Magia e Sedução por Theresa Michaels - Versão HTML

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Clã Gunn 3

Magia e Sedução

Magic and mist

Theresa Michaels

Dig e Rev Joyce

stou-se.

Ele não havia ido muito longe qua Resumo

Davey Gunn fora enfeitiçado... Pelo menos

era isso que seu clã supunha. O que , mais,

além de bruxaria, poderia impelir o

corajoso guerreiro a deixar as Terras Altas

para ajudar uma misteriosa druida? Mas

Davey sabia que seu destino e seu coração

estavam para sempre ligados a Meredith de

Projeto Revisoras

Cambria, a mulher que conquistara sua

alma beligerante!...

Meredith sabia que o amor que nascia em

seu coração poderia significar a morte para

os sonhos de seu povo. Davey fora escolhido

somente para ajudá-la a recuperar as

quatro dádivas de poder, nada além disso.

Mas agora ela começava a suspeitar que a

força da mais antiga das magias - O

verdadeiro amor — não poderia jamais ser

negada!

PRÓLOGO

Escócia, 1384.

A jovem, conhecida como Meredith de

Camaria, talhou o último punhado de

grama verde, em um movimento gracioso

que contradizia seus pensamentos

conturbados.

Deteve-se, de repente, e inseriu a longa

adaga na bainha atada ao cinto. O rico

aroma de torga e grama expandia-se pelo

ar. Ela já havia recolhido o suficiente para

compor a cama onde repousaria naquela

noite. Seu leito solitário. Afinal, estava

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sempre sozinha.

Por um momento, Meredith deixou de lado

as preocupações e imaginou como seria

mergulhar em um sono profundo com

alguém que a envolvesse e a aquecesse.

A imagem de um homem surgiu-lhe à mente

tão rapidamente que a assustou.

Olhos castanhos escuros, nariz angular,

lábios que se abriam em um sorriso sutil, e

todo o conjunto emoldurado por cabelos

negros que pendiam à altura dos ombros.

Ela visualizou aquele rosto com extrema

clareza. Tratava-se de um homem

inesquecível.

Davey do Clã Gunn.

Para além do rio Halladale, o pôr-do-sol

enegrecia as pedras de Ben Griam More.

Meredith postou-se sob a penumbra,

dominada pela sufocante fadiga. Sentia-se

acuada entre os sentimentos de exaustão e

de ser só.

Virou-se para olhar o semicírculo que as

pedras formavam. O local parecia inerte;

nem sequer um sopro de ar movia os galhos

das árvores. Meredith não conseguia es-

cutar o sussurro dos espíritos que residiam

naquele lugar.

Perdeu a noção do tempo enquanto

admirava o que os homens das Terras Altas

chamavam de Pedras Eretas de

Achavanich.

Naquele mesmo local, os Cymry haviam

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fugido das próprias terras centenas de anos

antes de se subjugarem e converterem-se.

Seu povo escapou das espadas dos romanos

que destruíram os que tinham recusado o

cativeiro e a conversão a crenças sacras.

Meredith não compreendia por que as

quarenta pedras se erigiam em forma de U.

Sabia que o espaço gerava um enorme

poder. Os velhos druidas, que lhe haviam

ensinado os antigos conhecimentos e depois

a enviaram ao mundo, não transmitiram

informações necessárias acerca do sig-

nificado das pedras. Somente garantiram

que ela estaria sempre segura envolta por

aquele agrupamento.

Armada de tal sabedoria e de seus dons,

Meredith atravessara a Inglaterra e depois

a Escócia, para realizar sua missão.

O momento de reivindicar o que fora

roubado de seu povo havia chegado.

Um súbito tremor lembrou-a do avançado

da hora. Recolheu o punhado de grama e

torga, e carregou-o ao centro das pedras

para arrumar seu leito. Se ali

permanecesse até o amanhecer, nada de

mal lhe aconteceria.

