O Manual do Bruxo, Um dicionário do mundo mágico de HP por Allan Zola Kronzek e Elizabeth Kronzek - Versão HTML

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trocar o seu pé de coelho pela espada de Sir Godric Gryffindor.

Mas, se preferir ficar em casa, que é um lugar bonito e

aconchegante, nada supera um amuleto para manter à

distância as forças hostis.

Câmara Secreta, 2

O mau-olhado

A idéia assustadora de que um olhar pode matar esteve

presente em quase todas as civilizações ao longo da história e

inspirou a criação de amuletos e de muitas outras proteções

contra a maldade sobrenatural. O mau-olhado — um olhar

hostil que algumas pessoas acreditam trazer má sorte,

doença ou até a morte — é citado no Velho e no Novo

Testamento da Bíblia, bem como nos textos das antigas

Suméria, Babilônia e Assíria. Na Idade Média, diziam que as

bruxas usavam o mau-olhado contra qualquer pessoa que

passasse por elas, levando a vítima a adoecer, perder o amor

da esposa ou do marido, ou então arruinar-se nos negócios.

Dizem que as crianças e os animais são especialmente

vulneráveis ao mau-olhado. Em muitos locais onde as supers-

tições ainda são fortes, considera-se pouco prudente chamar

atenção para a beleza de uma criança, já que isso pode fazer

com que alguém invejoso lance um mau-olhado contra ela.

A proteção básica contra o mau-olhado é um amuleto

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-muitas vezes na forma de um sapo, de um chifre ou, no caso

dos antigos egípcios, de um olho conhecido como Olho de

Hórus. Se não houver nenhum amuleto disponível, o melhor é

ter uma reação rápida e fazer um gesto simbólico. Você pode,

por exemplo, usar sua mão para formar "chifres", erguendo o

indicador e o mindinho, caso algum mau-olhado cruze o seu

caminho. Outras proteções são os sinais da bruxa, os trevos

(na Irlanda), o alho (na Grécia) e a cevada (na índia). Acredita-

se também que fitas vermelhas ou sininhos amarrados nos

animais domésticos ou na roupa das crianças fazem com que

o mau-olhado se perca.

O Olho de Hórus era um dos amuletos mais populares no

antigo Egito. Os egípcios acreditavam que usar este amuleto

as protegia do mal.

Entregar cartões musicais no Dia dos Namorados para

magos adolescentes não é nem de longe o tipo de trabalho

que um anão costuma fazer. Segundo a lenda, esses

barbudinhos durões passam a maior parte dos dias

trabalhando no subsolo, onde garimpam ouro e outros metais

preciosos. Como se orgulham de seu trabalho pesado, não

admira que cumpram seus afazeres frívolos em Hogwarts com

a cara de crianças obrigadas a comer couve amarga.

No folclore da Alemanha e da Escandinávia, os anões

são uma raça de seres sobrenaturais que guardam tesouros

magníficos, enterrados nas profundezas do solo. Embora

tenham o poder de se tornarem invisíveis ou assumir qualquer

forma, em geral têm o aspecto de homens pequenos, com

cabeça grande, cara enrugada, barba comprida e grisalha,

pernas e braços malformados. Criaturas sociáveis, vivem em

comunidades no interior de montanhas, cavernas ou em

deslumbrantes palácios subterrâneos. Por usarem roupas de

cores pardacentas, confundem-se facilmente com as rochas e

os arbustos, o que lhes permite entrar e sair de seu lar

subterrâneo sem serem percebidos por olhos humanos. Na

tradição de certas regiões, os anões, assim como os trasgos,

viram pedra quando expostos à luz do sol.

Os anões são metalúrgicos talentosos e seus poderes

mágicos os conduzem aos mais ricos filões de metais

preciosos. Os anões mais bem-dotados para a arte trabalham

com o ouro e a prata, modelando jóias e objetos decorativos

considerados mais bonitos do que aqueles criados pelos

humanos. Outros forjam o ferro para fabricar armas perigosas,

dotadas de poderes mágicos. Thor, o deus escandinavo do

trovão, sabiamente escolheu anões para fabricar sua principal

ferramenta — um martelo poderoso que, quando lançado,

disparava um relâmpago e depois voltava para a mão do seu

dono.

Os anões também trabalharam para Odin, o deus

escandinavo supremo, para o qual criaram uma lança mágica

que sempre atingia o seu alvo.

Em certas regiões da Alemanha, dizem que os

mineradores às vezes encontram anões, em geral quando

rompem uma parede subterrânea e se vêem diante de uma

oficina ou de um palácio dos anões. Contanto que os humanos

não sejam rudes, os anões não ficam ofendidos com essas

invasões e podem até dar conselhos sobre onde encontrar os

melhores veios de minério. Os anões também podem fazer

soar o alarme em uma mina quando houver perigo por um

acúmulo de gases nocivos ou devido a um provável

desabamento do teto. Porém, se os homenzinhos não forem

tratados com o devido respeito, podem inverter os papéis e

causar essas catástrofes. Se um minerador for imprudente o

bastante para roubar ouro e jóias do tesouro de um anão, não

só irá sofrer muitas desgraças como também, quando chegar

em casa e abrir sua mochila, todo o tesouro terá se

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transformado em folhas.

Como vivem centenas de anos e podem ver o futuro, os

anões são considerados muito sábios. Segundo a lenda, em

certas cidades alemãs, tempos atrás, os anões

compartilhavam sua sabedoria com os humanos, davam

conselhos, contavam histórias e ajudavam a cumprir tarefas

domésticas, em troca de um local aquecido para dormir, nos

longos meses de inverno. Mas os anões abandonaram esse

costume quando os aldeões se mostraram excessivamente

curiosos sobre os pezinhos dos seus hóspedes, que sempre se

mantinham ocultos embaixo de casacos que iam até o chão.

Interessados em saber o que os anões estavam escondendo,

os proprietários das casas polvilharam o chão com cinzas, na

esperança de que os homenzinhos deixassem pegadas

reveladoras. Em vez disso, os anões, muito sensíveis quanto à

sua aparência, se aborreceram e deixaram a cidade, voltando

para sempre à sua morada subterrânea. Alguns dizem que os

anões têm patas de ganso, de corvo ou de bode, outros

afirmam que têm pés humanos virados para trás — mas isso

são apenas rumores não confirmados.

Câmara Secreta, 13

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Hermione, que debocha da leitura da sorte nas

folhas de chá e de quem quer ver o destino em uma bola

de cristal, se mostra, por estranho que pareça, uma grande

entusiasta da aritmancia — um método para ler a sorte em

números e nomes. De fato, essa antiga forma de adi-

vinhação é um de seus assuntos prediletos. Talvez porque,

ao contrário de outros métodos de predizer o futuro, a

aritmancia não é baseada na interpretação de imagens

nebulosas ou na atribuição de um sentido a rabiscos ou

formas acidentais, mas sim em regras muito claras e em cál-

culos matemáticos — exatamente o tipo de trabalho mental

de que Hermione gosta.

