Modelo insumo-produto como instrumento de avaliação econômica da cadeia de suprimentos: o caso da... por Lilian Cristina Anefalos - Versão HTML

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MODELO INSUMO-PRODUTO COMO INSTRUMENTO DE

AVALIAÇÃO ECONÔMICA DA CADEIA DE SUPRIMENTOS: O

CASO DA EXPORTAÇÃO DE FLORES DE CORTE

LILIAN CRISTINA ANEFALOS

Tese apresentada à Escola Superior de Agricultura

"Luiz de Queiroz", Universidade de São Paulo,

para obtenção do título de Doutor em Ciências,

Área de Concentração: Economia Aplicada.

P I R A C I C A B A

Estado de São Paulo - Brasil

Julho – 2004

MODELO INSUMO-PRODUTO COMO INSTRUMENTO DE

AVALIAÇÃO ECONÔMICA DA CADEIA DE SUPRIMENTOS: O

CASO DA EXPORTAÇÃO DE FLORES DE CORTE

LILIAN CRISTINA ANEFALOS

Engenheiro Agrônomo

Orientador: Prof. Dr. JOSÉ VICENTE CAIXETA FILHO

Tese apresentada à Escola Superior de Agricultura

"Luiz de Queiroz", Universidade de São Paulo,

para obtenção do título de Doutor em Ciências,

Área de Concentração: Economia Aplicada.

P I R A C I C A B A

Estado de São Paulo - Brasil

Julho – 2004

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

DIVISÃO DE BIBLIOTECA E DOCUMENTAÇÃO - ESALQ/USP

Anefalos, Lilian Cristina

Modelo insumo-produto como instrumento de avaliação econômica da cadeia de suprimentos: o caso da exportação de flores de corte / Lilian Cristina Anefalos. --

Piracicaba, 2004.

210p.

Tese (doutorado) - - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, 2004.

Bibliografia.

1. Distribuição de mercadorias 2. Exportação 3. Flor de corte – Análise econômica 4. Insumo-produto - Modelos 5. Logística 6. Transporte multimodal I.

Título

CDD 338.175966

“Permitida a cópia total ou parcial deste documento, desde que citada a fonte – O autor”

Aos meus pais Homero e Laila

Ao meu querido Aryeverton

À minha filha Yasmin

AGRADECIMENTOS

Ao Prof. Dr. José Vicente Caixeta Filho, pelo seu total apoio, atenção e incentivo em cada uma das etapas deste trabalho. Sua orientação foi fundamental para o desenvolvimento e conclusão desta pesquisa.

Ao Prof. Joaquim José M. Guilhoto, que contribuiu desde o início para o aprimoramento teórico deste trabalho.

À Pesquisadora Científica Taís Tostes Graziano, ao Prof. Dr. José Matheus Perosa e ao Prof. Dr. Roberval Ribeiro, por terem auxiliado no aprofundamento desta pesquisa e melhor entendimento do setor de flores e plantas ornamentais.

Aos Pesquisadores Científicos José Roberto Vicente e Mario Antonio Margarido, por suas valiosas sugestões e pelo apoio em fases decisivas desta tese.

Aos Pesquisadores Científicos Ana Maria M. P. Camargo, Denise Viani Caser, Maria Carlota M. Vicente e Mário Pires de A. Olivette, por terem compartilhado sua experiência profissional e pela sua atenção no decorrer destes anos, sempre dispostos a me auxiliar nos mais diversos momentos.

Ao meu grande companheiro Aryeverton (“Ary”), pelo seu apoio e compreensão em todos os momentos desta importante etapa de nossas vidas.

v

A todos os agentes que participam dos processos de exportação da cadeia de flores, que se dispuseram a me auxiliar no esclarecimento de informações relativas ao objeto deste estudo. A sua colaboração foi essencial para a condução e finalização desta pesquisa.

Aos professores e funcionários do Departamento de Administração, Economia e Sociologia Rural. Em especial à Maria Maielli Travalini e à Ligiana Clemente do Carmo, por sua atenção e ajuda ao longo destes anos.

