O Oraculo do passado, do presente e do futuro. Parte 2 por Bento Serrano - Versão HTML

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ADVERTENCIA INDISPENSAVEL

ÁS DAMAS E CAVALHEIROS

O melhor meio de usar d'estas perguntas e respostas, é extrahir de todas (ou

d'aquellas collecções que se quizer) uma copia em bilhetes de papel grosso,

entregando os que contiver as perguntas aos cavalheiros, e os das respostas ás

senhoras, e depois de bem baralhados se irão lendo aquelles que a sorte

conduzir á vista, e as senhoras respondem no mesmo gosto; porque nenhuma

graça poderiam ter se se estivessem escolhendo como eu já tenho visto

praticar.

A divisão dos bilhetes deve ser feita na proporção dos homens e senhoras

que se queiram entregar a este divertimento, de sorte que não excedam os

perguntadores ás respondentes, nem estas áquelles.

1.ª COLLECÇÃO

PERGUNTA 1.ª

Poderei em vosso peito,

O meu amor depositar?

RESPOSTA 1.ª

O vosso amor em meu peito,

Já occupa distincto lugar.

P. 2.ª

Longe da minha vista,

Podereis lenitivo encontrar?

R. 2.ª

Ausente da vossa companhia,

Bem mal poderei respirar.

P. 3.ª

Com o vosso puro amor,

Posso eternamente contar?

R. 3.ª

Eu vos amo por sympathia,

Heide as leis d'amor respeitar.

P. 4.ª

Pode vosso candido peito,

Meu sincero amor desprezar?

R. 4.ª

Jurei ser a mais constante,

Protestei sempre amar.

P. 5.ª

Um amor puro e sincero,

Podeis em mim acreditar?

R. 5.ª

Ser ingrata, é imprpprio

De quem sabe adorar.

P. 6.ª

No intimo do vosso peito,

Posso meu amor eternisar?

R. 6.ª

O conceito que de vós formei,

Não é possivel expressar.

P. 7.ª

Alguma ideia de lealdade,

Podeis de mim formar?

R. 7.ª

Certa da vossa fidelidade,

Não vos posso mais deixar.

P. 8.ª

Despresareis os grilhões,

Com que amor nos quer ligar?

R. 8.ª

Vossa ternura, m'inspira,

Um amor mui singular.

P. 9.ª

Sabeis a quem amor puro,

Sempre se deve consagrar?

R. 9.ª

Esse manancial de doçuras,

Será para quem o estimar.

P. 10.ª

Posso em vosso coração,

Extremoso amor firmar?

R. 10.ª

A violencia de meus males,

Só vós podereis mitigar.

P. 11.ª

Não vos compadecereis,

De me vêr desesperar?

R. 11ª

Adquiro um triumpho,

Quando vos vejo penar.

P. 12.ª

Sereis sempre indifferente,

A quem não cessa de vos idolatrar?

R. 12.ª

Estou vendo em vosso rosto,

Vivos desejos d'enganar.

P. 13.ª

Ah! Senhora, dizei-me,

Podeis minha dôr suavisar?

R. 13.ª

Não, jámais, só a morte

Vos poderá alliviar.

P. 14.ª

Quereis ver continuamente,

Minhas dores augmentar?

R. 14.ª

Se outra causa vossas dôres,

Só a ella deveis culpar.

P. 15.ª

Podereis acaso um dia,

Com ternura em mim pensar?

R. 15.ª

Se despréso o vosso amor,

Para que haveis de teimar?

P. 16.ª

As chaves de Cupido de vosso

Coração, posso alcançar?

R. 16.ª

Acabai vossas perguntas,

Tanto já não posso aturar.

P. 17.ª

Consentireis que em vosso

Peito, vá meu amor occultar?

R. 17.ª

Não queiraes em lagrimas,

Meu coração sepultar.

P. 18.ª

Em que dia o constante

Amor, vos hade dominar?

