O Pequeno Pisciano por Giovanni Beerman - Versão HTML

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           O PEQUENO PISCIANO

 

            GIOVANNI BEERMAN

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

     

 

 

 

 

 

 

                

 

 

 

PREFÀCIO

 

 

 

Quem sente demais está condenado a se tornar um sensível trágico, aquele que tudo vê, tudo sente, está condenado a amar muito e a sofrer muito, pois para ele o mundo só é compreensível quando ele sente, e quem sente compreende, mas não só através dos sentidos, mas também através de um julgamento moral que vem do espírito.

A sensibilidade é a capacidade que faz a gente se sentir bem quando percebemos uma ação boa e se sentir mal quando percebemos uma ação má, uma qualidade virtuosa que nos torna consciente de um bom e de um mau ato.

A visão do sensível está além da conveniência, ela não procura reconhecer um lado e ignorar o outro, sua visão consiste em um reconhecimento dual, que está conectado ao seu íntimo tornando-se a sua existência, já para a visão de outros há apenas a vontade de reconhecer um lado cuja finalidade é produzir bem a si mesmo. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Toc toc toc

- Pode entrar diz o doutor  Émeric Perrot.   

Eric abre a porta e entra com uma tristeza refletida em seus olhos maior do que a última vez.

Anteriormente ele havia conversado com o doutor Perrot sobre a dificuldade que um homem sensível tem de encontrar a felicidade em um mundo agressivo.

- Olá! Eric, como foi à viagem?

- Muito boa, viajar de trem é sempre agradável.

- Você me parece muito triste, deite-se no divã, por favor.

- Diga-me o que você está sentindo.

- Esse que é o problema doutor, é difícil dizer especificamente o que eu estou sentindo porque eu não consigo saber o que me perturba.

- Mas você precisa definir com mais clareza o que você sente, pois só assim eu poderei te ajudar.

- Eu sinto um vazio, um vazio enorme bem no fundo da minha alma, um vazio que gera um sentimento de incapacidade.

- Esse vazio não estaria ligado ao fato de você ser uma pessoa solitária?

- eu acho que não, muitas vezes eu tenho estado próximo a uma multidão, no entanto, parece que eu sou a única pessoa existente.

- Ele não poderia ter sido provocado por certo tipo de incompreensão dessa multidão com você?

- Eu acho que sim, talvez eles não me compreendam, e eu odeio não ser compreendido.

- Essa é a pior coisa do mundo para mim, pois eu sou um cara muito sensível.

- Talvez eu seja parecido com um músico que adorava quebrar guitarras no palco.

- Ele aparecia em um canal de TV cantando uma canção que se tornou um símbolo juvenil, uma canção que explodiu nas graças da juventude.

- Pouco antes de ele morrer ele se autodenominou como o triste, o sensível, o insatisfeito, o pequeno pisciano e o pequeno homem de Jesus.

- Talvez a sua sensibilidade tenha-o transformado no mais autodestrutivo dos homens.

- E é isso que eu sinto, uma enorme sensibilidade que me torna o mais sensível dos homens, ou em outras palavras, o mais trágico.

- Parece que Horace  Walpole tinha razão; “A vida é uma comédia para quem pensa mas uma tragédia para quem sente”.

- E eu sinto demais, eu sou um tipo de sensível trágico, aquele que tudo vê tudo sente.

- Esta declaração deixou claro que você é um homem extremamente sensível, então me responda uma pergunta.

- O que significa a sensibilidade para você, o que você julga ser um homem sensível?

- Bem, sentir para mim nada mais é do que admitir a realidade, ter consciência dela, reconhecer profundamente o que se vê no exterior.

- Você disse que sentir é ter consciência da realidade, sendo assim tudo leva a crer que o sensível é aquele que admite a realidade.

- Correto

- Então, você será um homem infeliz para o resto da tua vida porque a realidade não é nada agradável e há de permanecer assim até o resto da tua vida. 

- E o que eu tenho de fazer então?

- Pelo que eu pude entender você é um homem que sente tudo o que vê, e sendo assim, só é possível compreender quando você sente.