À ESALQ, ao CNPQ e ao IEA, pelo apoio institucional e financeiro em todas as etapas deste estudo.

A todas as pessoas que, de alguma forma, contribuíram para o desenvolvimento deste trabalho.

Enfim, a todos os familiares e amigos, pelo carinho e incentivo em todas as fases desta jornada.

SUMÁRIO

Página

LISTA DE FIGURAS............................................................................................... viii LISTA DE QUADROS............................................................................................ xii LISTA DE TABELAS ............................................................................................. xiii RESUMO ................................................................................................................... xv SUMMARY................................................................................................................. xvii 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 1

1.1 Descrição do problema e justificativa de sua importância.................................... 2

1.2 Objetivos ............................................................................................................... 6

1.3 Estrutura do trabalho............................................................................................ 6

2 ASPECTOS ECONÔMICOS E LOGÍSTICOS DA EXPORTAÇÃO DE

FLORES DE CORTE............................................................................................. 7

2.1 Panorama das exportações da floricultura brasileira............................................. 11

2.2 Logística e cadeia de suprimentos: aspectos gerais .............................................. 23

3 MATERIAL E MÉTODOS ..................................................................................... 33

3.1 Ambiente a ser estudado ....................................................................................... 33

3.2 Modelo insumo-produto........................................................................................ 34

3.2.1 Modelo insumo-produto de processo................................................................. 37

3.2.2 Modelo proposto para exportação de flores de corte ......................................... 44

3.2.3 Estrutura matemática do modelo........................................................................ 47

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................................. 54

4.1 Processos da cadeia de flores de corte para exportação......................................... 56

vii

4.2 Variáveis logísticas do modelo ............................................................................. 61

4.3 Cenários logísticos ................................................................................................ 73

4.3.1 Cenário 1: déficit logístico em todos os processos da cadeia ............................ 79

4.3.2 Cenário 2: déficit logístico na cadeia, com maiores cuidados no processo de produção ............................................................................................................ 90

4.3.3 Cenário 3: superávit logístico em todos os processos da cadeia......................... 98

4.3.4 Cenário 4: déficit logístico na cadeia, com falhas no processo de distribuição interna via modal rodoviário............................................................................... 110

4.3.5 Cenário 5: déficit logístico na cadeia, com falhas no processo de distribuição externa via modal aéreo..................................................................................... 121

4.3.6 Análise geral dos cenários logísticos ................................................................. 132

5 CONCLUSÕES ....................................................................................................... 144

ANEXOS .................................................................................................................... 147

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................................ 191

APÊNDICES............................................................................................................... 201

LISTA DE FIGURAS

Página

1 Porcentagem das importações (a) e da produção doméstica (b) de flores e plantas ornamentais nos EUA em relação ao consumo doméstico, 1989 a 2001 ... 4

2 Porcentagem das exportações para a Europa em relação ao total exportado para os mercados norte-americano e europeu ................................................................. 8

3 Cadeias de exportação de flores Brasil-EUA (A) e Brasil-Holanda (B), a partir de informações fornecidas por especialistas do setor.............................................. 12

4 Taxonomia dos modelos da cadeia de suprimentos ................................................ 37

5 Modelo insumo-produto de processo ...................................................................... 38

6 Representação esquemática dos modelos propostos ............................................... 43

7 Estrutura geral do modelo insumo-produto de processo proposto para a exportação de flores de corte................................................................................... 45

8 Características da demanda de flores de corte destinadas à exportação.................. 55

9 Taxas de câmbio nominais, reais por dólar americano e euro, de janeiro/1999 a janeiro/2004............................................................................................................. 75

10 Fluxo das informações no modelo insumo-produto de processo ............................ 78

11 Custos, receitas e lucros totais para a cadeia de lírio nas 36 simulações do Cenário 1 ................................................................................................................. 79

