil de ser tratada por métodos não cirúrgicos”.

Rush

e

Rush, em 1950, empenhados em desenvolver um método de

tratamento para as FDU que mantivesse o alinhamento dos fragmentos da fratura e ao mesmo tempo proporcionasse liberdade de utilização do braço, tratam 14 pacientes consecutivos com pinos intramedulares de aço

inoxidável, curvos em uma das extremidades, que mais tarde seriam

conhecidos como pinos de “Rush”, com bons resultados, com maior

velocidade de consolidação e sem complicações como infecção ou

pseudartrose.

Holstein e Lewis, em 1963, afirmam que, na fratura do terço inferior da diáfise do úmero, do tipo espiral, onde o fragmento ósseo distal apresenta desvio proximal e lateral, o nervo radial fica interposto entre as superfícies ósseas e pode ser lesionado com maior freqüência. Portanto, contra-indicam a redução fechada deste tipo de fratura e indicam uma via de acesso antero lateral, com identificação e proteção do nervo radial.

Revisão da literatura

8

Klenerman, em 1966, defende o tratamento não cirúrgico das FDU.

Relata que são mais freqüentes no terço médio e estabelece os desvios aceitáveis para obtenção de bons resultados funcionais e estéticos com este tipo de tratamento: angulação anterior de no máximo 20º e desvio em varo de, no máximo, 30º. Conclui, ainda, que as lesões do nervo radial são mais freqüentes nos terços médio e médio para distal da diáfise e que a diástase entre os fragmentos é um dos fatores mais importantes na gênese do retarde da consolidação ou da pseudartrose. Mais tarde, o próprio

Klenerman, agora em 1982, associa como mais um parâmetro aceitável de redução, o encurtamento de até três centímetros do comprimento do úmero.

Mast et al., em 1975, encontram 5% de pseudartrose com o

tratamento não cirúrgico das FDU e 87% de resultados funcionais

satisfatórios.

Gustilo e Anderson (1976) publicam um estudo onde propõem uma classificação para as fraturas expostas, que é mais tarde complementada por Gustilo et al., em 1987:

Tipo I – Ferimento de pele limpo, menor do que um centímetro, com

pequeno acometimento de partes moles e de pequena cominuição óssea.

Tipo II – Ferimento de pele com moderada contaminação, maior do

que um centímetro, com moderado acometimento de partes moles e

moderada cominuição.

Tipo III – Fraturas que acontecem em sítios bastante contaminados ou fraturas causadas por arma de fogo.

Revisão da literatura

9

Tipo III a – Ferimento de pele maior do que 10 centímetros com

grande acometimento de partes moles, com cominuição grande da fratura, porém as partes moles são suficientes para cobertura do ferimento.

Tipo III b – Semelhante ao tipo III a, porém as partes moles não são suficientes para cobertura do osso.

Tipo III c – Semelhante ao tipo III b, porém existe lesão vascular associada.

Sarmiento et al. (1977) tratam, com imobilização funcional por meio de órtese braquial e movimentação precoce, 51 fraturas do úmero. A consolidação, que estabelecem como ausência de dor e movimento ao

exame clínico da fratura associados à presença de calo ósseo no exame radiográfico, ocorre, em média após 8,5 semanas, em 98% dos casos. O

seguimento médio varia de dois a três meses após a remoção do

imobilizador. Há diminuição do arco de movimento em nove pacientes.

Salientam que seus estudos laboratoriais demonstram que as contrações musculares funcionais produzem maior estímulo no processo da

consolidação óssea quando comparadas com as fraturas tratadas com

imobilização completa do membro acometido.

Pollock et al., em 1981, encontram 6% de lesões do nervo radial

associadas às FDU. Dos 24 pacientes, apenas 8% necessitam de

exploração tardia do nervo. A localização mais freqüente é o terço distal do úmero (14 fraturas) e recomendam observar-se o retorno das funções do Revisão da literatura

10

nervo radial por um período de três meses e meio a quatro meses antes de uma exploração cirúrgica.

