Fenomenologia das experiências mediúnicas, perfil e psicopatologia de médiuns espíritas por Alexander Moreira de Almeida - Versão HTML

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Alexander Moreira de Almeida

Fenomenologia das experiências

mediúnicas, perfil e psicopatologia de

médiuns espíritas

Tese apresentada ao Departamento de Psiquiatria

da Faculdade de Medicina da Universidade de São

Paulo para obtenção do título de Doutor em

Ciências

Área de Concentração: Psiquiatria

Orientador: Prof. Dr. Francisco Lotufo Neto

São Paulo

2004

ii

iii

Agradecimentos

À vida. A concepção e execução desta tese só foram possíveis graças

às inúmeras circunstâncias favoráveis que me têm ocorrido. Agradeço a

ventura de usufruir uma vida pródiga de ensejos inspiradores e de reais

amigos que me têm ajudado a despertar o que de melhor há em mim. Os

ensinamentos, oportunidades e confiança com que tenho sido agraciado por

tantas almas amigas permitem-me parafrasear Isaac Newton e afirmar que

“se pude ver mais longe, foi por estar apoiado em ombros de gigantes”, entre eles:

Os meus pais, Hélio e Elizabeth, e irmãos, Anderson e Tatiana, aos

quais devo minhas bases existenciais, muito afeto recebido e um estímulo

constante ao meu aprimoramento ético e científico.

Os primos Gustavo Couto (médico), Eldo Couto e Márcio Couto

(biólogos) que nas inúmeras e inesquecíveis férias no interior de Minas

Gerais durante minha infância e adolescência pacientemente sanavam e

estimulavam minhas intérminas dúvidas sobre o funcionamento do mundo e

dos seres vivos.

O amigo-irmão e arquiteto Klaus C. Alberto, um inestimável

companheiro de jornada que realizou o trabalho de criação da capa desta

tese.

Os mestres do Colégio Theorema, por terem me fomentado o prazer do

estudo sistemático e inquiridor.

Os amigos Dimas Matos, Cosme Massi e Sílvio Chibeni que me

despertaram o interesse pelo constante e rigoroso questionamento filosófico

e científico.

Os mestres de minha graduação na Universidade Federal de Juiz de

Fora, em especial aos Professores Júlio F. Chebli, Ângela M. Gollner,

Ricardo R. Bastos, Josemar P. Guimarães, André Stroppa e Marcus G.

Bastos que muito me ajudaram nos meus primeiros e vacilantes passos da

formação acadêmica e iniciação científica.

iv

A Profª Drª Alexandrina Meleiro, que me ensinou o ofício psiquiátrico e

uma postura profissional ética e humana, pelas parcerias em realizações de

congressos e artigos, bem como por ter me “adotado” desde os meus

primeiros momentos em São Paulo.

O meu orientador, Prof. Dr. Francisco Lotufo Neto, que, com sua

humildade, ética e um espírito aberto realmente científico, tem oferecido

oportunidades e orientado com grande rigor acadêmico pesquisas que

buscam ampliar nossos horizontes. Muito obrigado pelo constante estímulo e

irrestrita confiança que tem sempre depositado sobre mim, o que me deixa

honrado e me enche de responsabilidade.

Os amigos pesquisadores do NEPER: Jorge Amaro, Frederico C. Leão,

Manoel Simão, Júlio Peres, Vivian Albuquerque, Franklin Ribeiro, Sérgio

Rigonatti e Rodolfo Puttini. Juntos, aceitamos o desafio de investigar com

grande severidade científica as obscuras e controvertidas relações entre

espiritualidade e saúde.

O Prof. Dr. Homero Vallada Filho, com sua grande produtividade e

experiência acadêmica, aliadas a uma índole generosa e humilde, tem se

tornado num verdadeiro mestre desde os detalhes até os grandes passos de

minha carreira.

Apesar de ser impossível manifestar gratidão nominalmente a todos

que colaboraram neste trabalho, também gostaria de agradecer,

Ao estatístico e amigo Prof. Dr. Alexandre Zanini por sua inestimável

orientação na estatística e apoio no uso do SPSS, da confecção dos

questionários...

À Alcione Wright e Flávio Elói pela paciente colaboração e esmero na

elaboração do abstract.

À colega Camila Soares e à Profª Drª Laura Andrade pelo auxílio na

análise do SCAN.

À Profª Drª Clarice Gorenstein pela sua sempre gentil colaboração na

análise da adequação social e por fornecer a amostra para comparações de

resultados.

v

À pesquisadora Zila Sanchez e à Profª Drª Margareth Ângelo pela ajuda

na parte qualitativa desta pesquisa.

À Fapesp e ao meu assessor cientifico anônimo que têm apoiado e

colaborado em meu aprimoramento deste o início deste projeto.

Aos professores da banca de qualificação, Drs. Paulo R. Menezes e

Mário R. Louzã pelos comentários e sugestões para o aprimoramento desta

pesquisa.

