O Mistério que Nunca Existiu por Enid Blyton - Versão HTML

ATENÇÃO: Esta é apenas uma visualização em HTML e alguns elementos como links e números de página podem estar incorretos.
Faça o download do livro em PDF, ePub, Kindle para obter uma versão completa.

index-1_1.jpg

index-1_2.jpg

Enid Blyton

O mistério que nunca existiu

http://groups.google.com/group/digitalsource

Infanto-Juvenil

Clássica Editora

Colecção Juvenil nº 10

3ª Edição, Lisboa, 1988

Esta obra foi digitalizada sem fins comerciais e destina-se unicamente à

leitura de pessoas portadoras de deficiência visual. Por força da lei de direitos

de autor, este ficheiro não pode ser distribuído para outros fins, no todo ou em

parte, ainda que gratuitamente.

O Mistério que nunca existiu

Tradução de Maria De Meneses

Ilustrações de José Augusto Cambraia

3ª Edição

Título original: The mystery that never whas

Enid Blyton

Todos os direitos reservados para a língua portuguesa

por Clássica Editora

Impressão e acabamento: Imprensa Portuguesa

Tiragem 4000 Exemplares

Capítulo I

Notícias à hora do almoço

Nicky Fraser desceu a escada em grande velocidade, com o seu cão junto

aos calcanhares, a ladrar muito excitado. O pequeno terrier atirou-se de

encontro à porta da sala de jantar, que ficou escancarada e bateu contra a

parede.

A família estava a almoçar. O pai do Nicky zangou-se.

- Nicky! Que tens tu esta manhã? Leva já esse cão daqui!

A senhora Fraser pousou a caneca do café e afastou o Punch, que dava

saltos alegres na sua frente.

A avó sorriu para o Nicky e deu uma pancadinha na mão do pai dele.

- Exactamente como tu costumavas ser quando eras da mesma idade! -

disse ela.

- Bom dia, família! - disse o Nicky, sorrindo abertamente para todos em

volta, ao mesmo tempo que se dirigia ao aparador para se servir de ovos

mexidos. - Vejo que se esqueceram do dia que é hoje!

- Já te disse que levasses esse Cão para fora da sala - repetiu o pai.

- Dia? Que dia especial é então? - perguntou a avó. - Um aniversário não é,

isso sei eu!

- Não, avó! É o primeiro dia de férias! Olá! Quatro famosas e compridas

semanas para fazer só o que eu quiser!. - Começou a cantar em voz alta. Ai! ó

larila. .

- Pára com esse barulho - ordenou o pai. E leva esse... cão para fora desta

casa! - concluiu o Nicky.

Colocou o seu prato na mesa e voltou-se para dar um inesperado abraço

ao pai. - Oh, pai, é o primeiro dia de férias! Vem daí, pai, até aposto que

também tu costumavas cantar de alegria!

- Senta-te - disse o pai -, também espero cantar de alegria quando vir o teu

relatório da escola. Punch, tira-te de cima dos meus pés.

Punch levantou-se e foi deitar-se sobre os pés da avó. Deu uma lambidela

afectuosa na perna dela. Era-lhe muito afeiçoado, pois nunca lhe gritava!

- Calculo que tu e o Kenneth têm muitos planos para estas férias! - disse a

senhora idosa. - É uma sorte ele habitar aqui ao lado.

- Muita sorte! - disse o Nicky pondo manteiga no pão.

- Para falar verdade não temos nenhum plano combinado. Pensamos em

ensinar mais algumas habilidades ao Punch, tal como ir buscar sapatos ou

chinelos para as pessoas. Avó, não te agradaria que o Punch te fosse buscar as

chinelas para calçares quando voltasses de um passeio?

- Deus do Céu! - exclamou o pai. - Não me digam que vamos agora

encontrar chinelas espalhadas por toda a parte!

- Que é que esse cão está a comer? - perguntou a senhora Fraser ao ouvir

um ruído forte de mastigação que vinha de debaixo da mesa.

- Oh! Nicky, deste-lhe outra vez um bocado de torrada.

