Medo 'Contos de Assombração Baseados em fatos reais' por Cecília Gomes - Versão HTML

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Onde: Guarulhos - SP – Brasil

 

Patrícia estava dormindo sossegada, de repente ela sentiu uma presença no quarto, antes de abrir os olhos seu coração já estava disparado e seu sangue estava congelando nas veias, ela abriu os olhos e o que viu foi inacreditável, ela estava deitada numa cama comum, a altura de sua cabeça era de mais ou menos uns setenta centímetros do chão até seu rosto, na altura de seu olhar ela podia ver apenas as canelas de um homem muito alto ele deveria chegar até o teto, foi o que ela pensou na hora, ela não olhou pra cima ela piscou pra ver se era real ou estava sonhando, mas ele estava lá e foi baixando na direção dela. Patrícia não teve dúvidas deu um pulo da cama e saiu disparada para a porta do quarto, tentando fugir o mais rápido possível da aparição, mas quando ela foi para a porta o homem espichado já estava lá, bloqueando a passagem. Ela não tinha coragem de olhar o rosto dele, ela só queria sair dali, sua mão atravessou o homem como se ele fosse uma fumaça ela abriu a porta e correu pro quarto da mãe. Abrindo a porta do quarto de sua mãe ela pulou na cama dela chorando e contou o que tinha visto, a mãe assustada tentou acalmar a filha, mas ela estava muito apavorada, foi quando ela deitou na cama que percebeu que havia deixado a porta entreaberta seu olhar ficou parado na porta ela não tinha coragem de levantar para fechar a porta, se sentia paralisada de medo, mas não conseguia dormir olhando para a porta entre aberta. E o tempo foi passando, passando devagar. Começou a amanhecer e os primeiros trabalhadores começaram a passar pela rua, devia ser quatro e meia da manhã, uma leve claridade entrava pela freta da janela, Patrícia respirou meio aliviada a noite havia acabado e aquela coisa não havia entrado pela porta. Ela estava deitada de lado até então, mas resolveu virar de frente para tentar dormir um pouco, mas nessa hora o pavor voltou. Ao olhar para cima em direção ao teto, o homem estava lá suspenso como se ele estivesse deitado no teto olhando pra ela, a garota deu um grito tão aterrorizante que quase mata sua mãe de susto, E o homem espichado que estava pairando no ar dissipou-se feito uma névoa negra.

 

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Fim

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O homem “espichado” (parte II)

Aconteceu com Patrícia

Quando: 2003

Onde: Guarulhos - SP – Brasil

 

Um bom tempo passou desde aquela noite de pavor, Patrícia não tinha mais visto nenhum homem espichado “graças a Deus” ela pensava. Seus familiares não sabiam bem o que pensar da historia afinal a casa era tão sinistra com suas aparições, que ninguém duvidava de nada.

Numa noite saíram todos de casa, e voltaram por volta das onze horas da noite, Patrícia estranhou ao ver um carro de polícia parado na esquina próximo a casa, deveria ser ronda noturna pensaram todos enquanto o carro da família se aproximava do portão da garagem de sua casa. A casa é um sobrado com duas sacadas e na parte superior tem um telhado triangular com um sótão.

A luz do farol iluminou toda a casa enquanto o carro entrava no portão. Nessa hora todos que estavam no carro viram um homem que estava no quintal, ele esticou os braços e subiu na primeira sacada e novamente se espichando subiu na segunda sacada sumindo sobre o telhado da casa.

A sirene do carro de policia se ascendeu e um policial desceu do carro. Ele gritou pro parceiro que alguém tinha subido no telhado, mas o outro policial não havia visto nada, e como explicar o que havia acontecido?? Todos da casa de Mica tinham visto o homem espichando o corpo e subindo daquele jeito, eles lembraram o que Patrícia havia visto antes, mas o policial não entendeu nada, ele não acreditava no que seus olhos tinha acabado de ver. Como seria possível um homem se esticar e subir no telhado sem escada alguma? Os policiais foram embora sem entender o que aconteceu, mas Patrícia amedrontada já imaginava quem estava novamente por lá.

