Jesus o Leão de Judá por Roberto P de Mello - Versão HTML

ATENÇÃO: Esta é apenas uma visualização em HTML e alguns elementos como links e números de página podem estar incorretos.
Faça o download do livro em PDF, ePub, Kindle para obter uma versão completa.

O AUTOR

5

Capítulo 1

GÊNESIS: A MENTE, DEUS E JESUS.

udo tem seu começo e este grupo teve o seu. O difícil mesmo é sa-

ber quem começou primeiro ele ou eu. Bem, saltemos no tempo!

T Imaginem assim, eu já casado com uma japonesa, pai de duas meni-

nas, funcionário do Banco do Brasil S/A.

Vou lhes dar uma radiografia espiritual minha. Eu era um montão de coisas es-

tragadas, uma sucata ambulante que pensava estar vivo e ser alguém cheio de: direitos!

Vivia amargurado, cheio de revoltas contra tudo e todos, julgando todo mundo

culpado pelas minhas infelicidades e incapacidades; embora jamais tenha me faltado roupa, ca-

sa, comida e bens materiais! Enfim, vivia numa confusão dos diabos.

É isso mesmo. Se nunca fui um rico, sempre fui classe média-média, inconfor-

mado com não sei o quê, para quem toda vida era uma imensa confusão, nada parecia fazer sen-

tido.

Eu sempre quis ser bom, mas, para começar, nem sequer sabia o que era ser

bom, pois me faltava um padrão a seguir! E, cada vez que queria fazer algo bom, terminava fa-

zendo o oposto. Revoltado, confuso, atolado nos vícios do sexo, ameaçava a vida dos meus fa-

miliares e a minha também. Vivia num inferno permanente.

Mas, até aí, depositava toda a confiança na Ciência. Até tentei ser cientista! Só

depois de muitos anos, percebi que não tinha constituição intelectual para aquilo.

Fracassei espetacularmente, nos intentos que fiz naquele sentido. E, dou graças

ao Senhor por isso; pois, assim, Ele me livrou de uma idolatria tremenda, da qual eu, talvez, não

conseguisse ser tirado nunca.

Mas que, na hora dos reveses doeu, doeu; e senti cada golpe daqueles como se

me arrancassem quaisquer chances de vida. Orgulhoso, depois dos vestibulares perdidos, aban-

donei os estudos e resolvi fazer concursos públicos e trabalhar como funcionário.

Um dia assistia a um programa científico, onde médicos circunspectos e pare-

cendo muito confiantes no que diziam, recomendavam aos telespectadores examinarem quais-

quer manchinhas no corpo, para prevenirem o câncer; obediente, fiz isso.

Descobri uma coisa, sim. Uma manchinha de nada, no ombro. O dermatologista

me mandou fazer uma biópsia. Ao receber o resultado da mesma, li-o e dei-me por satisfeito,

pois, não falava de cânceres, miomas, etc.

Mas o médico ficou pálido quando a leu, extremamente pálido, para o meu gos-

to. E o inquiri:

- Não ser câncer é o que é importante, ou não é?! - perguntei-lhe.

O médico assentiu sem jeito, mas, antes que ele achasse um meio de me contar

a verdade, e me garantir que não apoiava o resultado daquele exame; veio-me, subitamente, a

lembrança de um fato que tinha ocorrido há poucos dias, na minha própria rua.

Uma nossa conhecida tinha morrido de LÚPUS. E, ouvi bem, quando algumas

pessoas disseram aquela doença não ter cura e matar em 36 horas!

Com tudo isso, não deu outra. Acordei naquela noite com uma tremenda crise

existencial, bem física. Meu coração disparava no peito: - Lúpus!... Lúpus!... Lúpus!...- minha

respiração era descompassada, suava um suor espesso, um medo tremendo tinha tomado conta

de mim. Revirava-me e gemia na cama, procurando no que me agarrar antes de morrer. E, por

cima de tudo, tinha aquela vozinha interior perguntando-me sem cessar: “- Roberto, o que você

fez com sua vida?”

Eu não sabia o que responder. Não tinha feito uma só coisa boa. NADA!... Ab-

solutamente nada achei que me ajudasse na resposta! Toda a bondade que eu procurava trazer à

6

mente se enfumaçava diante de mim; pois sabia lá no fundo, sem ninguém precisar me dizer

que, em mim, nada prestava. Senti-me perdido!

