Fábulas de Esopo Ilustradas por Esopo - Versão HTML

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O Lobo e o Cordeiro

MW1919

Estava um Lobo a beber água num ribeiro, quando avistou

um Cordeiro que também bebia da mesma água, um pouco

mais abaixo. Mal viu o Cordeiro, o Lobo foi ter com ele de má

cara, arreganhando os dentes.

— Como tens a ousadia de turvar a água onde eu estou a

beber?

Respondeu o cordeiro humildemente:

— Eu estou a beber mais abaixo, por isso não te posso turvar a

água.

— Ainda respondes, insolente! — retorquiu o lobo ainda mais

colérico. — Já há seis meses o teu pai me fez o mesmo.

Respondeu o Cordeiro:

— Nesse tempo, Senhor, ainda eu não era nascido, não te-

nho culpa.

Carlos Pinheiro

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Fábulas de Esopo

— Sim, tens — replicou o Lobo —, que estragaste todo o pasto

do meu campo.

— Mas isso não pode ser — disse o Cordeiro —, porque ainda

não tenho dentes.

O Lobo, sem mais uma palavra, saltou sobre ele e logo o de-

golou e comeu.

Moral da história

Claramente se mostra nesta Fábula que nenhuma justiça nem razões valem ao

inocente para o livrarem das mãos de um inimigo poderoso e desalmado. Há

poucas cidades ou vilas onde não haja estes Lobos que, sem causa nem ra-

zão, matam o pobre e lhe chupam o sangue, apenas por ódio ou má in-

clinação.

Carlos Pinheiro

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Fábulas de Esopo

Fábula III