- E essa sensibilidade acaba te deixando vulnerável assim como um vírus que penetra no organismo humano e destrói os anticorpos.

- O que eu posso dizer é que eu não vejo problema algum em ser sensível, pois é  uma qualidade e não um defeito.

- Mas eu sinto algo errado dentro de mim doutor, um lado negativo que me perturba.

- Sim, mas com certeza não é a sensibilidade.

- Se há algo errado com você nós iremos descobrir.

- Como?

- Transformando esse lado negativo que você diz ter em positivo?

- E como nós faremos isso?

- Eu ainda não sei, mas nós descobriremos isso junto, certo?

- Certo.

- Agora eu farei mais perguntas e você responderá de acordo com a sua consciência, se julga certo ou não, e iremos analisar se a questão é justa ou não conforme aquilo que entendemos por verdade, e senão concordares com algo esteja a vontade para refutar.

- Tudo bem, mas se entrarmos em dúvida?

- Ai pode analisar de acordo com o tamanho da dúvida, se ela for pequena podemos exprimir uma certeza dela, mas se for grande demorará mais, isso não te parece justo?

- Sim, demais.

Um ar de preocupação toma conta de sua face e o doutor diz – Eric você parece muito tenso, você precisa relaxar, pois uma coisa eu posso te afirmar, tudo acerca do homem é analisável.

- Eu espero que sim doutor.

- Então você julga que um homem que ignora a realidade é um homem insensível?

- Sim.

- E aquele que a reconhece?

- não.

- Um músico cuja suas músicas não sejam inspiradas na realidade, será ele um verdadeiro músico?

- Não, de forma alguma.

- E um poeta cuja  suas poesias também não sejam fruto da realidade, será ele um verdadeiro poeta?

- Também não.

- E um filósofo cuja  sua filosofia não seja baseada na realidade, será ele um verdadeiro filósofo?

- Jamais.

- Então o verdadeiro músico, poeta e filósofo são aqueles que admitem a realidade ou em outras palavras, aqueles que exprimem melancolia, tristeza e desgosto, justamente porque a realidade não é nada agradável, ou ainda mais, aqueles que possuem extrema sensibilidade, o que os torna teus semelhantes.

- é isso mesmo.

- Se o verdadeiro músico, poeta e filósofo admitem a realidade, logo a realidade se torna base da música, poesia e filosofia.

- Correto.

- Então Aristóteles estava certo quando disse que todos aqueles que estudavam música, poesia e filosofia possuíam um temperamento melancólico?

- Sim, estava.

- E sendo assim o verdadeiro músico, poeta e filósofo são aqueles que admitem a realidade e logo se tornam melancólicos porque ela não é nada agradável.

- Sim, é isso mesmo.

- Bem, você já falou no que consiste a sensibilidade, agora fale na realidade, o que ela é para você?

- A realidade é tudo aquilo que acontece no exterior, ela nada mais é do que a constituição de ações ou fatos.

- A que exterior você se refere?  

- A aquele que está fora do campo do pensamento, não que eu ache que pensar não é uma ação, sim é uma ação, mas ninguém pode ser julgado porque matou alguém no seu pensamento porque não é uma realidade física, e sim mental, a realidade do pensamento é referente a cada ser e não a sociedade

- Muito bem, sendo a realidade tudo aquilo que acontece no exterior, você acha que um homem que tem consciência da realidade vale mais do que aquele que não tem?  

- Sim, sem dúvida alguma.

- E aquele que reconhece apenas o lado positivo da realidade, o que você acha dele?

- Um farsante.

- Por quê?

- Porque se a realidade é feita de positivo e negativo, tão logo, se torna obrigatório reconhecer as duas coisas.

- Bem, vejo que estamos progredindo, ainda não caímos em contradição e nem tampouco em dúvida, vamos dar continuidade ao nosso diálogo antes que a contradição ou a dúvida nos alcance.

- Voltando a falar de realidade diga-me o que há de coerente entre ela e a irrealidade, no que elas se assemelham?

- Em nada.

- Por quê?

- Porque segundo o que eu penso, realidade é tudo aquilo que acontece no exterior enquanto a irrealidade jamais acontece, a irrealidade insulta a realidade assim como a mentira insulta a verdade.

