Instrumento de gestão e de transparência da responsabilidade social corporativa por Balanço social - Versão HTML

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Balanço social: Instrumento de gestão e de transparência da responsabilidade social

corporativa

RESUMO

O Balanço Social se constitui uma conseqüência das pressões sociais realizadas pela

sociedade às empresas materializando a transparência das ações sócio-ambientais e

econômicas realizadas por essas instituições, isto é um instrumento evidenciador da

responsabilidade social corporativa. No Brasil, a elaboração e divulgação do Balanço

Social passaram a ser obrigatório para as companhias abertas após o surgimento da Lei

11.638/07. Este artigo objetiva demonstrar a importância da divulgação do

comprometimento social das empresas através do Balanço Social perante os

stakeholders e analisar a estrutura do modelo de Balanço Social elaborado IBASE, GRI

e Instituto ETHOS. A técnica de pesquisa adotada para elaboração deste trabalho foi a

partir de pesquisas bibliográficas, isto é, leitura e explicação de contribuições científicas

já elaboradas. Constatou-se que a divulgação do Balanço Social é uma forma de

fortalecer a imagem institucional das companhias, marcas e produtos ligados a ela. No

caso dos produtos e serviços, os stakeholders dão primazia aos oferecidos por empresas

socialmente responsáveis em detrimento a outros, iguais em preço e qualidade, de

empresas sem comprometimento social porque esses produtos/serviços agregam um

interesse nos stakeholders de colaboração a causa social apoiada pela empresa. O ato se

consolida através da compra do produto ou serviço. Esse demonstrativo também é

empregado como ferramenta gerencial por evidenciar informações sobre políticas

administrativas contribuindo no controle e ajuda do processo decisório e de

determinação de estratégias.

Palavras-chaves: Balanço Social. Responsabilidade Social Corporativa. Stakeholders .

INTRODUÇÃO

Sabe-se que para escolher aqueles investimentos mais atrativos, assim como no

processo de tomada de decisão interna, investidores e administradores se orientam por

demonstrativos evidenciadores de informações econômico-financeiras das empresas.

A conjuntura econômica nos mostra que a globalização e o avanço da tecnologia, esta

quando massacrante, trazem sérias conseqüências ao meio ambiente e ao ser humano.

Isso se manifesta através de acidentes ecológicos e de condições subumanas que

empresas submetem seus colaboradores em nome do lucro e dos resultados financeiros

cada vez mais desafiantes. Então, torna-se imprescindível que haja uma forma de coibir

atitudes devassas dessas empresas e premiar aquelas que fazem alguma ação benéfica

pela comunidade e pelo meio ambiente. A partir dessa necessidade o Balanço Social se

constitui como uma ferramenta de tornar pública a responsabilidade social e o nível de

comprometimento social das empresas. Internamente, é considerado um relatório de

desenvolvimento do capital-trabalho por apresentar o perfil do corpo funcional e

investimentos na sociedade e meio ambiente.

Melo Neto (2004) afirma que a idéia de responsabilidade social foi levantada entre o

final do século XIX e início do século XX. Sua popularização ocorreu nos anos 60 nos

EUA e na Europa, no Brasil só no início dos anos 80. Atualmente, o assunto possui uma

vasta literatura e recebe vários sinônimos como: responsabilidade social corporativa,

cidadania corporativa, cidadania empresarial. O termo é considerado como uma postura

voltada para a prática de promover o bem. Nesse caso as ações sociais revelam um

comprometimento em transformar o social mediante a compreensão dos problemas e da

importância da comunidade, ou seja, a empresa socialmente responsável observa sua

razão de existir além de visar ao lucro comprometendo-se em cooperar por uma

transformação social que quebre as barreiras das injustiças. Políticas Sociais

promovidas pelas empresas acontecem por meio de: comprometimento com os

interesses públicos; criação de ofertas de empregos; estímulo aos funcionários a

sensibilizarem-se com as questões sociais; valorização e favorecimento dos talentos dos

funcionários; garantia da lisura da boa imagem Institucional da empresa.