12 Comparação dos lucros unitários de cada um dos processos para as produções bruta (a) e final (b) da flor lírio nas 36 simulações do Cenário 1............................ 81

ix

13 Custos, receitas e lucros totais para a cadeia de gérbera 1 nas 36 simulações do Cenário 1 ................................................................................................................. 83

14 Comparação dos lucros unitários de cada um dos processos para as produções bruta (a) e final (b) de gérbera 1 nas 36 simulações do Cenário 1 .......................... 84

15 Custos, receitas e lucros totais para a cadeia de gérbera 2 nas 36 simulações do Cenário 1 ................................................................................................................. 86

16 Comparação dos lucros unitários de cada um dos processos para as produções bruta (a) e final (b) da flor gérbera 2 nas 36 simulações do Cenário 1 ................... 87

17 Custos, receitas e lucros totais para a cadeia de lírio nas 36 simulações do Cenário 2 ................................................................................................................. 90

18 Comparação dos lucros unitários de cada um dos processos para as produções bruta (a) e final (b) da flor lírio nas 36 simulações do Cenário 2............................ 92

19 Custos, receitas e lucros totais para a cadeia de gérbera 1 nas 36 simulações do Cenário 2 ................................................................................................................. 93

20 Comparação dos lucros unitários de cada um dos processos para as produções bruta (a) e final (b) da flor gérbera 1 nas 36 simulações do Cenário 2 ................... 94

21 Custos, receitas e lucros totais para a cadeia de gérbera 2 nas 36 simulações do Cenário 2 ................................................................................................................. 96

22 Comparação dos lucros unitários de cada um dos processos para as produções bruta (a) e final (b) da flor gérbera 2 nas 36 simulações do Cenário 2 ................... 97

23 Custos, receitas e lucros totais para a cadeia de lírio nas 36 simulações do Cenário 3 ................................................................................................................. 99

24 Comparação dos lucros unitários de cada um dos processos para as produções bruta (a) e final (b) da flor lírio nas 36 simulações do Cenário 3........................... 101

25 Custos, receitas e lucros totais para a cadeia de gérbera 1 nas 36 simulações do Cenário 3 ................................................................................................................ 103

26 Comparação dos lucros unitários de cada um dos processos para as produções bruta (a) e final (b) da flor gérbera 1 nas 36 simulações do Cenário 3 .................. 104

27 Custos, receitas e lucros totais para a cadeia de gérbera 2 nas 36 simulações do Cenário 3 ................................................................................................................ 105

x

28 Comparação dos lucros unitários de cada um dos processos para as produções bruta (a) e final (b) da flor gérbera 2 nas 36 simulações do Cenário 3 .................. 107

29 Custos, receitas e lucros totais para a cadeia de lírio nas 36 simulações do Cenário 4 ................................................................................................................ 110

30 Comparação dos lucros unitários de cada um dos processos para as produções bruta (a) e final (b) da flor lírio nas 36 simulações do Cenário 4........................... 112

31 Custos, receitas e lucros totais para a cadeia de gérbera 1 nas 36 simulações do Cenário 4 ................................................................................................................ 114

32 Comparação dos lucros unitários de cada um dos processos para as produções bruta (a) e final (b) da flor gérbera 1 nas 36 simulações do Cenário 4 .................. 115

33 Custos, receitas e lucros totais para a cadeia de gérbera 2 nas 36 simulações do Cenário 4 ................................................................................................................ 117

34 Comparação dos lucros unitários de cada um dos processos para as produções bruta (a) e final (b) da flor gérbera 2 nas 36 simulações do Cenário 4 .................. 119

35 Custos, receitas e lucros totais para a cadeia de lírio nas 36 simulações do Cenário 5 ................................................................................................................ 122

36 Comparação dos lucros unitários de cada um dos processos para as produções bruta (a) e final (b) da flor lírio nas 36 simulações do Cenário 5........................... 124

37 Custos, receitas e lucros totais para a cadeia de gérbera 1 nas 36 simulações do Cenário 5 ................................................................................................................ 125

38 Comparação dos lucros unitários de cada um dos processos para as produções bruta (a) e final (b) da flor gérbera 1 nas 36 simulações do Cenário 5 .................. 127

