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O Highlander Imortal por Karen Marie Moning. - Versão HTML

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Karen Marie Moning

Highlander 6

O nome de Adam Black significa problemas, é um imortal (Fada Macho) infernalmente atraente e um grande

sedutor com capacidade de deslocar-se através do tempo a seu bel prazer. Mas repentinamente sua

imortalidade lhe é arrebatada por sua rainha como castigo e somente um ser humano pode salvá-lo, uma

mulher, que é a única que pode vê-lo e que descende de uma longa estirpe de videntes.

Gabrielle O'Callagham é uma estudante de direito que possui a habilidade de ver o mundo das fadas.

Quando conhece Adam Black, a única coisa que sabe é que sua vaidade deveria sofrer um bom golpe e recusa

todas as suas tentativas de sedução, já que tem medo que ele possa machucá-la.

Adam se nega a forçá-la, mas fará o impossível para meter-se em sua cama e deixar-lhe uma recordação

inesquecível.

De modo que não importa o que Gabby faça para evitá-lo, Adam está em todos os lugares, invisível para

todos menos para ela. Persegue-a em todos os cantos, murmurando em seu ouvido, alterando-a com sua

sensualidade e prometendo-lhe um prazer inimaginável entre seus braços.

Adam deseja recuperar sua imortalidade e todos os seus poderes, mas o preço que deverá pagar para obter os

seus poderes poderia, inclusive, ser a vida de ambos.

Disponibilização em espanhol: Gillean K.

Tradução/Revisão inicial: Néia

Revisão Final: Karina

Formatação: Gisa

PROJETO REVISORAS TRADUÇÕES

Highlander 06

Maldição , está bem sou eu.

*ADAM BLACK, SENDO ADAM BLACK

Tuatha Dé Danaan: (tua day dhanna)

Uma raça muito avançada de seres imortais que se instalaram na Irlanda milhares de guerras antes do

nascimento de Cristo. Foram chamados por muitos nomes: Filhos da Deusa Danu; a Raça Verdadeira; os

Nobres de Nascimento; as Daoine Sidhe; ainda que eram mais comumente chamados os Fae, ou Fadas. Ainda

que com freqüência são retratadas como umas criaturas brilhantes e finas, de tamanho diminuto, que

exudam bom humor e sentem uma inclinação para as travessuras amáveis, os verdadeiros Tuatha Dé

Danaan não são nem tão delicados, nem tão benévolos.

dos Livros DE O'CALLAGHAN sobre as Fadas

Adam Black:

Tuatha Dé Danaan. Um malandro até entre os de sua própria espécie. Seu favorecedor encanto é o de

um ferreiro das Highlands sumamente sexual, com um corpo poderosamente ondulado, pele dourada, cabelos

longos e olhos escuros e hipnotizadores, muito inteligentes, letalmente sedutores. Alega ter quase rompido O

Pacto não em uma, mas em duas ocasiões. Ele é, pelo menos, o mais perigoso e imprevisível de sua raça.

ADVERTÊNCIA: EXERÇA EXTREMA PRECAUÇÃO EM SUA PRESENÇA.

EVITE O CONTATO A TODO CUSTO.

— dos Livros DE O'CALLAGHAN sobre as Fadas

Londres, Inglaterra

Prólogo

Adam Black estava de pé na câmara central das catacumbas de pedra sob o Edifício de

Belthew, observando enquanto Chloe Zanders tropeçava a procura de seu amante das Highlands,

Dageus MacKeltar.

Chorava como se sua própria alma estivesse sendo destroçada. Incessante e perfurador, seu

pranto bastava para partir a cabeça de um Tuatha Dé.

Ou de um humano, na verdade, pensou enigmaticamente.

Já estava cansado de seus constantes gemidos. Ele tinha seus próprios problemas. Grandes

problemas.

Aoibheal, a rainha de Anatolia Dé Danaan, finalmente havia cumprido suas ameaças

longamente ouvidas de castigá-lo por sua contínua interferência no mundo dos mortais. E havia

escolhido o mais cruel de todos os castigos.

O despojou de sua imortalidade e o converteu em humano.

Deu uma rápida olhada em si mesmo e se aliviou por comprovar que ao menos o havia

deixado com seu favorecedor encanto: o tipo de ferreiro irresistivelmente atrativo, musculoso e de

cabelos escuros, uma mistura milenar entre um celta continental e um guerreiro das Highlands,

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Highlander 06

adornado com o tartán, braceletes e o torque. Em certas ocasiões tinha se metido em coisas, corpos

que não suportariam a luz do dia adequadamente.

