Introducao a Homiletica por Marcelo Lemos - Versão HTML

ATENÇÃO: Esta é apenas uma visualização em HTML e alguns elementos como links e números de página podem estar incorretos.
Faça o download do livro em PDF, ePub, Kindle para obter uma versão completa.
index-1_1.jpg

1

index-2_1.jpg

Homilética: Breve Introdução a Arte de Pregar.

Coleção Cultura Bíblica

Edição Eletrônica.

Autor: Marcelo Lemos.

Disponibilizado gratuitamente na Internet pelo projeto Olhar

Reformado (www.olharreformado.wordpress.com).

Nenhuma parte deste trabalho pode ser comercializada sem

autorização expressa do autor.

2

Sumário

Introdução .................................................................................................................04

Conselhos Práticos aos Pregadores ..........................................................................07

O Pregador e a Informática .......................................................................................17

A Arte de Falar em Público .......................................................................................27

Qualidades Indispensáveis a Uma Boa Pregação .....................................................32

Conhecendo a Estrutura Homilética ........................................................................42

Desenvolvendo o Sermão Temático .........................................................................49

Desenvolvendo o Sermão Textual ............................................................................58

Desenvolvendo o Sermão Expositivo .......................................................................66

Desenvolvendo o Sermão Narrativo ........................................................................82

Sobre Variedade na Pregação ...................................................................................92

Um Capítulo Especial Para Assembleianos ..............................................................96

3

Introdução

Seu eu tivesse direito a um pedido, desejaria que este livro fosse lido por todos os servos de Cristo, sejam leigos ou obreiros ordenados. Não que o considere uma

obra indispensável ou original, mas apenas por crer ser este pequeno manual capaz de auxiliar todo o que almeja comunicar a mensagem das boas novas de forma

clara, simples e eficiente.

Infelizmente a pregação da palavra tem sido norteada, em alguns círculos

evangélicos, por uma áurea de mistério e misticismo irracionais. Contrariando o entendimento reformado a respeito do sacerdócio universal de todos os crentes, muitos pretendem imaginar a pregação como um ofício restrito a uma classe

especial de crentes, formada por pessoas dotadas de algum tipo especial de unção, ou investida de alguma autoridade eclesiástica.

O prejuízo oriundo dessa mentalidade é duplo. De um lado temos uma multidão de pessoas que simplesmente não se sente capaz de assumir a tribuna por alguns

minutos; enquanto do outro, encontramos uma legião de crentes que, achando

possuir uma unção especial, se arrisca ao púlpito sem nenhum preparado

adequado para este fim.

E mesmo que tais enganos não existissem, a própria funcionalidade e eficiência da homilética, por si só, já justificaria seu estudo. Se você é, ou pretende ser, um pregador das boas novas, os estudos homiléticos certamente lhe servirão de

importante ferramenta de trabalho; que, desnecessário lembrar, não o isenta da necessidade precípua de se preparar espiritualmente para a tarefa.

Lembre-se de que o Senhor está sempre a disposição dos seus filhos, ajudando-os a seguirem em frente. E é apenas devido a Seu auxílio que podemos alcançar um

ministério frutífero: “Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer!” (João 15.5). O Senhor nos guia em todo o caminho, proporcionando os meios que nos permite um

preparo cuidadoso e adequado para a Sua obra.

É ilusório, porém, acreditar que a homilética seja capaz de produzir bons

pregadores bíblicos, no máximo, ela é capaz de nos fornecer bons oradores, já que enquanto ciência é irmã gêmea da retórica. Por isso, deve o candidato ao púlpito cuidar especialmente de seu preparo espiritual.

Que o pregador, portanto, preocupe-se com sua piedade pessoal. Qualidade

espiritual que tomaremos a liberdade de definir como disponibilidade para Deus, em respeito e amor. Também poderíamos acrescentar que ela conduz o coração a

uma profunda devoção pelas coisas religiosas. Sendo o oposto de impiedade, que se refere àquilo que é ímpio, profano; um coração piedoso é um coração submisso à 4

vontade de Deus revelada em sua Palavra. Ser piedoso, portanto, é bem mais que estilo de vida, usos e costumes, tradição religiosa e demonstrações sobrenaturais; é, acima de tudo isso, um coração que se dobra ao Senhorio de Jesus.

Que o pregador preocupe-se com seu conhecimento das Escrituras. Tudo que puder aprender sobre a Bíblia lhe será útil; e o máximo que já tem alcançado ainda não é o bastante. Sendo que pretende ser um interprete das Escrituras é imprescindível que a conheça profundamente. É detestável haver obreiros que, a pretexto de

humildade, se esquivam de tornarem-se mestres nas Escrituras. O pregador é como um desbravador; um desbravador enviado pela cidade faminta a uma terra

distante, com o único objetivo de encontrar e trazer o melhor que puder achar. Na cidade lhe esperam crianças, jovens e adultos que, atarefados em suas obrigações diárias, esperam pelo maná que está por vir. Que o desbravador não se atreva a trazer consigo menos do que lhe foi designado.

