Inocência roubada por Maria Carolina Bittencourt Socreppa; Soraya Ruiz - Versão HTML

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INOCÊNCIA ROUBADA

1Maria Carolina Bittencourt Socreppa; 1Soraya Ruiz de Souza Sanches 2Alex Eduardo Gallo

RESUMO: Essa pesquisa teve como objetivo caracterizar os danos físicos e psicológicos causados pelo abuso sexual intra-familiar contra criança. A partir de visitas em uma instituição filantrópica e do contato com as vítimas do abuso, através de brincadeiras lúdicas e estruturadas, foi feito um paralelo com conhecimentos já elaborados para identificar as conseqüências que envolvem a problemática. As vítimas sentiam-se muitas vezes aprisionadas pelo medo, pela dúvida e pela culpa, silenciando seus mais ingênuos sentimentos que são esmagados por aqueles que deveriam lhe dar carinho e proteção, ou seja, seus pais ou familiares próximos; os resultados mostraram que os comportamentos físicos e psicológicos das crianças abusadas são correspondentes ao que a literatura trazia. O mal uso da autoridade dos pais; humilhação; intimidação; estimulação precoce da sexualidade acompanhada ou não de agressão física e erotização do afeto gerando uma confusão nos valores transmitidos à criança e podendo deixar seqüelas irreversíveis.

Dessa forma surge a necessidade de divulgar os assuntos, para assim reduzir a problemática em questão e possibilitar o aumento do número de denúncia contra essa violência, além de sugerir aos pais e responsáveis que fiquem atentos aos comportamentos dos seus filhos.

PALAVRAS -CHAVES: Abuso Sexual Intra-familiar;Infância; Psicológica.

INTRODUÇÃO

Essa pesquisa vem de encontro com a preocupação com os altos índices de abuso sexual infantil doméstico como problema social de grande relevância, logo surgiu à necessidade de informar e conhecer essa realidade da qual a criança é vítima e muitas vezes é mascarada, produzindo assim conhecimento científico. Sabe-se também, que só será possível recuperar o desenvolvimento psicológico dessas crianças através de uma contribuição social que gere ema ação educativa e que evite conseqüências mais graves, proteger a infância que de alguma forma está cercada pela violência (física, psicológica e/ou sexual), sofrendo em casa, muitas vezes calada e principalmente sem a proteção daqueles que deveriam lhe oferecer carinho e afeto tornam-se os abusadores.

O abuso sexual, segundo Araújo (2002), é definido como sendo qualquer conduta sexual que envolva a criança em uma relação, na qual a mesma é conduzida por um adulto ou criança mais velha ao sexo ou ao despertamento sexual, provocando uma alteração em seu desenvolvimento e podendo causar danos de efeito emocional, cognitivo, inter-pessoal, comportamental, físico e sexual.

1 Discentes do Curso de Psicologia. Departamento de Psicologia do Centro Universitário de Maringá –

Cesumar, Maringá– Paraná. Bolsistas IC/Fundação Araucária.

mcarol_socreppa@hotmail.com;

sorayaruiz17@hotmail.com

2 Docente do Curso de Psicologia. Departamento de Psicologia do Centro Universitário de Maringá –

Cesumar, Maringá – Paraná aedgallo@yahoo.com.br

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A violência envolve uma relação de poder, no qual quem detém maior poder, controle exerce o domínio caracterizando a violência. No caso do abuso sexual infantil doméstico, a violência ocorre dentro do especo doméstico não se limitando apenas à família.

Sanderson (2005), destaca que o abuso sexual infantil pode ser definido como um ato que force ou incite uma criança a tomar parte em atividade sexuais, cientes ou não do que está acontecendo; sendo que essas atividades podem envolver contato físico, incluindo atos penetrantes e não penetrantes, mas também sem contato como mostrar material pornográfico ou faze-la produzir, ou ainda encoraja-la a se comportar de maneiras sexualmente inadequadas. Sanderson salienta ainda, que existem sinais e sintomas do abuso sexual e que para proteger a criança, os pais devem estar atentos às mudanças de comportamento, como por exemplo, comportamentos sexuais inadequados com brinquedos e objetos, pesadelos ou distúrbios do sono, isolamento, retraimento, insegurança, comportamentos regressivos, medos inexplicáveis de pessoas, agressividade, mudanças de hábitos alimentares, dores físicas entre outros sinais emocionais como, vergonha, repulsa, culpa, constrangimento, ansiedade e timidez.

Kenell e Ruma (1999) abordam um aspecto muito importante sobre as crianças vítimas do abuso sexual que se refere ao sentimento de que a inocência foi perdida, sentimento de que os sonhos foram destruídos, culpa, baixa auto-estima e outros.

Diante desses fatores, essa pesquisa tem por objetivo caracterizar os danos físicos e psicológicos causados pelo abuso sexual infantil doméstico de crianças que estão em processo de recuperação em uma instituição filantrópica de caráter religioso, visando esclarecer a problemática em questão.