Rose et al., em 1982, estudam uma população de aproximadamente

53.000 pessoas durante 10 anos. Destas, 564 pessoas sofrem 586 fraturas do úmero, das quais 20% são da diáfise do úmero, 33% da região distal do úmero e 45% da proximal. Das fraturas da diáfise, a maioria envolve traumatismos de alta energia cinética (35% por acidentes com veículos automotores e 23% por quedas de alturas).

Souza e Silva et al., em 1985, tratam, por método não cirúrgico, 19

casos de FDU com caneleiras (“aquelas utilizadas por jogadores de futebol nas pernas”) fixadas por cadarços e tiras de esparadrapos e obtêm 100% de consolidação.

Broberg e Morrey, em 1986, publicam um método de avaliação clínica para o cotovelo, no qual medem o grau de movimentação, a força em

relação ao lado contralateral, a estabilidade e a dor nesta articulação.

Constant e Murley, em 1987, propõem um método de avaliação

clínica para o tratamento das doenças do ombro, independente do

diagnóstico ou alterações radiográficas, onde levam em consideração a dor, a realização das atividades do cotidiano, o arco de movimento e a força.

Zagorski et al. (1988) desenvolvem uma órtese braquial com a qual

tratam 170 pacientes (25,3% fraturas expostas) e obtêm consolidação e boa função em 98% destes. Não houve predominância do lado acometido, a Revisão da literatura

11

região média da diáfise foi fraturada em 54,7% dos casos e o mecanismo de trauma mais freqüente foi o acidente com veículos automotores.

Preocupados em manter o envelope muscular e a vascularização em

torno do foco da fratura, De La Caffiniére et al., em 1988, tratam 41

pacientes com FDU com pinos intramedulares e obtêm bons resultados.

Müller et al., em 1991, finalizam e publicam a classificação adotada até os dias de hoje pelo grupo por eles fundado, denominado grupo A.O., onde as FDU são divididas em :

o osso – úmero, nº 1; segmento ósseo – diáfise, nº2

o 1.2. A 1.1 – Fraturas espiraladas longas na região mais proximal da diáfise umeral.

o 1.2. A 2.1 - Fraturas oblíquas curtas (angulação maior do que 30º) na região mais proximal da diáfise umeral.

o 1.2. A 3.1- Fraturas transversas (angulação menor do que 30º) na região mais proximal da diáfise umeral.

o 1.2. A 1.2 – Fraturas espiraladas longas na região média da diáfise umeral.

o 1.2. A 2. 2 - Fraturas oblíquas curtas (angulação maior do que 30º) na região média da diáfise umeral.

o 1.2. A 3.2 - Fraturas transversas (angulação menor do que 30º) na região média da diáfise umeral.

Revisão da literatura

12

o 1.2. A 1.3 – Fraturas espiraladas longas na região mais distal da diáfise umeral.

o 1.2. A 2.3 - Fraturas oblíquas curtas (angulação maior do que 30º) na região mais distal da diáfise umeral.

o 1.2. A 3.3 - Fraturas transversas (angulação menor do que 30º) na região mais distal da diáfise umeral.

o 1.2. B 1.1 – Fraturas com cunha de torção na região mais proximal da diáfise umeral.

o 1.2. B 2.1 - Fraturas com cunha de torção/compressão na região mais proximal da diáfise umeral.

o 1.2. B 2.1 - Fraturas com duas cunhas na região mais proximal da diáfise umeral.

o 1.2. B 1.2 – Fraturas com cunha de torção na região média da diáfise umeral.

o 1.2. B 2.2 - Fraturas com cunha de torção/compressão na região

média da diáfise umeral.

o 1.2. B 2.2 - Fraturas com duas cunhas na região média da diáfise umeral.

o 1.2. B 1.3 – Fraturas com cunha de torção na região mais distal da diáfise umeral.

