Experiências de Ensino e Prática em Antropologia no Brasil por Livros em Portugues - Versão HTML

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de grande importância que ajudará ao

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Considerando que a graduação em antropologia é uma realidade no

O campo da antropologia, nesses

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leitor a entender melhor as novas

país, o objetivo deste livro foi o de estimular uma discussão sobre essa últimos anos, conheceu uma expansão

dinâmicas que permeiam esse campo

formação, considerando a diversidade geográfica e de áreas de n

E x p e r i ê n c i a s d e

nunca vista. Certamente, isto se deve a

c

disciplinar, sugerindo que o ensino e a

especialização do corpo docente na antropologia brasileira

criação de novos programas de pós-

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pesquisa não podem ficar apenas

s

gradução e de cursos de bacharelado

Os depoimentos que compreendem a primeira parte deste livro são circunscritos às academias, mas,

d

e

e n s i n o em antropologia, assim como a

oriundos do esforço da Comissão de Ensino e Ofício do antropólogo da ABA, também, indo além de seus muros. Esse

e

crescente demanda de antropólogos

que organizou durante a 27ª RBA, em Belém de 2010, dois Fóruns Especiais.

n

transbordamento, quem sabe, não seja

s

e p r á t i c a e m

em diferentes áreas de atuação

i

o principal desafio dos antropólogos

O primeiro Fórum intitulou-se “Graduação em Antropologia no

n

p ro fi s s i on a l ( O N G s , I N C RA ,

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nos próximos anos e, por conseguinte, a

Brasil: experiências e perspectivas” e contou com a participação de a n t r o p o l o g i a

ministérios, empresas, faculdades

e

prova maior de vitalidade da

antropólogos de diferentes universidade brasileiras, que apresentaram p

particulares, instituições privadas e

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antropologia.

relatos sobre o processo de implementação dos cursos de graduação em át

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públicas diversas). Diante dessa nova

antropologia atualmente em curso. No segundo Fórum intitulado “O

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realidade, a Associação Brasileira de

c

Antonio Motta

campo de atuação dos antropólogos no Brasil”, se discutiu os desafios das a

Antropologia (ABA) tem se esforçado

e

Organização

diferentes inserções (ONGs, instituições governamentais, empresas etc) e m

para promover debates e reflexões

Fátima Tavares

suas relações com o trabalho acadêmico, além de refletir sobre o ensino de a

Simoni Lahud Guedes

sobre o ensino e a profissionalização

n

Carlos Caroso

antropologia para não-antropólogos.

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dos antropólogos. Todavia, tal

r

Autores

o

incumbência se encontra a cargo da

Além de algumas contribuições dos Fóruns aqui reunidas, temos ainda

Carlos Caroso

po

Christina Rubim

Comissão de Ensino e Ofício do

outros trabalhos. As demais reflexões foram posteriormente solicitadas a l

Cíntia Beatriz Muller

Antropólogo que agora disponibiliza

antropólogos que já tiveram experiências profissionais em áreas cuja demanda o

Fátima Tavares

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Isabel Gobbi

ao leitor este interessante livro em

atual por profissionais qualificados constitui um desafio para a profissão i

José Maria Trajano

a

Ondina Fachel Leal

versão eletrônica. A capacidade de

n

Rogério Rosa e Flávia Reith

o

percepção e modos de olhar dos

Silvana Nascimento

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Simoni Lahud Guedes

autores, assim como a diversidade e

ra

m a t i z e s d e s u a s a n á l i s e s e

si

interpretações, permitiram-lhes

l

perscrutar um campo multifacetado de

ISBN 978-85-87942-03-6

interesses temáticos sobre experiências

Associação Brasileira de Antropologia

de ensino e atividade profissional.