-Até aposto que foi a avó que lho deu - disse o Nicky. - Punch, acaba com

essa maneira tão grosseira de comer. Pai, dás-me os dez xelins do costume, se o

meu relatório for bom? E uma libra, se for excelente?

- Sim, sim, sim - disse o pai. - Agora está calado. Quero ler o jornal e a tua

mãe nem sequer pôde ainda ler as suas cartas.

- A senhora Fraser estava a ler uma carta. Os olhos espertos do Nicky

reconheceram a caligrafia.

- Aposto que é do tio Bob! - disse. Não é, mãe? Ele tem tido algum trabalho

interessante ultimamente?

- Sim, é do meu irmão Bob - respondeu a mãe, pousando a carta. -Vem

estar uma temporada connosco e.

- Bravo! - gritou o Nicky, pousando igualmente a chávena, com um baque.

Ouviste aquela notícia, Punch?

O Punch ladrou alegremente, saiu de sob a mesa e com a cauda dava

pancadas na perna do senhor Fraser.

Mas foi prontamente afastado.

-Mãe! Oh, mãe, virá cá para fazer algum trabalho, a mãe sabe? - perguntou

o Nicky com os olhos brilhantes. - Aposto que sim! Mãe. terá de fazer alguma

investigação por aqui? Eu vou ajudá-lo se assim for. E o Ken também. Que

trabalho será? É alguma coisa que nós.

- Nicky! Não te excites tanto! - exclamou a mãe.

- Não. O tio Bob vem até cá porque esteve doente e precisa de descanso.

- Ora que pena! Eu cuidei que ele podia vir em perseguição de um

assassino ou de um contrabandista ou de um raptor, ou de coisa assim parecida

- disse o Nicky desapontado. - Sabe, mãe, eu sou o único rapaz da escola que

tem um tio detective!

- Um investigador particular - corrigiu a mãe. - O seu trabalho é.

- Ora, eu sei muito bem o que é o seu trabalho - disse Nicky comendo

outra torrada. - Têm muitos investigadores na televisão. Na semana passada

um deles teve de resolver um caso terrivelmente difícil. Acabou por uma

perseguição a um aeroplano, e...

- Tu vês demasiadamente a televisão - observou o pai, a juntar as suas

cartas. E agora presta atenção: Se o tio Bob vem para descansar não gostará de

ter hordas de rapazes da escola que venham para escutar as suas aventuras!

Não é de esperar que o Bob fale a respeito delas, são sempre assuntos

particulares. Ninguém deve saber que é ele o tio de que te tens gabado.

- Oh, pai, nem sequer posso dizer ao Ken? - perguntou o Nicky cheio de

tristeza.

-Bem, eu suponho que te não é possível esconder seja o que for do

Kenneth - observou o pai ao sair do quarto. - Mas, nota bem, só o Kenneth!.

-Vou dizer-lho já, depois de almoço! - respondeu o Nicky, e passou outro

bocado de torrada para debaixo da mesa. - Ouviste as novidades, Punch? Que

bom, vamos ter divertimento com o tio Bob. Mãe, já alguma vez o viste com um

dos seus disfarces? Posso telefonar-lhe a pedir que amanhã venha disfarçado

para ver se o Ken ou eu o reconhecemos?

- Não sejas ridículo, Nicky - respondeu a mãe. - E, ouve, não há idas para o

Ken até que tenhas arrumado o teu quarto. Parece que todos os teus livros da

escola estão espalhados pelo chão!

-Tem razão, mãe! - respondeu o Nicky. - Ah! pensar que é o primeiro dia

de férias! Vem daí, Punch! Vai andar muito ocupado nas próximas semanas a

aprender uma quantidade de novas habilidades! Agora é que é a boa época de

aprender, enquanto és novo! E tu ainda nem tens um ano. Foge!

O Punch correu. Partiu em direcção do átrio, fez voar o capacho, subiu a

escada a ladrar. Pensou que devia ser sábado porque o Nicky não ia para a

escola. Deu umas corridas em volta da cama, no quarto do Nicky, à máxima

velocidade e a ladrar doidamente. Oh, que alegria ter o Nicky em casa durante

o dia todo!