Seu alívio, no entanto, foi efêmero. Também, que importância tinha se se parecia a si mesmo

e possuía a sua aparência? Era humano, pelo amor de Deus! Carne e sangue. Limitado. Débil.

Finito.

Blasfemando selvagemente, observou a mulher que soluçava. Mal podia ouvir a si mesmo

pensar. Talvez se lhe informasse que Dageus não estava morto, ela se calaria. Tinha que encontrar

uma saída para essa intolerável situação, e rápido.

- Seu amante não está morto. Cessa o seu choro, mulher -, ordenou imperiosamente. Ele sabia

isso. Aoibheal o obrigou a dar de sua própria essência de vida imortal para salvar a vida do

Highlander.

Sua ordem não teve o efeito esperado. Ao contrário, justo quando esteve seguro de que ela

não poderia chorar com mais força – e como uma criatura tão pequena podia fazer um ruído tão

grande escapava a sua compreensão – seus tímpanos recém adquiridos foram expostos a um

gemido que se intensificou exponencialmente.

– Mulher, contenha-se! – rugiu, tapando seus ouvidos com as mãos. – Disse que ele não está

morto.

Mesmo assim, ela seguiu chorando. Nem sequer olhou em sua direção, como se ele nada

tivesse falado. Furioso, ele rodeou o monte de lixo que sujava a câmara - escombros da batalha

que ali aconteceu, há um quarto de hora antes, entre Dageus MacKeltar e a seita dos Druidas de

Draghar, a batalha na qual ele nunca deveria ter interferido - e se dirigiu com passo majestoso

para seu lado. Sua intenção era agarrá-la pela nuca e alçar-lhe o pescoço para forçá-la a olhá-lo e

obrigá-la a se calar.

Sua mão se deslizou diretamente através da parte detrás de seu crânio, e saiu pelo nariz.

Ela nem sequer piscou. Somente deu um soluço, e chorou novamente.

Adam se manteve de pé imóvel por um momento, e depois tentou outra vez, levando uma

mão em direção a um de seus seios. Sua mão passou através de seu coração e da omoplata

esquerda.

Arremeteu novamente, enquanto as asas da inquietude se espalhavam por seu estômago

demasiado humano.

- Por Danu, Aoibheal, não faria isso – Seus olhos escuros se estreitaram até converterem-se em

rachaduras.

Ou faria?

Apertou a mandíbula, e tentou outra vez. E novamente sua mão escorregou pelo corpo de

Chloe Zanders.

Cristo , ela tinha feito! A cadela!

A rainha não só o converteu em humano, mas o amaldiçoou com o tríplice poder do féth fiada!

Adam sacudiu a cabeça incrédulo. O féth fiada era o sortilégio que sua raça usava quando

queria andar entre as pessoas sem serem descobertos. Um Tuatha Dé normalmente invocava só

uma das facetas mais potentes do triunvirato – a invisibilidade. Mas também se podia dotar o

sujeito da impossibilidade de que os humanos o ouvissem ou o sentissem. O féth fiada era um

instrumento útil se o desejo fosse misturar-se com as pessoas sem ser observado.

Mas ser amaldiçoado com ele permanentemente? Ser incapaz de escapar disso?

Aquele pensamento era horrível demais para entreter-se nele.

Torque: colar pesado, com um trabalho de trançado de cobre e ouro. Possuem diversas decorações, a base de motivos vegetais. Eram um símbolo de alta classe. Possuíam um significado religioso, aos deuses celtas, os representa luzindo-os ou sustentando-os.

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Highlander 06

Fechou os olhos e explorou em sua mente para examinar o espaço/tempo, e regressar a Ilha

Fae de Morar. Não se preocupou com o que a rainha poderia estar fazendo, nesse momento, em

seu Salão Real; ela tinha que desfazer isto de imediato.

Não aconteceu nada. Permaneceu exatamente onde estava.

Tentou outra vez.

Não sentiu nenhuma sensação rápida de levitude, nada do torvelinho repentino que essa

liberdade embriagadora e invencibilidade que sempre sentia quando cruzava as dimensões.

Abriu os olhos. Ainda estava na câmara de pedra.

Uma careta cruzou seus lábios. Humano, amaldiçoado, e sem poderes? Excluído do reino

Fae? Sacudiu sua cabeça para trás, afastando seu longo e escuro cabelo da cara.

– De acordo. Aoibheal, já entendi. Agora, regresse-me.