A aritmancia (dos termos gregos arytbmo, que significa

"número", e mancia, que significa "profecia") tem sido usada

por mágicos e magos há mais de dois mil anos para ajudar as

pessoas a analisar e desenvolver suas forças e seus talentos,

superar obstáculos e traçar seus caminhos futuros. Também

conhecida como "numerologia", a aritmancia se baseia em

duas idéias muito antigas. A primeira é que o nome de uma

pessoa contém indícios importantes do seu caráter e do seu

destino. A segunda, antecipada há mais de 2.500 anos pelo

sábio grego Pitágoras, é que cada número entre 1 e 9 tem um

significado especial, capaz de contribuir para a compreensão

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de todas as coisas. Os que acreditam em aritmancia com-

binaram essas duas idéias e, ao longo dos séculos,

desenvolveram muitos sistemas complexos para converter

nomes em números e analisar os resultados. Segundo um dos

sistemas mais usados, há três números fundamentais que

podem ser extraídos do nome de uma pessoa — o Número do

Caráter, o Número do Coração e o Número Social. O resultado

deve ser interpretado conforme uma tabela que contém

significados preestabelecidos. Esse sistema, que acreditamos

ser o mesmo que se ensina em Hogwarts, era amplamente

conhecido na Idade Média e ainda é utilizado hoje em dia.

Requer apenas um lápis, papel e a capacidade de somar e de

soletrar as palavras.

O primeiro passo para analisar um nome é convertê-lo

em uma série de números. Atribui-se a cada letra do alfabeto

um valor numérico entre 1 e 9, segundo a seguinte tabela:

Como você deve ter percebido, as letras A, J e S têm o

valor 1. Já B, K e T, o valor 2, e assim por diante. Para analisar

um nome, escreva-o e, abaixo de cada letra, anote o valor

numérico correspondente. Como exemplo, vamos analisar o

nome de Nicholas Flamel, o alquimista medieval que

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supostamente criou a pedra filosofal, usando a ortografia

original do nome para os cálculos de numerologia:

Depois de escrever todos os números, faça a soma.

Nesse caso, o resultado é 58. Segundo os métodos da

aritmancia, quando a soma ultrapassa 9 — o que geralmente

acontece —, o resultado deve ser "reduzido" para um único

algarismo, somando os números do resultado mais de uma

vez, se necessário. Desse modo, 58 é reduzido para 13 (5 + 8

= 13). O resultado final — que por sua vez é reduzido para 4

— é chamado de Número do Caráter. Esse número indica o

tipo geral de personalidade da pessoa, segundo um sistema

de interpretações que será explicado a seguir de forma

resumida.

O número seguinte a ser extraído é o Número do

Coração, que se refere à vida interior da pessoa e

supostamente indica os desejos e temores que se mantêm

ocultos para as outras pessoas. O Número do Coração é a

soma de todas as vogais do nome, reduzidas a um só

algarismo.

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Esses números somados dão 22, que é reduzido para 4

(2 + 2 = 4). Nesse exemplo, o Número do Coração e o

Número do Caráter são idênticos, mas nem sempre será

assim.

O terceiro número a ser obtido é o Número Social, que

se refere à pessoa pública, a face que a pessoa revela para o

mundo externo. O Número Social é determinado pela soma do

valor das consoantes do nome.

Nesse caso, a soma é 36, que se reduz para 9 (3 + 6 =

9).

De posse dos Números do Caráter, do Coração e Social

(4, 4, 9), é possível agora esboçar um retrato da pessoa,

utilizando uma tabela de traços de personalidade positivos e

negativos, tradicionalmente associados a cada número. Esses

traços derivam, em parte, das idéias de Pitágoras, mas

também sofreram influências de muitas outras pessoas.

 O SIGNIFICADO DOS NÚMEROS 

UM: Esse é o número do indivíduo. Os Uns são

independentes, firmes, perseverantes e determinados.

Estabelecem um objetivo e persistem nele. São líderes e

inventores. Os Uns acham difícil trabalhar com outras pessoas

e não gostam de receber ordens. Podem ser egocêntricos,

egoístas e dominadores. Muitas vezes preferem ficar sós.

DOIS: O dois representa interação, comunicação mútua,

cooperação e equilíbrio. Os Dois em geral têm uma natureza

imaginativa, criativa e meiga. Paz, harmonia, compromisso,

lealdade e honestidade são suas características. Mas o dois

também introduz a noção de conflito, de forças opostas e os

lados contrastantes das coisas: noite e dia, bem e mal. Os

Dois podem ser reservados, melancólicos, inibidos e indecisos.

TRÊS: O três representa a idéia de completude ou

totalidade, como nas tríades "passado-presente-futuro" e

"mente-corpo-espírito". Os pitagóricos consideravam o três o

primeiro número "completo" porque, como três pedrinhas

dispostas em fila, ele tem um princípio, um meio e um fim. O

número três indica talento, energia, índole artística, humor e

desinibição social. Os Três muitas vezes têm boa sorte, são

despreocupados, ricos e muito bem-sucedidos, mas também

podem ser dispersivos, suscetíveis e superficiais.

QUATRO: Como uma mesa apoiada firmemente nas

quatro pernas, o número quatro indica estabilidade e firmeza.

Os Quatros gostam de trabalhar duro. São práticos, confiáveis

e sem complicações; preferem a lógica e a razão aos vôos da

fantasia. São bons para a organização e para cumprir tarefas.

A exemplo do ciclo das quatro estações, eles também são

previsíveis. Podem ser teimosos, desconfiados,

exageradamente práticos e propensos a acessos de raiva. Os

conflitos possíveis no caso do dois são duplicados no quatro.

CINCO: Cinco é o número da instabilidade e do

desequilíbrio, que indica mudança e incerteza. Os Cincos são

impelidos a muitas coisas ao mesmo tempo, mas não se

comprometem com nada. São atrevidos, ativos e dispostos a

correr riscos. Gostam de viajar e encontrar pessoas, mas não

conseguem ficar muito tempo num mesmo lugar. Os cincos

podem ser presunçosos, irresponsáveis, irascíveis e

impacientes.

SEIS: O seis representa harmonia, amizade e vida em

família. Os Seis são leais, confiáveis e amorosos. Adaptam-se

facilmente. Saem-se bem no magistério e nas artes, mas em

geral não têm sucesso nos negócios. São, por vezes,

propensos a fofocas e à vaidade. Os pitagóricos encaravam o

seis como o número perfeito porque era divisível por dois e

também por três, e era ao mesmo tempo a soma e o produto

dos primeiros três algarismos (1 +2 + 3=6; 1x2x3 = 6).

SETE: Perspicazes, sensatos e inteligentes, os Setes

gostam de trabalhos difíceis e de desafios. Muitas vezes são

sérios, estudiosos e interessados em tudo o que é misterioso.