Que o pregador preocupe-se com sua vida de oração. Um alerta se faz necessário aqui. Com o intuito de desmistificar a oração, muitos espalharam a idéia de que é possível orar em todo tempo, em toda situação e lugar. Com tal ensino pretendia-se derrubar a idéia de que oração é apenas aquela feita de joelhos. Está correto. No entanto, na prática, isso tem servido como travesseiro de penas para a consciência de alguns cristãos, inclusive obreiros. Nada pode substituir aqueles momentos que passamos exclusivamente na presença do Senhor, em oração. Da mesma forma que

o café da manhã não substitui o almoço, e a música não substitui a exposição das Escrituras, a oração como exercício espiritual é insubstituível: “... quando orares, entra no teu aposento e fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto...”

(Mateus 6.6).

Haverá o pregador de se preocupar também com o seu preparo intelectual.

Indiscutivelmente, o Espírito Santo tem utilizado, e de forma poderosa, pregadores sofríveis tecnicamente. Foi, por exemplo, o que aconteceu na conversão de um

jovem que se tornaria o príncipe dos pregadores. Spurgeon nos conta que ao se refugiar da chuva no templo de uma Igreja Metodista, deparou-se com um

pregador que despertava ‘dó’ em seus ouvintes; porém, o Espírito Santo usou aquele mensageiro para tocar profundamente no coração de Spurgeon. São casos

reais que, no entanto, não servem como desculpa para aqueles que podendo

receber melhor preparo, não o fazem, quer por preguiça intelectual, quer por um conceito errôneo de espiritualidade.

Quanto mais culto é o pregador, mais fácil lhe será a árdua tarefa de falar em publico, desde a preparação do manuscrito, até o momento de entregar sua

mensagem aos ouvintes. Isso facilmente se explica recordando que o cérebro

humano funciona como uma espécie de arquivo que armazena e disponibiliza

quantidade enorme de informações, sobre os mais variados assuntos, nas mais

diversas áreas do saber.

O pregador não deve confiar em alguma revelação instantânea que o salvará no

púlpito. Quando o Senhor Jesus fez promessa de enviar aos seus discípulos um

5

outro Consolador, disse-lhes: “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (João 14.26). Parando apenas na promessa de ser ensinado, muitos se esquecem do meio utilizado pelo Espírito: fazer lembrar.

Durante cerca de três anos Jesus ensinou aos seus discípulos coisas que eles sequer eram capazes de assimilar no momento, mas quando o Dom da Promessa se

realizou, todas aquelas informações passaram a fazer sentido e, hoje, são as bases da coletânea de escritos que conhecemos como Novo Testamento.

Não é incrível que algum pregador atual se ache detentor de uma unção que nem

mesmo os discípulos tiveram? Portanto, que o pregador invista em sua bagagem

cultural. No caso de possuir alguma formação superior, não necessariamente em

teologia, ele já trará consigo uma bagagem considerável. Seja como for, seus

conhecimentos devem continuar sendo acumulados diariamente. Como fazê-lo?

Com atividades simples como: cursos de especialização, reuniões cientificas ou culturais, visitas regulares a bibliotecas, a compra regular de bons livros, a leitura de um bom jornal diário, ou mesmo pela Internet. Com o passar dos anos o

pregador irá notar que apesar do consciente se ‘esquecer’ de praticamente tudo o que leu, o inconsciente jamais o fará. Com efeito, o subconsciente criará um

arquivo de informações que podem ser acessadas pelo indivíduo que acumulou

conhecimentos através dos anos.

Fazer anotações daquilo que se lê pode ser de grande auxilio para usos futuros, desde que se tenha o cuidado de organizar adequadamente tais informações. De

nada valerá um punhado de anotações aleatórias e confusas. E a informática

poderá ser de grande utilidade para o pregador. Utilizando o sistema de pastas virtuais, o pregador terá sempre em mãos algo semelhante aos melhores arquivos físicos que poderia comprar. Falaremos mais sobre esse ponto no capítulo dois.

É praticamente impossível, como podem ver já na introdução, atingir a

originalidade ao se escrever a respeito da homilética. Praticamente tudo o que se deseja falar sobre o assunto já foi dito por alguém. Fica, no entanto, a nossa oração a Deus, pedindo que este trabalho possa ser instrumento útil para aqueles que

trabalham na seara de Jesus.

6

Conselhos Práticos aos Pregadores

Dizem que caso conselho prestasse não encontraríamos ninguém disposto a dar. O

problema é que a objeção, por si só, já é um conselho, o que mesmo no caso de ser verdadeira, anula a si mesma; de modo que, independentemente da adoração que temos pela frase, continuamos a dar e a receber conselhos a torto e a direito. Aqui entre nós, tenho minhas suspeitas de que, chamem-me paranóico se desejarem

(risos), a tal frase foi dita por alguém que desejava vender conselhos; quem sabe algum guru da PNL, ou talvez, do tele-evangelismo utilitarista...

Aqui vão alguns conselhos, porém, antes, faço questão de contar um episódio muito singular da minha pré-adolescência que, creio, dará uma pitada de sabor aos

mesmos.

******

Recordo-me nitidamente da época em que todos lá em casa ficávamos a espera de

uma determinada pregadora. Isso se deu a mais de década e meia, em São Paulo, onde nascemos e fomos criados. Era inexplicável a atração que sentíamos pelas

palavras daquela mulher. De alguma forma ela conseguia atrair e segurar a atenção de toda a Igreja para um determinado evento bíblico, narrando-o, para em seguida nos dizer como poderíamos relacionar o que ouvimos com nossas vidas - e isso com aplicações que levavam toda a Igreja a verdadeiros momentos de êxtase coletivo!

Era um fenômeno.

