Estudo do comportamento dos resíduos sólidos veiculados pelos rios urbanos junto aos vertedores de.. por Liliane Frosini Armelin - Versão HTML

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LILIANE FROSINI ARMELIN

ESTUDO DO COMPORTAMENTO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS

VEICULADOS PELOS RIOS URBANOS JUNTO AOS VERTEDORES

DE ENTRADA DE RESERVATÓRIOS DE CONTROLE DE CHEIAS

São Paulo

2011

LILIANE FROSINI ARMELIN

ESTUDO DO COMPORTAMENTO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS

VEICULADOS PELOS RIOS URBANOS JUNTO AOS VERTEDORES

DE ENTRADA DE RESERVATÓRIOS DE CONTROLE DE CHEIAS

Tese apresentada à Escola Politécnica da

Universidade de São Paulo para obtenção do

título de Doutor em Engenharia.

Área de Concentração:

Engenharia Hidráulica

Orientador:

Prof. Dr. Podalyro Amaral de Souza

São Paulo

2011

Este exemplar foi revisado e alterado em relação à versão original, sob responsabilidade única do

autor e com a anuência do orientador.

São Paulo, 16 de dezembro de 2011

Autor:

Orientador:

FICHA CATALOGRÁFICA

Armelin, Liliane Frosini

Estudo do comportamento dos resíduos sólidos veiculados

pelos rios urbanos junto a

os vertedores de entrada de reserva-

tórios de controle de cheias / L.F. Armelin. -- São Paulo, 2011.

140 p.

Tese (Doutorado) - Esc

ola Politécnica da Universidade de

São Paulo. Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental.

1. Resíduos sólidos 2. Enchentes urbanas 3. Reservatórios

de detenção I. Universidad e de São Paulo. Escola Politécnica.

Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental II. t.

AGRADECIMENTOS

Ao nosso Pai Maior, sempre presente, amparando-me em todas as dificuldades.

Ao professor Dr. Podalyro Amaral de Souza, por tamanha boa vontade e paciência na

orientação deste trabalho.

Ao professor Dr. José Rodolfo S. Martins, por ter me incentivado a desenvolver um

tema tão relevante para as áreas urbanas, nos dias atuais.

À professora Dra. Maria de Fátima Souza Curi, pela grande amizade que tem

demonstrado durante tantos anos e grande contribuição ao tema com as suas

sugestões.

Ao professor Dr. Luis César de Souza Pinto, amigo sempre presente e pronto a

ajudar.

Aos amigos que me acompanharam esses anos, compartilhando de minhas ideias e

também contribuindo com suas preciosas sugestões, em especial a Cristiane Amaro e

Mari Nishimura, pelo grande apoio e companheirismo.

A todos aqueles que muito me auxiliaram nas dificuldades encontradas em trabalhar

com o modelo físico, pela constante boa vontade e pelo simples prazer em auxiliar;

agradecimento especial àqueles que participaram da sua construção e me auxiliaram

na sua manutenção.

À minha família, que me ajudou a encarar esse desafio, especialmente meu filho mais

velho, Pedro, que não poupou esforços para me amparar nos momentos mais críticos.

Ao Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo (DAEE) e à

Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica (FCTH), onde pude dispor de tudo o que

precisava para a elaboração do trabalho, bem como de informações relevantes,

através de seus técnicos.

A todos os professores do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental (PHD)

que contribuíram para o meu preparo para desenvolver esta pesquisa.

RESUMO

Este trabalho investigou o comportamento dos resíduos sólidos ao longo de soleiras

laterais de reservatórios de detenção urbanos (piscinões). Esses reservatórios foram

projetados segundo uma abordagem puramente hidráulica, que consiste no

armazenamento de água de chuva, resultando em amortecimento de pico de cheias e

minimizando a questão das inundações, porém um impacto não considerado é o

grande acúmulo de resíduos sólidos no interior dessas estruturas. Para estudar o

fenômeno e na tentativa de quantificação do montante que se acumula nos

reservatórios em relação aos resíduos veiculados pelos rios, foi construído um modelo

físico representativo de um córrego urbano, provido de um vertedor lateral que dá

acesso a um piscinão. Realizaram-se simulações, que consistiram no lançamento de

resíduos no canal e na observação do seu comportamento na passagem pela soleira

lateral. Algumas alternativas de direcionamento dos resíduos também foram testadas,

através da implantação de vigas defletoras, cujos resultados comprovaram a sua

eficiência no direcionamento dos resíduos para o piscinão ou canal. Por fim, as

investigações realizadas resultaram em contribuições importantes para a gestão dos

sistemas de contenção de cheias das grandes cidades.

