Ifigénia na Táurida por Johann Wolfgang von Goethe - Versão HTML

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Cena 1

IFIGÉNIA: Sombras vivas, agitadas copas

deste antigo e sagrado bosque!

Ainda hoje estremeço

ao ver-me aqui no vosso meio;

tremo ainda ao pisar este chão

do santuário da deusa, como se fosse hoje

a primeira vez que eu aqui entrasse.

A este lugar não se habitua o meu espírito,

apesar de há tantos anos aqui me manter

a Força superior a que obedeço.

Sinto-me estranha aqui,

estranha como no primeiro dia

em que a vasta extensão do mar

me separou de todos aqueles que amo.

Dia após dia desço à praia para viajar

na minha imaginação até à Grécia;

e lá chamo por todos que outrora amei.

Porém a rebentação das ondas

outra resposta não dá aos meus suspiros,

além de longo e rouco bramido.

Não foram nunca os deuses o alvo do meu rancor;

mas como esconder, ó deusa,

que te sirvo contra a minha vontade,

tu que foste a minha salvadora?

E eu que devia ter dedicado a minha vida

a servir-te voluntariamente...

Apesar de tudo, nunca deixei

de ter em ti a minha esperança:

em ti espero, Diana, tu que recebeste

em teus braços divinos esta filha

que o próprio pai sacrificou.

Salva-me de novo, tu que antes

não consentiste em deixar-me morrer:

salva-me agora desta vida que aqui levo,

desta vida que tem sido a minha segunda morte.

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