R. 18.ª

Quando em vosso coração,

A perfida ingratidão cessar.

P. 19.ª

Não verei a ingratidão,

Em vosso peito abrandar?

R. 19.ª

Sim, quando as angustias

Vosso rosto desfigurar.

P. 20.ª

Não vos compadecereis,

De me ver sempre suspirar?

R. 20.ª

Compassiva me vereis,

Deixando vós d'adular.

P. 21.ª

Jurasteis á negra morte,

Meu coração sacrificar?

R. 21.ª

A vossa falsa constancia,

Protestei sempre imitar.

P. 22.ª

O possuidor de vosso coração,

Não m'haveis d'indicar?

R. 22.ª

Jurei guardar segredo,

Não quero juramento violar.

P. 23.ª

Conheceis em minha alma,

O dom natural d'adorar?

R. 23.ª

A vossas perguntas não respondo,

Escusaes de vos cançar.

P. 24.ª

Entreguei-vos meu coração,

Que mais vos resta a desejar?

R. 24.ª

Vosso desejo é lograr-me,

Tal não podereis realisar.

P. 25.ª

Terei eu assás forças, para

Vosso coração captivar?

R. 25.ª

Vossas supplicas são inuteis,

Nunca me poderão encantar.

P. 26.ª

Quando irei em vosso peito,

Minha cabeça reclinar?

R. 26.ª

Quando as sombras da morte,

Vosso rosto matizar.

P. 27.ª

Nunca a crueldade, hade

Em vosso peito terminar?

R. 27.ª

Só quando vosso modo

Enganador finalisar.

P. 28.ª

Se vos pedir uma entrevista,

Sereis prompta em acceitar?

R. 28.ª

Não vos enfadeis, senhor,

Pois não sei abjurar.

P. 29.ª

Prometteis o implacavel

Odio, para sempre detestar?

R. 29.ª

Assim que vós perdereis

O costume de ludibriar.

P. 30.ª

Dizem que sois eminente,

N'arte de namorar?

R. 30.ª

Nada d'isso em mim vereis,

O que me apraz é ver penar.

P. 31.ª

Meu amor e sinceridade,

Não merece um terno olhar?

R. 31.ª

Queria responder-vos,

Mas não me posso explicar.

P. 32.ª

Prometteis-me algum dia,

Meus suspiros escutar?

R. 32.ª

Sim, no momento em que

Por verdadeiro vos acreditar.

P. 33.ª

Longe da minha vista,

Pode vosso coração socegar?

R. 33.ª

A inconstancia do vosso caracter,

Eu vou fazer decantar.

P. 34.ª

Na mais triste solidão,

Quereis minha alma despenhar?

R. 34.ª

Nas promessas do vosso amor,

Eu já não posso confiar.

P. 35.ª

Os sofrimentos d'um amor

Sincero, não haveis d'evitar?

R. 35.ª

A vossas penas darei fim,

Quando com a morte m'abraçar.

P. 36.ª

Sabeis aonde uma paixão,

Verdadeira nos pode arrastar?

R. 36.ª

Victima da ingratidão,

Em nada posso combinar.

P. 37.ª

Esse genio indifferente,

Não haveis de desterrar?

R. 37.ª

Se visse o coração dos homens,

Poder-me-hia deliberar.

P. 38.ª

Se vos apparecer ás horas,

Dar-me-heis do vosso jantar?

R. 38.ª

Não posso responder-vos,

De meu Pai licença vou solicitar.

P. 39.ª

De vossos gentis encantos,

Posso o gosto saborear?

R. 39.ª

Não direi que não, quando

De vingança me saciar.

P. 40.ª

Desejareis sempre ver,

Meus males continuar?

R. 40.ª

Deixai de ser ingrato,

Vereis meu odio abrandar.

2.ª COLLECÇÃO

PERGUNTA 1.ª

Um verdadeiro amante,

Merecerá vosso coração?