Palavras-chave: Resíduos sólidos. Enchentes urbanas. Reservatório de detenção.

ABSTRACT

The present research investigates the mechanisms of silting in detention reservoirs

use for control of urban flooding caused by garbage, debris and rejects transported by

urban runoff. Unfortunately the design of this reservoirs was based in hydraulics only,

and the transport of siltation material by rivers was not considered. To study the

phenomenon and in order to quantify the amount of accumulated waste according to

total waste carried by rivers, a representative pilot scale model was built, provided with

a lateral channel-shaped spillway that access the detention reservoir. Simulations have

been ran, and the analysis method was to obtain a correlation between the waste

entrainment rate from the side weir and the hydraulics variables. Some alternatives

regarding the aiming of the waste were also tested by the implantation of deflector

beams, whose efficiency in the aiming of waste to the reservoir or canal was proved.

Finally, the inquires generated in the present research resulted in important

contributions regarding the management of flood containment systems in big cities.

Keywords: Solid residues. Urban flooding. Detention reservoirs.

LISTA DE FIGURAS

Figura 3.1 – Modelo físico: vista geral de montante para jusante (Nov/2006)...................... 21

Figura 3.2 – Vertedor lateral no modelo físico (Nov/2006)................................................... 22

Figura 4.1 – Bacia hidrográfica do Alto Tietê, na RMSP. ..................................................... 24

Figura 4.1 – Bacia hidrográfica do Alto Tietê. ...................................................................... 26

Figura 4.2 – Diagrama simplificado da rede hidrográfica do Alto Tietê. ............................... 29

Figura 4.3 – Reservatórios de detenção em operação na RMSP. ....................................... 30

Figura 5.1 – Hidrograma afluente e efluente de um reservatório de detenção de cheias..... 33

Figura 5.2 – Reservatório de detenção do tipo in-line. ........................................................ 34

Figura 5.3 – Reservatório de detenção do tipo off-line. ....................................................... 34

Figura 5.4 – Vista aérea de reservatório de detenção in-line – Reservatório Caguaçu – São

Paulo. .............................................................................................................. 35

Figura 5.5 – Vista aérea de reservatório de detenção do tipo off-line – Reservatório Vila

Rosa – Diadema. ............................................................................................. 36

Figura 5.6 – Vertedor lateral no reservatório de detenção Rio das Pedras. ......................... 38

Fonte: A autora. .................................................................................................................. 38

Figura 5.7 – Vertedor lateral do reservatório de detenção Sharp. ....................................... 39

Fonte: A autora. .................................................................................................................. 39

Figura 5.8 – Corte transversal de um canal contendo um vertedor lateral. .......................... 40

Figura 5.9 – Vertedor lateral sob regime fluvial. .................................................................. 41

Figura 5.10 – Vertedor lateral sob regime torrencial. ........................................................... 41

Figura 5.11 – Características do escoamento ao longo de um vertedor lateral. .................. 42

Figura 6.1 – Variação da intensidade na liberação de materiais de assoreamento. ............ 51

Figura 6.2 – Localização das Usinas Elevatórias Pedreira e Traição no sistema

Tietê/Pinheiros, na RMSP. .............................................................................. 53

Figura 6.3 – Resíduos sólidos acumulados junto à Usina Elevatória de Traição ................. 54

Figura 6.4 – Áreas de monitoramento da bacia estudada em Coburg. ................................ 56

Figura 6.5 – Localização das sub-bacias monitoradas em Cape Town. .............................. 58