Então, a idéia de responsabilidade social é bastante abrangente envolvendo a

preocupação com os funcionários, preservação do meio ambiente, respeito à diversidade

social, entre outras.

A empresa para ser designada como empresa socialmente responsável adota projetos na

área social (educação e saúde), proteção ao meio ambiente, igualdade nas oportunidades

de empregos, doações para ajudar em campanhas e patrocínios de associações e eventos.

A riqueza da empresa, denominada contabilmente como patrimônio, está relacionada à

imagem da empresa perante o consumidor. A prática da responsabilidade social,

espontânea ou por pressão de grupos ambientalistas, atualmente não se constitui apenas

em uma tendência, uma vez que a empresa que se preocupa em realizar projetos sociais

detém vantagem competitiva em relação às outras, já que a responsabilidade social liga-

se a imagem da empresa e aos produtos.

Diante do contexto, a figura do Balanço social torna-se ferramenta facilitadora para

transparecer as ações sociais e nortear decisões específicas na empresa. No Brasil, até

então, sua publicação tinha caráter voluntário, exceto Rio Grande do Sul, pois não

existia lei que obrigasse sua elaboração e publicação. Mas, a Lei Federal nº. 11.638 de

28 de dezembro de 2007, que tornou obrigatória a elaboração e a publicação da

Demonstração do Valor Adicionado para companhias abertas, logo, alcança Balanço

Social, uma vez que a DVA é parte integrante do mesmo.

De acordo com as fontes consultadas, atualmente, não existi um modelo padrão de

Balanço Social, por isso as empresas costumam adotar modelos propostos por institutos,

como o do ETHOS, IBASE e GRI fazendo ou não algumas adaptações.

Este trabalho buscou responder a questão-problema: Qual a importância da elaboração e

divulgação do Balanço Social para a empresa e para a sociedade como um todo?

O trabalho também buscou mostrar a estrutura dos modelos de Balanço Social

elaborado IBASE, GRI e Instituto ETHOS. Voltada para essas questões que se quer

examinar, aplicou-se pesquisa de cunho descritiva, que é a análise das características do

assunto. A técnica de pesquisa adotada é a de caráter bibliográfica, que é a análise e

explicação das produções textuais já existentes.

A CONCEPÇÃO DE BALANÇO SOCIAL E A SUA VINCULAÇÃO COM A

RESPONSABILIDADE SOCIAL CORPORATIVA

A procedência da palavra balanço provém do latim bilancis e significa hi-dois; lancis =

prato, ou seja, dá a idéia de balança, o que nos remete a noção de equilíbrio entre

grandezas. Por isso, o termo Balanço Social, no sentido conceitual, é considerado como

inadequado por estudiosos contábeis, já que esse demonstrativo corresponde a um

relatório de evidenciação das ações sociais corporativas. O Balanço social, também

denominado Relatório de Sustentabilidade ou Relatório da Responsabilidade Social, é

um produto da Contabilidade Social publicado anualmente pela empresa que procura

demonstrar aos interessados um conjunto de informações relacionadas aos projetos

ambientais e ações sociais.

A norma Brasileira de Contabilidade NBC-T nº15, resolução CFC n°935/02 apud

Santos (2004, p. 15) define o balanço social como:

Demonstração contábil que tem por objetivo a

evidenciação de informações de natureza

social com vistas a prestar contas a sociedade

pelo uso dos recursos naturais e humanos,

demonstrando o grau de responsabilidade

social da entidade.

O Balanço Social se configura como uma ferramenta capaz de mostrar com clareza

informações socioeconômicas e financeiras a cerca da atuação de cada empresa no meio

social, ou seja, é uma forma de transparecer, reunir e tornar pública sua

responsabilidade social através de informações estruturadas. Ele serve como

complemento às informações tratadas pelos demonstrativos financeiros tradicionais.

Para Kroetz (1999) ele deve ser considerado, sobretudo, uma ferramenta gerencial, já

que exprime e evidencia dados relativos a qualidade e quantidade das políticas

administrativas, da interação da empresa com o meio externo. Essa interação pode ser

analisada de maneira que favoreça a escolha de estratégias.