Um agradecimento especial à Aliança Espírita Evangélica na pessoa de

seu diretor Eduardo Miyashiro e de todos os médiuns que voluntariamente

participaram da pesquisa. A boa vontade e cordialidade com que fomos

recebidos mostram ser possível o trabalho colaborativo entre entidades

religiosas e científicas para o desenvolvimento do conhecimento e do bem

estar humanos.

Finalmente, uma pálida expressão de minha imensa gratidão à minha

amada Angélica que, pacientemente, compreendeu os muitos momentos

felizes em comum furtados pela confecção desta tese. Seu apoio, amor,

dedicação e companheirismo tornam, sem qualquer sombra de dúvida, a

minha jornada muito mais amena e venturosa. Além de colaborar de modo

indescritível para a concretização desta tese, você me concedeu a magnífica

vivência da paternidade através do Caio, este ser que veio iluminar ainda

mais nossa vida a partir deste ano. Por tudo isso, repito o que lhe disse há

cinco anos: “Querida, não me negues a tua mão para atravessarmos juntos

o caminho da vida, porque, contigo, vencerei o próprio impossível!” .

vi

Sumário

LISTA DE SIGLAS

RESUMO

SUMMARY

1) INTRODUÇÃO................................................................................................................................ 1

2) OBJETIVOS................................................................................................................................... 13

3) REVISÃO DA LITERATURA ..................................................................................................... 14

3.1) ESPIRITISMO, MEDIUNIDADE E A ALIANÇA ESPÍRITA EVANGÉLICA.......................................... 14

3.1.1) Espiritismo ....................................................................................................................... 14

3.1.2) Mediunidade Segundo o Espiritismo................................................................................ 16

3.1.3) Aliança Espírita Evangélica............................................................................................. 22

3.2) FENÔMENOS DISSOCIATIVOS .................................................................................................... 24

3.3) ALUCINAÇÃO EM POPULAÇÕES NÃO CLÍNICAS ........................................................................ 31

3.4) O DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL ENTRE EXPERIÊNCIAS ESPIRITUAIS E PSICOPATOLOGIA ........... 40

4) MÉTODOS ..................................................................................................................................... 51

4.1) POPULAÇÃO .............................................................................................................................. 51

4.2) INSTRUMENTOS......................................................................................................................... 52

4.2.1) Questionário Sociodemográfico e de Atividade Mediúnica ............................................. 52

4.2.2) Self-Report Psychiatric Screening Questionnaire - SRQ ................................................. 52

4.2.3) Escala de Adequação Social - EAS .................................................................................. 53

4.2.4) Phenomenology of Consciousness Inventory - PCI.......................................................... 54

4.2.5) Dissociative Disorders Interview Schedule - DDIS.......................................................... 54

4.2.6) Schedules for Clinical Assessment in Neuropsychiatry - SCAN....................................... 55

4.2.7) Entrevista Estruturada Sobre a Mediunidade do Entrevistado........................................ 58

4.3) PROCEDIMENTOS ...................................................................................................................... 58

4.4) ANÁLISE ESTATÍSTICA .............................................................................................................. 63

5) RESULTADOS .............................................................................................................................. 65

5.1) PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO .................................................................................................... 65

5.2) ATIVIDADE ESPÍRITA E MEDIÚNICA.......................................................................................... 66

5.3) EAS - ESCALA DE ADEQUAÇÃO SOCIAL................................................................................... 69

5.4) SRQ - SELF-REPORT PSYCHIATRIC SCREENING QUESTIONNAIRE............................................. 70

5.5) DDIS ........................................................................................................................................ 71

5.6) SCAN ....................................................................................................................................... 78

5.7) ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE OS MÉDIUNS SRQ POSITIVOS E NEGATIVOS ............................ 83

5.8) RESULTADOS DAS QUESTÕES COM RESPOSTAS ABERTAS......................................................... 87

5.8.1) Como surgiu a mediunidade em você?............................................................................. 87

5.8.2) Como descobriu que apresentava mediunidade? ............................................................. 90

5.8.3) Descreva suas principais vivências mediúnicas:.............................................................. 91

5.8.4) A questão da origem e veracidade das percepções mediúnicas ....................................... 97

6) DISCUSSÃO ................................................................................................................................ 100

6.1) PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO .................................................................................................. 101

6.2) ATIVIDADE ESPÍRITA E MEDIÚNICA........................................................................................ 105

6.3) ADEQUAÇÃO SOCIAL............................................................................................................... 109

6.4) PREVALÊNCIA DE SINTOMAS PSIQUIÁTRICOS COMUNS........................................................... 112

6.5) SINTOMAS SCHNEIDERIANOS DE PRIMEIRA ORDEM PARA ESQUIZOFRENIA (SPO) ................. 115

6.6) ABUSO INFANTIL .................................................................................................................... 119