Figura 6.6 – Localização das Bacias Cancela e Alto da Colina. .......................................... 60

Figura 6.7 – Composição dos resíduos sólidos coletados nas Bacias Cancela e Alto da

Colina (% volume). .......................................................................................... 62

Figura 6.8 – Litter booms instalada no Rio Los Angeles. ..................................................... 67

Figura 6.9 – Ecobarreira no Canal Marapendi, Recreio dos Bandeirantes-RJ. .................... 70

Figura 6.10 – Produção de modelos de resíduos sólidos. ................................................... 72

Figura 6.11 – Variação do índice de arrastamento de lixo para o reservatório de detenção –

Estr. hidr. 14-10. .............................................................................................. 73

Figura 6.12 – Variação do índice de arrastamento de lixo para o reservatório de detenção

em relação à energia específica – Estr. hidr. 14-10. ........................................ 73

Figura 6.13 – Variação do índice de arrastamento de lixo para o reservatório de detenção

em relação à capacidade de escoamento do vertedor lateral – Estr. hidr. 14-10.

........................................................................................................................ 74

Figura 7.1 – Locação dos pares de pontos (f, R) para a vazão mínima ensaiada – Diagrama

de Rouse adaptado. ........................................................................................ 84

Fonte: Azevedo Netto modificado (1998) ............................................................................ 84

Figura 7.2 – Esquema de implantação dos medidores de vazão no modelo reduzido. ........ 87

Figura 7.3 – Sistema de alimentação do modelo – Tubulação de entrada e registro de

controle. .......................................................................................................... 88

Figura 7.4 – Vertedor triangular de saída do reservatório de detenção. .............................. 89

Figura 7.5 – Vertedor lateral. ............................................................................................... 89

Figura 7.6 – Vertedor retangular. ........................................................................................ 90

Figura 7.7 – Esquema indicativo das estruturas hidráulicas no modelo reduzido. ............... 94

Figura 7.8 – Curvas de descarga medidas das estruturas hidráulicas estudadas................ 95

Figura 7.9 – Relação entre o número de Froude e a capacidade de engolimento do vertedor.

........................................................................................................................ 96

Figura 7.10 – Tendências dos coeficientes de descarga em relação ao número de Froude,

segundo alguns pesquisadores. ...................................................................... 97

Figura 7.11 – Material de assoreamento e resíduos sólidos retirados do Reservatório do

Bananal. .......................................................................................................... 98

Figura 7.12 – Estiropor utilizado para a representação dos resíduos sólidos. ..................... 99

Figura 7.13 – Local de lançamento e coleta dos resíduos sólidos. .................................... 101

Figura 7.14 – Estiropor de diferentes diâmetros para a representação dos resíduos sólidos.

...................................................................................................................... 102

Figura 7.15 – Estufa em que foi realizada a secagem do estiropor. .................................. 104

Figura 7.16 – Pesagem de 28 gf de estiropor. ................................................................... 105

Figura 7.17 – Sistema de lançamento dos resíduos sólidos no canal. .............................. 106

Figura 7.18 – Esquema de realização dos ensaios com os resíduos sólidos. ................... 107

Figura 7.19 – Estiropor com incremento de massa. .......................................................... 108

Figura 7.20 – Esquema de ensaios realizados com os resíduos vermelhos. ..................... 110

Figura 9.1 – Variáveis hidráulicas em relação ao arrastamento de resíduos sólidos para o

piscinão na situação sem defletor.................................................................. 115

Figura 9.2 – Variáveis hidráulicas em relação ao arrastamento de resíduos sólidos para o

piscinão na situação sem defletor, com incremento de peso. ........................ 117

Figura 9.3 – Defletor utilizado para o direcionamento dos resíduos sólidos ...................... 118

Figura 9.4 – Defletor posicionado para dificultar a entrada dos resíduos no reservatório. . 119

Figura 9.5 – Defletor posicionado para dificultar a entrada dos resíduos no reservatório,

afastado 20 cm do vertedor lateral. ............................................................... 119