 

alto fot

Fim

 

 

 

O ACOMPANHANTE

Aconteceu com Edgar

Quando: 2002

Onde: Guarulhos – SP - Brasil

 

A estrada era deserta durante o dia e a noite era sombria e perigosa, não tinha calçada e o matagal invadia o asfalto. De um lado arvores altas de eucalipto. Do outro lado um morro de terra vermelha e mato rasteiro que era o lugar preferido para o depósito de lixo clandestino, o cheiro era insuportável na maioria das vezes. Jogava-se de tudo, sofá velho, pneus, animais mortos etc. Passar por esse lugar a pé, só mesmo por necessidade e falta de um veículo. Era o caso de Edgar, que voltava pra sua casa altas horas da noite depois da jornada de trabalho. O ultimo ônibus praquele bairro passava meia noite e ele saia à uma hora do trabalho, ele pegava um ônibus até um bairro próximo e andava o resto do caminho sozinho. Naquele caminho ele não andava, praticamente corria. Suas pernas iam mais rápidas que seu corpo cansado podia suportar, ele sempre chegava mais cansado da viagem a pé, que do serviço em si.

Numa noite clara de luar, ele mais uma vez desceu do ônibus e como de costume entrou no caminho deserto, por ironia do destino ou algo assim, nessa noite estava faltando energia bem nesse trecho. – “Que maravilha!” Só falta chover! - pensou ele enquanto apertava o passo, queria passar logo aquele trecho e chegar finalmente em sua casa.

Caminhou acelerado quase a metade do caminho quando algo chamou sua atenção, Edgar ouviu passos que vinha seguindo ele pelo caminho. Não teve coragem de olhar pra trás, sentiu a boca secar e o coração disparar, uma gota de suor gelado escorreu de sua testa, enquanto acelerou um pouco mais seus passos. Pensou: Se for um assaltante? Nesse momento ele já estava quase correndo, foi quando resolveu olhar pra trás e ver quem o seguia.

Um calafrio percorreu seu corpo inteiro nesse momento, o que vinha atrás dele poderia ser qualquer coisa menos um assaltante. Era mais alto que uma pessoa normal usava uma espécie de capa que chegava ao chão e um chapéu preto, com a cabeça sempre abaixada não dava pra ver seu rosto. Não era desse mundo, pensou Edgar já correndo. Mas o estranho acompanhava na mesma velocidade e estava quase o alcançando. Edgar correu disparado, tão descontrolado quanto às batidas de seu coração. Ele rezava pra que aquilo não o pegasse. Ele rezava pra chegar logo em casa e correu como nunca havia corrido em sua vida. Sem olhar mais pra trás. O medo não deixava.

Quando finalmente chegou frente a sua casa ele abriu e fechou o portão as pressas e subiu correndo a escada da garagem. Quando chegou ao topo da escada, parou e ofegante olhou pra trás em direção ao portão, O estranho estava lá, parado em frente ao portão com sua cabeça baixa e sob seu chapéu deu pra ver dois olhos brilhando em meio à escuridão que foi apagando aos poucos e assim como apareceu do nada, sucumbiu como névoa no escuro da noite.

ACOMPANHANTE fot

 

fim

 

ESPÍRITO DE PORCO

Aconteceu com: Leda

Quando: 1984

Onde: Juatama -Ce - Brasil

 

      Contos populares da região do nordeste brasileiro afirmam que se uma pessoa for muito avarenta e ma enquanto viva, depois que morrer ela vira um porco, daí o xingamento espírito de porco, pra certas pessoas ruins. Na época Leda tinha uns sete anos e quando se é pequeno os adultos não acreditam muito no que falamos. Tudo é fantasia de criança é imaginação. Foi isso que disseram pra pequena Leda quando ela viu aquela aparição.

Leda foi passar as férias na casa da avó numa cidadezinha no sertão do Ceara. O lugar era árido e as casinhas humildes com seus donos franzinos meio a seca do sertão, em alguns trechos não havia energia elétrica e água e as pessoas utilizavam cacimbas nome dado aos poços cavados na terra para adquirirem água para beber.