Nesse tempo, no mundo ingênuo da minha imaginação infantil, a pregação era um

evento com um toque de místico, poderoso e sobrenatural, inexplicável. Minha mãe gostava de pregar, e muito pregou quando éramos crianças, apesar de hoje não

mais fazê-lo. E eu, que gostava muito de ouvir suas pregações, sempre quis dela detalhes sobre o como aquilo acontecia, ou seja, o que é pregar. Minha mãe,

quando disposta a explicar, falava algo sobre uma inexplicável unção que descia sobre a pessoa e, pimba! - lá estava a pregação.

E lá estava a pregadora: confiante, desinibida e admirada. A última de suas pregações que tenho em mente foi sobre o poço de Jacó. Tal lembrança me faz

admirá-la um pouco mais; não recordo sequer seu nome, mas tenho gravado na

mente o que ela disse há quase 20 anos! Sempre imaginoso, pensava que para tanto ela deveria ter tido um encontro muito especial com Deus. Além disso, corria nos bastidores, um boato de que ela teria recebido um dom especial de Deus, se não sou traído pela memória, um tal ‘dom da ciência’. Ou seja, a irmã era ungida que só vendo!

Alguém pode estar pensando que esta história é muito trivial. Eu concordaria com isso não fosse o seguinte detalhe: foi um tempo no qual éramos ensinados que a pregação, como já disse, era algo místico, verdadeiramente mágico. Pregador bom e espiritual era pregador sem preparo nenhum. De fato, ser apanhado com algum

7

esboço poderia lhe render alguma repreensão. Por isso, ou também por isso, a maioria das pessoas temia o púlpito, deixando este ‘peso’ apenas sobre os ombros dos mais ungidos, os mais consagrados. Infelizmente, tenho ainda hoje necessidade de confrontar estes medos, em maior ou menor grau, no coração de

muitas pessoas, tanto velhas quanto jovens, e isso em praticamente todas as Igrejas onde servi.

Não preciso explicar que este foi o contexto no qual eu cresci, podendo ou não ser semelhante ao contexto no qual o leitor foi criado. Às vezes recebo mensagens de irmãos que dizem: - ‘Sou pentecostal desde tal ano’, ou, ‘Sou assembleiano desde berço e nunca vi isso!’. Fico feliz em ouvir isto; todavia, muitos outros leitores, assim como eu, não terão tido o mesmo privilégio.

No dia que descobriria o segredo da pregadora, eu sequer poderia imaginar o que estava por vir. Foi absolutamente sem querer, um acidente maquinado pela

providência, sem a menor premeditação da minha parte. Tinha estado o dia inteiro a pensar sobre quão bonita seria a pregação daquela noite, e também pensando em contar alguma novidade a uma certa ‘pessoinha’ que costumava sentar-se na

mesma fila de bancos que eu. “Você tem andado muito conversador”, disse-me

mamãe enquanto nos trocávamos no quarto. “Hoje quero que o senhor sente-se lá

na frente, de cara com o pastor; quero ver se você fica de papinho!”. Uma pena.

Chegara o diga de se desfazer do mito que eu havia criado em torno da pregadora.

Enfiei-me Igreja adentro e, a contragosto, empoleirei-me numa das cadeiras

plásticas defronte ao púlpito, conforme ordens previamente recebidas em casa. “É

hora de ouvirmos a mensagem, meus irmãos. Enquanto oramos, peço que a

pregadora tome seu lugar no púlpito”; falou o dirigente. Enquanto a digníssima irmã tomava ‘seu lugar no púlpito’, seu esposo, homem branco, alto e robusto, pelo que recordo, se posicionou feito leão de chácara numa das cadeiras ao meu lado.

A imagem mais nítida que recordo daquele dia trago guardada com todo carinho

comigo. Era um esboço. Um esboço que não estava nas mãos da pregadora, como

se deve, mas sim, nas mãos de seu esposo, estrategicamente sentado a sua frente, de fronte ao púlpito, ao meu lado, nas cadeiras de plástico! Foi então que percebi, mais maravilhado que decepcionado, que toda a pregação era encenada passo a

passo entre os dois, previamente, em casa; na tribuna, acompanhada atentamente pelo marido, a pregadora deliciava nossos ouvidos com uma ‘unção’ que

desconhecíamos e admirávamos.

De alguma forma aquele episódio me ajudou, mesmo que eu só fosse me dar conta

muitos anos depois. Hoje, admiro aquela irmã, para mim sem rosto e sem nome,

por sua coragem, visão e, naquele contexto, pioneirismo. Sua atitude me ajudaria, tempos depois, a perceber que eu possuía uma teologia errada acerca do que é a pregação.

Naquela noite, comecei a descobrir que o meu maior prazer, a leitura, poderia ser ferramenta utilizada pelo Espírito do Senhor. Como um farol, aquela experiência 8

me vez ver com clareza o que acontecia naquelas pregações que tanto

admirávamos: a narração do texto, as ilustrações, as comparações, as

enumerações... nada daquilo vinha por meio de algum tipo de êxtase; muito pelo contrário, era fruto de uma mulher que oferecia ao Senhor os seus talentos.

******

Ao longo dos anos tenho percebido coisas que têm servido de maior ganho para o meu ministério de pregação. Pode ser que alguém, vendo-os, não os julgue

espirituais o bastante para figurarem na lista de hábitos de um pregador do

Evangelho; contudo, tomo a liberdade de compartilhá-los com vocês na forma de

breves conselhos. É possível, só Deus saberá, que sem aquela noite eu ainda estaria à espera de algum momento místico de inspiração...

