Imperialismo e produção do espaço urbano: a indústria do amianto e a construção da cidade de Minaçu por Fábio de Macedo Tristão Barbosa - Versão HTML

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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

FACULDADE DE FILOSOFIA LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS

DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA HUMANA

FÁBIO DE MACEDO TRISTÃO BARBOSA

IMPERIALISMO E PRODUÇÃO DO ESPAÇO URBANO: A INDÚSTRIA

DO AMIANTO E A CONSTRUÇÃO DA CIDADE DE MINAÇU – GO

VERSÃO CORRIGIDA

São Paulo (SP)

2013

FÁBIO DE MACEDO TRISTÃO BARBOSA

IMPERIALISMO E PRODUÇÃO DO ESPAÇO URBANO: A INDÚSTRIA DO

AMIANTO E A CONSTRUÇÃO DA CIDADE DE MINAÇU – GO

Tese apresentada ao Programa de Pós-

Graduação em Geografia Humana da

Universidade de São Paulo para obtenção

do título de Doutor em Geografia.

Área de Concentração: Geografia Humana

Orientadora: Prof.ª Dra. Odette Carvalho de

Lima Seabra

VERSÃO CORRIGIDA

São Paulo (SP)

2013

FOLHA DE APROVAÇÃO

FÁBIO DE MACEDO TRISTÃO BARBOSA

IMPERIALISMO E PRODUÇÃO DO ESPAÇO URBANO: A INDÚSTRIA DO AMIANTO E A

CONSTRUÇÃO DA CIDADE DE MINAÇÚ – GO

Aprovado em: 13/12/2013

Banca Examinadora

Prof. Dr. Prof. Dr. Gilmar Alves de Avelar

Instituição: Universidade Federal de Goiás Assinatura:________________________

Prof. Dr. Márcio Piñon de Oliveira

Instituição: Universidade Federal Fluminense Assinatura: ________________________

Prof. Dr. Heinz Dieter Heidemann

Instituição: Universidade de São Paulo Assinatura:________________________

Prof. Dr. Manoel Fernandes de Souza Neto

Instituição: Universidade de São Paulo Assinatura: _______________________

Prof.ª. Drª. Odette Carvalho de Lima Seabra (orientadora)

Instituição: Universidade de São Paulo Assinatura:_______________________

A todos os trabalhadores e trabalhadoras que morreram e aos que ainda morrerão por

doenças provocadas pelo amianto, e aqueles que lutam para o banimento deste

mineral, dedico este trabalho.

AGRADECIMENTOS

Agradeço imensamente a professora Odette Carvalho de Lima Seabra por ter

aceitado o desafio de minha orientação. Foi um orgulho muito grande ter como

orientadora desta pesquisa uma das mais importantes referências do pensamento

geográfico brasileiro, de uma sensibilidade afiada para enxergar os problemas

centrais na construção da tese, e os desafios que esta pesquisa enfrentou. Suas

orientações foram fundamentais para chegar à conclusão da tese, aprendi muito

com você. Agradeço também pelas suas idas à USP para resolver algum problema

burocrático que me envolvia, como bolsa, matrícula, prorrogação de prazo, etc.

Neste sentido, os problemas e equívocos que porventura possam ser identificados

na tese, são de minha inteira responsabilidade, agradeço pela paciência que teve

comigo.

Agradeço ao professor Nelson da Nóbrega Fernandes que tem feito parte

desta história de estudo e pesquisa desde sua atenciosa e fundamental orientação

no mestrado no Rio de Janeiro até minha entrada no doutorado na Universidade de

São Paulo, agradeço imensamente, pois permitiu reorientar os caminhos de minha

própria vida. Às incansáveis e proveitosas conversas de sofá de uma amizade

sincera que brotou nos bancos da sala de geografia nos tempos da graduação, ao

meu amigo e ex-professor Gilmar Alves de Avelar disposto sempre de uma boa ideia

a nos inquietar, os meus mais profundos e sinceros agradecimentos.

Agradeço aos professores e professoras das disciplinas do Doutorado Ana

Fanni Alessandri Carlos, Amélia Luísa Damiani, e Anselmo Alfredo, agradeço a

todos pela qualidade das aulas eivadas sempre de muita reflexão crítica; foram

momentos riquíssimos e de grande aprendizado.

