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Nova Sapho por Visconde de Villa-Moura - Versão HTML

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MARIA PEREGRINA

Encontrei-a indolente, distrahida, em viagem pelo Minho.

Estou a vê-la!—mulher de trinta annos, cabellos negros, olhar ennevoado, sombrio,

sobrancelhas luzentes, labios finos, mostrando a espaço os dentes brancos, rosto

moreno, talhado em linhas puras, modelo de bronze precioso de casa antiga, com

ademanes de adolescente e artista. Acompanhava-a uma extrangeira mais nova, de

cabellos e olhos castanhos, muito branca, boca pequena, duma belleza vulgar, que abria

em riso ingenuo, ar aventureiro de quem segue por um mundo de acaso, ao capricho

doutra, da companheira, que a envolvia, ás vezes, num largo olhar complacente e

tenebroso.

Percebi entre as duas a mais esquisita intimidade, a que a segunda parecia dar-se

passivamente, [10]mas alegre, por comprazer, numa generosidade estulta de pessima

lassidão. Iam quasi á vontade na carruagem, indifferentes á observação extranha, longe

do mundo em que viviam, trocando olhares perversos, duma sensualidade doentia, ali, á

face de desconhecidos, que só excepcionalmente podiam acceitar com benevolencia a

vida que denunciavam.

Maria Peregrina pareceu-me uma esgotada, figura confusa, a contas com

desequilibrios intimos, que lhe reflectiam fadiga e exotismo.

Eu sentára-me em frente da mais nova—a extrangeira de olhos côr de burel, muito

apertada num costume de viagem, exaggeradamente cingido, de geito a denunciar-lhe as

formas regulares, irreprehensiveis.

Quando entrei tinha ella sobre o logar que eu devia occupar uma caixa de couro

negro, a que prendiam duas correias, unidas por uma fivela. Era a caixa do binoculo de

tartaruga com lavrados de oiro que Peregrina tinha na mão.

Á minha chegada, a extrangeira levantou a caixa. E, como não visse melhor logar,

lançou-a ao hombro esquerdo, com a correia.

Maria Peregrina interveiu:

—Deixa ver, Violet!

E, mexendo na correia:

—Apertaste a fivela ao contrario, vou compô-la...[11]

A inglesa inclinou-se para ella. Olhou em volta, derramando uma luz suave e quedou

a olhar, agradecida, para a companheira. Depois, desviou a attenção para as arvores, que

faziam a escolta da linha ferrea, a seguir para as pessoas da carruagem, que viu

indifferente, como vira as arvores; disse a Peregrina palavras ingenuas de disfarce,

ácerca do caminho, das horas da jornada; e acabou por tamborilar, a mêdo, nos vidros

da janella.

Eu observava, interessado, aquellas figuras, que me pareciam tão differentes e que,

no entretanto, se bemqueriam, mercê duma qualquer razão de fatalidade.

Maria Peregrina usava uma toilette roxo indeciso, sem enfeites, muito casada ás

linhas do corpo, obra de qualquer costureiro de Paris ou Londres, que quizera honrar a

mulher excepcional que fôra chamado a vestir, não lhe sacrificando o corpo magnifico,

agora flexuoso de doença e cansaço.

Adivinhava-se nella a mulher de gosto que não discute preço e superioriza a toilette,

elegendo os objectos de uso. Trahia-lhe levemente a gentileza um certo desmancho.

Estendeu a mão anemica, duma finura aristocratica, para as mãos vulgares de Violet,

que, indolentemente, lhe palpava os diamantes de dois aneis antigos que lhe calçavam

os dedos morenos. Usava um terceiro anel em [12]que abria um escudo minusculo de

signaes heraldicos, que eu não podia ler pela distancia, e me parecia dispensavel como

inculca de raça, pois que Maria Peregrina a revelava por si.

Tinha quedas bruscas, lassidões que reflectia num grande abandono. E foi num

desses momentos que a vi sumida nas almofadas da carruagem, falando em surdina á

companheira.

Percebi que se tratava duma pequena ordem, disfarçada em pedido.

De facto, Violet levantou-se, abriu um saco de camurça-creme, escolheu dentre

outros um estojo pequeno de metal e offereceu-o a Peregrina.

Esta buscou um tubo comprido de lenticulas, tomou duas e entregou o estojo a

Violet, que voltou a collocá-lo no saco de camurça. Pude ver o rotulo collado ao vidro-

víoleta. Indicava um excitante invulgar.

—Não vaes bem? perguntou Violet, ao sentar-se, rente á companheira.

E mirando-a, com attenção:

—Estás doente? Tão pallida!

Na verdade, ella lembrava uma daquellas figuras em que o talento, a tristeza e a

espiritualidade se fundem numa affirmação de decadencia.