6.7) CARACTERÍSTICAS ASSOCIADAS A TRANSTORNO DE IDENTIDADE DISSOCIATIVA (TID) ........ 121

vii

6.8) DIAGNÓSTICO DE TID E OUTROS TRANSTORNOS DISSOCIATIVOS........................................... 123

6.9) COMPARAÇÕES ENTRE MÉDIUNS SRQ + E SRQ – ................................................................. 124

6.10) RESULTADOS DO SCAN........................................................................................................ 125

6.11) O FENÔMENO MEDIÚNICO DESCRITO PELOS ENTREVISTADOS............................................. 130

6.12) CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................................... 142

7) CONCLUSÕES ............................................................................................................................ 156

8) ANEXOS....................................................................................................................................... 157

8.1) CONSENTIMENTO INFORMADO................................................................................................ 157

8.2) QUESTIONÁRIO SOCIODEMOGRÁFICO E DE ATIVIDADE MEDIÚNICA ....................................... 158

8.3) SRQ........................................................................................................................................ 159

8.4) EAS ........................................................................................................................................ 160

8.5) DDIS ...................................................................................................................................... 165

9) REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................................... 176

Apêndices

-

The History of Spiritist Madness in Brazil

-

A Visão Espírita dos Transtornos Mentais

-

Metodologia para a Investigação de Estados Alterados de Consciência

-

A Mediunidade Vista por Alguns Pioneiros da Saúde Mental

-

Pesquisas em Cura à Distância (carta ao editor)

viii

Lista de Siglas

AEE

Aliança Espírita Evangélica

APA

American Psychiatric Association

CE Centro

Espírita

CES-D Center for Epidemiological Studies – Depression Scale

CHS

Clinical History Schedule

CID

Classificação Internacional das Doenças

DDIS

Dissociative Disorders Interview Schedule

DES

Dissociative Experiences Scale

DSM

Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders

EAS

Escala de Adequação Social

ECA

Epidemiologic Catchment Area study

EUA

Estados Unidos da América

FEB

Federação Espírita Brasileira

FEESP Federação Espírita do Estado de São Paulo

IGC

Item Group Checklist

IPq

Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de

Medicina da Universidade de São Paulo

LIM

Laboratório de Investigação Médica

NCS

National Comorbidity Survey

NEPER Núcleo de Estudos de Problemas Espirituais e Religiosos do IPq

OMS

Organização Mundial de Saúde

OR

Odds Ratio (razão de chances)

PSE

Present State Examination

SCAN

Schedules for Clinical Assessment in Neuropsychiatry

SCID-D Structured Clinical Interview for DSM-IV Dissociative Disorders

SCL-90 Symptom

Checklist

SPO

Sintomas Schneiderianos de Primeira Ordem para Diagnóstico de

Esquizofrenia

SPR

Society for Psychical Research

SRQ

Self-Report Psychiatric Screening Questionnaire

ix

SWBS

Escala de Bem-estar Espiritual

TID

Transtorno de Identidade Dissociativa (Transtorno de

Personalidade Múltipla)

USE

União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo

x

Almeida AM. Fenomenologia das Experiências Mediúnicas, Perfil e Psicopatologia de Médiuns Espíritas [tese]. São Paulo: Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo; 2004. 205p.

Objetivos: Definir o perfil sociodemográfico e a saúde mental em médiuns espíritas, bem como a fenomenologia e o histórico de suas experiências mediúnicas.

Métodos: 115 médiuns em atividade foram selecionados aleatoriamente de centros espíritas de São Paulo. Numa primeira etapa foram aplicados os questionários:

sociodemográfico e de atividade mediúnica, SRQ (Self-Report Psychiatric Screening

Questionnaire) e EAS (Escala de Adequação Social). Todos os médiuns com

provável psicopatologia pelo SRQ (n=12) e o mesmo número de controles foram

entrevistados com base no DDIS (Dissociative Disorders Interview Schedule),

SCAN (Schedules for Clinical Assessment in Neuropsychiatry) e através de uma

entrevista qualitativa.

Resultados: 76,5% da amostra eram mulheres, idade média 48,1 ± 10,7 anos, 2,7%

de desemprego e 46,5% de escolaridade superior. Eram espíritas, em média, há 16,2

± 12,7 anos e possuíam uma média de 3,5 tipos de mediunidade (incorporação 72%;

psicofonia 66%; vidência 63%; audiência 32%; psicografia 23%). Cada modalidade

mediúnica era exercitada entre 7 a 14 vezes por semana em média, não havendo

diferença entre os sexos. 7,8% dos médiuns ficaram acima do ponto de corte para

transtorno psiquiátrico menor pelo SRQ e a amostra alcançou uma pontuação de 1,85

