Mistério - Magazine por Varios - Versão HTML

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Prezado leitor do MISTÉRIO MAGAZINE:

De tal monta tem sido o encarecimento das utilidades e servi-

ços que o leitor por certo não se surpreendeu ao pagar seis cruzei-

ros pelo seu exemplar do MISTÉRIO MAGAZINE. Já há de ter nota-

do (e sentido) que o fenômeno abrangeu a totalidade dos órgãos de

imprensa. As razões são conhecidas e não vamos repeti-las. Tam-

bém não constitui segredo para ninguém que o personagem central

de todo este drama continua sendo o PAPEL, cada vez mais caro

e escasso e de importação dia a dia mais problemática. Esta ma-

téria essencial à indústria gráfica atingiu um nível de preço quase

proibitivo, circunstância que veio agravar ainda mais o crônico e

debatidíssimo problema do livro brasileiro. O papel, em verdade, é

um dos grandes culpados. Mas não queremos atribuir-lhe toda a

responsabilidade pela situação. Continuam subindo os salários, o

custo das diferentes matérias-primas, as despesas gerais de fabri-

cação. Nada há que contenha a maré montante.

E não se pode prever qual será o desfecho da presente con-

juntura (esta palavra caiu na moda e esconde evidentemente muita

coisa misteriosa). A esfinge — será a inflação? — aí está, pronta

para devorar-nos, se não a decifrarmos. E quem, afinal de contas,

mais indicado para decifrá-la que o sagaz leitor do MISTÉRIO MA-

GAZINE?

Que neste Ano Novo de 1952 a paz se torne uma realidade

e que você, caro leitor, realize todos os planos que sonhou, são os

votos sinceros que faz o editor

Henrique d’Ávila Bertaso

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osebodigital.blogspot.com

MISTÉRIO - MAGAZINE

EDIÇÃO BRASILEIRA DO ELLERY QUEEN’S MYSTERY MAGAZINE

HISTÓRIAS DE DETETIVES

O Comissário Danwood em

CRIME NA PREFEITURA - H. A. Z. Carr

Nick Glennan em

O POLICIAL “TICO TICO” - MacKinlay Kantor

Dr. Frank Belling em

IN VlNO VERITAS - Lawrence G. Blochman

Sam Spade em

SÓ SE PODE SER ENFORCADO UMA VEZ - Dashiell Hammett

HISTÓRIAS DE CRIMES

O HOMEM QUE AMAVA OS CLÁSSICOS - Valma Clark

O HOMEM MAIS PERIGOSO DO MUNDO - Lord Dunsany

O CRIME PERFEITO - Ben Ray Redman

OS CRIMES DO ESPANTALHO - A. E. Martin

MITRÍDATES O REI - RobeRts Morley

OH TEMPO, EM TUA FUGA - Vincent Cornier

N0 32 JANEIRO DE 1952

Mistério-Magazine é a edição brasileira do “Ellery Queen’s Mystery Magazine”, Copyright de “Mercury Publications, Inc.” É publicado mensalmente pela “Revista do Globo S. A.” Henrique d’Ávila Bertaso, diretor, João Freire, gerente. Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, Redação, Gerência e Oficinas, Rua Barros Cassal, 82 e 86, Tel. 9-1112. End. Tel. “Reviglobo”. Preço: número avulso em todo o Brasil, Cr$ 6,00; Assinatura anual, Cr$ 70,00. Escritório no Rio de Janeiro: Rua México, 128

(sobreloja) — Fone 22-9382. Escritório em São Paulo: Rua Fortaleza, 35 — Fone 32-1103. Escritório em Curitiba: Rua Barão do Rio Branco, 41. Caixa Postal, 612. Agentes e correspondentes nas princi-pais localidades do país. Todos os direitos, inclusive o de tradução em outras línguas, reservados pelo

“Mercury Publications Inc.” nos Estados Unidos, Grã-Bretanha, Austrália, México e todos os outros países qúe participaram na Convenção Internacional e da Convenção Pan-Americana de Direitos Autorais.

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MISTÉRIO MAGAZINE

N.° 32

Direitos Autorais

O POLICIAL “TICO-TICO”, por MacKinlay Kantor, direitos reserva-

dos em 1933 pela Detective Fiction Weekly; CRIME NA PREFEI-

TURA, por A. H. Z. Carr, direitos reservados em 1951, por Mer-

cury Publications, Inc.; O HOMEM QUE AMAVA OS CLÁSSICOS,

por Valma Clark, direitos reservados em 1923 por Valma Clark; O

HOMEM MAIS PERIGOSO DO MUNDO, por Lord Dunsany, direi-

tos reservados em 1951 por Mercury Publications, Inc.; O CRIME

PERFEITO, por Ben Ray Redman, direitos reservados em 1928, por

Ben Ray Redman; SÓ SE PODE SER ENFORCADO UMA VEZ, por

Dashiell Hammett, direitos reservados em 1932 pela Crowell-Collier

Publishing Co.; OS CRIMES DO ESPANTALHO, por A. E. Martin,

direitos reservados em 1948 por Mercury Publications, Inc.; IN

VINO VERITAS, por Lawrence G. Blochman, direitos reservados em

1941, por Crowell-Collier Publishing Co.; MITRÍDATES O REI, por

Morley Roberts, direitos reservados em 1949, por Mercury Publica-

tions, Inc.; OH TEMPO, EM TUA FUGA, por Vincent Cornier, direi-

tos autorais reservados em 1951, por Mercury Publications, Inc.

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A. H. Z. CARR

VENCEDOR DE UM SEGUNDO PRÊMIO

A maior parte dos leitores do Mistério Magazine não esquece-

rá tão cedo “O Julgamento de João-Ninguém”, de A. H. Z. Carr, que

conquistou o segundo prêmio no nosso Quinto Concurso Anual. Na

opinião dos Editores, essa foi uma das melhores e mais originais

histórias por nós lidas na última década, e que tivemos o privilégio

de publicar nestas páginas, desde a criação do Mistério Magazine.

No concurso do ano passado, A. H. Z. Carr novamente conquis-

tou um segundo prêmio, mas desta vez com uma história detetivesca

muito diferente. Como o próprio Carr escreveu aos Editores, “Crime

na Prefeitura foi a minha primeira tentativa de fazer uma história

detetivesca formal, e ao escrevê-la, senti um respeito ainda maior

pelos mestres da arte!’

Não se deixem, porém, enganar pela modéstia de Mr. Carr.

Sua primeira tentativa, que é a história que se segue, “repleta de

pistas, de suspeitos e de deduções”, é uma das quais se orgulharia

qualquer “mestre da arte”. ‘

Como todas as histórias de Mr. Carr, “Crime na Prefeitura”

tem a sua origem, sua causa aproximada, numa combinação dos

incidentes da vida real e de uma imaginação fértil. Há alguns anos,

num feriado, Mr. Carr encontrou-se com um grupo de altos políticos,

e ficou fascinado com a visão específica que tinham da vida. Então,

mais tarde, teve uma palestra com um funcionário de um Instituto

Meteorológico que lhe expôs as complicações comerciais, provenien-

tes das previsões do tempo, e da chuva artificial. E nestas duas fon-

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tes de informações, Mr. Carr colheu os ingredientes essenciais para

fazer a sua “sopa”. Mas da maneira como se formou exatamente o

enredo da sua história, Mr. Carr já a esqueceu no fundo da memória,

bem como a origem certa do seu narrador —- muito embora Babe

Higgins, o narrador, seja indubitavelmente a síntese da todos os

policiais que Mr. Carr conheceu e gostou no decorrer da sua própria

vida. . .