Felicidade sem Culpa por Adenáuer Novaes - Versão HTML

ATENÇÃO: Esta é apenas uma visualização em HTML e alguns elementos como links e números de página podem estar incorretos.
Faça o download do livro em PDF, ePub, Kindle para obter uma versão completa.

index-1_1.jpg

Felicidade sem Culpa

4ª Edição

Do 17º ao 21º milheiro

Criação da capa: Objectiva Comunicação e Marketing Direção de Arte: Rafael Oliveira

Fotografia: Miguel Silveira

Revisão: Hugo P. Homem, Jacqueline Sampaio e Silzen Furtado Diagramação: Joseh Caldas

Copyright 2001 by

Fundação Lar Harmonia

Rua da fazenda, 560 – Piatã

41650-020

atendimento@larharmonia.org.br

www.larharmonia.org.br

fone-fax: (071) 286-7796

Impresso no Brasil

ISBN: 85-86492-09-4

Todo o produto desta obra é destinado à manutenção das obras da Fundação Lar Harmonia.

Adenáuer Novaes

Felicidade sem Culpa

FUNDAÇÃO LAR HARMONIA

CNPJ /MF 00.405.171/0001-09

Rua da Fazenda, 560 – Piatã

41650-020 – Salvador – Bahia – Brasil 2004

Novaes, Adenáuer Marcos Ferraz de

Felicidade sem culpa. Salvador: Fundação Lar Harmonia, 09/2004

144p.

1. Espiritismo. I. Novaes, Adenáuer Marcos Ferraz de, 1955. – II. Título.

CDD – 133.9

Índice para catálogo sistemático: 1. Espiritismo

133.9

2. Psicologia

154.6

Índice

Felicidade sem culpa ....................................................

9

Seja feliz ......................................................................

13

Liberte-se de seu passado ...........................................

21

Percepção da felicidade ...............................................

25

Psicologia da pessoa ....................................................

29

O amor .......................................................................

31

Felicidade frente ao inevitável .......................................

33

Garantias provisórias para a felicidade ..........................

41

Medos que impedem a felicidade .................................

49

Culpas que interferem na felicidade ..............................

63

Felicidade em tudo que se faça ....................................

71

Uma saudade em uma pessoa feliz ...............................

75

Diante da culpa ............................................................

79

Características de uma pessoa espiritualizada e feliz ......

81

Críticas necessárias à conquista da felicidade ................

85

Dicas para desenvolver uma personalidade espiritualmente sadia .............................................

87

Há uma pessoa que possui os seguintes predicados ......

89

Carta a Deus ...............................................................

93

Sabedoria e felicidade ..................................................

97

Espécie em extinção ....................................................

101

Pense sempre em sua felicidade ...................................

105

Íntimos desejos ............................................................

107

Felicidade em rede ......................................................

111

Não conformidade e sua necessidade ...........................

113

Felicidade meditando com seu guia interior ...................

115

Permitir-se ...................................................................

119

Faça e realize ..............................................................

121

Pare e evite .................................................................

123

Mentalizações em busca da felicidade ..........................

125

Recado para ser feliz ...................................................

133

Oração da felicidade ....................................................

135

Felicidade sentindo Deus .............................................

137

Felicidade sem culpa

A maioria das pessoas se sente infeliz ou adia sua felicidade por causa da internalização de um poderoso mecanismo, seja social, moral ou religioso, introdutor de culpa. O ser humano se estrutura dentro da sociedade sem a devida reflexão sobre os valores que assimila. Nem sempre percebe que, aqueles recebidos em suas origens devem, na adultez, merecer reflexão e conseqüente liberta-

ção dos que não mais condizem com sua maturidade. Nem sempre as pessoas conseguem se libertar da pressão exercida pela sociedade da qual fazem parte. Essa pressão não é apenas proporcio-nada através de normas e leis, mas principalmente a partir daquilo que não é dito e nem é explicitado. As leis da convivência entre as pessoas, as quais, nem sempre, fazem parte de algum código escrito, promovem sanções que psicologicamente impõem culpa e necessidade de alívio psíquico. Nesse contexto, somam-se os pre-ceitos extraídos das interpretações humanas aos códigos das religi-

ões, muitas vezes usados como mecanismos repressores, para limitar ainda mais as possibilidades do ser humano de entender sua própria vida e alcançar a felicidade.

O grande gerador da infelicidade é a culpa que nos permite, quando instalada, esperar algum tipo de punição para alívio daquilo que consideramos uma transgressão. Vivemos sempre à espera de que essa punição ocorra, gerando ansiedade e adiando nossa felicidade.

Felicidade sem Culpa

9

É claro que, tudo isso ocorre também como um mecanismo que possibilita a percepção da própria liberdade individual.

Há pessoas que necessitam de limites para melhor administrar sua liberdade, porém, essa regra é utilizada de forma excessiva e castradora, em face do medo que tem o ser humano de perder o controle sobre si mesmo.

O propósito de todo ser humano é alcançar a felicidade possível sem perder a noção da responsabilidade individual pelos próprios atos. Ser feliz só é possível através da liberdade com responsabilidade. Quem não for capaz de assumir as conseqüências de seus atos, não conseguirá viver com a consciência em paz e em harmonia.

Religiões e filosofias foram – e ainda o são – utilizadas como mecanismos de dominação coletiva sob o argumento de que o passado da humanidade demonstra sua necessidade de impor limites. É necessário que se perceba o espírito como ser presente que, embora assentado sobre seu passado, está sempre olhando para o futuro. Sem esquecer o passado, é preciso viver o presente com o olhar no futuro. As religiões valorizam mais o passado que o futuro do ser humano, impondo-lhe que carregue sempre alguma culpa.

As religiões, como são praticadas, servem para determinadas classes de crentes. Para outras, elas necessitam de interpretações e compreensões mais avançadas sob pena de se extingui-rem. Elas devem ser entendidas de formas distintas e de acordo com o nível de evolução do espírito.

Na maioria delas, o conceito de felicidade passa pela culpa e pela negação à vida na matéria. Entender que ela, a felicidade, só poderá ocorrer alhures, pós-morte, é negar o sentido da existência, conseqüentemente o presente.

Não entregue sua felicidade à crítica das religiões, das filosofias, dos outros ou dos equívocos que cometeu. A religião, por natureza, deve facilitar o processo de crescimento do ser humano.

Tome a sua como auxiliar de seu equilíbrio psicológico e espiritual.

10

adenáuer novaes

Não coloque sua felicidade à mercê das contingências acidentais de sua vida ou mesmo de uma fase de turbulência por que esteja passando. Lembre-se de que viver não é ato isolado de um ser humano. É um contexto, uma conexão e um sentido. Na união dessas realidades junta-se o Espírito que é você. Assuma o comando de sua vida e a coloque a serviço do propósito de ser feliz. Siga aquele ditado que diz ‘viva e deixe os outros viverem’.

Ninguém no mundo está irremediavelmente condenado a sofrer ou a penar eternamente, seja na vida ou na morte. As teorias que levaram o ser humano a se achar perdido ou condenado a sofrer pelos atos o distanciaram de sua própria felicidade. O ser humano está ‘condenado’ a ser feliz e essa conquista é feita individual e coletivamente. Ele foi presenteado por Deus que lhe deu a Vida.

Convido o leitor a despojar-se de conceitos, pelo menos durante a leitura deste livro, para penetrar no próprio coração e pensar na felicidade como um estado de espírito possível. Lembre-se de que coração e razão são faces de uma mesma moeda, que representa o ser humano. Tentar separá-las é tolice infantil.

Neste livro, o propósito é permitir a compreensão do significado maior de ser feliz, de uma maneira mais livre e menos culposa.

Comece a ler este livro pensando em deixar de lado suas culpas e seus medos, a fim de que possa adquirir instrumentos que possibilitem alcançar a paz que deseja. Faça dele um instrumento de libertação e de aquisição de novos valores.

