O Profeta por Khalil Gibran - Versão HTML

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E ele respondeu, dizendo:

A vossa alma é muitas vezes um campo de batalha,

em que a vossa razão e o vosso julgamento estão

em guerra contra a vossa paixão e o vosso apetite.

Pudesse eu ser o pacificador da vossa alma e

transformaria a discórdia e a rivalidade dos vossos

elementos numa união e melodia.

Mas como o poderia fazer, a menos que vós tam-

bém fosseis pacificadores, amantes de todos os

vossos elementos?

A vossa razão e a vossa paixão são o leme e as ve-

las da vossa alma navegante.

Se um de vós navegar e as velas se partirem, só

podereis andar à deriva ou ficar imóveis no meio

do mar.

Pois a razão, só por si, é uma força confinante; e a

paixão, não controlada, é uma chama que arde

provocando a sua própria destruição.

Por isso deixai a vossa alma exalar a vossa razão

até ao auge da paixão, deforma a poder cantar; e

deixai que ela oriente a vossa paixão com razão,

de forma a que a vossa paixão possa viver através

da sua ressurreição diária, e, qual fênix, renascer

das próprias cinzas.

Eu comparo o vosso julgamento e o vosso apetite

com dois hóspedes queridos que recebeis na vossa

casa.

Com certeza não iríeis favorecer um mais que o

outro; pois aquele que o fizer perderá o amor e a

confiança dos dois.

Entre as colinas, quando vos sentais à sombra

fresca dos brancos álamos, desfrutando da paz e

serenidade dos campos e prados distantes deixai o

vosso coração dizer silenciosamente, "Deus repou-

sa na razão".

E quando vier a tempestade, e o vento forte asso-

lar a floresta, e a trovoada e os relâmpagos procla-

marem a majestade do céu, deixai que o vosso co-

ração diga "Deus se move na paixão".

E uma vez que sois um sopro na esfera de Deus e

uma folha na floresta de Deus, também vós devíeis

repousar na razão e mover-vos na paixão.

&A&

Do livro “O Profeta”, de Gibran Khalil Gibran

(sem indicação de tradutor)

Créditos:

http://www.clube-

positivo.com/biblioteca/pdf/profeta.pdf

Sobre a Dor

E uma mulher falou e disse: Fala-nos da Dor.

E ele respondeu:

A vossa dor é o quebrar da concha que envolve a

vossa compreensão.

Assim como o caroço da fruta tem de fender-se

para que o seu coração fique exposto ao sol, tam-

bém vós deveis conhecer a dor.

E se conseguisseis maravilhar-vos com os milagres

diários da vossa vida, a vossa dor não vos parece-

ria menos intensa do que a vossa alegria; e aceita-

ríeis as estações do vosso coração, tal como haveis

aceite as estações que passam sobre o vossos

campos.

E passaríeis com serenidade os invernos das vos-

sas mágoas.

Muita da vossa dor é escolhida por vós. É a poção

amarga com a qual o médico dentro de vós cura o

vosso interior doente.

Por isso confiai no médico e bebei o seu remédio

em silêncio e tranquilidade:

Pois a sua mão, embora dura e pesada, é guiada

pela mão terna do Invisível, e o cálice que ele vos

dá, embora possa queimar os vossos lábios, foi fei-

to com o gesso que o Oleiro umedeceu com as

Suas lágrimas sagradas.

&A&

Do livro “O Profeta”, de Gibran Khalil Gibran

(sem indicação de tradutor)

Créditos:

http://www.clube-

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Sobre o Auto-conhecimento

E então um homem disse: Fala-nos do Auto-conhe-

cimento.

E ele respondeu, dizendo:

Os vossos corações conhecem em silêncio os se-

gredos dos dias e das noites.

Mas os vossos ouvidos anseiam pelo som do co-

nhecimento do vosso coração.

Vós sabeis por palavras aquilo que sempre soubes-

tes em pensamento.

Tocais com a ponta dos dedos o corpo nu dos vos-

sos sonhos.

E ainda bem que assim é.

A nascente oculta da vossa alma deve erguer-se e

correr a murmurar para o mar, e o tesouro das

vossas profundezas infinitas será revelado perante

os vossos olhos.

Mas que não haja medidas para pesar o vosso te-

souro desconhecido; e não procureis as profunde-

zas do vosso conhecimento com limites.

Pois o ser em si não tem limites nem medidas.

Não digais "Encontrei a verdade", mas antes "En-

contrei uma verdade."

Não digais "Encontrei o caminho para a alma", mas

antes "Encontrei a alma a seguir o meu caminho''.

Pois a alma percorre todos os caminhos.

A alma não percorre uma linha, nem cresce como

um caniço.

A alma desvenda-se a si própria como um lótus de

incontáveis pétalas.