Figura 9.6 – Defletor posicionado para facilitar a entrada dos resíduos no reservatório. ... 119

Figura 9.7 – Variáveis hidráulicas em relação ao arrastamento de resíduos sólidos para o

piscinão na situação com defletor favorecendo o canal, sem afastamento. ... 121

Figura 9.8 – Variáveis hidráulicas em relação ao arrastamento de resíduos sólidos para o

piscinão na situação com defletor favorecendo o canal, sem afastamento, com

incremento de peso. ...................................................................................... 122

Figura 9.9 – Variáveis hidráulicas em relação ao arrastamento de resíduos sólidos para o

piscinão na situação com defletor favorecendo o canal, com afastamento de 20

cm. ................................................................................................................ 124

Figura 9.10 – Variáveis hidráulicas em relação ao arrastamento de resíduos sólidos para o

piscinão na situação com defletor favorecendo o canal, com afastamento de 20

cm, com incremento de peso. ........................................................................ 125

Figura 9.11 – Variáveis hidráulicas em relação ao arrastamento de resíduos sólidos para o

piscinão na situação com defletor favorecendo o piscinão. ........................... 127

Figura 9.12 – Variáveis hidráulicas em relação ao arrastamento de resíduos sólidos para o

piscinão na situação com defletor favorecendo o piscinão, com incremento de

peso. ............................................................................................................. 128

Figura 9.13 – Taxa de arrastamento de resíduos sólidos para o piscinão em relação à vazão

vertida para o piscinão (resíduos brancos). ................................................... 129

Figura 9.14 – Taxa de arrastamento de resíduos sólidos para o piscinão em relação ao

número de Froude imediatamente a montante da soleira lateral (resíduos

brancos). ....................................................................................................... 130

Figura 9.15 – Taxa de arrastamento de resíduos sólidos para o piscinão em relação à vazão

vertida (resíduos vermelhos). ........................................................................ 131

Figura 9.16 – Taxa de arrastamento de resíduos sólidos para o piscinão em relação ao

número de Froude imediatamente a montante da soleira lateral (resíduos

vermelhos). ................................................................................................... 131

Figura 10.1 – Taxa de arrastamento de resíduos sólidos para o piscinão em relação ao

número de ensaios (resíduos brancos).......................................................... 133

LISTA DE TABELAS

Tabela 1.1 – Disposição final dos resíduos sólidos de origem doméstica. ........................... 19

Tabela 4.1 – Vazões de restrição no Rio Tietê. ................................................................... 27

Tabela 4.2 – Montante de material retirado de reservatórios de contenção de cheias na

RMSP. ............................................................................................................. 32

Tabela 5.1 – Características de reservatórios de contenção de cheias implantados na

RMSP. ............................................................................................................. 37

Tabela 5.2 – Expressões para a determinação do coeficiente de descarga Cd. ................... 48

Tabela 6.1 – Produção de resíduos sólidos per capita em diferentes locais do planeta. ...... 50

Tabela 6.2 – Quantidade de lixo retirada no Canal Pinheiros – São Paulo. ......................... 53

Tabela 6.3 – Resultado da quantificação de resíduos sólidos na drenagem urbana de

algumas cidades. ............................................................................................ 55

Tabela 6.4 – Resultados do monitoramento de resíduos sólidos em Coburg, no dia

27/01/1995. ..................................................................................................... 56

Tabela 6.5 – Resultados do monitoramento de resíduos sólidos em Coburg, no dia

06/04/1995. ..................................................................................................... 56

Tabela 6.6 – Resultados do monitoramento em Cape Town. .............................................. 59

Tabela 6.7 – Características das bacias hidrográficas estudadas em Santa Maria/RS. ....... 60

Tabela 6.8 – Resultados das coletas de resíduos sólidos no sistema de drenagem nas

Bacias Hidrográficas Cancela e Alto da Colina. ............................................... 61

Tabela 6.9 – Quantificação de resíduos sólidos nas bacias hidrográficas de Santa Maria/RS.