Não houve resposta. Nada, a não ser os sons dos intermináveis soluços da mulher, que

retumbavam na fria câmara de pedra.

– Aoibheal, está me ouvindo? Disse, já compreendi. Agora, devolva os meus poderes.

Continuou sem obter resposta. Ele sabia que ela o escutava, permanecendo em uma

dimensão só um pouco mais além do reino humano. O olhava, saboreava sua incomodidade.

E... esperava uma atitude de submissão, reconheceu ele de maneira sombria.

Um músculo palpitou em sua mandíbula. A humildade não era, e nunca seria, seu ponto

forte.

De todos os modos, se suas opções eram humildade ou humanidade – e amaldiçoado e sem

poderes, para mais castigo – mostraria tanta humildade que se afogaria nela.

– Minha rainha, tinha razão e eu estava equivocado. Observai, posso dizê-lo.

Ainda que a mentira lhe deixou um gosto amargo na boca, acrescentou, – e juro que nunca

voltarei a desobedecê-la.

Ao menos não até estar seguro de estar nas graças dela outra vez.

– Perdoe-me, Rainha das mais Formosas -. Certamente ela o perdoaria. Sempre o fazia.

– Sou seu mais humilde e amante servidor. Oh, Rainha gloriosa.

Estava exagerando muito? Se perguntou ansiosamente quando o silêncio se prolongou.

Notou que havia começado a golpear o chão com o pé de uma maneira muito humana. Pisou forte

para obrigar-se a parar. Ele não era humano. Ele não era nem um pouco como eles.

– Está me ouvindo? Pedi perdão – resmungou.

Esperou uns momentos mais e suspirou. Apertou os dentes e caiu de joelhos. Todo mundo

sabia que Adam Black detestava ajoelhar-se por algo ou por alguém.

– Exaltada líder da Raça Verdadeira -, murmurou na antiga e raramente usada língua dos de

sua raça – Salvadora dos Danaan. Peço a graça e a glória do trono -. Palavras rituais, antigas e de

modos corteses, mostravam sua mais completa e absoluta reverência. E o ritual exigia que ela

respondesse.

Mas a cadela não o fez.

Ele – que nunca sofreu antes o passar do tempo – agora o sentia intensamente ao ver que

aquela farsa se alongava tanto.

– Maldita seja, Aoibheal, responda-me! -, bradou de fúria golpeando seus pés.

– Devolva meus poderes! Faça-me imortal outra vez!

Nada. Passou o tempo.

Uma prova, assegurou a si mesmo. Só se trata de uma prova, para ensinar-me uma lição.

De um momento para o outro ela apareceria. O repreenderia. Lhe passaria uma conta

mordaz de suas muitas transgressões. Ele a saldaria com a cabeça, prometendo não voltar a fazê-lo

nunca mais, e tudo estaria bem. Exatamente como nas mil outras vezes que ele a havia

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Highlander 06

desobedecido ou a havia feito se aborrecer.

Uma hora mais tarde, nada estava bem.

Duas horas mais e Chloe Zanders se havia ido, deixando-o só nas tumbas silenciosas e

poeirentas. Quase sentia falta do seu choro. Quase.

Trinta e seis horas mais tarde e seu corpo tinha fome, sede, e – algo praticamente

incompreensível para ele – estava cansado. Os Tuatha Dé não dormiam. Sua mente, geralmente

muito rápida e incisiva, estava bloqueada, inativa, apagando-se sem seu consentimento.

Inaceitável. Maldito seria se alguma parte de seu corpo fizesse algo assim sem seu

consentimento. Nem sua mente nem seu corpo. Nunca havia acontecido nem aconteceria. Um

Tuatha Dé tinha sempre o controle. Sempre.

Seu último pensamento antes de ficar inconsciente foi que estava sangrentamente seguro de

que preferia ser qualquer outra coisa: ser encarcerado em uma montanha por umas poucas

centenas de anos, convertido em um monstro marinho pegajoso com três cabeças, obrigado a

comportar-se e jogar na estúpida corte outra vez durante um século ou dois.

Tudo menos... algo... asquerosamente... pateticamente... incontrolável... hum...

Capítulo 1

Cincinnati, Ohio

VÁRIOS MESES MAIS TARDE

Verão. Grabielle O’Callaghan cismava – que sempre foi sua estação favorita – este ano fedia

completamente.