A originalidade e a imaginação são mais importantes do que o

dinheiro e os bens materiais. Os Setes também podem ser

pessimistas, sarcásticos e inseguros. O sete às vezes é

considerado um número místico ou mágico por causa de sua

associação com os sete dias bíblicos da criação e com os sete

corpos celestes da antiga astronomia (Sol, Lua, Mercúrio,

Vênus, Marte, Saturno e Júpiter).

OITO: O oito indica a possibilidade de grande sucesso

nos negócios, nas finanças e na política. Os Oitos são práticos,

ambiciosos, dedicados e trabalhadores. Também podem ser

invejosos, gananciosos, dominadores e ávidos de poder.

Supõe-se que o oito seja o mais imprevisível dos números e

que possa indicar tanto o cume do sucesso quanto o fundo do

poço do fracasso; o potencial para ir em ambas as direções

está presente desde o início.

NOVE: Representa a completude e a perfeição em seu

mais alto grau, pois é o número "completo", o três, expresso

três vezes (3x3 = 9). Os Noves dedicam-se a servir os outros,

muitas vezes como professores, cientistas e filantropos.

Firmemente determinados, trabalham de forma incansável e

são uma inspiração para os demais. Mas também podem ser

arrogantes e esnobes quando as coisas não andam do seu

jeito.

A luz dessas interpretações, podemos agora dizer que

Nicholas Flamel (4, 4, 9) é uma pessoa trabalhadora e prática.

Para resolver os problemas, adota um ponto de vista prático. E

emocionalmente estável, mas pode ter, no íntimo, alguma

raiva ou desconfiança. A face que mostra para o mundo,

porém, é a de um filantropo generoso. Por fim, podemos

acrescentar alguns retoques finais a esse retrato, voltando à

serie original de números, para verificar se algum algarismo

ocorre com maior freqüência do que os outros. Nesse caso, os

números 3 e 1 ocorrem mais vezes, indicando que, além

daquilo que já sabemos, Flamel é uma pessoa que busca a

perfeição, tem capacidade de ganhar dinheiro com facilidade

e, quando está ocupado com alguma coisa, faz isso com

determinação. A maior parte dessas características parece

coincidir, de forma surpreendente, com o famoso alquimista

(leia o verbete sobre Nicholas Flamel* para conhecer

maiores detalhes sobre sua vida e sua personalidade). No

entanto, como acontece com a maioria dos sistemas de

adivinhação, quanto mais coisas soubermos de antemão a

respeito da pessoa, mais fácil será para nós escolher as

melhores interpretações, entre as várias que são possíveis. O

verdadeiro desafio consiste em criar o retrato de uma pessoa

sem ter a vantagem de um conhecimento prévio. Assim como

a astrologia, a aritmancia também pretende ser um sistema

capaz de determinar os dias favoráveis e os desfavoráveis.

Em geral, os dias favoráveis são aqueles que correspondem

ao número de caráter da pessoa. Aconselha-se, por exemplo,

que uma personalidade oito marque coisas importantes, como

começar um negócio ou casar-se, no dia 8, 17 ou 26 do mês

(números que podem ser reduzidos para 8). Uma vez que todo

nome ou palavra pode ser convertido em um número, a arit-

mancia é usada também para revelar "afinidades ocultas"

entre pessoas, lugares e coisas. A teoria por trás disso é que

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palavras e nomes com o mesmo valor numérico estão

relacionados e se aproximam naturalmente. Desse modo, um

seis se sairá melhor caso dirigir uma marca de carro que se

reduza para 6, como Honda ou Toyota, ao passo que um sete

será mais feliz se dirigir um Ford. Um dois será compatível de

forma mais romântica com um outro dois. Os cincos devem

preferir morar em uma cidade cujo nome se reduza para 5, e

assim por diante. Embora não recomendemos que você aja

assim, quase todas as decisões da vida podem ser tomadas "à

luz dos números", desde os amigos a que nos unimos até os

alimentos do café da manhã.

Prisioneiro de Azkaban, 12

* N.T. Embora a edição brasileira tenha traduzido o nome

Nicholas Flamel para Nicolas Flamel, sem o "h", mantivemos a

grafia em inglês para que as contas da aritmancia pudessem

fazer sentido

Desvie-se das calçadas bem conhecidas do Beco

Diagonal e enverede por uma sombria rua transversal perto

do Gringotes e você vai se ver na Travessa do Tranco, reduto

de fornecedores de cabeças encolhidas, cordas de enforcado,

velas venenosas e outras mercadorias macabras. Embora

Hagrid se aventure por essas bandas em busca de repelente

de lesmas carnívoras, os visitantes dessa região da cidade

são, em sua grande maioria, praticantes das Artes das Trevas

-ramo da magia dedicado a fazer o mal aos outros, também

conhecido como magia negra.

Como todos os demais tipos de magia, a magia negra

existe há milhares de anos. Enquanto alguns indivíduos das

antigas civilizações criavam feitiços e palavras mágicas na

tentativa de curar doenças, provocar chuva em campos secos

ou proteger uma aldeia contra a invasão de um inimigo,

outros concebiam maldições e outros meios sobrenaturais de

infligir dor e azar a seus vizinhos. Estes métodos podiam ser

usados para se vingar de uma ofensa, para eliminar um

competidor nos negócios ou para levar a melhor contra um

adversário político. Quando o general romano Germânico

morreu, no ano 19 d.C., encontraram-se indícios de que

alguém usara magia negra contra ele, na forma de ossos

humanos, maldições escritas e pedaços de chumbo (que na

época era conhecido como o metal da morte) ocultos embaixo

do piso e atrás das paredes do seu quarto de dormir.

Em Hogwarts, os jovens alunos aprendem Defesa contra

as Artes das Trevas estudando as travessuras de barretes

vermelhos, kappas, lobisomens e outras criaturas

ameaçadoras. Alunos mais maduros aprendem a defender-se

das maldições de magos e bruxas más, que usam esses meios

ilegais para ganhar controle total sobre os outros, torturar

alguém sem sequer encostar um dedo na vítima ou até matar.

Muitas outras atividades que têm sido tradicionalmente

consideradas Artes das Trevas não fazem parte do currículo de

Hogwarts, até onde sabemos. No entanto correm boatos de

que essas coisas podem estar sendo ensinadas em

Durmstrang, e é melhor conhecer os truques que um

aspirante a mago das trevas pode ter a seu dispor.

Uma das formas de magia negra mais antiga e mais

largamente praticada é a magia da imagem, na qual se cria

um desenho ou um modelo de cera ou barro que, em seguida,

é danificado ou destruído de propósito. Um exemplo bem

conhecido desse tipo de magia é o vodu. Todo mal infligido ao

modelo — também conhecido como efígie — deve igualmente

ferir a vítima. Nas antigas Índia, Pérsia, África, Egito e Europa,

bonecos feitos de cera eram objetos comuns, pois eram fáceis

de criar e podiam ser destruídos por derretimento. Acreditava-

se que o derretimento fazia a vítima morrer com alguma

doença terrível. Também já foram feitos bonequinhos de

barro, madeira ou pano, que depois eram pintados para que

ficassem parecidos com a vítima. Outros métodos comuns de

danificar um boneco incluíam furá-lo com alfinetes ou facas

(acreditava-se que isso levava a pessoa a sentir dores ou

adoecer) ou, se o boneco fosse de material extraído de um

animal ou de um vegetal, enterrá-lo para que sofresse um

processo de decomposição.

