O Corpo Fala por Pierre Weil, Roland Tompakow - Versão HTML

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Adoramos Ler:

O CORPO FALA

Pierre Wel e Ro land Tompakow

O©® BR

Sobre os Autores:

Pierre Weil: Doutor em Psicologia pela Universidade de Paris, Professor na Universidade de Minas Gerais, Diretor do Cento de Psicologia Aplicada –

RJ, Especialista em Psicoterapia de Grupo e Psicodrama e autor de vários livros editados em diversos países, incluindo o conhecido best-seller “Relações Humanas na Família e no Trabalho”.

Roland Tompakow: Professor de Comunicações dos Cursos de

Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas – RJ, artista gráfico, técnico em Informática Visual, jornalista, assessor de Informática em marketing de várias Empresas e coordenador dos registros de

Cinésica do grupo de Pesquisas chefiado pelo professor Pierre Weil.

Sobre a Digitalização desta Obra:

Esta obra foi digitalizada para proporcionar de maneira totalmente gratuita o benefício de sua leitura àqueles que não podem comprá-la ou àqueles que necessitam de meios eletrônicos para ler. Dessa forma, a venda deste e-livro ou mesmo a sua troca por qualquer

contraprestação é totalmente condenável em qualquer circunstância.

A generosidade é a marca da distribuição, portanto:

Distribua este livro livremente!

Se você tirar algum proveito desta obra, considere seriamente a

possibilidade de adquirir o original.

Incentive o autor e a publicação de novas obras!

“Para todos os Transparentes”

O Corpo Fala sem Palavras

PELA LINGUAGEM DO CORPO, VOCÊ DIZ MUITAS COISAS AOS

OUTROS.

E ELES TÊM MUITAS COISAS A DIZER PARA VOCÊ.

TAMBÉM NOSSO CORPO É ANTES DE TUDO UM CENTRO DE

INFORMAÇÕES PARA NÓS MESMOS.

É UMA LINGUAGEM QUE NÃO MENTE, E CUJA ESTRUTURA É

DEMONSTRADA NAS PÁGINAS QUE VOCÊ TEM AGORA EM SUAS MÃOS.

ELAS DARÃO A VOCÊ UMA NOVA DIMENSÃO NA COMUNICAÇÃO

PESSOAL.

HOMEM OU MULHER, JOVEM OU MADURO, CASADO OU SOLTEIRO,

QUALQUER QUE SEJA SUA PROFISSÃO OU FUNÇÃO -ESTE LIVRO FOI

ESCRITO PARA TODO SER HUMANO.

POIS TODO SER HUMANO TEM QUE LIDAR CONSIGO MESMO E

COM OS OUTROS.

Por que este Livro é "Diferente"?

Porque trata de um aspecto do comportamento humano que

não pode ser transmitido satisfatoriamente por meras palavras - ainda que, depois de escritas, fossem complementadas por ilustrações em paralelo.

Tentar ler o texto sem os desenhos seria como não olhar para a

tela do cinema, apenas ouvindo as palavras dos artistas do filme.

O enredo se perderia.

E tentar olhar apenas os desenhos seria contemplar a tela com o

som desligado.

Juntos, formam uma unidade de comunicação intensa, clara,

simples - e até divertida!

Que espécie de literatura é isso?

Em relação ao tema que aborda, este livro constitui um ousado

avanço na fronteira da Informática moderna, aliando a técnica de

trabalho em grupo à criatividade "copy-art" para obter uma obra totalmente unificada.

O tema abrange a comunicação psicossomática inconsciente do

próprio leitor - e por isso o fascina, diverte, desafia e esclarece ao mesmo tempo!

Para tanto, foi preciso unir o psicólogo ao artista, ambos escritores e educadores. Então o conjunto (unidade-texto-arte) de cada capítulo era planejado em comum pelos dois autores, e o texto escrito por um, refundido pelo outro e então testado e reexaminado em conjunto. Este procedimento era repetido até se obter uma mensagem semântica una com os desenhos. Estes por sua vez eram também traçados e retraçados tanto pelo Pierre como pelo Roland, até a sua finalização por este último.

Neste intenso trabalho de equipe, concessões mútuas tiveram de

ser feitas. O artista teve de disciplinar até certo ponto o seu estilo verbal jocoso, o que nem sempre conseguiu. O cientista por sua vez teve, muito a contragosto, de arriscar o seu bom conceito junto a seus

colegas.

Mas como o mostra McLuhan, a velha didática " ex-cathedra"

cedeu lugar à comunicação direta da realidade. Que estará diante dos olhos do leitor nas páginas a seguir.

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Primeira Parte:

PRINCÍPIOS

CAPÍTULO 1

Convite a um Passeio

Antes de mais nada, folheie um pouco este livro! — Você vai

passear de balão ou de dirigível. - É mais fácil usar o alfabeto do que descobri-lo. - Você conhecerá três animais que vão fazer parte do seu vocabulário de cada dia!

Alguém à sua frente cruza ou descruza os braços, muda a

posição do pé esquerdo ou vira as palmas das mãos para cima. Tudo isso são gestos inconscientes e que, por isso mesmo, se relacionam com o que se passa no íntimo das pessoas.

Quer saber o que significam?

Pronto? Então você pode começar a leitura.

Você notou duas coisas: que há uma porção de desenhos em

estilo alegre, e que o texto às vezes tem trechos em letras maiores, às vezes em menores.

Isto é para que você possa se divertir de duas maneiras diferentes.

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1. Se quiser, você pode apreciar o texto por alto, numa leitura de passatempo.

Basta ler apenas o texto em letra maior, como acima, saltando os

parágrafos como este (Verificará como, depois da última palavra em letra maior - neste exemplo, foi a palavra "passatempo" - sempre será possível continuar o fluxo das idéias, reiniciando sem pausa a leitura no trecho seguinte em letra maior).