Olhem, aqui faço um parêntese. Eu não era um monstro, alguém muito diferente

dos outros homens! Eu era uma pessoa como as outras! Muita gente até me considerava exce-

lente pessoa, cidadão exemplar, alegre e sorridente!

Só eu e Deus sabíamos a verdade e era este, exatamente, o grande problema;

pois, Deus nos diz em sua Palavra: “Todos pecaram e todos estão destituídos das glórias de

Deus, não há um justo, não há um sequer” (Romanos 3.23). Esta foi a mais cristalina verda-

de que aprendi naquele momento terrível, sem nunca ter lido uma Bíblia!

Daí, comecei uma peregrinação entre os psiquiatras da cidade, em busca de cu-

ra.

Ainda acreditava que esta espécie de ciência médica pudesse ajudar. Mas as

drogas que me davam não me ajudavam sequer a conciliar o sono e, se depois de uma noite sem

dormir, sentia-me mal; imaginem como eu ficava depois de semanas!

Os doutores me davam aquelas pílulas e me despachavam, mal escutando o que

eu tinha a dizer. Um deles apenas com meu: nome, endereço, peso, profissão e idade me passou

uma caixa delas!

Era uma loucura! Afinal, quem poderia me impedir de morrer, iria se interessar

por mim, ou poderia resolver os meus traumas íntimos?!

Um psiquiatra de Recife foi consultado pela minha família. Tinha uma agradá-

vel clínica, que visitaram. Prometeu me curar em um mês! Vibrei, com isso. Mas, por trás,

quando entrei na clínica, ele disse à minha família, que eu só sairia de lá, dois anos depois; apo-

sentado como louco! E nem desconfiei!

Quando lhe disse, na nossa primeira e única entrevista durante todos aqueles

três longos meses, que praticava “ioga” há vários anos, e me respondeu: “- Isso é muito bom!”;

apenas uma coisa me ficou clara. Bom para quem, senão para ele, que ganhava mais um pacien-

te?! Por isso, abandonei a “hatha-yoga”, naquele instante.

(Quanto trabalho dei à minha esposa! Que o Senhor a recompense por isso!).

Depois dos três meses de interno, quase morto, um esqueleto embrulhado numa

pele amarelo-esverdeada, mais parecia com aqueles judeus dos campos de concentrações nazis-

tas. Foi quando meus familiares souberam de fatos terríveis acontecidos com aquele doutor nou-

tro estado, de onde ele fugira e, apavorados, me roubaram da clínica.

Inteirado de tudo, só então, comecei uma mudança radical de vida. A ciência e a

medicina não ajudavam, tinha de buscar minha cura noutra área. E um colega e amigo, Solha, o

escritor, sabendo do meu drama, instou para eu escrever minhas experiências de vida, alegando

que isso poderia me ajudar.

Foi difícil vencer a barreira plantada em minha mente por meu pai carnal, de

que escrever poesias e fazer literatura, de um modo geral, eram coisas para maricas. Mas, enfim,

belo dia, super-envergonhado, entreguei ao Solha algo; ele leu e gostou, disse-me ser uma crô-

nica e que os jornais até podiam publicá-la. Ri. Isso seria impossível! Quem iria querer ler aqui-

lo? Ele falou com um amigo jornalista e ela foi publicada.

Daí em diante, desandei a escrever; escrevia até sobre uma muriçoca que zunis-

se ao meu redor. Tinha de contribuir, de alguma forma antes de morrer, para com a humanidade;

pensava. Apesar de já nem acreditar mais naquele laudo médico e até ter aceitado mesmo a teo-

ria de dois doutores que examinaram meu braço depois.

Mas, para escrever bem, devia ler muito e comecei a devorar bibliotecas inteiras

e as idéias me brotavam na cabeça aos borbotões e os jornais locais as publicaram por anos! Fi-

quei até conhecido na cidade, imaginem! Cheguei a escrever contos e a participar de uma “An-

tologia de Autores Paraibanos”!

Mas, enquanto estudava fui percebendo haver uma diferença fundamental entre

mim e o Solha. Ele era bastante céptico a respeito do mundo espiritual (ou procurava não aceitar

isso) e eu não. Alguma coisa me deixava bastante aberto àquela área.