Abrindo seu carro, entrou e tirou seus óculos de sol. Encolhendo seus ombros dentro do

paletó, esticou os pés e lentamente respirou profundamente várias vezes. Se sentou e tirou uns

momentos para recuperar-se, depois retirou o elástico do cabelo para dar-se uma massagem no

couro cabeludo.

Estava sentindo o começo de uma de suas enxaquecas assassinas. E suas mãos ainda tremiam.

Esteve muito perto de descobrir-se diante de um Fae.

Não podia acreditar que pudesse ser tão estúpida, mas, por Deus! Este verão havia muitos

deles! Não viu uma fada em Cincinnati há anos, mas agora, por alguma estranha razão, havia

quantidade deles.

Como se Cincinnati fosse alguma espécie de lugar fantástico onde passar o tempo – poderia,

por acaso, uma cidade ser mais aborrecida? – Qualquer que fosse a desafortunada razão por que

haviam escolhido ir aos Três Estados, apareceram em massa no princípio de junho e, haviam

conseguido arruinar-lhe o verão desde esse momento.

E fingir que nunca os via não ficava mais fácil a medida que passava o tempo. Com seus

corpos perfeitos, sua aveludada pele dourada, seus olhos brilhando iridescentes, era muito difícil

não percebê-los. Extremamente charmosos, impossivelmente sedutores, destilando poder puro, os

varões eram uma verdadeira tentação ambulante para uma garota com ela.

Bruscamente sacudiu a cabeça para interromper esse pensamento traidor. Havia sobrevivido

todo esse tempo e maldita fosse se ia permitir-se relaxar agora e terminar atraída por uma dessas

eróticas – exóticas, se corrigiu impaciente – criaturas.

Região formada pelos territórios correspondentes aos estados de Indiana, Ohio e Kentucky nos EEUU.

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Highlander 06

Mas as vezes era tão difícil não olhá-los. E duplamente difícil era não reagir. Especialmente

quando a pegavam com a guarda baixa como havia acontecido na última vez.

Estava almoçando com Marion Temple, a sócia mais antiga da firma de advogados – Temple,

Turley e Tucker -, num restaurante de primeira no centro da cidade. Era um almoço de importância

vital uma vez que, durante este almoço, estava sendo entrevistada para ver a possibilidade de

obter uma posição como pós-graduada.

Como futura estudante do terceiro ano do curso de Direito, Gabby conseguiu um trabalho de

verão na Little & Staller, uma firma local de advogados especializados em temas de lesões pessoais.

Apenas dois dias de trabalho bastaram para dar-se conta de que não estava apta para representar

a agressivos e avarentos litigantes de negligências médicas, que estavam firmemente convencidos

de que suas pequenas lesões valiam pelo menos um milhão de dólares.

No outro extremo deste aspecto legal estava a Temple, Turley e Tucker. A firma mais

prestigiada da cidade, que atendia só aos clientes mais desejados, especializada em direito

mercantil e de sucessões. Os casos criminais que eles representavam eram selecionados

cuidadosamente, devido a sua notoriedade, e somente escolhiam aqueles que permitiam firmar

precedentes. Aquilo fazia a diferença no mundo, protegendo os direitos fundamentais e os que

tratavam de evitar as injustiças intoleráveis. E esses eram os casos que ela queria pegar. Ainda que

tivesse que trabalhar como escrava durante anos, realizando investigações e servindo café para

consegui-lo.

Estivera toda a semana estressada, antecipando-se a entrevista, com a certeza de que a TT&T

só contratava os melhores. Sabendo que competia com dezenas de seus próprios companheiros de

classe, sem mencionar a dúzias mais de estudantes de leis do resto das faculdades de direito ao

redor de todo o país, numa feroz concorrência para obter a única vaga. Sabendo que Marion

Temple tinha a reputação de exigir nada menos que a mais alta sofisticação e perfeição

profissional.

Mas graças às horas de agressivas práticas de entrevistas e enérgicos discursos que lhe deu

sua melhor amiga, Elizabeth, Gabby estava tranqüila, composta e em plena forma. A distante

senhora Temple ficou impressionada com seus feitos acadêmicos, e Gabby teve a sensação de que

a empresa tinha a disposição de contratar a uma mulher (podendo ser devido ao cuidado que se

tinha que ter com o tema das estatísticas de igualdade de oportunidades trabalhistas), o que a pôs

na frente da maior parte dos competidores. O almoço foi perfeito, até o momento em que

abandonaram o restaurante e saíram à Quinta Avenida.

