Feng Shui - O Caminho do Meio por Tien Pin - Versão HTML

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Faca chinesa

Empunhadura

Região das costas

da faca

Região da lâmina

Fio

Figura 1

Figura 2

A ilustração deixa muito clara a forte associação visual entre os dois elementos e, por conseguinte, a estreita associação conotativa entre forma e conceito. Baseado nisso, o Feng Shui aconselha evitar prédios com esse formato. Não havendo como evitar, não se devem escolher unidades

situadas na região da “lâmina”, pois é uma região que conota disposição guerreira e produz situações conflituosas entre os moradores. O fluxo

aéreo adentra “cortado”, arriscando-se a deixar de fora as potencialidades positivas. A região das “costas da faca” irá concentrar energias mais pa-cíficas e organizadas. Se a área do apartamento se dispõe sobre as duas regiões, convém implantar a sala de estar ou a área de serviços na região da lâmina, nunca cozinhas ou dormitórios. A agressividade latente compromete de forma irremediável as forças voltadas à prosperidade e ao

descanso. Numa situação posta, não havendo nenhuma outra saída, con-

vém adotar-se uma forte medida saneadora, mediante a instalação de um

espelho de forma octogonal (a forma do Pa-Kua) na parede frontal ao “fio da lâmina”. O espelho tem a função de “puxar” visualmente a região crí-

tica, deslocando-a para o centro e anulando seu efeito cortante (Figura 3).

Além do espelho, a parede que forma o fio da lâmina deve dispor de vasos com plantas e, no teto, deve ser colocado um “sino de vento” centralizado, para resguardar o fluxo respiratório e atrair energias expansivas.

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Janela

Dormitório

Outras

LÂMINA

dependências

DA

LADO

Janela

Dormitório

... Figura 3

A forma

Pelo que já foi visto, fica patente a extrema importância que os chineses em geral, e o Feng Shui, em particular, atribuem à forma. A forma nunca é aleatória. De ação inconsciente ou subliminar, é sempre um meio de comunicação, uma linguagem. A teoria aconselha atenção permanente para o significado das mensagens. Acatá-las significa integrar-se ao Todo.

Figura 4

A teoria Feng Shui atribui a propriedade da perfeição às formas regulares, por princípio epistemológico. Assim, o quadrado, o retângulo reto e o círculo são manifestações perfeitas da integridade formal, iconograficamente perfeitas. A forma do Pa-Kua, que contém as três formas, é a simbolização da máxima perfeição. É perfeição em expansão.

As formas em L, T e H são formas críticas por produzirem figuras recessivas, que conotam o sentido da perda. Por isso, o especialista deve combinar elementos atenuantes visando recuperar a simetria e as proporções.

...

O objetivo é alcançar sempre o equilíbrio.

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Houve um projeto, implantado em princípios de 1990, de um

complexo comercial-financeiro muito luxuoso, em Cingapura. A

despeito da oposição generalizada dos especialistas em Feng Shui, os incorporadores insistiram na manutenção do traçado inicial, na forma de um caixão (Figura 5).

Figura 5

A restrição dos especialistas baseava-se na constatação de que a forma geral do projeto associava-se cosmicamente à noção de morte. Conotava decadência e morbidez. Os arquitetos e incorporadores, por sua vez, a consideravam um exemplo arrojado de interação entre forças tensionadas e linhas positivas. Achavam que traduzia uma idéia de agressividade empresarial e tocaram avante o projeto.

Já na fase das fundações, os problemas começaram a surgir: deslizamentos, desa-bamentos, alagamentos e incêndios foram se sucedendo durante todo o transcorrer do cronograma, causando várias vítimas fatais. Mesmo depois de acabado e ocupado, o local todo parecia concentrar uma estranha energia maléfica que de-primia e espantava tanto os proprietários, quanto os freqüentadores do complexo. A situação foi entrando em processo de decadência irreversível, até fechar. O

Grande Complexo Comercial é, hoje, uma cidade-fantasma, completamente abandonada. Um enorme investimento foi lá enterrado e não há a menor condição de ser recuperado.

Esse é um bom exemplo da utilidade da tradução iconográfica como instrumento auxiliar na assessoria de projetos. As formas expressam mensagens que

não devem ser desprezadas, sob pena de prejuízos de alta monta.

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5. Influências desfavoráveis

e a ação Feng Shui

A ocupação e o uso de edificações nas cidades, sejam apartamentos

sejam casas, incorporam problemas diversos causados por fatores exter-

nos, de natureza urbana, que influenciam o bom desempenho do conjunto.

A teoria Feng Shui deve ser levada em conta, porque uma ação externa

perniciosa pode corromper todo o fluxo respiratório de um sistema, levando ao bloqueio total de suas qualidades expansivas. A seguir, alguns dos problemas mais freqüentes.

Espelho

A

Rua X

Rua Y

Figura 1

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1. A Figura 1 ilustra um caso bastante comum de situação urbana. A Rua Y avança diretamente na direção do centro da casa A. É uma transversal da Rua X, que passa ao largo da edificação.

A Rua Y produz uma disposição agressiva em relação à edificação,

como se fosse invadi-la e trespassá-la. O Feng Shui a denomina “efeito seta”. As conseqüências desse tipo de situação podem ser desastrosas para os moradores da residência (ou escritório), pois o “efeito seta” conjuga as características nocivas do “efeito cortante” e do “efeito tubo”, simultaneamente. É altamente invasiva, agredindo violentamente a harmonia do

conjunto. A Rua Y configura-se numa permanente ameaça à integridade

do conjunto, destruindo seu fluxo respiratório e canalizando para seu

interior uma quantidade enorme de cargas maléficas. Provoca problemas

crônicos de saúde, crises de depressão, prejuízos financeiros e conflitos internos entre os ocupantes.

A primeira providência, segundo a teoria, é a de anular o “efeito seta”

por meio da “contra-seta” ou “escudo luminoso”. Deve ser colocado um

grande espelho na fachada da edificação, dirigido frontalmente à Rua Y, devolvendo a seta por via de reflexão. O espelho, afora sua característica Yang, atua nesse caso como elemento defensivo. Havendo possibili-

dade, também devem ser plantadas árvores em linha no passeio externo

ou no jardim do conjunto, proporcionando uma “muralha visual” contra

o elemento agressivo (Figura 2). A edificação deve ser dotada de refletores potentes que produzam fachos noturnos. Um catavento no telhado é,

também, elemento muito eficaz na defesa da harmonia interna e do equi-

líbrio respiratório, revertendo em benefícios aos ocupantes.

Espelho

Árvores no

passeio

Figura 2

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2. Casas ou prédios com a frente ou o fundo arrematando uma via sem

saída levam a uma situação análoga ao caso anterior (Figura 1). O “efei-to seta” se faz presente, agravado pela disposição iconográfica de “fim do caminho”. Os ventos entram através do tubo e chocam-se violentamente com os conjuntos, provocando sufocação respiratória e compressão. A situação ameaçadora será permanente e perniciosa se não forem adotadas todas as providências recomendadas no item anterior.

3. Locais situados em vias de movimentação intensa, com tráfego inter-

mitente de veículos leves e pesados, são muito pouco indicados para construir, pelo acúmulo de entidades recessivas e bloqueadoras. O fluxo aéreo é desordenado e as energias, conflitantes. Para atenuá-las, o especialista deve trabalhar com muita vegetação, árvores pequenas e tanques d’água

com a finalidade de captar a máxima energia positiva possível. O cata-

vento é um dos recursos mais eficientes para eliminar seus malefícios.