Grzybowski (2006, apud BARBOSA, s.d.), também considera esse relatório como um

objeto de gestão e não um objeto de marketing. Através de sua análise, os

administradores detectam pontos fracos da empresa em matéria de investimentos

socioambientais e, consequentemente, consegue-se visualizar as áreas carentes de

investimentos dessa natureza.

O PÚBLICO ALVO DO BALANÇO SOCIAL: A QUEM AS INFORMAÇÕES

SOCIAIS SE DESTINAM

A empresa interage com as células sociais exercendo influências favoráveis e

desfavoráveis na esfera social, humana e ambiental. Então, os tipos de informações

tratadas no balanço social alcançam várias informações contábeis (econômicas e

sociais) para atender aos interessados.

Para Tinoco (2002) a sociedade inteira é o publico alvo das informações contidas no

Balanço Social, desde os grupos que prestam serviços a empresa (empregados), aqueles

que usam/compram produtos seu (clientes), os acionistas potenciais e controladores, o

governo, as autoridades monetárias, gestores, fornecedores, enfim todos aqueles que

fazem parte do ambiente interno e externo da empresa. Cada um possui interesses

específicos, por exemplo, os clientes voltam a atenção para o modo com que é

produzido os produtos, isto é, se na sua produção envolve algum processo de

degradação ambiental e se estão sendo oferecidos com boas condições.

Complementando, Santos (2004) afirma que é através desse relatório que os

empregados constatam políticas de investimento da empresa no corpo funcional; os

fornecedores e investidores constatam o tipo de administração, se é aquela voltada para

o bem estar social e qualidade de vida, valorização dos valores humanos dos

empregados; os gestores utilizam o balanço social como subsídio para tomada de

decisão sobre investimentos sociais em alguma área necessitada.

Portanto, o Balanço Social, na qualidade de ferramenta gerencial fornece à empresa

informações valiosas para tomada de decisão e adoção de estratégias.

OS OBJETIVOS DO BALANÇO SOCIAL

O Balanço Social tem como o principal objetivo mostrar à sociedade a atuação

socialmente responsável da empresa, uma vez que, as ações desenvolvidas em prol da

melhoria da sociedade e do meio ambiente ajudam instigar a valorização da cidadania

corporativa acarretando no estreitamento da relação da empresa/sociedade.

Para Kroetz (2001), nos dias atuais, a elaboração do Balanço Social é adotada por

muitas empresas e esse número vem crescendo por vários motivos: tornar público o

planejamento e execução das ações socioambientais realizadas pela empresa;

demonstrar a colaboração da empresa em prol da melhoria da qualidade de vida dos

funcionários; mostrar os dispêndios destinados ao desenvolvimento de pesquisa e

tecnologia; construção de uma espécie de banco de dados com informações que

auxiliem na tomada de decisão interna sobre as áreas carentes de investimento.

Afinal, esse demonstrativo pode ser considerado instrumento de amplificação do grau

de confiança da sociedade na empresa, assim como mostrar que o foco da empresa não é

só o resultado lucrativo, mas também o resultado social devido a sua atuação

socioambiental. O Balanço Social também se configura como um instrumento de

negociação entre empresa e sindicatos ou representantes dos funcionários, além de

agregar valor a marca e a imagem da empresa.

Portanto, ele evidencia publicamente política social empresarial a favor do crescimento

e desenvolvimento da sociedade por meio de: abertura de novas vagas de emprego;

gastos com treinamento para formação profissional; assistência social; medicina do

trabalho para corpo funcional e políticas voltadas para proteção e preservação do meio

ambiente.

Santos (2004) aprofunda mais o objetivo desse demonstrativo afirmando que a

elaboração e divulgação do Balanço Social representam táticas de sobrevivência da

empresa no mercado, porque o consumidor no momento de comprar um produto, além

de levar em consideração a qualidade do produto, também inclui a responsabilidade

social exercida por ela.