O Nicky apanhou todos os seus livros dispersos e resolveu empilhá-los na

chaminé, onde não estorvassem.

- Todas as minhas prateleiras estão cheias - explicou ele ao Punch. -

Portanto, a chaminé é o sítio indicado. Eles vão encher metade da altura da

chaminé, calculo eu. Em seguida escapo-me lá para baixo e telefono ao tio Bob.

Agora pára de ladrar, Punch, ou farás a mãe ralhar connosco.

Esgueirou-se para baixo, até ao escritório, depois daquele colosso de

arrumação.

Não parecia estar por ali ninguém. Entrou, fechou a porta e sentou-se ao

telefone. Marcou o número do tio e esperou com impa ciência. E o Punch ali

ficou, o mais chegado que pôde.

O secretário do tio respondeu. - Ah, é o Sr. Hewitt? - perguntou Nicky. -

Bem, oiça. O tio Bob vem estar connosco amanhã. Diga-lhe que o vou esperar

com o meu amigo Kenneth e que gostava que ele viesse disfarçado para ver se o

reconhecemos. Não se esqueça, não?

- Eu darei o recado - respondeu a voz do outro lado do telefone. - Isto é, se

o vir antes de partir, mas talvez que eu.

O Nicky ouviu um barulho de passos que vinham do átrio, despediu-se à

pressa e pousou o auscultador. Sentia que o pai havia de considerar um

desperdício de chamadas telefónicas fazer semelhante pedido ao tio Bob.

Felizmente os passos atravessaram em frente da porta do escritório e o

Nicky esgueirou-se sem ser visto.

- Vem daí Punch! Vamos ter com o Ken e dizer-lhe que o tio Bob vem até

cá - gritou ele ao excitado cão. - Corre para o jardim. Anda!

Capítulo II

Na sombra do caramanchão

O Punch, tomou pelo atalho que os rapazes sempre utilizavam, desde a

porta traseira, através do pátio, descendo o jardim até a um buraco feito na

sebe. A senhora Hawes, a pessoa que vinha todos os dias ajudar os trabalhos da

casa, ameaçou o Punch com a vassoura quando este passou a correr e quase a

fez tropeçar.

- Tu e aquele rapaz! - gritou ela. Sessenta milhas à hora e sem travões!

Antes mil vezes um gato!

O Punch e o Nicky enfiaram pelo buraco da sebe de teixo e o Nicky soltou

um assobio agudo.

Foi imediatamente correspondido por Kenneth, que estava no

caramanchão do seu jardim. O Punch chegou lá primeiro do que o Nicky e

saltou sobre o Kenneth, a quem, a seguir ao Nicky, adorava de todo o coração.

Lambeu-o de alto a baixo, dando ao mesmo tempo pequenos ganidos.

- Vais gastar toda a língua - disse Kenneth. - Agora acaba com isso, Punch!

Já me lavei duas vezes esta manhã.

Que cão este! Olá, Nicky! Já vejo que o Punch está maluco, como é

costume. E tu também, já estou a ver!

O Nicky sorriu.

- Olá, Ken! Não achas maravilhoso não haver colégio de manhã? Foi a

primeira coisa em que pensei ao acordar. Como vão os teus

porquinhos-da-índia?

- Muito bem. Acabei agora mesmo de lhes dar de comer - disse o Ken. -

Olha para este miudinho, o mais novo da ninhada e o mais esperto. Tira-te daí,

Punch! Este cão é muito metediço, não é, Nicky? Metediço seria um nome muito

mais adequado para ele do que Punch.

- Ouve, Ken, tenho umas novidades para ti! - declarou o Nicky afastando

Punch da gaiola das cobaias. - Espera um minuto só.

Onde está a abelhuda da tua mana? Estará aqui perto?

- Pode ser que esteja - disse o Ken baixinho. Foi até à porta do

caramanchão para ver se a sua irmã Penélope estaria por ali. - Não, está o

caminho livre - declarou ele, voltando para trás.