RESPOSTA 1.ª

Tenho deveres a cumprir,

Fallai para o S. João.

P. 2.ª

Se vos pedir um beijo,

Tereis n'isso satisfação?

R. 2.ª

Sim, senhor, se de joelhos

Me pedireis perdão.

P. 3.ª

Se me vireis perecer,

Tereis de mim compaixão?

R. 3.ª

Oh! sim, certamente,

Morrerei d'afflicção.

P. 4.ª

Estarei condemnado,

A soffrer vossa ingratidão?

R. 4.ª

Não digo que sim senhor,

Nem é da minha approvação.

P. 5.ª

As algemas do vosso amor,

Serão d'eterna duração?

R. 5.ª

Estou cançada de tanto,

É muita satisfação.

P. 6.ª

De ser por vós amada,

Posso ter presumpção?

R. 6.ª

Respostas d'esta sorte,

Jámais a ninguem se dão.

P. 7.ª

De ser minha amada,

Tereis gosto e devoção?

R. 7.ª

É verdade que vos amei,

Porem mudei d'opinião.

P. 8.ª

Nos doces laços d'amor,

Fareis commigo união?

R. 8.ª

Não posso dizer que sim,

Eis a minha consternação.

P. 9.ª

Se vos fallar em amor,

Gostareis da conversação?

R. 9.ª

Amo-vos com sinceridade,

E adoro-vos por inclinação.

P. 10.ª

De minha fiel amante,

Acceitareis a eleição?

R. 10.ª

Não estou resolvida,

A prestar-vos attenção.

P. 11.ª

Para ser de vós amado,

Deverei pôr tudo em acção?

R. 11.ª

Podeis fazel-o, senhor,

Porem será indiscrição.

P. 12.ª

A minhas expressões d'amor,

Dareis consideração?

R. 12.ª

Sou firme no que prometto,

Já não mudo de resolução.

P. 13.ª

De todos os vossos amantes,

Sentis por mim alguma affeição?

R. 13.ª

Não posso já responder,

D'amor preciso lição.

P. 14.ª

Se vos escolher por amante,

Fareis d'isso estimação?

R. 14.ª

Não tenho taes ideas,

No entanto ainda virão.

P. 15.ª

D'amor gostareis,

Longa e rigida prisão?

R. 15.ª

Oh! quereis-me no laço,

Bem sei que sois erpertalhão.

P. 16.ª

Das leis de Cupido,

Seguireis a Religião?

R. 16.ª

Sois bem importuno!...

Já vos dei a decisão.

P. 17.ª

Um verdadeiro amante,

Merece vossa protecção?

R. 17.ª

De verdadeiro nada tendes,

Tudo é pura ficção.

P. 18.ª

Da vossa sinceridade,

Posso ter a confirmação?

R. 18.ª

Na verdade, é muito exigir,

Já tendes a minha confissão.

P. 19.ª

Se vos fallar de himeneu,

Acceitareis a petição?

R. 19.ª

Fallareis outro dia,

Hoje não é occasião.

P. 20.ª

Dos amantes que tendes,

Eu terei a predilecção?

R. 20.ª

O vosso amor em meu peito,

Tem segura habitação.

P. 21.ª

De meus puros sentimentos,

Fareis especial menção?

R. 21.ª

Já é tempo de me deixar,

Parece-me isto mangação!

P. 22.ª

Em corresponder-me,

Heide achar obstinação?

R. 22.ª

Se quereis uma resposta,

Tendes a dar um tostão.

P. 23.ª

Se vos offertar meu amor,

Poreis alguma objecção?

R. 23.ª

Para dizer-vos o que sinto,

Não tenho obrigação.

P. 24.ª

D'entre os que vos adoram,

Escolhereis com rectidão?

R. 24.ª

Serei em tudo minuciosa,

Ficai certo da remuneração.

P. 25.ª

Meus ternos sentimentos,

Serão a vossa admiração?