Mas, ao se ajoelhar a fim de preparar a

própria cama, o poder absoluto elevou-se

em total necessidade. O cansaço foi

esquecido quando ela se levantou e

caminhou em direção à costa sul do

diminuto lago Stemster.

Projeto Revisoras

Sem o vento para movimentá-la, a

superfície do lago permanecia plácida

refletindo os raios prateados da lua, tal

qual um espelho resplandecente.

Pressentindo as sombras ao redor, ela

prosseguiu sem medo. Os espíritos

guardiões protegiam pessoas como Me-

redith. Sempre tornava-se vulnerável a

qualquer um que a surpreendesse

consultando as águas cristalinas. Espe-

cialmente a um inimigo. E ele não estava

longe.

Tão logo aproximou-se da beira do lago, ela

parou. Sua voz, doce como o canto dos

pássaros, entoou o verso de palavras

anciãs.

Lembranças vividas despontaram em sua

mente. Visualizou a menina, rodeada de

druidas em seus mantos, aprendendo os

preceitos da antiga sabedoria na floresta de

carvalhos, localizada nas montanhas da

região outrora denominada Gales pelos

saxões.

Ela nascera para aquilo, fora treinada

como a última da linhagem, e não ousaria

falhar.

Os inimigos estavam próximos e a

caçavam. O medo reapareceu, poderoso em

sua intensidade.

Meredith concentrou-se no brilho prateado

da água e viu novamente o rosto de Davey

do Clã Gunn.

Projeto Revisoras

O medo esvaiu-se.

O coração disparou ao divisá-lo na

superfície brilhante. Os lábios se curvaram

em um sorriso ladino, como se Davey

soubesse que Meredith o protegia e também

entendesse o que ela precisava.

A visão de Davey era límpida. A lua, a seu

pedido, revelava mais que a luz do dia.

Tudo ao redor tornou-se fosco ante a

radiação refletida na água.

Um brilho repentino apagou a visão e,

então, retrocedeu alguns meses. Meredith

viu Davey, armado e a cavalo, lutando.

Avistou também punhos que o ameaçavam

pela retaguarda. Ela o alertara para não

acompanhar o irmão, Jamie, mas o aviso

de nada valeu.

A distância, Meredith empreendia sua

vigília, observando cada sopro ofegante de

Davey e visitando-o em cada sonho

fervoroso.

Ela utilizara a maioria dos poderosos

feitiços de seu povo para mantê-lo vivo e a

salvo.

A visão na água tornou-se embaçada e, em

seguida, clareou.

Davey apareceu com seus amados cães no

pátio do castelo Halberry, o domínio do Clã

Gunn.

Embora já tivesse visto aquela imagem,

Meredith espantou-se ante o brilho

assombroso do olhar de Davey.

Projeto Revisoras

Era sua contínua ausência que marcava

aqueles olhos.

Um frágil sussurro, tão suave quanto o

farfalhar das folhas no topo das árvores,

emergiu para avisá-la que estava na hora

de abandonar a beira do lago e recolher-se.

Meredith respeitou o aviso. A consulta às

águas cristalinas abrira o caminho

daqueles que a perseguiam. A todo custo,

precisava evitar as garras de Owain ap

Madog, pois este almejava os dons de

Meredith para objetivos maléficos. Ele

queria usá-la a fim de aumentar os

próprios poderes.

Aflita, retornou ao círculo das pedras

eretas. Podia sentir a sua volta o peso

sombrio de Owain.

O perigo era iminente, mas Meredith não se

deixaria sufocar pelo medo. Davey

representava a resposta. O juramento

sagrado a proibia de utilizar o próprio dom

para ferir ou matar. Davey, porém, não

vivia sob pactos. Ele a ajudaria e a

protegeria até que ela completasse sua

jornada.

Com certa amargura, Meredith entendia

que, na sequência de eventos, nem ela ou

Davey importavam uma vez que a meta

principal fosse atingida.