Também agradeço à Banca de Qualificação formada pelos professores Nelson

da Nóbrega Fernandes e Manoel Fernandes pelas provocações, críticas e sugestões

sempre respeitosas e que permitiram direcionar o caminho da pesquisa para portos

mais seguros.

Agradeço ao velho amigo-irmão Paulo Rogério Correia Mota pela sua

presteza ao interceder junto à sua tia Terezinha que prontamente me cedeu um

quarto na garagem de sua casa, que ela alugava, era sua fonte complementar de

renda. Isso me permitiu morar em São Paulo para cursar as disciplinas obrigatórias

do doutorado. A todos de sua família – sua avó dona Teresa, sua mãe Marlene,

suas irmãs Ana Cláudia e Kátia, a seu pai Severino, seus primos Fábio e Fernando,

Marcelo, Eduardo sempre prontos a ajudar, os meus agradecimentos carregados de

estima e consideração pela calorosa e solidária recepção e estadia que me deram

em tempos difíceis.

No afã de agradecer as pessoas que direta ou indiretamente contribuíram

para a realização desta pesquisa corre-se sempre o risco de ser traído pela memória

e esquecer-se desta ou daquela pessoa que a seu modo auxiliou no

desenvolvimento deste trabalho. Alguém que indicou uma bibliografia, um livro, um

artigo, sugeriu uma ideia, dialogou sobre os caminhos que poderíamos seguir, ou a

indicação de boas fontes para entrevistas, etc. Ou então, deixamos passar ao largo

a pessoa que preparou a refeição, lavou nossas roupas, limpou a casa, enfim,

cuidou das coisas que chamamos triviais para que pudéssemos dedicar nosso

tempo à reflexão, ao estudo, e a pesquisa que resultou nesta tese. Não podemos

desconsiderar o papel destas pessoas, em especial a Neusa, minha companheira,

que no dia-dia cuidava das “trivialidades”, agradeço o dispêndio do seu tempo e das

suas forças sempre com carinho e dedicação, isso o dinheiro não paga.

Agradeço aqueles ex-trabalhadores da SAMA que tiveram a coragem de

expor suas experiências dramáticas de vida nas entrevistas, o que permitiu alcançar

os níveis mais elementares de atuação do imperialismo. Ou seja, o de perceber

como estes sujeitos vivenciaram e vivenciam suas relações com a empresa SAMA.

A todos eles, meu muito obrigado.

Agradeço também ao Conselho Nacional de Pesquisa – CNPq. pela

concessão de bolsa de pesquisa que foi de fundamental importância para realização

da pesquisa.

De modo muito especial quero agradecer minha mãe Divina Maria de Macedo

Barbosa, que um dia me disse: estude. Muito obrigado por esse conselho, no

entanto, jamais imaginei que o seguiria a ponto de alcançar este momento.

Dedico esta tese de doutorado para você, minha mãe.

RESUMO

A pesquisa que ora se apresenta ocupou-se do debate sobre o imperialismo como modo de

ser do capitalismo contemporâneo e sua relação com o espaço urbano olhado a partir da

indústria do amianto e, consequentemente, perpassando por temas como trabalho, saúde

dos trabalhadores expostos ao amianto e movimentos sociais que defendem o banimento

deste mineral. A forma genérica/universal do imperialismo expressa-se concretamente sob

formas diversas nos diferentes lugares/partes do mundo. Cada parte anuncia o mundo no

lugar e compõe o mosaico de lugares que forma a totalidade social imperialista. Portanto, do

ponto de vista do método de interpretação, adota-se a dialética universal-particular refletida

no modo pelo qual o imperialismo efetivamente se realiza. Este procedimento analítico

coloca o desafio de fazer as reflexões necessárias relacionando teorias e fatos, de modo a

identificar e compreender como os processos de ordem geral realizam-se em âmbito

particular. E, em contrapartida as teorias e os conceitos, enquanto instrumentos de análise,

permitiram que esse particular elucidado iluminasse a generalidade dos processos

estudados relativos a exploração do amianto em Minaçu-Goiás. O recorte empírico da

pesquisa é a indústria do amianto – no que ela tem de mais universal – e a cidade de Minaçu em Goiás – no que ela tem de particular. A primeira relação entre estes dois

fenômenos é justamente o fato de a cidade de Minaçu-GO abrigar a terceira maior mina de

amianto do mundo e única da América Latina e do Brasil em atividade. Portanto, a indústria

do amianto no Brasil tem sua base nesta pequena cidade do interior do Estado de Goiás à

que pouca importância é dada nos mapas. No entanto, a cidade de Minaçu está no centro

dos debates sobre os malefícios causados pelo amianto à saúde humana. A pergunta que

se faz é: que espaço urbano é esse instituído pela indústria do amianto que domina e

controla várias dimensões do viver na cidade de Minaçu-GO? Para tentar responder a esta

pergunta propõe-se a tese da urbanização autoritária.