MATERIAL E MÉTODO

Para realizar essa pesquisa, participaram cinco crianças vítimas de abuso sexual, com as quais foram realizadas atividades lúdicas e estruturadas, como jogos, massa de modelar, tinta guache, filmes, leitura de histórias, confecções de chocalhos, pintura de máscaras, fantoches e brincadeiras de bola, pega-pega, esconde-esconde e no parquinho da instituição, visando também à observação do relacionamento social entre as crianças; foi possível perceber os diversos danos físicos e psicológicos; e o impacto que os mesmos podem refletir no desenvolvimento dessas crianças. Utilizou-se também de um roteiro de entrevista semi-estruturada, abordando questões que envolveram idade atual da criança e idade do abuso, há quanto tempo estão na instituição, há quanto tempo sofreu o abuso, o grau de comprometimento visível, a relação com os pais biológicos, a relação com os pais sociais e o desempenho escolar, sendo que essa entrevista foi realizada com a Diretora Admi nistrativa da instituição. Após a coleta de dados na instituição, ocorreu a análise qualitativa dos mesmos, comparando-os com os encontrados na literatura.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados reafirmaram os comportamentos físicos e psicológicos que a literatura trazia sobre o assunto, sendo caracterizado como danos psicológicos nas crianças observadas, problemas de aprendizagem, de socialização, insegurança, ansiedade, vergonha, medo, agressividade, isolamento, desconfiança, entre outros. A tabela a seguir apresenta as atividades desenvolvidas e os comportamentos apresentados.

Tabela 1: Atividades lúdicas X Sinais observados durante as brincadeiras.

Atividades Lúdicas

Comportamentos Apresentados

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Jogos

Agressividade, disputa, cognição, medo, isolamento.

Massa de Modelar

Agressividade, insegurança, raiva, comportamentos inadequados.

Tinta Guache

Brigas, ciúmes, isolamento, insegurança.

Filmes

Relação com os papéis familiares, medo, raiva.

Leitura de histórias

Medo, disputa, isolamento, socialização, cognição.

Confecção de Raiva, insegurança, medo, vergonha, ciúmes, agressividade, relação chocalhos/mascaras

social.

fantoches

Agressividade, raiva, comportamentos inadequados com brinquedos e objetos (sexuais).

Brincadeiras ao ar livre

Agressividade, competitividade, isolamento, medo, insegurança, ciúmes, vergonha e relação social.

Fonte: Dados coletados na instituição de caráter religioso.

CONCLUSÃO

Diante dos resultados obtidos, faz-se necessário divulgar o assunto, valorizando a problemática no sentido de erradicar o problema, utilizando assim de serviços de denúncia como o disque 100. E sugerir que pais e responsáveis estejam atentos aos comportamentos de seus filhos, alertando-os sobre os perigos do abuso e assim protegendo-os para que não se tornem vítimas de uma violência que pode deixar marcas para o resto da vida.

REFERÊNCIAS

ARANHA, Ana. Revista Época: Em defesa das crianças: um nova forma de tomar depoimentos de menores vítimas de violência sexual pode virar lei. Onde a técnica é aplicada, há seis vezes mais condenações de criminosos. 7 de janeiro de 2008. Ed.

Globo. São Paulo.

ARAUJO, Maria de Fátima. Violência e abuso sexual na família. Psicologia em estudo, jul-dez, vol. 7, n.2, 2002.

ASSIS, Simone Gonçalves de. Resilência: enfatizando a proteção dos adolescentes/

Simone Gonçalves de Assis; Renata Pires Pesce, Joviana Quintes Avanci. – Porto Alegre: Artmed, 2006.

AZEVEDO, Maria Amélia e GUERRA, Viviane Nogueira de Azevedo. Infância e violência doméstica: fronteiras do conhecimento. São Paulo. Ed. Cortez, 2000.

AZEVEDO, Célia Maria Perracini e FABRE, Luzia Viviane. Ajude a criança a superar seus problemas psicológicos. Curitiba. Ed. Pinha, 1995.

CALAFIORI, Beatriz de. Revista: Quebrando o silêncio – Sinais dos tempos. São Paulo.

Ed. Rubens Lessa. Casa Publicadora Brasileira, 2007.

CRAMI – Centro Regional aos Maus-tratos na infância. Abuso sexual doméstico: atendimento às vítimas e responsabilização do agressor. São Paulo. Editora Cortez, 2005.

CUNNINGHAM, Alison. Overview of Issues related to child testimony: a full and candid account. Canadá. Department of justice Canadá, 2007.

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GRAPEIA, Leonardo Soares . Resiliência. Obtido via internet, http://www.webartigos.com/articles/1481/1/Resilencia/Pagina1.html, 2007.

OLIVEIRA, Juarez. Código Penal . Obtido via internet, www.cahrtp.uem.br, 1995.

PADILHA, Maria da Graça Saldanha. Prevenção Primária de abuso sexual: Avaliação da eficácia de um programa com adolescentes e pré-adolescentes em ambiente escolar.

São Carlos. UFSCar,2007.

SANDERSON, Christiane. Abuso sexual em crianças: fortalecendo pais e professores para proteger crianças de abusos sexuais. São Paulo. Ed. M. Books do Brasil, 2005.

STEINER, Maria Helena Figueiredo. Quando a criança não tem vez: violência e desamor. São Paulo. Ed. Pioneira, 1986.

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