Revisão da literatura

13

o 1.2. B 2.3 - Fraturas com cunha de torção/compressão na região mais distal da diáfise umeral.

o 1.2. B 2.3 - Fraturas com duas cunhas na região mais distal da diáfise umeral.

o 1.2. C 1.1 - Fraturas cominutivas na região mais proximal da diáfise umeral.

o 1.2. C 2.1 - Fraturas segmentares na região mais proximal da diáfise umeral.

o 1.2. C 3.1 - Fraturas bastantes cominutivas na região mais proximal da diáfise umeral.

o 1.2. C 1.2 - Fraturas cominutivas na região média da diáfise umeral.

o 1.2. C 2.2 - Fraturas segmentares na região média da diáfise umeral.

o 1.2. C 3.2 - Fraturas bastantes cominutivas na região média da diáfise umeral.

o 1.2. C 1.3 - Fraturas cominutivas na região mais distal da diáfise umeral.

o 1.2. C 2.3 - Fraturas segmentares na região mais distal da diáfise umeral.

o 1.2. C 3.3 - Fraturas bastantes cominutivas na região mais distal da diáfise umeral.

Revisão da literatura

14

Em 1991, Habernek e Orthner enfatizam a superioridade das hastes

intramedulares bloqueadas em relação aos pinos intramedulares por permitir maior estabilização e segurança para a mobilização precoce. Utilizam o sistema de haste intramedular, descrito por Seidel, em 1989, em 19

pacientes com 100% de consolidação. Ressaltam, ainda, que quando

posicionadas profundamente à cortical do tubérculo maior do úmero, não causam dores no ombro.

Robinson et al., em 1992, relatam a sua experiência no tratamento

cirúrgico de 30 FDU com a haste intramedular de Seidel (Seidel, 1989) e chegam à conclusão de que, embora na teoria pareça ser uma técnica atrativa, por permitir estabilização com pouca agressão às partes moles, na prática este sistema apresenta um grande número de complicações e maus resultados. O tempo médio de consolidação é de 18 semanas e sete

pacientes evoluem para pseudartrose. A incidência de dores no ombro é de 40% (13 pacientes) e a causa mais comum é a migração proximal da haste em oito pacientes. Atribuem à dissecção do manguito rotador para a introdução das hastes a responsabilidade pelas dores dos outros cinco pacientes.

Ingman e Waters (1994), insatisfeitos com a instabilidade resultante da utilização dos pinos não bloqueados, seja por sua migração ou pelos altos índices de pseudartrose, e com o tratamento com placas e parafusos, com estabilidade absoluta, que implicam na necessidade de dissecção extensa das partes moles, desenvolvem uma haste intramedular bloqueada de 9,5mm, com um parafuso de bloqueio proximal e um distal, a partir de Revisão da literatura

15

uma modificação da haste tibial de Grosse-Kempf. Após o tratamento de 41

pacientes, observam apenas um caso de pseudartrose. Preferem a

introdução retrógrada da haste, após fresagem do canal medular, por minimizar a chance de dores pós-operatórias no ombro.

Rommens et al. (1995) estudam, prospectivamente, 39 pacientes com

FDU tratados com hastes de introdução retrógrada, após fresagem do canal medular, bloqueadas com um parafuso proximal e um distal do tipo Russell-Taylor (Smith and Nephew®), variando de sete a nove mm de diâmetro.

Após uma semana de imobilização com tipóia, iniciam mobilização ativa e passiva do ombro e do cotovelo. Trinta e sete fraturas consolidam, em média, com 13,7 semanas. Trinta e três pacientes (84,6%) obtêm bons resultados e em apenas um caso há lesão iatrogênica do nervo radial.

Entretanto, em três pacientes ocorre fratura no local da introdução da haste e dois outros pacientes são re-operados devido à pseudartrose. Baseados em sua própria experiência anterior, relatam que o tratamento cirúrgico das FDU com placa e parafusos, com estabilidade absoluta, requer grande dissecção de partes moles com aumento do risco de pseudartrose e de lesão do nervo radial. Salientam que o uso prolongado dos fixadores externos no tratamento definitivo desta fratura também causa complicações como infecções e solturas. Advertem que os pinos de Rush podem sofrer migração e que a falta de estabilidade destes pinos impede a desejável mobilização precoce do membro.

Zuckerman e Koval, em 1996, analisam a biomecânica dos desvios das FDU e afirmam que, quando o traço de fratura ocorre acima da inserção Revisão da literatura

16

do músculo peitoral maior, o fragmento proximal estará desviado em abdução e rotação externa, por ação dos músculos do manguito rotador.

