O Gato por Carlos da Terra - Versão HTML

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Junho 2012

Inverno brasileiro

O gato Carlos da Terra

© 2011 de Carlos da Terra

Foto da capa: Photopront

Terra, Carlos da

O Gato/Carlos da Terra - São Paulo

1- literatura Contos Romances

mistério, ficção, espiritualidade

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Nenhuma parte desta obra poderá ser reproduzida, copiada, transcrita ou mesmo transmitida por meios eletrônicos ou gravações sem a permissão, por escrito, do autor. Os infratores serão punidos pela Lei nº 9.610/98

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O gato Carlos da Terra Eu nunca gostei muito de gatos!

Não é que não gostasse nada; até

gostava um pouco! Mas a minha preferência

esteve sempre com os cães e os cavalos.

Ludmila não!

Ela tinha adoração por gatinhos e

cuidou deste aqui, que está à minha frente,

ronronando e se esfregando nos meus pés. Ele

me faz afagos tão meiga e graciosamente como

se fosse a própria Ludmila, quando me afagava

os cabelos.E foi numa destas noites, assim com

esta penumbra que hoje invade minha grande

e solitária sala de jantar, que Ludmila

desapareceu misteriosamente.

Simplesmente ela sumiu, como se

fosse uma brisa etérea, frágil, pouco espessa,

das imediações do lago que existe em volta de

nossa triste e enorme casa, que abriga, hoje,

tão somente eu e esta gata, que justamente

após o desaparecimento de Ludmila, eu passei

a chamar de Brisa!

Tudo aconteceu tão depressa que,

talvez, nunca se possa compreender certos

fenômenos ligados, muito mais à nossa

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O gato Carlos da Terra efêmera existência do que aos conhecimentos

da douta ciência. Muitos fatos negados pela

ciência, persistem a nos incomodar, muito

embora não possam ser provados e mostrados

para outras pessoas. No entanto, repito, estão

por aí a nos incomodar e intrigar, preenchendo

a lacuna entre um e outro universo de

verdades. Gosto de deixar as luzes sempre

apagadas, neste aposento, onde ela e eu

conversávamos até tarde da noite, como eu

disse, na penumbra. Gostávamos de falar sobre

o destino de nossas almas.

E havia, como ainda há, uma fresta

na cortina da janela por onde passa uma nesga

de luar e que fazia o rosto de Ludmila brilhar e

revelar sua beleza sóbria.

Curiosamente a gata Brisa coloca sua

cor de ébano sob esse raio e por vezes, perdoa-

me meu Deus, tenho a nítida impressão de

estar com Ludmila.

Mas como isso seria possível? É um

delírio provocado pela saudade, certamente!

Desde o misterioso desaparecimento

dela, esse gato cor de ébano, me olha

O gato 4

O gato Carlos da Terra profundamente, como se estivesse policiando

meus movimentos.

Não sei o que se passou, mas agora

ela entende tudo o que lhe digo e faz

exatamente as coisas que eu lhe peço.

E foi numa dessas noites solitárias

que eu comecei a conversar com ela, demorada

e pausadamente, com os olhos semicerrados,

quando ela começou a circular e foi, meu Deus,

caminhar lentamente sobre as teclas do piano

aberto desde a partida de minha doce Ludmila.

Meus conhecimentos não me

permitem saber mas posso jurar que ouvi,

nitidamente como ouço agora os pingos dessa

chuva, a melodia de um clássico de Chopin, que

Ludmila adorava tocar, justamente em noites

como esta.

Brisa, a gata, já não me abandonava

por um segundo sequer e se eu a colocasse

para fora do aposento e fechasse as portas, ela,

invariavelmente, estaria deitada, no meio da

porta, quando eu a abrisse.

Peguei o retrato de Ludmila, um óleo

de Baldon, e imediatamente Brisa começou a

miar ininterruptamente, até que eu pendurasse

novamente o retrato na parede.

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O gato Carlos da Terra Achei que poderia ser uma estranha

coincidência e resolvi fazer um pequeno teste.

Por mais de dez vezes consecutivas

eu alternei períodos de segurar o retrato com

largar o retrato na parede ou mesmo sobre o

piano.

Fiquei abismado.

Pode-se dizer que o resultado é

matemático, com o rigor dessa disciplina, que

enquanto o retrato estava em minhas mãos o

miado ininterrupto enchia a escura sala e ao

olhar para Brisa eu via, inequivocamente, o

rosto de Ludmila mas, assim que eu largava o

retrato o miado era interrompido e um silêncio

mórbido enchia a plúmbea sala.

Um pavor lúgubre se apossou de

minha pobre alma!

Ao olhar fixamente para Brisa, ela

também se fixou em meu olhar e eu vi os dois

riscos verticais de seus olhos, transformarem-

se, de modo mágico e impressionante, em duas

pupilas azuis, idênticas às de minha saudosa

Ludmila.

As orelhas da gata, imóveis, me

assombravam e meu coração começou a bater

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O gato Carlos da Terra descompassadamente, enquanto a sala se

tornava mais escura.

De repente Brisa levantou-se

abruptamente e de modo ameaçador, colocou-

se em pé, com as quatro patas estiradas e

saltou sobre minha cabeça.

Rapidamente peguei o ferro da

lareira que estava ao meu alcance e acertei um

duro e mortal golpe em Brisa, que caiu

desfalecida, morta!

Ainda tenso ouvi um ruído breve e

olhando um pouco acima, na direção do salto

de Brisa, eu pude ver um camundongo

perambulando sobre alguns livros.

Imediatamente compreendi a

situação e o remorso se me apossou da alma,

quando ouvi o rinchar das dobradiças da porta

da frente. Senti um forte vento frio, quase

gelado e em meio à uma densa brisa

esfumaçada, eis que surge, sorrindo

tenuamente, minha doce Ludmila.

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