- Então a realidade é a verdade e a irrealidade é a mentira?

- Sim.

- Então a realidade é superior a irrealidade assim como a verdade é em relação a mentira?

- Sim.

- E um homem que fala a verdade é superior a aquele que não fala * ?

 

* Não falar não se refere a omissão mas sim a mentir.

 

- Em alguns casos não.

- Como em alguns casos não?

- Bem, quando um homem é preso por um crime que não cometeu, e então ele diz a verdade, mas logo a seguir ele é ignorado e continua preso enquanto aqueles que foram presos e são culpados, falam a mentira e são libertados, e com isso acabam se tornando superiores sobre aqueles que falam a verdade.

- Bem Eric, esse raciocínio é válido, mas eu farei a mesma pergunta e eu quero que você pense melhor sobre ela e me responda novamente.

- Tudo bem.

- Um homem que fala a verdade é superior a aquele que não fala?

Ele fecha os olhos e pensa profundamente e diz – teoricamente sim.

E o doutor diz:

- Você melhorou um pouco, mas eu devo te dizer uma coisa, aquele que fala a verdade sempre será superior a aquele que não fala, seja ele mais rico mais bonito e até mais intelectual, e agora pouco eu disse a você que o seu raciocínio  era válido, mas lembre-se de uma coisa, nem tudo que é válido é justo mas tudo que é justo é válido, você entendeu?

- Sim eu entendi.

- Vamos para outra pergunta.

- Aquele que vive na realidade é superior a aquele que não vive nela?

- Sim.

- Por quê?

- Porque a realidade é a verdade e a irrealidade é a mentira.

- E uma pode vim a se tornar a outra?

- Se realidade pode vim a se tornar irrealidade, e vice versa?

- Sim.

- Jamais.

- Por quê?

- Porque ficou estabelecido a pouco que a realidade é a verdade e a irrealidade é a mentira, e além do mais, como a verdade pode se tornar a mentira sendo ela quem é? Vc por acaso está tentando me contradizer doutor?

- Não meu amigo, de forma alguma eu faria isso, mesmo porque a contradição é uma faca de dois gumes, ela pode me revelar o que você tem e o que você não tem ou pode me confundir tornando mais obscuro o teu problema. Eu estou apenas tentando saber até onde vai os teus conhecimentos para que eu possa te analisar melhor e a partir  daí se possível descobrir o teiú problema ou no mínimo descobrir um remédio para aliviar o teu sofrimento.

- Tudo bem, eu acredito em você doutor.

- Você está indo muito bem Eric, continue assim e logo chegaremos a uma solução.

- Obrigado doutor, mas eu preciso fazer uma pergunta.

- a vontade.

- Nós não estamos fugindo um pouco do assunto?

- Não, nós não estamos fugindo de forma alguma, como eu te disse, eu estou apenas tentando saber até onde vai o teu conhecimento para que eu possa te analisar melhor, mas não é com poucas palavras que exprimiremos uma verdade assim tão fácil, ainda mais se tratando da felicidade que é algo que eu aprecio muito. Até agora nós fomos pelo caminho certo, de pouco a pouco, ligando um fato a outro como um quebra cabeça onde cada peça está ligada a outra de forma coerente, e por fim faremos a reconstituição de tudo o que foi dito aqui ou em outras palavras: uma recordação.

- Então o senhor ainda tem muitas perguntas doutor?

- Não, apenas uma antes da reconstituição.

- Onde nós paramos? Pergunta o doutor.

- Paramos na realidade, se ela podia vir a ser irrealidade e vice versa.

- Sim, agora eu me lembro e de acordo com o teu raciocínio realidade e irrealidade são formas diferentes e por isso elas jamais poderiam se tornar uma a outra e nem sequer se assemelharem.

- Isso mesmo doutor.

- Sendo assim, o justo e o injusto jamais se tornariam um o outro e jamais se assemelhariam.

- Sim é isso que eu penso.

- E da mesma forma o sensível com o insensível?

- Também.