R. 25.ª

Se quereis que vos responda,

Rezai uma oração.

P. 26.ª

Hoje ouvi dizer que sois

O symbolo da mansidão?

R. 26.ª

Essa pergunta não parece,

De quem tem educação.

P. 27.ª

A indifferença commigo,

Nasce da vossa disposição?

R. 27.ª

Meus puros sentimentos,

Não soffrem diminuição.

P. 28.ª

Acreditaes que vos amo,

Por intima convicção?

R. 28.ª

Desejava responder-vos,

Fóra d'esta reunião.

P. 29.ª

Do amor que vos consagro,

Fareis boa estimação?

R. 29.ª

Os vossos ternos affectos,

Podem ter compensação.

P. 30.ª

Das culpas que tenho d'amor,

Concedeis-me o perdão?

R. 30.ª

Estaes sempre perdoado,

Ide com a Virgem Conceição.

3.ª COLLECÇÃO

PERGUNTA 1.ª

Reconheceis em mim,

O mais sincero amor?

RESPOSTA 1.ª

Recebo vossa declaração,

Como seguro penhor.

P. 2.ª

Acceitais minha confissão,

De ser verdadeiro amador?

R. 2.ª

Não acceito essa confissão,

De meus males sois auctor.

P. 3.ª

De vossas bellas qualidades,

Conheceis-me admirador?

R. 3.ª

Os laços que a vós me ligam,

Não precisam de fiador.

P. 4.ª

De vosso amavel peito,

Sou o unico director?

R. 4.ª

O que sinto em meu peito.

Não merece se não louvor.

P. 5.ª

Em amar-vos com pureza,

Serei grande peccador?

R. 5.ª

Sois de meu coração,

O maior usurpador.

P. 6.ª

Da vossa sinceridade,

Acreditais-me defensor?

R. 6.ª

Vossas virtudes m'encantam,

Amo-vos com fervor.

P. 7.ª

Serei de vossa alma,

O unico possuidor?

R. 7.ª

Não andais na moda,

Sois pouco tentador.

P. 8.ª

No intimo de vossa alma,

Só eu sou imperador?

R. 8.ª

Não quero responder,

Se o faço é por favor.

P. 9.ª

Gostais muito de namorar?

Quem é o vosso encantador?

R. 9.ª

Quizera fallar verdade,

Sois grande criticador.

P. 10.ª

Dizem que muito gostaes,

De cavalheiro adulador?

R. 10.ª

Responder-vos é ocioso,

Sei o que sinto no interior.

P. 11.ª

Poderei eu acreditar,

Que não tenho competidor?

R. 11.ª

Não quero responder,

A similhante lisongeador.

P. 12.ª

Em vossos grandes namoros,

Haveis, soffrido dissabor?

R. 12.ª

Oh! Deos e eu o sabemos,

Qual tem sido minha dôr.

P. 13.ª

Quem foi de vosso coração,

O primeiro roubador?

R. 13.ª

Vós certamente que não,

Sois um vil traidor.

P. 14.ª

Serei das leis de Cupido,

O mais fiel observador?

R. 14.ª

Dizem todos, que sois

O maior namorador...

P. 15.ª

Tantos namorados que tendes,

Quem vos ama com mais vigor?

R. 15.ª

Vós certamente não,

Sois um grande impostor.

P. 16.ª

Quem de vossas qualidades,

É mais que eu respeitador?

R. 16.ª

Deixai-me importuno!

Sois um enganador.

P. 17.ª

Que mal vos tenho feito,

Para tanto desamor?

R. 17.ª

Do mais puro affecto,

Sois o maior transgressor.

P. 18.ª

Das sagradas leis d'amor,

Eu sou o mais apreciador?

R. 18.ª

Sim senhor, sem duvida,

Tendes nota de corruptor.

P. 19.ª

Poderei de vosso coração,

Ser um dia habitador?