Outra forma antiga de magia negra era a necromancia

(do grego necros, que significa "cadáver", e mancia, que

significa "profecia"), onde se tentava despertar os espíritos

dos mortos para praticar adivinhação. Acreditava-se que os

mortos, por não estarem mais limitados ao plano terrestre,

tinham acesso a informações sobre o presente e o futuro, um

conhecimento inacessível aos vivos. A necromancia aparece

na Bíblia, era praticada nas antigas Pérsia, Grécia e Roma, e

foi novamente popular na Europa durante o Renascimento.

Enquanto alguns necromantes tentavam reviver cadáveres

(sendo até acusados de tentar mandar esses cadáveres

atacarem os vivos), a maioria se contentava apenas em invo-

car o espírito de um morto, executando rituais sobre a

sepultura, pronunciando encantamentos e traçando palavras

e símbolos mágicos no chão. Muitas vezes o necromante se

cercava de crânios e de outras imagens de morte, vestia uma

roupa roubada de um cadáver e concentrava todos os seus

pensamentos na morte, enquanto esperava que o espírito

surgisse. Quando isso acontecia (qualquer pequeno sinal,

como o tremular da chama de uma vela, podia ser visto como

indicação da presença do espírito), o necromante fazia suas

perguntas. Algumas vezes as perguntas eram sobre os

grandes mistérios da vida, outras vezes sobre o futuro. Podia

também ser algo mais banal, como, por exemplo, "onde

encontrar um tesouro enterrado". Embora o propósito da

necromancia nem sempre fosse fazer mal a alguém, o ato de

invocar (e perturbar) a alma dos mortos costuma ser

considerado imoral e indigno, merecendo um lugar nas Artes

das Trevas.

Certos escritores sugeriram que toda magia é, na

verdade, "sem cor". Em outras palavras, uma atividade será

considerada como "magia negra" ou "magia branca" de

acordo com sua intenção. Por exemplo, derreter um boneco

de cera a fim de matar um ditador cruel pode ser visto como

magia branca aos olhos do povo oprimido pelo ditador. Aos

olhos do próprio ditador, contudo, será magia negra. Outros

sugeriram que o conflito entre a magia negra e a magia

branca é uma expressão da irremediável natureza dupla do

homem — nossa capacidade de fazer o bem, mas também de

fazer o mal. Os magos, como todos nós, podem usar seu

poder para criar, ajudar os outros e contribuir para o bem do

mundo. Ou, como os Comensais da Morte, podem entregar-se

a um aspecto da natureza humana completamente diferente

— serem egoístas, prepotentes, ávidos de poder e capazes de

cometer atrocidades terríveis. Como Dumbledore diz para

Harry, o lado em que a gente está não é uma questão de

destino, mas sim de escolha.

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Protegidos por um círculo mágico, Edward Kelly, um

necromante do século XVI, e seu ajudante, Paul Waring,

conjuram um espírito num cemitério em Lancashire,

Inglaterra.

Câmara Secreta, 4

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Quando os centauros da Floresta Proibida falam do

brilho do planeta Marte, estão fazendo mais do que um

comentário passageiro a respeito da beleza do céu noturno.

Suas palavras são uma predição velada de alguma coisa

nefasta, que envolve raiva, violência e talvez vingança e

derramamento de sangue. Esses centauros praticam a

astrologia e sabem ler o futuro nas estrelas.

Não se deve confundir astrologia com astronomia,

embora as duas palavras compartilhem a mesma raiz grega,

astron, que significa "estrela". A astronomia é o estudo

científico dos corpos celestes, como estrelas, planetas, luas,

cometas e meteoros; a astrologia é uma atividade mais

fantasiosa que pretende explicar e interpretar a influência dos

corpos celestes sobre a vida terrena. As duas disciplinas

surgiram na antiga Babilônia (onde atualmente fica o Iraque),

há mais de 7.000 anos, quando os observadores do céu

passaram a registrar cuidadosamente os movimentos do Sol,

da Lua e das estrelas. Uma de suas primeiras observações foi

que, embora a maioria das estrelas permanecesse na mesma

posição em relação umas às outras, havia algumas poucas

que se comportavam de outra forma. Junto com o Sol e a Lua,

essas chamadas "estrelas errantes", que os antigos

acreditavam ser as moradas dos deuses, viajavam por uma

estreita faixa do céu, conhecida como zodíaco. Hoje sabemos

que esses corpos errantes na verdade não são estrelas, mas

sim planetas (em grego, planeta significa "errante").

Os babilônios logo atribuíram aos planetas significados

particulares e divindades residentes, com base na sua

aparência. Por exemplo, Marte, que tem um nítido brilho

avermelhado, foi considerado ardente e sangrento e passou a

ser identificado com o deus da guerra (Nergal para os

babilônios, Ares para os gregos, Marte para os romanos).

Vênus, que brilha mais do que qualquer outra estrela mas

pode desaparecer durante seis semanas seguidas, era a

causadora do amor, podendo ser fiel ou volúvel. E Saturno,

que parece atravessar o céu mais devagar do que os demais

planetas visíveis, porque é o mais distante deles, foi associado

ao mal, à velhice, ao abatimento e à morte. Só se conheciam

os cinco planetas visíveis a olho nu (Mercúrio, Vênus, Marte,

Júpiter e Saturno) e acreditava-se que, junto com o Sol e a

Lua, todos eles giravam em redor da Terra, tida na época

como o centro do universo.

Além de observar os padrões variáveis do cosmo, os

observadores do céu da Babilônia tentaram relacionar o que

viam aos fatos na Terra, como terremotos, enchentes e outras

catástrofes naturais. Seu raciocínio era simples: acreditavam

que, no universo, tudo estava interligado e, portanto, os fatos

do firmamento tinham de refletir, ou até profetizar, os fatos

da Terra. Por exemplo, o surgimento de um cometa, o mais

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imprevisível dos fatos celestes, podia ser o presságio de um

acontecimento importante, como a morte de um rei. Fatos

mais comuns — como a lua cheia, eclipses, o aparecimento de

um círculo brilhante ao redor da Lua ou a convergência de

dois ou mais planetas — eram menos nefastos, mas ainda

assim podiam anunciar fome, tempestade, inundação,

epidemia ou alguma outra catástrofe.

Desse modo, a astrologia, mesmo na sua forma mais

elementar, foi um importante instrumento de adivinhação.