- Então, como tu pretende estabelecer uma relação de igualdade ou pelo menos de semelhança com aqueles que não são iguais e nem mesmo se assemelham a ti?

- Sinceramente eu não sei

- A verdade é que você não pode a menos que eles deixem de ser quem são.

- Bem, chegou a hora de fazer a reconstituição e descobrir a verdadeira essência daquilo que te atormenta.

- Eu já estava ansioso por isso.

- Nós precisamos identificar logo a causa do teu sofrimento antes que ele se prolifere.

- Sim, e como precisamos!

- Assim como um médico que identifica uma doença através dos sintomas que o paciente possui para depois tratá-lo, nós devemos fazer o mesmo, e nós já possuímos os sintomas, são os fatos, falta então o diagnóstico que é a causa de todo o teu sofrimento.

- Primeiramente você disse que sentia um vazio enorme do fundo da tua alma que gerava um sentimento de incapacidade.

- E logo a seguir eu sugeri que esse vazio que você sentia estaria ligado a o fato de você ser uma pessoa solitária, e que esse vazio poderia ter sido provocado por certo tipo de incompreensão de uma multidão com você.

- E a seguir você disse que a pior coisa do mundo é não ser compreendido.

- E logo depois você fez uma declaração onde deixou bem claro que você é homem bastante sensível e até se comparou com um músico que pouco antes de morrer se autodenominou o triste, o insatisfeito, o sensível, o pequeno pisciano e o pequeno homem de Jesus, e que possivelmente a sensibilidade dele teria o transformado no mais autodestrutivo dos homens, e através do provérbio de Horace Walpole que diz que “A vida é uma comédia para quem pensa, mas uma tragédia para quem sente” você chegou a conclusão de que você é uma espécie de sensível trágico, aquele que tudo vê tudo sente.

- E mais adiante eu perguntei para você sobre a sensibilidade, o que você julgava ser o sensível e você disse que o sensível é aquele que admite a realidade e eu disse que a realidade não é nada maravilhosa e por isso você ficaria triste.

- Então você me perguntou o que você deveria fazer e eu disse que não via problema em ser sensível porque é uma qualidade não um defeito.

- E você disse que sentia algo errado dentro de você, um lado negativo que o perturbava, e eu disse que você precisava transformar o lado negativo em positivo.

- Mais adiante eu perguntei a você se um músico, poeta e filósofo cuja sua música, poesia e filosofia não fossem baseada na realidade, seriam eles verdadeiros no que fazem, e você disse que não.

- E baseado no que você disse ficou claro que a realidade é a base da música, poesia e da filosofia.

- Depois eu pedi que você definisse o conceito de realidade e você disse que ela é tudo aquilo que acontece no exterior.

- E eu perguntei se você achava que um homem que tem mais consciência da realidade valeria mais do que aquele que não tem e você disse sim.

- E logo a seguir eu perguntei a você o que você achava daquele que reconhecia apenas o lado positivo da realidade e você respondeu que você achava ele um farsante justificando  que realidade é feita de positivo e negativo e então logo se torna obrigatório reconhecer os dois lados.

- E depois eu perguntei se havia coerência entre realidade e irrealidade e se elas poderiam pelo menos se assemelhar.

- Você respondeu  que não havia e que também não poderiam se assemelhar justificando que realidade é tudo aquilo que aconteceu e acontece enquanto irrealidade é aquilo que jamais aconteceu e jamais acontecerá.

- E você concluiu de acordo com o seu raciocínio que a realidade é a verdade enquanto a irrealidade é a mentira.

- E eu perguntei se a realidade era superior a irrealidade assim como a verdade é sobre a mentira, e você disse sim.

- E bem adiante eu perguntei se a realidade poderia vim a se tornar irrealidade, e você disse que jamais porque a realidade é a verdade e a irrealidade é a mentira, e que jamais uma poderia vim a se tornar a outra sendo elas quem são, e ficou concluído que realidade e irrealidade são formas diferentes e por isso jamais poderiam sequer se assemelhar. 

- E vieram as duas últimas conclusões onde o justo e o injusto jamais poderiam se assemelhar e da mesma forma o sensível e o insensível.