Associação Brasileira d

Trata-se realmente de um documento

9 788587 942036

e Antropologia

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O campo da antropologia, nesses

de grande importância que ajudará ao

últimos anos, conheceu uma expansão

leitor a entender melhor as novas

nunca vista. Certamente, isto se deve a

dinâmicas que permeiam esse campo

criação de novos programas de pós-

disciplinar, sugerindo que o ensino e a

gradução e de cursos de bacharelado

pesquisa não podem ficar apenas

em antropologia, assim como a

circunscritos às academias, mas,

crescente demanda de antropólogos

também, indo além de seus muros. Esse

em diferentes áreas de atuação

transbordamento, quem sabe, não seja

p ro fi s s i on a l ( O N G s , I N C RA ,

o principal desafio dos antropólogos

ministérios, empresas, faculdades

nos próximos anos e, por conseguinte, a

particulares, instituições privadas e

prova maior de vitalidade da

públicas diversas). Diante dessa nova

antropologia.

realidade, a Associação Brasileira de

Antropologia (ABA) tem se esforçado

Antonio Motta

para promover debates e reflexões

sobre o ensino e a profissionalização

dos antropólogos. Todavia, tal

incumbência se encontra a cargo da

Comissão de Ensino e Ofício do

Antropólogo que agora disponibiliza

ao leitor este interessante livro em

versão eletrônica. A capacidade de

percepção e modos de olhar dos

autores, assim como a diversidade e

m a t i z e s d e s u a s a n á l i s e s e

interpretações, permitiram-lhes

perscrutar um campo multifacetado de

interesses temáticos sobre experiências

de ensino e atividade profissional.

Trata-se realmente de um documento

Experiências de

ensino

e prática em

antropologia

no Brasil

Organização

Fátima Tavares

Simoni Lahud Guedes

Carlos Caroso

Autores

Carlos Caroso

Christina Rubim

Cíntia Beatriz Muller

Fátima Tavares

Isabel Gobbi

José Maria Trajano

Ondina Fachel Leal

Rogério Rosa e Flávia Reith

Silvana Nascimento

Simoni Lahud Guedes

Todos os direitos reservados - É proibida a reprodução total ou parcial dessa obra, de qualquer forma ou por qualquer meio, sem a expressa autorização do autor. A violação dos direitos do autor (Lei nº 9.610/98) é crime estabelecido pelo artigo 184 do Código Penal.

ABA - AssociAção BrAsileirA de AntropologiA

Universidade de Brasília - Departamento de Antropologia

Campus Universitário Darcy Ribeiro

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Telefone/fax: (55) (61) 3307-3754

www.abant.org.br

projeto gráfico e editorAção eletrônicA

Denny Guimarães de Souza Salgado

Paulo de Tarso Soares Silva

criAção e editorAção eletrônicA dA cApA

Willy de Almeida Rodrigues Salgado

revisão e normAlizAção

Carlos Caroso

Christina Rubim

Cíntia Beatriz Muller

Fátima Tavares

Isabel Gobbi

José Maria Trajano

Ondina Fachel Leal

Rogério Rosa e Flávia Reith

Silvana Nascimento

Simoni Lahud Guedes

impressão e AcABAmento

Ícone Gráfica e Editora

www.iconecv.com.br

(61) 3563-5048

2936

Tavares, Fátima.

Fátima Tavares, Simoni Lahud Guedes, Carlos Caroso. Experiências de Ensino e Prática em Antropologia no Brasil; Brasília- DF; Ícone Gráfica e Editora, 2010.

104p. ; 21cm

ISBN 978-85-87942-03-6

1. Antropologia. 2. Ciências Sociais. 3.Educação. I. Título.

CDU 572+30

“... se para a filosofia a questão é ‘fundamentar racio-

nalmente uma ética universal’ (Apel), para o antropólogo

ou cientista social a questão será a de como agir eticamente.”