-A Penny é tão metediça como aqui o velho Punch - disse o Nicky. -

Escuta, Ken, sabes quem é o meu tio Bob, aquele que é uma espécie de

detective?

- Bem sei. Que tem ele? Descobriu algum mistério ou coisa parecida? -

perguntou o Ken, imediatamente interessado.

- É verdade, viste aquela peça policial na televisão, ontem à noite?

Ninguém podia descobrir quem roubara o.

- Não, não vi. Mas escuta, Ken. O tio Bob chega esta manhã e eu

telefonei-lhe e pedi-lhe que viesse disfarçado, para nós lhe provarmos como

somos hábeis em seguir uma pista e descobrir qualquer dissimulação. O tio Bob

é admirável na maneira de se disfarçar, mostrou-me uma vez o seu

guarda-roupa especial, completamente atafulhado com toda a variedade de

fatos e de chapéus. Gostava que tu pudesses vê-lo!

- Catita! - exclamou o Ken. - Ouve, achas que ele vem para fazer um

serviço de detective aqui na nossa cidade? Poderemos ajudá-lo? Nós não somos

nada maus quando nos mascaramos, pois não? Lembras-te daquela vez quando

tu te mascaraste e eu te empurrei no carro até lá abaixo, no Dia de Guy Fawkes?

Se não tivesses um ataque de tosse ninguém teria percebido que eras tu que

estavas com a máscara do boneco (N. do T. - A 5 de Novembro comemora-se em

Inglaterra a data do fim de uma conspiração e queima-se um boneco mascarado de Guy

Fawkes, que foi a principal figura desse episódio.).

-A minha mãe diz que ele não vem fazer nenhuma investigação - explicou

o Nicky com pena. - Mas, claro, pode não lhe ter dito, mesmo que haja qualquer

coisa. Supõe-se que vem por estar necessitado de descanso.

- Isso é uma história e nada mais. Eu não acredito! - declarou o Kenneth

com ar de troça. - Nunca em minha vida vi ninguém com aquele aspecto de

estoirar de saúde como o teu tio Bob. Lembras-te de quando ele nos fez

caminhar milhas uma vez? Pessoalmente sinto satisfação por saber que precisa

de descanso.

- Bem, o que é certo é que chega hoje - afirmou o Nicky. - E, como te

contei, pedi-lhe que viesse disfarçado. Está sempre disposto a brincar, bem

sabes. Com que disfarce achas tu que ele virá?

Houve uma pausa. O Ken coçou a cabeça.

- Bem. Talvez apareça como um velhote - disse por fim.

- Sim, pode vir como um velho, concordou o Nicky. - Ou como um

carteiro. Eu vi um uniforme de carteiro no seu guarda-roupa. Em todo o caso há

uma coisa que ele não pode disfarçar. Os seus enormes. pés

- Não virá disfarçado de mulher?- perguntou Ken.

-Não me parece, teria dificuldade com a voz - explicou o Nicky ao

considerar a hipótese. - E com o andar, também. O tio Bob tem um andar bem

próprio de homem.

-Ora, também a professora de equitação da Penny o tem - fez notar o Ken.

- E a voz dela também é bem grossa. É assim.

E, perante a surpresa alarmada do Punch, começou a falar numa curiosa

voz rouca e grave. O Punch, começou logo a rosnar.

- Não há novidade, Punch - riu-se Nicky, fazendo-lhe festas. - Foi uma boa

imitação; Ken. Pois o que vamos fazer é isto: ir à estação esperar o comboio de

Londres, acompanhados pelo Punch, e.

- Mas isso não seria justo - objectou o Ken. - O Punch, reconheceria

imediatamente o tio pelo faro. Será melhor deixá-lo aqui. Ele iria fazer o que

sempre faz, quando vê ou cheira qualquer pessoa sua conhecida: começa a

andar em círculos à sua volta e a ladrar o mais que pode.

- É verdade, tens razão. Não levamos o nosso velho Punch, nesse caso -

declarou o Nicky. -Vai ficar muito desgostoso.