Quando o foco de fratura está entre as inserções dos músculos peitoral maior e deltóide o fragmento proximal estará em adução, por tração do músculo peitoral maior e o fragmento distal estará com desvio proximal e lateral, por tração do músculo deltóide. Quando o foco de fratura é distal à inserção do músculo deltóide, o fragmento proximal estará abduzido por tração do músculo deltóide e o distal estará com desvio proximal. Preferem o tratamento conservador, entretanto, indicam o tratamento cirúrgico nos casos de fratura exposta, lesão vascular associada, cotovelo flutuante, fratura segmentar, fratura patológica, fratura bilateral do úmero, fratura do úmero em pacientes com múltiplas lesões, lesão do nervo radial após manipulação fechada da FDU, lesão nervosa após ferimento penetrante, FDU com desalinhamento inaceitável ou com extensão do traço de fratura para as articulações próximas. O tipo de osteossíntese que mais utilizam é a haste bloqueada introduzida de maneira anterógrada seguida de reabilitação precoce.

Rupp et al. (1996) alertam para os riscos da lesão vascular ou

nervosa que pode ocorrer durante a colocação do parafuso de travamento distal. Quando realizada de anterior para posterior, o principal risco é a proximidade do nervo musculocutâneo e quando de lateral para medial são o nervo radial durante a introdução e também, os nervos ulnar e mediano e a artéria braquial caso o parafuso penetre além da camada óssea cortical medial do úmero.

Revisão da literatura

17

Tytherleigh-Strong et al., em 1998, publicam um estudo

epidemiológico sobre as FDU , que definem como aquelas situadas entre a borda superior do músculo peitoral maior e a área imediatamente superior as cristas supra-epicondilares do úmero. Avaliam 249 pacientes com 16 ou mais anos de idade. Cento e dez são do lado direito e a idade média é de 54,6 anos, com picos de incidência entre a terceira e sétima décadas.

Baseados na classificação do grupo A.O., obtêm 63,3% do tipo A; 26,2% do tipo B e 10,4% do tipo C, sendo as mais freqüentes as tipo A1 (29,2%). A análise dos autores ainda demonstra que 60% das fraturas ocorrem em pacientes acima dos 50 anos de idade e 80% das causas são quedas, mais comuns nas mulheres (73%). Nos pacientes com menos de cinqüenta anos de idade, 70% das fraturas ocorrem nos homens e, destas, dois terços devem-se a traumatismos de alta energia. Mais de 60% das fraturas ocorrem no terço médio da diáfise e são raras as fraturas expostas. Quando ocorrem, são mais freqüentes as do tipo I de Gustilo e Anderson (1976).

Modabber e Jupiter, em 1998, enfatizam os bons resultados do tratamento conservador com órtese funcional e movimentação precoce do ombro e do cotovelo. Utilizam o procedimento cirúrgico apenas nos casos de perda ou impossibilidade de redução da fratura, envolvimento das

articulações no traço de fratura com desvio, fraturas associadas com lesões vasculares ou nervosas, fraturas no mesmo membro associadas, fraturas segmentares, fraturas patológicas, fraturas expostas, pseudartroses, politraumatismos, fraturas bilaterais do úmero ou lesões do tegumento que impeçam o tratamento conservador. No tratamento cirúrgico cruento, com Revisão da literatura

18

placa de compressão de 4,5mm e parafusos, com estabilidade absoluta, preferem a via de acesso posterior para as FDU mais distais e a antero lateral para as do terço médio ou proximal. Quando utilizam as hastes intramedulares que, segundo dizem, lesam menos as partes moles

adjacentes à fratura, preferem não fresar o canal medular, pois não danificam a circulação do endósteo. Sugerem que por ser o úmero um osso do membro superior, que não sofre carga axial, a utilização das fresas para introdução das hastes de maior diâmetro não é necessária. Ressaltam, ainda, que a introdução anterógrada das hastes deve ser realizada na região mais superior e medial do tubérculo maior, local que coincide com o eixo do canal medular da diáfise, que o bloqueio da extremidade distal da haste deve ser feito de anterior para posterior, que o manguito rotador deve ser dissecado com cuidado e a haste deve ser introduzida profundamente à cortical proximal do úmero. Quando a introdução é retrógrada, o risco maior é o de fraturar-se o úmero durante a introdução da haste próximo à fossa do olécrano. Concordam com os estudos biomecânicos que comparam os

sistemas de fixação das FDU, onde uma haste sólida tem um maior grau de rigidez à torção e o sistema de placa e parafusos resiste mais às cargas de flexão, porém questionam qual seria o grau de estabilidade adequado para promover a consolidação óssea.