Um exemplo: um eminente teórico chinês em Feng Shui foi convida-

do a fazer uma análise da disposição espacial da sede do governo

norte-americano, a Casa Branca, sob o aspecto da teoria. A situação corresponde à Figura 3. Sua análise foi a seguinte:

Rua 16

Parque

Lafayette

Casa

Branca

Figura 3

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A disposição do Capitólio é, em geral, favorável, pois possui bosques, ruas circundantes tranqüilas e arborizadas. É certo existir harmonia natural, pela profusão de pássaros e animais de estimação, todos bem cuidados e de muito boa aparência. A forma da edificação, em si, traduz simetria e regularidade, transmitindo uma idéia visual de imponência e poder. Existe, entretanto, um problema muito grave. A Rua 16, a dois quarteirões de distância, está produzindo um

efeito seta dirigido ao centro do conjunto. Ou seja, há uma flecha permanentemente apontada para o centro de decisões da nação. Isso representa um risco inaceitável, porque significa uma ameaça não só à figura do presidente, mas também aos seus familiares, seu IJ=BB e a todo o povo norte-americano, em última instância. Sua tendência é a de causar cisões profundas no seio da equipe presi-dencial, abalando sua coesão, dificultar o relacionamento do chefe do governo com as lideranças parlamentares e, mesmo, com líderes de outras nações. É uma situação potencialmente maléfica, que deve ser conjurada com a máxima urgência, porque coloca em risco o país e, por conseguinte, a paz mundial.

Eu recomendaria, como medida de correção, a construção de uma grande

fonte circular, dotada de um potente chafariz, bem no centro do Parque Lafayette, interceptando e dissolvendo o efeito seta da Rua 16. Mais ainda, sugiro a instalação de um catavento na parte mais alta da cúpula do edifício, com a seta fixada na direção da Rua 16. O presidente certamente vetaria a instalação de um espelho na fachada principal da Casa Branca, mas a colocação de algum elemento reflexivo, uma pequena escultura em aço, por exemplo, seria o toque final nessa combinação de elementos catalisadores de boas energias. Os bosques e as plantas já existentes completariam o arsenal defensivo, barrando por completo as entidades ameaçadoras.

O resultado seria benéfico ao mundo todo.

E o mundo anseia, esperançoso, que o presidente abra seu espírito e

sua mente à sabedoria Feng Shui, expressão do Tao.

4. Retornando a um tema já tratado, o qual nunca é demais repetir: a proximidade a igrejas, hospitais, cemitérios, prisões, necrotérios, matadouros ou quaisquer outros sistemas que se associam à morbidez, engendra

uma situação incontornável de depressão respiratória e baixa qualidade energética. Igrejas e templos religiosos, em geral, são edificações de ca-ráter grandiloqüente: suas torres projetadas e pontudas absorvem as ener-47

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gias benéficas circundantes e as dissipam. Construções ligadas a atividades mórbidas produzem alta concentração de energias maléficas e aca-

bam por contaminar depressivamente todo o meio circundante. A teoria

é favorável, inclusive, a que todas as edificações com essas características sejam removidas para regiões periféricas, de fácil acesso, mas afastadas, em locais intensamente arborizados. São conjuntos que devem ser retirados do convívio com as demais atividades urbanas.

Enquanto isso não ocorre, o especialista em Feng Shui deve enfrentá-

los e atenuá-los com o uso dos elementos corretivos de que dispõe. Há

empresas em Hong Kong especializadas na execução de serviços de fe-

chamentos de vãos (portas ou janelas), redirecionando as aberturas para direções fora da influência negativa. É uma amostra clara do que representa, para a população chinesa, a presença de vizinhos desse quilate.

Uma das medidas mais eficazes, no entanto, é de uma simplicidade

verdadeiramente Tao. O Feng Shui recomenda a mobilização de toda a

vizinhança no sentido de juntar forças e recursos no plantio massivo de árvores em alas, nas calçadas, a fim de erguer um verdadeiro anteparo

visual que serve à proteção comum. O “isolamento” do elemento crítico

por uma barreira viva dilui as energias maléficas, recompõe o fluxo respiratório próprio a cada edificação e promove melhorias na captação de forças favoráveis. Representa a produção da vida para enfrentar a presen-

ça da morte. É a eterna renovação Tao.

5. Ocupantes de edificações próximas a prédios muito altos tendem a

sofrer com o fenômeno da compressão ambiental. Assim como monta-

nhas produzem massas aéreas compressivas na região do sopé (Figura 4), edifícios de muita altura também o fazem em relação aos conjuntos localizados nas suas imediações. Comprimem o fluxo respiratório e lhes drenam a maior parte, senão toda, a energia positiva disponível (Figura 5).

Montanha

Figura 4

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Figura 5

O dono de um cinema de Taipé encontrava-se exatamente na

situação do sopé. Seu estabelecimento situava-se bem ao lado

de um enorme arranha-céu. A freqüência de espectadores era baixíssima e o negócio estava em franca decadência. Foi aconselhado por um especialista em Feng Shui a colocar um espelho no telhado de seu cinema, de modo a absorver e devolver a imagem do edifício vizinho. Ao providenciar o elemento corretivo, ele proporcionou um alívio imediato no estado respiratório de seu estabelecimento, pois o espelho diluiu a massa compressiva que estava esmagando sua expansão. Os espectadores voltaram e, atualmente, seu cinema é um dos mais concorridos na cidade. Espelhos ou mesmo tanques dágua, instalados nas coberturas de edificações mais baixas que as vizinhas, produzem um efeito defensivo, além de garantir a boa qualidade energética. São igualmente

eficazes contra compressões verticais ou laterais.

6. Apartamentos situados em prédios desnivelados produzem igualmente

uma situação negativa (Figura 6).

Figura 6

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A disposição geral cria um efeito de concavidade. A sensação visual

é a de que um edifício está afundando, em relação ao outro. Sua respi-

ração torna-se inferiorizada, causando a diminuição da qualidade ener-

gética.

Há um violinista de Hong Kong chamado sr. Ling que, ao mudar-se

para um novo apartamento, sentiu mudar toda a sua vida. Foi dispen-

sado subitamente da orquestra em que tocava, começou a passar por dificuldades financeiras e, conseqüentemente, foi abandonado pelos amigos. Restou-lhe apenas um amigo fiel que, por acaso, era estudioso das técnicas de Feng Shui. Esse amigo, ao lhe fazer uma visita, ficou espantado com a situação de seu apartamento: o sr.

Ling morava no 2º pavimento, mas através da janela da sala notava-se que esse pavimento estava em nível inferior ao andar térreo de um prédio vizinho, situado num ponto mais elevado da rua. O amigo saiu imediatamente, voltando com um espelho em forma de Pa-Kua com a moldura pintada em vermelho: pendurou o espelho num dos cantos da janela da sala, fazendo com que refletisse para fora e de volta a imagem do prédio vizinho. Não satisfeito, tirou do bolso um pequeno sino de vento e o fixou no teto, próximo à janela. Os elementos integraram-se maravilhosamente e os resultados vieram com rapidez. Um mês depois, o sr. Ling integrou-se a uma famosa filarmônica. Hoje, ele excursiona pelo mundo todo e

é, também, um ardoroso divulgador da teoria Feng Shui.

7. Edificações vizinhas devem manter uma relação de simetria entre si, a fim de produzir uma integração equilibrada. Construções dispostas de

forma assimétrica provocam uma imagem visual desordenada e confusa.

Estado de desordem, para a teoria, é a perda do Tao. A noção de conjuntos integrados se rompe e vizinhos passam a ser oponentes. As quinas das paredes passam a exercer “efeitos” cortantes contra a edificação em frente, provocando conflitos e discussões. Já se registraram muitos casos de rompimento violento entre vizinhos, outrora amigos, devido ao posicionamento desalinhado de suas residências (Figura 7).

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Figura 7

É uma situação passível de correção, mediante a adoção de alguns

cuidados Feng Shui. É preciso colocar um espelho numa das janelas da

qual se possa ver a edificação em conflito. O espelho deve ser posicionado de forma oblíqua, que permita refletir sua imagem para uma direção afastada. No telhado, deve ser instalada uma seta metálica, ou algum objeto em ponta, apontada diretamente para a quina que estiver exercendo o

“efeito cortante”. Dessa maneira, obtém-se a retificação visual e respiratória necessárias ao convívio harmonioso.

8. A proporcionalidade entre conjuntos é, também, um fator muito importante ao convívio pacífico. Duas edificações vizinhas, em que uma seja de tamanho significativamente maior que outra, produzem também um

desequilíbrio na visualização, levando à absorção das energias benéficas por parte do conjunto maior, além do efeito compressivo que se faz presente (Figura 8).