Retire o véu que encobre sua visão de si mesmo, dispa-se da roupa que o mundo lhe ajudou a tecer e vista-se com o manto da simplicidade e da pureza de coração, a fim de captar o significado mais profundo e os sentimentos que coloco no que escrevo para que você se encontre com sua essência. Lembre-se de que não há nada no mundo que valha mais do que a sua paz interior. E

que ela, para ser real, deve manifestar-se no mundo em sua prá-

tica diária e em sua vida de relações com os outros. A felicidade real e a paz verdadeira são vividas no mundo.

Felicidade sem Culpa

11

Reúna seus mais íntimos propósitos, junte suas maiores intenções, fortaleça-se com as melhores energias e entre em contato com o Deus que habita em você, para encontrar sua plena felicidade. Não se esqueça de reparti-la por onde passar e com quem estiver, pois isso é garantia de perpetuidade.

Seja feliz

Pense num lugar onde sua paz, sua felicidade, sua saúde e seu equilíbrio possam ser satisfeitos independente de condições externas. Pense que isso é possível, sem precisar sair de onde está. Isso é um sonho. Mas, um sonho possível e realizável. Sua realização depende de como você pensa, sente e percebe as coisas a sua volta. A realidade que sua vida é hoje, foi por você criada. Você se impôs a aceitar a vida desta forma que vive.

Você mesmo acredita que o mundo seja assim. É verdade que você possui limites e dificuldades. Mas, uma mudança é possível e você poderá fazê-la. Alguns passos são necessários. Pense que isso poderá levar algum tempo e dependerá de uma certa disci-plina, isto é, de determinação e persistência para alcançar seus objetivos. Os passos os quais me refiro você deverá encontrá-los nos capítulos adiante. Não há receita padrão nem tampouco um modelo infalível. Talvez, no decorrer da leitura, você descubra o seu próprio. Persista. Não perca a oportunidade de levar adiante seu projeto pessoal de ser feliz.

É claro que você já pensou que tem direito à felicidade e esta lhe faria muito bem. Às vezes você mesmo se pergunta por que ela não chega à sua vida, já que outras pessoas, as quais você considera que têm muito, recebem mais ainda. Algumas delas você acha que não merecem. Sua lógica tem feito com que você Felicidade sem Culpa

13

não entenda bem quais os critérios da Vida para com você. Talvez o problema seja de enfoque e de limites que você mesmo tem imposto a si próprio. É lógico que você tem direito. Você apenas não tem sabido como conseguir fazer prevalecer esse direito. Todos sabem que a felicidade é um estado de espírito, porém, como instalá-

lo internamente é que tem sido o grande problema. As receitas para isso são muitas e certamente eficazes. Porém cada pessoa merece uma receita própria, uma estratégia e um percurso próprios. A sua, talvez ninguém, nem você mesmo, tenha descoberto. A receita para você é sua e esse é seu desafio. Descobrir, dentre aquelas que mais lhe agradam qual a que, depois de adaptada, lhe servirá como guia, é com o que deve se preocupar.

É importante, e nunca esqueça isto: você não deve se culpar.

Não deixe que o complexo de culpa se instale em você. É claro que, embora não deva se sentir culpado, você arcará com as conseqüências de seus atos. Considere que seu grande equívoco tem sido a própria ignorância, isto é, você não é feliz porque ainda não sabe ao certo como as coisas funcionam na Vida. As regras que você tem seguido não lhe têm garantido o sucesso desejado. É

preciso conhecer as ‘regras da Vida’ e como funcionam no seu caso, pois, embora sejam as mesmas para todos, elas flexibilizam de acordo com o nível de evolução de cada um.

A Vida não possui regras nem normas rígidas, muito embora o Universo tenha suas próprias leis. Nós criamos regras a fim de educar a liberdade a nós outorgada por Deus. Somos seres naturalmente livres, porém, gradativamente nos condicionamos a determinados limites a fim de entendermos a nós mesmos. Com a evolução espiritual, aos poucos retiramos os grilhões que adotamos ao longo da Vida.

Portanto, não se sinta culpado, mas tão somente alguém ignorante que busca aprender o que antes não sabia. A culpa mancha sua felicidade e a consciência de sua própria ignorância é o começo de sua ventura. Saber ‘ler’ os sinais que a vida tem lhe dado é fundamental. Busque sempre interpretar o simbolismo 14

adenáuer novaes

contido em cada ocorrência que lhe afeta. Procure perguntar-se o que a vida quer lhe ensinar, quando ocorre algo com você que foge ao seu controle e àquilo que considera plenamente explicá-

vel. Uma explicação plausível, que revele o sentido da ocasião vivida, pode ser o remédio para nossa angústia.

Lembre-se também que felicidade não é apenas doar-se, mas também ensinar a fazer, a realizar, a conhecer, a ajudar que o outro acredite em si mesmo. Além disso, você deve: fazer-se, realizar-se, conhecer-se, investir em você mesmo e acreditar em si próprio.

Definitivamente, não se sinta culpado pelo que você fez ou acha que tenha feito. Não se culpe nem sofra por antecipação. O

ocorrido certamente tem conseqüências, mas não pense que se-rão como você imagina. Não pense em punição, sofrimento ou dor. Calma. Pense em responsabilidade e possibilidade de atravessar a resultante de suas ações com tranqüilidade. O Universo não funciona como você imagina. Ele costuma se colocar a servi-

ço do nosso propósito de crescimento. Aja com esse espírito e ele conspirará a seu favor. Você acredita que será punido e isso é o começo de seu sofrimento. Pense que você será ensinado pelo Universo a resolver as situações geradas pela sua ignorância quanto ao funcionamento do mesmo.

Nem você nem ninguém é feliz o bastante. A felicidade é um estado impermanente. É a busca de algo, de um encontro, de um sentido maior. É por isso que sua insatisfação com a vida ou com coisas menores deve ser entendida como algo inerente à existência de qualquer ser humano e não como infelicidade. Há coisas que só ocorrem com um certo tempo e com a necessária experiência. Não tente antecipar tudo, pois, isso gera ansiedade, a qual traz infelicidade. Viva cada momento como se fosse o último e, simultaneamente, o primeiro.

É preciso que você crie outro conceito de felicidade. Aquele que você construiu da infância até a adolescência não lhe serve mais. Os mitos infantis de felicidade são utopias. A cultura, o meio Felicidade sem Culpa

15

familiar e a educação escolar nos ensinam certo modelo de felicidade o qual está impregnado em nós. Eles são de tal forma equi-vocados que não nos permitem alcançá-la. A felicidade não é ter, tampouco é ser. São opostos e precisam de conciliação. O ter e o ser, quando se integram, geram a sabedoria de saber ter e de saber não ter. Quando se tem, deve-se aprender a ter com sabedoria sem ser possuído pelo que se tem. Mesmo tendo algo, se pode buscar mais, com a firme convicção da importância de se gerar prosperidade pessoal e coletiva com aquilo que se obtém.

Quando não se tem, deve-se não só buscar ter para aprender a ter, como também aprender a viver sem ter.

Outra questão importante é sua escala de valores. Ela pode ser um instrumento para sua felicidade. Suas qualidades inferiores decorrem muitas vezes da dificuldade em se enquadrar a um sistema de valores muito exigente. Exija de você o que você pode dar. Quando não se sentir bem com você mesmo, atribuindo-se uma qualidade inferior, depreciando-se, considerando-se alguém de índole má, certamente estará se comparando a um sistema de valores superior. É possível que nesses momentos você não se sinta bem. Procure elevar-se ao nível dos valores que você considera superior. Caso não o consiga, reveja seu sistema de valores e troque idéias com alguém para que você se adapte ao que é possível alcançar em sua vida. Nunca desista de alcançar um ní-

vel melhor que o atual. Seus valores e crenças, embora lhe permitam segurança e equilíbrio, podem ser suas algemas. É preciso revê-los a cada ciclo de sua vida, para que se transformem em guias. Pense que eles devem ser instrumentos para que se sinta bem com você mesmo e com o próximo.

Sua felicidade pode ser prejudicada pela imensa necessidade que você sente de falar, de expressar algo, de fazer coisas.