&A&

Do livro “O Profeta”, de Gibran Khalil Gibran

(sem indicação de tradutor)

Créditos:

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Sobre o Ensino

Depois um professor disse: Fala-nos do Ensino.

E ele respondeu:

Ninguém vos poderá revelar nada que já não este-

ja meio adormecido na aurora do vosso conheci-

mento.

O professor que caminha na sombra do templo,

entre os seus discípulos, não dá a sua sabedoria

mas antes a sua fé e amor.

Se for realmente sábio, não vos convida a entrar

na casa da sua sabedoria, mas antes vos conduz ao

limiar do vosso próprio espírito.

O astrônomo pode falar-vos do seu entendimento

do espaço, mas não vos pode dar o seu entendi-

mento.

O músico pode cantar-vos o ritmo do espaço, mas

não vos pode dar o ouvido que faz parar o ritmo,

ou a voz que dele faz eco.

E aquele que é versado na ciência dos números,

pode falar-vos de pesos e medidas, mas não pode

levar-vos até lá.

Pois a visão de um homem não empresta as suas

asas a outro homem.

E, mesmo que cada um de vós esteja sozinho no

conhecimento de Deus, também cada um de vós

deve estar sozinho no seu conhecimento de Deus e

na sua compreensão da Terra.

&A&

Do livro “O Profeta”, de Gibran Khalil Gibran

(sem indicação de tradutor)

Créditos:

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Sobre a Amizade

E um jovem disse: Fala-nos da Amizade.

E ele respondeu, dizendo:

O vosso amigo é a resposta às vossas necessida-

des.

Ele é o campo que cultivais com amor e colheis

com gratidão.

E é o vosso apoio e o vosso abrigo.

Pois ides até ele com fome e procurai-o para ter-

des paz.

Quando o vosso amigo fala livremente, vós não re-

ceais o "não", nem retendes o " não".

E quando ele está calado o vosso coração não dei-

xa de ouvir o coração dele; pois na amizade, todos

os pensamentos, todos os desejos, todas as espe-

ranças nascem e são partilhadas sem palavras,

com alegria.

Quando vos separais de um amigo não fiqueis em

dor, pois aquilo que mais amais nele tornar-se-á

mais claro com a sua ausência, tal como a monta-

nha, para quem a escala, é mais nítida vista da

planície.

E não deixeis que haja outro propósito na amizade

que não o aprofundamento do espírito.

Pois o amor que só procura a revelação do seu pró-

prio mistério, não é amor mas uma rede lançada

que só apanha o que não é essencial.

E deixai que o que de melhor há em vós seja para

o vosso amigo.

Já que ele tem de conhecer o refluxo da vossa

maré, que conheça também o seu fluxo.

Pois para que serve o vosso amigo se só o procu-

rais para matar o tempo?

Procurai-o também para viver.

Pois ele vos preencherá os desejos, mas não o va-

zio.

E na doçura da amizade que haja alegria e a parti-

lha de prazeres.

Pois é nas pequenas coisas que o coração encontra

a frescura da sua manhã.

&A&

Do livro “O Profeta”, de Gibran Khalil Gibran

(sem indicação de tradutor)

Créditos:

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Sobre a Conversa

Então um erudito disse: Fala-nos da Conversa.

E ele respondeu, dizendo:

Vós falais quando deixais de estar em paz com os

vossos pensamentos, e quando já não conseguis li-

dar com a solidão do vosso coração, viveis com os

lábios e o som é uma diversão e um passatempo.

E, em muita da vossa conversa, o pensamento fica

amordaçado.

Pois o pensamento é um pássaro do espaço que

numa gaiola de palavras pode abrir as asas mas

não pode voar.

Há muitos de entre vós que procurais a conversa

com medo de estardes sozinhos.

O silêncio da solidão revela aos vossos olhos os

vossos eus despidos e eles querem escapar.

E há aqueles que falam, e sem conhecimento ou

premeditação revelam uma verdade que nem eles

próprios entendem.

E há aqueles que têm a verdade dentro de si, mas

não a dizem por palavras.

E é no seio destes que o espírito habita em silêncio

rítmico.

Quando encontrais o vosso amigo na rua ou no

mercado, deixai que o vosso espírito conduza os

vossos lábios e dirija a vossa língua.

Deixai que a voz dentro da vossa voz fale ao ouvi-

do do seu ouvido, pois a sua alma guardará a ver-

dade do vosso coração tal como se guarda o sabor

do vinho.

Quando já se esqueceu a cor e já não temos a taça.

&A&

Do livro “O Profeta”, de Gibran Khalil Gibran

(sem indicação de tradutor)

Créditos:

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positivo.com/biblioteca/pdf/profeta.pdf

Sobre o Tempo

E um astrônomo disse: Fala-nos do Tempo.

E ele respondeu:

Se dependesse de vós mediríeis o imedível e o in-

comensurável.