Nas noites de lua cheia os moradores do pequeno vilarejo colocavam suas cadeiras de balanço e bancos de madeira na frente das casas e conversavam com os vizinhos, contavam historias, mitos e lendas da região, eram um povo pobre de dinheiro mas rico em suas culturas. Nessa época Leda ouvia as historias dos mais velhos e as vezes até se intrometia nas conversas e só se calava quando ouvia um:

- “shiiiiiiiiiiiiiiii” que sempre deixava a menina vermelha de vergonha.

Numa dessas noites de lua cheia, Leda acompanhou sua avó até a casa de uma tia, elas votaram lá pelas tantas da noite. Numa trilha aberta em meio a caatinga, vegetação comum na região, a menina ouviu um barulho estranho que vinha do mato, ela olhou curiosa tentando ver o que era, mas não enxergou nada, ela perguntou se a avó havia escutado um barulho, mas ela não ouviu nada e continuaram andando, novamente o barulho, agora Leda identificou o barulho, parecia um ronco, e estava bem próximo, ela olhou pro mato e viu um porco muito grande, a menina arregalou os olhos e puxou a  saia da avó, querendo correr dali, a avó de Leila não entendeu o desespero da menina ela olhou pro mato e não viu nada, a garota viu o porco se aproximando cada vez mais e o ronco do bicho já era ensurdecedor mais a avó não ouvia e nem via nada. A menina chorava de medo e gritava:

- Esse porco vai nos pegar!!

- Não tem porco nenhum aqui! Pare agora com essa mentira, menina! Fica inventando historias! Onde já se viu! – respondia nervosa a avó de Leda.

Por mais que a menina tentasse não ver aquela aparição, ela não podia evitar, e o rosnado horrível do animal era uma mistura de gruindo com um grito abafado de gente. A menina foi seguindo a sua avó, segurando o braço dela  com os olhos fechados até o fim daquele caminho.

Hoje depois de tanto tempo Leda ainda afirma ter visto aquele bicho horrendo e se ela fechar os olhos  vê a imagem do porco enorme saindo do mato e vindo em sua direção ela ainda se lembra daquele som assustador. Seja lá o que for assombração de bicho ou de gente ruim, Leda nunca mais esqueceu o medo que sentiu naquela noite.

 

PORCO f

 

fim

 

A MENINA NO CORREDOR

Aconteceu com Lídia

Quando: 2004

Onde: São Vicente – SP - Brasil

 

Lídia estava toda feliz naquela sexta feira véspera de feriado prolongado. Ela e o namorado iriam passar o feriado na praia, alugaram uma casa antiga um pouco distante da praia, mas ótima. Localizada numa rua afastada e deserta, a casa ficava no fim da rua, a rua era estreita e escura e foi difícil achar o local. Mas pela barganha que foi o aluguel, valia a pena. A dona da pousada lotada que indicou o local, avisou que se tratava de uma casa antiga e que quase ninguém alugava e deveria estar empoeirada, e realmente estava. O pior não era a poeira e teias de aranhas, mas sim a quantidade de tralhas no lugar, parecia que os donos tinham abandonado o local às pressas e deixado tudo pra trás. Estranho. Pensou Lídia enquanto deixava suas malas num sofá empoeirado no canto da sala. O sofá ficava bem de frente ao corredor que dava para os quartos e o ultimo quarto no final do corredor não tinha porta, porém era o único com cama. Já era tarde eles demoram muito pra descer a estrada, o transito estava horrível e o casal se sentia cansado demais para mudarem a cama daquele quarto sem porta. Cobriram a cama com lençóis limpos e foram dormir, o cansaço do corpo falou mais alto. O namorado de Lídia dormiu antes e ela ficou ansiosa que logo amanhecesse algo naquela casa a incomodava ela não sabia bem o quê.