ELEMENTOS DA HISTÓRIA DO BALANÇO SOCIAL ATRAVÉS DOS

TEMPOS

Determinar o ano exato do surgimento do Balanço Social, segundo Santos (2007), não é

tarefa fácil. Sabe-se que é um instrumento já elaborado há algumas décadas nos Estados

Unidos da América, Canadá e na Europa por países como Alemanha, Espanha,

Inglaterra, França e Portugal. A formação da idéia de responsabilidade social foi

introduzida no mundo dos negócios na década de 1930.

O referido autor afirma que o Balanço Social era publicado na Alemanha em 1939. Na

América, só durante a década de 60 nos EUA, no tempo do governo de Nixon que

relacionou à aplicação da responsabilidade social nas empresas. Então, foi a partir daí

que surgiu a idéia das empresas informarem a sociedade da sua atuação em benefício

dos stakeholders . Esse interesse ocorreu devido ao acontecimento da guerra do Vietnã

que desencadeou na sociedade uma ação de hostilidade às empresas.

Essa hostilidade repercutiu na rejeição aos produtos das empresas que financiavam a

guerra

e

ao

governo

atual.

Silva e Freire (2001, apud Santos 2004) enfatiza mais essa questão ao afirmar que

organizações de sociedades civis disseminaram a idéia de que os armamentos bélicos

prejudicavam o meio ambiente e impactavam negativamente na sobrevivência do

homem. Então, as empresas envolvidas na guerra tiveram sua imagem desgastada e

também por praticarem discriminação contra pessoas em função da raça e sexo no

ambiente de trabalho nos EUA.

O Balanço Social veio como alternativa para reverter essa imagem negativa perante os

investidores e acionistas.

A década de 1970 foi o marco da popularização da idéia de responsabilidade social na

Europa, pois nessa época várias empresas elaboraram os primeiros Balanços Sociais.

“Em 1971 a companhia alemã STEAG produziu uma espécie de relatório social, um

balanço de suas atividades sociais.”(SANTOS, 2007, pág 9). Em 1972 a SINGER,

empresa francesa, preparou o primeiro Balanço Social da história.

Segundo Silva e Freire (2001 apud BARBOSA, 2005) a idéia de evidenciar o

comportamento sócio-responsável corporativo aqui no Brasil surgiu na década de 60 e

foi fortemente influenciada pela ADCE (Associação dos Dirigentes Cristãos de

Empresas). No Brasil, a Nitrofertil, em 1984 , elaborou o primeiro demonstrativo

similar a um típico Balanço Social, concomitantemente, uma companhia denominada

TELEBRAS também elaborava o seu relatório. Todavia, só a partir da década de 90 é

que as empresas, raras, começaram a considerar seriamente a idéia de se elaborar um

documento de divulgação das duas ações de cunho sócio-ambiental para a sociedade.

O BANESPA, por sua vez, também teve participação nesse processo de inserção da

prática de elaboração e divulgação do Balanço Social e em 1992 elaborou o seu. Isto lhe

rendeu o direito de participar do rol das empresas precursoras do Balanço Social.

O sociólogo Herbert de Sousa (conhecido por Betinho) e o IBASE (Instituto Brasileiro

de Análises Sociais e Econômicas) elaboraram em conjunto com representantes de

empresas públicas e privadas um modelo simples de Balanço Social. Considerara-se

simples porque organiza e estrutura as informações socioambientais num padrão de fácil

entendimento. Padronizar informações através de modelos constitui-se uma forma de

avaliar de maneira adequada a informação social de uma empresa para outra. O instituto

ETHOS também teve participação ativa elaborando um modelo de Balanço Social

adaptado do modelo sugerido pelo IBASE.

O site do IBASE (pesquisa realizada em 24 nov. 2009) informa que empresas que

adotam o modelo mínimo de Balanço Social proposto pelo IBASE podem receber o

direito de utilizar o Selo Balanço Social IBASE/Betinho, nos documentos da empresas,

nos papéis, produtos, embalagens, sites, entre outros meios. No entanto, o selo não pode

ser conferido à empresas de cigarros, bebidas alcoólicas e armas de fogo/munições,

inclusive o direito de usá-lo poderá ser vetado ou suspenso pelo IBASE segundo

critérios que podem ser observados no site do www.balançosocial.org.br.