Mercadante et al., em 1998, obtêm bons resultados com placas e

parafusos de compressão por via aberta nas pseudartroses da diáfise do úmero. Enfatizam, ainda, que a diferença entre retarde de consolidação e pseudartrose não é única, precisa ou clara.

Revisão da literatura

19

Lin (1998) compara, de forma retrospectiva, 48 pacientes tratados

com a haste intramedular, bloqueada e fresada, desenvolvida no Hospital da Universidade Nacional de Taiwan e 25 tratados com placas de compressão de 4,5 mm, com estabilidade absoluta, por via antero lateral ou posterior. O

intervalo de tempo entre o traumatismo e a cirurgia é de 7,8 dias (1 a 40

dias). Relatam que tanto o tempo de cirurgia quanto a perda sanguínea é menor quando utilizam haste intramedular bloqueada se comparado com a placa de compressão. O tempo de consolidação não apresenta diferenças significativas. Com relação às complicações, entre os pacientes tratados com placa e parafusos houve um caso com perda do implante, outro com infecção profunda e outro com lesão do nervo radial. Dos pacientes tratados com haste, um paciente apresenta consolidação viciosa em varo e outro, fratura cominutiva intra-operatória. Concluem que o tratamento cirúrgico das FDU com haste apresenta melhores resultados do que com placa de

compressão, com estabilidade absoluta, por via aberta.

Gaullier et al., em 1999, analisam os resultados obtidos em 23

pacientes com FDU tratados com a haste de Seidel (Seidel, 1989). Após um seguimento médio de 33 meses, encontram bons resultados em 87% dos pacientes, segundo avaliação realizada pelo método de Constant (Constant e Muley, 1987). Todas as fraturas, exceto uma, consolidam após dois meses da cirurgia. Três pacientes evoluem com sinais de impacto que

desaparecem após a retirada da haste e um com infecção. Entretanto, quando avaliados com a ultra-sonografia, nenhum paciente apresenta lesão do manguito rotador.

Revisão da literatura

20

McCormack et al., em 2000, comparam prospectivamente o

tratamento cirúrgico da FDU realizado em dois grupos randomizados.

Comparam 23 pacientes operados com placas e parafusos (Synthes®), com estabilidade absoluta, por via de acesso aberta posterior ou antero lateral, e 21 com osteossíntese com haste intramedular fresada do tipo Russel –

Taylor (Smith and Nephew®), por via anterógrada ou retrógrada. Após um mínimo de seis meses de evolução pós-operatória, obtêm 95,6% de

consolidação com a utilização das placas e 90,5% de consolidação com a utilização das hastes. Entretanto, o grupo dos pacientes tratados com haste intramedular teve um maior número de complicações (lesão iatrogênica do nervo radial, pseudartrose, síndrome do impacto, fraturas na introdução das hastes e capsulite adesiva). Referem, ainda, que o tempo cirúrgico e a perda sangüínea não têm diferenças significativas.

Chapman et al., em 2000, publicam um estudo com 38 casos

operados com hastes tipo Russel-Taylor (Smith and Nephew®) e com 46

pacientes operados com placas e parafusos (Synthes®), com estabilidade absoluta, por via aberta. Comparam complicações como infecção, retarde de consolidação (mais de quatro meses sem sinais de consolidação),

pseudartrose (mais de seis meses sem sinais de consolidação), lesão do nervo radial, dores ou disfunções do ombro ou cotovelo, consolidação viciosa ou fratura iatrogênica e concluem que não há diferença estatística significante nos resultados obtidos entre estas duas formas de tratamento.