........................................................................................................................ 63

Tabela 6.10 – Quantificação dos resíduos sólidos dos vários estudos abordados ............... 64

Tabela 6.11 – Composição média dos resíduos sólidos da bacia em Porto Alegre (peso). . 66

Tabela 6.12 – Resíduos sólidos coletados nas ecobarreiras do Rio de Janeiro (kgf). .......... 69

Tabela 6.13 – Taxa de resíduos sólidos gerada em algumas bacias urbanas do Rio de

Janeiro. ........................................................................................................... 69

Tabela 6.14 – Dados do protótipo e do modelo na modelação em volume dos resíduos

sólidos. ............................................................................................................ 71

Tabela 7.1 – Características do escoamento na condição de vazão mínima. ...................... 81

Tabela 7.2 – Características geométricas do modelo físico. ................................................ 86

Tabela 7.3 – Características hidráulicas dos escoamentos segundo o arranjo utilizado

(ensaios preliminares). .................................................................................... 94

Tabela 7.4 – Resultados das simulações realizadas sem os resíduos sólidos. .................... 94

Tabela 7.5 – Relação entre o protótipo e o modelo de resíduo sólido (estiropor). ............. 100

Tabela 7.6 – Peso do protótipo e do modelo de alguns resíduos sólidos veiculados pelos

rios urbanos no Brasil. ................................................................................... 102

Tabela 7.7 – Relação entre a massa e o volume dos resíduos brancos e vermelhos. ....... 109

Tabela 9.1 – Resultados dos ensaios com resíduos sólidos na situação sem defletor. ..... 114

Tabela 9.2 – Resultados dos ensaios com resíduos sólidos na situação sem defletor, com

incremento de peso. ...................................................................................... 116

Tabela 9.3 – Resultados dos ensaios com resíduos sólidos com defletor favorecendo o

canal, sem afastamento do vertedor lateral. .................................................. 120

Tabela 9.4 – Resultados dos ensaios com resíduos sólidos na situação com defletor

favorecendo o canal, sem afastamento, com incremento de peso................. 122

Tabela 9.5 – Resultados dos ensaios com resíduos sólidos com defletor favorecendo o

canal, com afastamento de 20 cm do vertedor lateral.................................... 123

Tabela 8.6 – Resultados dos ensaios com resíduos sólidos na situação com defletor

favorecendo o canal, com afastamento de 20 cm, com incremento de peso. 125

Tabela 9.7 – Resultados dos ensaios com resíduos sólidos com defletor favorecendo o

piscinão. ........................................................................................................ 126

Tabela 9.8 – Resultados dos ensaios com resíduos sólidos na situação com defletor

favorecendo o piscinão, com incremento de peso. ........................................ 128

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

Cetesb

Companhia Ambiental do Estado de São Paulo

CTH

Centro Tecnológico de Hidráulica

Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São

DAEE

Paulo

Eletropaulo

Eletricidade de São Paulo

EMAE

Empresa Metropolitana de Águas e Energia

FCTH

Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica

Federação das Cooperativas de Catadores de Materiais

Febracom

Recicláveis

IBGE

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

Inea

Instituto Estadual do Ambiente

IPT

Instituto de Pesquisas Tecnológicas

PDMAT

Plano Diretor de Macrodrenagem da Bacia do Alto Tietê

PET

Politereftalato de Etileno

RMSP

Região Metropolitana de São Paulo

RNC

Reservatório de Nível Constante

Sabesp

Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo

USP

Universidade de São Paulo

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 14

2 OBJETIVOS ............................................................................................................. 20

3 MÉTODO .................................................................................................................. 21

4 O PLANO DIRETOR DE MACRODRENAGEM DA BACIA DO ALTO TIETÊ ........ 23

4.1 Introdução ........................................................................................................ 23