± 0,33 na EAS. Houve correlação significativa entre os escores de adequação social e de sintomas psiquiátricos pelo SRQ (r= 0,38 p<0,001). Não houve correlação entre a intensidade de atividade mediúnica e os escores SRQ e adequação social. Os

médiuns diferiam das características de portadores de transtornos de identidade

dissociativa e possuíam uma alta média (4) de sintomas Schneiderianos de primeira

ordem para esquizofrenia, mas estes não se relacionaram aos escores do SRQ ou do

EAS. Foram identificados quatro grupos de relatos de surgimento da mediunidade:

sintomas isolados na infância ou na vida adulta, quadros de oscilação do humor e

durante o curso de médiuns. A psicofonia/incorporação possui como pródromos uma

sensação de presença, sintomas físicos diversos e sentimentos e sensações não

reconhecidos como próprios do indivíduo. Posteriormente, é sentida uma pressão na

garganta e mecanicamente começa-se a verbalizar um discurso não planejado. A

intuição foi caracterizada pelo surgimento de pensamentos ou imagens não

reconhecidos como próprios. A audição e a vidência se caracterizaram pela

percepção de imagens ou vozes no espaço psíquico interno ou objetivo externo. A

psicofonia só ocorria no centro espírita, as demais modalidades mediúnicas ocorriam tanto dentro como fora dos centros espíritas

Conclusões: Os médiuns estudados evidenciaram alto nível socioeducacional, baixa prevalência de transtornos psiquiátricos menores e razoável adequação social. A

mediunidade provavelmente se constitui numa vivência diferente do transtorno de

identidade dissociativa. A maioria teve o início de suas manifestações mediúnicas na infância, e estas, atualmente, se caracterizam por vivências de influência ou

alucinatórias, que não necessariamente implicam num diagnóstico de esquizofrenia.

Descritores: espiritualismo, psicologia, religião e psicologia, transtornos dissociativos, etnologia, epidemiologia, transtornos psicóticos, classificação

xi

Almeida AM. Phenomenology of Mediumistic Experiences, Profile and

Psychopathology of Spiritist Mediums. [thesis]. São Paulo: Faculdade de Medicina,

Universidade de São Paulo; 2004. 205p.

Objectives: This study describes the social-demographic profile and

psychopathology of Spiritist mediums, history and phenomenology of their

mediumistic experiences.

Methods: One hundred fifteen actively practicing medium subjects (27 male and 88

female) were randomly selected from different Kardecist Spiritist Centers in the City of Sao Paulo, Brazil. In the early phase of the study, all participants completed

social-demographic and mediumistic activity questionnaires, SRQ (Self-Report

Psychiatric Screening Questionnaire) and SAS (Social Adjustment Scale). All

medium subjects (n = 12) identified by the SRQ with probable psychopathology, and

a control group (12 healthy subjects) were submitted to interview using: the DDIS

(Dissociative Disorders Interview Schedule), SCAN (Schedules for Clinical

Assessment in Neuropsychiatry), and a qualitative interview.

Results: Females were 76.5% of the sample, sample mean age was 48.1 ± 10.7

years; 2.7% of the subjects were currently unemployed; and 46% of the sample had a college degree. Participants indicated being Spiritist for an average of 16.2 ±12.7

years, having a mean of 3.5 different types of mediumistic abilities (receiving/

embodiment of an spiritual entity 72%; seeing 63%; hearing 32%; and automatic writing 23%). Each mediumistic modality was carried out an average of 7 to 14 times a week with no gender difference; 7.8% of the medium subjects exhibited a minor

psychiatric disorder according to the SRQ, and the entire sample scored 1.85 ± 0,33

points in the SAS. There was a significant correlation between social adjustment

scores and SRQ psychiatric symptoms (r= 0,38 p<0,001). There was no significant correlation between the degree of mediumistic activity and either SRQ or SAS

scores. Medium subjects differed from dissociative identity disorders subjects and displayed 4 Schneiderian first rank symptoms for schizophrenia that were unrelated to either the SRQ or SAS scores. Four distinct modes of emergence of mediumistic

symptoms were recorded: isolated symptoms during childhood, isolated symptoms

during adulthood, spontaneous mood fluctuations, and formal courses in mediumistic

ability development. A full mediumistic trance process begins with: sensing another presence, experiencing a variety of physical symptoms and feelings, and

experiencing vibratory frequencies which subjects attributed to an external source, or spiritual entity. Subsequently, subjects begin to feel pressure in the area of the throat and an unplanned speech is mechanically voiced. Intuition is characterized by the

emergence of thoughts and/or images not recognized by the subjects as their own.

Hearing and seeing are characterized as the awareness of images and voices within

the internal psychic space or as an external object. Full mediumistic trance was

recorded exclusively within the Spiritist Centers however all other mediumistic

experiences were recorded both inside and outside these centers.