E você poderá entender as ilustrações sem se preocupar de fazer

disso um estudo, enquanto nós, os autores, levaremos você a passeio por novas e fascinantes noções do comportamento humano.

Mesmo lendo assim, você vai se surpreender com a quantidade

de gestos que conseguirá decifrar no fim da leitura.

2. Você pode ler para aprender em vez de apenas conhecer.

Então leia tudo, inclusive os trechos menores, a não ser que estes citem fatos já do seu conhecimento. E estude as ilustrações. Leia, experimentando "dirigir o balão", enquanto os autores vão girando a hélice...

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Talvez você pense que essa aprendizagem um tanto aérea seja

difícil ou trabalhosa. Então cabe a pergunta:

VOCÊ SABE ANDAR DE BICICLETA?

No princípio, você teve (ou terá) a impressão que não é fácil

transformar os seus reflexos, condicionados aos seus hábitos de

pedestre, nas reações inconscientes do ciclista. Mas,

para aprender a coordenar alguns dos movimentos básicos, existe

o triciclo. Nele você não tem problema de equilibrar-se.

O equilíbrio pode ser aprendido numa patinete, sem ter que

aprender a pedalar.

E você decerto não faz questão de ser logo ciclista acro-bático

de circo; basta-lhe o prazer de saber pedalar alegremente pelo parque.

Daí em diante, seu desembaraço aumentará sem você sentir, com a

prática.

Pois bem, absorver nossa matéria será semelhante a isso, com

uma diferença importante: você não vai sentir cansaço - nem físico nem mental.

O PROGRESSO SERÁ RÁPIDO

Provavelmente, você vai começar a "ler" a linguagem do corpo humano mais depressa do que aquele ciclismo do parque - mesmo

porque não há tombos a temer. Dependerá apenas do grau de

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interesse que sentir pelo assunto.

COMO FOI QUE APRENDEMOS A LER?

Houve quem aprendesse o valor das letras do alfabeto, mas não

as decorou todas de uma só vez; à medida que foi conhecendo as

primeiras letras, fixou o seu valor na mente por meio das curtas palavras bem simples da cartilha.

Depois, não precisou mais dela. Reconheceu, de pronto, os fo-

nemas já seus conhecidos, mas arrumados em ordem diferente nas

novas palavras. Assim, sabendo que "bo" e "ca", nesta ordem, significa

"bo-ca", descobriu que, trocada a posição das duas sílabas, o conjunto

"ca" e "bo" significa "ca-bo". Nesta fase, já entrou o "método global" de leitura, hoje usado em toda parte.

É o método seguido neste livro. Basta que as primeiras "palavras"

sejam simples, e as suas "letras" poucas e claras.

O significado destas primeiras "palavras" pouco importa, nem interessa se são aprendidas, por exemplo, em ordem alfabética.

São, acima de tudo, mero material didático, embora constituam,

decerto, uma espécie de vocabulário para o principiante. Mas, à

medida que o leitor avançar na leitura, perceberá o que o corpo fala pelo mesmo "método global".

DICIONÁRIO SERVE?

Um "DICIONÁRIO TOTAL", ainda que fosse exeqüível, dificilmente bastaria para você aprender a "ler" as atitudes corporais.

Seria como se, em vez da cartilha, usássemos uma coleção

completa de todas as assinaturas em cheques existentes nos Bancos do País, e obrigássemos uma criança a aprender a ler com aquilo. Para começar, em que ordem classificar aquela montanha de riscos mais ou menos emaranhados?

VAI SER MAIS FÁCIL DO QUE VOCÊ PENSA!

Ainda mais difícil que esta imaginária atividade com "cheques para aprender a ler" é o pesado trabalho de pesquisa analítica da linguagem do corpo, em oposição à leve síntese didática deste livro.

É o caso da obra de Ray L. Birdwhistell e colaboradores, cuja

extensa pesquisa exigiu décadas de dedicação total para aflorar de leve o assunto.

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Birdwhistell estima em 2.500 a 5.000 - e às vezes até 10.000 "bits"

(unidades simples) - o número de sinais informativos que fluem, POR

SEGUNDO, entre duas pessoas. Isto, evidentemente, inclui todas as mudanças que possam, em grau mínimo, ser discernidas por aparelhos registradores de alterações nas faixas percebidas como som, imagem, temperatura, tato, odor corporal etc.

Mas não é o nosso caso, pode ficar tranqüilo.

Saber o significado dos gestos e atitudes do Homem (a nova

Ciência da CINÉSICA) é basicamente simples.

Mas não é fácil chegar até essa base, tal a quantidade de "

assinaturas" que lhe escondem o seu " alfabeto". Precisamos ir devagar.

Então por que não divertirmo-nos nesta caminhada? Ela nos dará

uma esplêndida oportunidade de entender melhor a todo mundo.

O DESAFIO AOS TRÊS ANIMAIS

A seguir vamos conhecer o significado de um símbolo antiqüíssimo

que o leitor nunca mais esquecerá.

E três bichos de estimação que provavelmente vão fazer parte do

nosso vocabulário para o resto da vida. Vamos desafiá-los no capítulo seguinte.

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CAPÍTULO 2

Os Símbolos

Símbolos, ferramentas da mente. - Um símbolo antigo dá-nos a estrutura psicossomática do homem e da linguagem do nosso corpo. -

Vamos conhecer o boi oferecendo-lhe um prato de bolo. - O leão que estufa e encolhe. - A águia de motocicleta. Primeiro contacto do leitor com a evidência de um conflito entre duas expressões corporais simultâneas, mas opostas!

O REALCE DAS PARTES DO CORPO

Desde tempos imemoriais, usamos símbolos - mensagens sintéticas

de significado convencional. São como ferramentas especializadas que a inteligência humana cria e procura padronizar para facilitar a sua própria tarefa - a imensa e incansável tarefa de compreender.