R. 19.ª

Fallai-me a esse respeito,

Quando eu rainha fôr.

P. 20.ª

Pode alguem amar-vos,

Com mais pureza e calor?

R. 20.ª

Não posso hoje responder,

Procurai o melhor Doutor.

P. 21.ª

Dos amorosos sentimentos,

De vossa alma serei consolador?

R. 21.ª

Essa pergunta é louca,

N'isto estaes atrazador?

P. 22.ª

Dos amores de vossa alma,

Serei eu o edificador?

R. 22.ª

Era um bello serviço,

Servindo-me de libertador.

P. 23.ª

Sereis d'entre as bellas,

A mais mimosa flôr?

R. 23.ª

O que sinto não se diz,

Não tenho o preciso valor.

P. 24.ª

Vossa constante firmeza,

São effeitos do creador?

R. 24.ª

De meus puros sentimentos,

Deveis estar conhecedor.

P. 25.ª

Concordaes que sou vosso,

Mais pura estimador?

R. 25.ª

Sei que sois o maior,

E mais vil contradictor.

P. 26.ª

De todos vossos namoros,

Fui o primeiro descobridor?

R. 26.ª

De discreto nada tendes,

Sois um indigno delator.

P. 27.ª

Devo ir em vosso peito,

Minha fidelidade depôr?

R. 27.ª

Acceitar vossa declaração,

É soffrer um dictador.

P. 28.ª

Posso esperar de vós,

Um affecto conservador?

R. 28.ª

Desisti de taes ideias,

Não quero mais amargôr.

P. 29.ª

Reconheceis em mim,

Um sincero amador?

R. 29.ª

De meu peito estai certo,

Sois n'elle o dominador.

P. 30.ª

Acreditaes que vos amo,

Com indizivel primor?

R. 30.ª

Adeos, basta de tormentos,

Sois um consumidor.

4.ª COLLECÇÃO

PERGUNTA 1.ª

Pode um fiel amante,

Confiar na vossa amizade?

RESPOSTA 1.ª

Meus sentimentos são puros,

Meu coração ama a verdade.

P. 2.ª

Se vos offertar meu peito,

Recebel-o-eis com vontade?

R. 2.ª

Amar a todos em geral,

É proprio da mocidade.

P. 3.ª

É certo que vosso coração,

Só encerra verdade?

R. 3.ª

Goso d'essa opinião,

N'alta sociedade.

P. 4.ª

De vos offertar meu coração,

Concedeis-me a liberdade?

R. 4.ª

Acceito a bella offerta,

E gosto d'essa habilidade.

P. 5.ª

S'eu morrer em vossos braços,

Iremos para a Eternidade?

R. 5.ª

Iremos se Deus quizer,

Mas não desejo a dignidade.

P. 6.ª

Para ser vosso amante,

Terei capacidade?

R. 6.ª

Não costumo preterir,

Sigo a antiguidade.

P. 7.ª

Se vos tributar meu amor,

Dispensaes formalidade?

R. 7.ª

Ceremonias são d'igreja,

E só proprio d'abbade.

P. 8.ª

Se vos offertar meu peito,

Direis que já é tarde?

R 8.ª

Não vos canceis commigo,

Isso é uma temeridade.

P. 9.ª

O amor que sinto por vós,

Será tido por vaidade?

R. 9.ª

Não: Acredito-vos sincero,

Não falto a tal qualidade.

P. 10.ª

Se vos disser que amo outra,

Julgareis realidade?

R. 10.ª

Acreditarei sim, tudo,

Como grande falsidade.

P. 11.ª

Se morrer longe de vós,

Não tereis de mim saudade?

R. 11.ª

Talvez fosse dia de prazer,

Sabendo tal novidade.

P. 12.ª

Dizem que em namoros,

Tendes grande felicidade?

R. 12.ª

Para realisar esses desejos,

Ha impossibilidade.