Palavras-chave: Imperialismo. Urbanização. Cidade. Urbano. Saúde.

ABSTRACT

This research starts with the analysis of the Imperialism as a stage of the today’s

capitalism and goes on the establish its relation with urban space and asbestos

mining industry. Other topics connected to the asbestos industry are put together in

this study such as: labor, worker`s health condition exposed to asbestos and social

movements that defend a ban on asbestos mining and commercial activity. The

generic/universal form of the Imperialism express itself concretely in many diverse

way in different places/portions of the World. Every single portion reveals the World

in that place and compounds the mosaic of places which forms the imperialist social

totality.This analytical procedure puts the challenge of making the necessary

reflexions with theories and facts in order to identify an understand how general

process are translated to particular contexts. By doing so, theories and concepts as

analytical tools helped that from a particular case study in light in Minaçu, a more

general process regarding asbestos were better apprehended.This research

empirical context is the asbestos mining industry in general – and the city of Minaçu

in Goias State (Brazil) – a particular site. The linkage between particular and general

is the fact that Minaçu town (GO) is has in its site the third largest asbestos mining

ore in the World and the only in activity in Latin America and Brazil. Therefore, the

mining industry in Brazil has its base in this small town in Goias countryside. This city

is almost unseen in national map. That’s why, Minaçu Town is the center of many

debates concerning the risks asbestos causes to human health care. The main

question cast here is: what kind of urban space completely dominated by this mining

industry was created in Minaçu-GO? In order to address this question this study

proposes the theory of authoritarian urbanization.

Key words: Imperialism, Urbanization, city, urban, health

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

QUADRO 1 – Negócios da família Schmidheiny no mundo ------------------------ 42

FIGURA 1 – Croqui da Jazida Maranhão elaborado pelos técnicos da SAMA

durante sua primeira visita ao local em abril de 1962 -------------------------------- 51

GRÁFICO 1- Estrutura acionária da Eternit – 2008 ----------------------------------- 56

MAPA 1 – Venda da fibra de amianto produzido em Minaçu para as

indústrias de transformação. (Por Tonelada – 2010)---------------------------------- 60

MAPA 2 – Estados e cidades no Brasil que possuem leis proibindo o uso do

amianto ------------------------------------------------------------------------------------------- 62

MAPA 3 – Localização do município de Minaçu (GO) -------------------------------- 81

FOTOGRAFIA 1 – Vista aérea da cidade de Minaçu-GO, em destaque as

cavas de amianto da SAMA. Ao fundo, o Lago de Cana Brava -------------------- 82

FOTOGRAFIA 2 – Vista aérea da cidade de Minaçu-GO, emoldurada pela

atividade de mineração de amianto e pelo Lago da Usina de Cana Brava ----- 82

FIGURA 2 – Planta baixa da Vila Operária da SAMA -------------------------------- 88

FOTOGRAFIA 3 – Outdoor estrategicamente posicionado na entrada/saída

do aeroporto municipal de Minaçu-GO---------------------------------------------------- 90

FOTOGRAFIA 4 – Outdoor posicionado em importante via de acesso ao

ponto turístico da cidade de Minaçu (GO), a Praia do Sol --------------------------- 91

FOTOGRAFIA 5 – Outdoor na portaria da SAMA ------------------------------------- 91

FOTOGRAFIA 6 – Outdoor localizado em área periférica da cidade de

Minaçu (GO) ------------------------------------------------------------------------------------- 91

FOTOGRAFIA 7 – Vista panorâmica de Minaçu-GO: em primeiro plano a

banca de rejeitos, as instalações da SAMA e vista parcial de uma das cavas.