Ajustaríeis a vossa conduta e até dirigiríeis o rumo

do vosso espírito de acordo com as horas e as es-

tações.

Do tempo faríeis um ribeiro em cuja margem vos

sentaríeis a vê-lo fluir.

No entanto, o intemporal em vós está consciente

do intemporal da vida, e sabe que o ontem não é

senão a memória do hoje, e o amanhã é o sonho

de hoje.

E aquele que dentro de vós canta e contempla, ha-

bita ainda dentro dos limites daquele primeiro mo-

mento que espalhou as estrelas no firmamento.

Quem, dentre vós, não sente que a sua capacidade

para amar é ilimitada?

E, no entanto, também sente que esse mesmo

amor, embora ilimitado, está confinado no âmago

do seu ser, não se movendo de pensamento amo-

roso para pensamento amoroso, nem de atos de

amor para atos de amor.

E não será o tempo, tal como o amor, indivisível e

imóvel?

Mas se em pensamento quiserdes medir o tempo

em estações, deixai que cada estação abrace todas

as outras.

E deixai que o hoje abrace o passado com saudade

e o futuro com ansiedade.

&A&

Do livro “O Profeta” (sem indicação de tradutor)

Khalil Gibran (República do Líbano)

Créditos:

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Sobre o Bem e o Mal

E um dos anciãos da cidade disse: Fala-nos do Bem

e do Mal.

E ele respondeu:

Do bem que existe em vós posso falar, mas não do

mal.

Pois que é o mal se não o bem torturado pela sua

própria fome e sede?

Na verdade, quando o bem está esfomeado procu-

ra alimento até nas cavernas mais escuras, e quan-

do tem sede bebe até de águas paradas.

Vós sois bons quando sois unos dentro de vós.

No entanto, quando não sois unos dentro de vós,

não sois maus.

Pois uma casa dividida não é um tugúrio de la-

drões, é só uma casa dividida.

E um navio sem leme pode vaguear sem destino

por entre ilhas perigosas, e no entanto não se

afundar.

Vós sois bons quando vos tentais dar.

No entanto, não sois maus quando procurais pro-

veito.

Pois quando procurais proveito não passais de

uma raiz que se agarra à terra e lhe suga o seio.

Com certeza que a fruta não pode dizer à raiz:

"Sê como eu, madura e cheia e sempre abundan-

te."

Pois para a fruta, dar é uma necessidade, tal como

receber é uma necessidade para a raiz.

Vós sois bons quando estais completamente des-

pertos.

No entanto, não sois maus quando dormis enquan-

to a vossa língua murmura sem sentido.

E até um discurso sem sentido pode fortalecer uma

língua fraca.

Vós sois bons quando ergueis firmemente o vosso

objetivo com passos ousados.

No entanto, não sois maus quando caminhais com

hesitação.

Até aqueles que caminham com hesitação não an-

dam para trás.

Mas vós que sois fortes e determinados, evitai he-

sitar ante os indecisos, nem que seja por bondade.

Vós sois bons de inúmeras formas e não sois maus

quando não sois bons.

Sois apenas vagabundos e ociosos.

É pena que o veado não possa ensinar a rapidez à

tartaruga.

Mas o vosso desejo pelo vosso eu gigante reside

na vossa bondade: e essa bondade está no todo de

vós.

Mas em alguns de vós esse desejo é uma corrente

que se dirige para o mar, levando os segredos das

encostas e as canções da floresta.

E noutros é um ribeiro sereno que se perde nos ân-

gulos e nas curvas antes de chegar à costa.

Mas que aquele que deseja muito não diga àquele

que deseja pouco "por que razão és lento e

ocioso?"

Pois aquele que é verdadeiramente bom não per-

gunta ao nu "onde está a tua roupa?", nem ao sem

abrigo "o que aconteceu à tua casa?”

&A&

Do livro “O Profeta”, de Gibran Khalil Gibran

(sem indicação de tradutor)

Créditos:

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Sobre a Oração

Depois uma sacerdotisa disse: Fala-nos da Oração.

E ele respondeu, dizendo:

Vós orais na aflição e na necessidade; também de-

vieis orar na alegria e nos tempos de abundância.

Pois o que é a oração senão a expansão de vós no

ar vivo?

E se vos dá consolo largar vossa escuridão no es-

paço, também vos deve dar felicidade lançar o vos-

so coração à aurora.

E se só conseguirdes chorar quando a vossa alma

vos chamar à oração, ela vos estimulará até que,

ainda a chorar, vos comeceis a rir.

Quando rezais encontrais no ar aqueles que rezam

à mesma hora e que, se não fosse na oração, nun-

ca encontraríeis.

Por isso deixai que a vossa visita a esse templo in-

visível não seja senão para o êxtase e doce comu-

nhão.