Davey fora escolhido por ela. A princípio,

havia preferido esperar que a

comemoração do casamento de Jamie

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terminasse para pleitear o guerreiro; no

entanto a presença de Owain a obrigara a

modificar os planos.

Esfregou o anel de prata. Longevidade,

continuidade, eternidade. O simbolismo

milenar do círculo e do nó sem emendas.

Ao luar, ela se levantou, orgulhosa, e orou.

Tinha de convencer Davey a abandonar o

lar, a família e tudo mais que amava para

ajudá-la.

A despeito da natureza obstinada de Davey,

havia pequenos obstáculos que um druida

precisava superar.

CAPÍTULO I

Não haverá filhas da Beleza ante uma

magia como a vossa...

George Gordon, Lorde Byron

Todos os membros do Clã Gunn

compareceram ao castelo naquele final de

verão para celebrar o casamento de Jamie

Gunn com Gilliane de Verrill.

A noiva radiante e o charmoso noivo foram

vítimas de impiedosas brincadeiras por

parte dos parentes, antes de fazerem os

votos que os tornariam marido e mulher. O

casal, alegre e feliz, sentado à mesa mais

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alta, abraçava as meninas órfãs que ambos

amavam como filhas legítimas. Jamie e

Gilliane ainda aguardavam o decreto do rei

que permitiria a adoção.

Os raios de sol penetravam pelas janelas e

iluminavam o grande salão do castelo

Halberry, a fortaleza do clã, aquecendo

aqueles que dançavam animados ao som

das gaitas de foles.

Servos abriam caminho entre a multidão,

carregando bandejas repletas de carne

assada, tortas e pães, cujo aroma se

confundia ao forte odor do mar. O castelo

ocupava as terras que bordejavam o mar

do norte, em Mid Clyth, a noroeste da costa

escocesa, próximo a Caithness.

Micheil, o mais velho dos irmãos Gunn, era

o chefe do clã. Ele cedera o lugar no centro

da mesa para Jamie e sentou-se em uma

das extremidades com a esposa, Sea-na, e o

filho, Heth.

Após recusar uma farta fatia de torta de

cebola e creme, Micheil ergueu o cálice para

brindar os recém-casados. O saboroso

vinho de Aquitaine, a cerveja e o malte es-

cocês, devidamente armazenados e

conservados na adega, circulavam entre os

presentes.

Micheil desejou felicidade ao irmão e à

cunhada, e também almejou a paz para o

futuro dos Gunn. George, o chefe do Clã

Keith, havia morrido. O sangue que

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oprimia os Gunn fenecera com ele. Os Keith

agora discutiam quem seria nomeado o

novo líder. Micheil esvaziou o cálice com a

esperança de que continuariam a disputar

o posto pela eternidade.

Voltou a atenção ao irmão caçula, Davey, o

único ainda solteiro. Pelo olhar das duas

jovens que o cercavam, tal condição não

duraria muito tempo. Micheil levantou-se

para alertar Davey e, quando conseguiu,

pediu-lhe que se aproximasse.

Davey correspondeu ao gesto do irmão e,

pegando o odre de vinho para saciar a sede,

caminhou até Micheil com um sorriso

malicioso entre os lábios.

— Está na hora, Micheil?

— Está. Pode começar, Davey — ele

murmurou no ouvido do irmão para que

ninguém o escutasse.

A voz grave de Davey reverberou pelo

salão. Ele chamou Jamie para que este

apresentasse a dança da espada à noiva.

Micheil e os outros membros do clã

iniciaram o canto das espadas.

Davey gargalhou ao ser carregado por

quatro homens. Crisden e Colin o

agarraram pelos braços, Gabhan e Marcus

seguraram-lhe as pernas. Eram os

melhores amigos de seus irmãos, como

também membros do clã. Os quatro

levaram Davey à parede, onde as armas

dos inimigos estavam dispostas.

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Houve aplausos e gritos quando Davey,

equilibrando-se sobre os companheiros,

tentou pegar uma espada.