Figura 8

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A teoria Feng Shui recomenda corrigir essas situações mediante o

plantio de uma série de árvores, em fila, entre as duas edificações, para prover o conjunto menor de uma proteção visual, de modo a preservar sua qualidade respiratória. As árvores devem estar mais próximas do conjunto menor que deve ter, também, uma bandeira vermelha (que pode ser simplesmente uma tira de algum tipo de tecido) ou um catavento no topo do telhado.

As árvores em linha constituem-se uma excelente forma de defesa

visual e devem ser utilizadas sem medo em qualquer situação de amea-

ça, desordem ou compressão. Além disso, são excelentes como catalisa-

doras de potencialidade Yang. O único cuidado é o de manter um afas-

tamento mínimo de paredes ou muros, por ocasião do seu plantio.

9. Da mesma forma, conjuntos localizados próximos a escolas, depósitos, indústrias ou galpões de grande porte, devem ser dotados de árvores como elemento atenuador da compressão respiratória (Figura 9).

ESCOLA

Figura 9

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... O postulado fundamental

Este capítulo colocou alguns casos mais comuns de desequilíbrio espacial e disposição conflitante gerados pelo mau planejamento urbano. Existe, além dessas, uma infinidade de situações produtoras de entidades maléficas, agressivas ou bloqueadoras. É necessário proceder ao exame consciente dos problemas, tomados caso a caso e segundo as referências teóricas do Feng Shui, para introduzir elementos de caráter atenuante e corretivo. Árvores, tecido vermelho, espelhos, chafarizes, espelhos dágua, cataventos, sinos de vento e muitos outros são elementos extremamente benéficos como proteção e captação, desde que utilizados de modo criterioso e consciente.

Mas o postulado fundamental da teoria determina que nenhuma ação atenuante terá efeito se o resultado de seu uso causar danos a terceiros. Na introdução de uma medida se deve ter o máximo de precaução em evitar danos aos demais.

Por exemplo, o espelho, ao refletir e eliminar uma deformação, não pode, sob nenhuma hipótese, atirá-la contra algum vizinho próximo, pois isso iria lhe transferir o malefício. Feng Shui é intervenção harmonizadora, não deve ser aplicado com intenções agressivas ou nefastas. É um instrumento muito poderoso e seu uso distorcido ou mal-intencionado representa a violação do Tao. Os efeitos malé-

...

ficos terminariam voltando-se contra seu próprio promotor.

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6. Feng Shui e a forma

Tem sido insistentemente enfatizada, no decorrer de todo este livro, a extrema importância com que o Feng Shui encara a noção de harmonia.

Harmonia no sentido espacial, orgânico, espiritual e formal. A forma,

expressão concreta da espiritualidade, deve refletir a complementaridade interna/externa e o equilíbrio das tendências contrárias. A uma força contrapõe-se outra, não segundo a concepção cartesiana de causa e efeito, mas na visão totalizadora da simultaneidade. A expansão deve corresponder à retração, a impetuosidade à contenção, a verticalidade à horizon-talidade, o solar ao lunar, o frescor ao calor.

O formato do terreno e a localização da edificação têm a função pre-

cípua de refletir a visão Tao. Nesse sentido, o Feng Shui enumera algumas formulações básicas.

Antes disso, entretanto, é preciso mencionar as condições genéricas,

estreitamente ligadas a concepções metafísicas da interação formal.

Feng Shui é a disposição de elaborar a análise integral, do universal

ao particular. Seu foco de interesse passa por um processo de particularização gradual, abordando aspectos geográficos e climáticos, a inter-re-lação água e vento, a região em si, o terreno, a edificação, os cômodos internos e os jardins, até chegar à importância de um mínimo objeto decorativo. Tudo está ligado indissoluvelmente à emergência do Total. Uma ilustração desse conceito é a da pedra atirada no centro de um lago. Causará uma sucessão de ondas circulares e concêntricas que irão propagar-se até as margens. Cada onda é interligada à anterior e à posterior e sua ocorrência simultânea denota a concretização da convergência e da diver-54

gência. Assim é a teoria. São análises e especulações concêntricas que caminham do abrangente ao detalhista e fazem o caminho inverso.

Existem, por isso, inúmeros níveis de preocupação na etapa de esco-

lha do terreno propriamente dito. É nesse momento que a teoria desmem-

bra-se numa infinidade de questões parciais. Como exemplificação das

mais relevantes podemos citar:

A rua

Da vizinhança (região) à rua, a teoria circunscreve mais detalhada-

mente seus focos de interesse. Sobre a interação da edificação com os

fatores externos, o Feng Shui tem as seguintes recomendações:

1. Havendo possibilidade, evitar situações como as da Figura 1. As duas construções estão desalinhadas frontalmente: a construção da frente tem a quina da fachada direcionada ao meio da fachada da edificação em

questão que, por sua vez, tem também uma quina apontada na direção da

fachada da frente. Esse posicionamento estabelece uma situação que Feng Shui denomina “potencial cortante”. As quinas produzem a idéia visual

e sensorial de lâminas prontas a “cortar” a edificação da frente. Lâminas, na concepção Feng Shui, guardam uma conotação profundamente agressiva e edificações sujeitas a seu efeito estão sob ameaça permanente. A característica Yang de expansão não se realiza porque está visualmente seccionada, e a característica Ying do repouso também não se realiza

porque está sob ameaça. Os ocupantes das duas construções sofrerão os

efeitos da confusão instaurada sob forma de doenças crônicas e quadro

psíquico de permanente sobressalto.

Não havendo como contornar tal problema, o Feng Shui recomenda

a adoção de dois procedimentos atenuadores: em primeiro lugar, a intro-dução, no jardim, de uma densa folhagem, de modo a impedir ao máxi-

mo a visão da quina, da parte interna da casa. Em segundo lugar, a instalação na fachada, ou no portão, de um grande espelho direcionado dire-

tamente à quina, para devolver o efeito cortante e anulá-lo. São providências simples e pouco dispendiosas, mas serão extremamente importantes

para prover a edificação de um anteparo e bloquear os efeitos nocivos do

“potencial cortante”.

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Figura 1

2. Evitar fazer edificações num terreno cercado de arranha-céus. Numa

situação análoga à construção em vales, ocorrerá o bloqueio da energia de expansão e a respiração será comprimida pela imensa massa vertical (à

semelhança de um bate-estacas). Todas as chances de crescimento e su-

cesso estarão sob o efeito de esmagamento. Os ocupantes da edificação

sofrerão acessos de apatia, desânimo e depressão mental.

Essa situação também pode ser atenuada. Os jardins devem dispor de

tanques (espelhos d’água) nas partes frontal e posterior. A água atuará como espelho natural, para refletir a amplidão do céu e atrair as energias Yang. Dessa forma, a ação opressiva da carga Ying será diluída e as áreas de expansão ampliadas. A expansão espacial pode ser também ampliada

com a instalação de espelhos múltiplos, plantas e arranjos ornamentais.

Plantas e árvores são altamente benéficas, por reintroduzir elementos

naturais e vivos num meio predominantemente artificial, reabilitando a respiração sadia da edificação.

3. O alinhamento superior não deve destacar-se para cima ou para baixo, em relação aos telhados vizinhos. Ou seja, a altura final da edificação deve estar numa altura equivalente à altura das edificações vizinhas. O alinhamento produz sensação de homogeneidade horizontal, o que proporciona,

por sua vez, harmonização espiritual. Os telhados não devem ficar mui-

to próximos uns dos outros, para não engendrarem o efeito invasivo e

conflituoso que pode levar a disputas entre vizinhos e atos de mútua agressividade.

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4. Evitar, se possível, fazer edificações ao lado de terrenos baldios ou casas abandonadas. À parte os problemas óbvios de saúde, como bacté-

rias, ratos, insetos etc., a atmosfera desses locais tem a respiração comprometida pelo não-uso e pela não-interação, o que contribui para exacerbar o aspecto Ying. Fazer edificações ao lado dessa “atmosfera” traz o risco do “contágio”. Não se estabelecerá uma troca sadia de respirações e o excesso Ying tem a tendência de sugar o lado Yang da edificação,

rompendo o equilíbrio essencial.