Em resumo, de estar sempre colocando para fora idéias e emo-

ções que o incomodam. É importante que você o faça, mas é preciso ter em mente que há um limite para isso, pois, esse hábito pode se tornar um padrão psíquico de difícil mudança. Quando 16

adenáuer novaes

isso ocorrer, é preciso aprender a fazer silêncio; mas silêncio produtivo, isto é: aquele que vai permitir-lhe não pensar nos conflitos, estabelecer metas que a eles não estejam relacionadas e redirecionar a necessidade de expressão. Faça silêncio e não pense em tudo de uma só vez. Escute o que a Vida quer ensinar em cada momento de sua existência.

A felicidade combina uma certa satisfação material com o equilíbrio emocional, aliados ao encontro com a própria espiritualidade. Quando esses fatores se encontram, a pessoa consegue se iluminar interiormente. A satisfação material nem sempre ocorre na proporção que se deseja, nem na intensidade que se quer. Muitas vezes, ela é apenas um detalhe. O equilíbrio emocional é fundamental. Sem ele não se consegue jamais a felicidade. A espiritualidade é uma ferramenta importante, pois possibilita ao ser humano transcender a sua condição material, permitindo que ele se perceba um espírito em evolução. Sua iluminação interior ocorre na medida que identifica nos outros, pessoas como você, dignas de respeito, de amor e semelhantes a você mesmo.

A felicidade é uma arte que você precisa desenvolver. O

exercício se dará através de lições diárias e, às vezes, difíceis, po-rém suportáveis a todos. Não pense que você está sozinho ou que goza de alguma exclusividade. Todos estão no mesmo rumo. Alguns perdidos, outros iludidos, mas existem aqueles que já encon-traram a rota certa. Coloque-se entre esses últimos ao afirmar seu desejo sincero de viver em paz, proporcionando-a em sua volta.

Por outro lado, é preciso aprender a estar conectado ao próprio coração. Essa conexão possibilita não apenas estar atento às próprias emoções, mas, principalmente, às sutis vibrações do amor que pulsa interiormente em você. Perceba-as nos grandes momentos em que você se sentiu muito feliz. Nada pode ser melhor que a felicidade sem culpa e sem medo. Esse estado de espírito que todos desejam alcançar é possível se você estiver conectado ao seu coração. Essa conexão deverá ser favorecida com o uso da razão, pois, permitirá à consciência a atenção ne-Felicidade sem Culpa

17

cessária aos valores contidos em seus sentimentos. Procure vi-brar com a vida e com seu ritmo.

A luz da sua alma não pode ser ofuscada pela consciência culpada. Por detrás da máscara que o mundo ajudou-o a forjar existe a face luminosa do seu ser, ofertada por Deus. Saia da sombra escura em que você se coloca diariamente e exponha-se à luz, para que vejam a claridade interior do diamante que existe em seu mundo interno. A sua deve ser a estrada de luz, pois suas pegadas possuem a energia do amor de Deus.

Culpar-se é adiar a possibilidade de ser feliz, é não aprender com os próprios equívocos. Ninguém é pior ou melhor que outra pessoa, pois, todos temos a mesma paternidade divina.

Não chore a lágrima da culpa pelo equívoco que você cometeu. Derrame-a quando perceber a misericórdia divina a conceder a ventura de realizar os meios para reparar seus equívocos e alcançar a felicidade. Quando descobrir que a culpa não levará a resolver seus conflitos, será o início do seu processo de liberta-

ção a caminho da felicidade.

Ao iniciar, coloque-se no lugar mais alto de sua consciência e compartilhe sua vida com os outros. Mostre-se sem culpa e perdoe àqueles aos quais você atribuiu responsabilidade pelos seus sofrimentos. Em algum momento de sua vida torne possível poder contá-la, de tal forma que se possa perceber a existência de um marco o qual determinou sua mudança. A partir de tal marco você renasceu, sendo uma nova pessoa, sem culpas e confiante em seu futuro. Após esse marco, você descobriu que sua vida lhe pertence e a Deus. Caminhe sem medo, sem amarras, sem vaidades e sem culpa. Dê lugar ao coração, principalmente se a razão se encontrar confusa.

Continue sua busca pessoal por uma personalidade mais agradável e equilibrada. Nada pode ser maior que você, nem tampouco inferior a sua vida. Você é muito mais do que imagina e tem uma destinação iluminada.

Cultive o pensamento flexível, que admite sempre a possi-18

adenáuer novaes

bilidade de as coisas serem diferentes do que você acha. A rigidez mental promove as doenças e impede o encontro com o si mesmo. Ser feliz é ser maleável aos convites que a vida nos faz ao amor. O segredo para a felicidade é a tolerância para consigo mesmo e a consciência das próprias limitações.

Liberte-se de seu passado

Para que você se liberte de seu passado, é preciso que tome consciência de que ninguém na Terra está seguro de nada, e que todos temos limitações. Seu passado não deve ser seu entrave. Considere que seus equívocos, assim como os limites que a vida o impôs, são motivos para que você cresça em busca de felicidade.

As pessoas que porventura o tenham magoado, devem ser colocadas à conta de auxiliares do seu processo de crescimento e de busca de felicidade. Elas, em si, não representam ameaça nem são culpadas. São, ou foram, apenas instrumentos úteis para que você se conhecesse mais. O que elas fizeram ou fazem a você, e que o incomoda, deve ser analisado como algo que o permite conectar-se ao que internamente ainda não está resolvido. Com elas, você não pode perder a oportunidade de descobrir seu mundo inconsciente, identificando os conteúdos que favorecem a ocorrência de situações de sofrimento a fim de solucioná-las.

Não deixe que o ódio ou a mágoa o impeça de ser feliz.

Esses dois são poderosos empecilhos ao amor e à paz. A felicidade passa pelo coração sem mágoas. Lembre-se de que tudo aquilo que você debita ao outro como culpa pelo seu sofrimento aponta para algo em você que ainda não se resolveu.

Quando a angústia atingi-lo, trazendo-lhe tristeza e melan-colia, é preciso se lembrar do significado que ela representa. É

20

adenáuer novaes

necessário perceber que, a angústia que muitas vezes nos acome-te a alma, advém da saudade de algo indefinido. Essa saudade que se transforma em angústia é a falta de confiança acrescida da incerteza quanto ao próprio futuro. Sentimos saudade de algo ou alguém que não sabemos onde, quando ou se ao menos vamos um dia encontrar.

Sentir saudade, chorar por alguém que não podemos sentir próximo, nos torna seres emocionalmente vinculados ao coração da pessoa querida. Isso, sem o desespero ou a posse, faz bem à alma. É bom sentir saudade e se lembrar de pessoas que fizeram parte de nosso passado e que estejam momentaneamente longe de nós. Pelas portas do coração não existem distâncias. No fio da saudade passa a energia do amor que conecta corações que se amam. Porém, não permaneça muito tempo na energia da saudade. Ela pode viciar e levá-lo a ficar preso ao passado. Com a energia da saudade faça uma oração em favor da pessoa com quem você fez a conexão emocional.

Para se libertar do passado é preciso ter consciência de que ele não deve necessariamente ser esquecido, mas ressignificado. Não tente esquecê-lo, mas lembrar dele como uma experiência que se teve; seja ela boa ou ruim. Quando boa, deve ser lembrada com alegria. Quando ruim, deve ser lembrada como aquela que o ensinou algo.

Não se culpe pelo que fez no passado ou pelo que faz no presente. Se fez, está feito. Se ainda faz, não faça mais e assuma as conseqüências por isso. Lembre-se de que os erros cometidos são lições aprendidas.

O passado culposo e que se deseja esquecer representa o campo da experiência que se viveu, porém, não é a mancha eterna que nos macula a alma. A mácula em nós é a ignorância de acreditar que não temos direito à felicidade. Não há futuro sem passado e todo passado está revestido de ignorância. Não há quem não tenha vivido experiências equivocadas. Na Terra, ninguém esteve, ou está, livre de viver experiências consideradas Felicidade sem Culpa

21

transgressões à ordem vigente. Transgressões ou não, temos que aprender a vivê-las conscientemente.