Pois não deveis entrar no templo com outro objeti-

vo que não seja o de pedir aquilo que não recebe-

reis:

E se lá entrardes com humildade assim permane-

cereis:

Ou mesmo se lá entrardes para pedir favores para

os outros não sereis ouvidos.

É suficiente que entreis invisíveis no templo.

Não vos posso ensinar a orar por palavras.

Deus não ouve as vossas palavras a não ser quan-

do ele próprio as murmura através dos vossos lábi-

os.

E não vos posso ensinar a oração dos mares e das

florestas e das montanhas.

Mas vós que nascestes nas montanhas e nas flo-

restas e nos mares, encontrareis a oração nos vos-

sos corações, e se escutardes na quietude da noi-

te,

ouvi-los-eis dizer em silêncio:

"Nosso Deus, que sois o nosso eu alado, é a vossa

vontade em nós que quer.

E o vosso desejo em nós que é desejado.

É a vossa vontade para que tornemos as nossas

noites que são vossas, em dias que são igualmente

vossos.

Não vos podemos pedir, pois conheceis os nossos

desejos antes de nós próprios nascermos, vós sois

o nosso desejo, e em dar-nos mais de vós, dais-vos

todo."

&A&

Do livro “O Profeta”, de Gibran Khalil Gibran

(sem indicação de tradutor)

Créditos:

http://www.clube-

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Sobre o Prazer

Então um eremita que visitava a cidade uma vez

por ano, avançou e disse: Fala-nos do Prazer.

E ele respondeu, dizendo:

O prazer é uma canção de liberdade, mas não é a

liberdade.

É o desabrochar dos vossos desejos, mas não é os

seus frutos.

É um chamamento profundo para as alturas, mas

não é profundo nem alto.

É o encarcerado a ganhar asas, mas não é o espaço

que o circunda.

Sim, na verdade, o prazer é uma canção de liber-

dade.

E bem gostaria que a cantásseis com todo o vosso

coração; no entanto, não percais os vossos cora-

ções nos cânticos.

Alguma da vossa juventude procura o prazer como

se isso fosse tudo, e esses são julgados e punidos.

Eu não os julgaria nem puniria.

Gostaria que empreendessem a busca.

Pois eles encontrarão prazer, mas não só.

Sete são as suas irmãs, e a mais insignificante de-

las é mais bela que o prazer.

Nunca ouviram a história do homem que cavava a

terra para encontrar raízes e descobriu um tesou-

ro?

E alguns de vós, mais velhos, recordam os praze-

res com remorsos.

Como erros cometidos quando estavam bêbedos.

Mas o remorso só obscurece o espírito e não o cas-

tiga.

Deveriam lembrar-se dos prazeres com gratidão,

tal como fariam após uma colheita no verão.

No entanto, se os conforta sentir o remorso, dei-

xai-os confortarem-se.

E há entre vós aqueles que não são nem suficien-

temente jovens para empreender a busca, nem su-

ficientemente velhos para se lembrarem; e no

medo deles de procurarem e se lembrarem, conse-

guem afastar todos os prazeres, a menos que ne-

gligenciem o espírito.

Mas até na antecipação reside o seu prazer.

E assim também eles encontram um tesouro, em-

bora procurem as raízes com mãos trêmulas.

Mas dizei-me, quem pode ofender o espírito?

Será que o rouxinol consegue ofender a quietude

da noite ou o brilho das estrelas?

E as vossas chamas ou fumo conseguem carregar o

vento?

Pensais que o espírito é um lago imóvel que podeis

perturbar?

Muitas vezes ao negardes a vós mesmos o prazer,

estais a ocultar o desejo nos recônditos do vosso

ser.

Quem sabe que o que parece ser omitido hoje es-

pera por amanhã?

Até o vosso corpo conhece a sua herança e as suas

necessidades e não sairá desiludido.

E o vosso corpo é a harpa da vossa alma, e é a vós

que compete extrair dela uma doce melodia ou

sons confusos.

E no vosso coração, perguntais:

"Como distinguiremos o que é bom no prazer do

que não é?"

Ide para os vossos campos e jardins e aprendereis

que o prazer da abelha consiste em retirar o mel

da flor.

Mas também a flor tem prazer em dar o seu mel à

abelha.

Pois para a abelha a flor é uma fonte de vida.

E para a flor a abelha é mensageira de amor.

E, para ambas, abelha e flor, o dar e o receber de

prazer é uma necessidade e um êxtase.

Povo de Orfalés, olhai para os vossos prazeres

como as abelhas e as flores.

&A&

Do livro “O Profeta”, de Gibran Khalil Gibran

(sem indicação de tradutor)

Créditos:

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Sobre a Beleza

E um poeta disse: Fala-nos da Beleza.

E ele respondeu:

Onde podereis procurar a beleza, e onde a encon-

trareis, a menos que ela própria cruze o vosso ca-

minho e vos guie?