P. 13.ª

É verdade que escarneceis,

Do meu amor com impiedade?

R. 13.ª

Não: Sou firme e constante,

Sabeis minha sinceridade.

P. 14.ª

Tratareis vosso amante,

Com rigor e severidade?

R. 14.ª

Gôsto meu é ser austéra,

Mas tratarei com igualdade.

P. 15.ª

D'amor haveis soffrido,

Grande enfermidade?

R. 15.ª

Tenho tido em demasia,

Porque vivo na Cidade.

P. 16.ª

Será verdade que em namoro,

Procedeis com leviandade?

R. 16.ª

Sei o que me cumpre fazer,

Em objecto de gravidade.

P. 17.ª

É certo que tratais, vossos

Amantes sem piedade?

R. 17.ª

A culpa não é minha,

Que tenham mais sagacidade.

P. 18.ª

Duvidaes que vos amo,

Com toda a assiduidade?

R. 18.ª

Não duvido do que dizeis,

Conheço a vossa lealdade.

P. 19.ª

De vosso terno coração,

Quem é propriedade?

R. 19.ª

Essa pergunta delicada,

Precisa profundidade.

P. 20.ª

Toda a vida soffrerei,

A vossa crueldade?

R. 20.ª

Vós assim o quereis,

Não faço isso por maldade.

P. 21.ª

Para que me tratareis,

Com tanta inimizade?

R 21.ª

Aborreço-vos de coração,

Fallo com ingenuidade.

P. 22.ª

Desprezaes quem vos ama,

Com tanta affabilidade?

R. 22.ª

Se quereis que vos estime,

Tende mais agilidade.

P. 23.ª

Existirá sempre entre nós,

Sympathia e fraternidade?

R. 23.ª

Em vossas mãos, entrego

Minha fidelidade.

P. 24.ª

Vosso amor será confiado,

Á minha generosidade?

R. 24.ª

Nunca: Só consentirei,

Na ultima extremidade.

P. 25.ª

Concedeis-me affecto

Com muita brevidade?

R. 25.ª

É de noite, não respondo,

Gosto de tudo com claridade.

P. 26.ª

Nas lidas de Cupido

Encontraes suavidade?

R. 26.ª

É um divertimento,

Que dou por caridade.

P. 27.ª

Tantos namorados que tendes

Algum é da minha idade?

R. 27.ª

Com toda a certeza não sei,

Mas perguntarei ao Padre.

P. 28.ª

Os namoros verdadeiros,

Produzem debilidade?

R. 28.ª

Não m'incommodeis,

Com essa singularidade.

P. 29.ª

Males d'amor devo soffrer,

Na ultima extremidade?

R. 29.ª

É vosso gosto predilecto,

Soffrei com perpetuidade.

P. 30.ª

Apreciaes meu affecto,

E minha fidelidade?

R. 30.ª

Amo-vos muito, muito;

Mas gosto de tranquillidade.

5.ª COLLECÇÃO

PERGUNTA 1.ª

Entendeis, senhora,

Nosso amor conveniente?

RESPOSTA 1.ª

Fujo de suas algemas,

Quero viver innocente.

P. 2.ª

No amor que vos dedico,

Acreditaes firmemente?

R. 2.ª

Creio em vossos extremos,

Quero ser condescendente.

P. 3.ª

Se vos declarar meu amor,

Ficareis muito contente?

R. 3.ª

Amo por divertimento,

De lagrimas serei ausente.

P. 4.ª

Em vosso terno coração,

Terei fiel correspondente?

R. 4.ª

Não respondo n'este objecto,

A quem é tão sapiente.

P. 5.ª

Não vos compadecereis,

De me ver sempre doente?

R. 5.ª

Não merece compaixão

Quem s'ufana de valente.

P. 6.ª

Nos combates do vosso amor,

Serei o maior padecente?

R. 6.ª

Se padecer é gosto vosso,

A isso sou indifferente.