Era um busto fim-de-raça o de Peregrina, [13]sombria, extenuada numa indolente

indignidade, abandonando-se aos nervos, vencida, e pedindo á Chimica o emprestimo

de excitantes, sophismas ruinosos da mocidade em desbarato. E, no entanto, só pude vê-

la com piedade.

Era inferior julgar segundo a minha saude moral o caso infeliz da mulher extranha,

que parecia reflectir nos seus quebramentos o drama lento duma vida exotica.

E, como quer que percebesse que pela primeira vez olhava para os passageiros que

formavam a ala fronteira á sua, numa expressão de inquerito e vago pedido de soccorro,

vendo o seu desassossego, lembrei-me de que podia este ser da posição que tomara e

offereci-lhe o meu logar.

—Provavelmente, disse, ella ia mal no sentido da machina; que o meu logar era

melhor e lho dispensaria.

Attentou-me com surpresa, e, depois de alguma hesitação:

—É verdade, supponho que me tem feito mal a posição que escolhi. Mas não desejo

o sacrificio de v.

Levantei-me.

Por sua vez levantou-se; volveu a fitar-me, reconhecida, sorriu forçadamente, e

sentou-se.

Percebi que o pequeno esforço lhe aumentara a fadiga; transfigurou-se.

[14]Os largos olhos escuros, habitualmente serenos, indecisos, moveram-se numa

agitação de labareda intima, para logo quedarem, vagos.

Depois de curta hesitação, encostou-se ás almofadas e adormeceu.

Dormiu um somno pequeno, de tres quartos de hora.

Naquelle estado de abatimento, pareceu-me a unica maneira de sossegar.

De repente, o comboio estremeceu, galgando numa velocidade imprevista. Peregrina,

que acordou aos primeiros solavancos, dirigiu-se-me:

—Fez-me bem mudar de logar. Estou melhor e muito reconhecida á gentileza de v.

Dormi não sei por quanto tempo, o tempo bastante a cobrar forças que, de subito, me

faltaram.

E eu, solicito e curioso:

—Mas V. Ex.ª soffre ainda? Talvez fatigada pela viagem...

—É certo, respondeu, animada pela minha curiosidade, estou fatigadissima. Venho

de longe, de muito longe. Sabe v.?—ha um facto que se dá semelhantemente em todos

os paizes. É a impotencia, a impostura da medicina em face da doença. Todo o seu

empenho é encobrir as deficiencias do mister, illudir, mystificar os pobres doentes.

[15]—Emfim, sublinhou com um riso amargo, não podemos querer-lhe mal!

A despeito de todos os epigrammas com que temos flagellado os medicos—á menor

coisa os procuramos. Não occorre chamar qualquer artifice... Na maioria dos casos

valeria o mesmo.

Pergunta-me v. o que tenho? Sei lá o que tenho! Tenho o mal-de-viver—uma doença

longe da medicina, que me lassa os nervos, cria desejos e sensações inconsumiveis, que

me irrita e alheia das coisas consagradas e me afina a sensibilidade para coisas

pequenissimas—as minhas futilezas preciosas. Sou indifferente ás trovoadas, e irrita-me

o zunir duma abelha. Tenho o maior desprezo pela moral de toda a gente; faço do

avesso dessa moral uma verdadeira religião, um culto fervorosissimo.

Envenenei-me outro dia com um ramo de flores de madre-silva. Tive um prazer

doloroso na aspiração desse aroma, que sorvi cheia de sensualidade, até cahir sobre uma

banqueta, tonteada, numa syncope que foi o espanto do medico que me tratou.

Quando cobrei animo e lhe expliquei o que se passára, suppoz-me doida; sobretudo

quando lhe falei em envenenamento. Affirmou que a flor da madre-silva não era veneno

catalogado. E, como o convidasse a explicar as minhas [16]perturbações—a syncope, a

garganta em fogo, a sêde, os espasmos, o arrefecimento,—todo o cortejo da intoxicação

violenta, pareceu resolver-se pelo diagnostico que aventei; fingiu tratar-me, e arrimou-

se, em materia de explicação, ao velho bordão—de que eu era uma hysterica; que o meu

caso, devia signalar, era curioso; que cada hysterica tinha, de facto, as suas

particularidades, perturbações, exigencias, um tratamento proprio. E com isso me

calou...

Que lucrava em amesquinhá-lo? Se nunca amesquinhara, conscientemente, alguem,

menos me occorria maltratar quem, afinal, reflectia, segundo o rito da sciencia, uma

trapaça intelligente que podia ter satisfeito outros, menos exigentes do que eu.

Maria Peregrina falava com enthusiasmo, mas de repente abrandou-se para dizer,

quasi indolente:

—Agora reparo, estou a incommodá-lo. Que pode interessar-lhe a historia das

minhas fraquezas?