Daí, comecei a estudar o “Controle Mental Silva”, visto meu problema ser na

mente, não? E, na minha ânsia de fazer algo de bom pelos outros, resolvi ensinar o que tinha a-

7

prendido, de graça, em minha própria casa. Assim comecei um grupo de “Controle-Mental Sil-

va”, gratuito.

Por dois anos esse grupo se reuniu, impreterivelmente, aos sábados. Mas perce-

bi que só eu procurava estudar a respeito do assunto, os outros apenas aproveitavam o momento.

E, além disso, não notei muita mudança em ninguém com o passar do tempo, apesar deles dize-

rem se sentir muito melhor, após cada reunião...

Comecei a buscar a verdade de tudo. No homem não podia confiar e aprendera

isto a duras penas. Se tivesse lido a Bíblia antes, não teria sofrido tanto! Pois Deus nos diz, em

Jeremias 17.5 (um livro escrito 2.700 anos atrás: “Maldito o homem que confia noutro homem

ou que da carne faz o seu apoio” !

Em seguida enveredei pelo orientalismo: budismo, zen, etc. Associei-me aos

“rosa-cruz” e até levei um amigo, alcoólatra, como cobaia, ao xangô. Mas, sempre, com certo

senso crítico especial. Procurava me aproximar dos mais antigos praticantes, de cada uma da-

quelas coisas, observando cada movimento deles. Examinava-os e via se valia a pena entregar

30 ou 40 anos de minha vida no que eles praticaram, para findar como eles. Não valia!

Todos se auto-enganavam ou eram enganados por “seus” poderes. Tinha algu-

ma coisa errada em tudo, só não sabia o quê. Gastei bom dinheiro com a “Seicho-no-Iê”, com-

prando e distribuindo livros deles.

Apresentaram-me um panorama espiritual que parecia lógico. Pregavam não

existir o mal, pois Deus não podia criar tal coisa. Nem existirem doenças, nem desastres, todas

essas coisas serem frutos de nossa mente. Era só reprogramá-la e pronto! Outra pessoa me trou-

xe a “Ciência Cristã”, bem parecida com a “Seicho-no-Iê”. Lia e comparava tudo e todos.

Hoje pergunto aos que seguem aquelas seitas de que morreu seus Mestres. Terá

sido de excesso de saúde?! Ou será que nunca leram que Jesus CURAVA os enfermos e jamais

ensinou doenças não existirem?

Seria Jesus um tolo? Muitas pessoas aceitam as idéias daquela seita demoníaca,

como a de muitas outras seitas orientais e ainda se consideram: cristãs!

Conheci pessoas, com 30 anos de rosa-cruz, cujas experiências “maravilhosas”

constituíam tão somente, em verem demônios horríveis - que eles descrevem com outros nomes

e algumas até confessaram terem sido atacadas por eles - ou outras, como um médico homeopa-

ta de Recife, o qual me confessou que, com os seus tantos anos de rosa-cruz, nem precisava a-

brir um livro para lê-lo, bastava colocar a mão sobre o mesmo na estante, para saber tudo que o

ele ensinava!

Tinha de haver algo melhor, pensava, afinal ver coisas ruins não é vantagem

nenhuma e, pelo que conversei com aquele doutor, sua leitura telepática de todos os livros do

mundo, nada tinha acrescentado à sua cultura!

Eu sentia que havia uma verdade escondida em algum lugar. Mas onde? Os ca-

minhos eram tantos!

Depois de muito pensar, a única coisa que achei que faltava mesmo, no nosso

grupo, era Deus.

Como, na medida em que descobria algo, passava a ensinar aquilo, já bem dige-

rido, ao grupo; assim que percebi nosso problema fundamental ser a falta de Deus em nossas vi-

das, expus isso ali.

Incrível!... Tínhamo-nos reunido, durante mais de dois anos sem falta, todos os

sábados e, depois que falei aquilo, ninguém apareceu no sábado seguinte! Parecia até que ti-

nham feito um conluio.

Fiquei chocado. O que tinha havido?!

Foi quando percebi aquele grupo ser composto só por intelectuais: jornalistas,

economistas, professores universitários e até um ex-reitor da Universidade local. Eles acredita-

vam no poder da mente, não numa possível existência de Deus!

A menção de Deus os afugentara! Que fazer, que caminho tomar?