A característica dominante do símbolo é fugir da palavra ou frase, escrita por extenso. Frase já é grupo de símbolos (palavras), por sua vez também compostas de símbolos (letras) de fugazes vibrações sonoras. E

tudo isso sujeito a um código gramatical de origem empírica e lastrado com a inevitável imprecisão semântica, especialmente a deterioração do significado percebido através de gerações.

John Wallis, criando aquele "oito deitado" (°°), resolveu o problema da transmissão inconfundível do conceito do infinito. E Renê Descartes sintetizou ainda mais a já sintética notação algébrica, escrevendo x no lugar de xxx - eis alguns exemplos recentes.

Já o uso das próprias letras se perde nos primórdios das

civilizações - mas podemos recuar ainda mais no Tempo:

Eis um peludo Homem das Cavernas percebendo um fruto

vermelho, maduro, destacando-se vivamente da escura folhagem do

fundo! Ou o sangue brotando vermelho de uma ferida! Ou o rubro fogo ameaçador, alastrando-se no capinzal seco! Em linguagem da Teoria de Comunicação, ele percebeu um "Sinal" destacando-se como mensagem prioritária sobre o " ruído de fundo". Algo com elevada " taxa de originalidade" em detrimento do fundo " banal", dado o seu interesse pessoal (sobrevivência em jogo). De mera cor passou a ser símbolo de algo importante. E, milhões de anos mais tarde, esta cor ainda exige, em certas circunstâncias, a nossa atenção e "feedback" específicos -

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antes que

o guarda de trânsito nos pegue avançando aquele sinal

vermelho!

Sim, vem de longe, da noite dos tempos, o significado de muitas

coisas. Aquele carro do Corpo de Bombeiros foi pintado hoje - mas o simbolismo da sua pintura nos fala uma linguagem tão antiga como o próprio fogo. Tão antiga como a linguagem dos nossos gestos, das

nossas atitudes em relação ao meio que, neste livro, tentamos

decodificar.

Usemos, então, um símbolo: podemos comparar o corpo humano

a uma esfinge; sim - àquela esfinge dos egípcios

ou dos assírios. Como, por exemplo, a desta ilustração (Esfinge

assíria de Khorsabad, chamada Kerub).

Uma gramática antiga para a mais antiga linguagem

A Esfinge era composta de quatro partes:

CORPO DE BOI TÓRAX DE LEÃO ASAS DE ÁGUIA CABEÇA DE

HOMEM

Ora, existe uma tradição muito antiga* segundo a qual cada uma

destas partes representa uma parte do físico do homem e também a

sua correspondência psicológica! Estas correspondências psicológicas não mudaram muito, até na Psicologia moderna. Eis o esquema desta tradição:

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* Para os interessados na fundamentação histórica e científica: consultar o livro "Esfinge, Estrutura e Mistério do Homem (Pierre Weil; Editora Vozes, Petrópolis).

O mesmo esquema pode ser mostrado assim (para tornar a

matéria em estudo mais leve e ajudar a fixar o pensamento do leitor): Este esquema pode ser aplicado facilmente à expressão corporal.

Vamos, então, utilizar o velho símbolo como se fosse uma espécie de protogramática - ou, para sermos mais modestos - de mini gramática da linguagem do corpo.

O Boi, quando colocado em evidência na nossa expressão

corporal, tende a se traduzir por uma acentuação do abdômen. A

pessoa avança o abdômen; isto se encontra em gente que gosta de boas refeições, que se senta à vontade diante de uma farta mesa de jantar.

No plano sexual temos o famoso requebrar das mulheres

brasileiras e havaianas; é uma provocação para os homens. Estes, por sua vez, engancham os polegares no cinto, com os outros dedos

apontados para os órgãos genitais; é uma maneira de se oferecer...

Gramática é para ser usada. E queremos que o leitor aprenda a

ler o que os corpos dos seus semelhantes falam diante dos seus olhos.

Vamos, pois, aos " deveres de casa".

Exercício n. 1: na próxima reunião social, "observe o boi"! Haverá os casos óbvios, bem fáceis, como convém numa primeira lição. É

aquele senhor maduro, de abdômen hipertrofiado, intensamente

atento ao conteúdo transbordante do seu prato e do seu copo. Ou

aquele rapaz bonitão, mas irritante, porque desrespeita qualquer mulher presente com suas constantes atitudes lúbricas.

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Estes são corpos falando como se as palavras fossem gravadas

em placas de bronze. São duráveis monumentos ao boi. Fáceis demais?

concordamos. Mas, se formos realmente perspicazes, dentro de poucos minutos descobriremos que outros corpos tomam, durante certo tempo, aquelas mesmas atitudes correspondentes à vida instintiva e vegetativa!

É aquele jovem magro que (sinceramente ou não) recusa o

terceiro prato (ou será o quarto?) e que, durante um instante, avança o abdômen, ilustrando o motivo da recusa - a barriga supostamente

repleta!

Mas, ei-lo um minuto mais tarde, a barriga encolhida, mas os

polegares no cinto! É bem capaz de aceitar o prato. E a jovem, que antes andava meio encolhida, sai requebrando durante uns dois ou três passos, antes de voltar ao seu ritmo usual. E assim ambos, naquele breve encontro, mostraram, em linguagem do corpo, o que se passava na

esfera da sua vida instintiva e vegetativa.

O Leão se evidencia pelo tórax onde reside o coração; é o centro da emoção. Os especialistas em expressão corporal, sobretudo os

coreógrafos, o consideram como o centro do EU.

1. Assim, quando há uma postura de preponderância do tórax,

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estamos em presença de uma preponderância do EU. São pessoas vaidosas, egocêntricas e extremamente narcisistas; ou que naquele momento querem se impor.