Roberto Cardoso de Oliveira

Sumário

Apresentação e Comentários

Carlos Caroso ......................................................................................7

1ª Parte

Experiências de ensino na

graduação: depoimentos

1. Os cursos de graduação em Ciências

Sociais no Brasil (2000, 2005 e 2010)

Christina Rubim ..............................................................................13

2. Bacharelado em antropologia em

Benjamin Constant, Amazonas

José Maria Trajano ...........................................................................21

3. Bacharelado em antropologia em

Rio Tinto, Paraíba

Silvana Nascimento ..........................................................................31

4. Bacharelado em antropologia na

Universidade Federal de Pelotas:

um curso na fronteira

Rogério Rosa e Flávia Reith..............................................................41

Intermezzo

5. De que antropologia(s) precisamos?

Profissionalização e perspectivas do ensino

Fátima Tavares ................................................................................51

5

6. A prática da antropologia e suas

aplicações práticas: notas sobre ensino e pesquisa

Simoni Lahud Guedes .......................................................................63

2ª Parte

Atuação dos antropólogos no Brasil

7. A Funai como campo de atuação dos

antropólogos

Isabel Gobbi .....................................................................................76

8. Por uma antropologia não sitiada: o campo

de atuação do antropólogo no mundo

Ondina Fachel Leal ..........................................................................80

9. A prática Antropológica: o desafio de trabalhar

em Organizações Não-Governamentais

Cíntia Beatriz Muller ......................................................................89

10. Atuação profissional no âmbito da

assistência social

Carlos Caroso e Fátima Tavares ........................................................97

Apresentação e

Comentários

Não constitui novidade a discussão sobre duas questões de

grande relevância e pertinência para a definição do campo de atuação do antropólogo no Brasil, sendo estas a formação, particularmente

no nível de graduação (bacharelado), e a profissionalização, repre-

sentada pela regulamentação da atuação profissional. No segundo

caso, é importante frisar que a ABA frequentemente se depara com

solicitações de associados e não-associados para que lhes municiem

com informações sobre o exercício profissional, já que lhes é exigido registro do qual não dispõem por não ser a profissão de antropó-

logo regulamentada, causando, assim, frequentes questionamentos

quando se trata de estabelecer responsabilidade técnica que exige um registro num órgão profissional.

Entre outras tarefas que nos foram repassadas pelas diretorias

anteriores para dar continuidade, por representarem o nosso mais

alto interesse como antropólogos atuantes em vários campos e nas

políticas acadêmicas e profissionais, recebemos da gestão 2006-2008

a incumbência de prosseguir com estas discussões e intensificá-las,

uma vez que os acontecimentos naquele momento já se encontravam

mais adiantados do que nossas discussões a respeito destes, particu-

larmente no tocante à formação de antropólogos no nível de gradu-

ação como bacharéis, implantadas, em implantação ou em discussão

através de propostas estimuladas pelo REUNI, que veio a ampliar

7

cursos e vagas em Instituições Federais de Ensino, com ganhos pal-

páveis e bastante positivos para a ampliação da formação científica e profissional no Brasil.

Seguindo as sugestões que nos foram encaminhadas pelos

participantes do GT Ofício do Antropólogo(a)1, que discutia a pro-

fissionalização, uma da primeiras providência que tomamos foi de

unificar esta discussão; formação e profissionalização, no âmbito da Comissão de Ensino2, que passou a ser denominada Comissão de

Ensino e Ofício do Antropólogo e teve como coordenadora e vice,

respectivamente, Simoni Lahud Guedes e Léa Freitas Peres. Esta

última que deixou de ser coordenar a Comissão por vontade própria,

em vista de projetos acadêmicos que lhe fariam ausentar-se do país

pelo período de um ano.

Objetivando dar continuidade àquelas discussões tão relevantes

para a formação e profissionalização de antropólogos e sua atuação,

foram realizados dois fóruns em que se discutiu estas questões. O

primeiro no âmbito da II Reunião Equatorial de Antropologia, que

ocorreu em Natal, RN, em agosto de 2009 e o segundo por ocasião da

27ª Reunião Brasileira de Antropologia, que ocorreu em Belém, PA,

em agosto de 2010.

Do segundo foram recuperados depoimentos que compreen-

dem a primeira parte desta coletânea, que resultam do esforço da Co-

missão de Ensino e Ofício do Antropólogo, que organizou durante a

27ª RBA, dois Fóruns Especiais. Nestas duas sessões plenas de con-

versa e debate foram abordados alguns dos dilemas atuais envolvidos

no campo da antropologia brasileira, como as recém-criadas gradua-

ções em antropologia e questões referentes ao trabalho do profissio-

nal junto a instituições variadas, como a FUNAI, Ministério Público, ONGs, dentre outras.