Conclusions: The medium subjects included in this analysis displayed evidences of having a high social-educational level, a low prevalence rate of minor psychiatric symptoms and a sound level of social adjustment. Mediumistic trance is very

possibly an experience other than a Dissociative Identity Disorder. The majority of the subjects experienced the onset of mediumistic experiences during childhood, and the mediumistic process was characterized by experiences of replacement of the ego xii

mind, or visual and/or auditory hallucinations not necessarily related to a definite diagnosis of schizophrenia.

Keywords: spiritualism, psychology, religion and psychology, dissociative

disorders, ethnology, epidemiology, psychotic disorders, classification

1

1) Introdução

As dimensões espirituais e religiosas da cultura estão entre os fatores

mais importantes que estruturam a experiência humana, crenças, valores,

comportamento e padrões de adoecimento (Lukoff, 1992; Sims, 1994;

Amaro, 1996; Weaver, 1998; Cardeña, 2000). Apesar disso, a psiquiatria, em

seus sistemas diagnósticos bem como em sua teoria, pesquisa e prática,

tende a ignorar ou considerar patológicas as dimensões religiosas e

espirituais da vida (Lukoff, 1992; King,1998). As próprias relações históricas

entre psiquiatria e religião são alvo de controvérsias. Vandermeersch (1991)

destaca ser um mito construído pelos psiquiatras do século XIX a idéia de

que a moderna psiquiatria surgiu a partir do combate ao obscurantismo

religioso medieval que via as doenças mentais como decorrentes de

possessões demoníacas e bruxarias.

Assim como a religiosidade é tradicionalmente vista de modo negativo

pela psiquiatria, as experiências místicas e espirituais são tidas como

evidências de psicopatologia (Mulhern, 1991; Lukoff, 1992). Freud

considerou as experiências dos místicos como manifestação do “desamparo

infantil” e “regressão ao narcisismo primário”. Outros autores as descrevem

como psicose borderline (GAP,1976), episódio psicótico (Horton,1974),

disfunção do lobo temporal (Munro,1992, Persinger,1992), quadros

histéricos (Jung,1994) ou como um perigo para o indivíduo e a comunidade

(Greenberg et al., 1992). Esse enfoque se refletiu na postura da comunidade

2

psiquiátrica brasileira frente à disseminação de religiões que valorizam as

experiências místicas. Pacheco e Silva, prefaciando um livro sobre o tema

(César, 1939), afirmou que “... o misticismo e a loucura se acham por tal

forma fundidos, que não se pode destacar um do outro”.

Esta visão negativa das experiências religiosas deu origem a atitudes

discriminatórias e autoritárias por parte da comunidade psiquiátrica

brasileira, principalmente com relação ao Espiritismo e religiões afro-

brasileiras. Não apenas privando os indivíduos de experiências

potencialmente benéficas, como ocasionando prisões, internações e

tratamentos desnecessários (Ribeiro e Campos, 1931; Pacheco e Silva,

1950, 1950a; Almeida e Almeida, 2003, Moreira-Almeida et al., 2005). Em

tese de doutoramento abordando o Espiritismo (Pimentel, 1919), aprovada

com distinção pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, o autor conclui

que o médium espírita é um embusteiro ou “acaso, um allucinado, um

doente: - deve ser recolhido a um hospital de alienados e submettido a

tratamento médico de especialistas”. Na obra “Espiritismo e Loucura”,

prefaciada por Juliano Moreira, seu autor declara que depois da sífilis e do

álcool o Espiritismo era o maior fator de alienação mental, nega que fosse

apenas uma patoplastia cultural de quadros já existentes e propõe o seu

combate: “... a sua hygiene e prophylaxia estão, apenas, em se queimarem

todos os livros espíritas e se fecharem todos os candomblés, altos, médios e

baixos, que, ora, infestam o Rio, o Brazil e todo o mundo occidental”

(Oliveira, 1931). No Brasil e em diversos países europeus houve um intenso

embate entre espíritas e psiquiatras sobre o caráter patológico ou não da

3

mediunidade (Katzenelbogen, 1941; Moreira-Almeida et al., 2005). Ainda

hoje no Brasil, existem grupos, habitualmente com motivações religiosas de

combate ao Espiritismo e religiões afro-brasileiras, que enfatizam o caráter

desencadeador de psicopatologia das vivências mediúnicas (Bruno, sd;

Arfinengo e Loredo, 1997).

Nas últimas décadas, a psiquiatria cultural sofreu notáveis avanços e

tem buscado se afirmar como uma ferramenta indispensável a uma

psiquiatria moderna e sensível às particularidades dos diversos grupamentos

humanos. Busca-se enfatizar atualmente questões mais práticas como a

correção de diagnósticos equivocados a que estão sujeitos pacientes de

substratos culturais diferentes dos de seus psiquiatras (Lewis-Fernandez &

Kleinman, 1995; Kirmayer, 1998), prevenindo contra a “patologização” de

numerosos comportamentos e respostas emocionais (Alarcón et al., 1999).