Olhando para nosso passado temos, hoje, a clareza de ver que erramos, porém, na época agimos como sabíamos ou tínhamos condições. No futuro, avaliaremos o que fazemos hoje e poderemos também perceber os equívocos ou o que poderia ter sido evitado. Arrepender-se do que se viveu é inevitável, mas o arrependimento só surge mediante a ampliação da consciência e da capacidade de amar. Muitas coisas que nos serviram ontem não nos servem hoje e isso evidencia que hoje somos melhores do que ontem. A culpa impede que percebamos o movimento da vida com liberdade e com o sentimento de realização íntima.

Nossa ignorância nos leva a criar juízes implacáveis na consciência que, de fato, não existem. Eles são frutos da educação, da cultura e de nossa ignorância quanto a nós mesmos. Precisamos colocar na consciência um Criador amoroso e benévolo, com-preensivo e paciente, para que não nos punamos por tão pouco.

Tais juízes não são maus em si, mas se transformam por conta de nossa facilidade em dar-lhes o poder de nos comandar. Não vivemos sem eles, mas, lhes atribuímos um caráter absoluto.

Muitas vezes, nos sentimos culpados por não alcançar certos desejos, acreditando que somos incapazes. Quando, por exemplo, um casamento não dá certo, por fatores múltiplos, é comum um dos cônjuges se perguntar onde foi que errou e lamentar a perda. O equívoco pode pertencer a qualquer deles, porém, os fatores que levaram à separação física ou emocional estão influenciados por valores pessoais e sociais. Um fracasso não deve representar a perda da própria motivação de viver. Ele representa uma deficiência na estratégia utilizada para alcançar a felicidade.

Na próxima experiência naquele campo em que se fracassou deverá ser utilizada outra estratégia. Pense também que você precisa modificar seu desejo. Ele poderá estar levando-o exatamente para o lado contrário de sua própria busca interior. O tipo de desejo e a forma de alcançá-lo nem sempre estão conectados adequadamente.

22

adenáuer novaes

Lembre-se de que você deve retirar de cada experiência algo de útil e bom para si próprio. Tudo que lhe acontece é um caminho trilhado que poderá ser repetido ou não, a depender de sua vontade. As situações adversas a enfrentar devem ser vividas em seu momento e não de forma antecipada. Quando isso ocorre, gera ansiedade a qual promove infelicidade. Se você sabe que vai vivê-la, prepare-se para fazê-lo com equilíbrio e de forma a extrair dela o melhor possível.

Nunca se esqueça de que somos filhos do Altíssimo e dele recebemos o bom estigma de alcançar a felicidade. Ela deveria estar em nosso presente e será nosso futuro. Em sua trajetória, deseje o próprio bem pessoal tanto quanto o de qualquer pessoa com quem se encontre. Faça o bem quando você puder, a qualquer pessoa que surja em seu caminho. Não olhe para o passado a ponto de se deter nele. Fixe o presente e o futuro.

Percepção da felicidade

Certamente que a felicidade é uma das palavras que comportam interpretações diversas e de acordo com a situação em que cada pessoa se encontra. Pode referir-se tanto a um estado interno quanto externo. Como alcançá-la sentindo-se em paz e satisfeito?

Pense que você tem direito a ela, porém, não tem sabido como percebê-la. Seus valores, sua forma de pensar, suas atitudes, seus pensamentos, não têm conseguido lhe trazer o que você mais deseja, que é realizá-la. Comece pensando que é preciso estar só, pelo menos por alguns momentos, para rever sua pró-

pria vida. Nenhum problema pode ser maior que você mesmo.

Eles têm a dimensão que você mesmo lhes dá.

Alterne suas rotinas com outras que há muito você não tem executado. Volte a velhos hábitos que cabem no atual momento em que você vive. Eles podem ser antigos, mas continuam válidos. Por outro lado, abandone alguns antigos hábitos que não cabem mais em sua realidade presente. Lembre-se sempre de que mudanças são constantes em nossas vidas e que o que foi bom antes pode não o ser hoje e vice-versa.

Será que você é feliz o bastante? Será que você é feliz o quanto pode ser? Você só saberá quando estipular os parâmetros que indicam sua felicidade. Estipule alguns que sejam provisórios, 24

adenáuer novaes

isto é, que contenham sinais concretos de realização. Mesmo que sejam a partir de valores materiais, eles são o início de uma caminhada. Mais adiante, quando você estiver mais autoconfiante, certamente terá outros de valor emocional e espiritual mais elevados.

Verifique qual o sistema de valores a que está vinculado, isto é, a que limites você costuma obedecer. O que é em verdade que lhe contém. Ampliar seus limites é fundamental para alcançar a felicidade. Porém, eles só devem ser ampliados quando satisfi-zerem exigências mínimas de convivência. Submeta-os ao crivo daqueles que convivem com você. Quando as pessoas de quem você gosta adotarem-nos como seus, é sinal de que podem co-meçar a ser superados por outros melhores. Essa superação não implica em perda, mas em agregar outros aos antigos, que tragam maior felicidade.

As ciências, o conhecimento cultural em geral, nos auxiliam a compreender o sentido de ser humano, de ser pessoa. Todas as ciências devem concorrer para levar o ser humano à felicidade.

Qualquer delas nos deve permitir o encontro com nossa íntima essência. Cuide para que a religião, a filosofia de vida ou seu sistema de valores concorra para esse firme propósito. Caso você note que em algum ponto sua ideologia adotada concorre para o contrário disso, mude sua maneira de entendê-lo. Tudo deve concorrer para sua felicidade.

Não se esqueça de que o mundo existe dentro de você e é aí que tudo deve estar resolvido. Do lado de fora, as coisas podem estar desorganizadas, mas, em você, internamente, deve haver equilíbrio e harmonia. O que as coisas são e o que representam são faces distintas da realidade. Em você, elas devem significar algo que lhe traga paz e proporcione harmonia no ambiente no qual vive. Sua psicologia deve ser aquela que lhe permita viver em paz e trazer a paz por onde você vive.

Dívidas financeiras, dificuldades de relacionamento, problemas de saúde, e o medo e ansiedade por causa disso, são questões menores diante da grandeza da Vida e de sua própria Felicidade sem Culpa

25

vida. Viva o bastante para entender a própria existência sem ter medo do que lhe possa acontecer no futuro. Sua forma de viver lhe trará sofrimento ou paz. Suas escolhas devem ser no sentido de conseguir paz e felicidade.

Veja a realidade sem o recorte que a consciência proporciona. A vida social, os meios de comunicação de massa, notadamente a mídia, nos mostram apenas um recorte da realidade a partir de um viés particular. Tente enxergar a Vida como algo muito maior do que aquilo que lhe é mostrado e que seus olhos podem ver. Sua felicidade depende de uma visão mais ampla da Vida. Veja-a como um presente de Deus e como algo maior que você, mas que cabe em você.

O ser humano é muito maior que o recorte que se faz de sua alma. Ele é puro amor como o é o amor de Deus. Nada é maior que a relação doce e misteriosa entre o ser humano e seu Criador.

Uma pessoa que busca a felicidade deve aprender a se ver como representante de Deus, sem tornar isso algo maior do que sua relação com outra pessoa. Portanto, valorizar a relação com as pessoas, com qualquer pessoa, significa compreender que Deus está presente naquele momento.

Os atos humanos são recortes da alma humana, são formas de manifestação dela. Devem ser tidos como simples faces do ser que deseja expressar-se plenamente sem o conseguir. A felicidade passa pela compreensão desses atos, quaisquer que sejam, como manifestações do amor que ainda não sabe mostrar-se. O sentido da felicidade é também compreender cada ato humano como uma parcela do amor que nele reside.

Ser feliz não é ato isolado de uma pessoa nem uma situa-

ção particular de um indivíduo. Dela fazem parte outras pessoas e seus processos. Dizer-se feliz é também compreender os atos humanos e enxergá-los como possibilidades de entendimento da natureza de Deus.