2. Ao contrário, quando o tórax está encolhido, estamos em presença de uma pessoa cujo EU está diminuído; são pessoas tímidas, submissas, retraídas ou que naquele momento se sentem dominadas

pela situação.

3. Um tórax em postura normal significa um EU equilibrado.

Como na "lição" anterior, também aqui as pessoas se situam entre os dois extremos. Por um lado, o "homem forte" do circo se sente na obrigação profissional de exibir-se a todo momento de peito estufado; por outro lado, observemos aquele franzino motorista particular diante do seu antagonista do caminhão que acaba de amarrotar-lhe o

carrinho! Tem o seu raro e breve momento de postura de hipertrofia do EU.

Vamos, pois, ao exercício n. 2: Procure reconhecer aquela

postura. Converse, por exemplo, com um amigo, fazendo com que ele relate alguma proeza ou sucesso concernente à sua vida emocional e observe a modificação para maior ênfase da sua região torácica.

"Observe o Leão!"

Bipolaridade Vitória-Derrota: para um dos motociclistas, sua

máquina é símbolo de poder sobre o meio-ambiente social; para o

outro, é rejeição - nada deseja da sociedade de consumo senão

aquele símbolo de poder de fuga da mesma. A mesma bipolaridade é

acentuada entre o nobre britânico que trota rumo ao socialmente

invejável massacre da raposa e o garimpeiro que nada achou no

deserto. Ou a diferença entre o rap^z, quando solitário e quando bem acompanhado.

Observe o tórax, ora convexo, ora côncavo. Vastamente

exagerado na caricatura didática, não deixa de tomar estas mesmas posições, em movimentos muito mais discretos e passageiros, na vida real.

Podemos observar também o estado emocional da pessoa

olhando atentamente para o seu tórax:

1. Aumento da respiração significa tensão e forte emoção.

2. Suspiros são indicadores de ansiedade e angústia.

3. Caso a pessoa estiver apenas levemente vestida, pode-se

observar o palpitar do coração; o aumento do ritmo cardíaco é

também indicador de forte emoção.

A respiração é comandada por um centro cerebral; é

normalmente ritmada e com determinada amplitude (entra sempre

uma mesma quantidade de ar, de cada vez, nos pulmões). Mas a

vontade do indivíduo pode modificar os seus próprios movimentos

respiratórios, desde a bradipnéia (diminuição) até a taquipnéia

(aumento de freqüência dos movimentos). E a amplitude pode variar de superficial até profunda (o suspiro é um ciclo inspiração-expiração de amplitude nitidamente maior que os antecedentes).

Daí, conforme as circunstâncias, não convém que a intenção do

observador seja percebida pelo observado - ele pode modificar de propósito o seu ritmo respiratório (É um recurso comumente usado em medicina: o doutor ostensivamente toma o pulso do paciente para

exame das batidas cardíacas, mas na realidade completa o exame

olhando, de soslaio, o movimento torácico sem que o paciente o

perceba).

O movimento inspiratório é ativo. Nele entra em ação o

diafragma (músculo côncavo que separa o tórax do abdômen), os

intercostais, as costelas e certos músculos abdominais. O movimento expiratório é passivo. Tem um tempo mais longo que o primeiro, na proporção de 10 para 16, aproximadamente. Na mulher, além do

diafragma, a respiração é acionada mais pelas costelas e músculos intercostais. Daí serem mais perceptíveis na movimentação mais nítida do tórax.

Já no homem, a tendência é para movimentar mais a parede

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abdominal.

A respiração masculina é, em média, de 16 a 20 movimentos

completos (inspiração e expiração) por minuto. Esta normopnéia é de freqüência maior na mulher, e ainda maior na criança.

Cuidado, pois, para não fazer interpretações precipitadas.

Exemplo: Alguém passa um longo período debruçado sobre papelada

numa escrivaninha baixa. Ei-lo, periodicamente, como que suspirando.

Não está escrevendo coisas tristes: é apenas carboxiemoglobina em excesso acumulada no plasma do seu sangue. Aquele suspiro é como

uma válvua da panela de pressão chiando; só que, em vez de vapor, é gás carbônico.

A Águia, representada pela cabeça, nos indica o estado de

controle do corpo pela mente.

1. Cabeça erguida significa hipertrofia do controle mental.

2. Ao contrário, cabeça baixa significa que o indivíduo é

controlado pelos estímulos externos.

3. Cabeça em posição normal indica um controle normal da

mente.

Reexamine o leitor a ilustração dos dois motociclistas - a posição da cabeça diz a mesma coisa que a do tórax, reforçando

harmonicamente a mensagem do corpo.

O exercício n. 3 é, portanto, óbvio. Nós, ocidentais, estamos

infinitamente mais habituados a observar expressões na cabeça do que no restante do corpo das pessoas.

Nosso retrato, nos documentos que nos identificam, não inclui o

corpo, e a descrição por escrito tenta definir-nos por detalhes faciais -

não cita, jamais, o tamanho do nosso pé ou (ainda bem, em tantos

casos!) da nossa cintura!

Enquanto isso, nas culturas asiáticas as representações da figura humana a buscam inteira, em expressivas atitudes corporais

propositadamente significativas. O leitor, decerto, já viu uma estatueta de Buda. Um busto de Buda, nunca! A inferência é clara: A cultura do

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Oriente percebe mais a linguagem do corpo do que nós, integrando em Gestalt o que nós, neste estudo, buscamos reconstruir de

fragmentos de Esfinge.

Mas voltemos, modestamente, ao exercício da "águia".

Por exemplo: nas moedas das culturas ocidentais de todos os

tempos encontraremos mais material didático para nos treinar a

observação embotada: os perfis dos monarcas nunca estão

cabisbaixos; a sua atitude é de mostrar que enxergam longe,

dominando o futuro!