1. Compuseram o GT, sob a coordenação de Henyo Trindade Barretto Filho (IEB), Everardo Rocha (PUC-RJ), Marco Paulo Fróes Schetinno (MPF), Mírian Regini Nuti (EPE), Roberto Alves de Almeida (INCRA). O relatório encaminhado à Diretoria da ABA biênio 2008-2010.

2. Da mesma forma, a Comissão de Ensino que foi coordenada pela Professora Léa Perez no período 2006-2008 encaminhou extenso relatório com suas realizações, que foram muito importantes para o encaminhamento das discussões no período da gestão 2008-2010.

8

A partir dos anos 90, a questão do ensino da antropologia no

Brasil atravessou diferentes momentos que se superpuseram. Inicial-

mente as iniciativas da ABA trataram dos desafios da expansão do en-

sino de antropologia no nível da graduação e pós-graduação. A ques-

tão da graduação em antropologia foi abordada, embora não tenha

adquirido maior relevância. Um segundo momento das discussões foi

marcado pela problematização da pós-graduação como identificador

profissional. Como melhor preparar esse estudante? Concentrando a

formação no nível da pós-graduação ou investir os esforços numa re-

avaliação do lugar da formação antropológica no âmbito das ciências

sociais, partindo para a criação de graduações em antropologia?

Se em momentos anteriores a questão da graduação em antro-

pologia carecia de mobilização e discussões sistemáticas, o momento

atual exige novas redefinições, à medida que alguns cursos de gradua-

ção em antropologia em IFES já estão em funcionamento no país, um

destes devendo ter seu primeiro grupo de egressos em 2010. Embora

as outras questões não tenham se esgotado, os desafios em torno do

perfil de profissional que emerge da graduação em antropologia é uma questão premente.

Considerando que a graduação em antropologia é uma reali-

dade no país, o objetivo do primeiro Fórum Especial foi o de estimu-

lar uma discussão sobre essa formação, considerando a diversidade

geográfica e de áreas de especialização do corpo docente na antro-

pologia brasileira. Esse Fórum intitulou-se “Graduação em Antro-

pologia no Brasil: experiências e perspectivas”3 e contou com a par-

ticipação de antropólogos de diferentes universidade brasileiras, que apresentaram relatos sobre o processo de implementação dos cursos

de graduação em antropologia atualmente em curso. José Maria

Trajano, com a experiência da Universidade Federal do Amazonas

(Campus Benjamim Constant), Silvana Nascimento, falando sobre

a Universidade Federal da Paraíba (Campus Rio Tinto), Rogério

Rosa, sobre a Universidade Federal de Pelotas e Eduardo Viana Var-

3. Agradecemos especialmente ao estudante José S. Lima Newton (graduando em Ciências Sociais – UFPA) que produziu um relatório sobre os Fóruns organizados pela Comissão de Ensino e Ofício naquela RBA. Sua contribuição foi fundamental para a recuperação da memória desses eventos.

9

gas, com a Universidade Federal de Minas Gerais. Também foram

abordadas questões sobre os cursos de graduação em ciências sociais

no depoimento de Christina Rubim (UNESP) e análises comparati-

vas sobre o perfil dos projetos de graduação em antropologia, objeto da apresentação de Fátima Tavares (UFBA), que veio a aprofundar a

discussão no texto incluído na coletânea.

Nesse primeiro dia, assistiram ao Fórum cerca de 55 pessoas.

Durante o debate, nas perguntas dos discentes pudemos constatar o

forte interesse pelo ensino da graduação em antropologia: os desafios da criação de cursos de antropologia e seus processos burocráticos, os perfis que emergem dos projetos pedagógicos e as novas demandas de

estudo da antropologia.