Seus praticantes vasculhavam o céu em busca de presságios

e de padrões recorrentes e faziam previsões. Porém, ao

contrário dos astrólogos atuais, que trabalham para qualquer

um que esteja disposto a pagar, os astrólogos antigos

restringiam suas atenções ao rei e a previsões que afetassem

a população como um todo.

Os observadores do céu na antiga Babilônia foram os

primeiros a registrar de forma rigorosa todos os

acontecimentos celestes que observavam.

Desenharam os primeiros mapas celestes por volta de 1800

a.C.

Isso mudou no século V a.C., quando se fixou a noção

do zodíaco como um conjunto de doze constelações e os

astrólogos passaram a elaborar horóscopos individuais. Os

gregos e os egípcios se interessaram pela astrologia no século

III a.C. e acrescentaram muitos métodos novos e complexos,

ligando a astrologia à medicina e à magia. Acreditavam não

só que a posição das estrelas e dos planetas predizia

acontecimentos, mas também que as estrelas afetavam a

natureza física de todos e de tudo que estivesse na Terra. Eles

supunham que cada signo do zodíaco influenciava uma

determinada parte do corpo humano e acreditavam até que

cada flor, erva e planta medicinal eram regidas por um

planeta diferente. Até os minerais e as pedras preciosas

absorviam influências das estrelas. Um médico, portanto,

precisava compreender os princípios da astrologia a fim de

fazer o diagnóstico e tratar seus pacientes. Do mesmo modo,

os mágicos que quisessem fazer experiências, lançar feitiços

ou fabricar talismãs precisavam compreender a astrologia

para determinar as influências planetárias e descobrir o

momento mais adequado para obter sucesso em suas

atividades. Um feitiço de amor, por exemplo, viria num

momento melhor se coincidisse com a influência de Vênus e

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não de Saturno.

Da Grécia e do Egito, a astrologia se espalhou até

Roma, onde foi amplamente aceita como uma nova e

formidável contribuição aos numerosos sistemas de

adivinhação já em vigor. Vários pensadores influentes

combateram a astrologia como uma superstição e seus

praticantes foram banidos da cidade repetidas vezes, mas a

demanda pública sempre os trazia de volta. Depois da queda

do Império Romano no século IV, a astrologia deixou de ser

um fator importante na vida européia até o século XII, quando

o conhecimento do assunto retornou através dos árabes.

Durante a Idade Média, as universidades na Inglaterra,

França e Itália ensinavam astrologia e a maioria dos reis e

rainhas europeus empregavam astrólogos em suas cortes a

fim de elaborar seus horóscopos e lhes indicar os melhores

dias para agir. Na Inglaterra renascentista, a rainha Elizabeth I

pediu ao matemático e astrólogo John

Dee que escolhesse a data da sua

coroação, conforme as influências

planetárias. Na França, a famoso

astrólogo Nostradamus atuou de forma

semelhante para a rainha Catarina de

Médicis. E, embora a Igreja em geral

fosse hostil à astrologia, o Papa Urbano

VIII, em 1629, contratou um astrólogo

para realizar rituais mágicos com o

intuito de prevenir os anunciados efeitos maléficos de uma

série de eclipses.

A realeza européia consultava astrólogos com freqüência,

antes de tomar decisões importantes. Este é um suposto

retrato do célebre astrólogo francês Nostradamus.

Ao mesmo tempo, porém, acontecia a revolução

científica. Em 1542, Copérnico afirmou que o Sol, e não a

Terra, era o centro do sistema solar. Isso pareceu ameaçar a

própria base da astrologia, pois os planetas que,

supostamente, irradiavam sua influência sobre a Terra na

verdade não giravam em torno da Terra. No século XVII

seguiram-se outras descobertas científicas, e as pessoas

sérias, em sua maioria, afastaram-se da astrologia. Contudo,

ao mesmo tempo que a astrologia perdia prestígio, os

almanaques astrológicos se tornaram imensamente populares

e as pessoas começaram a determinar sozinhas os seus dias

bons e maus, sem a ajuda de um profissional. As previsões

diárias e mensais que encontramos ainda hoje nas revistas e

jornais são parte de uma tradição iniciada naqueles

almanaques, séculos atrás.

Hoje, a astrologia ocupa uma posição peculiar. Embora

não conserve quase nada do respeito intelectual que

desfrutou em outros tempos, sua popularidade é enorme e

muita gente considera as orientações astrológicas como

verdades profundas. Mas os céticos são numerosos. Na ver-

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dade, algumas das pessoas mais céticas das quais

conseguimos nos lembrar são estudantes de uma certa escola

de bruxaria e magia.

Cálice de Fogo, 13

Desastre e Doença

A culpa é das estrelas

Se você pegar uma gripe, um americano diria, em

inglês, que você está com flu. A palavra flu é uma abreviação

de influenza, que hoje é o nome, em inglês, do vírus da gripe.

Mas, quando alguém na Idade Média dizia que estava doente

de influenza, não se referia a um vírus. A palavra,

originalmente,

significava "influência" e referia-se

estritamente à influência astrológica das estrelas e dos

planetas. As pessoas acreditavam que era essa influência, e

não os germes, que fazia com que ficassem doentes. A

palavra "desastre" deriva igualmente das crenças astrológicas

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e é uma combinação de dis, que significa "valor negativo",

com astron, que significa "estrela". Quando ocorria uma

calamidade, muitas vezes atribuía-se a causa a um dis-astron,

ou uma estrela ruim.

O zodíaco

Milhares de anos atrás, os antigos observadores do céu

notaram que, a cada ano, quando o Sol e os planetas se

deslocavam pelo céu, percorriam sempre uma mesma trilha

estreita ao redor da Terra. Esse caminho, que os gregos

denominaram zodíaco, foi dividido pelos astrólogos em doze

seções iguais, chamadas "signos", cada uma associada a uma

constelação — Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem,

Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes — e a

uma época do ano. Os astrólogos utilizam a posição do Sol e

dos planetas no zodíaco para fazer previsões e definir a

personalidade de pessoas nascidas em diferentes signos. As

características ligadas a cada signo foram estabelecidas há

milhares de anos, mas vêm sendo aperfeiçoadas ao longo dos

séculos. Eis algumas características elementares:

ÁRIES, O CARNEIRO (21 de março a 19 de abril):

Pessoas nascidas no signo de Áries são consideradas

dinâmicas, entusiasmadas, diretas, independentes, criativas e

impacientes. Como os carneiros abrem seu caminho a golpes

de chifres, os arianos são tidos como agressivos, resolutos e

irritáveis.

TOURO (20 de abril a 20 de maio): Como é de se

esperar para um touro, os que nascem neste signo possuem

grandes reservas de vigor e resistência e também podem ser

teimosos. Mas também são vistos como fiéis, afetuosos,

pacientes, confiáveis e de espírito artístico.

GÊMEOS (21 de maio a 20 de junho): Os geminianos são

considerados versáteis, animados, curiosos, sagazes e

eloqüentes, mas muitas vezes superficiais. Como Castor e

Pólux, os gêmeos mitológicos que deram origem ao nome da

constelação, os geminianos são tidos como dedicados a suas

famílias.