4.2 A bacia do Alto Tietê ....................................................................................... 25

4.3 Diagnóstico hidráulico-hidrológico do Rio Tietê.......................................... 27

4.4 Dez anos de PDMAT........................................................................................ 30

5 RESERVATÓRIOS DE CONTROLE DE CHEIAS ................................................... 33

5.1 Definição e classificação ................................................................................ 33

5.2 Dispositivo hidráulico de engolimento e vertimento lateral ........................ 38

5.2.1 Considerações gerais..................................................................................... 38

5.2.2 Vertedor lateral retilíneo de parede delgada .................................................. 40

5.2.3 Outros coeficientes de descarga .................................................................... 47

6 RESÍDUOS SÓLIDOS NA DRENAGEM URBANA ................................................. 49

6.1 Geração de resíduos sólidos urbanos .......................................................... 49

6.2 Estudos existentes.......................................................................................... 51

7 ESTUDO EXPERIMENTAL ..................................................................................... 76

7.1 Introdução ........................................................................................................ 76

7.2 Estudos de semelhança ................................................................................. 76

7.2.1 Condições de semelhança ............................................................................. 77

7.2.2 Critério de semelhança de Froude ................................................................. 85

7.2.3 Determinação da escala do modelo ............................................................... 86

7.2.4 Esquema de funcionamento do modelo reduzido .......................................... 87

7.3 Aspectos de construção do modelo.............................................................. 87

7.4 Instrumentação utilizada ................................................................................. 90

7.4.1 Medição de Vazão.......................................................................................... 90

7.4.2 Medição de nível d‟água ................................................................................ 91

7.5 Parâmetros hidráulicos ................................................................................... 91

7.5.1 Vazão no modelo ........................................................................................... 91

7.5.2 Largura do canal de aproximação .................................................................. 91

7.5.3 Velocidade ..................................................................................................... 92

7.5.4 Número de Froude ......................................................................................... 92

7.5.5 Coeficiente de descarga do vertedor lateral: .................................................. 93

7.6 Comportamento hidráulico do modelo físico ............................................... 93

7.6.1 Introdução dos resíduos sólidos no modelo físico .......................................... 97

7.6.2 Considerações preliminares dos ensaios com resíduos sólidos .................. 100

7.6.3 Incremento de massa dos “resíduos sólidos” ............................................... 107

8 ANÁLISE DIMENSIONAL ...................................................................................... 111

9 ESTUDO ANALÍTICO ............................................................................................ 114

9.1 Ensaios realizados sem defletores .............................................................. 114

9.2 Ensaios realizados com defletores.............................................................. 118

9.2 Considerações sobre as alternativas estudadas ....................................... 129

10 CONCLUSÕES .................................................................................................... 132

REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 136

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA .............................................................................. 140

14

1 INTRODUÇÃO

O desenvolvimento do processo de planejamento urbano e regional requer a

integração dos diversos fatores relacionados à infraestrutura urbana; entretanto, o uso

e a ocupação do solo têm sido feitos com base apenas no desenvolvimento

econômico, o que trouxe sérias consequências ao meio ambiente das cidades.

Entre as diversas agressões ambientais que ocorrem no ambiente urbano,

estão aquelas referentes aos recursos hídricos, como o descaso com a ocorrência de

erosão, o lançamento de lixo e entulho nos corpos d‟água, os despejos de esgoto e

efluentes industriais, além da invasão dos leitos por ocupação subnormal. Além disso,

o crescimento populacional e a ocupação desordenada, além da impermeabilização

do solo, trouxeram o problema das inundações e dos resíduos veiculados por elas, de

modo que lixo de toda espécie é retirado dos córregos e a necessidade de

desassoreamentos é frequente.

Durante muito tempo, no Brasil, vigorou o conceito de execução de obras para

que a onda de cheia fosse transferida à jusante, porém as calhas dos rios e córregos

tinham que ser cada vez maiores, para absorver novas vazões geradas pela

impermeabilização do solo e supressão de várzeas, consequências da urbanização

vertiginosa. Assim, inundações frequentes ocorreram durante muitos anos, pois não

se conseguia aumentar o sistema de drenagem na mesma velocidade em que ocorria

14

a urbanização.