O segundo Fórum intitulou-se “O campo de atuação dos an-

tropólogos no Brasil” e foi ainda mais concorrido que o primeiro, contando com a presença de 85 participantes. O objetivo da Comissão de

Ensino e Ofício do Antropólogo neste Fórum foi de discutir o campo

de atuação dos antropólogos no Brasil, considerando os diferentes ní-

veis de formação e suas distintas inserções profissionais. A antropologia brasileira vem, há décadas, posicionando-se significativamente na cena política brasileira. Pretendíamos, assim, discutir os desafios destas diferentes inserções (ONGs, instituições governamentais, empresas etc) e suas relações com o trabalho acadêmico, além de refletir sobre o ensino de antropologia para não-antropólogos. Finalmente,

buscávamos, ainda, abordar a oportunidade e a conveniência da regu-

lamentação da profissão, considerando, inclusive, o impacto da recente criação de cursos de graduação em antropologia no Brasil.

Como debatedores, a mesa foi composta por um leque de an-

tropólogos com inserções bastante diversas no campo profissional. Ini-cialmente falaram os antropólogos do INCRA José Flávio de Souza,

Roberto de Almeida e Guilherme Mansur. Nesses relatos foram abor-

dadas questões como o trabalho de atuação do INCRA no contexto

antropológico sobre os quilombolas; a atuação dos antropólogos no

INCRA e o estudo para a intervenção fundiária; o papel do INCRA

na mediação de conflitos e resolução de problemas no âmbito da terra; o objetivo de análise da construção territorial pelo antropólogo. Especial destaque teve a questão do relatório antropológico ou “laudo”: o 10

diálogo interdisciplinar e intersetorial; as lutas pela “invalidação” junto a segmentos interessados; a desmistificação da carência de antropólogos e a questão do tempo de pesquisa necessário a sua realização.

Seguindo a exposição, Izabel Gobbi, da FUNAI, abordou ques-

tões sobre a identidade do antropólogo no âmbito da instituição, a

atuação da FUNAI no ensino da antropologia em turmas do magisté-

rio. Já Henyo Barreto, antropólogo atuando em uma ONG, destacou o

trabalho de desenvolvimento em temas antropológicos com povos in-

dígenas; o quadro de trabalho do antropólogo diante de uma política

dominante e sua interferência no trabalho antropológico nos órgãos

públicos. A última debatedora foi Fernanda Paranhos, antropóloga do

Ministério Público Federal, que enfatizou a importância do diálogo

entre a questão antropológica a jurisprudência do Estado brasileiro.

Além de algumas contribuições dos Fóruns aqui reunidas, te-

mos ainda outros trabalhos que foram solicitados a Ondina Fachel

Leal, uma das participantes programadas para apresentação que teve

de se ausentar e posteriormente enviou seu texto. A reflexão de Cintia Beatriz Miller que não participou das discussões no Fórum veio enriquecer a discussão sobre a participação de antropólogos em organiza-

ções não-governamentais, que, no momento é um dos lócus de grande

importância para a atuação profissional de antropólogos. Em ambos

os casos, a experiência profissional relatada se dá em áreas cuja demanda atual por antropólogos qualificados constitui um desafio para

a formação

O registro destes documentos em um livro eletrônico e acessível

a associados e não associados da ABA tem como objetivo incrementar

o debate em torno das questões que nos parecem de grande relevância

neste momento, ou seja, a formação em graduação, a continuidade

nos cursos de pós-graduação e o mundo do trabalho do profissional

em Antropologia. Antes de pretenderem ser textos acabados, estes são textos para discussão e chamada de atenção para a importância do

momento em que se iniciam os cursos de graduação em Antropologia

no país, visando a fomentar a formação de um profissional melhor

habilitado a lidar com questões antropológica, outrora imersas e pou-co compreendidas em vista de uma formação teórica e metodológica

excessivamente influenciada pelo pensamento sociológico no âmbito

11

dos cursos de Ciências Sociais, em muitos dos existentes, sequer dispondo de habilitações ou concentrações que contemplem a formação

mais cuidadosa de antropólogos.