Ainda na hypothese de que me ouça com vagar, os factos que illustram o meu caso,

se lhe interessassem, magoá-lo-iam. E não tenho o direito de pagar a gentileza de ha

pouco, lamuriando-lhe a minha vida, desagradavel. Mas esta não pode, não deve mesmo

interessá-lo.

[17]Protestei, e fí-lo de forma que me pareceu conquistar-lhe a confiança.

Enquanto conversavamos, Peregrina mal se distrahia de Violet, para quem olhava a

miudo, e que, a meu lado, deante della, seguia a conversa com meia attenção.

É quasi tão difficil encontrar quem ouça bem como quem fale bem. Violet abria

clareiras de indifferença na historia da companheira, uma historia exotica,

singularmente complicada, em que li todo um indice de miseria.

Pareceu-me que Violet, talvez pouco conhecedora de português, não podia ouvir

bem. A maior parte dos esclarecimentos de Peregrina devia escapar á sua percepção;

mas um não sei que de affinidade dava o traço de união entre aquellas almas, que eu

suppunha fundamentalmente diversas.

O comboio parou.

—Estamos na Trofa, informou um passageiro.

Violet desceu da rêde o saco de camurça-creme, preparando-se para sahir.

—Já?!—perguntou Peregrina, esquecida dos trabalhos da viagem, ou na previsão de

peores horas.

E, buscando um bilhete, entregou-me o nome lithographado e esclareceu:

—Vou para Lares, a quatro leguas de Guimarães. Tenho lá sombras e silencio. Venho

[18]fugida á esturdia civilizada, ás grandes illuminações com que a cidade estraga a

Noite. São as pragas que mais temo—o barulho e a muita luz!

Emfim, se algum dia quizer descansar, visitar a toupeira de Lares...

—Tambem desço, vou para Guimarães. Muito obrigado.

Sahimos rapidamente, e foi já no tramway de Guimarães que paguei a amabilidade de

Maria Peregrina, dizendo o nome e explicando que passeava pelo Minho e ia áquella

cidade tirar impressões novas das coisas velhas, visto andar muito ao avesso das glorias

contemporaneas.

Fez-se silencio sobre a minha informação. Lemos a um tempo os nomes trocados.

Verificamos que nos conheciamos. Ella lera um livro meu, com que sympathizara,

disse, mercê das suas rebeldias. Por minha parte, esclareci, tinha lido os seus volumes—

Nova Sapho e Emparedada. Este era um livro em que ella ampliára, segundo o seu

caso, os desgostos dum poeta brasileiro—o Poeta Negro.

Este luctára contra o preconceito de côr, soffrera todo o desprezo geralmente votado

á sua casta e fizera deste desprezo um capitulo de Evocações, doloroso.

Maria Peregrina Alvares de Lorena e Villa-Verde, que eu conhecia pelas revistas e

por [19]aquelles livros urdira a Emparedada—a sua obra prima, para editar dores

intimas.

As paredes que mostrava ao publico—a um pequeno publico, eram os preconceitos

de toda a ordem que lhe entravavam a acção.

Soffrera más vontades, vexames e desabafára em paginas notaveis, mau grado serem

decadentes, doentias. Para toda a parte para que voltava o espirito encontrava paredes,

escuras e espessas, tatuadas de obscenidades, allusivas a predilecções suas.

A sociedade destinára-lhe uma cella estreita, quando a natureza lhe dera um talento

largo e uma sensibilidade enorme, caldeados dum certo fatalismo sensual, que lhe

abarcava e impopularizava a obra.

Assentava, plena de orgulho, que essa impopularidade era o contraste do seu genio

aventuroso. Mas a sensibilidade abria conflicto com a moral média; e dahi as torturas.

Não pretendia que a seguissem e admirassem nos seus delirios; aspirava a que a

respeitassem em homenagem ao genio dos seus defeitos, que amava acima da sua obra.

Ora este conflicto, os vôos, as quedas bruscas, tudo o que no temperamento pode

haver de grande, e tudo o que a carne pode dar de vil—taes eram os themas dos seus

versos geniaes, enfiados naquelle dizer extranho.

[20]No fundo, o livro era a sua historia—uma autobiographia.

Alludi, com enthusiasmo, aos Sonetos, prêsos num lindo aro, a uma titulação leal e

exacta:— Procurando alguem...

Expliquei que a unica superioridade que me arrogava sobre o grande numero de

confrades era a de acompanhar a propria Belleza que eu não sentia.

Tinha uma concepção de Belleza que prendia ao meu temperamento—era a que

naturalmente mais exteriorizava. Mas não me era difficil descer ao intimo duma alma

exotica, para viver tempestades alheias.

Conversamos até Guimarães.

Seguiu os dados que incidentemente lhe forneci, e inquiriu, amavel, da minha

orientação não esclarecida pelo livro que lêra.