E como falareis dela a não ser que ela seja o artífi-

ce dos vossos discursos?

O humilhado e o ofendido dizem;

"A beleza é compassiva e gentil.

Tal como uma mãe tímida da sua própria glória,

caminha entre nós."

E o apaixonado diz:

"Não, a beleza é coisa de poder e temor.

Tal como a tempestade, ela abala a a terra sob nós

e o céu por cima de nós."

Os cansados e exaustos dizem:

"A beleza consiste em suaves murmúrios.

Fala no nosso espírito.

A sua voz se ouve nos nossos silêncios como uma

tênue luz que estremece com medo da sombra."

Mas o inquieto diz:

"Já a ouvimos gritar nas montanhas, e com os seus

gritos ouviu-se o som dos passos, o bater das asas

e o rugir dos leões."

À noite, os guardiães da cidade dizem:

"A beleza virá com a aurora do poente."

E ao meio dia os caminhantes dizem:

"Vimo-la debruçada sobre a terra nas janelas do

pôr do sol."

No inverno dizem os que recolhem a neve:

"Ela virá com a primavera, saltando pelas colinas."

E no verão os ceifeiros dizem:

"Vimo-la dançar com as folhas do outono e tinha

pedaços de neve no cabelo."

Todas estas coisas dissestes da beleza, no entanto,

na verdade, não falastes dela mas de necessidades

insatisfeitas, e a beleza não é uma necessidade

mas um êxtase.

Não é uma boca com sede nem uma mão vazia es-

tendida, mas antes um coração inflamado e uma

alma encantada.

Não é a imagem que veríeis nem o som que ouvi-

ríeis, mas antes uma imagem que vedes embora

fecheis os olhos, e uma canção que ouvis, embora

tapeis os ouvidos.

Não é nem a seiva na casca enrugada, nem a asa

presa por uma garra, mas antes um jardim sempre

em flor e um grupo de anjos sempre a voar.

Povo de Orfalés, a beleza é a vida quando a vida

desvenda o seu rosto sagrado.

Mas vós sois a vida e sois o véu.

A beleza é a eternidade a olhar-se ao espelho.

Mas vós sois a eternidade e o espelho.

&A&

Do livro “O Profeta”, de Gibran Khalil Gibran

(sem indicação de tradutor)

Créditos:

http://www.clube-

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Sobre a Religião

E um velho sacerdote disse: Fala-nos da Religião.

E ele respondeu:

Terei falado de outra coisa até agora?

Não será a religião senão todos os atos e toda a re-

flexão, e tudo aquilo que não é ato nem reflexão,

mas encantamento e surpresa sempre emergentes

da alma, mesmo quando as mãos talham a pedra

ou trabalham no tear?

Quem poderá separar a sua fé das suas ações, ou

as suas crenças das suas ocupações?

Quem pode estender as suas horas perante ele di-

zendo, "Isto é para Deus e isto é para mim, isto é

para a minha alma e isto para o meu corpo?"

Todas as vossas horas são asas que voam no espa-

ço de um eu para o outro eu.

Aquele que usa a sua moral como a sua melhor in-

dumentária faria melhor se andasse nu.

O vento e o sol não abrirão buracos na sua pele.

E aquele que rege a sua conduta pela ética está a

aprisionar numa gaiola o pássaro que canta.

Os cânticos mais livres não saem através de gra-

des nem grilhetas.

E aquele para quem a devoção é uma janela, para

abrir mas também para fechar, ainda não visitou a

morada da sua alma cujas janelas vão de aurora a

aurora.

A vossa vida diária é o vosso templo e a vossa reli-

gião.

Cada vez que entrais nela, entrai por inteiro.

Levai a charrua e a forja, o maço e a lira.

As coisas de que precisais por necessidade ou pra-

zer.

Pois em sonhos não podereis erguer-vos acima dos

vossos feitos, nem cair mais baixo do que as vos-

sas falhas.

E levai convosco todos os homens, pois na adora-

ção não podereis voar mais alto do que as suas es-

peranças, nem humilhar-vos mais baixo do que o

seu desespero.

E se quereis conhecer Deus, não pretendais resol-

ver enigmas.

Olhai antes à vossa volta e vê-Lo-eis a brincar com

os vossos filhos.

E olhai para o espaço: vê-Lo-eis a caminhar sobre

as nuvens, de braços estendidos para a luz, des-

cendo sobre a chuva.

Vê-Lo-eis sorrindo no meio das flores, e depois er-

guer-se e agitar as árvores com as Suas mãos.

&A&

Do livro “O Profeta”, de Gibran Khalil Gibran

(sem indicação de tradutor)

Créditos:

http://www.clube-

positivo.com/biblioteca/pdf/profeta.pdf

Sobre a Morte

Depois Almitra pediu: Queríamos que falasses ago-

ra da Morte.