39 Custos, receitas e lucros totais para a cadeia de gérbera 2 nas 36 simulações do Cenário 5 ................................................................................................................ 129

40 Comparação dos lucros unitários de cada um dos processos para as produções bruta (a) e final (b) da flor gérbera 2 nas 36 simulações do Cenário 5 .................. 130

41 Porcentagem do custo logístico em relação ao custo total para as 36 simulações dos 5 cenários da flor lírio (a), gérbera 1 (b) e gérbera 2 (c).................................. 137

42 Relação entre lucro e custo, considerando insumos e produtos logísticos de (a) lírio, (b) gérbera 1 e (c) gérbera 2 ......................................................................... 140

xi

43 Ciclo de crescimento de bulbos de flores de Amaryllis ......................................... 208

44 Variedades de lírio oriental (a) e asiático (b) ......................................................... 209

45 Variedades de gérbera ............................................................................................ 210

LISTA DE QUADROS

Página

1 Diferenças entre produtos funcionais e inovadores................................................ 26

2 Componentes do modelo insumo-produto de processo para determinada

empresa ou cadeias de suprimentos global e local .................................................. 40

3 Componentes do modelo insumo-produto de processo para a cadeia de

suprimentos de flores de corte................................................................................. 48

4 Identificação dos agentes pertencentes a cada um dos processos da cadeia ........... 57

5 Relação entre as variáveis logísticas no cálculo intermediário e no modelo .......... 62

LISTA DE TABELAS

Página

1 Consumo per capita e taxas de crescimento de flores de corte de alguns países, 1990, 1994, 2000 e 2001 ........................................................................................ 15

2 Comparação de custos operacionais e de investimento, em termos relativos, na produção de bulbos e de flores de corte .................................................................. 59

3 Estimativas do lead time total do ciclo logístico do transporte aéreo para exportação de flores de corte, em dias ................................................................... 66

4 Estimativas do lead time total do ciclo logístico do transporte aéreo, em dias, e variação percentual de superávit e déficit logísticos em relação ao ciclo ideal ...... 67

5 Simulações efetuadas para a construção de cada um dos cenários, para cada um dos tipos de flores lírio e gérberas 1 e 2 .................................................................. 76

6 Indicação das simulações com os maiores custos, receitas e lucros para cada um dos cenários (R$).................................................................................................... 133

7 Indicação das simulações com os menores custos, receitas e lucros para cada um dos cenários (R$).............................................................................................. 135

8 Taxa média de crescimento do custo total (%) considerando o rateio das despesas de exportação entre 1, 4, 10 e 20 produtores........................................... 142

9 Principais resultados obtidos das simulações do primeiro cenário logístico para a cadeia como um todo........................................................................................... 151

10 Principais resultados obtidos das simulações do segundo cenário logístico para a cadeia como um todo........................................................................................... 156

xiv

11 Principais resultados obtidos das simulações do terceiro cenário logístico para a cadeia como um todo.............................................................................................. 160

12 Principais resultados obtidos das simulações do quarto cenário logístico para a cadeia como um todo.............................................................................................. 166

13 Principais resultados obtidos das simulações do quinto cenário logístico para a cadeia como um todo.............................................................................................. 171

14 Principais resultados obtidos das simulações do primeiro cenário logístico para cada um dos processos ........................................................................................... 176

15 Principais resultados obtidos das simulações do segundo cenário logístico para cada um dos processos ........................................................................................... 179

16 Principais resultados obtidos das simulações do terceiro cenário logístico para cada um dos processos ........................................................................................... 182

17 Principais resultados obtidos das simulações do quarto cenário logístico para cada um dos processos ........................................................................................... 185

18 Principais resultados obtidos das simulações do quinto cenário logístico para cada um dos processos ........................................................................................... 188

19 Principais características de aeronaves utilizadas em aeroportos brasileiros......... 206

MODELO INSUMO-PRODUTO COMO INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO

ECONÔMICA DA CADEIA DE SUPRIMENTOS: O CASO DA EXPORTAÇÃO

DE FLORES DE CORTE

Autora: LILIAN CRISTINA ANEFALOS

Orientador: Prof. Dr. JOSÉ VICENTE CAIXETA FILHO

RESUMO

O principal objetivo desta tese foi avaliar o desempenho das atividades do setor de flores de corte, com relação à integração da cadeia e à competitividade no mercado externo, assim como aprimorar o entendimento das contribuições e entraves da logística para a floricultura. Para tal foi desenvolvido um modelo insumo-produto que se revelou como ferramenta importante para avaliar os impactos de alterações nos processos que fazem parte dessa cadeia de exportação. Foi realizada coleta de dados junto a agentes representativos da cadeia de flores, localizados na região de Holambra e na Grande São Paulo, relacionados a cada uma das fases associadas aos processos de exportação de gérbera e lírio, ou seja, desde a produção (A), passando pela distribuição interna via modal rodoviário (B), distribuição externa via modal aéreo (C) e distribuição externa via modal rodoviário (D). Para caracterizar situações de déficit e superávit logísticos e avaliar os impactos de falhas em cada um dos processos da cadeia de flores de corte, foram construídos cinco cenários. Na sua composição foram identificados parâmetros técnicos, principalmente relacionados à logística, que pudessem interferir na exportação de flores de corte. Os valores de três deles - número de hastes por caixa, taxa de câmbio e frete aéreo - foram alterados e combinados, constituindo 36 simulações para auxiliar xvi

na análise desses cenários. Os resultados obtidos sinalizaram para a necessidade de ajustes logísticos diferenciados em cada um dos processos, variando em função do tipo de relacionamento estabelecido entre os agentes envolvidos nas diferentes etapas. O

desempenho da cadeia como um todo pode ser afetado pela falta de conhecimento sobre as características do produto exportado, que gera distorções nas informações repassadas para os agentes da cadeia. Verificou-se que as falhas ocorridas em cada etapa podem aumentar significativamente os custos e inibir as exportações em situações mais desfavoráveis do câmbio. Por outro lado, o aumento no número de hastes comercializadas por caixa representou uma alternativa para amenizar o incremento de custos ao longo da cadeia. Apesar da produção caracterizar-se como elo importante entre todas as etapas, se não forem verificadas condições mínimas para armazenamento e transporte adequados, poderão ocorrer perdas significativas no volume comercializado, com redução da competitividade desse produto no exterior e não continuidade de sua exportação no longo prazo. Assim sendo, confirmou-se que a integração da cadeia é essencial para a otimização dos processos de exportação de flores, incluindo a maximização dos resultados econômicos e financeiros relacionados a esse segmento de negócios.

INPUT-OUTPUT MODEL FOR ECONOMIC EVALUATION OF THE SUPPLY

CHAIN: THE CASE OF CUT FLOWERS EXPORTATION

Author: LILIAN CRISTINA ANEFALOS

Adviser: Prof. Dr. JOSÉ VICENTE CAIXETA FILHO

SUMMARY

The main objectives of this thesis were to evaluate the performance of the cut flower sector, concerning supply chain integration and external market competitiveness, and to heighten the understanding of the contributions and obstacles of logistics to floriculture. An input-output model developed proved to be an important tool to evaluate the impact of changes in the processes involved in that exportation chain. Data were colleted from representative players of the flower chain, in the Holambra and Greater Sao Paulo regions, referring to every one of the stages associated to the gerbera and lily exportation processes, i.e., from production (A), to internal distribution by highway modal (B), to external distribution by airway modal (C) and to external distribution by highway modal (D). Five scenarios were built to analyze deficit and surplus situations and to evaluate the impact of failures occurring in each process of the cut flower chain.

Technical parameters were identified in the scenarios composition, mainly related to logistics, that could interfere in the cut flower exportation. The values of three of them –

number of stems by box, exchange rate and air freight – were modified and combined to create 36 simulations to support the analysis of those scenarios. The results point to the need for differentiated logistic adjusts in each process, according to the type of relationship established among the players involved in the stages. The development of xviii

the chain as a whole may be affected by lack of knowledge on the characteristics of the exported product, which causes distortions in the information forwarded to the players.