Ao fundo, avista-se parte da cidade ------------------------------------------------------- 94

FOTOGRAFIA 8 - Bancada de rejeitos de serpentinito vista a partir da Praia

do Sol, ponto turístico da cidade ----------------------------------------------------------- 94

FOTOGRAFIA 9 - Estande da SAMA durante a XIII Expoagro de Minaçu –

2.013----------------------------------------------------------------------------------------------- 103

GRÁFICO 2 – Doações financeiras da SAMA Minerações Associadas nas

eleições de 2004 – 2012---------------------------------------------------------------------- 125

GRÁFICO 3 – Municípios que mais receberam doações financeiras da SAMA

entre as eleições de 2004 a 2012---------------------------------------------------------- 124

GRÁFICO 4 - Doações financeiras da SAMA para partidos políticos em

Goiás nas eleições de 2010----------------------------------------------------------------

126

FIGURA 3 - Cartaz da campanha de mobilização da população de Minaçu

(GO) para participação de manifestação a favor da continuidade do uso do

amianto.------------------------------------------------------------------------------------------- 128

FOTOGRAFIA 10 - Avenida Maranhão no dia 26 de março de 2012 às

12:30hs. Em dias “normais” o tráfego de pessoas e automóveis é intenso----- 129

FOTOGRAFIA 11 - Ponto inicial da concentração da população, na portaria

da SAMA. Um verdadeiro cordão humano se estendeu deste ponto inicial até

abarcar toda a empresa ---------------------------------------------------------------------- 130

FOTOGRAFIA 12 - Mostra o tamanho da manifestação pró-amianto iniciada

em frente a SAMA.----------------------------------------------------------------------------- 130

FOTOGRAFIA 13 - Presença da SAMA na assistência social em Minaçu-GO- 132

QUADRO 2 - Países em que há proibição do amianto e ano dessa

proibição.------------------------------------------------------------------------------------------ 138

MAPA 4 - Proibição do uso do amianto no mundo ------------------------------------ 139

MAPA 5 - Exportação brasileira de fibras de crisotila por país, em toneladas

(1.995 a 2.010) ---------------------------------------------------------------------------------

140

FOTOGRAFIA 14 - Rejeitos espalhados de forma aleatória na Caatinga

baiana --------------------------------------------------------------------------------------------- 147

FOTOGRAFIA 15 - Lago formado na cava de amianto de Bom Jesus da

Serra – BA --------------------------------------------------------------------------------------- 148

FOTOGRAFIA 16 - Cavas A e B resultado da extração do amianto. Ao fundo,

bancada de rejeitos de serpentinito ------------------------------------------------------- 150

FOTOGRAFIA 17 - Montanha de rejeitos de serpentinito com camada

superior ainda descoberta ------------------------------------------------------------------- 154

LISTA DE TABELAS

TABELA 1Evolução da produção brasileira de amianto – 1967-2011 ------- 54

TABELA 2Número de trabalhadores na lavra x produção de serpentinito:

1995 – 2007------------------------------------------------------------------------------------ 96

TABELA 3 – Número de trabalhadores no beneficiamento x produção da

fibra: 1995 – 2007----------------------------------------------------------------------------- 96

TABELA 4 – Postos de trabalho gerados pela SAMA entre 2008-2011 ------- 98

TABELA 5 – Participação dos setores econômicos na arrecadação do

Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em Minaçu-

GO: 2007-2012 (mil R$) -------------------------------------------------------------------- 99

TABELA 6 – Royaltys gerados pela exploração do amianto – 1996-2011 ---- 100

TABELA 7 – Quantidade e valor da comercialização de amianto – 1.996-

2011 ---------------------------------------------------------------------------------------------- 102

TABELA 8 – Consumo de água no processo de exploração de amianto pela

SAMA – 2008-2.011 (m³) ------------------------------------------------------------------- 150

TABELA 9 – Consumo de energia elétrica em Minaçu-GO – 2005-2011

(Mwh) -------------------------------------------------------------------------------------------- 153