E ele respondeu:

Vós conheceis o segredo da morte.

Mas como o encontrareis a menos que o procureis

no âmago do coração?

O mocho cujos olhos noturnos são cegos para a

claridade, não pode desvendar o mistério da luz.

Se quereis verdadeiramente conhecer o espírito da

morte, abri o vosso coração até ao corpo da vida.

Pois vida e morte são uma só, tal como o são o rio

e o mar.

Na profundeza dos vossos desejos e esperanças

está a consciência silenciosa do além; e tal como

as sementes que sonham sob a neve, também o

vosso coração sonha com o desabrochar.

Confiai nos sonhos, pois neles está a porta para a

eternidade.

O vosso medo da morte não é mais do que o temor

do pastor quando se vê perante o rei que ergue a

sua mão para o honrar.

E sob a sua tremura, não está feliz o pastor, por

trazer em si a insígnia do rei?

E, no entanto, não está mais consciente do seu tre-

mor?

Pois o que é morrer senão ficar nu ao vento e fun-

dir-se com o sol?

E o que é deixar de respirar senão libertar a respi-

ração das suas inquietações a fim de ela poder ele-

var-se e expandir-se até Deus?

Só quando beberdes do rio do silêncio sereis capa-

zes de cantar.

E quando chegardes ao cimo da montanha, pode-

reis então começar a subir.

E quando a terra reclamar o vosso corpo, então se-

reis verdadeiramente capazes de dançar.

Khalil Gibran (República do Líbano)

&A&

Do livro “O Profeta” (sem indicação de tradutor)

Créditos:

http://www.clube-positivo.com/biblioteca/pdf/profe-

ta.pdf

Os Adeuses

E chegou a noite e Almitra, a vidente, disse:

Abençoado seja este dia e este local e o teu espíri-

to que falou.

E ele disse:

Fui eu quem falou?

Não terei sido eu o ouvinte?

Depois desceu os degraus do Templo e todo o povo

o seguiu. E chegou junto do seu navio e ficou no

convés. E, voltando a encarar o povo, ergueu a voz

e disse:

Povo de Orfalés, o vento leva-me a deixar-vos.

Sou menos apressado que o vento, no entanto

devo ir.

Nós, os errantes, sempre em busca de caminhos

solitários, não acabamos um dia onde o tivermos

começado; e nenhum nascer do sol nos encontra

onde o pôr do sol nos encontrou.

Viajamos mesmo enquanto a terra dorme.

Somos as sementes da planta perene; e é na matu-

ridade do nosso coração e na sua plenitude que

nos entregamos ao vento.

Breves foram os meus dias entre vós, e ainda mais

breves as palavras que preferi.

Mas se acaso a minha voz desaparecer dos vossos

ouvidos e o meu amor se desvanecer na vossa me-

mória, então eu voltarei.

E com um coração mais rico e a boca mais virada

para o espírito eu falarei.

Sim, eu voltarei com a maré, e, embora a morte

me possa esconder e o grande silêncio envol-

ver-me, na mesma procurarei a vossa compreen-

são.

E não será em vão essa procura.

Se aquilo que eu disse é verdade, essa verdade se

revelará claramente e em palavras mais perceptí-

veis para o vosso pensamento.

Vou com o vento, povo de Orfalés, mas não vou no

vazio, e se este dia não é o preenchimento dos

vossos desejos e do meu amor, então deixai que

seja uma promessa para outro dia.

As necessidades do homem mudam, mas não o seu

amor, nem o desejo de que o seu amor satisfaça as

suas necessidades.

Ficai a saber que, do grande silêncio, eu voltarei.

A neblina que se desvanece de madrugada, dei-

xando o orvalho nos campos, erguer-se-á e juntar-

se-á numa nuvem que cairá como chuva.

E eu tenho sido como a neblina.

Na quietude da noite caminhei pelas vossas ruas e

o meu espírito entrou em vossas casas, e o bater

dos vossos corações esteve no meu coração, e a

vossa respiração sobre o meu rosto, e conheci-vos

a todos.

Sim, conheci as vossas alegrias e tristezas e, no

vosso sono, os vossos sonhos foram os meus so-

nhos.

E muitas vezes fui entre vós um lago entre as mon-

tanhas.

Refleti em vós os cumes e as encostas, e até os

vossos pensamentos e desejos.

E ao meu silêncio chegou o riso das vossas crian-

ças e os desejos dos vossos jovens.

E quando chegarem ao fundo de mim, os riachos e

ribeiros não deixaram de cantar.

Mas ainda algo mais doce do que o riso e maior do

que o desejo veio até mim.

Foi aquilo que há de infinito em vós;

Foi o homem ilimitado feito de células e tendões;

aquele em cujo canto está toda a vossa música

que mais não é do que uma palpitação silenciosa.