Enquanto a senhora Temple lhe estendia esse fundamental convite para uma segunda

entrevista no próprio escritório dos sócios (o que não teria ocorrido a menos que a firma estivesse

considerando seriamente fazer-lhe uma oferta para o posto. Maravilha das maravilhas!) um sexy e

musculoso fada macho passou caminhando com graça justo entre elas, com essa exasperante

arrogância de Sou tão perfeito, ou Não pense sequer em desejar estar onde estou, que eles possuíam,

passando tão perto que seus largos e dourados cabelos roçaram a face de Gabby, com a delicada

sensualidade da seda.

A intoxicante fragrância de jasmim e sândalo a envolveu, e o calor que irradiava seu

poderoso corpo a acariciou como uma sufocante e erótica brisa. Tomou cada milímetro de sua

considerável auto-disciplina não dar um passo atrás e colocar-se em seu caminho.

Ou pior ainda – render-se a incessante tentação de somente acariciar gentilmente a dourada e

esplendorosa criatura. Quantas vezes havia sonhado em fazer isso? Saber por fim como era ao tato

uma das proibidas fadas. Averiguar finalmente se essa dourada pele de fada era tão aveludada

como se via.

Nunca deve expôr-se mostrando-lhes que pode vê-los, Gabby.

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Highlander 06

Completamente fora de si devido a proximidade do fada, sua mão repentinamente frouxa

soltou o copo plástico com café gelado que havia pedido no restaurante. Golpeou a calçada, a

tampa soltou-se de cima, e o café explodiu para todos os lados, ensopando a impecável senhora

Temple.

Nesse preciso instante, o fada deu a volta para olhá-la, seus iridescentes olhos entrecerrados.

Aterrorizada, Gabby centrou toda a sua atenção na senhora Temple que gaguejava seu

assombro. Com um entusiasmo próximo à histeria, tirou lenços de sua bolsa e, freneticamente,

tratou de secar com eles as manchas de café que já estavam maiores que antes, na roupa de cor

marfim da qual tinha a enferma sensação que custava mais do que ela ganhava em um mês.

Balbuciando em voz alta a grosseria que havia feito, desculpando-se e jogando toda a culpa

no fato de ter comido em excesso, de não estar acostumada a usar saltos, de estar nervosa pela

entrevista, em questão de segundos desmanchou completamente a imagem de distinção e

segurança em si mesma que conscientemente havia projetado durante o almoço.

Mas não tivera alternativa.

Com o propósito de fazer o fada acreditar que não o havia visto, de que ela era simplesmente

uma humana rude, nada mais, tivera que atuar como uma completa estúpida e arriscar-se a

sabotar sua credibilidade frente a sua futura empregadora.

Sabotar-se, tinha-o feito.

Afastando com um empurrão as frenéticas mãos de Gabby, que ainda a esfregavam, a

senhora Temple alisou seu arruinado traje. Com petulância se encaminhou para o carro e fazendo

uma pausa, fez um gesto rígido e depreciativo, disse por cima do ombro.

Tal como lhe disse antes, senhorita O’Callaghan, nossa empresa trabalha somente com

clientes da mais alta hierarquia. Podem ser exigentes, excessivos e temperamentais. E

incompreensíveis também. Quando há milhões em jogo, o cliente tem todo o direito de esperar o

melhor. Nós da Temple, Turley e Tucker estamos orgulhosos de sermos imperturbáveis ao

estresse. Nossos clientes exigem um trato suave e sofisticado. Francamente, senhorita

O’Callaghan, você é muito nervosa e excit{vel para ter êxito em nossa empresa. Estou segura que

encontrará um trabalho mais apropriado em outro lugar. Bom dia, senhorita O’Callaghan.

Sentindo-se como se alguém tivesse dado socos em seu estômago, Gabby observou em

compungido silêncio enquanto a senhora Temple aceitava o seu imaculado Mercedes das mãos do

guarda, vendo de soslaio que o fada, graças a Deus, seguia seu caminho. Enquanto o Mercedes de

cor pérola se introduzia na Quinta Avenida e desaparecia entre o tráfico, - o trabalho de seus

sonhos se perdia atrás de seu escapamento – os ombros de Gabby se afundaram. Com um ruidoso

suspiro deu a volta e caminhou pesadamente rua abaixo até a esquina donde os simples

estudantes de leis não destinados ao êxito por serem demasiados nervosos, podiam permitir-se

estacionar.

Nervoso, meu traseiro – murmurou, apoiando a cabeça no volante. – Não tem nem idéia de

como é a minha vida. Você não pode vê-los!