26

adenáuer novaes

É natural que se busque a felicidade externamente. O ser humano nasce de olhos fechados em busca da luz e tentando se acostumar a ela. Ele nasce querendo conhecer o mundo externo.

Sua ânsia em conhecê-lo o faz esquecer de olhar-se interiormente. Nascer é abrir os olhos para a consciência, esquecendo-se do que é inconsciente. A felicidade consiste também em atender aos anseios inconscientes. É uma viagem solitária ao mundo inconsciente e ao passado pessoal.

Para a compreensão precisa da felicidade é necessária a aceitação da própria mortalidade. Essa aceitação permitirá a aber-tura da mente para a espiritualidade. Aceitar que um dia o indiví-

duo experimentará a própria morte é fundamental para que se percam os medos e a ansiedade em relação ao futuro.

Não há felicidade sem uma clara percepção do sentido da Vida. Nesse particular, deve-se ter uma concepção pessoal de Deus. Toda felicidade passa pela consciência da existência, presença e atuação de Deus naquele que a busca.

Psicologia da pessoa

Uma pessoa, qualquer que seja sua cultura, representa Deus.

É Sua obra de arte. A Singularidade de Deus manifestada na Cria-

ção se encontra no ser humano. Deus, tal qual é descrito, é uma concepção humana. Portanto, qualquer sentido que se dê à pró-

pria vida passa pela concepção que o ser humano tem de Deus.

A melhor concepção é aquela que lhe permite estar em paz consigo e com os outros. Ela também deve compreender a evolução da própria idéia que se tem de Deus. A forma como você compreende Deus deve ser evolutiva, isto é, a concepção de hoje é melhor do que a que tinha no passado. No futuro sua concepção será outra, mais adequada ao nível de felicidade em que se encontre. Isso não quer dizer que Deus esteja evoluindo. Seria um contra-senso. Digo apenas que, minha maneira de entendê-lo melhora na medida que me torno mais feliz.

Qualquer pessoa tem o direito de ser feliz e de mudar seu próprio destino sem que, para isso tenha que se tornar inconseqüente. Tanto a rigidez da personalidade quanto a excessiva liberdade prejudicam sua felicidade. Cultivar uma personalidade agradável é importante na aquisição da felicidade. A personalidade deve ser exercida de acordo com o meio e as circunstâncias sem que se traia a própria natureza. Tornar-se uma pessoa feliz é uma proposta que deve levar o indivíduo ao encontro do si mes-28

adenáuer novaes

mo, de sua essência mais íntima. Uma pessoa necessariamente não é alguém que tem títulos, conhecimentos intelectuais, coisas ou que goze de certo prestígio. É alguém que sabe ser gente, quando apenas isso é necessário. Para que acumular tanto saber se ele não for capaz de levar o ser humano à felicidade? É preciso tentar ser feliz com o mínimo que se tem e ir em busca do que se deseja sem se tornar escravo do próprio desejo.

Muitas vezes, pensamos que se tornar uma pessoa é ter outra à qual se possa recorrer. Outros acham que precisam de heróis para que possam mirar-se em busca da felicidade. A felicidade real prescinde de heróis, de referenciais externos e de coletivização. Quem necessita de heróis está afastado de si mesmo. Não se afaste de você mesmo, fugindo de sua essência e entregando-se demasiadamente ao mundo externo. Sempre que recorrer a uma figura externa, mesmo que para lhe dar força, você estará se afastando de si próprio. Caso esse exemplo realmente venha a lhe trazer alento e motivação, siga-o. Mas, adiante, retome sua própria vida.

Uma pessoa é o vaso mais puro do amor de Deus. É o receptáculo de Sua amorosidade, por onde Ele dispensa suas benesses. O ser humano é a medida de todas as coisas por ser a entrada e a saída do amor de Deus. O bem mais precioso que você tem é sua íntima ligação com Deus. Essa conexão é inquebrável, ininterrupta, direta e exclusivamente pessoal. A consciência que se tem da própria ligação com Deus elimina o medo do desconhecido, do futuro, do novo e de qualquer angústia. Essa ligação nos permite a percepção da nossa natureza espiritual e da impossibilidade da morte como fim da vida. Conserve seu sentimento de ligação com Deus como algo de muito sagrado e que só a você pertence.

Seja feliz sendo uma pessoa. Apenas uma pessoa. Um ser que está no mundo para viver nele, como alguém que se sente intimamente ligado às pessoas, ao Universo e a Deus.

O amor

Estou presente a partir das mais profundas entranhas da Terra às altas montanhas que desafiam o horizonte. Participo da intimidade das substâncias mais corrosivas tanto quanto das feridas mais pútridas. Sou elemento constitutivo dos perfumes e dos aromas mais sofisticados. Minhas emanações se misturam às águas de rios e mares, de lagos e córregos. Venho das nascentes mais puras e alcanço os afluentes com a mesma limpidez do início.

Transformo pântanos e charcos fazendo-os celeiros de vida abun-dante. Encontro-me na lágrima do choro proveniente do sofrimento ou do êxtase. Participo dos banquetes de prazer na volúpia dos convivas que me celebram em agradecimento à vida. Preencho cada sentimento humano, adicionando-lhe o sentido da Vida.

Uno matéria a matéria, espírito a espírito, na comunhão das formas e na identidade das almas.

Preencho a dor de significado e dou à vida seu principal sentido. Na doença, na tristeza, na esperança e na ventura coloco toda a força e toda a energia criativa do Universo. Em cada ato, em cada pensamento ou sentimento, sou o propósito que se realiza. Sou a pedra do recife e a luz do farol que vai ao encontro do barco que comigo singra os mares. Sou a fonte da vida e a força criadora e mantenedora de tudo o que existe. Na consciência e no inconsciente, diluo-me em cada uma das experiências, 30

adenáuer novaes

conectando-as à individualidade divina. Clarifico a vida e lhe atri-buo consistência para a realização de cada ser. Estou em cada experiência humana, desde o ato mais vil até as manifestações sublimes de glorificação a Deus.

Estou no veneno mais forte e no remédio mais amargo.

Carrego em mim o elixir da vida e a possibilidade de compreendê-

la. Não me tema nem se afaste de mim. Venho, na realidade, trazer-lhe um recado. Deixe que eu sussurre em seu ser a mensagem renovadora de Deus.

Represento o que há de mais sublime e superior na Criação.

Venho de Deus e preencho todo o Cosmo. Sou buscado e sentido por todas as criaturas quer queiram ou não. Impossível não me sentir ou negar-me. Estou no sim e no não. No nascimento e na morte. Principalmente, participo de todas as cores, matizes e tona-lidades possíveis. Estou nas obras de arte e na criatividade de cada artista. Preencho a Totalidade de beleza e paz. Sou a música da Vida. Estou na dança dos amantes e nas forças vivas da Natureza.

Estou no rico e no mendigo, na miséria e na abundância. Na doen-

ça e na saúde. Cada átomo me busca como a seta ao alvo. Sou emanação de Deus na direção do humano.

Permita-se me sentir com toda a sua alma e com todo o seu coração, pois sou sua possibilidade de ser feliz. Viva-me com vontade e com entrega, pois não represento qualquer ameaça à sua felicidade. Aqueles que me sentem em profundidade experi-mentam o sentido real do viver e o gosto puro da essência divina.

Muito embora nelas esteja, não me confunda com a paixão ou com a volúpia dos amantes. Meu sentido é mais abrangente.

Estou na vida de uma criança e na experiência de um adulto. Sou maduro e forte. Nem ventos, nem tempestades, abalam minha energia de esperança.

Venha sem medo e entregue-se aos meus braços de carinho e proteção. Guie-se seguro em meu ser. Torne-se um comigo e será imensamente feliz. Sou o amor, que necessita passar pela consciência humana para que se torne manifestação de Deus nela mesma. Sou o amor, em todas as formas possíveis de existir.