Ainda, com o tempo, surgiram grandes limitações físicas das calhas dos

córregos e rios, que escoavam por áreas que não ofereciam mais espaço para o seu

incremento. Foi necessária, portanto, a mudança do conceito de manejo de

drenagem, cujo objetivo passou a ser a restrição da massa de água na bacia de

origem, não sobrecarregando ainda mais a macrodrenagem. Dessa forma, foram

adotados como alternativas os reservatórios de detenção, mais comumente chamados

piscinões, estruturas que estão cumprindo um importante papel no controle de

enchentes das grandes cidades brasileiras, retendo as águas em excesso e evitando

ou minimizando o transbordamento.

Nesse sentido, ao longo dos últimos anos, foram implantados inúmeros

reservatórios de detenção na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), com o

15

objetivo de minimizar os episódios de enchentes urbanas, que, durante décadas,

trouxeram prejuízos aos municípios da região. Posteriormente, essas estruturas

passaram a fazer parte do Plano Diretor de Macrodrenagem da Bacia do Alto Tietê

(PDMAT), que, de uma forma integrada e abrangente, analisou a região como um

todo e elaborou ações corretivas e preventivas no sentido de equacionar os

problemas da bacia do Alto Tietê relativos às inundações.

O sistema de planejamento estabelecido pelo PDMAT fundamentou-se no

princípio de que os principais cursos d‟água que compõem o sistema de

macrodrenagem da bacia não comportam qualquer tipo de escoamento que supere as

capacidades atuais ou previstas nos projetos que se encontram em implantação.

Assim, para evitar novas ampliações desses rios, que deparariam com severas

restrições e interferências no meio urbano, além de altos custos, foi prevista a

implantação de inúmeros reservatórios de detenção, os quais, além do amortecimento

da onda de cheia, têm a finalidade de promover a deposição de resíduos sólidos, que

podem ser sedimentos siltes arenosos, provenientes da erosão causada pelas águas

pluviais sobre solos e aterros, ou entulho inerte areno-pedregoso, proveniente de

obras e da desagregação de pavimentos ou resíduos urbanos (papéis, vidros, metais,

plásticos, tecidos, matéria orgânica etc.).

Grande parte desses materiais, que são veiculados pelos rios, acaba

depositada nos leitos dessas estruturas, causando aspecto negativo, odores

desagradáveis, proliferação de vetores e grande rejeição da população que vive no

15

entorno. Por outro lado, os resíduos que seguem rio abaixo, levados pelo

escoamento, não causam problemas menores, pois se acumulam nas estruturas de

retenção à jusante ou na própria calha do curso principal.

Nesse contexto, recursos vultosos têm sido aplicados ao longo dos anos para o

desassoreamento de rios e córregos que transportam grande carga sólida, uma vez

que ações de controle na bacia hidrográfica são praticamente inexistentes. Todavia, a

quantidade de resíduos sólidos encontrada no sistema de drenagem urbana pode ser

influenciada por uma série de fatores, tais como:

 tipo de ocupação do solo: a ocupação da bacia hidrográfica exerce grande

influência na produção de resíduos sólidos. Estudos realizados na África do

Sul, por Marais, Armitage e Wise (2004), demonstraram essa influência

através do estudo da produção de resíduos sólidos em áreas residenciais

16

de baixa, média e alta rendas, além de em áreas industrial e comercial. Os

autores concluíram que as áreas residenciais ocupadas por população de

baixa renda apresentavam maior quantidade de resíduos sólidos na

drenagem urbana, assim como as áreas comerciais; já as áreas industriais

e residenciais ocupadas por população de média e alta rendas

apresentaram montantes menores de resíduos na rede de drenagem;

 características dos eventos de precipitação e do período de estiagem: para

que os resíduos sólidos sejam encaminhados à rede de drenagem, é

necessário ocorrer o escoamento superficial das águas de chuva. Então,

quanto maior o volume precipitado, maior é a probabilidade de esse fato

ocorrer;

 limpeza das ruas e regularidade da limpeza: o estudo citado anteriormente,

realizado por Marais, Armitage e Wise (2004), também analisou a influência

da varrição pública e sua frequência, concluindo-se que esse serviço reduz

a quantidade de resíduos na drenagem;