Tudo o que a senhora Temple provavelmente havia sentido era uma leve brisa, um aumento

moderado da temperatura, talvez houvesse capturado o hálito de um aroma exótico, de uma

excitante fragrância. E se, por casualidade, um fada a roçasse – já que, ainda que fossem invisíveis,

eram reais e verdadeiramente estavam ali – a senhora Temple o teria racionalizado de alguma

maneira. Aqueles que não podiam ver aos Fae sempre o faziam.

Gabby havia aprendido do modo mais difícil que muitas dessas pessoas tinham tolerância

zero ao inexplicável. Nunca deixava de assombrá-la as débeis desculpas que davam para proteger

sua percepção da realidade. Ups, suponho que não dormi o suficiente à noite ou Raios! Não deveria ter

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Highlander 06

tomado essa segunda (ou terceira, ou quarta) cerveja com o almoço. Se tudo o mais falhava, então se

conformava com um simples, devo tê-lo imaginado.

Quanto sentia a falta dessa inconsciência!

Sacudiu a cabeça e tratou de consolar a si mesma com o pensamento de que, ao menos, o

fada se havia convencido e ido embora. Estava a salvo. Pelo menos por agora.

Da forma em que via Gabby, os Fae eram os responsáveis por noventa e nove porcento dos

problemas de sua vida. Ela era a responsável do um porcento restante, mas eles eram a razão de

que sua vida nesse verão fosse de uma crise à outra. Eles eram a razão pela qual estava começando

a temer sair de sua casa, sem nunca saber onde um deles poderia aparecer repentinamente, e do

quão mal poderia reagir. Ou por qual espécie de estúpida teria que se fazer passar, tratando de

esconder-se. Eles eram a razão porque seu noivo rompeu com ela há quinze dias, três horas, e –

deu uma olhada no relógio de pulso – quarenta e dois minutos atrás.

Gabrielle O’Callaghan guardava um ressentimento especial e muito pessoal dos Fae.

– Não os vejo. Não os vejo – resmungou quando viu como os apetitosos machos fada

caminhavam ligeiramente por sobre o teto do carro. Preveniu seu olhar, se controlou, logo colocou

no ângulo correto o espelho retrovisor e fingiu estar passando batom.

Nunca os olhe muito fixamente, sua avó, Moira O’Callaghan, sempre lhe havia prevenido. Deve

atuar de forma natural. Deve aprender a deixar que o seu olhar se deslize sobre eles sem parar a vista muito

rápido e ou demasiado abruptamente, ou saberão que você sabe. E a levarão. Nunca deve permitir-lhes saber

que os pode ver. Prometa-me, Gabby, não posso lhe perder!

A avó também os via, a essas criaturas que outras pessoas não poderiam ver. A maioria das

mulheres por parte de sua mãe, o fazia, ainda que algumas vezes o – don – saltava gerações. Como

havia sucedido com sua mãe, que tinha se mudado para Los Angeles anos atrás (como se as

pessoas da Califórnia fossem menos estranhas que as fadas), deixando - então com menos de sete

anos - Gabrielle com a avó até que se houvesse instalado. Jilly O’Callaghan nunca terminou de

instalar-se.

Por que não pôde saltar-se a minha geração? , refletiu Gabby. Uma vida normal era tudo o que

sempre havia querido.

E provendo-lhe diariamente malditas dificuldades, ainda que na aborrecida Cincinnati.

Gabby estava começando a pensar que viver nos Três Estados, era um pouco como viver na

convergência mística da Boca do Inferno de Sunnydale.

Exceto que no meio oeste não tinham demônios nem vampiros – Oh, não, claro que não -

tinham fadas: umas criaturas perigosamente sedutoras, desalmadas e arrogantes que poderiam

toma-la e faze-lhe só Deus sabe o que, se alguma vez chegassem a imaginar que ela podia vê-los.

Sua historia familiar estava lotada de lendas de antepassados que foram capturados pelos

temíveis Caçadores Fae e que nunca voltaram a ser vistos. Algumas das lendas afirmavam que

foram rápida e brutalmente assassinados pelos selvagens Caçadores; outras, que foram

escravizados a força.

Não tinha a menor idéia de quais dessas histórias tontas podiam ser verdadeiras; mas tinha

sim uma certeza: Não tinha a menor intenção de averiguá-lo.