A única solução para esses casos é proceder a uma limpeza geral e

profunda do terreno ao lado; no caso de ser um terreno baldio, gramá-lo e mantê-lo devidamente limpo, verde e viçoso. Se for uma casa abandonada, é preciso limpá-la, pintá-la e mantê-la em boas condições. Evidentemente tais procedimentos acarretam um custo maior à obra em si, mas

os benefícios serão compensadores e reverterão em vantagens futuras para os ocupantes da edificação.

5. Sempre que possível, afastar-se de locais próximos a viadutos, pontes ou elevados. A velocidade dos veículos em trânsito absorve as energias construtivas de boa parte da vizinhança; a agressividade dos motores, a explosão e a pressa latente dos motoristas descarregam inquietação espiritual aos conjuntos situados ao redor; a poluição gerada pela queima de combustíveis compromete a saúde dos seres que habitam o meio circundante: tudo isso forma locais propícios à manifestação de doenças respiratórias, alérgicas e de fundo nervoso.

Alguns tipos de atenuante como vegetação intensa, vedações de en-

tradas, espelhos ou arranjos decorativos, podem ser introduzidos, mas

haverá pouca resposta favorável. O desequilíbrio externo é por demais

marcante e o mais sensato, segundo o Feng Shui, é descartar definitivamente tais localidades para construir ou reformar.

6. A prática do Feng Shui desaconselha projetos em locais muito próxi-

mos a templos, igrejas, hospitais, matadouros, necrotérios e prisões. Os motivos são evidentes: são localidades de intensa concentração Ying,

devido à prática de atividades ligadas ao lado sombrio do espírito (aná-

logas aos fatores mencionados no item 4, p. 47); a exacerbação das energias Ying provoca desequilíbrio conjuntural, levando à convivência ins-tável de todos os elementos envolvidos no meio.

Nessas situações, na construção ou na reforma, o projeto deve prever

muito ajardinamento (concentração maciça de vegetação), muita água,

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chafarizes e cores vivas, para acirrar as energias Yang (quanto mais, melhor). Além disso, é boa prática a colocação de Pa-Kuas em todos os ambientes internos da casa, como artifício para afastar energias nefastas. É

a presença simbólica do Tao como foco de iluminação e purificação.

O jardim

O Feng Shui entende por jardim todas as partes de um terreno sem

construções na frente, atrás, nas laterais ou internas. A teoria manifesta carinho especial pelos jardins porque estes fazem a integração inicial entre edificação e rua, algo como um estágio intermediário, para purificação e descompressão. Esse elemento do conjunto absorve e reflete as características formadoras da “personalidade integral do organismo”. Numa analogia com o corpo humano, os jardins seriam as peças e os acessórios

(vestuário, brincos, maquiagem, calçados etc.), enfatizando as poten-

cialidades Yang, pois seu caráter é solar, livre e expansivo.

1. Árvores são excelentes como componentes respiratórios e harmoni-

zadores. Mas, no seu plantio, deve-se observar cuidadosamente o bom

senso quanto às proporções: árvores grandes em áreas grandes, árvores

pequenas em áreas menores. A árvore é um elemento sui generis porque condensa em si as propriedades Ying/Yang e, por isso, pode ser extremamente benéfica ou extremamente maléfica ao conjunto; mas não será

nunca neutra, indiferente. A seleção adequada da árvore é um fator mui-to importante.

O Feng Shui desaconselha a colocação de árvores grandes e fron-

dosas muito próximas à edificação. Causam projeção acentuada de som-

bra e frescor, transferindo as potencialidades Yang para além das copas.

As raízes consomem energia subterrânea e umidade, deslocando o eixo

central do equilíbrio energético, e a folhagem absorve parte importante dos elementos essenciais à atividade respiratória, ocasionando problemas físicos a todo o conjunto.

Próximo à edificação, portanto, recomenda-se o plantio de árvores de

porte médio a pequeno, de caule fino, raízes pouco expansivas e copa dispersa, a fim de permitir insolação e evitar umidade. Não devem ser postadas de modo a bloquear a visão do nascente, nem do poente, porque a

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luz solar “recarrega” a edificação com as energias Yang, e o pôr-do-sol é a contrapartida Ying dessa “recarga”. A atividade e o repouso devem atingir o conjunto sem obstáculos. O Ying e o Yang vão se integrar em per-

feita harmonia.

2. Pedras decorativas (preferencialmente lisas, redondas e de cores claras) são elementos muito úteis para compor uma personalidade positiva

e devem ser utilizadas sem receio. O prático de Feng Shui terá apenas a preocupação de compô-las de forma a não permitir desorganização e exagero: pedras de grande porte, pesadas, devem ser colocadas no fundo da edificação, pois sua presença na parte anterior, especialmente se dificultar o trajeto para a porta de entrada, trará perspectivas de mau relacionamento entre pais e filhos que ocupam a edificação. Pedras grandes e de aparência pesada atraem energias Ying e são adequadas à parte dos fundos, pois coadunam-se com o caráter finalizador do elemento; atrairão

também os resíduos nocivos da respiração do conjunto, eliminados pela

parte posterior da edificação.

3. Arranjos vegetais, florais, água, árvores e pedras devem, portanto, ser introduzidos com muita sensibilidade, para manter suas características atenuadoras e intermediadoras. Sua correta disposição e combinação refletirá a sabedoria estrutural do conjunto. Colaborarão com a integração coletiva e assumirão a feição simbólica do Tao, harmonizando os ventos, a respiração, a iluminação e a intercomplementaridade das energias Ying e Yang. Servirão de barreira aos mal-intencionados, de um aceno de boas-vindas aos que se aproximarem com o coração leve e de apaziguadores

aos que chegam inquietos ou melancólicos.

... Natureza e natural

A elaboração da teoria Feng Shui, orientada segundo a dialética Tao, entende Natureza e Natural de forma bastante distinta da concepção naturista ocidental. A Natureza, no Feng Shui, não é parte predominante e não necessita de proteção especial. Estamos longe aqui da idealização do bon sauvage de Rousseau.

A cosmologia Tao não tem ligação nenhuma com as políticas espontaneístas e regressivas inerentes à prática ecossocial das organizações ocidentais de defesa ambiental.

Na concepção Feng Shui, o homem é. Isso significa que o ser humano é também elemento essencial e fundamental da manifestação do Todo. Homem, aqui, entendido como ação, criação, intervenção e realização. Sábios da antiguidade sempre 59

conceberam a impossibilidade de se admitir certas manifestações da natureza de per si, ou seja, não se pode conceber a existência autônoma e independente das cores sem a mediação e a conceitualização que o homem realiza por meio da faculdade sensorial da visão. Da mesma maneira, o aroma do mais perfumado cânhamo não se manifesta objetivamente senão mediante a ação decisiva do homem, no caso, com o uso do olfato; e assim por diante. O homem sente; depois de sentir, conceitua; depois de conceituar, verbaliza; depois de verbalizar, transmite. O ser humano é, por conseguinte, sujeito e objeto simultâneo das manifestações do Todo e o Todo só se manifesta e se realiza plenamente mediante a ação/interação do homem/natureza. O cósmico conjuga todos os seres e todas as ocorrências num mesmo pulsar, na respiração única composta dos infinitos respirar.

A teoria Feng Shui não tem, portanto, qualquer preconceito contra a obra humana. Ao contrário, encoraja calorosamente a introdução de elemento, frutos do engenho técnico e da pesquisa apurada. Longe de guardar quaisquer prevenções contra produtos industrializados, sintetizados, elaborados e sofisticados, inclina-se a aplaudi-los prazerosamente como a concretização da ação do homem na totalidade cósmica. A teoria não admite a camuflagem nem a adoção de artifícios ilusórios, como se o homem se envergonhasse de suas realizações e invenções. Do contrário, o Tao só aceitaria o homem naturista, o bon sauvage que habitava cavernas e se alimentava de vermes. A teoria Feng Shui acolhe o progresso e, por isso, valoriza igualmente o concreto armado e o barro; o aço e a madeira; o alumínio e a terracota; o vidro e o bambu. Não há heresias, porque tudo está incorporado ao Todo universal.