Felicidade frente ao inevitável

Na vida de todo ser humano ocorrem certos fenômenos psíquicos que precisam ser administrados com equilíbrio visando a própria felicidade. São inevitáveis e se constituem em formadores dos alicerces da personalidade. Trazem em si lições embuti-das que devem ser captadas para que se estruturem importantes instrumentos psíquicos de aquisição da felicidade.

Cada um deles se constitui numa espécie de arquétipo que atua em reverso favorecendo, de fora para dentro, o surgimento de novas percepções do espírito. Impulsionam a busca de superação para a conquista da felicidade.

Para que você alcance a felicidade é preciso aprender a administrar esses eventos. Eles poderão continuar a ocorrer em sua vida independente de seu estado de espírito, mesmo que você já se considere feliz. Porém, não serão mais incômodos.

1. Sentimento de tristeza decorrente da sensação de ser ou estar fora de seu verdadeiro mundo, de pertencer a outra dimensão. Esse sentimento decorre da própria condição de se estar num corpo perecível e que não acompanha a evolu-

ção da alma. Pode também ser originário da saudade de Deus, de um outro lugar que se encontra em nosso inconsciente ao qual achamos pertencer. É um sentimento de inadequação ao tempo e 32

adenáuer novaes

ao lugar onde se vive. Esse sentimento pode levar algumas pessoas à tristeza, ao choro e, às vezes, à depressão. Pode ocorrer desde a infância. É mais comum na idade adulta. Independe de se viver só ou em companhia de alguém, de se ter gerado família ou não. A administração dessa ocorrência se dá à proporção que você se sinta conectado ao Universo. Adquira a certeza de que outras pessoas também se sentem assim. Pense que existe um lugar onde há alguém que espera por você e que esse encontro será possível quando estiver feliz onde se encontre. A felicidade ainda não será lá, pois, você ainda não se encontra feliz o suficiente para merecer estar com aquela ou aquelas pessoas que lhe aguardam. Fale a alguém sobre esse sentimento.

Compartilhe o que você sente, pois, isso lhe trará alento. Quando sentir aquela sensação, lembre-se de projetar a realização de alguma transformação que deveria ser feita em você, cuja concretização tem sido difícil. Pense que você conseguirá alcançar aquele encontro na medida que proporcionar sua pró-

pria transformação. Aquele sentimento lhe permitirá conectar-se à esperança de uma outra vida onde aquela felicidade é possível. Não espere até lá. Tente realizá-la aqui e agora. Continue com a esperança, mas torne-a possível.

2. Sentimento de ser só no mundo e completamente incompreendido por ele. Isso decorre da singularidade de cada ser humano, visto que não existe ninguém exatamente igual a outrem. Cada pessoa é um ser em si e a felicidade se torna cada vez maior quando ela descobre sua natureza essencial. Esse sentimento se consolida conforme vamos percebendo que as pessoas são diferentes entre si e que elas não correspondem ao que ima-ginamos que sejam. Aos poucos, vamos verificando a diferença entre a imagem que formamos das pessoas e aquilo que elas são de fato. Isso nos isola uns dos outros. Quando nos sentimos incompreendidos é porque o sistema de valores que adotamos não é compatível com aquele que é vigente. A solidão que ocor-Felicidade sem Culpa

33

re, mesmo quando estamos fisicamente acompanhados, pode nos levar ao desespero e à fuga de nós mesmos, regulando com a busca de compensações externas para suprir o vazio por ela provocado. A solidão é inerente ao ser humano em face da sua condição de criatura. Toda pessoa almeja o encontro com seu criador, com a ‘mãe’ que a gerou. Quando você se sentir assim, sozinho em relação ao mundo, pense em tentar mostrar aos outros o quanto eles também estão sós quando se colocam distantes de Deus. Aproxime-se você do Criador e a solidão se ameniza. Sua felicidade é uma conquista pessoal, realizável no coletivo.

3. Sensação de que algo iminente e absurdo vai acontecer e que será descontrolado. Essa sensação é decorrente do medo do desconhecido e da incapacidade que temos de ter controle sobre tudo. A vida é muito mais complexa do que imagi-namos e por isso temos medo. Nossa consciência é muito limitada para entender tudo e para favorecer ao espírito uma visão mais ampla da Vida. Somos levados a restringir nossa percepção a fim de mantermos o equilíbrio psíquico. Essa sensação, conso-lidada pelos medos típicos da infância, na idade adulta se transfere para algo considerado sobrenatural. Esse evento costuma ocorrer quando as pessoas se encontram em momentos nos quais são submetidas a testes sob tensão. É nesse momento que a insegurança e a falta de um referencial mais sólido acontece. Quando nossas capacidades são submetidas à prova, sem termos a certeza de que sairemos vitoriosos, aquele sentimento ocorre. Não é possível alcançarmos a felicidade se ainda nos descontrolamos diante de tais eventos. Talvez, seja melhor pensar que tudo o que pode ocorrer com o ser humano representa uma contribuição de Deus para que ele, ao final, alcance sua felicidade. Para que possamos melhor administrar aquela sensação, precisamos não só enfrentar cada situação que nos aproxime dela como também fortalecer nossos laços de ligação com Deus. Temer o desconhecido é se tornar criança diante da vida que, por não compreendê-

34

adenáuer novaes

la, procura se esconder no colo materno. Lembre-se de que sua felicidade prescinde de saber tudo e de controlar tudo. Nada acontece ao ser humano que não seja para seu bem.

4. Desejo de revide a qualquer agressão ou sensação de que foi inferiorizado. Esse sentimento ocorre com todo ser humano em decorrência de sua raiva natural quando se sente ameaçado. Ter raiva decorre de nossa herança animal que permite o afloramento do instinto de sobrevivência atiçando a defesa diante do perigo iminente. Devolver uma agressão, seja da mesma maneira que a recebeu ou de uma forma ampliada, fisicamente ou verbalmente, é natural no ser humano. Sendo ou não agredida, qualquer pessoa quando se sente exposta a uma humilhação, mesmo que não tenha havido o propósito, tende a esboçar uma reação. Reagir é natural e necessário. Porém, é preciso aprender a reagir de uma forma que venha a concorrer para a felicidade.

Através de palavras e de sentimentos pode-se reagir sem agredir ou sem que nos sintamos superiores aos outros. As palavras devem ser colocadas, na reação, de tal forma que promovam a percepção da dignidade de quem fala; que levem o outro a aprender alguma coisa de nobre; que permitam reflexão profunda sobre o sentido da Vida. Calar-se pode ser fato gerador de mágoa ou reforçador de algum complexo. A felicidade compreende a sabedoria em responder ao que vem de fora em confronto com o que existe em nosso íntimo.

5. Desilusão e desencanto com pessoas e com o mundo. Isso decorre das exigências que mentalmente fazemos em relação ao comportamento das pessoas. Essas exigências muitas vezes decorrem da contaminação que nos permitimos submeter ao aceitar a imagem que o outro passa de si mesmo como se fosse sua real natureza. Devemos entender que cada ser humano tem o direito de mostrar o melhor de si, e nós, o dever de compreender que sua totalidade não aparece naquele momento.

Felicidade sem Culpa

35

Desiludir-se ou desencantar-se é necessário em face da ilusão e do encanto que nós mesmos criamos. A felicidade deve superar os encantos e as ilusões criadas pelo ego que não transcende a realidade material. As pessoas não são obrigadas a corresponder à imagem que dela fazemos ou que aceitamos formar em nossa mente. As pessoas são iguais a nós mesmos. Para que a felicidade não seja arranhada pelos desencantos e pelas desilusões, aprenda a esperar tudo de qualquer um. Todo ser humano, por mais ajudado que possa ter sido por você, é capaz de qualquer ato contra você. Espere o melhor do ser humano e saiba receber a parte negativa da sombra dele projetada em você. Saiba, com naturalidade, entender a ingratidão e a raiva do outro contra você, mesmo que sua posição seja de benfeitor. Do ser humano espere tudo e lhe dê amor. A felicidade é também saber receber o que vier e devolver o amor. O que você recebe é fruto do que plantou em alguma época. Não pense que seus feitos, por melhores que sejam, irão colocá-lo em regime de exceção. Os bons atos que praticamos não garantem isoladamente a gratidão das pessoas.