Dentro dessa nova abertura, têm surgido mais pesquisas sobre

espiritualidade e saúde mental. Fato relevante é que as visões

indiscriminadamente negativas da religião e espiritualidade não se mantêm à

luz dos recentes estudos, que, habitualmente, não encontram associação

entre esses fatores e psicopatologia. Ao contrário, maiores taxas de

envolvimento religioso têm sido associadas a menor prevalência de

transtornos mentais. (Lotufo Neto, 1997; Koenig et al., 2001). Entretanto,

ainda não é consenso que a religiosidade esteja associada a indicadores

positivos de saúde (Sloan et al., 1999).

Alguns trabalhos têm relatado que pessoas que vivenciam

experiências místicas pontuam menos em escalas de psicopatologia e mais

4

em medidas de bem-estar psicológico que controles (Lukoff et al.,1992).

Levantamentos da última década têm mostrado que as ditas experiências

extra-sensoriais dissociativas e alucinatórias são comuns na população geral

(Ross et al.,1990a; Tien, 1991; Ross e Joshi, 1992; Levin, 1993) e

freqüentemente não estão associadas a transtornos psiquiátricos em

populações não clínicas (Caird, 1987; Heber et al.,1989; Cardeña, 2000).

Negro Jr (1999), numa tese desenvolvida em nosso meio sobre experiências

dissociativas associadas a práticas religiosas, no caso, espíritas, não

encontrou níveis de psicopatologia aumentados nessa população,

apontando para uma natureza não patológica do fenômeno.

A despeito dessas sinalizações que apontam para uma mudança de

postura frente aos fenômenos religiosos e espirituais, revisões sistemáticas

em quatro das mais importantes revistas de psiquiatria do mundo expuseram

um quadro preocupante. Larson (1986) detectou que apenas 2,5% dos

artigos destas revistas entre os anos 1978 e 1982 utilizaram alguma variável

religiosa. Uma repetição da mesma pesquisa, abrangendo de 1991 a 1995,

apontou uma queda para 1,2% (Weaver et al.,1998). E mesmo essa minoria

de artigos que utilizou alguma variável religiosa, geralmente o fez através de

um único item, ao invés dos métodos multidimensionais que são os mais

indicados para pesquisas em religião (Larson,1986; Kendler et al., 1997;

Lotufo Neto,1997; Weaver et al.,1998).

William James (1991) há quase um século ponderou que “para o

psicólogo, as tendências religiosas do homem hão de ser, pelo menos, tão

interessantes quanto quaisquer outros fatores pertencentes à sua

5

constituição mental”. Levantamentos realizados nos anos 90 nos EUA

(Gallup e Newport, 1991) e no Canadá (Ross e Joshi, 1992) indicaram que

mais da metade da população relatou experiências “extra-sensoriais”,

levando Ross e Joshi (1992) a concluírem que “as experiências paranormais

são tão comuns na população geral que nenhuma teoria da psicologia

normal ou psicopatologia pode ser considerada completa se não levá-las em

consideração”. A importância da investigação dessas vivências é ressaltada

na dedicatória de Ribas (1963) em sua tese sobre as relações entre a

demonologia e a psiquiatria:

“Aos visionários, possessos, místicos, alquimistas e outros

desbravadores do sobrenatural que, na luta entre Deus e o Diabo, tanto

desmascararam os aspectos mais profundos e verdadeiros da

personalidade humana, em estupendo desafio que desvendou tantos

caminhos à moderna Psiquiatria e, não obstante, tantas vezes

esquecido”.

A criação da categoria de “Problemas Espirituais e Religiosos” no

DSM-IV pela Associação Psiquiátrica Americana foi um importante avanço e

sinalizador da necessidade de mais pesquisas na área (APA,1994; Turner et

al., 1995). Essa nova categoria foi incluída porque “continuar a negligenciar

as questões espirituais e religiosas perpetuaria as falhas que a psiquiatria

tem cometido nesse campo: falhas de diagnóstico e tratamento, pesquisa e

teoria inadequadas e uma limitação no desenvolvimento pessoal dos

próprios psiquiatras” (Lu et al., 1994). Pela primeira vez no DSM há o

reconhecimento que problemas religiosos e espirituais podem ser o foco de

uma consulta e tratamento psiquiátrico, e que muitos desses problemas não

são atribuíveis a um transtorno mental (Lukoff et al., 1995). Entre os tipos de

6

problemas espirituais temos: experiências místicas, experiências de quase

morte, emergência espiritual e meditação (Turner et al., 1995). Os benefícios

almejados com a adoção dessa nova categoria são: aumentar a acurácia

diagnóstica e reduzir a iatrogenia decorrente do diagnóstico equivocado dos

problemas espirituais e religiosos, melhorar o tratamento ao estimular

pesquisas clínicas e ao encorajar a inclusão das dimensões religiosas e

espirituais da experiência humana no tratamento psiquiátrico (Lu et al.,

1994). Uma outra importante mudança no DSM-IV foi o reconhecimento que

a maioria das formas de dissociação vivenciadas pela humanidade são

normais e que essas necessitam ser diferenciadas de formas transculturais

de dissociação patológica (Lewis-Fernández, 1998). Como Gabbard et al.