Logo que fechou os olhos ela teve a impressão de ver alguém em pé lá na sala ao lado do sofá. Lídia arregalou os olhos no escuro, mas foi só impressão não tinha nada lá, apenas a bagunça da bagagem no sofá empoeirado. Ela fechou novamente os olhos e dormiu. Um tempo passou e ela deu um pulo da cama assustada, ela viu uma menina pequena mais parecia uma menina de cinco anos, tinha os cabelos loiros, estava vestindo um vestido que parecia branco não dava pra identificar pois estava escuro, apenas as réstias de luz que vinha da janela da sala mostrava a garotinha ali parada olhando para Lídia ao lado do sofá. Lídia teve medo apesar de ser uma menininha ela sabia que não era uma garotinha da vizinhança, sabia que não era mais desse mundo, era o fantasma de uma menina, e o pior ela não ia embora. Lídia chamou o namorado e falou o que tava vendo ele não viu nada, Ele disse que devia ser a toalha branca que estava sobre as malas de viagem, ela olhou e pensou que pudesse ser só imaginação, Ela tentou dormir mas parecia que a casa fazia barulhos e o tempo foi passando. De tão cansada Lídia dormiu novamente, mas acordou e viu a menina parada no meio do corredor. Lídia mudou de lugar com o namorado para não ficar do lado do corredor, ela realmente via uma menina na casa. Ela virou de costas para o corredor e tentou não pensar mais naquela aparição, ela estava com medo mas o cansaço da viagem era tanto que ela dormiu novamente, porém logo foi acordada pela menina parada ao lado da cama dessa vez, e o pior não era uma menina pequena era uma velha baixinha que a olhava com raiva, lídia sentia como se a velha a mandasse embora daquela casa. Lídia gritou apavorada e tampou seus olhos para não ver a velha parada ao seu lado, seu namorado acordou assustado com a gritaria da namorada o dia já estava amanhecendo os só pegaram as malas do sofá e foram embora daquela casa estranha, nunca mais passaram nem perto daquele lugar.

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Fim

 

A MÃO ATRÁS DO ARMÁRIO

Aconteceu com Lucas

Quando: 2008

Onde: Guarulhos – Brasil

 

- Deixa! Ele adora historias de fantasma e alienígenas, coisa de criança! - pensava a mãe, toda vez que Lucas resolvia contar-lhe mais uma.

Lucas tinha três anos de vida quando começou a contar histórias um tanto estranhas, a mãe medrosa, não incentivava muito os contos um tanto quanto sinistros, que o filho falava tão empolgado.

Uma vez a mãe estava amamentando a mais novinha da família e Lucas,  aproximou-se da mãe com olhinhos bem atentos para o alto da cabeça dela e com ar curioso perguntou pra mãe o que era aquela “Luzinha” vermelha que estava em cima da cabeça dela. A mãe sentiu um arrepio nas costas e achou melhor não dar corda para a conversa do garoto mandando o filhinho ir dormir. Nessa noite a mãe de Lucas ficou muito assustada. E toda vez que o garotinho vinha lhe contar uma historia a mãe logo tratava de ouvir e mudar de assunto rapidinho.

Lucas morava com sua família numa casa construída no mesmo quintal de sua avó materna, mais precisamente em cima da casa da avó. Para sair pra rua tinha que passar por um corredor que dava acesso a uma escada. O corredor costumava ficar escuro e muitas vezes Lucas e seus irmãos reclamam da escuridão saiam ligando lanternas e celulares pra passarem no local.

Numa noite Lucas pediu para a mãe se podia comprar salgadinhos numa vendinha que fica no vizinho ao lado da casa. Ele desceu a escada e o corredor já estava escuro novamente, ele então passou bem rápido por lá, porém quando chegou na garagem se deu conta que havia deixado a chave do portão em sua casa ele não queria subir a escada novamente, passou então na casa da avó e pediu a chave para ela. A senhora estava sentada no sofá vendo tv. O menino comprou o salgadinho e voltou rápido pra casa. Trancou o portão e foi devolver a chave para a avó, ela estava no banheiro tomando banho, ela então pediu para o garoto colocar a chave sobre a tv que fica no quarto dela. O menino andou até o quarto e não gostou nada da escuridão que vinha de perto do armário, ele ouvia o som do chuveiro lá do banheiro tentou se distrair ouvindo o som da tv ligada na sala e o cantarolar da avó ao tomar banho. Mas a atenção sempre vinha na direção do armário. O menino deu dois passos rápidos e colocou a chave em cima da tv. Nesse momento o garoto foi surpreendido por uma mão que vinha de trás do armário, o menino deu um grito e saiu correndo. A avó de Lucas se assustou com o neto gritando e lá do banheiro perguntou o que estava acontecendo. O menino já não estava mais na casa da avó, ele já havia entrado as pressas na sua casa com os olhos arregalados de pavor. Lucas foi correndo contar pra sua mãe o que acabara de acontecer, mas sua mãe mais uma vez ouviu e com um olhar sereno mudou de assunto novamente. Ela sabe que coisas ocultas existem, só não quer admitir que estejam assim, tão perto.