Cada um devolve à Vida o que estiver lhe incomodando. Precisamos aprender a buscar a felicidade sem exigir dos outros qualquer benesse para nós.

6. Descoberta real da morte antes dela ocorrer. Todos nós enfrentamos esse sentimento de mortalidade, de perda ou sensação de que iremos desaparecer. É uma sensação que exige muito da mente, a qual tende a afastá-la depressa. Não se sustenta um pensamento desse por muito tempo. Recorremos à integridade do ego que se exige imortalidade e, por isso, teme a morte. É preciso que enfrentemos tal sentimento ou descoberta, conscientes de que se trata de um fato irreversível. A morte virá nos convidar a transpor os desafios da matéria a fim de alcançarmos a plena imortalidade. O desapego e a consciência da imortalidade nos farão encarar a morte como uma passagem ou um portal que nos leva à dimensão espiritual. A felicidade é alcançada 36

adenáuer novaes

no grau em que aceitamos a mortalidade do corpo sem que isso nos deixe preocupados ou tensos diante de sua iminência. O fe-nômeno da morte é rejeitado pela consciência em face de sua necessidade de manter-se acesa, direcionando energia psíquica para coisas e fatos externos. A morte significa devolver a energia psíquica para o inconsciente, o obscuro e desconhecido território da psiquê. Isso não é admitido com facilidade pela consciência.

O hábito de mergulharmos no inconsciente, seja através da análi-se dos sonhos, pelas portas da meditação, pela imaginação ou por outros processos, nos permite aos poucos encarar a morte com mais tranqüilidade. A felicidade que desejamos se torna mais acessível na razão que conseguimos entrar em contato com o mundo subjetivo e espiritual no qual vive a psiquê.

7. Necessidade de liderar algum grupo. Ter algum tipo de responsabilidade sobre alguém é uma experiência a que todos nos submetemos, seja na família, no trabalho ou em alguma atividade de lazer. Até mesmo na própria religião que professamos somos convidados a instruir alguém, a orientar outra pessoa que se encontre em sofrimento ou na escuridão sem fé. Esse tipo de experiência nos permite perceber a noção de responsabilidade com outrem. O sentido de conduzir ou de participar do destino de alguém significa entrar em contato inconsciente com o deus que habita em nós. Exercemos nesse momento a paternidade divina latente em nosso psiquismo. No momento em que estivermos naquele exercício devemos cuidar para, não só aprender a orientar, como também a passar o melhor de nós aos outros.

8. Desejo de ter conhecimento superior sobre algum tema, demonstrando sabedoria sobre determinado assun-to. Todos enfrentamos a necessidade de demonstrar sabedoria diante de alguém no intuito inconsciente de compensar seu pró-

prio complexo de inferioridade. Nem sempre é possível refrear o impulso de demonstrar saber mais que alguém, principalmente Felicidade sem Culpa

37

quando esse alguém pretende fazer o mesmo. Aquela necessidade deve ser preenchida com o desejo sincero de realmente ter sabedoria. Isso deve impulsionar-nos a ir ininterruptamente na busca do saber. Mesmo quando alcançamos o saber que buscá-

vamos, devemos ter a noção correta do que fazer com ele a fim de não nos tornarmos soberbos e vaidosos, o que irá demonstrar exatamente o contrário, isto é, a falta de sabedoria. Diante do impulso é preciso colocar em mente a nossa real ignorância sobre a Vida e sobre o outro, para que saibamos aprender com qualquer evento no qual estejamos envolvidos.

Embora esses eventos sejam inevitáveis, pode-se perfeita-mente antevê-los e prevenir para que se aproveite ao máximo possível sua ocorrência. Nenhum de nós alcançará a ciência perfeita de todos os eventos do Universo, mas, certamente, poderemos nos preparar para que, quando atravessarmos o inevitável, o façamos com alegria, entusiasmo e felicidade.

Garantias provisórias

para a felicidade

Talvez o conceito de felicidade seja um tanto utópico para você. Pode ser que a considere algo ainda distante de sua realidade, o suficiente para tentar, por várias vezes, alcançá-la sem o conseguir. É possível que você já tenha pensado em desistir de procurá-la insistentemente; e o cansaço e as dificuldades tenham sido mais fortes fazendo com que você a achasse inatingível. Caso isso esteja acontecendo com você é melhor recomeçar a buscá-

la. Porém, de outra maneira e com uma estratégia diferente.

Algumas dicas são importantes, e é preciso que você as encare como desafios menores, pois não são difíceis de alcançar.

Se alguma delas se tornar um fardo a você, abandone-a momentaneamente até que, num outro momento, a retome. Após ter alcançado qualquer delas, é importante que você saiba manter sua conquista pelo maior tempo possível.

Em primeiro lugar, não esqueça de considerar que está em jogo sua própria felicidade e sua independência. Os méritos pela conquista serão seus.

Busque realizar um mínimo de coisas na vida. Elas podem ser pequenas, mas com certeza serão importantes conquistas e poderão vir a lhe assegurar um sentimento de felicidade. Talvez, Felicidade sem Culpa

39

não seja a felicidade plena, mas, será aquela que a condição humana, e, em especial, as suas possibilidades permitem.

Relacionei algumas conquistas que você deve buscar como metas provisórias à felicidade. Caso você já as tenha conquistado, vá adiante e se não as considerar importantes ou não as tiver experimentado, tente repeti-las como vivências preparatórias à felicidade.

1. Sentimento de pertencer a um grupo referencial.

Verifique a que grupo você se referencia. Será que é à família da qual você se originou? Será seu grupo religioso? Será seu grupo de amigos? Ou se sente ligado a um grupo que não tem qualquer vínculo com a sociedade mais próxima de você? Descubra qual o seu grupo e fortaleça seus laços com ele, no mesmo nível em que ele lhe traga efetiva felicidade. Caso o grupo ao qual você se vincula seja motivo para sua infelicidade, lembre-se de que seus laços com ele não devem ultrapassar aqueles que mantém nas relações normais que estabelece com outros grupos. Busque, então, estabelecer e manter laços com outro grupo referencial que efetivamente lhe traga a sensação de felicidade. É importante que você tenha laços fortes com algum grupo de referência. Por mais auto-suficiente que você possa ser, sua solidão genética lhe pede companhia para compartilhamento de experiências.

2. Sentimento de utilidade para a sociedade da qual faz parte. É preciso que desenvolva internamente essa consciência de que algo de útil você faz para que a sociedade se transforme. Caso você ainda não realize nada que melhore a sociedade, é necessário que inicie imediatamente. Algo de útil não quer dizer exclusivamente gratuito. Mesmo que o seu seja um trabalho re-munerado e que concorra para a melhoria da sociedade, ele deverá lhe dar a consciência de que você faz parte do grupo daqueles que não perderam o ‘trem da história’. Você é útil e trabalha para que o plano de Deus dê certo. Procure fazer algo, gratuita-40

adenáuer novaes

mente ou não, para que você seja útil à sociedade. Isso é fundamental para sua felicidade. Se você considera que o trabalho do qual faz parte é pouco, ou não concorre para a melhoria da sociedade, então é hora de engajar-se na rede de ajuda comunitária envolvendo-se em grupos que se prestam ao desenvolvimento social. Existem organizações que aceitam trabalho voluntário que necessitam de sua colaboração. Cuidado para que você não continue usando o argumento da falta de tempo. Lembre-se de que tudo em matéria de tempo é questão de prioridade e qualidade de seu uso; utilize o seu a serviço de sua felicidade.