Tenha uma teologia da pregação bem definida.

O que é a pregação? O que é pregar? Se você não tem uma resposta pessoal para

questões como esta, então, lamento dizer, você não está pronto para o púlpito. É

aventura tola postar-se perante o povo de Deus sem ter uma noção clara a respeito do seu papel e função. Enquanto pregador, o que você é? Um animador? Um

contador de causos? Um bajulador? Um caçador de fortuna? Porque você quer que

as pessoas anotem seu telefone depois de uma pregação? Para que te convidem,

enchendo sua agenda, promovendo seu nome no meio eclesiástico?

Como deve ser a palavra que sai de seus lábios? Pense por um instante: porque

você não pregou aquele sermão? Ele estava mal estruturado, ou ele apenas não

agradaria a determinada pessoa? Conheci mais de um pregador, jovens, que me

confessaram estar à procura do tom que as pessoas querem ouvir. São pregadores que começaram com um ideal correto, puro e bíblico; porém, com o tempo,

perceberam que estavam ficando para trás. Suas agendas não estavam lotadas,

apesar de todo o esforço que faziam em prol da pregação. Os tapinhas nas costas não eram tão numerosos quanto os recebidos por outros, mais voltados a

demonstrações de carisma. Então, lamentavelmente, decidiram que não valia a

pena perder o bonde. Sejamos honestos sobre este ponto, cedo ou tarde, cada um de nós precisa fazer a mesma escolha, provavelmente precisaremos escolher

inúmeras vezes ao longo da vida; temos certeza quando ao lado em que desejamos ficar?

Acredite no valor das idéias.

Não tem nada de PNL nesse conselho; tão pouco tem qualquer conotação mística,

como aquela imaginada por pagãos, ainda que cristãos professos, que acreditam

que a “palavra tem poder”. Nossas palavras possuem poder apenas enquanto

idéias, mas não como ‘palavras-palavras’, ‘frases-frases’, etc. Para facilitar a compreensão pode-se dar novo formato ao conselho: Acredite no poder dos ideais.

Consegue perceber a diferença?

9

Um criativo comercial de tv afirma que “não são as respostas que movem o

mundo, são as perguntas” . Há boa dose de verdade nesta afirmação, porém, analisando-a melhor, podemos perceber que existe algo anterior ao ato de

questionar. São idéias. Questionamos o mundo a nossa volta em nome de nossos ideais. O mundo é feito por idéias, i.e. por ideais. A roupa que você veste, o carro que você usa, a profissão que escolheu, enfim, tudo tem como pano de fundo os

ideais que nos cercam. Para o bem ou para o mal, os ideais formam a base da vida em sociedade. Observe, por exemplo, as recentes eleições presidenciais no Irã. É

capaz de perceber o conflito, a força, e a influência dos ideais? Claro que sim! Cada mudança, cada novo avanço, cada retrocesso - tudo se deve aos ideais.

Sugiro, aos que desejam maior profundidade nesse tema, que trata da relação entre ideais e a vida, que se estude a história da literatura, no mundo, e no Brasil. Depois, avance para outras áreas do saber. Começando pela Literatura, compare, por

exemplo, o Classicismo com o Romantismo. Perceba como o primeiro exalta a

racionalidade, a forma fixa, a verdade universal, o paganismo, a realidade concreta.

Depois, saboreie o segundo, com sua exaltação do emotivo, das formas livres, dos valores individuais, da fé cristianizada, a fantasia! Por que momentos igualmente geniais da literatura foram tão diferentes em suas preferências e escolhas? A ‘culpa’

é dos ideais. Algumas idéias moviam a Idade Média, idéias que foram suplantadas, aperfeiçoadas ou ofuscadas por outras, surgindo o Romantismo, no século XVIII, junto com a Revolução Industrial.

Fantástico! A Revolução Industrial provocou modificações impactante nas relações de trabalho, de comercio, de governo; modificações que influenciariam as crenças e valores morais até então vigentes. Então, tudo muda: muda-se a forma de se vestir, de falar, de escrever, de pensar. Por quê? Porque mudaram, ou evoluíram, os

ideais.

Para pregar, pregar como um pensador e formador de opinião, você precisa estar consciente, e acreditar no valor das idéias. Num primeiro momento, ao definir sua teologia da pregação, você terá definido quais são os seus ideais, agora, você precisa acreditar no valor dessas idéias.

É comum ouvirmos dizer que a Igreja de hoje carece de pessoas com mais unção,

entenda-se com isso, pessoas mais barulhentas e carismáticas. Discordo. A Igreja precisa de ideais, de pensadores, de uma identidade. São os ideais que nos fazem reformadores, e também criadores do novo. Os ideais moveram Lutero, Calvino,

Konx, Wesley, Agostinho...

Os ideais estão sempre presentes, e sempre conquistando seus espaços, para o bem ou para o mal. Por isso, este conselho deve sempre caminhar junto com o primeiro, e o primeiro, se deseja ser útil e relevante, não deveria sair de casa sem este.