Observe sempre a atitude da cabeça, se quiser perceber a

intensidade do domínio intelectual e espiritual daquela mente, naquele instante, aprovando ou rejeitando as emoções e instintos do seu corpo.

Olhemos de novo esta ilustração que estudamos ao " observar o boi", isto é, a parte referente à vida instintiva e vegetativa. Havíamos notado o realce da parte abdominal, dizendo da aprovação, naquela esfera, da alimentação. A "águia" diz a mesma coisa; a cabeça sorridente e atenta avança em direção ao prato. A mente, portanto, aprova também, em princípio, a oferenda e educadamente manda

apenas braços e mãos exercer o gesto de recusa "de caso pensado".

É a imagem perfeita de um dilema.

Vamos, nos desenhos seguintes, eliminar essa contradição e obter

duas concordâncias totais entre os componentes da mensagem total.

Basta modificar braços Ou então a "águia" e mãos sem mexer no mostrará desaprovação na resto: cabeça, membros

posição e expressão da superiores e abdômen cabeça, e do

avanço dizem: aceitação! abdominal passamos ao recuo geral: rejeição!

PERMUTAS E COMBINAÇÕES EM INTERAÇÕES CONSTANTES

No fim da "lição" anterior já avançamos a uma situação em que "

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águia" aprova em princípio, mas discorda na prática; domina o "boi", num conflito muito comum de se observar. E demonstramos, nos últimos desenhos, as duas soluções bipolarmente opostas - aceitação ou

rejeição - mas ambas agora sem contradição entre os campos

psicológicos em jogo! *

O leitor, a esta altura, já está assustado. Percebe que lidamos,

possivelmente, com um alfabeto de componentes básicos simples, mas com um número infinito de permutas e combinações, dadas as

igualmente infinitas variações de intensidade de infinitas expressões corporais que, por sua vez, podem ser concordantes ou antagônicas e variar no tempo, entre o fugaz e o constante.

Lembre-se porém que nós, estudantes, somos feitos da mesma

matéria que a matéria sob estudo!

Então, por que não entender-nos a nós mesmos? Usemos a

cabeça!

Uma boa maneira de usarmos a cabeça está sob o título

seguinte, ou seja: Uma pausa para o leitor.

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CAPÍTULO 3

Perceber em vez de Olhar

Uma pausa para o leitor. - Não só o latim é língua morta; a

linguagem do corpo também, se apenas estudada em livro. - Convite para fechar estas páginas e olhar se as bolsas estão nos colos das mulheres. - Errar pouco importa; o importante é você se habituar a perceber em vez de apenas olhar!

UMA PAUSA PARA O LEITOR

Como toda gente, nós - Pierre e Roland - sentimos às vezes

saudade dos nossos tempos de infância. Menos daquelas horas de tortura lenta, chamada aulas de latim.

Hoje dominamos (bem, razoavelmente ou mais ou menos;

depende) o inglês, alemão, francês e português, o que por sua vez permite arriscar o espanhol e adivinhar parcialmente o sentido de um parágrafo simples em italiano, ou até mesmo uma legenda de

fotografia em holandês. Mas não nos peçam para decifrar uma

inscrição latina!

Eis a razão:

Jamais tivemos o prazer de ouvir alguém a nosso lado reclamar

em latim a cerveja que o garçom esquecera de lhe trazer! Porque, se assim fosse, também observaríamos o garçom trazendo a cerveja. E

assim daria para deduzir o significado daquela mensagem verbal

(Quanto à visual, tal como representada no desenho acima,

até garçom que não sabe latim dá para perceber alguma coisa!)

Estaríamos absorvendo do ambiente a presença viva de mais uma

língua em vez de tentar ressuscitá-la de túmulos feitos de papel e tinta.

Ninguém consegue a percepção fluente de uma língua se

apenas a estuda em livros. Mesmo em se tratando da única língua

universal; mesmo que, inconscientemente, todos nós nos expressemos por seu intermédio. Certo, conhecemos alguma coisa; sabemos

distinguir entre o rosto zangado e o alegre, a bofetada e a carícia. Mas percebe o leitor o que lhe diz, sem palavras - nos dois desenhos abaixo -

uma senhora que o visita em sua casa?

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Observemos: no desenho à esquerda ela ainda está com a bolsa

no colo. Sua atitude física diz: Ainda não estou à vontade! No desenho seguinte, já largou a bolsa no sofá. Com isto diz: já adquiri confiança no ambiente; já estou me sentindo à vontade!

(Pausa. Aplausos. Os autores são vivamente cumprimentados

pelo leitor.)

Faça, então, o leitor uma pausa na leitura. Torne a folhear, por um ou dois minutos, as páginas anteriores. Isto o ajudará a fixar mais conscientemente o que absorveu; as quatro partes da esfinge. (E que nos perdoe o uso de tão arcaico símbolo, mas como método

mnemônico ainda funciona melhor que dizer toda hora: Vida Instintiva e Vegetativa, Vida Mental, ou Consciência e Domínio etc. - não acham?) Depois ponha em prática o que aprendeu! Faça o que nós

fizemos. Observe.

À sua volta, a linguagem muda das atitudes corporais prossegue,

constantemente, com toda a eloqüência da própria Vida que fala das suas relações humanas. Mais adiante, encontrará pormenores, mas o importante é, agora, acostumar-se a observar.

Procure classificar dentro do esquema básico apresentado o que

se passa à sua volta! Trate de decifrar as suas esfinges e divirta-se!

Uma advertência: Você vai errar! Você descobre logo de início

duas pessoas, sentadas uma diante da outra, numa reunião social.

Estão descontraídas, mergulhadas em conversa mutuamente atraente.

Instintivamente cruzam e descruzam pernas, tomam diversas posições de braços e tórax, uma praticamente imitando a outra. Isto sem dúvida é sinal de simpatia entre ambas. E tem mais, quem primeiro modificar a posição (logo a seguir imitada pela outra) é o líder momentâneo da conversa.