O praticante ou interessado em Feng Shui não raciocina segundo padrões regressivos. Não é divulgador obsessivo e saudosista de elementos tidos naturais, não faz projetos com materiais primitivos em detrimento de produtos transformados tecnologicamente, não esconde os sinais de sua ação. Seu projeto é apoiado nos grandes princípios da sensibilidade, da integração e da harmonia. O Tao será realizado tanto num casebre de pau-a-pique quanto num edifício de aço e concreto.

...

O acessório não prevalece sobre o essencial e a essência é o Tao.

60

index-63_1.png

7. A forma do terreno e a

disposição da edificação

As formas ideais de terrenos, segundo o Feng Shui, são as regulares:

quadrado, retângulo e círculo. O problema é que o ideal é cada vez mais difícil de ser encontrado. A alta vertiginosa dos preços, nas grandes concentrações urbanas, a especulação imobiliária, as oportunidades, as indicações, a proximidade a escolas e locais de trabalho, a ocupação irregular de lotes e a urbanização desenfreada submetem, na maior parte das

vezes, o construtor ou o proprietário a trabalhar dentro de limitações muito longe das ideais.

O especialista em Feng Shui é, nesse aspecto, figura-chave para acon-

selhamento na implantação e no projeto de edificações, principalmente

quando se trabalha com lotes de formato irregular, e também na reforma de construções já existentes. Propostas corretivas devem ser introduzidas na fase inicial de um projeto, possibilitando a eliminação de problemas futuros – além dos custos que supõe a intervenção posterior em projetos

mal-encaminhados.

A seguir, uma exposição ilustrativa dos casos mais comuns quanto a

forma do terreno, locação da edificação e problemas mais graves.

1) Lote quadrado

Formato considerado muito bom, o ideal. Os quatro lados iguais re-

presentam homogeneidade, proporcionalidade e regularidade (as quatro

estações, os quatro pontos cardeais etc.). Para a manutenção das vanta-61

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gens advindas dessas qualidades, o Feng Shui re-

comenda a implantação centralizada da edi-

ficação em relação ao terreno e, de preferência,

também na forma de um quadrado perfeito (Figu-

ra 1). Isso resultará na manutenção da harmonia

total do conjunto.

O deslocamento para qualquer um dos lados

Figura 1

implica uma situação de desequilíbrio, podendo

trazer conseqüências danosas aos futuros ocupan-

tes da edificação, sensações de desconforto e conflitos interpessoais. Caso ocorra esse problema, o especialista utilizará fachos luminosos como

recurso corretivo: três holofotes, um em cada extremidade da porção

maior do terreno e dirigidos à fachada, para a parte superior, e dois holofotes, um em cada extremidade da porção menor, dirigidos às quinas da

edificação (Figura 2). Os holofotes devem ser colocados no nível do solo e direcionados para a parte superior.

Figura 2 - Posicionamento dos holofotes em edificações não-centralizadas Essa medida vai estabelecer a correção visual do deslocamento, restabelecendo o equilíbrio, de modo a possibilitar a captação das energias construtivas que devem fluir ao redor do conjunto. Os fachos luminosos, entidades fortemente Yang, exercem uma força “virtual” com tendência

a “puxar” ou “empurrar” a edificação para a posição centralizada. Esse é o princípio da teoria: o caminho do centro.

62

index-65_1.png

index-65_2.png

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2) Lote retangular

O retângulo reto (lados opostos iguais e ângu-

los internos retos) também é considerado uma

excelente pré-condição formal (Figura 3). Incor-

pora homogeneidade e harmonia interna: ao lado

menor sucede-se um maior, que se transforma em

outro menor e fecha-se em outro maior. O ciclo é

regular e a respiração circula harmoniosamente.

A edificação, seguindo as mesmas orientações do

item anterior, e pelos mesmos motivos, deve es-

Figura 3

tar centralizada e sua forma repetir a forma do ter-

reno: o conjunto se mantém coeso e reafirmado:

obtemos o equilíbrio.

Caso haja deslocamento, os procedimentos devem ser corresponden-

tes aos adotados no item anterior, utilizando o sistema triangular de fachos luminosos.

3) Lote circular

Potenciais catalisadores de riqueza e fartura segundo o imaginário

chinês, as formas circulares simbolizam a per-

feição total. De conotação muito forte, repre-

sentam as idéias de complementação e

integração. Lotes nesse formato são extrema-

mente raros, geralmente projetados em lotea-

mentos e reservados para uso dos proprietários,

seus familiares ou amigos íntimos.

A edificação deve ser inteiramente centra-

Figura 4

lizada em relação ao lote (Figura 4). Em plan-

ta, o conjunto assume a forma da antiga moeda chinesa (Yuan). Habitar

no Yuan significa conviver diariamente com a fortuna (dinheiro e sorte).

4) Lote em meia-lua

Essa forma também é bastante apreci-

ada, por produzir sensação visual de regu-

laridade. A curva fecha-se e envolve a edi-

ficação, representando aceitação e prote-

ção. A fim de manter e acentuar essa im-

pressão, o Feng Shui recomenda implantar

sempre a edificação com a frente voltada

Figura 5

para a parte reta do terreno e, o fundo, para

63

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a parte curva mais próxima à curva e mais afastada da reta (Figura 5), produzindo a sensação visual de que a edificação se incorpora ao abraço.

Outra proposta Feng Shui é a de plantar árvores nas extremidades fron-

tais do terreno, de forma a atenuar os “bicos” e produzir áreas sombreadas. A sombra é Ying e acentua o caráter repousante do conjunto.

5) Lote trapezoidal

Lotes irregulares, de acordo com a teoria Feng Shui, são pouco acon-

selháveis a projetos de construção. Não permitem um bom fluxo respira-

tório e os ângulos agudos produzem energias Ying por serem fechados.

No caso de ser inevitável trabalhar com lotes

nessa conformação, o especialista recomen-

da uma medida fundamental para não com-

prometer as etapas subseqüentes: a parte

frontal do conjunto deve estar voltada para a

parte estreita do trapézio. O terreno deve fun-

Figura 6

cionar visualmente como um “funil” inverti-

do. Em vez de coletar indiscriminadamente

todos os elementos externos para depois realizar a triagem, selecionam-se as energias que penetram para, depois, distribuí-las generosamente a todo o interior. O estreitamento da parte frontal simboliza a exigência. O

conjunto não admite a intrusão de energias dispersas ou descontroladas (Figura 6).

O lado maior (base maior do trapézio) deve ser dotado de vegetação,

árvores, espelhos d’água, elementos que componham um “jardim”. Essa

providência é importante para atenuar a desproporção, impedindo a dis-

sipação das energias favoráveis, além de proporcionar o contraponto Ying para o excesso de área ensolarada, escoando e regulando o caminho dos

ventos.

A edificação deve ser posicionada absolutamente centralizada, como

em todos os casos anteriores, porque a teoria Feng Shui adota sempre o princípio da proporcionalidade.

6) Lote triangular

O especialista adota as mesmas providências referentes ao lote ante-

rior: a frente deve estar voltada para um dos vértices e, o fundo, paralelo a uma das bases (base oposta). O conjunto conota a abertura para dentro e o “abraço”, uma das bases conceituais mais caras à filosofia chinesa.

Transmite a idéia de fartura para os ocupantes e generosidade da nature-64

index-67_1.png

za. O contrário transmite mesquinhez e ausência

de perspectivas.

A introdução de elementos externos (jardim)

deve obedecer, também, aos critérios expostos

no item anterior (Figura 6).

Há, ainda, uma extensa variedade de formas,

mas os casos expostos são os mais comuns e já

proporcionam uma fundamentação que permite

Figura 7

orientar a prática do Feng Shui no processo da

intervenção. São os grandes princípios que o especialista adaptará segundo os casos específicos e de acordo com sua sensibilidade espiritual.

A forma em “L”

É aconselhável, pela variedade de casos específicos, a assessoria do

teórico de Feng Shui desde a fase inicial do projeto. Em casos de loteamento de grandes áreas, o aconselhamento especializado é de fundamen-

tal importância porque proporá, já de saída, as diretrizes mais convenientes à divisão dos lotes, permitindo o bom encaminhamento seqüencial do empreendimento.

A seguir, apresentamos um caso particular, bastante freqüente, de um

tipo de lote no qual a ação Feng Shui se faz extremamente necessária.