3. Reconhecimento externo e interno do seu valor pessoal. Talvez você não se dê conta da importância de um elogio e das vezes em que ele foi importante para que mantivesse seu bom humor e sua determinação em viver. A falta dele pode levar muita gente ao derrotismo e ao desespero diante das dificuldades a enfrentar. Os pais podem se tornar poderosos impulsionadores de seus filhos sempre que lhes elogiarem sinceramente naquilo que eles têm de bom, não lhes realçando os aspectos negativos quando os mostrarem. Embora, na idade infantil, isso tenha um peso grande e decisivo para que se torne uma personalidade madura e segura, é na idade adulta que isso tem maior importância, servindo inclusive para a vida toda. Um elogio pode nos realçar a vaidade, porém, quando estamos maduros, pode nos levar a ganhar mais confiança em nós mesmos.

Talvez não seja mais possível receber elogios dos pais. Se assim é, então você deverá ser seu próprio impulsionador. Se nada há em você que mereça elogios, então faça por merecer. Cultive uma personalidade digna de elogios e se ninguém os fizer, nem você deve esperá-los, faça-os a si próprio. Quando você encontrar reais motivos para elogiar-se, tenha certeza de que virá o reconhecimento externo. Sua felicidade passa pela existência destes dois tipos de reconhecimento, o externo e o interno. É claro que você não deve realizar as coisas em busca des-Felicidade sem Culpa

41

se reconhecimento. Ele virá naturalmente, tão logo você a ele faça jus. Ser feliz é também fazer coisas que nos tragam a certeza de algum valor pessoal; valor que agregue à personalidade a consciência de dever cumprido e a contribuição para a harmonia no grupo e na sociedade dos quais fazemos parte.

4. Realização de metas sociais mínimas de seu grupo referencial. Metas sociais são realizações coletivas que contri-buem para o equilíbrio social, a manutenção do progresso e a melhoria da sociedade. Isso significa que você deve pertencer a um grupo familiar ou outro que lhe seja referencial e que ele deve ter certa importância na evolução da sociedade. Seu grupo deve ter algum tipo de significado social. No caso de ser um grupo religioso seu problema já está resolvido, visto que, toda religião concorre para o bem estar social. Quando é um grupo político, é preciso se ter certeza de seus objetivos sociais através de meios lícitos. Caso seja sua própria família, verifique se seus membros, em conjunto, possuem valores nobres e desempenham um papel social positivo. Pergunte-se qual a importância social de seu grupo referencial. A resposta deverá preencher os requisitos que são exigidos para que um grupo seja valorizado socialmente. Sua felicidade recebe então a contribuição mínima pelo fato de você pertencer a tal grupo. É pouco, mas lhe confere algum grau de satisfação.

5. Realização de tendências arquetípicas básicas. As tendências arquetípicas básicas são desejos naturais de todo ser humano enquanto ser social. Algumas pessoas podem já ter satisfeito essas tendências básicas por algum mecanismo inconsciente ou por ter educado suas aspirações, mesmo assim elas já fizeram parte de sua vida consciente em alguma época. São elas: relacionar-se com alguém, ter um filho, possuir algum bem material em seu próprio nome, saber suas origens familiares, dirigir sua própria vida, além de querer ser uma personalidade resolvida em 42

adenáuer novaes

algum sentido. Elas, quando satisfeitas, conferem ao ser humano um certo grau de satisfação que o faz sentir-se feliz. São tendências de tal forma enraizadas em nossa psiquê que nos permitem, ao satisfazê-las, acreditar que alcançamos a felicidade. Essa felicidade não é de forma nenhuma contrária àquela que se deve alcançar de modo pleno. Ela é apenas um ensaio. Mesmo assim expresse sua felicidade ao atingir essa etapa.

6. Mínima estabilidade financeira necessária à manutenção de sua própria subsistência. O alcance dessa meta é relativamente difícil. Não só pela dificuldade em se estabelecer um horizonte nítido e estável de renda financeira como também pelas difíceis condições de estabilidade de emprego e até de consegui-lo. Algumas pessoas que alcançam tal estabilidade acreditam ter chegado a um certo grau de felicidade. Isso deve ser considerado apenas como um patamar, pois não se pode ser feliz estando-se na miséria e sem que sejam satisfeitas condições mínimas de subsistência. Um salário digno é fundamental para que se tenha alguma segurança, a fim de se utilizar a mente com criatividade e disponível para que se almeje crescer espiritualmente.

Buscar melhores salários e ter alguns recursos financeiros torna-se importante, pois, isso faz parte do sistema social no qual nos estruturamos. Enquanto o próprio sistema social não favoreça, ser capaz de pagar suas contas de moradia, alimentação, educa-

ção, transporte, comunicação e lazer torna-se fundamental para que se alcance a felicidade. Buscar essa condição, portanto, é importante e deve ser visto como uma garantia provisória à felicidade. A pobreza, como condição para o crescimento espiritual, não condiz com um Universo preenchido de estrelas e com uma Natureza pródiga à disposição do ser humano. O contrário, po-rém, também não garantirá a felicidade. O mínimo necessário é fundamental, pois, não só assegura a tranqüilidade pessoal como contribui para a produtividade social a serviço do próprio indiví-

duo. Coloque sua felicidade condicionada ao atingimento das Felicidade sem Culpa

43

mínimas garantias, estabelecendo um patamar adequado. Verifique se seu patamar não está aquém de suas necessidades ou possibilidades. Estabeleça um mínimo pessoal, sem exigir que seja igual ao de outrem. O que você conseguir a mais que isso sempre deverá significar responsabilidade ao dispor do que lhe sobra.

7. Realização mínima e coerente de seus próprios instintos sem submergir a eles. Chamo de instintos as necessidades de alimentar-se, ‘fazer amor’, apaixonar-se, utilizar sua raiva,

‘sair do sério’, dentre outros. Nossa natureza animal é mais intensa que a intelectual. Nossos instintos costumam predominar sobre nossa capacidade racional e isso não constitui risco à evolução, pois eles são guias primordiais para ela. A questão é que, nem sempre, sabemos lidar com eles. A eles nos submetemos ou, en-tão, os tolhemos com prejuízo psíquico incalculável. Precisamos saber utilizá-los adequadamente colocando-os a serviço de nossa felicidade. A rígida repressão a eles, ou sua liberação inconseqüente, têm sido motivos para uma série de desequilíbrios psicológicos. Quando permitimos que esses instintos se coloquem à frente da razão, e isso não raro acontece, abrigamos a culpa por força da idéia de que eles são prejudiciais. A consciência de que eles são guias importantes, e sua utilização adequada e com moderação, pode representar a possibilidade de se sentir aliviado da tensão imposta pelos costumes e hábitos rígidos. A felicidade não é uma fantasia nem um êxtase místico transcendente, acessível apenas a alguns poucos. É, ao contrário, uma possibilidade do ser humano simples que a constrói a partir dos pequenos atos da própria vida. A vida humana é um feliz encontro do espírito com a matéria e esta não deve ser minimizada. Na vida, precisamos aprender a lidar com nossos instintos, colocando-os no lugar que a evolução lhes reservou, isto é, na base de nossos pensamentos e atos.

8. Liderar algum grupo tendo-o, em algum momento, sob sua responsabilidade. Somos convidados a exercitar o 44

adenáuer novaes

comando de alguma situação inevitável. Já coloquei que todos passamos em algum grau por essa experiência. Caso você ainda não tenha passado, experimente preparar-se adequadamente, para quando chegar a hora, vivê-la intensamente, retirando o maior proveito possível. Caso você tenha medo de fazê-lo, lembre-se de que a fuga adia sua conquista e a torna cada vez mais difícil.

Experimente tomar sob sua responsabilidade a condução de algum processo no qual você esteja envolvido. Não pense em insucesso e, mesmo que ele ocorra, será um aprendizado a você.

Lembre-se de que só se aprende a fazer algo depois de repetidas experiências de erro e acerto. Na vida devemos aprender com os acertos, com os exemplos de outros e com os próprios erros.

Não se intimide com a reação contrária ao seu propósito. Vá firme e suavemente conduzindo o que lhe parece ser importante.

Sua felicidade passa por saber dirigir a própria vida. É dessa forma, conduzindo processos menores, que você se capacita a conduzir a própria felicidade.

Os medos que

impedem a felicidade