Conheço algumas dezenas de pregadores que são apenas barulho, emoção, auto-

ajuda. Eles não possuem nenhuma utilidade como pregadores, talvez substituíssem Fausto Silva com maestria, mas como mensageiros do Senhor são uns fiascos. Ser 10

um pregador envolve ter uma mensagem e o trabalhar de forma que tal mensagem

influencie a vida de seu rebanho, na esperança de que o Espírito Santo a fará mais poderosa do que os simples ideais humanos.

Algumas pessoas me questionam sobre a possibilidade de pensar como um

“reformado” servindo ao Senhor numa igreja “carismática”. Os conflitos são

praticamente inevitáveis, como, então, conviver com isso? Trata-se de uma questão melindrosa. Lembro-me de ter descido do altar e escutado de um jovem ‘pregador-barulho’: “Sabe, irmão Marcelo, não gosto de pregadores que contam histórias!” .

Era uma critica. Eu havia exposto o primeiro Capítulo de I Pedro a luz da

perseguição contra o cristianismo no Século I... Como conviver com isso? Como

não mudar de lado?

A resposta é acreditar nos seus ideais, que são bíblicos. Também é preciso acreditar que eles produziram frutos, no devido tempo, segundo a vontade do Senhor.

Invista no seu relacionamento com as pessoas.

Leia uma notícia vinculada pela Folha de S. Paulo logo após as eleições municipais de São Paulo, em 2004:

“O levantamento confirma o que a divisão geográfica dos votos já indicava: Serra recebe os votos dos mais ricos e instruídos e Marta se sai menos mal entre os eleitores mais pobres e com menos anos de estudo” .

Uma noticia maravilhosa, não é mesmo? Reflita comigo: sendo os mais ricos que

votam em Serra, e sendo Serra o vencedor do primeiro turno com uma margem de

8%, logo, podemos concluir que São Paulo possui ‘muito mais ricos’ do que pobres!

É verdade que o jornalista não disse que apenas ricos votam neste ou naquele

candidato, não é tolo, porém o argumento é ‘armado’ com a clara intenção de

colocar um como ‘candidato dos pobres’ e outro como ‘candidatos dos ricos’. O

problema é que levado até sua conseqüência última o argumento é falacioso, pois leva a concluir que São Paulo tem mais rico do que pobres, uma vez que Serra, o

‘candidato dos ricos’, ganhou!

No segundo turno, a diferença de Serra beirou a casa dos 11%. Perguntinha boba: será que em trinta dias aumentou o número de ricos em São Paulo? O tucano

venceu com uma vantagem de 600 mil votos!

Que isso tem haver com o ministério de pregação? Uma lição simples: pessoas não são números. Os petistas que armaram o silogismo acima teriam tido mais lucro se saíssem às ruas para ouvir a opinião de seus eleitores, inclusive os pobres que, evidentemente, votaram no adversário deles. Quando tratamos as pessoas como

números, mera estatística, estamos fadados a um ministério irrelevante, que

muitas vezes se mantém apenas na base da autoridade presumida.

11

Sou um admirador de Monteiro Lobato. Ouvi alguém dizer que todo candidato a

escritor deveria estudar seu método de criação. Aqui em São Paulo, na biblioteca infantil que leva seu nome, existem todas as edições de suas obras. Comparando-as ao longo do tempo, o estudante percebe claramente as diversas modificações que são feitas no corpo do texto, um exemplo de escritor que se reinventava com

facilidade. Qual a razão? O básico: as crianças lhe escreviam dando sugestões, fazendo críticas e fornecendo idéias, as quais Lobato ponderava a fim de

aperfeiçoar sua literatura.

Não quero com isso insinuar que o pregador deva fazer as vontades do povo, pelo menos, não quando isso ferir os seus ideais, dos quais já falamos. Recentemente, jornais do mundo inteiro fizeram referencia a uma obra pouco conhecida de

Lobato: O Presidente Negro. O motivo é óbvio: a eleição de Obama. No livro, o literário brasileiro imagina um dia no qual um candidato negro, que concorrendo contra uma mulher branca (só faltou dizer que o nome seria Hilary!), vence o pleito e se torna o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Naqueles dias, porém, em tempos de segregação racial, os editores americanos acharam que seria um projeto muito ousado para a época, e o livro não saiu da gaveta. Então Lobato decidiu: piorou a situação, acrescentando na narrativa um futuro no qual os imigrantes invadiriam as cidades americanas. Será que ele era profeta também?

Provavelmente não, porém, nos deixou exemplo de empatia para com seu público,

e de firmeza na defesa de seus valores.

Ora, sendo função precípua do pregador aplicar os valores bíblicos às necessidades das pessoas, como fazê-lo se não lhes conhece as angustias, os medos, as dúvidas e incertezas, as esperanças? Pense nisso.

Seja imaginativo.

Recordo que na primeira aula de homilética que tive no seminário o professor nos deu a seguinte definição: “Homilética é a ciência e a arte de pregar!” . Enquanto ciência, a homilética é aquele ramo do saber que possui regras, valores,

pressupostos. Além disso, vale-se da descoberta de outros ramos do saber como

psicologia, as letras, o Direito, enfim. Enquanto arte, a homilética é a ferramenta que por sua ciência nos possibilita um caminho para a criação.

Pregando domingo após domingo, semana após semana, sempre se corre o risco da

rotina, do enfadonho. Já viu aquele pregador que sempre começa, desenvolve e

termina o sermão do mesmo jeito? E aquele que só prega em Epístolas? E o outro que sempre prega em Salmos? Eu já vi vários, inclusive eu mesmo, em diversos

momentos. Quando isso acontece pode estar falando criatividade, ou um maior

empenho.