It was verified that the failures occurring in each phase could increase costs and inhibit exportations in the event of unfavorable exchange rate movements. On the other hand, an increased stem number commercialized by box represented an alternative to assuage cost increases through the chain. Although production is characterized as an important link throughout all stages, unless the minimum conditions for adequate storage and transport are fulfilled, there will be significant losses in the commercialized volume, thus reducing this product competitiveness abroad and discontinuing its exportation in the long run. Therefore, it was corroborated that the integration of the chain is essential to the optimization of flower exportation, including the maximization of the economic and financial results related to this business segment.

1 INTRODUÇÃO

Este trabalho objetiva estudar os processos de gestão da cadeia de suprimentos no setor de flores no Brasil, em 2002 e 2003, com foco no ramo de exportações. Há claros avanços desse setor no sentido de se ajustar às tendências mundiais, procurando reduzir problemas inerentes ao fluxo de informação na cadeia e ao acesso facilitado às inovações tecnológicas relacionadas à produção e comercialização de flores temperadas, tropicais e folhagens. Há expectativas de que esse segmento possa alavancar a geração de empregos e renda junto a outros setores do agronegócio brasileiro.

Apesar de ainda não haver consolidação do consumo de flores no mercado interno, a existência de alternativas de mercado em outros países dá maior flexibilidade aos produtores, principalmente ao direcionar de forma adequada seus produtos e diferenciá-los por meio de nichos de mercado, controlando as condições de oferta interna de flores nas épocas de maior demanda pelo produto. A valorização do produto, no entanto, não depende apenas disso. Há diversos fatores envolvidos na sua qualidade, que vão desde adoção de processos de produção mais eficientes dentro da propriedade, aos cuidados no armazenamento e distribuição do produto de sua origem até o destino final, que podem afetar a sua durabilidade e a sua aparência, refletindo diretamente sobre seu preço final. Ao se considerar o mercado externo, verifica-se que as exigências do consumidor final são maiores e, portanto, há riscos mais elevados de não haver aceitabilidade do produto brasileiro se não forem seguidos os padrões internacionais de qualidade e cuidados pós-colheita.

Para que se tenha vantagem competitiva em relação a outros países, a

preocupação com a eficiência logística deve ser muito maior, principalmente quando se trabalha com flores de corte, que possuem menor durabilidade ao se comparar com 2

outros produtos não-perecíveis atualmente exportados pelo Brasil. Há, também, vários cuidados no seu manuseio, relacionados à colocação nas embalagens e o seu acondicionamento adequado em caminhões e aviões, com controle de temperatura dentro dos veículos que transportam o produto. Tanto a cadeia de flores temperadas quanto de tropicais exigem um monitoramento constante do produto ao longo de toda a cadeia para que o processo logístico seja otimizado em todas as etapas da exportação, garantindo a obtenção de preços mais competitivos no mercado externo. Isso também pode se refletir internamente, uma vez que a oferta de produtos diferenciados vendidos no mercado doméstico poderá suprir demandas de segmentos específicos e atingir preços melhores.

Nesse sentido, as seções apresentadas a seguir documentam a relevância e os objetivos a serem tratados neste estudo.

1.1 Descrição do problema e justificativa de sua importância

A produção de flores e plantas ornamentais no Brasil está concentrada no Estado de São Paulo. De acordo com Florabrasilis (2002), o faturamento mensal do varejo foi da ordem de R$ 13,8 milhões, valor obtido a partir de levantamento realizado em 12

estados brasileiros, em 53 de suas principais cidades, entre abril e outubro de 2002.

Nota-se que esse ramo tem desempenhado um papel relevante em termos de volume comercializado, e São Paulo destaca-se em relação aos demais estados com R$ 5,8

milhões de vendas mensalmente, correspondendo a 42,50% do valor total adquirido pelo varejo no Brasil.