Vamos deixá-lo fechado no teu caramanchão.

- Não. Iria uivar até fazer a casa cair - disse o Ken. - Fecha-o no teu.

- Está bem - concordou o Nicky. Ouves isto, meu caro Punch? O

caramanchão para ti, vês, enquanto nós vamos em passeata. Mas se não fizeres

barulho dou-te um osso muito grande.

- Puff! - fez o Punch abanando violentamente a cauda à palavra osso. Os

rapazes fizeram-lhe festas e ele todo se rebolou, iniciando o seu favorito hábito

de pedalar com as quatro patas para o ar.

- Burro - disse o Nicky. - Que vamos nós fazer até ao meio-dia, Ken? O

comboio de Londres chega por volta das doze e cinco.

- Schiu! - fez o Ken ao ouvir a voz de alguém que estava a cantar. - É a

Penny. Faz de conta que estás a arranjar o caramanchão, no caso de ela querer

que nós a ajudemos nalguma coisa.

Os dois rapazes começaram imediatamente a pegar em caixas, com modo

febril, e a arranjar as coisas que estavam sobre as prateleiras sujas. À porta

espreitou um rosto.

- Olha, cá estão eles! - exclamou a Penny, entrando logo no caramanchão.

Tens levado muito tempo a dar de comer às tuas cobaias, Ken. A mãe estava

intrigada sem saber o que estavas a fazer.

- Diz antes que tu é que estavas intrigada! - respondeu o Ken, todo

ocupado a limpar uma prateleira muito poeirenta para cima da Penn. - Repara!

Nós estamos a trabalhar, como podes ver. Se queres, ajuda-nos, embora seja

uma tarefa bastante suja ter de limpar este telheiro.

- Mas... nunca os vi limpar este caramanchão, nunca! - exclamou a Penny,

a espirrar, por causa da poeira em volta.

Talvez pudessem consertar também o travão da minha bicicleta. Partiu-se

outra vez.

- Penny, estamos ocupados! - respondeu o Ken. - Arranjo-o logo à noite.

Ou então pede ao jardineiro. É muito habilidoso

para isso.

-Sim, eu não quero ficar aqui nesta imundície, com certeza! - declarou a

Penny.

- Patas para baixo, Punch, ! vejam como ele me sujou toda com as patas!

- Oh, por amor de Deus, vai-te embora! -pediu o Ken, e fez voar uma

nuvem de poeira de uma prateleira próxima. A Penny espirrou e apressou-se a

sair. O Nicky olhou para o Ken.

-Achas que devo ir arranjar-lhe o travão? - perguntou. - Pode ter algum

desastre, sabes. Nós temos muito tempo ainda.

- Estou a ouvi-la a pedir ao jardineiro- disse o Ken ao descer do caixote

para que tinha subido. - É uma bisbilhoteira, só veio cá para ver o que

estávamos a fazer! Por que é que as raparigas são tão curiosas? Tens sorte em

não ter uma irmã.

-Sim, eu não desgostava de ter uma irmã pequenina - disse o Nicky. - Não

é lá muito divertido ser único, sabes. É uma sorte para mim tu viveres mesmo

aqui ao lado. E, felizmente, tenho o meu velho Punch!

Puff! - fez o Punch, e lambeu-lhe a mão. O Ken observou as imediações do

caramanchão. -Agora, mais vale limpá-lo como deve ser - disse ele. - Não temos

nada que fazer até ao meio-dia, que é quando chega o comboio de Londres.

Como vamos ficar imundos!

Trabalharam muito e divertiram-se igualmente.

- Palavra de honra, estamos bonitos! - disse o Nicky. - É melhor ir mudar

de roupa, e espero não dar de cara com a mãe no caminho! Encontro-me

contigo, na parte de fora do meu portão, dentro de um quarto de hora. E então

poderemos mostrar ao tio Bob que sabemos ver através de qualquer disfarce

que ele tenha envergado! Vem, Punch! Tens de ficar fechado à chave. até nós

voltarmos. pobre bicho!