Os lotes em forma de “L” merecem um destaque especial porque, à

parte serem bastante comuns em loteamentos de alto nível (lotes à beira-mar ou em regiões rurais), têm na sociedade urbana ocidental um status particular. Refletem uma identificação com riqueza e modernidade que

traz, no entanto, toda uma gama de problemas ligados à forma.

A forma em “L” é, em si, uma forma extremamente negativa na con-

cepção formal chinesa. Um “L” é um quadrado que perdeu uma parte

(Figura 8). É representação de um elemento regular sendo devorado por

uma força invasiva. A sensação que produz é a de que, progressivamen-

te, todo o conjunto será “engolido”.

Esse formato simboliza a convergência negativa (figura côncava): o

Ying devora o Yang. Produz uma substanciação de ausência e pode refletir de modo maléfico no conjunto e aos seus ocupantes.

65

index-68_1.jpg

index-68_2.png

Frente

Fundo

Figura 8

Não havendo possibilidades de descartar o empreendimento, é impor-

tante tomar medidas corretivas, atenuando o lado negativo e propiciando uma finalização adequada.

A teoria Feng Shui recomenda, nesses casos, a implantação da edifi-

cação no sentido diagonal ao terreno (Figura 8). A frente da edificação deve voltar-se ao vértice da desarmonia: no caso, os lados menores do

“L”. Esse posicionamento permite a representação visual do desafio. A

construção “enfrenta” o desequilíbrio. Os fundos devem voltar-se para o vértice regular, conotando a pacificação após o combate, a defesa do equilíbrio e da proporção. Deve-se manter, entretanto, uma distância mínima de 20 palmos entre a frente da edificação e o vértice do conflito. Essa posição proporciona a passagem dos ventos transversais e a renovação das energias novas. Ao mesmo tempo, indica uma distância de atenção e vigilância, representando o respeito às entidades negativas. À frente, recobrindo todo o vértice e as laterais menores do “L”, é aconselhável a colocação de uma vegetação densa, que servirá de barreira viva às forças agressivas, proporcionando também os elementos condutores do fluxo

respiratório. A vegetação tem, ainda, a conotação corretiva como elemen-to que estabiliza e empurra as forças sombrias e devoradoras. Os fundos devem ser dotados de árvores e folhagens, para equilibrar o conjunto.

66

index-69_1.png

8. A forma da edificação em

residências e escritórios

Este capítulo aborda a ação da forma na edificação em si e sua influ-

ência em conjurar potencialidades favoráveis ao desenvolvimento dos seres humanos que com ela interagem. O prático de Feng Shui será con-

vocado muitas vezes a colocar seus conhecimentos em imóveis já exis-

tentes. Há muitos casos em que projeto e execução desconsideram total-

mente a integração adequada ao meio, à harmonia interna e às forças

atuantes num conjunto; noções, enfim, que vimos enfatizando desde o

início deste livro. Grande parte dos profissionais envolvidos com arquitetura e engenharia dos centros urbanos tinham, e têm ainda, a preocupa-

ção exclusiva de “instalar” o homem dentro de um invólucro. Essa inten-

ção serve mais aos propósitos das grandes corporações imobiliárias do

que propriamente ao ser humano que irá consumir e usufruir seu produ-

to. As moradias nas grandes cidades não são mais que clones multiplicados ad infinitum de um mesmo projeto. E o mais preocupante é que esse projeto é conceitualmente pobre, visando apenas a rapidez e a economia na execução, com atrativos desnecessários e ilusórios, que prevêem facilidade de comercialização e nenhum respeito às forças essenciais do universo natural. Não leva em consideração as necessidades fundamentais do espírito humano, não se importa de agredir e violentar o meio circundante e colabora decisivamente para a produção dessa multidão de “zumbis”

robotizados, apáticos e desiludidos, completamente alienados de uma

parcela essencial do seu viver: a habitação, a integração do conjunto.

Há, no entanto, espíritos lúcidos que reagem contra essa situação.

Solicita-se, por isso, cada vez mais a colaboração dos teóricos de Feng 67

Shui. Para exemplificar, seguem-se alguns dos casos mais comuns em que se exige a intervenção da teoria na tarefa de atenuar características inerentes a formas inadequadas de construção. Nesta parte do livro, serão abor-dados exclusivamente os imóveis destinados a uso residencial ou para

pequenos escritórios. Posteriormente trataremos das edificações comer-

ciais, industriais e públicas.

1) Construção em forma de “L”

Os mesmos conceitos relativos à forma dos lotes (conforme capí-

tulo anterior) aplicam-se integralmente na análise e na eventual corre-

ção de problemas advindos da forma da edificação. A questão principal

é que a esse formato associou-se uma conotação de sofisticação, de

acordo com os padrões ocidentais, ao passo que o Feng Shui o encara

como uma forma incompleta, inflexível e retraída. Simboliza a indeci-

são, atraindo as forças Ying para todo o conjunto. Utilizar-se dessa forma de construção como residência pode ocasionar comportamento in-

seguro e, conseqüentemente, hostilidade por parte dos espíritos em

formação, ou seja, a desestruturação psicológica das crianças e dos adolescentes sujeitos à sua ação.

O Feng Shui propõe algumas medidas atenuadoras para uma constru-

ção desse tipo. Em primeiro lugar, é preciso introduzir elementos de intermediação no espaço não preenchido pela forma, isto é, trabalhar como que para completar um quadrilátero imaginário, tomando-se o “L” como

base (Figura 1). Esses elementos podem ser folhagens, um chafariz ou

tanque d’água; preferencialmente iluminados por um facho de luz posto

no vértice oposto do quadrilátero imaginário. Essa providência, que pode parecer simples ou ingênua ao imaginário ocidental, tem uma transcendência profunda na apreensão do Tao metafísico: significa preencher o

vazio, dotá-lo de um sentido essencial sem, no entanto, descaracterizá-lo na sua essência primeira que é ser o vazio; o vazio que dá forma, o vazio que atua, o vazio que dá função à forma. O que antes era um espaço de-socupado e inútil passa a ser, mediante a intervenção Feng Shui, um jardim, um catalisador das energias Yang, e integra-se, com isso, ao conjunto, de forma orgânica e harmoniosa. Absorve e reflete o Tao.

Outra medida muito importante é quanto à direção da edificação. A

parte frontal deve estar voltada para o jardim. A porta e as janelas principais devem ficar de frente para a entrada do “L”. Essa disposição representa o enfrentamento direto às falhas, face a face. Da entrada para den-68

index-71_1.png

tro, o equilíbrio se estabelece, retoma-se a harmonia. Na parede em frente da porta principal de entrada deve ser colocado um espelho de modo a

refletir a figura de quem entra por ela. Espelhos são, como já se mencionou, elementos fortemente Yang, e sua função aí é a de expandir a espacialidade interna, refletir e aumentar a luminosidade e liberar forças positivas para todos os que adentram a residência (Figura 2). Os dormitórios devem situar-se no setor oposto ao da entrada, isto é, devem manter-se o mais afastados possível da porta de entrada. Dormitórios possuem seu

próprio ritmo respiratório e suas energias não devem se misturar em demasia com as trazidas do exterior. Dessa forma, além de evitar a pulverização das energias Ying, fundamentais ao descanso e à reserva, organi-za-se a interação interna dos elementos do conjunto, tirando-se o máxi-mo proveito das qualidades inerentes a cada um (Figura 3).

Dormitório

Janela

Dormitório

Entrada

Cozinha

Sala

.ECKH=

.ECKH=

2) Construção em forma de “U”

Essa forma tem também muito prestígio entre as classes mais abas-

tadas, por sugerir idéia de grandiosidade e nobreza ao universo imaginário ocidental. Associada a mansões vitorianas e imperiais, a forma foi pos-teriormente transplantada para os bairros aristocráticos de cidades ricas dos Estados Unidos e mansões sulistas dos magnatas rurais, e inferia, de modo quase automático, a figura de um mordomo a atender à porta.