O CONJUNTO DE LEIS ACERCA DO BALANÇO SOCIAL

A figura do Balanço Social na França é bastante tradicional, mas a obrigatoriedade da

elaboração e divulgação naquele país só aconteceu a partir de 1970 através da Lei

77.769 de 13 de julho de 1977 afirmou Barbosa (2005).

No Brasil, nas últimas décadas, muitos projetos de lei foram propostos referente a

obrigatoriedade da elaboração e divulgação desse relatório. Na esfera Federal, temos o

projeto de Lei nº 3.116 de 14 de maio de 1977 elaborado pelas Deputadas Marta

Suplicy, Sandra Starling e Maria da Conceição Tavares. O projeto defendia a

obrigatoriedade para empresas públicas independente do número de empregados e para

as privadas que possuíam mais de cem empregados no exercício anterior a sua

elaboração. No entanto, foi substituído pelo projeto nº32/99 elaborado pelo deputado

Paulo Rocha-PT BA.

No campo estadual um projeto de lei proposto pelo Deputado Estadual Cezar Buzaatto e

elaborado com participação do Conselho de Contabilidade do Rio Grande do Sul

transformou-se na Lei nº 11.440 de 18 de janeiro de 2000, obrigando a elaboração do

Balanço Social para as empresas situadas no Rio Grande do Sul.

O Vereador Helio Corebelini, filiado ao PBS, criou um projeto de lei que acabou sendo

aprovado e transformando-se na Lei nº 8.118/98. Essa Lei tornou compulsória a

elaboração do Balanço Social das empresas situadas no município de Porto Alegre. Ela

foi publicada no Diário Oficial de 09 de janeiro de1998.

No sudeste do país temos registros em São Paulo. Nesse Estado, uma resolução de

nº005/98, elaborada pela Vereadora Adaiza Sposati, criou o Dia e o Selo da empresa

cidadã. Essa resolução direciona-se a premiar as empresas de São Paulo que

apresentaram qualidade no seu Balanço Social. Em Santo André-SP, o Vereador

Carlinhos Augusto apresentou um projeto de Lei 004/97 que tratou da Criação do Selo

Empresa Cidadã como forma de premiar empresas que também mostrarem qualidade

em seu Balanço Social. Posteriormente, esse projeto transformou-se na Lei nº7.672 de

18 de junho de 1998.

Na região nordeste, estado da Paraíba, foi estabelecido através do projeto de Resolução

nº 004/98, de autoria do Vereador Júlio Rafael o selo Herbert de Souza às empresas que

exibirem qualidade em seu Balanço Social.

Todas as informações mencionadas acima foram extraídas do site do Ministério Público

de Santa Catarina no texto Responsabilidade Social e Balanço Social disponibilizado no

endereço http://www.mp.sc.gov.br/gim/nv0_geral/infouteis_balanco.asp.

Atualmente, com a aprovação da Lei Federal nº 11.638/07 em 28 de dezembro de 2007

que tornou compulsória a elaboração e divulgação do Demonstrativo de Valor

Adicionado para as companhias abertas, o Balanço Social passa também a ter esse

caráter, uma vez que a DVA é parte integrante do Balanço Social, afirmou Iudicíbus

(2009).

AS

ESFERAS

DO

BALANÇO

SOCIAL

Atualmente, os modelos propostos de Balanço Social por institutos abrangem três

assuntos: recursos humanos, meio ambiente e valor adicionado. As informações a cerca

desses assuntos quando bem analisadas se constituem numa fonte informativa preciosa.

A elaboração do mesmo contempla a participação do departamento de pessoal;

departamento contábil e departamento de sistema de informação contábil da empresa,

afirma (TINOCO 2001, apud SANTOS 2004).