Ao tempo em que esta coletânea era organizada, a ABA foi

chamada a participar de Encontros de Trabalhadores da Assistência

Social em que veio discutir o papel e participação dos antropólogos

no Sistema Unificado de Assistência Social do Ministério do De-

senvolvimento Social e Combate a Fome. Pensamos ser útil incluir o

texto que resultou da participação e relatos de Lia Zanota Machado,

Cintia Beatriz Muller e Carlos Caroso, em quatro reuniões prepa-

ratórias para o Encontro Nacional dos Trabalhadores da Assistência

Social, que deverá ocorrer em Brasília nos dias 30 e 31 de março do

ano de 2011.

Carlos Caroso

12

Os cursos de graduação

em Ciências Sociais no

Brasil (2000, 2005 e 2010)

Christina Rubim

Neste texto apresento uma reflexão sobre minha experiência

como membro da Comissão de Avaliação in loco das Condições de

Ensino (ACE) do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Edu-

cacionais Anísio Teixeira1 (INEP), que é um órgão do Ministério

da Educação (MEC), que eu participo desde 1999. A experiência da

avaliação na pós-graduação que começou em 1977 hoje está consoli-

dada.” Questionam-se os critérios, mas ninguém questiona a avaliação em si e nós no Brasil temos uma cultura de que quando se fala em

avaliação todo mundo treme, pois a avaliação é entendida na maioria

das vezes, como um momento de mérito ou demérito, de hierarqui-

zação. Na graduação, a tentativa inicial é de 1983 com o Programa de Avaliação da Reforma Universitária (PARU) e dez anos depois surge

o Programa de Avaliação Institucional das Universidades Brasileiras

(Paiub, 1993)1.

No final dos anos noventa, a primeira avaliação que eu participo

é uma avaliação com a Glaucia Villas Boas, do Rio de Janeiro. Nós

fomos avaliar um curso de ciências sociais, eu lembro que não tinha

1 Consultar Rubim, Christina de Rezende. Considerações sobre a avaliação dos cursos de graduação em Ciências Sociais pelo MEC-Inep In: GROSSI, Miriam Pillar, TASSINARI, Antonela e RIAL, Carmem (Org.). Ensino de Antropologia no Brasil: formação, práticas disciplinares e além-fronteiras. Blumenau: Nova Letra, 2006.

13

nada, a gente só ganhava passagem de avião e diárias da instituição a ser avaliada, gerando muitos constrangimentos. Não existiam orientações e o relatório a ser entregue era de total responsabilidade nossa.

De lá para cá, são onze anos, mudou muito. Com o governo Fernando

Henrique já havia se instituído o “provão” (Exame Nacional de Cur-

sos), com o Lula entrou o ENADE, (Exame Nacional de Avaliação

do Estudante), e se está tentando fazer uma avaliação levando-se em

conta cinco dimensões. Uma delas é a prova de conhecimentos es-

pecíficos e gerais, o ENADE, e a avaliação do aluno sobre a prova.

Então o ENADE equivale a 20% da nota para o credenciamento ou

recredenciamento. A auto-avaliação que a instituição faz sobre o seu curso de graduação equivale a mais 20% dessa nota. A avaliação institucional, que é feita por outra comissão, vale outros 20%. O censo universitário faz parte também de 20% dessa nota. E os últimos 20% é dado por essa avaliação in loco, quando participam dois professores da área específica. Nós ficávamos quatro dias na instituição, conversan-do com alunos, professores, funcionários e gestores, preenchendo um

formulário on line, muitas vezes se comunicando em tempo real com o Inep resolvendo pendências, pois este mesmo formulário chegava já

preenchido e fundamentado pelos seus respectivos coordenadores de

curso. A idéia era fazer essa avaliação todos os anos, para que pudesse haver um acompanhamento constante dos cursos de graduação, pois

eram muitas as instituições privadas que contratam doutores, creden-

ciavam-se e depois, simplesmente despediam estes docentes. Mas, por

falta de dinheiro, resolveu-se fazer esta avaliação de três em três anos, com o ENADE sendo aplicado no primeiro e último ano do curso.