De acordo com FNP Consultoria & Comércio (2001), o Estado de São Paulo concentra cerca de 70% da produção nacional. Dentre os produtos comercializados pelo setor, em 1998 as flores de corte representaram aproximadamente 51% do total das vendas, de acordo com estimativas do faturamento bruto do setor. Os demais segmentos

- vaso, jardinagem, vaso verde e folhagem - tiveram participações menores em relação ao total de vendas nesse mesmo ano: 25%, 12%, 11% e 1%, respectivamente.

3

Para que eleve sua participação no mercado internacional o setor terá que enfrentar restrições, dentre as quais se destaca a adequação a padrões de qualidade e fitossanitários. Em relação ao mercado externo, Claro (1998) destaca que há espécies, tais como orquídeas, bromélias e flores de cerrado, que têm potencial para exportação, apesar de serem ainda pouco exploradas no Brasil. Conforme Brasil (2004), a exportação de flores e plantas foi de US$ 13 milhões em 1999, US$ 11.9 milhões em 2000 e US$ 13.3 milhões em 2001. Dentre os produtos exportados e países destino, de acordo com Motos (2000a), pode-se relacionar:

a) mudas de crisântemos (Holanda; Itália; Inglaterra; Japão; Dinamarca; Noruega; Argentina; Paraguai; Uruguai);

b) bulbos de gladíolos (Holanda; México; Chile; Uruguai);

c) bulbos de Amaryllis (Holanda; Estados Unidos; Argentina; México);

d) mudas de begônias (Holanda); bulbos de lírios (Holanda);

e) mudas de violetas (Holanda);

f) bulbos diversos (Holanda);

g) mudas de Calatheas (Holanda);

h) mudas de forrações diversas (diversos países da Europa).

Nos últimos anos tem havido busca por ampliação na inserção das flores de corte em vários países e por consolidação em mercados consumidores, como é o caso da Holanda e dos EUA. Há metas de expansão das exportações dos produtos do setor de flores para esses países, incluídas no programa Florabrasilis.

Em relação aos EUA, observa-se que as importações de flores e plantas

ornamentais mantiveram-se constantes de 1989 a 2001 em relação ao seu consumo doméstico, com base em 36 maiores estados americanos, de acordo com Floriculture and Nursery Crops Situation and Outlook Yearbook (2002). Por outro lado, nesse período houve tendência de aumento nas importações de flores de corte para os EUA conforme mostra a Figura 1(a). As importações de flores de corte do Brasil ainda possuem participação marginal para os EUA.

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Figura 1 - Porcentagem das importações (a) e da produção doméstica (b) de flores e plantas ornamentais nos EUA em relação ao consumo doméstico, 1989 a

2001

Fonte: Floriculture and Nursery Crops Situation and Outlook Yearbook (2002, 2003) e Brasil (2004)

5

Ao se analisar o quanto essas representam no montante total norte-americano, observa-se que houve recuperação crescente a partir de 2001, já elevando a participação das exportações brasileiras para esse país de 0,02% para 0,12% em 2002, provavelmente derivada da implantação do programa Florabrasilis. A produção doméstica de flores de corte dos EUA obteve queda de aproximadamente 9% ao ano em relação ao consumo doméstico, tendo como referência o ano de 1989, o que pode observado na Figura 1(b).

Esses fatores podem indicar que há perspectivas para a inserção de produtos importados (incluindo o brasileiro) nesse mercado, desde que se verifiquem os padrões de qualidade exigidos pelo consumidor norte-americano.

Dadas as características do mercado norte-americano, que tem direcionado suas importações de flores de corte para grandes distribuidores, há a possibilidade de se exportar produtos com qualidade e preço mais competitivos que para a Holanda, cujas vendas concentram-se nos leilões e há demandas de determinadas variedades de flores, não necessariamente cultivadas no Brasil.

Apesar de iniciativas pontuais de alguns produtores e empresas, o setor de flores ainda é inexpressivo em termos de participação na pauta de exportações brasileiras.