De acordo com Santos (2004), no geral, a seção recursos humanos traz informações

referente ao perfil funcional e aos benefícios que lhe são conferidos pela empresa,

quantidade de funcionários, classificação por sexo, idade, nível de escolaridade, auxilio

cesta básica, entre outros.Essa abordagem constitui como um subsídio para as

estratégias de investimento no corpo funcional ao identificar as faixas etárias e sexos

menos beneficiados, consegue-se promover uma espécie de gerenciamento das

atividades humanas dentro da empresa. Para os interessados externos, como o governo,

auxilia na identificação dos setores menos beneficiados pelas políticas públicas e com

isso facilita o direcionamento de recursos.

Os indicadores ambientais trazem informações da responsabilidade ambiental da

empresa englobando investimentos em tecnologias antipoluentes, como máquinas,

equipamentos, instalações, afirma Ribeiro e Lisboa (1999, apud BARBOSA,2005).

Esse enfoque demonstra o desejo da empresa, o comprometimento corporativo com as

questões ambientais, uma vez que, essa interação influencia diretamente na

continuidade da empresa, porque empresas que pratiquem atividades poluentes estão

sujeitas a interdição governamental, multas, entre outras consequencias.

A Demonstração do Valor Adicionado, outra seção do Balanço Social, compreende

informações de natureza econômica como a quantidade de recursos gerada pela

atividade empresarial na economia. Durante o processo de procura por soluções para os

problemas sociais emergentes e crescentes o governo analisa as informações trazidas

pela DVA de cada empresa.

A Lei Federal n° 11.638/07, conforme mencionada anteriormente, tornou obrigatória a

elaboração com base na escrituração mercantil e a divulgação da DVA para as

companhias abertas no fim do exercício social. A DVA deve indicar no mínimo: o valor

da riqueza gerada pela companhia, a sua distribuição entre elementos que contribuíram

para a geração dessa riqueza, tais como empregados, acionistas, e outros, bem como a

parcela desse patrimônio não distribuída, conforme dispõe o artigo 188 dessa lei.

A Lei não determina um modelo padrão, apenas um que se demonstre um mínimo do

patrimônio gerado, a distribuição e o valor não distribuído pela empresa. Esse assunto

será tratado no próximo tópico.

OS MODELOS PROPOSTOS DE BALANÇO SOCIAL

No Brasil as empresas costumam adotar três modelos de Balanço Social propostos pelo:

Instituto ETHOS, IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Socais e Econômicas), GRI

(Global Reporting Iniciative ou, no português, Iniciativa Global para Apresentação de

Relatórios). Esse último é fundamentado no do GRI, mas ajustado à realidade brasileira,

consoante Godoy (2007).

Por motivos estratégicos (otimização da transparência na divulgação) algumas empresas

preferem criar um modelo próprio ou adaptar um modelo já estruturado por um desses

institutos.

O Instituto ETHOS objetivando apresentar um Balanço Social digno de credibilidade e

revelador da política de gestão empresarial voltada para compromisso com a

responsabilidade social, propõe uma planilha, que é uma adaptação do modelo do

IBASE, como Balanço Social. Assim, o Balanço Social proposto pelo ETHOS se

estrutura da seguinte forma: apresentação (parte 1); a empresa (parte 2); atividade

empresarial (parte 3); anexos (parte 4). Os indicadores inseridos na seção atividade

empresarial contemplam informações de aspectos econômicos; social; ambiental;

relação com fornecedores, consumidores e clientes; comunidade e governo e sociedade.

Dentre as informações tratadas no Balanço Social do Instituto Ethos, a mensagem do

presidente trata em expor situações de sucessos e empecilhos da empresa, transmitir as

promessas da entidade e sintetizar os assuntos tratados no balanço. Os indicadores

econômicos compreendem informações sobre a atividade produtiva empresarial desde

sua evolução no período até a repartição da riqueza com a sociedade através de políticas

socioambientais. No segmento dos indicadores sociais o relatório sintetiza dados sobre

o corpo funcional (entre eles as ações em prol da qualidade de vida dos empregados); o

conjunto de ações executadas em favor do meio ambiente; relacionamento com

fornecedores; comunidades, cliente e governos. De acordo com informações extraídas

do site www.ethos.org.br Godoy (2007, p. 12), o Balanço Social proposto pelo Ethos é

estruturado da seguinte forma:

Parte 1: Apresentação (missão e visão,

mensagem

do

Presidente,

perfil

do

empreendimento e setor da economia)

Parte 2: A Empresa (histórico, princípios e

valores,

estrutura

e

funcionamento,

e

governança corporativa)

Parte 3: A Atividade Empresarial (diálogo

com partes interessadas e os indicadores de

desempenho)

Parte 4: Anexos (demonstrativo do Balanço

Social - modelo IBASE -, iniciativas de

interesse da sociedade - projetos sociais -, e

notas gerais). Em relação aos indicadores

propostos (Parte 3), alguns são descritivos,

representando resultados e práticas de gestão

que representam indicadores de desempenho

em responsabilidade social, outros são

quantitativos,

representando

resultados

mensuráveis e monitorados apresentados em

números, e outros referem-se a informações

referentes a indicadores, tanto descritivos

como quantitativos.

1. Indicadores de Desempenho Econômico:

Aspectos descritivos: impactos por meio da

geração e distribuição de riqueza; resultados

oriundos da produtividade; e procedimentos,

critérios

e

retornos

de

investimentos

realizados

na

própria

empresa

e

na

comunidade.

Indicadores

quantitativos:

geração

e

distribuição de riqueza; produtividade; e

investimentos.

2. Indicadores de Desempenho Social:

I - Público Interno:

- Diálogo e participação: relação com

sindicatos; gestão participativa; e relações

com

trabalhadores

terceirizados.

- Respeito ao indivíduo: trabalho infantil;

trabalho forçado ou análogo ao escravo; e

diversidade.

- Trabalho decente: cuidados com saúde,

segurança

e

condições

de

trabalho;

compromisso

com

o

desenvolvimento

profissional

e

a

empregabilidade;

comportamento

frente

a

demissões;

e

preparação para aposentadoria.

II - Meio Ambiente

- Responsabilidade frente às gerações

futuras: comprometimento da empresa com a

melhoria da qualidade ambiental; e educação e

conscientização

ambiental.

- Gerenciamento do impacto ambiental:

gerenciamento do impacto no meio ambiente e

do ciclo de vida de produtos e serviços; e

minimização de entradas e saídas de materiais

na empresa.

III - Fornecedores

- Seleção, avaliação e parceria com

fornecedores: critérios de seleção e avaliação

de fornecedores; e apoio ao desenvolvimento

de fornecedores.

IV - Consumidores e Clientes

- Dimensão social do consumo: política de

comunicação

comercial;

excelência

do

atendimento; e conhecimento e gerenciamento

dos danos potenciais dos produtos e serviços.

V - Comunidade

- Relações com a comunidade local:

gerenciamento do impacto na comunidade de

entorno e relacionamento com organizações

locais.

- Ação social: envolvimento e financiamento

da ação social.

VI - Governo e Sociedade

- Transparência política: contribuições para

campanhas políticas; e práticas anticorrupção

e

antipropina.

- Liderança e influência social: liderança e

influência social; e participação em projetos

sociais governamentais.

De acordo com pesquisas realizadas por Godoy (2007), o modelo 2008 proposto pelo

IBASE engloba indicadores distribuídos de forma simples e objetiva, tratando todas as

informações numa única planilha dividida em sete grupos e nesses, vários subgrupos,

facilitando a análise.

Quadro 1: Descrição dos grupos de Balanço Social Modelo IBASE

index-11_1.jpg

Fonte: Dados pesquisados apud Godoy (2007, p. 5).

Vale ressaltar que as informações tratadas na DVA estão contidas no indicador

informações relevantes.