 

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fim

COMADRE FLORZINHA

Aconteceu com Toninho, Luza e Due.

Quando: 1960

Onde: Pernambuco

 

Quando Toninho resolveu chamar suas irmãs menores pra brincar de pega-pega naquela tarde, nem imaginou que algo muito estranho aconteceria.

Fazia muito calor naquele dia, Toninho menino de nove anos de idade, franzino e arteiro, saiu pela porta e gritou para suas irmãs o acompanharem até o quintal da casa, eles moravam numa casinha humilde mas cheia de alegria, no sertão de Pernambuco.

Luza e Due atenderam o chamado do irmão e saíram as gargalhadas pelo terreiro, pega daqui pega de lá, e as crianças se divertiam correndo livre como passarinho.

Due a mais velha tinha longos cabelos, costumava deixá-los soltos ao vento, nessa tarde não foi diferente a menina corria alegre pelo quintal com seus irmãos.

Havia um conto que corria pela redondeza de uma tal “Comadre florzinha” dizia a lenda que era uma mulher bem pequena com cabeça de cavalo que corria solta em noite de luar, diziam uns que se tratava da mula do padre, uma moça que se apaixonou perdidamente por um padre das redondezas e tanto fez que o padre largou a batina, mas essa era apenas uma das versões da historia da tal aparição.

Naquela tarde as crianças correram mais do que deviam e foram alem dos limites da terra de seus pais, eles estavam perto de alguns cajueiros, arvore bem comum naquela região. Toninho era o mais rápido e sempre pegava suas irmãs, mas quando ele correu em direção ao cajueiro ele sentiu um  tapa nas suas costa e que depois saiu disparada pelo campo aberto, olhando depressa ele pode ver os longos cabelos esvoaçando pelo ar, só podia ser Due, pensou o garoto já correndo atrás da figura.

O mato estava alto e ele só ouvia as gargalhadas ao longe e os cabelos ao vento. Ele nem imaginava que sua irmã corresse tão rápido, mas quem disse que o garoto ia desistir, com toda velocidade possível ele estava quase alcançando-a. Foi mais rápido, mais rápido e finalmente tocou o ombro dela.

COMADRE2 f

      Nesse instante uma cara horrenda de cavalo virou em sua direção deixando garoto paralisado de pavor. A aparição deu um salto tão alto que passou por cima da cerca de arame farpado e com um barulho que misturava relincho e risada a coisa sumiu no mato, deixando pra traz um garotinho com olhar de espanto.

 

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Fim

 

 

 

 

 

 

      O CHAMADO

Aconteceu com Antonio

Quando: 2008

Onde: Guarulhos

 

Antonio havia conseguido emprego como vigia, numa grande transportadora. Ele estava contente de trabalhar em algo novo, ele tinha de vigiar todo um galpão e ver se estava tudo certo, às vezes tinha de conferir a carga e a descarga de caminhões e assim por diante. Nos fins de semana a agitação da semana dava lugar ao silêncio e solidão, não fosse às conversas com os outros colegas o local realmente virava um deserto.

Numa dessas noites caladas e sem ter muito o que fazer, Antonio e dois colegas conversavam num grande galpão quando de repente ouviram um chamado:

- Antonio!

 

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A voz era feminina e vinha da parte superior do setor onde estavam. Todos ouviram e acharam que era a garota que ficava na recepção chamada Dália, mas Antonio achou estranho e esperou que ela chamasse novamente foi quando o chamado veio do alto da escada e ecoou pelo longo corredor

 - Antonio!!!