Acredito que um dos maiores exemplos de criatividade no púlpito, hoje, atenda

pelo nome de Marco Feliciano. Por isso, que me seja permitida uma pequena heresia: escute-o!

12

Mas escute-o apenas nos 10 primeiros minutos, a fim de aprender como se faz uma boa introdução. Tal audição raramente deveria exceder aos 10 primeiros minutos, i.e. a introdução, a menos que o objetivo seja descobrir o que não fazer com a imaginação em cima do púlpito...

Falo sério. Marco Feliciano, apesar de não ser um exemplo de pregação bíblica, é um bom exemplo de como usar a imaginação para colocar uma cena, quadro, ou

situação ocorrida a centenas de anos, diante dos olhos de uma multidão atenta.

Isso é positivo! Agora, se ele usa isso, no desenvolvimento, para criar uma

mensagem que apela ao sensacional, trata-se de uma questão à parte. Compare

Feliciano a Alexandro Bulhón, pregador adventista, que também possuiu uma

grande capacidade de imaginação e, contudo, não assassina a inteligência dos

ouvintes. Num capítulo futuro estaremos comentando algumas mensagens de

Bulhón.

Vou tentar explicar a importância da imaginação com um pequeno exercício.

Imagine-se ouvindo duas pregações, em ambas os oradores escolheram usar o

sofrimento dos escravos negros, contados pela ótica de um personagem, Jim, a fim de ilustrar algum ponto importante do sermão. O primeiro diz:

“Homens e mulheres arrancados de suas tribos, sem nenhuma

possibilidade de defesa ou apelação. Simplesmente vigorava a lei do

mais forte, do opressor, das armas. Aqui vieram para trabalhar como

escravos; tratados como animais. Muito tempo depois seus

descendentes ainda sofrem com a sombra de tais atrocidades, como é

o caso de Jim, o mais novo candidato...”.

O segundo orador, utilizando a mesma temática, diz:

“Ás nove e meia Jim recolheu-se á sua sala de trabalho no palácio da

Associação Negra e fechou-se por dentro. Apesar da solidez dos seus

nervos o líder cavilava... Ás 9 e 45 aproximou-se da janela e correu os

olhos pelo casario de Washington. O panorama que viu, entretanto,

não foi o da cidade. Descortinou todo o lúgubre passado da raça

infeliz. Viu muito longe, esfumado pela bruma dos séculos, o humilde

kraal africano visado pelo feroz negreiro branco, que em frágeis

brigues vinha por cima das ondas qual espuma venenosa do oceano.

Viu o assalto, a chacina dos moradores nus, o sangue a correr, o

incêndio a engolir as palhoças... E recordou o interminável suplicio da

travessia... Carga humana, coisa, fardos de couro negro com carne

vermelha por dentro, a fome, a sede, a doença, a escuridão. Por sobre

as cabeças da carga humana, um tabuado. Por cima do tabuado,

rumores de vozes. Eram os brancos. Branco queria dizer uma coisa

só: crueldade fria...”.

Qual pregador será terá sua ilustração sendo recordada daqui a dez anos?

Provavelmente apenas o segundo, pelo menos, no que diz respeito à ilustração

13

acima. O que o fez mais eficiente que o primeiro? Foi sua imaginação que, do ponto de vista técnico, poderíamos afirmar pertencer ao estilo literário. Creio ser este o ponto. O primeiro orador foi mais jornalístico, limitando-se a contar os fatos; o segundo, por sua vez, além dos fatos, preocupa-se com o cenário, o contexto, as emoções do personagem, seus medos, sua tristeza... Ao expressar tudo isso em

palavras, o orador, que na verdade é o escritor Monteiro Lobato, em trecho de ‘O

Presidente Negro’, conquista toda a atenção de quem o escuta, ou lê.

Conta-se que um nobre pastor ao dirigir-se ao tesoureiro a fim de receber o salário do mês, sendo-lhe entregue apenas uma fração do combinado, protesta: ‘Irmão tesoureiro, suas contas estão erradas, aqui só tem a metade do salário’. ‘Eu sei’; diz o tesoureiro impassível, e explica: ‘ Decidimos lhe pagar apenas pelos sermões que o senhor ainda não havia pregado, pelos outros sermões, repetidos, já lhe pagamos nos meses anteriores...’.

A variedade no púlpito é sempre bem vida e poderosa aliada do pregador; e a

imaginação, elegante, disciplinada e sóbria, nos abre um prospero caminho para conquistá-la.

Invista em leitura.

Vivemos numa era predominantemente audiovisual. Um cenário no qual alguém

reinou, durante muitas décadas, de forma absoluta e inconteste: a televisão. Somos uma geração viciada em tv. Com a popularização da Internet, especialmente da

banda larga, é possível que tenhamos um novo déspota sobre nós: a web. Uma

recente pesquisa realizada aqui em São Paulo alertou para o fato de que as

mensagens instantâneas consomem o rendimento das pessoas, na escola, na

família e, claro, no trabalho. Algumas empresas, por falar nisso, lutam na justiça pelo direito de demitirem por justa causa aqueles que abusam dos maravilhosos

recursos da interatividade.