Para o Feng Shui, no entanto, essa forma é em si (como a forma em

“L”) incompleta; conota retração e medo, que repercutem no recuo físi-

co da entrada. O fluxo respiratório é altamente deficiente, porque os ventos precisam adentrar um vão antes de penetrar na edificação propria-

69

index-72_1.png

mente dita e, depois, executar um movimento de recuo para alcançar os

cômodos dianteiros. Todos esses trajetos causam a confusão interna, o

desequilíbrio do Tchi e o enfraquecimento das forças de impulso, levan-do a distúrbios de relacionamento, sentimento de solidão e abandono por parte dos usuários da moradia.

A

B

.ECKH=!

O Feng Shui propõe, como solução atenuante, o plantio de arbustos

altos (acima de 1,20 m) ou espessa folhagem nos dois cantos externos da entrada principal (Figura 3), com o objetivo de retificar visualmente o re-corte e suprir a proporcionalidade perdida com o acréscimo de elemen-

tos Yang por natureza.

O interior deve ser provido também de muitas plantas e os cômodos

laterais e frontais (A e B) devem ter espelhos nas paredes laterais de modo a permitir a expansão Yang e o acréscimo de luminosidade.

Os dormitórios devem situar-se, também, o mais distante possível da

porta (ou portas) de entrada principal, pelas mesmas razões expostas no item anterior.

3) Construção em forma de “T”

Essa forma é particularmente interessante porque, conforme o uso

que se faz da haste vertical do “T”, pode constituir-se um elemento bené-

fico ou maléfico ao conjunto.

Quando a haste tem, unicamente, a finalidade de servir de entrada, a

forma será recessiva, pois transmite uma idéia de recuo total da constru-

ção em relação às energias circundantes. Indica fraqueza de caráter e falta de audácia. Nesse caso, a forma é prejudicial e deve ser alvo de procedimentos corretivos (Figura 4).

70

index-73_1.png

index-73_2.png

.ECKH="

Mas se, eventualmente, as hastes verticais forem utilizadas como

parte da divisão espacial interna, servindo por exemplo como hall, formarão uma figura cheia, regular e equilibrada em planta baixa, a forma terá conotação altamente positiva porque incorpora a alternativa, a coragem de enfrentar e promover mudanças e a criatividade. Passa a ser um elemento expansivo e dinâmico. A intervenção Feng Shui se fará, então, no sentido de ordenar corretamente as entradas, as ventilações e a disposi-

ção interna, conforme veremos adiante (Figura 5).

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Havendo necessidade de enfrentar o primeiro caso (forma desfavo-

rável), o especialista de Feng Shui recomenda a introdução imprescindível de elementos intermediadores (jardins de arbustos ou folhagens) nos dois lados da haste em saliência. Isso significa “retificar” e proporcionalizar 71

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visualmente a edificação, prover a fachada problemática de uma intensa carga Yang e atrair os elementos positivos da atividade respiratória. Espelhos nas duas paredes laterais da entrada são também muito úteis para a expansão espacial e luminosa. Esses elementos irão sanear a situação maléfica e reintroduzir o equilíbrio interno.

Quanto à distribuição espacial, a orientação é a mesma que a dos de-

mais itens.

Forma côncava e forma convexa

Conceituação segundo o Feng Shui

As formas côncava e convexa em edificações (adotando-se sempre a

vista em planta baixa) são complementares e integram, segundo o pensa-

mento metafísico chinês, uma das manifestações do Tao uno. A represen-

tação Ying/Yang admite duas figuras que contêm, simultaneamente, o

côncavo e o convexo. A concavidade produz convexidade e vice-versa

(Figuras 6, 7 e 8).

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.ECKH=%

.ECKH=&

Essa noção tem significados diversos e abrange áreas variadas e dis-

tintas do conhecimento humano. Em estética, por exemplo, relaciona-se

ao conceito “forma/fundo”; em metafísica, ao cósmico/terreno, céu/ter-

ra; na física, ao positivo/negativo, ativo/passivo; no misticismo, ao bem/

mal, paraíso/inferno, ou seja, o pensamento especulativo do homem sem-

pre concebeu a idéia de que, tanto na natureza fenomenológica, quanto na esotérica, existe uma contraposição de forças, perene e simultânea. O Tao conduz essa noção ao patamar transcendental limite, isto é, a concepção Ying/Yang no Tao sintetiza e engloba todas as teorias, descarta a idéia 72

cartesiana de causa e efeito e afirma a manifestação do Um no Todo. Um acontecimento é, ao mesmo tempo, um não-acontecimento; só se alcan-

ça o ser mediante o não-ser; a não-função produz função e a afirmação da plenitude é o vazio. A construção ilustra com muita clareza a essência do Tao. Por que uma construção se torna moradia? Justamente porque possui espaços vazios. São, portanto, os vazios que determinam a função

habitar e suas múltiplas possibilidades. Uma construção maciça, sem

vazios internos, pode servir a qualquer outra função, só não poderá ser moradia. Do mesmo modo, uma casa sem divisões internas que exerçam

uma ordenação orgânica dos vazios também não será moradia. Essa é a

essência Tao, a síntese do universal.

O Feng Shui, como instrumento de intervenção prática, tem um ex-

tremo cuidado na articulação das formas. A apreciação das características de côncavo e do convexo não se dá numa postura maniqueísta ou

dualista, mas dialética. Há setores da vida humana em que a forma cônca-va tem efeitos altamente favoráveis e há setores em que a forma conve-

xa é fundamental. Na formação bélica, por exemplo, os estrategistas de primeira classe operam sempre numa disposição côncava. O côncavo,

nesse caso, reflete defensivismo ilusório, astúcia tática e tendência a cercar o inimigo, sufocá-lo. Os pais amorosos têm, também, a disposição ao côncavo, numa conotação de compreensão, aceitação e maleabilidade; e

assim por diante. Em edificações, entretanto, a teoria Feng Shui encara formas côncavas como entidades extremamente negativas e aconselha a

utilização apenas das formas convexas. O côncavo conota retração e per-da; o convexo, expansão e ganho.

O especialista, portanto, opta sempre que possível pelas formas regu-

lares e convexas. Somente em casos em que não há possibilidade de es-

colha, dadas as condições geográficas ou financeiras, trabalhará com a no-

ção da concavidade, sempre introduzindo elementos atenuadores e cor-

retivos, como veremos mais adiante.

Formas favoráveis a projetos

Apresentamos, a seguir, uma série de exemplos de edificação, segun-

do a forma (em planta baixa).

São de natureza convexa, portanto expansivas, e apresentam vanta-

gens consideráveis na captação e concentração de forças benéficas para 73

index-76_1.png

index-76_2.png

todo o conjunto. Permitem um bom fluxo respiratório e atraem as ener-

gias Yang, fundamentais ao crescimento e desenvolvimento sadios.

Para efeito de simplificação, a forma virá com detalhamento quanto

à posição ideal da frente, fundo e porta principal de entrada, que são muito importantes.

.ECKH='

.ECKH=

As Figuras 9 e 10 representam construções equilibradas e perfeitas

nas proporções. A Figura 10, especificamente, reproduz um oval, e é recomendável que a parte mais larga do oval seja utilizada para a frente e para o fundo, instalando-se, conseqüentemente, a porta de entrada no centro da parte mais larga. Vista externamente, e de frente, a casa transmite amplitude, largueza de perspectivas e generosidade. Recomenda-se também a colocação de árvores e folhagens nos quatro lados da edificação, a fim de produzir um conjunto harmônico quanto ao fluxo respiratório.

A Figura 11 é a ideal, pelas razões

já mencionadas no capítulo acerca das

formas de terrenos. A circularidade é

perfeita e o fluxo aéreo homogêneo.

Apenas como um “toque” a mais, com

vista à perfeição do conjunto, pode-se

introduzir um arranjo de folhagens e

uma pequena árvore ao redor da

edificação. O conjunto reproduzirá a

forma visual do Pa-Kua, a representa-

ção gráfica do I-Ching, a simbolização

.ECKH=

esotérica do Tao.

74

index-77_1.png

index-77_2.png

index-77_3.png

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A Figura 12 reproduz a forma do quadrado ou

do retângulo, regular, com uma projeção convexa.