É no homem infinito que sois infinitos.

E foi ao contemplá-lo que vos contemplei e vos

amei.

Pois que distancia pode atingir o amor que não fica

na vasta esfera?

Que visões, que expectativas e que presunções po-

dem erguer-se acima desse voo?

Tal como um carvalho gigante coberto por reben-

tos de macieira é o homem infinito em vós.

O seu poder liga-vos à terra, a sua fragrância

eleva-vos ao espaço, e na sua durabilidade vós

sois imortais.

Foi-vos dito que sois fracos como o mais fraco elo

de uma corrente.

Isto é só meia verdade.

Também sois fortes como o seu elo mais forte.

Avaliar-vos pelo mais pequeno feito é julgar o po-

der do oceano pela fragilidade da sua espuma.

Julgar-vos pelas vossas falhas é culpar as estações

pela sua inconstância.

Ah, vós sois como um oceano, e embora navios de

grande porte aguardem a maré nas vossas costas,

vós, no entanto, tal como o oceano, não as podeis

apressar.

E, tal como as estações, também vós, no vosso in-

verno, negais a vossa primavera, no entanto, a pri-

mavera que repousa em vós, sorri meio adormeci-

da e não fica ofendida.

Não penseis que digo estas coisas para que digais

uns para os outros:

"Ele nos louvou. Só viu o bem em nós."

Só vos falo com palavras que vós próprios conhe-

ceis em pensamento.

E o que é a palavra conhecimento senão uma som-

bra da sabedoria indizível?

Os vossos pensamentos e as minhas palavras são

ondas de uma memória selada que mantém regis-

trados os nossos ontens, e os dias antigos quando

a terra não nos conhecia nem se conhecia a si pró-

pria, e as noites em que a terra estava mergulhada

em caos.

Homens sábios vieram oferecer-vos a sua sabedo-

ria.

Eu vim receber a vossa sabedoria:

E encontrei algo maior do que essa sabedoria.

É uma chama espiritual que se encontra em vós,

enquanto vós, inconscientes da sua expansão, la-

mentais o passar dos vossos dias.

É a vida em busca da vida em corpos que receiam

o túmulo.

Aqui não existem túmulos.

Estas montanhas e planícies são um berço e uma

escada.

Cada vez que passardes pelo campo onde repou-

sam os vossos antepassados, olhai bem, e ver-vos-

eis a vos próprios e às vossas crianças a dançarem

de mão dadas.

Na verdade, muitas vezes sois felizes sem o saber-

des.

Outros há que vieram ter convosco e a quem, por

vos terem feito promessas douradas, destes rique-

zas e poder e glória.

Eu dei-vos menos que uma promessa, e no entanto

fostes bem mais generosos comigo.

Destes-me a minha mais profunda sede da vida.

Não existe maior dádiva para um homem do que

aquela que transforma todas as suas metas em lá-

bios ardentes e a vida numa fonte.

E é aqui que está a minha honra e a minha recom-

pensa, pois quando eu vier beber à fonte encontra-

rei a água viva também sedenta; e beber-me-á en-

quanto eu a beberei.

Alguns de vós me acharam orgulhoso e tímido para

receber as vossas oferendas.

Sou na verdade demasiado orgulhoso para receber

dinheiro, mas não dádivas.

E embora tenha comido bagas no meio das colinas,

enquanto vós teríeis preferido que me sentasse ao

vosso lado, e dormido à porta do templo quando

me teríeis acolhido de bom grado no vosso lar.

No entanto, não foi o vosso carinhoso interesse

pelos meus dias e pelas minhas noites que tornou

os alimentos doces na minha boca e encheu o meu

sono de visões?

Por tudo isto vos abençoo: Vós dais tudo sem sa-

ber que estais a dar.

Na verdade, a bondade que se olha ao espelho

transforma-se em pedra, e uma boa ação que se

chama a si mesma belos nomes torna-se uma pra-

ga.

E alguns de vós chamastes-me distante, embriaga-

do com a minha própria solidão, e dissestes: "Ele

fala com as árvores da floresta mas não com os

homens.

Ele se senta sozinho no topo das colinas e olha cá

para baixo para a cidade."

A verdade é que subi às colinas e andei por locais

remotos.

Como poderia ter-vos visto senão de uma grande

altura ou de uma grande distância?

Como se pode estar perto se não se estiver longe?

E outros de entre vós me chamastes; não por pala-

vras e me dissestes:

"Forasteiro, forasteiro, amante das alturas inaces-

síveis, por que vives nos cumes onde as águias fa-

zem os ninhos?

Por que procuras o inatingível?

Que tempestades apanhas com a tua rede, e que

diáfanos pássaros caças no céu?

Vem e sê um de nós.

Desce e acalma a tua fome com o nosso pão e a

tua sede com o nosso vinho."