CÂNCER, O CARANGUEJO (21 de junho a 22 de julho): Os

cancerianos são considerados intuitivos, solidários, rabugen-

tos, tenazes, voltados para a família, imaginativos e domésti-

cos. Como o caranguejo, eles podem ser duros por fora, mas

moles por dentro.

LEÃO (23 de julho a 22 de agosto): Os leoninos são

descritos como atrevidos, dramáticos, autoconfiantes,

generosos, sociáveis e orgulhosos. Como o rei da selva,

podem se mostrar dominadores, corajosos e sedentos de

atenção.

VIRGEM (23 de agosto a 22 de setembro): Os virginianos

são considerados analíticos, atentos a detalhes, zelosos,

astutos e críticos, e tendem a ser perfeccionistas. Associados

à imagem de uma donzela, os virginianos também podem ser

recatados e cautelosos.

LIBRA, A BALANÇA (23 de setembro a 22 de outubro):

Os librianos são tidos como elegantes, de boa índole,

idealistas, românticos e inteligentes, mas muitas vezes

indecisos. A constelação de Libra é representada como uma

balança e os librianos são tidos como equilibrados em suas

idéias e emoções e pesam as coisas com cuidado.

ESCORPIÃO (23 de outubro a 22 de novembro): Os

escorpianos são considerados exaltados, ardorosos,

reservados, sedutores, enérgicos e vingativos. Como o animal

que inspira seu nome, os escorpianos podem ser rápidos e

ousados e atacam na hora certa.

SAGITÁRIO, O ARQUEIRO (23 de novembro a 21 de

dezembro): A constelação de Sagitário é representada como

um centauro que puxa a corda de um arco e os sagitarianos

são tidos como amantes da vida ao ar livre, dos esportes e

dos animais. Honestos e de espírito filosófico, são também

considerados inquietos, intrépidos e bem-humorados.

CAPRICÓRNIO, A CABRA (22 de dezembro a 19 de

janeiro): Como as cabras, os capricornianos são tidos como

personalidades estáveis e confiáveis que, no entanto, podem

saltar por cima dos perigos e afastar com chifradas os

obstáculos que surgem em seu caminho. São também vistos

como ambiciosos, organizados, disciplinados, práticos e

materialistas.

AQUÁRIO (20 de janeiro a 18 de fevereiro): Os

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aquarianos são vistos como originais, visionários, amigáveis e

idealistas, mas são também desprendidos e obstinados. O

signo é tradicionalmente representado pelo desenho de uma

pessoa segurando uma jarra de água. Esta imagem simboliza

a filantropia e o altruísmo.

PEIXES (19 de fevereiro a 20 de março): Como convém

ao signo de Peixes, os piscianos são tidos como amantes da

água e da natação. Sensíveis, receptivos, emotivos,

imaginativos e compassivos, são também considerados

desorganizados e sem senso prático.

O significado dos planetas

Os astrólogos acreditam que o Sol, a Lua, Mercúrio,

Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão re-

presentam, cada um, um aspecto singular da personalidade

ou do caráter. Estes são seus significados tradicionais:

O SOL, o maior e mais brilhante corpo celeste do

sistema solar, representa a essência da personalidade, seus

aspectos fundamentais e seu modo de encarar a vida.

A LUA representa as reações emocionais e as

necessidades inconscientes.

MERCÚRIO, cujo nome deriva do mensageiro dos deuses

romano, representa a comunicação. O mais veloz dos

planetas, também se destaca pela inteligência e capacidade

de mudar.

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VÊNUS, o planeta mais brilhante do céu, recebeu o

nome da deusa romana do amor. Simboliza o romance, as

afinidades, o amor e a beleza.

MARTE, cujo nome deriva do deus romano da guerra e

pode ser identificado pela coloração avermelhada, simboliza a

agressividade, o vigor físico e a capacidade de tomar

iniciativas.

JÚPITER, o maior dos planetas do sistema solar,

representa a boa sorte, a oportunidade e a capacidade de

ampliar os horizontes. Júpiter foi o deus supremo do panteão

romano, equivalente ao deus grego Zeus.

SATURNO, o mais lento dos planetas visíveis, representa

os obstáculos, temores e desafios. Saturno foi o deus romano

da lavoura.

URANO, cujo nome deriva do deus grego do céu,

Ouranos, representa o lado excêntrico e rebelde de uma

pessoa. Indica mudança repentina, revolta e impaciência.

NETUNO representa imaginação, criatividade, sonhos e

capacidade de distinguir a realidade da ilusão. Netuno tem

seu nome derivado do deus romano do mar e representa

coisas profundas.

PLUTÃO, o planeta mais distante do Sol, representa a

obsessão, o inconsciente e a capacidade de transformar a

própria vida. Plutão era o equivalente romano do deus grego

Hades, deus do mundo subterrâneo dos mortos.

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Um barrete nada mais é que um tipo

específico de boné, redondo e sem bordas. Você

poderá encontrar barretes vermelhos cobrindo a

cabeça de um simpático carregador de malas em

um hotel, por exemplo. Os passageiros do Expresso

de Hogwarts, contudo, preferem manter distância

dos barretes vermelhos — pelo menos do tipo

horripilante estudado em Defesa contra as Artes das Trevas.

Também chamado de "chapéu sangrento" ou "pente

vermelho", um barrete vermelho é um duende malvado do

folclore inglês que assombra as ruínas de castelos onde

batalhas sangrentas aconteceram. Com seus longos cabelos

grisalhos, olhos vermelhos faiscantes e dentes pontudos, o

barrete vermelho poderia ser confundido com um velho muito

feio, não fosse por seu chapéu vermelho característico, que

tem essa cor por ter sido mergulhado em sangue. Ele carrega

uma bengala com uma ponta afiada de metal, que usará com

prazer contra qualquer um tolo o bastante para ficar vagando

pelas ruínas de um castelo. Afinal de contas, o sangue de uma

nova vítima é tudo de que ele precisa para avivar a cor de seu

chapéu.

Para aqueles que insistirem em visitar velhas ruínas há

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uma boa maneira de se proteger contra os barretes

vermelhos: leia a Bíblia em voz alta. O barrete vermelho dará

um grito e desaparecerá, deixando como souvenir um de seus

horríveis dentes.

Prisioneiro de Azkaban, 8

O basilisco é um de nossos monstros prediletos.

Dependendo de quem conte a história, pode ser uma serpente

que cospe veneno, um lagarto feroz, um dragão gigantesco ou

uma quimera completa, ostentando a cabeça e as asas de um

galo num corpo de cobra. A exemplo da enorme cobra verde

que Harry encontra na Câmara Secreta, o basilisco é sempre

assustador e muitas vezes mortífero, capaz de matar suas

vítimas apenas com o olhar.