- E finalmente com base na última conclusão eu perguntei como você pretendia estabelecer uma coerência com aqueles que não se assemelham a você e você respondeu que sinceramente você não sabia.

- E eu disse que não podia a menos que um deles deixasse de ser quem é.

- Bem, com base na reconstituição eu já posso dizer o que te atormenta.

- Então me diga doutor e me prive da ansiedade.

- Grande parte do teu sofrimento se resume a aqueles que não te compreendem justamente porque és um adorador da verdade e sabe contemplá-la como ninguém porque és um homem sensível e admite a realidade acima de tudo ao ponto de te tornar um sensível trágico, aquele que tudo vê tudo sente e te sentes ofendido quando não é compreendido porque sentir para ti nada mais é do que admitir a realidade, e aqueles que não te compreendem é porque não admitem a realidade e por isso são insensíveis e não são dignos da tua compaixão e nem da deles próprio e nem de outra qualquer porque não existe realidade verdadeira para aqueles que fogem dela e ainda te digo mais, és um homem bem aventurado por possuíres essa extraordinária faculdade de sentir que te torna o mais sensível, o mais real e o mais consciente dos homens.

- És possuidor de uma magnífica sensibilidade que eu aprecio e amo muito porque ela te torna um homem autêntico, aquele que tem plena consciência da realidade seja ela boa ou má  e todo aquele que é sensível é digno de Deus porque ele sente na carne tanto o lado negativo quanto o positivo e apesar dessa sensibilidade deixá-lo vulnerável ele jamais se acovardará justamente porque é sensível, ou seja, aquele que admite a realidade e não foge dela como o rato do gato ou o gato do cão e a esses todos sabem como se chamam, se chamam covardes ou insensíveis, aqueles que ignoram a verdadeira realidade porque sentem medo do lado sombrio e sentem medo de sentir  dor e por isso criam a própria realidade onde tudo é permitido menos sofrer privando-se assim da verdadeira realidade.

- Foi um discurso maravilhoso doutor, fiquei profundamente encantado, mas agora que o senhor já fez a recordação o senhor poderia dizer qual o meu problema e receitar um tratamento.

- Bem Eric, assim como um médico que prescreve uma receita ao paciente depois de ter identificado a causa de sua doença eu também farei o mesmo, mas não se preocupe eu receitarei o melhor dos remédios para você, e não digo que ele te fará o homem mais feliz do mundo, mas pelo menos aliviará grande parte do teu sofrimento.

- Espero que sim doutor.

- Anteriormente eu disse que você precisava aprender transformar o lado negativo em positivo.

- Sim, disse.

- E com base na recordação e no discurso ficou claro que o lado negativo ao qual você se referia antes é agora a irrealidade, a insensibilidade ou pior ainda aquele que te ignora, o insensível.

- Sim, mas como eu transformarei irrealidade em realidade, insensibilidade em sensibilidade ou o insensível em sensível, se ficou estabelecido que formas diferentes jamais se assemelhariam?

- Até certo ponto você tem razão meu caro Eric, irrealidade jamais virá a ser realidade sendo ela quem é, e a insensibilidade da mesma forma em relação à sensibilidade, mas só que com o insensível é diferente pois ele é aquele que ignora a realidade, e um cara que ignora a realidade, pode muito bem vir a admiti-la algum dia, desde que ele deixe de ser quem ele é.

- Tudo bem, mas como eu faço isso?

- Como eu disse no meu discurso o insensível é aquele que cria a sua própria realidade, sendo assim, você precisa quebrar essa realidade. Se ele diz que mentir é mais vantajoso do que falar a verdade, então não apenas diga, mas mostre a ele casos de pessoas que mentiram e se deram mal porque todos aqueles que sentem o gosto da mentira não param mais de mentir até serem descobertos. E se ele diz que roubar é mais vantajoso do que trabalhar, então mostre a ele casos de pessoas que roubaram e se deram mal porque aqueles que roubam não conseguem parar de roubar até serem pegos.

- Eu vou seguir o seu conselho.

- E eu te desejo toda a sorte do mundo.

- Obrigado doutor, tudo que eu desejo é que o mundo se torne menos insensível.

 

 

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