Na solidão das vossas almas dissestes estas coisas,

mas se a vossa solidão fosse mais profunda sabe-

ríeis que eu só procuro o segredo da vossa alegria

e da vossa dor, e só andei à caça dos vossos eus

mais profundos que caminham pelo céu.

Mas o caçador também foi a presa; pois muitas das

minhas flechas saíram do arco só para procurarem

o meu peito.

E o alado também foi o rastejante; pois quando as

minhas asas se abriram ao sol, a sua sombra na

terra foi uma tartaruga.

E eu, o crente, também fui o descrente; muitas ve-

zes coloquei o dedo sobre a minha própria ferida

para ter mais fé em vós e maior conhecimento de

vós.

Se estas forem palavras vagas não procureis clari-

ficá-las.

Vago e nebuloso é o início de todas as coisas, mas

não o seu fim, e eu gostaria que me lembrásseis

como um princípio.

A vida, e tudo o que vive, é concebido no nevoeiro

e não no cristalino.

E quem sabe que o cristalino não é senão o nevoei-

ro em decadência?

É isto que eu gostaria que recordásseis quando vos

lembrardes de mim.

Que aquilo que parece mais fraco e débil em vós é

o mais forte e mais determinado.

Não foi a vossa respiração que erigiu e fortaleceu a

estrutura dos vossos ossos?

E não foi um sonho que nenhum de vós se lembra

de ter sonhado, que construiu a vossa cidade e

tudo o que nela existe?

Pudésseis vós ver as marés dessa respiração que

deixaríeis de ver tudo o resto, e se pudésseis ouvir

o sussurro do sonho não ouviríeis mais nada.

Mas vós não vedes, nem ouvis e está bem.

O véu que cobre os vossos olhos será erguido pe-

las mãos que o teceram, e o gesso que vos enche

os ouvidos será quebrado pelas mãos que o molda-

ram.

E vós vereis e ouvireis.

No entanto, não lamentareis ter conhecido a ce-

gueira, nem lamentareis ter sido surdos.

Pois nesse dia conhecereis o propósito oculto de

todas as coisas, e abençoareis a escuridão tal

como abençoaríeis a luz.

Depois de dizer estas coisas olhou em volta e viu o

capitão do seu navio em pé, junto ao leme, a olhar

para as velas enfunadas. E disse:

Paciente, mais do que paciente é o capitão do meu

navio.

O vento sopra e as velas estão inquietas, até o

leme suplica direção, e, no entanto, o meu capitão

aguarda o meu silêncio.

E os meus marinheiros, que escutaram o coro do

mar imenso, também eles me ouviram paciente-

mente.

Agora já não esperarão mais: estou pronto.

O ribeiro chegou ao mar, e mais uma vez a mãe

imensa aperta o filho contra o seio.

Adeus, povo de Orfalés. Este dia chegou ao fim.

Fecha-se sobre nós como o nenúfar sobre o seu

próprio amanhã.

Aquilo que nos foi dado aqui, conservaremos, e se

não for suficiente, então teremos de nos juntar no-

vamente e estender as mãos ao doador.

Não vos esqueçais que voltarei para junto de vós.

Um pouco de tempo e juntarei espuma e pó para

outro corpo.

Um pouco de tempo, um momento de descanso so-

bre o vento e outra mulher me trará dentro de si.

Adeus a vós e à juventude que passei convosco.

Foi só ontem que nos encontramos num sonho.

Cantastes para mim na minha solidão, e dos vos-

sos desejos construí uma torre no céu.

Mas agora o nosso sono voou e o nosso sonho che-

gou ao fim e já não é aurora.

O meio dia está sobre nós e o nosso meio desper-

tar tornou-se pleno dia e devemos separar-nos.

Se no crepúsculo da memória nos encontrarmos

mais uma vez, voltaremos a falar e cantareis para

mim uma canção mais profunda.

E se as nossas mãos se voltarem a tocar noutro so-

nho, construiremos outra torre no céu.

Assim falando, fez sinal aos marinheiros e logo

eles levantaram âncora e desataram o navio e diri-

giram-se para oriente. E da multidão ouviu-se um

clamor, como saído de um só coração, e ergueu-se

no crepúsculo e foi transportado sobre o mar.

Só Almitra ficou calada, a olhar para o navio até

que ele desapareceu entre a neblina.

E quando toda a gente se dispersou, ela continuou

imóvel, junto ao cais, lembrando, no seu coração,

as palavras dele:

"Um pequeno momento, um momento de descanso

sobre o vento e outra mulher me trará dentro de

si."

Khalil Gibran (República do Líbano)

&A&

Do livro “O Profeta” (sem indicação de tradutor)

Créditos:

http://www.clube-positivo.com/biblioteca/pdf/profe-

ta.pdf

Fim

Créditos:

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