Toda essa interatividade parece ser muito atrativa, pois são formas de lazer que exigem muito pouco do ‘ recebedor’. Tudo que o indivíduo precisa, quando muito, é apertar alguns botões ou teclas. Mesmo os relacionamentos interativos tendem a superficialidade, já que, na maioria dos casos, tudo não passa de uma grande

fantasia.

A leitura, por sua vez, também é uma forma de lazer, contudo, é diversão da qual o indivíduo participa ativamente. Ler é como praticar esportes. Maria José Nóbrega, especialista no tema, afirma que além de proporcionar lazer, a leitura é uma

eficiente forma de aprendizado: “Lendo também nos mantemos atualizados sobre

os assuntos do nosso bairro, da nossa cidade, do nosso país”.

Por isso meu conselho é que o pregador leia, leia tudo, ou de tudo um pouco. Não limite sua leitura as Escrituras, desta, aliás, nem falo, já que sem ela não existe sequer pregador. Ler a Bíblia, para o que estamos propondo, não conta. Invista na sua leitura, comece, quem sabe, inscrevendo-se na Biblioteca Pública de sua cidade.

14

Aqui em São Paulo tudo que se precisa é de um documento com foto e comprovante de munícipe; em algumas cidades podem exigir uma foto 3X4. Nada de mais, não é mesmo?

Além disso, visite os sebos, e também aquelas maltrapilhas bancas de gibis e livros usados. Não são, como pensam alguns, lugares para se procurar pornografia

barata, são catedrais da cultura. Amo os sebos, afinal, onde mais, com a bagatela de vinte reais, eu conseguiria comprar meia dúzia de livros? E não compre apenas

livros, compre quadrinhos também! Permita-se visitar o Velho Oeste de Tex, e o de Mágico Vento; as aventuras perigosas de MisterNO, e as da linda J. Kendall; além disso aprecie as alucinações de alguns mangás; etc. Faz bem. Eu garanto.

Leia tudo e todos: Granham Greene; Saramago; Franz Kafka; Morris West; Nelson

Rodrigues; Simenon; Agatha Christie; Lobato; Garcia Marques; Machado;

Euclides; Martins Pena; Julio Verne...

Uma outra dica interessante é freqüentar, sempre que possível, a secretaria de cultura da sua cidade; ou então, acessar seus programas por meio da Internet. Com isso você se mantém atualizado quanto aos projetos culturais que possam lhe

interessar: oficinas literárias, cursos, palestras, concursos, exposições de arte, peças teatrais e filmes. Muitos deles são disponibilizados gratuitamente; pelo menos é o que acontece por aqui.

Obviamente que estas coisas não substituem, e nem devem rivalizar, com a

aquisição de cultura bíblica e teológica; e acreditamos que o pregador tem plena consciência deste fato.

Pratique a escrita.

Escrever não é um dom, é um trabalho, um exercício. Existe, sim, a inspiração no ato de escrever: é a idéia, o argumento principal. Depois, tudo o que resta ao escritor se resume numa única palavra: ‘ ralação’.

Algumas pessoas não escrevem por medo, outras por não terem aprendido a

pensar, ou melhor, por não terem aprendido a organizar o pensamento de forma

lógica. Tudo isso, porém, pode ser superado com esforço e dedicação. Uma obra

fundamental sobre o tema é ‘Comunicação em Prosa Moderna’, de Othom M.

Garcia; nenhum escritor, articulista, seminarista ou pregador deveria se dar ao luxo de dispensar a leitura deste livro. Uma obra absolutamente indispensável.

Toda pratica da escrita é boa e necessária ao nosso desenvolvimento intelectual, porém, quero enfatizar especialmente a escrita dos nossos sermões. Acredito que

todo sermão precisa ser escrito. Talvez não seja preciso lê-lo na hora da pregação, contudo, é preciso redigi-lo, completamente, antes de pregá-lo.

Investindo nessa prática o pregador irá melhorar o seu estilo, controlar melhor o tempo, selecionar mais apropriadamente os argumentos, podar melhor suas

ilustrações e afiar suas aplicações de forma mais eficiente.

15

Meu axioma aqui é simples: uma vez que daremos conta de cada palavra

que proferimos, o pregador não pode se dar ao luxo da improvisação

irresponsável. Ao tomar seu lugar no púlpito o mensageiro tem apenas uma responsabilidade: proferir o recado do Senhor! O que for a mais, ou a menos, será supérfluo, e quiçá, pecaminoso.

A escrita do sermão, no todo e não apenas esboçado, facilita e aprimora também a tarefa da imaginação, de cuja importância já comentamos. Novamente eu te

convido a ouvir Marco Feliciano introduzindo um sermão, preferencialmente de

um texto narrativo. Observe que ele não está improvisando, está recitando, apesar de não ler! É praticamente impossível criar todas aquelas cenas visuais na base da improvisação – aquilo não é unção, no sentido carismático do termo, é trabalho!

Além disso, a falta de pregadores escritores produzirá um grande prejuízo para a Igreja do futuro. Na verdade, o prejuízo já está entre nós. Por exemplo, você

conhece a pregação dos pioneiros pentecostais de 50 anos? Mas você pode

conhecer os sermões dos presbiterianos, batistas e outros. E mesmo assim,

infelizmente, muito pouco...

Todavia, todos nós podemos olhar saudosos para alguns séculos atrás. Qual razão?