Mais tarde, Gabby compreenderia que tudo fora por culpa da xícara de café. Cada atrocidade

que lhe ocorreu a partir desse momento podia conectar-se diretamente a essa xícara de café com a

surpreendente simplicidade de um argumento que não tinha falhas: De não ser por (A) (isto é, a

Sunnydale, chamada – O Vale Do Sol – pelos demônios. É uma cidade fictícia da Califórnia onde se desenrola a trama da série televisiva

Buffy, a caçavampiros. Existe ali uma convergência mística que faz com que os vampiros apareçam precisamente em seus cemitérios e a visitem toda espécie de seres estranhos.

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Highlander 06

xícara de café), não teria passado (B) (arruinar a entrevista de trabalho), e não se teria dado (C) (ter

que ir ao trabalho essa noite) e certamente não teria ocorrido (D) (essa horrível coisa que lhe

aconteceu ali)… e assim até o infinito.

Realmente não era justo que uma decisão tão trivial, adequada para o momento e

aparentemente inofensiva como tomar uma xícara de café gelado pudesse mudar por inteiro o

curso da vida de uma garota.

Não é que ela minimizasse a culpabilidade do fada, mas estudar leis lhe ensinou a isolar o

catalisador crítico sobre o qual podia basear-se a culpabilidade, e o simples fato era que se não

tivesse essa xícara de café na mão, não a teria deixado cair, não teria salpicado à senhora Temple,

não teria que se comportar como uma tonta atrapalhada, e não teria perdido toda esperança de

conseguir o trabalho de seus sonhos.

Se não fosse pela xícara de café, o fada não teria nenhuma razão para dar a volta e olhá-la, e

ela não teria nenhuma razão para entrar em pânico. Tudo iria maravilhosamente bem. Com a

promessa dessa cobiçada segunda entrevista, estaria indo celebrá-lo com suas amigas essa noite.

Mas devido a essa nefasta xícara de café, tudo fracassou. Foi para casa, tomou um longo

banho de espuma, chorou por um longo tempo e depois mais tarde nessa mesma noite, quando

teve a certeza de que o escritório estava vazio e que desse modo não teria que responder às

humilhantes perguntas de seus colegas internos, conduziu seu carro de volta ao centro da cidade

para pôr-se em dia com o trabalho. Levava dezenove difíceis casos de arbitragem, os quais, agora

que não tinha perspectivas de obter outro trabalho, realmente importavam.

E devido a essa catastrófica xícara de café, estava de muito mau humor e não prestava

atenção quando estacionou à frente do edifício onde ficava seu escritório, e não preveniu ao

obscuro e perigoso fada macho, que saía caminhando dentre as sombras do beco adjacente.

Se não fosse por essa estúpida xícara de café, ela nem sequer estaria ali.

E esse foi o momento em que as coisas deram um giro diabólico e começaram a ir de mal a

pior.

Capítulo 2

Adam Black passou uma mão por seu cabelo longo e negro e franziu o cenho enquanto

espreitava do beco.

Durante três eternos meses foi humano. Noventa e sete horrorosos dias, para ser exato. Dois

mil, trezentas e vinte e oito intermináveis horas. Cento e trinta e nove mil, seiscentos e oitenta

ofensivos minutos.

Ficara obcecado com o passo do tempo. Era uma vergonhosa aflição mortal. O passo seguinte

seria usar um relógio de pulso.

Nunca.

Certamente pensava que Aoibheal já devia de ter vindo até ele a estas alturas. Apostaria a si

próprio nisso; ainda que na realidade não tivesse muito para apostar.

Mas ela não vinha, e ele estava cansado de esperar. Não era, precisamente, que os humanos

tivessem uma quantidade de tempo ridícula para existir, exceto que seus corpos tinham exigências

que consumiam a maior parte desse tempo. Só o fato de dormir consumia uma quarta parte do

tempo. Ainda que ele havia dominado essas exigências durante os poucos meses passados,

ofendia-se por ser escravo de sua forma física. Ter que comer, lavar-se, dormir, urinar, barbear-se,

escovar o cabelo e os dentes, por Deus! Queria ser ele mesmo outra vez. Não quando fosse da

sangrenta conveniência da rainha, mas agora.

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Highlander 06

Daí que tivesse deixado Londres e tivesse viajado à Cincinnati (uma viagem infernalmente

longa - de avião) procurando ao filho metade-Fae que gerou fazia um milênio, Circenn Brodie, que

se casou com uma mortal do século vinte e um e pelo que sabia residia aqui com ela.

Pelo que sabia.