Eu queria a verdade, não continuar me enganando nem enganando os outros,

por isso, continuei só. E, logo, começaram a aparecer outras pessoas, que aceitavam minha nova

visão da vida. Elas também acreditavam na existência de Deus.

8

Mas uma coisa é se acreditar que Deus existe! Os demônios crêem convicta-

mente nisso, pois O vêem e falam com Ele!... Mas, isso não irá salvá-los do Inferno; pois, não

obedecem a Deus! Não crêem no que Ele diz, na Sua Palavra, essa é a tremenda diferença, que

logo iria descobrir, na prática.

Eu também queria ajudar os outros; mas, antes, tinha que ajudar a mim. Lem-

bro-me das vezes que vi aqueles doutores deitados no chão de cimento de minha humilde casa,

fazendo relaxe na penumbra.

Algumas vezes chorei baixinho, ao ver em que situação andava o homem. Se

aqueles eram os sábios locais, qual não seria a situação dos mais comuns dos mortais?

Resolvi ser fiel ao que considerava verdade, não importando o que os outros

pensassem a respeito. Era minha vida, em primeiro lugar, que estava em jogo.

Mas depois de umas semanas, como disse, um novo grupo se formou; já com

pessoas que acreditavam em Deus. Fiquei alegre com o fato. No entanto continuei a perceber

que parecia que só eu me dedicava a estudar a respeito dos assuntos espirituais; essas pessoas,

como as outras, só iam me seguindo. Senti crescer minha responsabilidade, não podia errar!

Foi, quando me caiu nas mãos o livro: “A Cura pela Fé” , da carismática Ruth

Carter (esposa do ex-presidente americano).

Fiquei fascinado. Se ela; com o tão pouco conhecimento que demonstrava no li-

vro, a respeito do mundo espiritual; fazia tudo aquilo; eu poderia fazer melhor!

Mas ela sabia rezar e isso, com certeza, eu não sabia. Precisava de alguém para

fazê-lo; pois, conforme o livro era preciso alguém assim, nas sessões de curas pela fé.

Imediatamente me lembrei de um tio. Era um católico ferrenho, rezador profis-

sional, diria. Convidei-o, aceitou imediatamente. Marcamos a primeira sessão, como sempre

com aquele meu antigo cobaia, M, que eu já tinha levado ao xangô.

Mas notei o meu tio levar tudo para o lado do hipnotismo. Emprestara-lhe o li-

vro “Cura pela Fé” antes, para ele ler e aprender. Mas parece não ter entendido nada. O negócio

dele era hipnotizar.

Não pude lhe mostrar seu erro na hora, porque a cobaia iria perceber a confusão

e poderia ficar perturbado. Por isso, desanimado, deixei-o prosseguir e, quando ele achou que

devia terminar sua sessão de “cura”, mandou o cobaia se despedir do Jesus que imaginara ver

conosco. Então, algo me chamou a atenção.

Aquilo não me saiu da cabeça! Eu já hipnotizara pessoas, inúmeras vezes, e sa-

bia que ninguém podia desdizer o que dizemos, naquele grau de hipnose|! Mas o cobaia nos dis-

se que o Jesus, ali presente (visto por ele) tinha-lhe dito ir embora porque nós O estávamos ex-

pulsando; não por ser esse o desejo dele!

Nenhuma ilusão hipnótica tem vida própria e vontade autônoma! Havia algo es-

tranho ali; mas, certamente, meu tio não poderia me ajudar a respeito. Optei pelo mais lógico,

procurei ver se, em J. Pessoa havia algum grupo carismático. E, foi aquele tio rezador mesmo,

quem me informou de uma amiga sua, Dona C, ser católica carismática; inclusive, líder do mai-

or grupo local.

Vibrei! Telefonei para ela, visto já a conhecer desde a infância e lhe fiz a minha

proposta.

Pessoalmente, não podia me ajudar, pois, já estar assoberbada de responsabili-

dades, afora o tomar conta da própria casa e do marido. Mas, deu-me o telefone de outra senho-

ra, Dona L, a quem me recomendou.

A jovem senhora, Dona L. uma mulher risonha, gordinha, casada com um ex-

frade, num casamento cheio de desajustes; imediatamente se prontificou a me ajudar. Marcamos

uma sessão com o velho “cobaia” e, nesta, embora o cobaia não tenha ficado livre do seu alcoo-

lismo, vi coisas maravilhosas.