Contudo, há expectativas de que ampliará sua participação no mercado externo com a implantação do Programa Brasileiro de Exportação de Flores e Plantas Ornamentais (Florabrasilis), criado em 2000.

Assim sendo, torna-se relevante a realização de trabalhos voltados para a compreensão do papel de todos os integrantes da cadeia de exportação de flores, e dos processos logísticos, que garantam que os produtos sejam entregues no destino final na quantidade exata, na hora determinada e pelo preço e qualidade acertados entre vendedor e comprador. A partir de então, poderiam surgir maiores vantagens competitivas em relação aos demais países concorrentes e, conseqüentemente, maior inserção em mercados consumidores internacionais, cujos preços pagos são mais elevados relativamente aos praticados no Brasil em função de diferencial de renda e fatores culturais.

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1.2 Objetivos

Para avaliar o desempenho das atividades do setor de flores de corte, com relação à integração da cadeia e à competitividade no mercado externo, e para entender quais as contribuições e entraves da logística para a floricultura, objetiva-se: 1. analisar a natureza da demanda das flores de corte, para prover um melhor entendimento dessa cadeia;

2. representar o setor de flores de corte para exportação por meio do modelo de insumo-produto de processo, para analisar principalmente os processos

logísticos, que interferem significativamente no desempenho da cadeia de suprimento de flores de corte;

3. construir cenários específicos para analisar os processos logísticos e seus impactos junto aos principais agentes integrantes da cadeia de flores de corte, visando a definição de políticas para o setor. Inicialmente, procurar-se-á avaliar as exportações potenciais aos EUA e verificar a viabilidade de expandir o modelo para outros produtos e países.

1.3 Estrutura do trabalho

Esta tese está dividida em cinco capítulos: o primeiro, esta introdução; o segundo parte, que aborda aspectos gerais sobre as exportações brasileiras de flores e plantas ornamentais, com foco na logística e cadeia de suprimentos; o terceiro, que descreve o modelo insumo-produto de processos e apresenta o modelo proposto para a floricultura do Brasil, centrado nas exportações; o quarto apresenta e discute os resultados obtidos na pesquisa; no quinto capítulo estão descritas as conclusões do trabalho.

2 ASPECTOS ECONÔMICOS E LOGÍSTICOS DA EXPORTAÇÃO DE

FLORES DE CORTE

Neste capítulo pretende-se apresentar alguns aspectos relevantes do setor de flores e também relacionados à sua logística de exportação, relativos à realidade brasileira e de outros países representativos.

De acordo com Motos (2000b), além dos tradicionais países produtores de flores (Holanda, Itália, Dinamarca, Japão), a produção mundial está se expandindo para outros países, destacando-se dentre os principais exportadores na atualidade: Colômbia, Itália, Israel, Bélgica, Costa Rica, Canadá, EUA, Quênia e Alemanha, entre outros.

Segundo Góes (1997), no caso da Holanda, seu grande sucesso no mercado internacional deve-se principalmente ao sofisticado e eficiente sistema logístico de distribuição e comercialização, conseguindo disponibilizar rapidamente os pedidos dos seus clientes na Europa e nos outros continentes.

Os principais países exportadores da América Latina (Colômbia, Costa Rica e Equador) buscam consolidar seus produtos principalmente nos mercados europeu e norte-americano. De acordo com dados de 1997 a 2000, publicados por Pathfast (2001) e reproduzidos na Figura 2, observa-se que com relação aos bulbos, a Costa Rica concentra a maioria das exportações com destino ao mercado europeu. Em 2000 seu valor comercializado para a Europa foi da ordem de US$ 25 milhões, contra US$ 142

mil e US$ 24 mil das exportações da Colômbia e do Equador, respectivamente. O valor exportado de flores de corte colombianas para os EUA cresceu 13% em 2000 com relação a 1997, representando 84% do seu valor total exportado nesse ano (por volta de US$ 431 milhões), com relação ao total comercializado nos mercados americano e europeu.

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