Então você, surpreso e entusiasmado pela facilidade inicial com

que passa a perceber estes fenômenos, vai errar!

Aconteceu com o Roland, num coquetel muito concorrido de

inauguração de um Salão de Belas Artes. Ei-lo plantado firme diante de um quadro (dele, "por coincidência") quando uma bonita jovem a seu lado deixou cair o catálogo. Ele chegou a esboçar um início quase imperceptível do ato de abaixar-se, mas reprimiu-o logo e,

imediatamente, "descobriu" um pintor amigo do outro lado da sala.

Com expressão, de ter encontrado o Filho Pródigo, disparou naquela

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direção, fingindo não perceber o pequeno incidente.

Homem desinteressado naquela jovem a ponto de ser grosseiro!

Egocêntrico! Mal-educado!

Bem, na verdade houve o seguinte: ele chegou a murmurar entre

dentes para a jovem (que era a senhora dele) a palavra " calças", antes de agir daquela maneira. Porque estava estreando um par daquelas

calças modernas apertadas; ambos já haviam percebido uns estalos

em certas costuras estratégicas e simplesmente era por demais

arriscado abaixar-se!

Errar é natural; é errando que se aprende. Você está em terra

estranha; seu vocabulário é restrito; seus (e nossos!) conhecimentos da estrutura daquela linguagem são ainda poucos. A regra é: USE o que você sabe e não se preocupe com a perfeição impossível!

Você só não pode se arvorar em professor daquela língua ainda

estranha. Mas pratique alegremente que o resultado é certo! Você já sabe, pelo menos, que não convém tentar, digamos, vender um seguro para aquela senhora enquanto ela não largar a bolsa do colo!

CAPITULO 4

Análise de um Sorriso

A cabeça. - A imensa importância da região ocular. - Avançamos muito na nossa capacidade de análise: Já somamos e subtraímos pormenores simples para distinguir entre três sorrisos desagradáveis. -

Cinco a zero é o escore do sorriso que não encontrou oposição no seu próprio rosto.

ANÁLISE DE UM SORRISO

Então, de volta às nossas páginas? Esperamos sinceramente que

tenha aproveitado bem a pausa treinando a sua acuidade de

observador. Não se preocupe se pouco entendeu do que percebeu; o importante foi perceber conscientemente o que antes seus olhos apenas enviavam ao seu arquivo mental, sem cópia para o

Departamento de Pesquisa que você tem no seu interior "águia".

Você percebeu atitudes do corpo inteiro e certamente não

deixou de observar as expressões dos rostos. Retomemos então o nosso alegre estudo.

Na própria cabeça temos representados os três animais:

O boi, representado pela boca por onde entram os alimentos.

O leão, representado pelo nariz onde entra o oxigênio para os pulmões.

A águia, representada pelos olhos que são o espelho da mente.

A região ocular é de imensa importância expressiva; revela, como

todos sabem, a atitude da mente. Quem não é capaz de fazer uma

lista mais ou menos nestes termos?

Sobrancelhas abaixadas: concentração, reflexão, seriedade;

Sobrancelhas levantadas: surpresa, espanto, alegria;

Olhos brilhantes: entusiasmo, alegria; Olhos baços: desânimo,

tristeza.

Ou então algo parecido com isto quanto aos lábios:

Arqueados para cima: prazer, alegria, satisfação; Arqueados para

baixo: desprazer, tristeza, insatisfação; Em bico: dúvida, contrariedade, raiva.

Mas basta de enumerações enfadonhas! Que lista estranha,

banal, imprecisa! A bipolaridade prazer-desprazer parece lógica,

tendo-se em conta a oposição geométrica dos traçados sorriso-

muxoxo. Já outros casos parecem pouco claros. Tudo isto é muito vago, não é?

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Pois bem, é exatamente o que queremos transmitir ao leitor: só

com listas de palavras quase nada esclarecemos! A abundância de

expressões possíveis a qualquer rosto faz-nos sorrir das pobres

combinações convencionais de meros vinte e poucos caracteres

tipográficos.

VAMOS SORRIR?

Sorrir, como? Certamente não deste desenho; o que ali está

acontecendo é maldade! No entanto todos nele estão sorrindo, todos têm os cantos da boca em curva ascendente!

Analisemos. Qual é a característica principal da um sorriso, a sua nota dominante? Cantos da boca para cima?

Muito bem; então vamos marcar esse pormenor com um sinal

positivo (+). Mas vamos marcar também as outras características.

Usaremos o mesmo sinal (+), quando estiverem em harmonia com a

dominante. E marcaremos as discordantes com um sinal negativo (-).

A. Canto curva para cima: basicamente um sorriso.

B. Costas encurvadas; cabeça encolhida entre ombros: atitude

de animal à espreita de inimigo; agressividade.

C. Músculo orbicular das pálpebras contraído: observação

aguda, firme.

D. Lábios comprimidos: propósito firme.

E. Queixo apoiado nas mãos: espera firme, paciente,

desafiadora.

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Resultado: 4 negativos X 1 positivo, neste sorriso-maldade.

A. Meio sorriso unilateral.

B. Distensão do músculo orbicular mais contração do frontal:

surpresa mais desaprovação.

C. Músculos elevadores do lábio superior, zigomáticos, bucinador

e risórius em contração: amargura; de um só lado: amargura

temperada com senso de futilidade.

Resultado: 2,5 negativos X 0,5 positivo, neste sorriso-resignação.

A. Cantocurvo do sorriso básico.

B. Tórax salientado: orgulho, superioridade.

C. Maxilar inferior salientado: desaprovação, por ser combinado

com

D. músculo compressor do nariz contraído: desgosto (as

capacidades gustativa e olfativa são fisiologicamente interligadas).