P. 7.ª

Sabeis que em namoros,

Vos tornaes mui saliente?

R. 7.ª

Para fallar a meu respeito,

Julgo-vos incompetente.

P. 8.ª

É certo que em namoros,

Sois mui intelligente?

R. 8.ª

Não vos acredito—; só creio

N'um Deus Omnipotente.

P. 9.ª

Do vosso amor, flcarei

Na incerteza permanente?

R. 9.ª

Estou sujeita, senhor,

E a meu Pai obediente.

P. 10.ª

Heide soffrer por vosso amor

Sempre uma dôr pungente?

R. 10.ª

Vossa dôr não tem limite,

Assim o diz o assistente.

P. 11.ª

Se vos fallar em amor,

Sereis commigo indulgente?

R. 11.ª

É meu gosto ver penar,

Sereis por isso penitente.

P. 12.ª

Se vos offertar meu amor,

Serei julgado delinquente?

R. 12.ª

Não posso acceitar a offerta,

Vosso amor é transparente.

P. 13.ª

Na lista de vossos amantes,

Eu sou o mais prudente?

R. 13.ª

Dos amantes que possuo,

Sois o mais impertinente.

P. 14.ª

De que sou por vós amado,

Dareis prova evidente?

R. 14.ª

Pago amor, com amor,

De ser fiel ficai sciente.

P. 15.ª

Sabeis que vos consagro

Verdadeiro amor ingente?

R. 15.ª

No que dizeis não creio,

Vosso amor é apparente.

P. 16.ª

Dos amantes que tendes,

Eu sou o presidente?

R. 16.ª

Não posso responder hoje,

Que estou de má mente.

P. 17.ª

Ao gozo do vosso amor,

Sou o maior pretendente?

R. 17.ª

Eu com vossas lembranças,

Não estou coherente.

P. 18.ª

É certo, que vosso amante

É do lado do occidente?

R. 18.ª

Amo virtudes onde estão,

E detesto o prepotente.

P. 19.ª

D'entre vossos-amantes,

Sou escolhido previamente?

R. 19.ª

Não posso dizer que sim,

Julgo-vos negligente.

P. 20.ª

Dos votos d'um terno amor,

Acreditais-me profitente?

R. 20.ª

Creio em vossas expressões,

Meu coração tem fé vivente.

P. 21.ª

Qual de vossos amantes,

É o mais frequente?

R. 21.ª

Á pergunta não respondo,

E vos reputo insolente.

P. 22.ª

Encontro em vosso peito,

Um puro amor nascente?

R. 22.ª

Não vos canceis, senhor,

Para vós sou inclemente.

P. 23.ª

Dos segredos de vossa alma,

Quem é ditoso confidente?

R. 23.ª

É coisa que não digo,

Nem mesmo a um parente.

P. 24.ª

Os extremos de vosso peito,

São d'amor descendente?

R. 24.ª

Reparai em meus olhos,

Resposta tereis presente.

P. 25.ª

O vosso terno amor,

É ao meu equivalente?

R. 25.ª

Sinceramente vos amo,

N'essa ideia ficai crente.

P. 26.ª

De todos vossos amantes,

Sou o mais reverente?

R. 26.ª

Eu vos dedico puro amor,

A minhas forças excedente.

P. 27.ª

Em vosso terno peito,

É puro o amor existente?

R. 27.ª

Não vos calareis palrador?

Sois um omnisciente.

P. 28.ª

É certo o vosso amante,

Ser aspirante a tenente?

R. 28.ª

Não tem resposta a pergunta,

Podeis marchar em frente.

P. 29.ª

Acceitaes a declaração

De meu amor ardente?

R. 29.ª

Não posso responder-vos,

Gozaes fama de mal querente.

P. 30.ª

Pode alguem amar-vos,

Como eu tão vehemente?

R. 30.ª

Oh! fallador, deixai-me,

Eu não posso ser accedente.

JOGOS