Lendas Judaícas por Anónimo - Versão HTML

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AS PRIMEIR AS COISAS C R IADAS

No princípio, dois mil anos antes do céu e da terra, sete coisas foram criadas: a Torá,

escrita com fogo negro sobre fogo branco e repousando sobre o colo de Deus; o Trono

Divino, erguido no céu e que mais tarde estaria sobre as cabeças dos Hayyot; o Paraíso à

direita de Deus, o Inferno à sua esquerda; o Santuário Celestial diretamente à frente de

Deus, tendo em seu altar uma jóia gravada com o Nome do Messias, e a Voz que clama:

͞Voltai, filhos dos homens͟.

Quando decidiu a respeito da criação do mundo, Deus tomou conselho com a Torá. A

recomendação dela foi:

ʹ Oh, Senhor, um rei sem um exército e sem cortesãos e atendentes não merece o nome

de rei, pois ninguém há perto para prestar-lhe a homenagem devida.

A resposta agradou a Deus sobremaneira. Dessa forma ele ensinou todas as coisas

terrenas, através do seu divino exemplo, a nada empreender antes de primeiro

consultar os seus conselheiros.

O conselho da Torá foi dado com algumas reservas. Ela duvidava do valor de um mundo

terreno por causa do pecado do homem, que iria por certo neglig enciar os seus

preceitos. Porém Deus dissipou as suas dúvidas, dizendo a ela que o arrependimento

havia sido criado muito antes, e que os pecadores teriam oportunidade de corrigir sua

conduta. Além disso, o serviço do templo seria investido de poder de rem issão, e o

Paraíso e o inferno destinavam-se a fazerem sua obrigação como recompensa e punição.

Finalmente, o Messias era designado a trazer salvação, que poria um fim a toda a

pecaminosidade.

P O R É M N E M M E S M O E S T E M U N D O T E R I A P E R M A N E C I D O ,

S E D E U S T I V E S S E E X E C U T A D O O S E U P L A N O O R I G I N A L D E

G O V E R N Á- L O S O B O P R I N C Í P I O DA J U S T I Ç A E S T R I T A .

Tampouco foi este mundo habitado pelo homem a primeira das coisas terrenas criadas

por Deus. Ele fez diversos mundos antes deste, mas destruiu a todos, porque não se

satisfez com nenhum antes de criar o nosso. Porém nem mesmo este mundo mais

recente teria permanecido, se Deus tivesse executado o seu plano original de governá -lo

sob o princípio da justiça estrita. Foi apenas quando viu que a justiça por si mesma traria

a ruína do mundo que ele associou à justiça a misericórdia, e fez com que ambas

governassem conjuntamente. Desta forma, desde o princípio de todas as coisas

prevaleceu a bondade divina, sem a qual nada teria continuado a existir. Se não fosse

por isso, as miríades de espíritos malignos já teriam colocado um fim às gerações dos

homens. Porém a bondade de Deus ordenou que a cada mês de Nisã, por ocasião do

equinócio da primavera, os serafins aproximem-se do mundo dos espíritos, e os

intimidem de modo a que eles temam fazer mal ao homem.

Além disso, se Deus em sua bondade não tivesse concedido pro teção aos fracos, os

animais mansos já teriam sido há muito tempo eliminados pelos animais selvagens. No

mês de Tamuz, por ocasião do solstício do verão, quando a força do beemote está no

seu auge, ele urra tão alto que todos os animais o ouvem, e por um a no inteiro

permanecem assustados e temerosos, e seus atos tornam-se menos ferozes do que

seriam por natureza. Novamente, no mês de Tisri, por ocasião do equinócio do outono,

o grande pássaro ziz bate suas asas e dá o seu grito, para que todas as aves de rapina,

águias e abutres, recuem de medo, e passem a temer lançaram-se sobre os outros e

aniquilá-los em sua cobiça. Além disso, não fosse a misericórdia de Deus, o vasto

número de peixes grandes teria rapidamente colocado um fim nos pequenos. Porém por

ocasião do solstício do inverno, no mês de Tebet, o mar torna -se agitado, pois o leviatã

espirra água, e os grandes peixes ficam inquietos; eles refream seu apetite, e os

pequenos escapam da sua rapacidade.

Finalmente, a bondade de Deus se manifesta na preservação de seu povo, Israel. Ele não

poderia ter sobrevivido à inimizade dos gentios, se Deus não tivesse designado para ele

protetores, os arcanjos Miguel e Gabriel. Quando acontece de Isr ael desobedecer a

Deus, e é acusado de mau comportamento pelos anjos de outras nações, ele é

defendido pelos seus guardiões designados, com resultado tão positivo que os outros

anjos passam a temê-los. Uma vez

que os anjos das outras nações estão aterrorizados, as próprias nações não ousam levar

avante seus perversos intentos contra Israel.

Para que a bondade de Deus reinasse na terra como no céu, aos Anjos da Destruição foi

designado um posto na extremidade mais distante dos céus, do qual não devem nunca

se mover, enquanto os Anjos da Misericórdia circundam o trono de Deus, às suas

ordens.