Ao chegar a Cincinnati, encontrou a residência de Circenn vazia, e não tinha nem idéia de

onde procurá-lo depois. Tinha se estabelecido ali mesmo, e esteve matando o tempo desde então –

esforçando-se inflexivelmente para ignorar isto, mas pela primeira vez em sua existência eterna, o

tempo lhe devolvia o favor - esperando o regresso de Circenn. Um Tuatha Dé de sangue meio

puro, Circenn tinha a magia que Adam já não possuía.

O cenho de Adam se fez mas profundo. O poder insignificante que a rainha lhe deixou

praticamente não tinha nenhum valor. Rapidamente descobriu que ela estudou muito a fundo o

seu castigo. O feitiço de féth fiada era um dos mais poderosos e alteravam a percepção que os

Tuatha Dé possuíam, utilizado para permitir a um Tuatha Dé relacionar-se com o reino humano,

enquanto os mantinha indetectáveis para a humanidade. Encobria sua essência numa ilusão que

afetava à memória a curto prazo e gerava confusão nas mentes daqueles que se encontravam nas

proximidades.

Se Adam virasse uma banca de jornais, o vendedor culparia despreocupadamente a um

vento invisível. Se comesse a refeição de um comensal, a pessoa simplesmente decidiria que já

devia tê-la terminado. Se pegasse roupa nova numa loja, o dono registraria um erro de inventário.

Se arrebatasse comestíveis de um transeunte e arrojasse sua bolsa ao solo, sua azarada vítima se

voltaria contra um transeunte próximo e ocorreria uma desagradável briga (ele fez isso umas

poucas vezes na procura de um pouco de diversão). Se arrancasse a bolsa do braço de uma mulher

e o pendurasse diante de sua cara, ela simplesmente caminharia através de ambos, a bolsa e ele

(no momento em que ele tocava uma coisa, esta também era absorvida na ilusão lançada pelo féth

fiada até que ele o soltasse) encaminhando-se na direção contrária, resmungando por ter esquecido

a bolsa em casa.

Não havia nada que pudesse fazer para chamar a atenção sobre ele. E ele tentou tudo.

Praticamente. Adam Black não existia. Nem sequer merecia sua insignificante parte do espaço

humano.

Ele sabia por que ela escolheu este castigo em particular: devido a que ele se pôs do lado da

humanidade em seu pequeno desacordo, ela lhe forçava a provar ser humano do pior modo

possível. Sozinho e impotente, sem uma só distração para passar o tempo e entreter-se.

Teve suficiente de seu sabor para que lhe durasse uma eternidade.

Uma vez foi um ser todo-poderoso que podia vasculhar o tempo e o espaço, um ser que

podia viajar a todas as partes e a qualquer dimensão num piscar de olhos, agora estava limitado a

um só poder útil: podia sobrevoar distâncias curtas, mas não mais do que umas poucas milhas.

Lhe surpreendia que a rainha, inclusive, o tivesse deixado com tanto poder, até a primeira vez que

quase caiu, esgotado, no caminho de um ônibus no coração de Londres.

Ela lhe abandonou com uma quantidade suficiente de magia para manter-se vivo. O qual lhe

dava a entender duas coisas: uma, ela planejava perdoar-lhe finalmente, e duas, provavelmente

isso ia levar um longo, longo tempo. E provavelmente não seria até o momento em que sua forma

mortal estivesse a ponto de expirar.

Mais cinqüenta anos disto o converteriam num louco sanguinário.

O problema era que, ainda que Circenn regressasse, Adam ainda não havia criado uma forma

para comunicar-se com ele. Por causa de sua metade mortal, Circenn não seria capaz de ver

através do féth fiada tampouco.

10

Highlander 06

Tudo o que ele precisava, pensou Adam pela milésima vez, era uma pessoa. Só uma pessoa

poderia vê-lo. Só uma pessoa poderia ajudar-lhe. Não estava completamente sem opções, mas não

poderia atrair a nenhum dos malditos sem ninguém para ajudar-lhe.

E isso o exasperava também. O onipotente Adam Black precisava de ajuda. Quase podia

ouvir o cristalino riso tilintando na brisa da noite, soprando insultantemente através dos reinos,

até o final das areias trêmulas de silício da Ilha de Morar.

Com um rosnado de fúria enjaulada, saiu caminhando majestosamente do beco.

Gabby se permitiu um enorme suspiro de auto-compaixão quando saiu de seu carro.

Normalmente em noites como esta, quando o céu era veludo negro, brilhando intensamente com

estrelas e uma lua com forma de um medalhão de prata, quente, úmida, e viva com os sons e