(1982) afirmaram:

“É incumbência dos psiquiatras estarem familiarizados com o amplo

leque de experiências humanas, saudáveis ou patológicas. Precisamos

respeitar e diferenciar as experiências incomuns, mas integradoras, das

que são (...) desorganizadoras”.

O estudo dos fenômenos dissociativos e transtornos mentais

relacionados à dissociação é um dos grandes desafios da psiquiatria.

Durante o século 19 houve acentuado interesse em experiências

dissociativas e “paranormais” na psiquiatria e psicologia (Almeida et al.,

2004a). Na primeira metade do século 20, tais temas foram relegados a

segundo plano, mas ultimamente vêm novamente despertando o interesse

da comunidade psiquiátrica (van der Kolk e van der Hart, 1989; Ross e

Joshi, 1992; Cardeña et al., 1994). Embora muito tenha sido escrito sobre

aspectos transculturais das experiências dissociativas, dados clínicos

7

precisos e investigações estruturadas ainda são claramente insuficientes

(Negro, 1999). Uma das áreas mais carentes é a que diz respeito às

experiências dissociativas num contexto religioso, entre eles, principalmente,

os transes mediúnicos (Mulhern, 1991).

Uma das definições possíveis de mediunidade é “a comunicação

provinda de uma fonte que é considerada existir em um outro nível ou

dimensão além da realidade física conhecida e que também não proviria da

mente normal do médium” (Klimo, 1998). Tal definição nos parece adequada

para a investigação científica, pois é neutra quanto às reais origens de tais

vivências, apenas requerendo que aqueles que as vivenciem sintam que a

origem é de alguma fonte externa. As vivências tidas como mediúnicas

possuem uma enorme influência sobre aqueles que as vivenciam direta ou

indiretamente e estão nas raízes greco-romanas, judaicas e cristãs da

sociedade ocidental . A pitonisa do Oráculo de Delfos que era consultada por

reis e filósofos (Heródoto, 1957), o filósofo Sócrates que desde a infância

ouvia seu daimon dizendo-lhe quando devia abster-se de alguma ação

(Platão, 1999) e os cultos a Dionísio são significativos exemplos da

Antigüidade clássica (Bourguignon, 1976). Tais experiências também foram

extremamente importantes no surgimento das principais religiões do oriente

próximo e ocidente: Moisés e os profetas hebreus recebendo mensagens de

Jeová ou dos anjos (Ex 19 e 20; Jz 13:3; II Rs 1:3; Jl 2:28; I Sam 28), a

conversão de Paulo às portas de Damasco (At 9:1-7) e os dons do Espírito

Santo dos primeiros cristãos (At 2:1-18; 19:6; I Cor 12:1-11 e 14), ) os

êxtases de São Francisco de Assis, São João da Cruz e Santa Tereza

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D’Ávila (James, 1991), bem como Maomé recebendo os ditados do anjo

Gabriel que compõem o Corão.

Num amplo estudo transcultural sobre os estados de possessão em 488

sociedades pelo mundo, a antropóloga Érika Bourguignon (1976) identificou

estados de transe de possessão em 251 (52%) destas sociedades, 90%

delas tinha alguma forma institucionalizada de estados alterados de

consciência (Bourguignon, 1973). Ernesto Bozzano (1997) realizou um

levantamento identificando a presença de variadas formas de fenômenos

tidos como mediúnicos entre os diversos povos chamados “primitivos” ao

redor do Globo.

Castillo (2003) aponta que as formas institucionalizadas de transe

podem ter várias funções úteis: alívio temporário do estresse, conforto

emocional, consolo na doença e luto, inserção social, contato com espíritos

e atribuição de significado à vida. Nas últimas décadas, nos Estados Unidos

da América, tem havido um aumento de interesse na mediunidade, sob o

nome de channeling (Hughes, 1991; Brown 1997; Klimo, 1998). O tema

torna-se ainda mais relevante no Brasil, onde possuímos diversas religiões

que enfatizam os transes: espíritas, afro-brasileiros, evangélicos

pentecostais e católicos carismáticos. Em nosso país, diversos livros

psicografados com autoria atribuída a espíritos atingiram tiragens na casa

dos milhões (Federação Espírita Brasileira, 1993). Deve-se ressaltar as

implicações clínicas deste objeto de estudo, faz-se mister a realização de um

adequado diagnóstico diferencial destas vivências consideradas mediúnicas,

buscando distinguir quando se tratam de uma vivência religiosa não

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patológica das situações em que são manifestações de psicopatologia

dissociativa ou psicótica.