LISTA DE SIGLAS

ABEA - Associação Baiana dos Expostos ao Amianto/Simões Filho - BA

ABEA - Associação Baiana dos Expostos ao Amianto/Poções - BA

ABREA – Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto

ADI – Ação Direta de Inconstitucionalidade

AGEA – Associação Goiana dos Expostos ao Amianto/Minaçu - GO

AMEA – Associação Mineira dos Expostos ao Amianto/Contagem - MG

AMIGO – Associação Amigo do Amianto de Goiás

ANDEVA – Associação Nacional de Defesa das Vitimas do Amianto

APEA – Associação Pernambucana dos Expostos ao Amianto/Recife - PE

APREA – Associação Paranaense dos Expostos ao Amianto/São José dos Pinhais -

PR

BM – Banco Mundial

BNDS – Banco Nacional de Desenvolvimento Social

BOVESPA – Bolsa de Valores de São Paulo

CANG – Colônia Agrícola Nacional de Goiás

CDL – Câmara de Dirigentes Lojistas

CEA – Comitê de Estudos do Amianto

CEE – Comunidade Econômica Europeia

CELG – Centrais Elétricas de Goiás

CENTRUS – Fundo de Pensão do Banco Central (Previdência Privada)

CFEM – Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais

CHESF – Companhia Hidrelétrica do São Francisco

CMI – Centro de Mídia Independente

CNTI – Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria

CPIB – Companhia Progresso Industrial do Brasil

DEM - Democratas

DÍNAMO – Fundo de Investimentos em Ações

DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral

EPM – Escola Paulista de Medicina

FETAEG – Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Goiás

FMI – Fundo Monetário Internacional

IARC – Agência Internacional para Pesquisa do Câncer

IBC – Instituto Brasileiro Crisotila

IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente

ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços

INCOR – Instituto do Coração

INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária

IUM – Imposto Único sobre Minerais

MAB – Movimento dos Atingidos por Barragens

METAGO – Metais de Goiás

MLST – Movimento de Libertação dos Sem Terra

MME – Ministério de Minas e Energia

MPT – Ministério Público do Trabalho

MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terras

MLST – Movimento de Libertação dos Sem Terras

OIT – Organização Internacional do Trabalho

OMS – Organização Mundial de Saúde

OSCIP – Organização Social de Interesse Público

PAC – Programa de Aceleração do Crescimento

PMDB – Partido Mobilização Democrático Brasileira

PSDB – Partido Social Democrata Brasileiro

SAMA – Minerações Associadas

SANEAGO – Saneamento de Goiás

SENAI – Serviço Nacional da Indústria

SEPLAN – Secretaria de Planejamento do Estado de Goiás

SESI – Serviço Social da Indústria

SGM – Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral

SIC – Secretaria da Indústria e Comércio do Estado de Goiás

SUS – Sistema Único de Saúde

STF – Supremo Tribunal Federal

STJ – Superior Tribunal de Justiça

TSE – Tribunal Superior Eleitoral

UEG – Universidade Estadual de Goiás

UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas

UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo

USP – Universidade de São Paulo

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ---------------------------------------------------------------------------

15

CAPÍTULO 2 – IMPERIALISMO E PRODUÇÃO DO ESPAÇO URBANO -

21

2.1 Uma breve reflexão histórico-estrutural sobre o imperialismo -------------

21

2.2 A cidade e o urbano nas tramas do imperialismo -----------------------------

34

CAPÍTULO 3 – A CONSTRUÇÃO DO IMPÉRIO DO AMIANTO --------------

40

3.1 A trajetória da família Schmidheiny e o negócio do amianto ---------------

40

3.2 O capital-amianto no Brasil e a política mineral brasileira ------------------

46

3.3 As reações às leis estaduais que proíbem o amianto em alguns

estados brasileiros: As ações Diretas de Inconstitucionalidade-----------------

59

CAPÍTULO 4 – “URBANIZAÇÃO AUTORITÁRIA”: A CONDIÇÃO DO

URBANO EM MINAÇU-GO -------------------------------------------------------------

64

4.1 A política da “Marcha para o Oeste” e sua influência na urbanização

em Goiás --------------------------------------------------------------------------------------

64

4.2 A emancipação política de Minaçu-GO ------------------------------------------

68

4.3 Modelos de urbanização autoritária -----------------------------------------------

72

4.4 Alguns exemplos de “urbanização autoritária” no Brasil ---------------------

75

4.5 Cidade de Minaçu-GO, produto do império do amianto ---------------------

80

CAPÍTULO 5 – A GEOGRAFIA DA SAÚDE E A FORÇA DESTRUTIVA

DO CAPITAL --------------------------------------------------------------------------------

107

5.1 Pesquisas médico-científicas e Constatação das doenças causadas

pelo amianto ---------------------------------------------------------------------------------

113

5.2 O capital-amianto e o Estado: aliados na produção do silêncio das

vítimas e na defesa do uso controlado do amianto --------------------------------