Neste estudo, também definem como critério de inclusão para as fraturas da diáfise do úmero, aquelas cujo limite proximal está três centímetros distal ao Revisão da literatura

21

colo cirúrgico do úmero e o distal cinco centímetros proximal à fossa do olécrano.

Scheerlinck e Handelberg, em 2000, comparam, de forma não

randomizada, o tratamento cirúrgico das FDU realizado com as hastes bloqueadas do tipo UHN (Synthes®) por inserção anterógrada com as

tratadas pelo sistema de Marchetti-Vicenzi, inserido por via retrógrada, e salientam que a inserção anterógrada leva a uma maior incidência de dores no ombro. Entretanto, a introdução retrógrada aumenta o risco de fraturas distais do úmero na sua inserção. Após um período de no mínimo seis meses de seguimento, relatam que 93% das fraturas consolidam antes dos três meses de evolução. Dos três casos de pseudartrose, dois são tratados pelo sistema Marchetti-Vicenzi. Não há nenhum caso de infecção e somente um caso de paralisia transitória do nervo radial.

Rommens et al., em 2002, definem como indicações absolutas para a

osteossíntese os politraumatismos, as fraturas expostas, as fraturas bilaterais do úmero, as fraturas patológicas, o cotovelo flutuante, as lesões vasculares e nervosas associadas, a paralisia do nervo radial após a redução fechada e a pseudartrose e como indicações relativas às fraturas espirais longas, as fraturas transversas, as lesões do plexo braquial associadas, as paralisias nervosas primárias, a incapacidade de manter a redução, as doenças neurológicas, como a doença de Parkinson, a falta de cooperação por abuso do álcool ou drogas e a obesidade. Recomendam, ainda, a utilização de placas do tipo compressão (Synthes®) estreitas por melhor adaptarem-se à superfície umeral. Sugerem, também, que os

Revisão da literatura

22

parafusos desta placa devem fixar de seis a oito corticais, de cada lado da placa, de forma não paralela, pois, desta forma, minimiza os riscos de fraturas próximas à placa. Nas osteossínteses com haste intramedular bloqueada, utilizam as hastes do tipo UHN (Synthes®), sólidas, sem fresar o canal medular, de 6,7; 7,5 ou 9,0 mm de diâmetro e 190 a 325 mm de comprimento, que podem ser introduzidas por via anterógrada ou retrógrada.

Quando anterógrada, a via de acesso pode ser realizada com o paciente na posição de “cadeira de praia”. Por meio de um acesso por entre as fibras do músculo deltóide, abordam o manguito rotador e, com dissecção cuidadosa, introduzem a haste na região localizada entre a cabeça do úmero e a parte mais medial do tubérculo maior. O bloqueio da haste pode ser realizado com dois, três ou quatro parafusos e deve-se posicioná-los de forma a evitar os nervos axilar, radial e mediano.

Cognet et al., em 2002, estudam retrospectivamente 30 FDU com

lesão do nervo radial e salientam que são, na sua maioria, encontradas em fraturas espiraladas do terço médio ou distal da diáfise. Nove casos são operados com a utilização de hastes e 10 com o uso das placas de

compressão, com estabilidade absoluta, por via aberta. Dos casos em que a lesão ocorre por iatrogenia, todos operados com placa e parafusos, o nervo está comprimido sob a placa.

Chen et al. (2002) comparam mecanicamente a osteossíntese com placa e parafusos, com estabilidade absoluta, e aquela com haste

intramedular bloqueada, em úmeros de cadáveres com idades entre 42 e 58

anos, onde é criada uma falha óssea, mimetizando uma fratura cominutiva.

Revisão da literatura

23

Concluem que o sistema criado com a haste intramedular suporta melhor as cargas e que, portanto, pode ser indicado nos casos de politraumatismo em que o paciente necessita do uso de muletas com apoio no úmero fraturado.

Em 2002, Perren publica artigo de revisão onde salienta as vantagens da fixação flexível, denominada de estabilidade relativa, que, diferentemente da osteossíntese rígida, promove a consolidação com calo ósseo exuberante ou secundária. Este método tomou grande impulso a partir da década de 80, com a utilização da estabilidade relativa na consolidação das fraturas da tíbia. Relatam os conceitos da deformação relativa, denominada “strain”, que coordena a reabsorção ou formação do calo ósseo.