A referência mais antiga a esse réptil encantador está

em Plínio o Velho, escritor latino do século I, cujo livro História

Natural demonstra boa parte do

que os antigos romanos

pensavam acerca do mundo natu-

ral. Segundo Plínio, o basilisco é

uma cobra pequena mas letal, de

no máximo 30 centímetros de

comprimento, nativa da África do

Norte. Conhecido como "rei das serpentes" por causa das

marcas na cabeça semelhantes a uma coroa (basiliskos, em

grego, significa "pequeno rei"), o basilisco avançava contra a

sua presa com o corpo erguido e não em ziguezague sobre o

solo, como fazem as outras cobras, e podia atear fogo aos

arbustos e partir pedras ao meio com um simples sopro. O

basilisco vivia no deserto, não por escolha própria, mas

porque, onde quer que ele vivesse, a terra acabava por virar

um deserto por causa de seu hálito que queimava tudo. Seu

veneno era tão forte, segundo Plínio, que, se um homem

montado em um cavalo matasse um basilisco com uma lança,

o veneno subiria através da haste da lança, mataria o

cavaleiro e depois também o cavalo.

Não sei se podemos dizer que uma cobra tenha um

calcanhar-de-aquiles, mas, se pudermos, o basilisco tinha

dois: não suportava o cheiro de uma doninha nem o canto de

um galo. Para abater um basilisco com o cheiro de uma

doninha, era necessário, primeiro, atrair a serpente para a

toca de uma doninha. Depois era preciso fechar as entradas e

saídas e, com isso, a serpente terminaria por sucumbir ao

odor da doninha. Matar um basilisco com um galo era bem

mais fácil. Segundo o escritor romano Claudius Aeliano, o

mero som do canto de um galo levaria o basilisco a sofrer

convulsões e morrer (foi para proteger o basilisco que estava

na Câmara Secreta contra esse risco que Tom Riddle fez com

que vários galos fossem abatidos em Hogwarts). Mas talvez a

melhor proteção contra o basilisco seja pôr um espelho na sua

frente, fazendo-o dirigir o seu olhar mortífero contra si mesmo

e assim matá-lo de medo.

À exemplo de muitas criaturas imaginárias, o basilisco

provavelmente foi inspirado num animal verdadeiro — nesse

caso, a naja egípcia, uma cobra que tem um veneno letal, se

movimenta de cabeça erguida e tem, na cabeça, marcas

semelhantes a uma coroa. Porém, como era comum na

antigüidade, os escritores que descreviam os costumes e as

criaturas de terras distantes muitas vezes o faziam sem

colocar o pé fora de casa. Em vez disso, baseavam seus

textos em relatos de segunda mão, feitos por viajantes

estrangeiros que obviamente acrescentavam muitas coisas às

suas histórias a fim de torná-las mais interessantes. À medida

que as histórias iam sendo contadas e repetidas, a tradição

dos basiliscos se ampliou.

Na Idade Média, livros populares sobre animais míticos

passaram a descrever o basilisco como um monstro bizarro,

com corpo de serpente (nas tradições grega e romana era

totalmente serpente) e cabeça, asas e às vezes os pés de um

galo. Essa versão da criatura, segundo a lenda, podia ser

encontrada tanto na Inglaterra como na África, era conhecida

como basilisco ou ainda cockatrice, que vem do inglês cock,

"galo". Essa estranha e improvável mistura de cobra com

galinha se originou, ao que parece, de histórias relacionadas

ao seu nascimento. Segundo elas, o basilisco foi chocado num

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ovo de galinha, que continha um galo, que havia sido deixado

na encosta de um morro e chocado por um sapo. É essa a

imagem do basilisco que era amplamente conhecida e

retratada na arte e na heráldica medievais, às vezes com o

corpo coberto de penas, às vezes coberto de escamas.

O basilisco da Câmara Secreta, no entanto, é

obviamente do tipo mais antigo, sendo estritamente uma

cobra, das bem grandes, como convém ao herdeiro de

Slytherin.

Câmara Secreta, 16

O basilisco hoje

O bicho que hoje chamamos de basilisco é um curioso

lagarto tropical encontrado nas florestas úmidas da América

Central e do Sul. Membro da família dos iguanas, vive nas

árvores e entre as pedras e é capaz de correr velozmente cur-

tas distâncias sobre a superfície da água, erguido sobre as

pernas traseiras, com o corpo quase ereto. É um nadador e

um escalador excelente, alimenta-se de insetos, aranhas e

outros animais pequenos. Em virtude de aparentemente

poder caminhar sobre a água, às vezes é chamado de lagarto-

jesus.

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O bicho-papão é bem conhecido no folclore do norte da

Inglaterra como um espírito capaz de mudar de forma que,

embora geralmente invisível, pode materializar-se como um

ser humano, um animal, um esqueleto ou até um demônio. A

maioria dos bichos-papões, como aquele que o professor

Lupin guarda dentro de um armário em Hogwarts, adora

assustar as pessoas. Alguns são apenas travessos,

assemelhando-se ao Poltergeist em seus esforços para

produzir o caos em uma casa bem-arrumada. Segundo a

tradição, sabemos que uma dessas criaturas intrometidas

está por perto quando portas batem sem motivo, velas se

apagam de repente, ferramentas somem e ruídos misteriosos

ecoam pela casa toda. Outros bichos-papões de natureza mais

perniciosa espreitam no escuro, na beira das estradas, e

assustam viajantes solitários, por vezes causando ferimentos

ou morte.

O bicho-papão é um parente, e alguns talvez digam até

que é o irmão maligno, do brownie, uma criatura bem mais

amistosa. Os brownies aparecem nas lendas inglesas como

ajudantes nas tarefas domésticas, que assumem grande

responsabilidade pelo bom estado do lar onde habitam e

trazem sorte ao dono da casa. Podem limpar a sujeira,

completar tarefas inacabadas, fazer pão, colher cereais,

pastorear ovelhas e consertar ferramentas quebradas e

roupas rasgadas. Em troca de seus serviços, eles têm direito a

ganhar toda noite uma tigela de leite ou coalhada e uma fatia

de bolo. Se uma recompensa maior for oferecida, será tomada

como uma ofensa, e os brownies se ofendem e se zangam

facilmente. Então, pode aparecer um bicho-papão no lugar do

brownie.

Acredita-se que os bichos-papões domésticos sejam

escuros, peludos e feios, com mãos e pés exageradamente

grandes. Para completar o visual, vestem-se de trapos.

Séculos atrás, quando se achava que uma casa estava

infestada por um bicho-papão, o proprietário em geral fazia

um esforço enorme para se livrar dele. Mas os bichos-papões

eram teimosos e às vezes uma família podia se ver forçada a

mudar para outra cidade a fim de escapar. Mesmo assim, nem

sempre funcionava: há a história de um fazendeiro que ficou

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tão farto da destruição causada por um bicho-papão que fez

as malas da família toda, juntou seus pertences e partiu para

uma nova residência. Quando estava saindo de casa, um

vizinho surpreso perguntou se ele estava se mudando. Antes

que o homem pudesse responder, uma voz vinda de dentro de

suas malas disse, muito alegre: "Sim, estamos indo embora!"