Ele não teve mais duvidas, gritou de volta:

- Fala Dália! O que foi!!! – e esperou a resposta da garota lá na ponta da escada, mas nessa hora Dália respondeu do quartinho bem ao lado,

- O que foi? Eu não estou te chamando!! - E falando isso colocou a cabeça pra fora bem ao lado dos outros colegas que olharam assustados na direção oposta para a escada. A moça estava lá embaixo o tempo todo, mas o chamado vinha lá de cima. E não era dela.

Antonio sabia que não havia nenhuma outra mulher trabalhando naquele local, aquela hora da noite, ele sentiu uma estranho arrepio de medo percorrer seu corpo e os outros colegas fingiram não ligar para o que tinham acabado de ver, mas todos ficaram com medo também, eles sabiam que não havia mais ninguém naquele lugar a não ser eles próprios, e a única voz feminina ali era da garota que estava ao lado. Seja lá o que tenha chamado Antonio naquela noite, se chamasse novamente ele não responderia mais. Nem morto!

 

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Fim

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

FILME DE TERROR

Aconteceu com Jonas

Quando: 2008

Onde: Guarulhos

 

Naquela noite fria e úmida de inverno Jonas havia chegado ao trabalho sem a menor disposição, claro preferia ficar em casa na sua caminha quente com sua esposa assistindo um filme, a ter que trabalhar com aquele frio todo. Ele sempre gostou de um bom filme de terror, quanto mais assustador melhor, ele ligou a tv que ficava na guarita onde ele trabalhava e ao olhar para a tela, lá estava uma garota com cabelos longos molhados saindo do poço com a cabeça torta para o lado, os longos cabelos escorrendo no seu corpo em decomposição se rastejava como se fosse sair da tela. Filme perfeito, ele pensou: - Era tudo que eu queria ver um bom filme de terror, só que não aqui, sozinho. Jonas arrumou as telas de monitoramento, e se acomodou em sua cadeira de trabalho, naquela noite fria só um resfriado viria até aquele local.

 

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O tempo foi passando mais rápido devido a distração na tv, mas o que ele nem imaginava era o que estava preste a acontecer. A guarita onde ele ficava tinha apenas uma janela  bem ampla e a televisão ficava numa mesinha bem abaixo dessa janela, os canais de tv não costumavam pegar bem e ele havia dado um jeitinho com uma antena dessas comuns, colocou os fios da antena pra fora da janela assim a televisão ficava com a imagem melhor. Do chão até a janela dava uns três metros de altura e não havia como entrarem na empresa por ali, era como uma central de monitoramento e nessa noite ele deixou a janela aberta para que a tv funcionasse.

Jonas estava bem distraído para perceber a primeira vez que o fio da antena se mexeu, ele sequer que olhou na direção. Outra vez o fio da antena mexeu, só que dessa vez o fio virou como se alguém estivesse o contorcendo lá pra fora. Jonas olhou cismado como alguém alcançaria o fio daquela altura. Nessa hora a antena da tv  começou a balançar para um lado e para outro rapidamente e ele não soube bem o que pensar naquele instante. Ele foi até a janela com receio em olhar o que estava mexendo na antena, não estava ventando nem nada, só o frio de uma noite nublada. Ele colocou a cabeça para fora da janela e deu uma olhada rápida para ver se alguém estava puxando a antena e nada. Não tinha nada lá fora mexendo na antena, nem vento nem gente, nada. O que era pior. A antena continuava mexendo sozinha em cima da tv, até combinava com a cena da garota se arrastando toda torta vindo em direção a tela, nesse momento Jonas não teve duvida, desligou a tv e saiu rapidinho da sala. Hoje ele não gosta tanto assim dos famosos filmes de terror, bastou o medo que sentiu naquela noite nublada.