A mulher mostrou dons espirituais fantásticos! Não tinha sombra de dúvidas.

Ela era além do normal!

Indaguei-lhe a respeito e me informou aquilo tudo ser por conta do “batismo de

fogo”, ou “batismo com o Espírito Santo”, carismático. Imediatamente me tornei carismático. E,

lá, descobri o livro texto daquele grupo ser a: Bíblia!

9

Foi meu reencontro com a Palavra de Deus, depois de dezenas de anos afastado

da mesma, em todos os sentidos.

Claro, tudo que aprendia passava para o Grupo! E, quando me senti pronto, falei

de Jesus nele. No outro sábado, como antes, ninguém apareceu. Quase tive outra crise!

Como compreender essas pessoas?! Não se preocupavam de estudar, de prati-

car, de ir a fundo, mas, toda vez que lhes apresentava algo melhor, sumiam por completo!

Bom, tinha decidido manter, em primeiro lugar, um compromisso com minha

própria vida, continuaria só, novamente, se necessário.

Não foi preciso. Outro grupo de pessoas, que aceitava a idéia de Jesus começou

a aparecer. As anteriores só tinham chegado a aceitar a idéia da existência de Deus. Notem bem

a diferença! Jesus já avisara na Sua Palavra, a Bíblia, Ele ser a rocha de tropeço, a pedra de es-

cândalos! E, novamente, isso se tornou uma verdade palpável, revelada aos meus olhos.

Enquanto isso repetia e repetia, a leitura da Bíblia, procurando, cada vez mais,

penetrar nos seus recônditos. Lia-a com uma fome de anos!

Certamente, era uma fome de anos!

Quando menino, leitor inveterado de tudo que me caísse nas mãos, descobri cer-

to dia, entre dragonas douradas do meu bisavô, num baú, no empoeirado sótão da casa de minha

avó, uma Bíblia e comecei a lê-la.

Fiquei maravilhado logo nos primeiros capítulos. Era a história (que jamais ti-

nha imaginado existir) da criação do homem; e escrita por quem parecia saber sobre o que esta-

va falando!

Mas minha alegria durou pouco. Uma tia se aproximou por trás de mim, pé ante

pé, para ver o que eu fazia e, ao ver-me lendo aquele livro de capa preta, tomou-o de minhas

mãos; alegando aquele ser um livro só para adultos e nem para todos; pois, só os padres podiam

interpretar exatamente o que ele dizia e autorizar a sua leitura.

Tive que aceitar aquilo. Afinal, ela era uma adulta e devia saber sobre o que fa-

lava, não era? Nunca fui muito rebelde a esse tipo de instruções. Por isso aquela fome da Pala-

vra era, literalmente, uma fome espiritual de anos. (Essa mesma tia eu levaria a Jesus, décadas

depois, abrindo-lhe as portas da glória. Aleluia!).

Mas, já na carismática, comecei a ver algumas coisas maravilhosas ocorrerem.

Como estava mergulhando mais e mais na Palavra continuei a comparar tudo: o que se dizia

com o que se fazia. Nem sempre vendo coerência!

Indaguei aos mais antigos. A resposta foi sempre a mesma: toda a divergência

se dever à tradição católica. No começo achei-a lógica, depois, a própria leitura da Bíblia me

mostrou que a tradição do pecador é pecar e que Deus só perdoará o pecador que se arrepender

de seus pecados! A Palavra não diz que uma tradição (qualquer que seja!) irá garantir bênçãos!

Fui aos líderes novamente, disseram eu estar ficando com idéias protestantes.

Alegaram nem tudo na Palavra de Deus ser como estava escrito; Deus ter mandado fazer está-

tuas de anjos para o Tabernáculo e uma Serpente de Bronze para curas! Tínhamos de saber in-

terpretar, este o segredo. E cortaram quaisquer outras explicações coerentes. Percebi é que eles

não sabiam sobre o que falavam!

Quando minha mãe, depois de sessenta anos de catolicismo, perguntou a um

padre sobre as discrepâncias (quanto à questão das imagens) do catolicismo para com a Bíblia;

ele lhe disse que ela estava ficando doida, que fosse procurar um: psiquiatra!

“Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem e vos perse-

guirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós” (Mateus 5.10)!

Mas esse tipo de perseguição não acontece só do lado católico, entre os evangé-

licos frios ou entre denominações mesmo, muitas vezes a coisa é parecida.

Confusão. Quanta confusão!

Mas a Bíblia diz que: “Deus não é Deus de confusão” (1ª Corintos 14.33)! E

Deus não iria escrever um livro impossível de o homem entender ou capaz de deixá-lo confuso!

Pensar assim seria a mais pura estultice! Deus, que criou o homem e conhece cada pensamento

e dificuldade da vida dele!

10

Além disso, Deus não é mau, nem um intelectual qualquer, o qual, sabedor de

que seu livro ficaria fora de moda com o passar dos tempos, iria castigar quem não pudesse en-

tendê-lo depois!

Deus é Deus e Deus é Amor ! O pecador é quem é confundido pelos seus pró-

prios pecados. Então, percebi que meu problema era estar aceitando muitas pessoas como meus

mestres espirituais, além de Jesus! Este era o meu erro fundamental, como é o de muitos.

Os vários mestres espirituais; aceitos pacificamente desde minha mais tenra in-

fância (como meus pais carnais, padres, professores, até empregadas domésticas com seus con-

tos de bruxarias e fantasmas); estavam se digladiando na minha mente, cada um querendo me

ensinar a sua “verdade” e fazer-me crer nela. Por isso aquela confusão, não tinha cabeça que a-

güentasse.

A única solução seria confiar apenas em Deus e na Sua Palavra, comecei a per-

ceber.

Um dia chegou um rapaz (bastante conceituado lá na carismática) perguntando

quem queria ser batizado pelo Espírito Santo, para receber os dons que eu tanto admirava em

alguns dos carismáticos e não me fiz de rogado. Fui à frente, recebi sua imposição de mãos e

comecei a praticar tudo o que já tinha lido a respeito dos dons, na Bíblia. E, aí, as coisas come-

çaram a acontecer ao meu lado.

A primeira delas foi a dissolução daquele novo grupo, que já tinha se formado

há meses, conforme lhes falei antes. Quando falei àquelas pessoas, as quais diziam crer em

Deus, ser Jesus quem estava nos faltando, sumiram por completo.

Conclusão, afirmo, nem todos que dizem crer na existência de Deus, crêem no

que Ele diz, nem em Jesus! Jesus mesmo avisou existirem muitas religiões, muitos caminhos,

mas só Ele ser: “O Caminho, A Verdade e A Vida” . Há pessoas que só querem uma religião,

adoram religião; mas não, a Jesus.

Deus nos quer ver arrependidos dos erros, não mergulhados neles por força de

tradições ou para agradar a parentes, irmãos ou confrades errados. Observem o que Jesus disse a

algumas pessoas que foram lhe avisar de que sua mãe e seus irmãos queriam vê-lo, enquanto ele

estava ocupado, ensinando a Palavra de Deus:

“- Eis minha mãe e meus irmãos. Porque qualquer que fizer a vontade de meu

Pai celeste, esse é meu irmão, irmã e mãe” (Mateus 12.49).

Ele também disse: “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é

digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim. (Ma-

teus 10.37)!

Agora pensem em sua mãe espiritual como sendo sua igreja tradicional; seu

pai espiritual, sendo seu pastor ou sacerdote costumeiro; e os seus irmãos sendo os seus con-

frades religiosos de domingo e pronto. A coisa amplia-se vastamente!Decidam-se.

Assim fui expulso dos meios carismáticos. Não sem, antes, descobrir que eles

diziam terem vindo dos pentecostais e, por isso, comecei a procurar na cidade estes outros.

Queria conferir tudo com essa fonte original.

Mas, apesar de ter procurado durante várias semanas, não descobri uma só igre-

ja do tipo! Nessas alturas, já tinha aprendido a não fazer certas perguntas a nenhum irmão; pois,

a boa vontade de alguns deles, muitas vezes, anda muito na frente da vontade do Espírito de

Deus. Aprendi que ouvir com atenção e a comparar o que diziam com o que faziam, e tudo isso

junto, com a Bíblia, ser mais seguro.

Já estava desanimado daquela busca aos pentecostais, quando, ao subir uma la-

deira, do meu carro vi uma placa: “Igreja Pentecostal X”. Bem na minha cara! E eu devia ter

passado por ela várias vezes!