Durante centenas de anos, armas foram

penduradas àquela parede, e cada uma

delas simbolizava a vitória sobre as

batalhas travadas contra os inimigos.

Espadas e lanças escocesas; adagas,

punhais e facas dos ingleses retratavam

lutas e conquistas.

A mão de Davey passou pela mais recente

aquisição. A espada de Guy de Orbrec,

conquistada por Jamie após uma batalha

sangrenta. Mas Davey escolheu outra.

Todas as armas eram o testemunho da

determinação do Clã Gunn de sobreviver

em meio aos maiores e mais poderosos clãs.

Recentemente, Davey havia se recuperado

de ferimentos graves e de uma febre

violenta. Seu equilíbrio era notável, já que

os homens que o carregavam estavam mais

embriagados que ele.

No entanto, Davey tinha uma vantagem.

Enquanto doente, ele recebera um dom. Sua

percepção em relação ao movimento das

pessoas estava tão aguçada que ele podia

prever a ação dos homens que o

carregavam.

Ereto e seguro de si, Davey ergueu uma

espada que não pertencia à memória

recente dos irmãos. Jogou-a aos homens

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que assistiam à cena. Berros e exclamações

obrigaram Jamie a levantar-se quando os

menestréis principiaram os acordes de "A

Dança das Espadas". Todos abriram espaço

no centro do salão para que Jamie

posicionasse a primeira espada.

Mais uma vez, Davey fez menção de

escolher outra espada, embora hesitasse.

Chegou a tocar o punho da arma, mas seus

companheiros cambalearam, forçando-o a

recuar.

No instante em que agarrou a espada, ele

olhou a arcada, onde as portas de madeira

maciça abertas davam livre acesso do salão

para o pátio. Uma mulher, envolvida em

um pesado manto, ocultava o rosto sob as

sombras do capuz.

Davey sabia quem era ela. Conhecia o nome

e o som da voz. Micheil enviara homens

para encontrá-la. As angustiantes semanas

de raiva e frustração devido à ausência

dela se dissiparam. Um súbito arrepio pelo

corpo revelava a verdade sobre aquela

mulher.

Davey apertou o punho da espada que

escolhera. Música e vozes cessaram.

Fitou a figura estática, certo de que estava

sendo observado por ela. Nem percebeu o

choque ao notar que seus cães, Jennet e

Cudgel, postaram-se ao lado dela. Os

cachorros não rosnaram, tampouco

latiram para anunciar a presença de um

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estranho.

— Ponham-me no chão — ele ordenou, sem

desviar o olhar da misteriosa figura.

Precisava estar com ela. Ainda

empunhando a espada, esperou que os

homens abaixassem. Davey pulou no as-

soalho de pedra.

Não ousou olhar para Jamie, que ainda

dançava. Decidido, caminhou entre a

multidão de convidados. Queria ver-lhe o

rosto. Conhecia a voz, pois a suave melodia

o perseguia, mas jamais vira o semblante.

O único e breve encontro que haviam tido

naquele mesmo local ainda o perturbava.

Seu dom, ou maldição como às vezes ele

denominava a segunda visão, oferecera-lhe

a imagem de uma espada ensanguentada.

Jamais conseguiu discernir quem

empunhava a espada ou se o aviso referia-

se ao irmão ou a ele próprio. Mas a mulher

estivera presente, falara com ele e, depois,

desaparecera.

Davey ainda recordava a profecia: Os

eventos vêm e passam. Tudo será claro

quando chegar a hora.

Ela havia voltado. Davey tinha a estranha

sensação de ser arrastado até ela, como se

a mulher possuísse o poder de comandá-lo.

Se alguém o chamou, ele não ouviu. Seu

foco estava fixo na jovem enigmática. Ao

menos, acreditava que fosse jovem. Davey

respeitava a intrínseca urgência de apro-

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ximar-se ainda mais para satisfazer a

necessidade de escutar aquela voz

melodiosa.