Lin et al. (2002) descrevem as complicações ocorridas com o uso das hastes bloqueadas desenvolvidas pelo Hospital Universitário Nacional de Taiwan (Carpenter Technology®) em 161 pacientes, sendo 87 introduzidas de forma retrógrada e 74 anterógradas. A complicação mais comum é a pseudartrose, que ocorre em nove casos e guarda relação direta com o grau de afastamento dos fragmentos ósseos fixados. As outras complicações são dois casos com parafusos salientes, sete casos com queixas de dor no ombro e três de neurapraxia do nervo radial.

Schemitsch e Bhandari (2003), após extensa revisão dos diversos

métodos de tratamento, concluem que, embora a maioria das FDU possa ser tratada de forma não cirúrgica, as características da fratura e as necessidades do paciente devem ser fundamentais no processo decisório.

Quando a opção for cirúrgica e cruenta, a osteossíntese com placa de 4,5

Revisão da literatura

24

mm e parafusos, com estabilidade absoluta, é o “padrão ouro” de

tratamento.

Kesemenlü et al. (2003) comparam os resultados do tratamento

cirúrgico de 60 pacientes, 43 do sexo masculino e 17 do feminino, onde 33

FDU são fixadas com hastes intramedulares bloqueadas e 27 com placas de 4,5 mm e parafusos, com estabilidade absoluta, por via aberta. Após seguimento em média de 42 meses, concluem que os tempos de

consolidação são semelhantes, porém, a freqüência de pseudartrose é maior nos pacientes tratados por haste intramedular. Em quatro pacientes tratados com placas e parafusos há lesão iatrogênica do nervo radial. Preferem a haste intramedular por causar menor lesão das partes moles.

Ring et al., em 2004, estudam a lesão do nervo radial que ocorre em 24 pacientes com FDU e, dos 18 pacientes com fratura não exposta, apenas num caso, com lesão iatrogênica causada por introdução da haste

intramedular, a lesão é definitiva. Em todos os outros, a lesão regride a partir da sétima semana de evolução.

Em 2004(b), Livani e Belangero descrevem um método de fixação

para o tratamento cirúrgico das FDU, com a utilização de placas de 4,5mm e parafusos, em ponte, no qual a placa é deslizada na face anterior do úmero.

Indicam uma via de acesso proximal, entre o músculo deltóide e o músculo bíceps braquial, e uma via de acesso distal, realizada por entre as fibras do músculo braquial, para evitar a lesão de nervos periféricos.

Revisão da literatura

25

Livani e Belangero, em 2004(a), publicam artigo científico onde tratam, pela técnica da placa em ponte, 15 pacientes com FDU, na sua maioria politraumatizados, sendo 11 do sexo masculino e quatro do

feminino, entre 14 e 66 anos de idade. Cinco fraturas são do tipo A, sete do B e quatro do C, pela classificação A.O. A introdução da placa DCP de 4,5

mm (larga ou estreita) é realizada por meio de via de acesso proximal entre a cabeça longa do músculo bíceps do braço e o músculo deltóide e é deslizada, junto ao osso, até a via de acesso distal, criada na dissecção por entre as fibras do músculo braquial. Ressaltam a segurança do nervo radial, que fica protegido pela porção lateral do músculo braquial e alertam para a dissecção e proteção do nervo cutâneo lateral do antebraço, que se localiza entre os músculos bíceps do braço e braquial. Evitam o uso de alavancas no afastamento das partes moles para não lesarem os nervos acima descritos.

Orientam para que, no planejamento pré-operatório, os fragmentos ósseos das fraturas tenham pelo menos cinco centímetros proximais ou distais ao foco da fratura e assim permitam sua fixação com dois ou três parafusos em cada extremidade. Utilizam os côndilos do úmero como parâmetros de redução e acham desnecessária a utilização da radioscopia durante o ato operatório. Realizam reabilitação pós-operatória precoce e obtêm

consolidação e bons resultados funcionais em 14 pacientes. Ao observarem o tipo de calo ósseo formado, sugerem a colocação de apenas dois