 

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Fim

 

Histórias de Vigia II

Aconteceu com Danielle

Quando: 2007

Onde: São Paulo

Do outro lado da porta

 

Danielle não conseguia se acostumar com aquele emprego, ela precisava de grana, mas já não agüentava mais ter de trabalhar a noite e pior sozinha numa salinha fechada. Ela trabalhava na área de vigilância numa empresa de logística e como não tinha porte de arma ficava monitorando toda a empresa através das telas e do rádio dentro da pequena sala, assim virava a noite conversando com os colegas vigilantes no radio enquanto monitorava as câmeras dos galpões. Foi numa dessas noites que Danielle viu uma coisa assustadora. As câmeras só eram acionadas na tela quando alguém se movia no local, exemplo um dos vigias iam até o andar superior a tela ligava automaticamente e assim Danielle acompanhava todo o trajeto. Nessa noite ela estava olhando as telas e um dos colegas acenava com uma mão e com a outra se comunicava via radio falando que estava tudo certo no andar superior ele trancou as portas do galpão e ficou na garagem junto com outro vigia. Danielle estava se sentindo estranha nesse dia, sentia medo de estar ali sozinha, foi quando a tela de um galpão acendeu ela observou não havia ninguém lá.

MICA f

 A câmera que acendeu dava para um corredor que tinha acesso a parte superior onde seu colega havia acabado de trancar as portas, Danielle chamou o vigia novamente via radio e pediu pra ele checar pois a câmera acusava a presença de alguém, ela até bateu na tela, e achou graça. A tela seguinte acendeu e mostrou a escada que dava pra outro corredor que estava apagado.

MICA2 f

 

A medida que a tela acendia a luz do local acendia também, a próxima tela acendeu.

Não era possível, não tinha ninguém ali, mas a impressão era que alguém estivesse fazendo aquele trajeto. Novamente Danielle chamou o colega pra checar. Ele foi até o local e nada a luz continuava acesa, mas não tinha ninguém.

-Deve se defeito dessa droga! Danielle estava impaciente e dizendo isso a câmera que dava pra ver o corredor da sua sala acendeu, ela olhou o corredor pelo monitor e não havia nada ali, a e a câmera acionada, como se alguém estivesse lá.

 

MICA3 f

Danielle podia ver a claridade através do pequeno vidro blindado que havia na porta, ela levantou e andou em direção à porta...

 

 

 

 

MICA4 f

 

Seu coração estava disparado e o medo já havia percorrido seu corpo inteiro, com a boca seca e suando frio olhou novamente pra tela e não tinha ninguém ali...

Ela virou-se novamente pra porta e seu coração quase parou, ela viu um rosto todo deformado, olhando-a através do vidro da porta trancada. Seja lá o que era aquilo não aparecia na tela, mas estava ali do outro lado da porta. Danielle gritou pelo rádio seus colegas foram correndo até lá apara acalma-la e esse foi o ultimo dia de trabalho dela naquele lugar. Ela pediu demissão e nunca mais trabalhou como vigia.

MICA5 f

 

Fim

 

 

 

 

 

 

 

 

Brincadeira do copo

COPO f

Aconteceu comigo

Quando: 1990

Onde: São Paulo

 

Na época eu tinha quinze anos, me lembro como se fosse hoje, eu costumava passar a semana na casa da minha tia, eu já trabalhava nessa época, a vida não era fácil, mas tudo ia bem e normal. Eu tinha um pouco de medo da casa da minha tia afinal meus primos sempre tinham os relatos de quem morreu aqui ou ali na casa, era bem sinistro. Numa noite eu ouvi passos que veio da cozinha até o quarto em que eu estava dormindo, eu costumava dormir com a cabeça coberta e não tirei o cobertor para ver quem era, os passos pararam no meio do quarto depois que um taco de madeira ( dessas casas antigas de pisode madeira) saiu do lugar como se alguém tivesse tropeçado ali,  e o barulho de passos parou. No outro dia vi o piso fora do lugar então percebi que já havia colocado aquele piso no lugar várias vezes e era sempre o mesmo piso. Quando perguntei pra minha tia sobre os passos ela disse que era “comum” ouvir aqueles passos durante a noite, mas pra mim não era nada “comum” aquilo, fora isso tudo era normal.

Numa tarde de verão, estávamos entediados assistindo um filme num antigo vídeo cassete, de repente despencou a maior tempestade e a luz acabou, tudo ficou escuro, só os raios da tempestade que caia clareava a escuridão. A turma toda fez algazarra é claro, afinal a tempestade lá fora, tudo apagado e casa mal assombrada! A galera saiu a procura de velas e as acenderam pela casa, Foi quando vi uma vela na mesinha de centro da sala que tive a infeliz ideia de fazermos a brincadeira do copo,  É claro que foi uma péssima idéia.   E o pior é que todo mundo adorou a ideia.