Certifiquei-me dos horários dos cultos e, no dia seguinte, lá estava eu, porém,

dado às minhas experiências com as pessoas, estava desconfiado demais e estava acolá, como

quem sabe o que faz e não como quem quer aprender.

Por isso, nada mais além de tremenda vontade de sair dali, me acudiu. Era uma

gritaria geral, parecia que todos tinham endoidado de vez. No primeiro intervalo sumi, com a

cabeça zunindo; pois se sou, com certeza, amigo de uma coisa, esta, é um gostoso silêncio!

11

Em casa meditei a respeito. Tinha sido muito orgulhoso, fui como quem vai en-

sinar, quando na verdade queria aprender! Decidi fazer outra experiência e, desta vez, com mais

humildade.

Reuni coragem e retornei lá. A gritaria geral começou, procurei me controlar e

me ajoelhei quando eles se ajoelharam; pedindo auxílio a Deus para me fazer entender alguma

coisa. E, então, aquilo aconteceu!

A igreja se reunia numa velha garagem de ônibus, toda fechada, sem uma só ja-

nela. A única abertura era a porta de entrada, assim mesmo, os irmãos tinham erguido uma

grande e grossa parede antes dela, para impedir a visão dos passantes da rua. O calor era enor-

me, eles não tinham ventiladores.

Mas uma rajada - que digo! - literalmente um tapa de vento me atingiu e come-

cei a sentir uma tremenda sensação de alívio.

Algo que nunca tinha sentido antes, em momento algum de minha vida.

Além disso, aquela gritaria deixou de me incomodar, tornou-se intensamente

agradável e quase compreensível. Eram vozes de anjos não de homens! E só não conseguia en-

tender o que o mais próximo de mim dizia, porque não era possível distinguir a sua, entre tantas

vozes altissonantes.

Saí dali flutuando nas nuvens e essa sensação fantástica não me abandonou du-

rante três dias. Só não sabia o que era aquilo nem algo que, mais maravilhoso ainda, tinha me

acontecido também!

Esta outra surpresa eu tive depois, quando pus de novo meus pés no chão. Eu

estava livre do espírito da luxúria, o qual tinha me escravizado a vida inteira e quase me matado,

sugando todas as minhas energias vitais, metendo-me em perigos terríveis.

Era impressionante, eu podia olhar para uma mulher, perceber sua beleza ou

feiúra e não sentir mais aquele ímpeto indomável de possuí-la. Eu estava diferente: livre, leve,

podia dormir!

Meu Deus, como Lhe agradeço, por isto: poder dormir!

(Vocês não sabem o que o diabo tem feito para me impedir de escrever esse li-

vro, de ontem para hoje, já perturbou duas vezes meu computador).

Na primeira vez, chamei meu amigo Pedro e ele reajustou o programa. Agora

mesmo, deu um pique na energia e, de novo, o programa foi prejudicado.

Não a aparelhagem em si, Deus só permitiu o Inimigo atingir o programa, o

“soft”, na linguagem da informática. Tentei fazê-lo funcionar várias vezes, mas não consegui.

Deu um bloqueio geral.

Subia as escadas para telefonar de novo para o meu amigo, a fim de lhe pedir

socorro, quando o Espírito de Deus me ordenou: “Não faça isso! Volte e ordene que o Diabo li-

bere a sua máquina!”

Retornei, fiz isso e, imediatamente, o computador passou a funcionar perfeita-

mente bem. Aleluia!

Registro este fato, para que o Nome do Senhor seja glorificado mais uma vez.

Satanás já tentou me mandar outros tipos de setas antes; mas, desistiu, ao ver como eu tinha re-

sistido bem àqueles tipos de ataques. Aleluia! (08/03/95).

(Outro dardo. É 09/03/95). Desta vez é minha mulher com uma enfermidade.

O diabo não tem nenhum direito de interferir na minha vida, nem na vida dela,

nem no meu trabalho, ordenado por Jesus! Subi e expulsei dela o espírito de enfermidade. Ela

foi curada. O Senhor nos mostrou uma pequena brecha pela qual o Diabo tinha mandado a seta

contra minha esposa. Agora, ela está curada e aqui estou novamente. Aleluia!).

12

Capítulo 2