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E. Orbicular contraído combinando com :

F: Frontal contraído para cima: censura

G. Tronco inclinado para trás: desaprovação.

Resultado: 6 negativos X 1 positivo, neste sorriso-desprezo.

Puxa! Não encontramos uma única harmonia para a dominante

sorriso-básico! Há um total geral de 12,5 sinais negativos discordando de apenas 2,5 sinais positivos do tema dominante "sorriso".

A esta altura, seria muito útil ao leitor tornar a ler esta análise.

Reconhecemos que é muita matemática em seguida; faça outra

pausa, feche o livro e dê uma volta lá fora se não estiver chovendo.

Mas, ao recomeçar a leitura, nosso pedido continua de pé.

Tomemos o mesmo rosto e o mesmo sorriso básico. Com a

cabeça melhor posicionada, o olhar claro, os lábios abertos e a mão não mais no queixo e, sim, oferecendo uma boa gorjeta; e estamos com 5 positivos X 0 negativos!

Quer compreender isto ainda mais claramente? Então tome um

pedaço de papel de seda, papel " vegetal" ou qualquer outro bem transparente. Com um lápis, decalque apenas a cabeça do desenho

acima.

A seguir, volte para a página 51 e ponha seu desenho por cima

do sorriso-maldade. Acerte a posição pelo nariz e canto da boca, e você notará melhor o que foi dito acima.

Aproveite para decalcar também o desenho do sorriso-maldade

impresso na página 51, e use a mesma técnica de estudo comparativo por superposição, colocando este novo decalque sobre o desenho do sorriso bom, ao alto desta página.

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CAPÍTULO 5

Harmonia e Desarmonia

Onde entra um breve estudo para piano, a dois dedos só. - O

leitor já percebeu a matemática da discordância do sorriso; a do piano é de oito versus nove! - O homem está psicofisiologicamente "afinado "

para sentir isso na música; por que não na linguagem do corpo?

Até aqui nos valemos dos nossos olhos para examinar a matéria

sob estudo. Usemos agora o ouvido em três simples experiências com um teclado sonoro.

Lá no fundo do nosso ouvido tem o caracol auditivo. Sua estrutura é tal qual a de um piano, mas incrivelmente miniaturizado e enrolado em espiral. Onde nosso piano ostenta umas vinte dúzias de cordas, nosso caracol tem cerca de 24.000. É tão menor que a tensão das

cordas de um piano comum teria de ser afrouxada numa proporção de 1 para 100.000.000, se ousássemos produzir um caracol auditivo artificial para transplante cirúrgico em séculos futuros.

Suas cordas mais finas, para a percepção dos sons mais agudos,

são mais curtas (coisa de um vigésimo de milímetro) do que as mais espessas, para os graves, que alcançam cerca de meio milímetro.

Assim as primeiras podem captar vibrações na freqüência de

20.000 vezes por segundo; à medida que avançamos caracol adentro, encontramos cordas cada vez mais longas, até chegar às que estão

afinadas para sons graves de 16 ciclos por segundo. Isto representa uma amplitude de umas 12 oitavas (um piano de concerto tem apenas de 7

a 7 e meia oitavas).

Hoje em dia já é menos usual ter piano em casa. Mas tem no

clube, ou nas lojas musicais; e o leitor não precisa saber tocar piano para fazer as experiências que passamos a descrever:

Primeiro, localize a tecla dó. É fácil de achar; bem no meio do teclado. É a tecla branca à esquerda de um grupo de duas pretas.

Toque-a.

Aquele som vibrará 261 vezes por segundo.

A seguir suba uma oitava (conte oito teclas brancas à direita,

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incluindo na contagem a que tocou). Eis o seguinte, mais agudo.

Toque-o.

Vibrará 522 vezes por segundo.

Agora a primeira experiência:

Toque as duas teclas descritas, ao mesmo tempo!

Você acaba de obter um acorde perfeito: um som muito puro e

agradável. Mas repare no aspecto matemático: 522 é o dobro exato de 261!

Vamos à segunda experiência:

Toque, simultaneamente, o e o mi (o mi é a 32 tecla à direita, contando o como primeira).

É outro acorde agradável!

Qual a proporção matemática? As vibrações agora são 261 e

328.88, ou seja, na proporção de 4 para 5!

(Para não nos afastar muito do nosso tema principal: o boneco

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representa o leitor depois da segunda experiência; acaba de descobrir que dá para pianista e o expressa pela linguagem da sua atitude

corporal!)

E a terceira e última experiência?

Toque, ao mesmo tempo, as duas teclas adjacentes e (basta um dedo só, bem no risco que divide uma da outra).

Não gostou? Pois é, juntou 261 com 292.98 ciclos por segundo;

dois números na proporção de 8 para 9. Juntamos dois sons

discordantes entre si.

Lá dentro do seu ouvido interno, grupos microscópicos de fibras

de tecido conjuntivo vibraram em uníssono com as cordas do piano. A sensação foi transmitida pelos nervos para o cérebro e você tomou conhecimento de algo desagradável na experiência número 3,

enquanto os sons ouvidos na experiência número 1 e na número 2

contaram com a aprovação consciente do seu EU. Você estava de acordo com os acordes!

Acabamos de demonstrar um fato: o ser humano está

fisiologicamente "afinado" para distinguir entre harmonia e desarmonia.

A ciência registra, de fato, essa verdade psicofisiológica no

campo da percepção humana. Se duas notas musicais vibram ao

mesmo tempo sem que sua freqüência corresponda a proporções

matemáticas simples (como 1:2 ou 4:5), o Homem registra essa vibração como discordante!

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Quanto às freqüências que usamos em nossa experiência,

cumpre registrar que estas não estão ainda universalmente

padronizadas; assim o de Hãndel era de 504 cps, mas o Covent Garden Opera House, em 1876, chegou a adotar 540 - quase um

semitom mais agudo; 522 cps está mais de acordo com a presente

cultura ocidental.