Enfim, postou-se diante dela. Os cães lhe

cheiravam as mãos com o intuito de receber

algum carinho de seu mestre. Mas Davey os

ignorou.

— Pensei que nunca mais fosse voltar —

disse ao deduzir que ela não o

cumprimentaria. Resistiu à vontade de

puxar o capuz e ver o rosto da mulher

misteriosa.

— Mas você sabia que eu voltaria.

Davey fechou os olhos a fim de assimilar o

som daquela voz, uma dádiva a seus

ouvidos.

— Pressentiu meu retorno? — ela indagou.

— Tentei...

— Talvez eu apenas desejasse revê-la —

Davey murmurou, evitando admitir ou

negar o que a mulher dizia.

No fundo, recusava-se a acreditar. Não

queria aceitar que ela tivesse o poder de

visitá-lo em sonhos. Voltou a fitá-la.

— Deve ter visto... — Ela se calou ante a

dúvida. Com certeza, dissera a verdade.

Davey havia previsto

o reencontro. Afinal, a segunda visão lhe

informara.

— Você insiste em jogar comigo. Venha —

ele convidou, segurando-a pelo braço. — O

excesso de poeira em seu manto indica uma

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longa jornada. Deve estar com fome e sede.

— Preciso falar com você. Não há tempo a

perder...

— Há muito tempo — Davey insistiu e

apertou o braço delicado. Não pretendia

deixá-la desaparecer. Inclinou-se e

sussurrou: — Abaixe o capuz. Quero ver seu

rosto.

De repente, foram interrompidos por um

grupo de homens ansiosos para assistir aos

ursos dançarinos no pátio. Davey colou o

próprio corpo no dela, tal qual um escudo, e

prensou-a contra a parede de pedras.

— O capuz — ordenou.

Ela puxou o capuz, revelando cabelos tão

negros quanto a noite. Quando ergueu uma

das mãos para tocar o lindo rosto, Davey

notou que ainda segurava a espada.

— A espada — ela sussurrou ao divisar a

arma. — Untava certa. Você sabia mesmo

que eu viria.

— Você continua dizendo frases incoerentes

— Davey retrucou, impaciente. — Escolhi

esta espada para a dança do meu irmão.

Sua aparição repentina me distraiu.

— Não. Você nem sequer ofereceu esta

espada a seu irmão. Na verdade, não

poderia oferecê-la a ninguém. — Meredith

tocou o punho da espada com a ponta dos

dedos. A mão estremeceu visivelmente.

Acompanhando o gesto, Davey estudou a

espada que empunhava.

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A extensa lâmina parecia tão afiada quanto

o dia em que fora forjada. Sob a

luminosidade das tochas, ele não pôde

distinguir que tipo de aço era aquele, pois

parecia estrangeiro, diferente.

Culpou o acúmulo de bebida em seu sangue

ao notar o brilho intenso que a lâmina

adquiria a cada segundo.

Continuou a avaliar a arma e levou-a para

mais perto da luz. Tanto o punho quanto o

segmento superior à lâmina eram

minuciosamente trabalhados. Havia

pedras coloridas nos olhos das serpentes

gêmeas entrelaçadas. Brilhavam como o

ouro reluzente que compunha aquele

desenho.

Uma onda de calor intenso percorreu-lhe o

corpo, desde os pés, passando pelas pernas,

até a cintura. Gotas de suor começaram a

escorrer na testa. A camisa de mangas

longas parecia justa demais. A túnica, que

outrora lhe trazia conforto, agora o

sufocava e dificultava a respiração.

Davey baixou a espada no instante em que

Meredith recuou. Bloqueou qualquer

possibilidade de movimento com o corpo,

temendo que ela fugisse.

— Em guarda — instruiu os cães.

— Dou-lhe minha palavra que não vou fugir

— Meredith protestou.

— Talvez, milady, mas prefiro não me

arriscar.

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— Minha palavra é minha honra, Davey.