Fizemos um círculo em volta da mesa de centro da sala e colocamos um copo no centro da mesa, nem sei quem falou na hora que tínhamos de fazer uma oração, mas sei que nesse momento devo confessar que tremi de medo e acabei desistindo da brincadeira que eu mesmo sugeri, meus primos riram de mim dizendo que eu era uma medrosa. Fiquei sentada no sofá muito envergonhada, pois estava apavorada com tudo aquilo. Vendo minha irmã empolgada com a brincadeira eu a chamei e ela nem deu atenção então eu a puxei com força para que ela saísse da brincadeira, mas sem querer acabei a derrubando no chão, ela não entendeu que eu realmente estava com muito medo e vendo meus primos rindo dela no chão ela levantou-se e veio pra cima de mim querendo me bater. Coisa de irmãos. Eu a segurava e ela nervosa, meu primo saiu do circulo e veio nos separar e no meio da bagunça, ninguém notou o que estava prestes a acontecer. Nessa época havia um gato na casa da minha tia eu me lembro bem, ele era preto com focinho branco, era um gato velho sempre calmo pela casa ninguém prestava muita atenção nele, pois ele costumava ficar na dele, quieto pelos cantos. Mas nesse dia foi bem diferente.

 

COPO1 f

 

Enquanto brigávamos e meu primo nos separava o gato sorrateiramente  saiu da cozinha e foi andando em direção a mesa, ele observava o copo como um gato observa um cachorro, ele abria boca e parecia pronto pra saltar sobre o copo, o gato colocou o focinho bem próximo do copo e seus pelos se levantaram todos ele arregalou a boca e fez um gruindo horrível que deixou todos paralisados, então o gato com uma das patas bateu forte no copo sobre a mesa e num salto saiu correndo da sala. Neste mesmo instante uma garrafa que estava na estante logo atrás de nós, abriu sozinha como garrafa de champanhe, fez um barulho de “ploc” e foi unânime a gritaria e quem disse que ficou um na sala pra ver qualquer coisa. Todos corremos feito loucos porta a fora da casa, pro meio da chuva. Depois de um tempo com olhos arregalados tremendo de medo e de frio, todos encharcados de chuva, Minha tia voutou do mercado nessa hora e não entendeu nada todos correndo em sua volta para contar o que havia acontecido e por que estávamos na chuva. Entramos na casa e levamos minha tia direto pra ver o copo caído sobre a mesa de centro da sala e mostrar a garrafa aberta na estante, Mas para a nossa surpresa o copo estava posto na mesa de boca para cima, eu, minha irmã e meus primos nos olhamos na dúvida, quem poderia ter arrumado o copo? Vimos quando o gato o tombou na mesa, saímos juntos porta a fora, ninguém voltou pra dentro de casa até aquela hora. Em silêncio nos entreolhamos surpresos. Minha tia olhou para o copo posto a mesa, olhou para a garrafa, que por sinal não era uma garrafa de champanhe e sim uma pequena garrafa de pinga, olhou para nossas caras desconfiadas e disse com ar de reprovação:

- Vocês beberam?! – e veio cheirando nosso hálito para ver se havíamos mesmo bebido pinga.

Todos caíram na gargalhada depois disso. Estávamos encharcados de chuva tremendo de frio, mas todos nós admitimos que morremos de medo daquela brincadeira do copo.

Fim

 

 

 

 

 

 

 

 

Nasci em Fortaleza no estado do Ceará e cresci em meio a lendas e mitos da região. Sempre adorei as histórias inacreditáveis que ouvia de minha mãe, tios e avó. Acabei tomando gosto pela escrita e resolvi imortalizar esses contos em livros. Sou formada em artes e acabei aprimorando meus dons artísticos com cursos de contadora de histórias e teatro. Trabalho como professora e meus alunos adoram as histórias de assombração que conto às vezes no finalzinho de cada aula, Amo quando todos ficam ao meu redor com os olhos atentos só esperando o desfecho final de mais um conto. Às vezes acredito que nasci para isso!

 

 

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