O caso do homem alto por Arthur Conan Doyle - Versão HTML

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Sherlock Holmes

em:

O caso do homem alto

Por Sir Arthur Conan Doyle

PDF por ZOHAR (zohar@bol.com.br)

CPTurbo.org

Uma moça procura Sherlock Holmes em grande aflição. Houve um crime na aldeia — seu tio foi encontrado morto a tiros no quarto, aparentemente atingido através da janela aberta. Seu namorado foi preso. E suspeito por diversos motivos:

1) Teve uma violenta discussão com o velho, e este ameaçou alterar o testamento que beneficia a moça se voltasse a falar com o namorado; 2) Encontraram em casa um revólver com as iniciais do namorado na coronha e uma bala disparada. A bala encontrada no corpo do morto condiz com a do revólver;

3) Ele possui uma escada de mão, a única da vila, e existem marcas dos pés dessa escada no solo, embaixo da janela do quarto, e o mesmo tipo de solo (fresco) foi encontrado nos pés da escada.

A única alegação do rapaz é que nunca teve revólver, e que o mesmo foi descoberto numa gaveta do porta-chapéus no vestíbulo de sua casa, onde seria fácil qualquer um colocá-lo. Quanto à terra na escada (que ele não usa há um mês), não sabe explicar.

Apesar dessas provas incriminadoras, porém, a moça insiste em acreditar que o namorado é perfeitamente inocente e suspeita de outro homem, que também a andou cortejando, embora não tenha qualquer evidência contra ele, exceto que sente instintivamente, que é um vilão que não se deteria diante de nada.

Sherlock e Watson vão até a aldeia examinar o local, acompanhados pelo detetive encarregado do caso. As marcas da escada atraem especial atenção de Holmes. Ele reflete — olha à volta —, indaga se há algum lugar onde se possa esconder um objeto volumoso. Há — um poço abandonado, que não foi revistado porque aparentemente não se deu por falta de nada. Sherlock, contudo, insiste para que se examine o poço. Um menino da aldeia concorda em descer ao poço com uma vela. Antes de descer Holmes cochicha alguma coisa em seu ouvido — ele parece surpreso. O menino desce e a seu sinal é de novo erguido. Traz à superfície um par de andas.

— Meu Deus! — exclama o detetive local. — Quem imaginaria isso?

— Eu — responde Holmes.

— Mas por quê?

— Porque as marcas no jardim foram feitas por duas estacas perpendiculares; os pés de uma escada inclinada teriam produzido depressões mais profundas do lado da parede.

(Nota: O solo em questão era uma faixa de terra ladeando um caminho de piçarra em que as andas não deixariam impressões.) Essa descoberta reduziu o peso da evidência da escada, embora outras continuassem a existir.

O passo seguinte foi encontrar o usuário das andas, se possível. Mas ele fora muito cauteloso e dois

dias depois ainda não se descobrira nada. No inquérito, o rapaz foi considerado culpado de assassinato. Mas Holmes está convencido de sua inocência. Nas circunstâncias e como último recurso decide usar um estratagema sensacional.

Vai a Londres e, voltando na noite do dia em que o velho foi enterrado, ele, Watson e o detetive vão ao chalé do homem de quem a moça suspeita, fazendo-se acompanhar de um homem que Holmes trouxe de Londres, usando um disfarce que o transforma na imagem do morto, o corpo franzino, o rosto cinzento e enrugado, barrete e tudo o mais. Levam com eles também o par de andas. Ao chegarem ao chalé, o homem disfarçado sobe nas andas e percorre o caminho até a janela aberta do homem, ao mesmo tempo chamando-o em voz terrível e sepulcral pelo nome. O homem, já meio louco de remorsos, corre à janela e contempla à luz do luar o espetáculo aterrorizante de sua vítima a caminhar para ele. Cambaleia para trás com um grito e a aparição, que continua a avançar para sua janela, diz na mesma voz fantasmagórica:

— Assim como veio me buscar, vim lhe buscar!

Quando os visitantes correm ao seu quarto no primeiro andar, precipita-se para eles, agarrando-os ar-quejante e apontando para a janela onde o rosto do morto o espia e grita:

— Salvem-me! Meu Deus! Ele veio me buscar!

Descontrolando-se depois dessa cena dramática, confessa tudo. Marcou o revólver e o escondeu onde foi encorajado — também sujou os pés da escada com a terra do jardim do morto. Seu motivo era tirar o rival do caminho na esperança de ficar com a moça e seu dinheiro.

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