Apesar de tamanho impacto exercido sobre a humanidade, a

mediunidade tem sido praticamente ignorada pelos pesquisadores da área

de saúde mental. Entretanto, nem sempre foi assim. No surgimento da

moderna psiquiatria e psicologia, na transição entre os séculos XIX e XX,

diversos pioneiros, como Pierre Janet, William James, Frederic Myers, Jung,

Cesare Lombroso e Charles Richet, estudaram detidamente a mediunidade

(Richet, 1975; Lombroso, 1983; Almeida e Lotufo Neto, 2004a). Em 1882,

vários pesquisadores da Universidade de Cambridge, interessados em

investigar os então chamados “fenômenos psíquicos” (mediunidade,

telepatia, etc) fundaram a SPR – Society for Psychical Research (Murphy e

Ballou, 1960), que permanece ativa até hoje. Infelizmente, tais trabalhos

permanecem largamente desconhecidos. Como afirmou Charles Tart (1972),

o método científico será expandido para investigar os estados alterados de

consciência, ou o imenso poder destes estados será deixado apenas nas

mãos das várias seitas e cultos?

Além da importância clínica do diagnóstico diferencial entre

fenômenos mediúnicos não patológicos e psicopatologia, há o valor para

uma ampliação da compreensão do funcionamento do psiquismo. Karl

Jaspers (1985) afirmou que o estudo dos fenômenos de transe e possessão

seria de grande importância para o entendimento da constituição psíquica do

ser humano. Pierre Janet, apesar de considerar o Espiritismo “uma das mais

curiosas superstições de nossa época”, afirmou ser este o precursor da

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psicologia experimental, assim como a astronomia e a química começaram

através da astrologia e da alquimia. Janet defendia a importância de se

estudar a mediunidade pois nos permite “observações psicológicas muito

interessantes e refinadas que são longe de inúteis para os observadores de

nossos dias” (Janet, 1889 p.357-8; 1914 p.394-5).

Numa pesquisa bibliográfica, por nós realizada, não foi detectado

nenhum trabalho com amostra grande e instrumentos padronizados de

avaliação que investigasse o perfil psicopatológico dos ditos médiuns, bem

como as características que ajudem na diferenciação entre experiências

mediúnicas não patológicas das que são manifestações de fenômenos

psicopatológicos de ordem psicótica, dissociativa ou outros. Barret (1996)

fez uma avaliação qualitativa da fenomenologia de nove médiuns norte-

americanos. Negro Jr (1999), que iniciou os estudos sobre o tema em nosso

meio, acentuou que seria “extremamente útil proceder um estudo

prospectivo dos indivíduos participantes do centro espírita e/ou fazer um

estudo visando especificamente indivíduos considerados médiuns ativos”.

Um outro aspecto relacionado, diz respeito à presença de fenômenos

alucinatórios na população não clínica. Conforme será exposto na seção de

Revisão de Literatura, existem diversos estudos apontando para a existência

de uma substancial minoria da população que vivencia alucinações ao longo

da vida (Sidgwick, 1894; Tien, 1991). Há grande carência de informações

sobre alucinações na população não clínica, sendo muito importante saber

como estes diferem dos portadores de transtornos mentais (Bentall, 2000).

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O Brasil, devido à sua grande diversidade religiosa, se encontra numa

posição privilegiada para fazer avançar o nosso conhecimento sobre o tema.

Particularmente no campo dos problemas espirituais, duas das maiores

correntes religiosas brasileiras (o Espiritismo e as Afro-Brasileiras) centram-

se sobre experiências místicas e de emergência espiritual (González,1995).

Segundo o último Censo Demográfico (IBGE, 2000) o Espiritismo foi a

quarta religião mais professada no Brasil, atrás apenas do Catolicismo,

Igreja Evangélica Batista e Assembléia de Deus. Somados, os profidentes

do Candomblé e Umbanda, representam o 12° maior grupo religioso do país.

O estudo desses tópicos em nosso meio pode colaborar muito na melhor

compreensão dos fenômenos tão disseminados e enraizados em nossa

cultura, que é o que se espera da pesquisa nacional (Ramadam,1996).

Considerados como experiências subjetivas, os fenômenos ditos

paranormais podem ser estudados com confiabilidade do mesmo modo que

ansiedade, depressão ou qualquer outro grupo de vivências. Para estudar

cientificamente essas questões, não é necessário tomar qualquer decisão

sobre sua realidade objetiva. Elas podem ser estudadas em suas

correlações clínicas com qualquer outro conjunto de dados (Ross e Joshi,

1992; Hufford, 1992; King e Dein, 1998). Não nos é necessário tomar partido

sobre qual a origem das experiências espirituais, pode nos interessar

apenas como elas operam sobre o indivíduo, quais suas conseqüências para

aquele que as vivencia (James, 1991).

Em 1999 foi fundado o NEPER - Núcleo de Estudos de Problemas

Espirituais e Religiosos - do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas

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da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq-HC-FMUSP)