121

5.3 Os movimentos sociais e a luta pelo banimento do amianto ---------------

133

5.4 A força destrutiva do capital-amianto ---------------------------------------------

144

CAPÍTULO 6 – O TRABALHO E A VIDA--------------------------------------------

157

6.1 Como os malefícios do amianto foi percebido pelos trabalhadores-------

158

6.2 Acordo e indenizações----------------------------------------------------------------

161

6.3 Os exames e a ocultação da verdade sobre a saúde dos ex-

trabalhadores---------------------------------------------------------------------------------

165

6.4 Como os ex-trabalhadores percebem o sindicato-----------------------------

170

6.5 Como os ex-trabalhadores percebem a empresa------------------------------

173

6.6 O amianto na legislação brasileira e em outros países-----------------------

177

184

6.7 A discussão sobre o amianto chega ao Supremo Tribunal Federal-------

191

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS -----------------------------------------------------------

REFERÊNCIAS -----------------------------------------------------------------------------

196

APÊNDICES----------------------------------------------------------------------------------

207

APÊNDICE A – Transcrição da entrevista realizada com Lúcia de Souza e

Silva e sua irmã Cláudia, filhas do Sr. Manoel de Souza e Silva (ex-

trabalhador da SAMA falecido por câncer provocado pelo amianto) ---------

208

APÊNDICE B – Transcrição da entrevista com o Sr. Gerson Flauzino

215

trabalhador aposentado da SAMA doente com asbestose-----------------------

APÊNDICE C – Transcrição da entrevista com o Sr. Antônio Flauzino Filho

ex-trabalhador da Sama, irmão do Sr. Gerson Flauzino, e também doente

220

de asbestose e placa pleural-------------------------------------------------------------

APÊNDICE D – Transcrição da entrevista com o Sr. Ilton Batista

Cascalho, ex-trabalhador da SAMA, com nódulos calcificados nos 224

pulmões----------------------------------------------------------------------------------------

230

ANEXOS---------------------------------------------------------------------------------------

ANEXO A - A judicialização da questão do amianto no Brasil: leis federais,

estaduais e municipais. -------------------------------------------------------------------

231

15

INTRODUÇÃO

A pesquisa que ora se apresenta ocupou-se do debate sobre o imperialismo

como modo de ser do capitalismo contemporâneo e sua relação com o espaço

urbano visto a partir da indústria do amianto e, consequentemente, é perpassada por

temas como trabalho, saúde dos trabalhadores expostos ao amianto e movimentos

sociais que defendem o banimento deste mineral. A forma genérica/universal do

imperialismo expressa-se concretamente sob formas diversas nos diferentes

lugares/partes do mundo. Cada parte, anunciando o mundo no lugar, compõe o

mosaico de lugares que formam a totalidade social imperialista. Do ponto de vista do

método de interpretação, isto impõe pensar a partir da dialética do universal-

particular refletida no modo pelo qual o imperialismo efetivamente se realiza. Este

procedimento analítico coloca o desafio de fazer as reflexões necessárias

relacionando teorias e fatos, de modo a identificar e compreender como os

processos de ordem geral realizam-se em âmbito particular. E, em contrapartida as

teorias e os conceitos, enquanto instrumentos de análise, permitiram que esse

particular elucidado iluminasse a generalidade dos processos estudados relativos a

exploração do amianto em Minaçu-Goiás.

O objeto da pesquisa é, pois, a indústria do amianto no contexto do

imperialismo – no que ela tem de mais universal – e a cidade de Minaçu em Goiás –

no que ela tem de particular. A primeira relação entre estes dois fenômenos é

justamente o fato de a cidade de Minaçu-GO abrigar a terceira maior mina de

amianto do mundo e única da América Latina e do Brasil em atividade. Portanto, a

indústria do amianto no Brasil tem sua base nesta pequena cidade do interior do

Estado de Goiás a que pouca importância é dada nos mapas. A cidade de Minaçu

está no centro dos debates sobre os malefícios causados pelo amianto à saúde

humana.

Pressupõe-se que a indústria do amianto é uma forma imperialista particular

no interior do imperialismo, pois é um ramo do conjunto do capital. Para nomear esta

forma particular de imperialismo cria-se, nesta pesquisa, a noção de império do

amianto. A sua história que é parte constituinte da história do imperialismo, ambas