Naqueles dias se escreviam ou transcreviam as pregações. Por isso, Agostinho,

Lutero, Calvino, Spurgeon, Wesley, Witerfield, e tantos outros podem servir de auxilio para os cristãos de todos os séculos. Poucas pessoas fazem o mesmo hoje; no meio pentecostal, o mais abandonado, uma das raras exceções é o pioneiro

David Wilkerson, que ainda hoje nos brinda com suas mensagens publicadas

também em texto.

Que herança ficará, de nós, para os pregadores de amanhã? Um punhado de DVD’s

sobre os “52 Passos Para uma Vida de Triunfo” ? Que prognóstico triste, meus amados irmãos!

*****

Como afirmei, é bem provável que muitos julguem grande parte dos conselhos aqui

propostos como sendo ‘pouco espiritual’. Contudo, estou certo também que

nenhum deles irá prejudicar a fé e o ministério do pregador, antes, o ajudará a ir além de onde já foi. Não estamos, reparem, falando em substituir a leitura bíblica e teológica, estamos falando em aderir bagagem cultural.

Um último conselho talvez se faça útil. Pense em sua vida com Deus de forma

integral, não dividida em fragmentos independentes. Ou seja, a vida religiosa não está dissociada de sua vida social, profissional, sexual, cultural, etc. Toda a sua vida, em cada parte dela, deve ser vivida a luz de sua confissão de fé. Com isso em mente você estará pronto a, de fato, aderir valores ao seu ministério, e também, a ficar protegido dos riscos, (ele existem!), de sair das quatro paredes.

16

O Pregador e a Informática

Não é preciso ser um gênio para conseguir desfrutar dos benefícios da Informática; muito pelo contrário, no nível da funcionalidade a Informática é mais simples do que a maioria das pessoas imagina. Para o pregador tais benefícios dificilmente custarão mais que alguns minutos de estudo, a menos que pretenda criar algum

software revolucionário, como fez Rick Meyers com o seu maravilhoso E-sword.

Maior dedicação será exigida caso se aventure aos recursos de softwares como

Photoshop, Corel Draw, Flash, etc. No entanto, caso deseje dar uma incrementada em seus trabalhos, sem precisar depender inteiramente de outras pessoas, pode ser um bom negócio queimar algumas células cinzentas no aprendizado das funções

básicas dos mesmos. Esta também não será tarefa muito difícil.

Para os objetivos que temos em mente falaremos apenas sobre três benefícios que o pregador conquistará facilmente com a Informática; a saber, a pesquisa de

material, a organização de material e a produção de material.

Pesquisando material.

Atualmente o Brasil tem sido agraciado com a publicação de excelentes obras

teológicas, graças ao trabalho maravilhoso efetuado por gente como CPAD; Editora Fiel; Cultura Cristã, dentre outras. No entanto, para muitas pessoas é praticamente impossível adquirir tudo o que se vende nas prateleiras. E, de fato, o preço da literatura evangélica no Brasil é exorbitante. Mas, se tem acesso a Internet, o pregador poderá suprir, ao menos em parte, sua necessidade de fontes de pesquisa.

Uma coisa que pouca gente sabe, é que diversas obras editadas no Brasil são de domínio público. Na prática, significa que não é preciso pagar por elas, assim, o que as editoras vendem é o seu trabalho de tradução, edição e produção. Portanto, caso o pregador tenha algum conhecimento de inglês ou espanhol, poderá utilizar tais obras sem desembolsar praticamente nada, bastando para isso somente

pesquisar tais fontes na Internet.

Diversas obras famosas podem ser adquiridas livremente dessa forma. É o caso de comentários clássicos como Matthew Hennry , King James, Albert Barnes , Adam

Clark, John Gill, etc. São recursos livremente encontrados em sites como:

w

ww.ccel.org (diversas obras clássicas da religião cristã)

w

ww.spurgeon.org (quase toda a obra de Spurgeon)

w

ww.felire.com (diversos livros reformados)

w

ww.e-sword.net (software com inúmeros comentários, dicionários, etc)

w

ww.monergism.com (artigos pastorais, teológicos, exegéticos. Reformado)

w

ww.gotquestions.org (perguntas e respostas a questões bíblicas)

w

ww.biblegateway.com (excelente fonte de comentários e léxicos) 17

index-18_1.jpg

O fato de estarmos enfatizando estes sites em inglês não significa que bom material para o pregador não esteja disponível em português e espanhol. Muito pelo

contrário. Mesmo correndo o risco de ser injusto com alguém, deixamos uma

pequena lista dos sites que consideramos mais relevantes:

w

ww.solascriptura-tt.org

w

ww.editorafiel.com.br

w

ww.monergismo.com.br

w

ww.cincosolas.blogspot.com.br

• w

ww.pulpitocristão.blogspot.com.br

w

ww.apologia.com.br

w

ww.centralsermones.com

w

ww.tscpulpitseries.org/portuguese.html

w

ww.seminarioabierto.com

w

ww.vidaeterna.org

w

ww.monergismo.com

w

ww.palavraprudente.com.br

w

ww.teologiapentecostal.blogspot.com.br

w

ww.blogdociro.blogspot.com.br

18

index-19_1.jpg

A lista, evidentemente, é incompleta e injusta, pois, com efeito, poderíamos

acrescentar outros nomes importantes a ela. Fica o incentivo para que o pregador pesquise pessoalmente outras fontes de recursos, dando atenção especial aos links recomendados em sites como Cinco Solas e Púlpito Cristão.