Seja qual for a freqüência dominante, costuma-se dividir uma

oitava em doze semitons, que são divididos em proporção fixa entre si, por conveniência prática.

Teríamos uma proporção matemática muito mais pura, utilizando

a chamada escala diatônica (1, 9/5, 5/4, 4/3, 3/2, 5/8, 15/8, 2.), mas não se presta muito ao uso na prática, pois as notas emitidas seriam

diferentes ao mudarmos de tônica (a nota aqui simbolizada pelo 1).

Daí, a proximação baseada num teclado real que usamos em

nossas experiências 2 e 3; os valores 4 x 5,04 e 8 x 9,01 seriam mais corretos para os acordes citados, mas o nosso ouvido "perdoa" e aceita bem a diferença centesimal - talvez por avidez de harmonia num

mundo dissonante!

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CAPÍTULO 6

Comportamento Interpessoal

Comportamento interpessoal: Já vamos aplicar numa reunião

social aquelas continhas simples que fizemos no faroeste sorridente e no piano de cauda. - O leitor dá outro passo importante à frente; se braço, nariz ou mão é letra, o conjunto forma palavra!

COMPORTAMENTO INTERPESSOAL

As "letras" que formam as "palavras"

Apresentamos a Você, leitor, as nossas desculpas, se lhe pareceu

que saímos demais do assunto. Quem sabe quantas atitudes corporais você observou durante aquela pausa? Talvez algo assim?

E nós, em vez de elucidarmos suas observações, levamos você

primeiro a uma cena de faroeste e, depois, a um piano!

Então está bem; vamos examinar sucintamente este desenho.

Comecemos por estudar, individualmente, cada pessoa representada.

HARMONIA E DESARMONIA Vamos, primeiro, definir isso?

Harmonia é disposição bem ordenada entre as partes de um todo; concórdia; concordância.

Desarmonia é má disposição das partes de um todo; discordância.

E agora, mãos à obra: vamos analisar cada pessoa como se fosse

uma palavra e quiséssemos saber de que letras ela é composta.

a) A mulher de pé, à esquerda. Está "de pé atrás".

Nela, quase tudo harmoniza - concorda - com esta atitude

(repare a palavra atitude que tanto tem significado físico como psicológico)!

O corpo inclinado para trás: recuo, rejeição, afastamento!

Um braço permanece cruzado diante do tórax; defende a região

" leão" do sentimento do EU: não-aceitação no plano emotivo. '

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O outro braço, de mão fechada, leva o cigarro o mais para trás

possível; atitude de quem não quer ceder um objeto que ali segura, ou até mesmo arremessá-lo, enquanto recua, sobre um agressor: recuo sob protesto.

A cabeça em recuo, e de " nariz levantado", confirma," em águia", a desaprovação no nível do pensamento consciente.

Contudo, mostra um sorriso (" seco"; apenas os músculos bem próximos da abertura oral entraram em jogo).

Conclusão óbvia: é um sorriso por educação; a linguagem

básica, que é a do corpo, não harmoniza com que o sorriso tenta dizer.

Se marcarmos "positivo" (+), ou melhor, "mais ou

menos" (±) a mensagem "oficial" - transmitida voluntariamente, "de caso pensado" - temos que marcar todo o resto em oposição, com sinal negativo (-).

Observe - todo o resto harmoniza entre si, porque é tudo negativo.

b) O homem, de pé diante dela. Gosta de si mesmo. Nele, sim, tudo diz: auto-satisfação, auto-aprovação!

Posição de firmeza e início de avanço nas pernas: confia em si próprio, "sabe onde pisa".

Tórax em evidência: sente a sua própria importância. Até os dedos das mãos apontam "o leão".

Cabeça: atitude de quem "está por cima" (combinando com o tórax: orgulho).

Procure notar isto na ilustração, que está na página seguinte.

Este, sim, podemos rodear de símbolos "positivos" (+), ou seja, concordantes com a mensagem conscientemente expressa. Tudo, ali,

afirma o EU.

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c) O homem sentado. Está interessado na mulher. Sua atitude expressa ação, totalmente voltada para ela (Desenho na página 67).

O tronco, avançado para a frente, diz: quero avançar.

A cabeça, idem.

Pernas cruzadas, desembaraço; um dos pés avança para ela.

A mão direita apóia-se no símbolo de desembaraço citado; isto também acontece com o cotovelo esquerdo.

A mão esquerda como que afasta o copo impacientemente da

sua frente: está interessado na oponente e não na bebida!

Simboliza também esconder o seu próprio rosto de terceiros - não quer que ninguém se meta na conversa!

Também nesta figura, podemos assinalar pontos positivos - tudo

concorda entre si, numa óbvia demonstração de sinceridade de

propósito.

d) A mulher sentada. Está

adorando a situação. Aceita a liderança do seu parceiro. Gosta

do que está acontecendo (Desenho na página 68).

O corpo inclinado para trás, mas não retesado como na mulher

a) e sim "relax", descontraído, apoiado no espaldar da cadeira, diz:

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aceitação, concordância.

As pernas, também cruzadas, espelham a posição das do seu

parceiro, mas de forma mais branda (Apostamos que ela adotou essa posição logo em seguida à dele!). Aceitação, concordância.

Mostra as palmas das mãos para cima: Aceitação,

concordância. Segundo Dr. A.E. Scheflen, um dos cientistas que estuda essa matéria: "Sempre que uma mulher mostra a palma da mão, está cortejando você - quer ela o saiba ou não".

Isto, em sentido lato; procura - ou concorda com - um encontro,

um parceiro, mesmo que a intenção seja apenas o prazer de uma

comunicação verbal agradável.

A cabeça - ora, o leitor já tem prática bastante para reconhecer