Assim, conseguiríamos uma série histórica e um bom acompanha-

mento dos cursos, captando o que a universidade agrega de conhe-

cimento ao aluno, já que as provas aplicadas são iguais para calouros e concluintes. Penso que acabei conhecendo cerca de 80% dos cursos

de ciências sociais no Brasil porque eu fazia parte dessa comissão de avaliação in loco e coordenava também a comissão que era assessora do ENADE.

A partir dessa experiência resolvi fazer uma pesquisa quantita-

tiva sobre os cursos de ciências sociais no ano de 2000, 2005 e agora em 2010. É esta pesquisa comparativa que vou mostrar para vocês.

14

Quero também deixar claro que no último um ano e meio estive no

exterior fazendo pós-doutorado, então, estou chegando agora e afas-

tada do que está acontecendo.

TABELA I:

Distribuição dos cursos de Ciências Sociais por estado e região (2000): Região/Estado

%

Sudeste

40

45,45

São Paulo

16

40,00

Rio de Janeiro

10

25,00

Minas Gerais

11

27,50

Espírito Santo

3

7,50

Sul

18

20,45

Rio Grande do Sul

8

44,44

Santa Catarina

5

27,78

Paraná

5

27,78

Centro-oeste

5

5,68%

Mato Grosso do Sul

1

20,00

Mato Grosso

1

20,00

Goiás

2

40,00

Distrito Federal

1

20,00

Nordeste

17

19,32

Bahia

2

11,76

Piauí

1

5,88

Paraíba

2

11,76

Pernambuco

3

17,65

Ceará

5

29,41

Sergipe

1

5,88

Alagoas

1

5,88

Maranhão

1

5,88

Rio Grande do Norte

1

5,88

Norte

7

7,95

Pará

1

14,28

Amazonas

2

28,57

Amapá

2

28,57

Roraima

1

14,28

Acre

1

14,28

Fonte: MEC/SESu/Inep.

15

Em 2000 eu pensava que a maioria dos cursos estava em univer-

sidades públicas. Tomei um susto quando vi que 50% dos cursos de ci-

ências sociais estavam nas instituições privadas. Então eu pensei assim: nossa vai ser um horror avaliar esses cursos. Felizmente esta não era a regra. Tinha curso que não tinha condições de funcionar mesmo, mas a maioria, por esforços individuais dos cientistas sociais envolvidos, tinha dignidade. Muitas vezes eram dois ou três docentes brigando contra a instituição... Eles tinham um orgulho de ser de ciências sociais. Tinham um compromisso com o popular, com a sociedade, com o entorno social, político e cultural da instituição. Eu lembro que me marcou muito um curso no interior de Minas Gerais e que possuía uma inserção na

sociedade, no coletivo que era impressionante. Até o prefeito da cidade, que era médico, tinha feito também ciências sociais. Eles tinham uma casa com uma equipe interdisciplinar, que atendia a população pobre

do município. Outro, no interior da Bahia, uma instituição privada, não tinham nada, nem mesmo espaço, mas eles tinham um compromisso

com o seu entorno que era interessantíssimo, uma criatividade... Fize-ram convênio com uma ONG estrangeira e trabalhavam com as artesãs

locais, ajudando-as também a vender seus produtos. Os alunos pobres, às vezes não tinham nem o que comer, mas estavam ali brigando pela

população local, pela compra de livros para a biblioteca, pelos computadores.... Então é assim: eu me assustei com essa situação e fiquei muito feliz com o que vi. O que gostaria de enfatizar é que pode ter curso bom nas universidades privadas e ter curso ruim nas universidades públicas.

TABELA II:

Distribuição dos cursos de Ciências Sociais por estado e região (2005): Região/Estado

%

Sudeste

35

40,70

São Paulo

12**

34,28

Rio de Janeiro

9

25,71

Minas Gerais

11

31,43

Espírito Santo

2

5,71

Sul

17

19,77

Rio Grande do Sul

9

52,94

16

Santa Catarina

4

23,53

Paraná

4

23,53

Centro-oeste

7

8,14

Mato Grosso do Sul

1

14,28

Mato Grosso

3

42,86

Goiás

2

28,57

Distrito Federal

1

14,28

Nordeste

17

19,77

Bahia

1

05,88

Piauí

1

05,88

Paraíba

2

11,76

Pernambuco

3

17,65

Ceará

5

29,41

Sergipe

1

05,55

Alagoas

1

05,88

Maranhão

1

05,88

Rio Grande do Norte

2

11,76

Norte

10

11,63

Pará

2*

20,00

Amazonas

2

20,00

Amapá

2

20,00

Roraima

1

10,00

Rondônia

1

10,00

Acre

2

20,00

TOTAL

86

100,00

Fonte: MEC/SESu/INEP;

