Memórias de um recruta por Álvaro Roxo Vaz - Versão HTML

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Abertura

Que a memória não envelheça

Os episódios que aqui deixo registados, até poderão ser semelhantes

aos vividos por muitos outros militares, em percursos parecidos com o

meu.

São pequenas histórias de um período marcante das nossas vidas e,

por muito banais que possam parecer, vale sempre a pena revivê-las.

Porque recordar é viver.

E ao recordar, para além de viver, estamos também a puxar pela

memória.

Estamos a agitar a memória.

E não deixar cristalizar a memória, é importante.

Agitar a memória, é importante.

Não deixar envelhecer a memória, é importante.

Muito, muito importante.

Álvaro Roxo Vaz

Memórias de um recruta

Episódio

n º. 1

Apuramento para o serviço militar - momento marcante da nossa vida

Foi em tempo de guerra nas antigas colónias que me vi apurado para

o serviço militar obrigatório. Estávamos a 29 de Junho de 1964.

E o veredicto a que estava sujeito cada um dos mancebos, face à

inspecção militar, gerava sempre as mais contraditórias reacções.

Se num primeiro momento os apurados exibiam a sua superioridade

perante os que não tinham aptidões físicas para também ser apurados,

logo a seguir se recolhiam na angústia, pensando no tempo em que

seriam furtados às famílias, às namoradas, às profissões, aos estudos, aos

amigos e aos locais onde a sua vida se desenrolava.

Apesar de apurado para todo o serviço militar, a verdade é que na

ocasião eu nem a um peso pluma chegava:- tinha apenas 44 kg, em pêlo.

E nem fui o mais levezinho que se exibiu perante os fulanos da tropa,

naquele salão dos antigos Bombeiros Voluntários do Fundão.

Mas o dia da inspecção militar tinha, na altura, a sua rotina de

acontecimento festivo, que nos aliviava das preocupações no momento,

mas que haveriam de regressar ao espírito, posteriormente.

Arruada com grupos de acordeonistas, almoços em grupo, visita às

"capelas" da vila, entendidas estas como as muitas tascas que então

existiam e, ao final da tarde, os bailes promovidos pela "malta da

inspecção".

Quando o grupo era numeroso, como foi o caso, num segundo dia

tudo se repetia na parte dessa rotina festiva.

Seguiu-se depois o tempo de espera até ser incorporado. O que

aconteceu de 29 de Junho de 1964 até 16 de Maio de 1966. Muito tempo

de espera, para mim. Como o terá sido para os outros.

Demasiado tempo, até dar entrada na Escola Prática de Cavalaria, em

Santarém, para cumprir a recruta.

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Álvaro Roxo Vaz

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Memórias de um recruta

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Álvaro Roxo Vaz

1989

25 anos depois

Pais que se fizeram acompanhar de filhos, enquanto o filho

de outro já falecido, ocupou o lugar do pai

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Memórias de um recruta

Episódio

n º. 2

Entrada na Escola Prática de Cavalaria - Santarém

Nessa altura a Escola Prática de Cavalaria era comandada por Vasco

C. Ataíde Cordeiro, que exerceu o seu mandato de 1965 a 1967.

A capicúa

Logo que o Exército Português “tomou conta de mim”, atribuiu-me

um número de matrícula.

Esse número é também designado de número mecanográfico e, no

activo ou na reserva, por ele todos os militares passam a ser

identificados.

O número de matrícula que o Exército Português me atribuiu foi o