O fazendeiro e sua família deram meia-volta e voltaram tristes

para casa, sabendo que não havia como fugir do bicho-papão

espertalhão.

Prisioneiro de Azkaban, 7

Outros tipos de bicho-papão

"Seja bonzinho senão o bicho-papão vai te pegar!" Você

já deve ter ouvido isso, não? Um bicho-papão é um ser

sobrenatural que fica à espreita embaixo da cama, dentro de

armários, embaixo de escadas escuras e em qualquer outro

local sombrio ou assustador. O bicho-papão não tem uma

aparência definida. Em vez disso, como ocorreu em Hogwarts,

ele assume qualquer forma capaz de nos aterrorizar ao

máximo.

O bicho-papão é um descendente de dois outros

espíritos malignos, o bogle escocês e o boglie inglês, ambos

estreitamente relacionados ao bicho-papão. O bogle é capaz

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de mudar de forma e pode se parecer com qualquer coisa,

desde um cachorro até uma nuvem ou um saco de milho. Os

bogles são famosos por pregar peças a viajantes, mas só

fazem realmente mal a bandidos que mereçam uma punição.

Os bogies são descritos como duendes travessos, pequenos,

negros e peludos. Assim como o bicho-papão, nos países de

língua inglesa muitas vezes um adulto diz que vai chamar um

bogie para intimidar as crianças e fazer com que se

comportem direito.

Vou olhar em minha bola de cristal...

Hoje, essas palavras costumam ser ouvidas como uma

réplica sarcástica a perguntas sobre o futuro insondável. No

entanto, para os praticantes das diversas artes da

adivinhação olhar na bola de cristal é assunto sério. Em

Hogwarts, a professora Trelawney ensina aos alunos do

terceiro ano a forma correta de observar a esfera nebulosa —

garantindo que a paciência e a tranqüilidade terminarão por

recompensá-los com a visão do futuro. Harry, Rony e

Hermione são, no mínimo, céticos, mas outros alunos que

acreditam no poder revelador da bola de cristal sem dúvida

não estão sozinhos.

Embora antes da Idade Média não se tenham usado

autênticas bolas de cristal, a cristalomancia — arte de

contemplar o cristal natural ou polido no intuito de ver o

futuro — pertence a uma tradição muito mais antiga. É uma

forma de ler o cristal — método de adivinhação que consiste

em contemplar uma superfície límpida ou reflexiva até que

algumas imagens comecem a se formar dentro do próprio

objeto ou no interior da mente da pessoa. Parece que todas as

culturas praticaram algum tipo de leitura de cristais. Na

antiga Mesopotâmia, os adivinhos derramavam azeite em

vasilhas de água e interpretavam as formas que apareciam na

superfície. O profeta bíblico José levava consigo um cálice de

prata que usava tanto para beber como para ver o futuro. Os

antigos egípcios, árabes e persas contemplavam vasos de

tinta, ao passo que os gregos miravam espelhos

resplandecentes e metal polido na esperança de ter visões

esclarecedoras. Os romanos foram os primeiros verdadeiros

cristalomantes, preferindo contemplar cristais de quartzo ou

de berilo polidos (se bem que não necessariamente

redondos).

Mesmo naquele tempo, alguém tão cético quanto

Hermione não poderia ser um bom vidente, uma vez que a

sinceridade, uma disposição mental positiva e a fé no método

eram consideradas as chaves do sucesso. O cristalomante

ideal devia ser física e espiritualmente puro, preparando-se

para cada leitura mediante alguns dias de prece e jejum. Para

as sessões de leitura do cristal, costumava-se usar um

aposento especial, com atmosfera solene e cerimoniosa. Tais

preparativos e cuidados com os detalhes destinavam-se a

ajudar o vidente a alcançar um estado de transe enquanto

mirava o cristal, aumentando a probabilidade de que

aparecessem imagens na sua mente. Os antigos pensavam

que tudo o que era visto por cristalomantes provinha da

mente deles e não do interior do cristal em si. Mesmo assim,

essas visões eram tidas como autênticas profecias e não

meros devaneios.

Em certas tradições, as crianças eram consideradas os

melhores leitores de cristais, visto que eram espiritualmente

puras e provavelmente mais abertas à imaginação do que os

adultos. Essa teoria teve aceitação geral na Europa

renascentista, quando eventualmente se usava uma criança

para prever o futuro, por meio de um ritual de leitura do

cristal semelhante ao dos antigos, que compreendia preces,

incenso e palavras mágicas. Nesse período, crianças e adultos

passaram a contemplar bolas de cristal com finalidades mais

práticas, tais como descobrir a identidade de criminosos ou

localizar bens perdidos ou roubados. Um relato de 1671, por

exemplo, fala de um comerciante que, se vendo cons-

tantemente roubado, resolveu vagar pelas ruas próximas, à

meia-noite, em companhia de um menino e de uma menina,

orientados a olhar num cristal até verem as feições do ladrão.

Nunca saberemos, contudo, se o comerciante conseguiu

pegar o homem certo.

Sem dúvida, a bola de cristal mais famosa do

Renascimento pertenceu a John Dee, um matemático e

astrônomo inglês muito respeitado, contratado para calcular

astrologicamente o momento correto para a coroação da

rainha Elizabeth I, em 1558. Dee se interessava profunda-

mente pela arte de ler o cristal, vendo nela um modo de fazer

contato com o mundo dos anjos e dos espíritos, os quais ele

acreditava que tinham um conhecimento que não podia ser

descoberto por qualquer outra via. Dee possuía uma bola de

cristal que descreveu como "brilhantíssima, claríssima e

magnífica, do tamanho de um ovo". Infelizmente, porém, por

mais que Dee olhasse a bola de cristal, nada enxergava. Em

vez de desistir, contratou Edward Kelly, um leitor de cristal

profissional que muitos estudiosos crêem ter sido um

vigarista. Durante anos, os dois trabalharam juntos. Dee fazia

perguntas, Kelly olhava na bola de cristal e informava as

respostas. Juntos, Dee e Kelly receberam uma quantidade

enorme de mensagens dos espíritos, entre as quais uma que

previa a execução de Maria, a rainha dos escoceses, que de

fato ocorreu em fevereiro de 1586. A bola de cristal de Dee se

encontra, hoje, no Museu Britânico, em Londres, Inglaterra.

A exemplo de Dee, alguns videntes de bola de cristal

modernos usam seus globos para tentar se comunicar com o

mundo dos espíritos. Outros lêem a sorte ou tentam localizar

pessoas desaparecidas. A maioria utiliza métodos

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semelhantes aos dos tempos antigos, embora seus

preparativos não sejam tão rigorosos. Dão muita atenção ao

aspecto geral da sala e a leitura da bola de cristal costuma ser

feita na penumbra. A bola de cristal é, em geral, uma esfera

perfeita com cerca de dez centímetros de diâmetro e pode ser