*A Universidade Federal do Pará (UFPA) possui cursos de graduação em Ciências Sociais nas seguintes cidades com o mesmo corpo docente: Belém, Rondom do Pará, Marabá, Santarém, Altamira, Bragança, Abaetetuba, Castanhal e Soure.

** A Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP) possui dois cursos nas cidades de Araraquara e Marília com seus respectivos corpos docentes diferenciados e, por isso, foi computada duas vezes.

Em 2005, o número de cursos de graduação em ciências sociais

aumentou um pouco em favor das universidades privadas. Em 2010,

parece que se multiplicam, e os cursos de ciências sociais estão em sua 17

maioria nas instituições privadas, multiplicando-se também as suas

denominações. Hoje, por exemplo, tem curso de ciência da religião

que não é curso de teologia, que tem antropólogos, sociólogos e outros cientistas sociais. O novo na situação de hoje são os cursos à distância.

Para vocês terem uma idéia, há quatro anos conheci o primeiro curso

de ciências sociais à distância de uma instituição privada no Sul do país. Era um curso que tinha muito mais conteúdo do que alguns

presenciais que conhecia. Aquele preconceito que estava formado em

minha cabeça – à distância era ruim e o presencial era bom – começou a ser questionado. A realidade me mostrou que um curso à distância

tinha formação, compromisso social com o entorno da instituição, e

um compromisso social com os alunos.

TABELA III:

Distribuição dos cursos de Ciências Sociais, Relações Internacionais, Antropologia, Sociologia, Ciência Política, Arqueologia, Ciências

da Religião e Outros por estado e região (2010):

CS

RI

Sociol

Antrop

Polit

Arqu

C Rel

Outros

Total

P

D

-

P

D

-

-

-

P

D

-

SP

17

5

29

3

-

-

-

-

1

1

1

57

RJ

10

3

12

1

-

-

2

-

1

-

1

30

MG

11

6

6

2

-

1

-

-

2

-

5

33

ES

1

4

1

1

-

-

1

-

-

-

-

8

Sudeste

39

18

48

7

-

1

3

-

4

1

7

128

RGS

7

2

10

-

-

1

3

2

-

-

3

28

SC

4

2

5

-

-

-

1

-

3

-

2

17

PR

4

4

8

1

1

-

1

-

1

-

-

20

Sul

15

8

23

1

1

1

5

2

4

-

5

65

BA

3

4

3

1

-

-

-

-

-

-

1

12

SE

1

1

1

-

-

-

-

1

-

-

1

5

AL

1

2

-

-

-

-

-

-

-

-

-

3

PE

2

3

3

-

-

-

1

1

-

-

1

11

PB

2

2

1

-

-

1

-

-

-

-

-

6

CE

5

3

1

-

-

-

1

-

-

-

-

10

RGN

2

2

1

-

-

-

-

-

1

-

-

6

PI

1

3

-

-

-

-

-

2

-

-

-

6

MA

2

4

-

1

-

-

-

-

1

-

-

8

18

Nordeste

19

24

10

2

-

1

2

4

2

-

3

67

PA

4

4

-

-

1

-

-

-

-

1

1

11

AM

2

1

2

1

1

1

-

1

-

-

-

9

AC

2

1

-

-

-

-

-

-

-

-

-

3

RR

2

4

-

-

-

-

-

1

-

1

-

8

RN

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

AP

2

1

-

-

-

-

-

-

-

-

-

3

Norte

12

11

2

1

2

1

-

2

-

2

1

34

MT

2

3

-

-

1

-

-

-

-