À parte as qualidades inerentes a essas formas, tal

projeção induz à sensação de expansão espiritual

e material. É como se a fartura material e as ener-

gias internas estivessem numa situação tão favo-

rável que pudessem se expandir concretamente de

dentro para fora. A expressão “não caber em si” é

bastante adequada a esses casos. Essa forma é o

exemplo da convexidade clássica e contém todos

.ECKH=

os ingredientes favoráveis ao desenvolvimento fa-

miliar e financeiro dos ocupantes da residên-

cia ou escritório.

A Figura 13 é a duplicação e a reafir-

mação da figura anterior. É, portanto, du-

plamente benéfica e o Feng Shui recomenda

seu uso, sempre que houver possibilidade.

A Figura 14 mostra uma forma

expansiva em todos os seus aspectos:

quatro quadrados se liberando de um

.ECKH=!

quadrado central. É a multiplicação da for-

ma e a ênfase da proporcionalidade. As quatro

projeções devem ser utilizadas para ambientes ín-

timos, como dormitórios, cozinha ou sala íntima.

Representam a perspectiva de felicidade matri-

monial, a fertilidade, o progresso cultural e o pres-

tígio social.

Para acentuar as qualidades positivas da for-

ma, aconselha-se a implantação de jardins nos

quatro lados da

.ECKH="

edificação, nos espa-

ços entre as proje-

A

B

ções. Isso favorece a regularidade respirató-

ria e a captação de energias Yang por igual.

A Figura 15 é a representação iconográ-

fica do convexo. A projeção para a frente, de

toda uma parede, insinua espírito audacioso e

capacidade de expansão. A parte curva deve

.ECKH=#

75

index-78_1.png

index-78_2.png

ser adotada como frente (lado Yang da residência). O conjunto demons-

tra a disposição em distribuir sabedoria e felicidade para todo o meio exterior.

Os dormitórios e as alas íntimas devem situar-se na parte dos fundos,

junto ao lado reto (ambientes “A” e “B”, na figura), pois essa disposição espacial representa a retomada do equilíbrio Ying/Yang, indispensável ao repouso, à meditação, à contenção e ao descanso. Expansão exagerada

pode provocar euforia e inconseqüência, levando à superexcitação e im-

prudência.

A Figura 16 mostra uma forma passível

de variadas interpretações. As inclinações

cósmicas são dadas pela adoção e pela loca-

ção consciente da frente, isto é, da porta de

entrada principal.

A forma em “T” foi abordada no capítu-

lo anterior, quanto à sua peculiaridade, poden-

do tanto ser favorável, quanto desfavorável.

Na ocasião, nos ativemos à sua característica

negativa (a haste como guarnição da entrada)

e aos procedimentos corretivos. Agora, anali-

.ECKH=$

samos suas potencialidades benéficas.

Para a forma assumir um caráter favorá-

vel ao conjunto, a haste vertical deve ser utilizada como parte integrante da organização espacial interna, sob a forma de cômodos e ambientes.

Nesses casos, o caminho dos ventos e as ações integradas do Ying e do

Yang irão orientar o direcionamento das forças em prol do conforto e do sucesso dos ocupantes da moradia ou

escritório. Como foi dito anteriormen-

te, o posicionamento da entrada é

determinante.

Entrada em A

A

Acentua o espírito de arrojo e ou-

sadia, condições necessárias ao suces-

so financeiro. Disposição recomenda-

da para residência de empresários e

comerciantes em geral. Suas caracte-

rísticas positivas podem ser acentua-

.ECKH=%

76

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index-79_2.png

index-79_3.png

das pela introdução de jardins nas duas laterais da haste, como recurso para aumentar a oxigenação e atrair energias expansivas (Figura 17).

Entrada em B

Projeção à direita, do ponto de vista

frontal. O lado direito simboliza os filhos.

A ênfase ao lado direito significa a priori-

zação dos interesses paternos. O sentido da

abertura da porta, igualmente à direita, re-

afirma a importância dada na disposição es-

pacial. Posição recomendada a casais jo-

B

vens, dinâmicos, com filhos pequenos ou

adolescentes (Figura 18).

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Entrada em C

Projeção à esquerda, abertura da porta

também para a esquerda. Designa inconfor-

mismo, alterações de rota e novas disposições

perante a vida. A posição indica a ênfase à

interiorização, o que abrange também a vida

íntima e o erotismo. A felicidade conjugal, a

realização sexual, a harmonia doméstica e o

C

reencontro consigo mesmo estão intrinseca-

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mente associados a essa posição. Perfeita

para recém-casados, casais de terceira idade ou pessoas que passaram por alguma provação espiritual (Figura 19).

Entrada em D

Acesso frontal a energias, amplidão espacial,

largueza espiritual. Indica disposição aos riscos e

flexibilidade mental para enfrentar situações inu-

sitadas. Ideal para artistas e políticos, essa forma

e posição admite a entrada maciça de todas as for-

ças externas, absorvendo-as, selecionando-as e ar-

mazenando-as numa concentração final. Fama e

poder são para poucos; saber selecionar as in-

D

fluências e os apoios é fundamental (Figura 20).

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index-80_2.png

A Figura 21 mostra uma forma

expandindo-se em uma direção, que deve

ser adotada como a parte de trás, o fundo

da edificação. Segundo o Feng Shui,

numa forma irregular, seja terreno seja

construção, a parte mais estreita deve ser

sempre a parte frontal. A projeção para as

duas extremidades da parte posterior

conota acumulação criteriosa, reservas

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para o futuro, tanto no aspecto pessoal,

quanto familiar. A forma é muito boa para uso de famílias com filhos, pois reflete união interna, sucesso financeiro e harmonia de objetivos.

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A Figura 22 tem um significado quase divinatório: os chineses a de-

nominam “escada ascendente”, ou relâmpago. Transmite uma conotação

de extrema audácia, intensa criatividade e ilimitados recursos para alcan-

çar quaisquer objetivos. Uma das maiores fábricas de computadores da

Califórnia tem seus escritórios administrativos edificados segundo esse formato, a conselho de um especialista de Feng Shui. É a forma ideal

também para agências de publicidade, empresas de moda, relações públi-

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cas, comércio exterior ou comitês políticos. O fluxo dos ventos é

seqüencial, contínuo e sempre renovado. Sugere o eterno renovar da respiração cósmica, a inesgotabilidade de recursos e o encadeamento de

todos os acontecimentos.

O Feng Shui recomenda ainda: quanto mais seções (degraus) tiver a

construção, maior será a potencialidade embutida e latente. Entre as se-

ções, alinhados a elas, é de muita utilidade a introdução de jardins, espelhos d’água e árvores: são elementos ordenadores do fluxo respiratório que colaboram decisivamente na captação e na distribuição de energias

Yang a todo o conjunto.

Formas desfavoráveis a projetos

Neste capítulo apresentamos alguns casos de edificação de natureza

côncava, que implicam retração e perda. São formas que devem ser evi-

tadas e descartadas num projeto, pois acarretam uma série de eventos bloqueadores e confusos diante do meio natural e influem negativamente no bom funcionamento do conjunto.

Se o especialista tiver, necessariamente, de lidar com formas cônca-

vas, terá de aplicar seus conhecimentos com muita sensibilidade Tao, no objetivo de resguardar a edificação das entidades maléficas, reordenar os espaços negativos (vedando portas e janelas, se houver necessidade) e

acentuar as forças Yang para atenuar o predomínio Ying, que já vem in-

corporado à forma.

Fundo

Frente

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A Figura 23 mostra uma forma hexagonal irregular. O hexágono não

é, propriamente, um forma negativa em si: sendo regular (seis lados

iguais), constitui-se uma forma bastante favorável, embora a tendência visual, o projetar-se para todas as direções, indique certo caráter de dispersão desnecessária de energias. Produz uma sensação de hiperatividade pouco objetiva (muitas forças contrárias terminam por se anular umas às outras). Mas, com medidas corretivas adequadas, que disciplinem a forma e os ventos, o teórico de Feng Shui obtém resultados excepcionais.

O problema é quando o hexágono se mostra irregular, conforme a

figura. Insinua-se, então, a idéia de um processo compressivo, de acha-tamento. É como se a construção estivesse sujeita à ação insuportável de forças externas laterais, cuja tendência fosse um fechamento. A respira-

ção interna fica comprometida e os ocupantes podem adquirir sintomas

de claustrofobia, falta de ar e perda de referência espacial.