Falamos do debate intellectual do momento. Vieram a proposito velhos cultos.

Cada um de nós tinha concertado um Ceu para os seus santos—um Ceu de Arte,

limitado, que mal encheria duas paginas de Folhinha...

Falei da obra revolucionaria de Dostoïewsky, D'Annunzio, da cruzada de Anatole,

Maeterlinck, Nietzsche, Wilde e outros; confrontei a aspiração dos recem-cruzados da

idéa-nova com o positivismo estreito dos ultimos cincoenta annos.

[21]—Que os novos, affirmei, se propunham esbandalhar os diques, mal cimentados,

do bolorento realismo; que a grande obra do homem, era, afinal a alma do homem,

utilizada, praticada, alem-fronteiras do vulgar.

Que Zola, por exemplo, apontára todas as grossarias, os aleijões do corpo, mas não

comprehendera os delicados aleijões da Alma, excessos do sentido; materializára o

talento numa causa rude. A sua alma não déra a expressão duma Arte superior e exacta

segundo o espirito.

Assim tambem Eça, entre nós, negativista e bolandeiro, bizarro e dispersivo: no

fundo um homem de letras, com technica extrangeirada, cortada á feição dos seus

fraques, segundo os modelos de Paris, terra incaracteristica, cosmopolita, transportada a

Portugal em amostras da sua prosa de contrastes, duma rhythmica forçada.

Por isso o genio de Camillo, mais o de Fialho haviam batido o seu talento relativo,

que liquidou numa reduzida memoria, concebida com macula do peccado original de

Teixeira Lopes—o doloroso artista.

Que a pelle da geração passada—a que vestira o realismo—era uma pelle espessa,

escamosa e aspera como a do crocodilo.

A missão nova era outra.

O nosso empenho devia ser, parecia-me, [22]archivar todas as descobertas que vão

além do commum, tomá-las como factos, fazer da duvida uma força, caminhar sobre a

idéa conquistada, formular novas theses, acceitar o bem e o mal, a vida creada e latente,

tomar os proprios devaneios como factos, pois que a imaginação é tambem um facto e

primordial, notavel.

Assim, á Belleza do sentimento succedera na ordem critica, a escola do motivo

averiguado. Para nós,—sentimento, os dados positivos, segundo a escola anterior, toda

a elementação, creada ou latente, vão dar a uma escola nova, religiosa, universal,

compativel com todas as razões e servindo a concepção da Vida, segundo os processos

mais largos e alevantados. Primeiro a Literatura da Belleza, medida a compasso, feita

precisão; a esta seguiu-se uma Arte exclusivamente sentimental; nós assistimos ao

exaggero inverso, que quasi nos deu a negação do sentimento. O papel dos escriptores

de hoje, apostolava eu—quasi ao findar da viagem—era apagar os preconceitos,

aproveitando tudo e partindo da Literatura das idéas e dos factos para a Literatura das

imagens, caminhando, confiadamente, sem exclusivismo e sem pressas.

—Sim, é verdade, confirmou Peregrina, o que perdeu os passados foi pretenderem

fazer girar a terra em volta delles.

[23]—Veja V. Ex.ª, continuei, os nossos liliputianos do Positivismo.

Theophilo Braga, por exemplo, deixa este mundo com a idéa de que esgotou a

especulação mental; escreveu, suppõe, a ultima palavra da grande synthese poetica e

philosophica da Nacionalidade; e a sua morte, parece-lhe, porá ponto na vida de

Portugal, enchendo e fechando o Pantheon...

—Guimarães! gritou o empregado.

Chegáramos.

Maria Peregrina, ao despedir-se, insistiu:

—Que fosse a Lares, passar algumas horas ou dias, consoante a minha disposição.

E tão interessadamente o fez que prometti visitá-la, apenas me desobrigasse de

Guimarães.

—Pois veja se tira tempo para mim, e vá com vagar. Se fôr com tempo e na

disposição de ouvir-me, prometto contar-lhe episodios, que até agora tenho calado.

E sabe? disse com tristeza, talvez que estes episodios—o romance dos meus erros e

amarguras—valham a Historia, que prende ao bandoleirismo dos Affonsos.

Liga-o á minha sensibilidade, a philosophia serena que usa, mau grado ser austera.

Prometto fazer-lhe as minhas confissões, que marcam mais ousio, verá, do que as

celebradas confissões de Rousseau.

[24]Quero mesmo que tome commigo o compromisso de dizer um dia, em publico, o

que lhe communicar. Reproduzirá religiosamente o que souber de mim, isto é, tudo o

que lhe contar ou tenha por verdadeiro a meu respeito. Quero que os que estão por vir

apprendam no meu caso a coragem da verdade.

Saberá, então, quem fui e sou.

Até Lares!