O GRI, organização independente que busca a adesão de um modelo padronizado

internacional de Balanço Social e parceira do UNEP (United Nations Environmental

Programme), criou um modelo que contempla informações sócio-econômicas e

ambiental distribuídas em categorias. Esse modelo aborda: a visão e estratégia

empresarial; perfil da organização; escopo do relatório; perfil do relatório; estrutura de

governança; engajamento das partes interessadas; políticas abrangentes e sistemas de

gestão; sumário de conteúdo da GRI; indicadores de desempenho.

Godoy (2007. p. 10-11) apresenta a estrutura básica das informações econômicas e

socioambientais no modelo sugerido pelo GRI:

1 Visão e Estratégia (declaração da visão e

da estratégia da organização referente à sua

contribuição

para

o

desenvolvimento

sustentável

2 Perfil da Organização (nome, principais

produtos e serviços, estrutura, mercados, porte

e

outros)

3 Escopo do relatório (pessoa e dados para

contato, período a que se referem as

informações, data do relatório anterior,

abrangência

e

outros)

4 Perfil do relatório (critérios empregados na

elaboração do relatório e dos indicadores)

5

Estrutura

de

Governança

6 Engajamento das Partes Interessadas

(relacionamento e procedimentos em relação

às

partes

interessadas)

7 Políticas Abrangentes e Sistemas de

Gestão

8 Sumário de Conteúdo da GRI (títulos dos

capítulos do modelo, indicando a página e

seus

indicadores)

9 Indicadores de Desempenho (aqueles

especificados anteriormente)

Esse mesmo autor defende que o modelo proposto pelo IBASE, GRI e Instituto

ETHOS, trazem informações estratégicas para a empresa. Comparando os três modelos,

à estrutura de Balanço Social criada pelo ETHOS e GRI é a que mais apresenta

semelhança entre si. O modelo do IBASE é o mais adotado pelas empresas, com

mínimas adaptações, pela sua simplicidade e objetividade em abordar e estruturar os

indicadores. Em analogia a esses três modelos, eles apresentam mais pontos

semelhantes do que divergentes. Os indicadores sociais, ambientais e do corpo

funcional são figuras presentes nos três modelos recebendo terminologias diferentes,

afirma Godoy (2007)

A análise do Balanço Social é realizada em conformidade com as técnicas já

consagradas de análise de balanço como a análise vertical e horizontal, afirma Santos,

(2004).

Para garantir a credibilidade e confiança das informações contidas no Balanço Social,

ele passa pelo processo de auditoria. Santos (2004, pág 32) “A auditoria constitui um

instrumento de grande valia para a seguridade dos agentes sociais e empresariais em

relação às atividades desenvolvidas pela empresa.”

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nesta seção serão apresentadas as reflexões a cerca do estudo realizado sobre a

problemática.

A prática da responsabilidade social empresarial representa uma vantagem competitiva

para as empresas, uma vez que está engajada em ações socioambientais e econômicas

representa: o respeito dos stakeholders para com a empresa e instiga a simpatia dos seus

colaboradores; mostra que sua marca não representa apenas um produto e sim está

ligada simultaneamente a construção de valores éticos, projetos coletivos e um estilo de

vida, sendo que essas políticas se consolidam em fator intrínseco para o sucesso da

empresa.

O Balanço Social se constitui como um demonstrativo formal evidenciador das

informações relacionadas a atuação da empresa na esfera social, humano e ambiental,

seu comprometimento e responsabilidade social. Informações trazidas nesse relatório

quando analisadas corretamente contribuem no planejamento e execução de ações

produtoras de benfeitorias para os empregados, meio ambiente e sociedade.

Conseqüentemente, a realização do Balanço social assegura a intenção e o

comprometimento da empresa com a responsabilidade social.

Outrossim, fazer um Balanço Social representa para a empresa a chance de inserção em

novos mercados, participação em fóruns globais e auxílio no processo decisório

envolvendo investimentos, pois a prática da responsabilidade social é uma exigibilidade

da sociedade mundial.

No que se refere ao intuito da pesquisa, este foi alcançado, uma vez que foi identificada

a importância da elaboração e divulgação desse produto da Contabilidade Social para a

imagem institucional e eficiência na implementação das estratégias empresariais.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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