Na Espuma das Ondas por Yara Sarmento - Versão HTML

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Novembro 2009

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Através dos sonhos e da realidade dos dias, o deus nos faz renascer, nos

transforma, apresenta-nos à “loucura sagrada”.

Filho de Sêmele e Zeus, é o condutor dos peregrinos a Elêusis, ao culto à Deméter,

a senhora dos mistérios.

O deus nos liberta, nos impulsiona e nos conduz pra ânsia, pro prazer de viver.

O deus nos ama, nos resgata, como fez com Ariadne em Naxos.

Embriagados com o vinho que jorra da boca do deus, queremos ir e vamos nas

trilhas abertas por Dioníso – o do teatro - pra, quem sabe, vislumbrarmos alguma coisa

sobre os mistérios do existir.

Hermes traz a mensagem: escrevermos sobre o que pensamos, sentimos e

aprendemos, pode ser o começo.

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Às minhas famílias Gomes Moreira / de Moraes Sarmento.

Aos amigos – muito amados - sempre presentes.

Aos – queridos - companheiros de trabalho e militância.

Às pessoas que – com aleivosia – me despertaram à luta.

(Ésquilo: “Sofrer para Aprender”).

A todos ofereço este trabalho.

A todos agradeço imensamente.

Meus agradecimentos, em especial, à Bia Lanza, Vitória Sahão, Bia Reiner e

Celinha Polydoro – amigas do coração – pela idealização, elaboração, digitação e

divulgação do blog “Sobre e Para Yara Sarmento”, em 2007.

O projeto, à época, foi destinado à integrar o acervo do Setor de Preservação e

Memória do Centro Cultural Teatro Guaíra – CCTG.

Também, às amigas queridas Rosirene Gemael, Jane D’Avila, pelo inestimável

apoio.

Igualmente à Lu Rufalco e Marisa Villela.

Obrigadíssima à querida Mônica Drummond Braga que, com base no blog, teve

a ideia e me estimulou a reunir as minhas escrevinhações no propósito de publicá-las.

3

Infelizmente, nosso projeto – literatura / artes cênicas - não teve acolhimento na

comissão responsável pela área, no que se refere à Lei Municipal de Incentivo à

Cultura.

Outros amigos sugeriram que fizesse um “livro digital”. Aqui está.

Neste livro constam: monólogos; monólogo com narração; conto pra ser

dramatizado; crônicas; peça teatral; roteiro/texto pra curta-metragem ou teleteatro;

entrevistas e depoimentos.

“Mulheres = Despertar – Existir” .

“Eva”.

“Lillith”.

“Maria Rosa”.

“Hatchepsut”.

“Jezabel”.

“O Parto da Aranha Morta”.

”Machina Fatalis – Clitemnestra / A Propósito de ...”.

“Histórico”.

“A Porta para o Nada”.

“Bate/Rebate”.

“A Senhora no Andor”.

“Via Crucis”.

“Por quê?”

”Horroroso”.

“Momo”.

“As Filhas de Lot”.

“Convite à Reflexão”.

“Troféu Gralha Azul”.

“Barreado de Antonina”.

“As Irmãs”.

“Depoimentos”.

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Com este delicioso blood mary, brindo e agradeço com emoção, com

carinho a generosidade dos amigos que fizeram seu depoimento

(EXAGERADOS!!!).

Abraço/Beijo

Yara

5

MULHERES = DESPERTAR – EXISTIR

À Odelair Rodrigues, Gilda Elisa, Regina Vogue, Claudete Pereira Jorge, Enéas

Lour, Fátima Ortiz e Neiva Camargo Iovanovitchi.

As entidades e as pessoas que trabalham pela igualdade da mulher, além das

recomendações – importantes – voltadas à esclarecê-las sobre seu dia a dia, devem

destacar mais que tudo em seu discurso, a todos os segmentos sociais, sobre a urgente

necessidade do ESTUDO/ESCOLA: conhecimento – e do TRABALHO: libertador.

Devem insistir sobre a questão fundamental da INDEPENDÊNCIA

FINANCEIRA. Ressaltando ainda a importância, nos dias que correm, do

PLANEJAMENTO FAMILIAR.

Devem mostrar o quanto é essencial a informação, o desenvolvimento do

raciocínio, a consciência política. O saber e exigir seus DIREITOS DE CIDADANIA,

sem deixar pra segundo plano seus DEVERES DE CIDADANIA.

Sempre: pensar, agir e reagir.

A educação e a formação da mulher devem passar pela percepção nítida dos

limites que devemos observar, já que vivemos em conjunto. Nossos direitos acabam

quando começam os de outros.

Há que lembrá-las que casamento não é emprego. Não é vitalício. A vida pode

mudar quando menos se espera, às vezes, levando-nos às fossas abissais onde iremos

direto pro estômago do tubarão martelo.

Devem alertar a mulher e procurar fazê-la ver, com clareza, que a paz e a

felicidade começam com a dignidade pessoal e profissional, com o respeito por todos os

seres deste planeta.

Partindo daí – mesmo com os altos e baixos normais do cotidiano – as relações

com a família, com os amores, os filhos, os amigos, os companheiros de trabalho, as

pessoas, afirmam-se prazerosas e enriquecedoras pra todos.

Em 2000, atrizes veteranas: ODELAIR RODRIGUES, REGINA VOGUE,

GILDA ELISA, CLAUDETE PEREIRA JORGE e esta que vos escreve, sonharam em

encenar uma peça teatral que falasse sobre MULHERES. Seu papel no mundo.

Seria a nossa pequena contribuição pra necessária transformação do modus

vivendi, ainda assombroso, do sexo feminino no início do século XXI.

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Chamamos ENÉAS LOUR pra discutirmos a ideia. A montagem seria dirigida

por FÁTIMA ORTIZ.

Fizemos várias reuniões – animadíssimas – na casa de Regina.

Por proposta de Enéas tentamos, cada uma de nós, escrever alguma coisa que

pudesse dar frutos e liga. Enéas, como dramaturgo, seria o responsável pelo

acabamento, pela carpintaria teatral do resultado das nossas escrevinhações.

Demos ao grupo o título de “AS DELICIOSAS CÊNICAS”.

O empolgamento das cinco atrizes pelo artístico e pelo tema nos fez esquecer,

por um breve instante, que sem dinheiro não se produz teatro.

Pensamos em recorrer à Lei Municipal de Incentivo à Cultura e até em propor o

espetáculo ao Teatro Guaíra, através do Teatro de Comédia do Paraná – TCP.

Apresentaram-se tantas dificuldades que “As Deliciosas”, lamentavelmente,

esmoreceram.

No intuito de registrar aquele sonho, aquele delicioso momento, atrevo-me a

expôr os textos que escrevi à época e que agora revisei. Acrescento outros textos e

entrevistas, também com revisão. A título de ilustração incluo fotos.

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