O trigo, a água e o sangue por Luiz Fernando Da Silva Pinto - Versão HTML

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O TRIGO, A ÁGUA E O SANGUE

AS RAÍZES ESTRATÉGICAS DO OCIDENTE

LUIZ FERNANDO DA SILVA PINTO

SENAC • Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial-DF

PRESIDENTE DO CONSELHO REG IONAL

Adelm ir Santana

DIRETOR REG IONAL

Luiz Otávio da Justa Neves

EDITORA SENAC DISTRITO FEDERAL

Coordenador

Luiz Otávio da Justa Neves

Editora-chefe

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Gustavo Coelho

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CONSELHO EDITORIAL

Membros Titulares

Antonio Marcos Bernardes Neto

Flávia Furtado Rainha Silveira

Katia Christina S. De Morais Corrêa

Lindom ar Aparecida da Silva

Tânia Maria Salvador Ferraz Paiva

Membros Colaboradores

Antonia Maria Ribeiro Rodrigues

Denise Maria dos Santos Paulinelli Raposo

Elidiani Dom ingues Bassan de Lim a

Heloisa Helena de Alm eida Borges

Thales Pereira Oliveira

NESTA EDIÇÃO

Capa e Projeto gráfico

Gustavo Coelho

Ilustração

Gustavo Coelho

Revisão

Mariflor Brenlla Rial Rocha

Conversão para eBook

Sim plíssim o Livros

Copy right © by Luiz Fernando da Silva Pinto

Todos os direitos desta edição

reservados à Editora Senac-DF.

Editora Senac Distrito Federal, 2012.

Ficha Catalográfica

P659t

Pinto, Luiz Fernando da Silva.

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Trigo, a água e o sangue: as raízes estratégicas do Ocidente, O / Luiz

Fernando da Silva Pinto – Brasília: SENAC - DF, 2012.

476 p.: il.

Inclui bibliografia

ISBN 978-85-62564-17-8

1 – Pensam ento estratégico 2. Cultura ocidental. 3.Civilizações . I. Título.

CDU 658.012.2

Edição digital: j ulho 2012

DEDICATÓRIA

A Carlos Ivan Simonsen Leal, Francisco Oswaldo Neves

Dornelles, Lindolpho de Carvalho Dias; Sérgio Franklin

Quintella – com grande admiração e respeito.

A Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque e Heitor

Chagas de Oliveira – as suas pessoas representando os

integrantes dos Conselhos Diretor e Curador da Fundação

Getulio Vargas de ontem e de hoje – que, de forma

decidida e determinada, vêm colaborando de forma

supercompetente e de modo exemplar para o

desenvolvimento sustentado da instituição.

E a Ney Oscar Ribeiro de Carvalho, Ricardo Pernambuco

Backheuser e Victor Monteiro Barbosa Coelho – queridos

amigos-irmão (muito queridos), representando todos os

interlocutores estratégicos que ao correr da vida me

auxiliaram (e privilegiaram) com seus conselhos e

observações de forma determinada e com notável

competência para a realização das minhas ações

profissionais e de pesquisa. Com imensa amizade e

gratidão.

O livro “O trigo, a água e o sangue”, denso em seu conteúdo, refere-se ao

estudo de inform ações pinçadas, pelo autor, de dados históricos (pesquisas,

descobertas arqueológicas e publicações de estudiosos dos povos e civilizações

que povoaram a Terra no período de 20.000 a.C. a 1.200 a.C.) a partir da origem

das com unidades e das “polis”, para identificar o “nascim ento e a eclosão

estratégica do ocidente atual”.

Luiz Fernando da Silva Pinto, dessa vez navega no tem po de quase 19 m il anos

entre as civilizações da “Grande Antiguidade” transportando-nos, por m eio de

seus com entários à luz das descrições de grandes pesquisadores dos fatos

históricos, com o se fôssem os observadores do m odo de vida e das descobertas

dos povos sum eriano, egípcio, grego, cretense, fenício e outros. Utiliza-se de

significativas paradas para, com o um guia turístico, vislum brar fatos bíblicos,

geográficos, evolutivos da hum anidade e, principalm ente, as estratégias para

sobrevivência e desenvolvim ento da hum anidade rum o ao nosso tem po.

Trata-se, portanto, de um a obra sobre gestão estratégica, especialidade

apresentada em outras publicações do autor pela Editora Senac-DF (“Sagres- a

revolução estratégica”; “O fator Archer : pensam ento estratégico”; “O Fator da

Vinci: presença estratégica”; “O Fator Sam urai: em preendedorism o e construção

de proj etos estratégicos”; “O Fator Dressage: governança estratégica”; “A

Estratégia Rom anov e os Meninos Falcão”). Aqui, essa habilidade se evidencia

num a proposta inovadora de identificar, no passado rem oto, a origem das

“m anifestações com unitárias” (base de autossustentabilidade) e as configurações

estratégicas presentes nesse m odelo.

A surpresa ocorre quando o leitor das obras de L. F. percebe a evolução do

estilo e da linguagem que, num a perm issão a si m esm o de alçar vôos m ais

am plos e perm eados da opinião pessoal, enriquecem o conteúdo e a form a,

prendendo o leitor e provocando a reflexão e a curiosidade.

Adelm ir Araúj o Santana

Presidente do Conselho Regional do Senac-DF

PREFÁCIO

As dúvidas transcendentais que acom etem as m entes m ais rudim entares ou as

inteligências dos m ais raram ente sofisticados pensadores — aqueles que cogitam

a respeito da nossa traj etória, origem e destinação — reproduzem -se, em term os

de m acro-observação, no que diz respeito aos fatores que, a seu tem po, terão

desencadeado os processos evolutivos da história das econom ias e da vida nas

civilizações.

Com o foi m esm o que nos tornam os assim ?

O que terá sido preciso fazer para que algum as tendências ou determ inadas

tentativas se tenham tornado feitos e realidades que acabaram sendo afirm ações

de inelutável questionam ento?

Onde foi que tudo isso com eçou?

Quem andou inovando, e com que capacidade decisiva conseguiu afetar

efetivam ente o rum o das coisas, de form a a term os chegado aos resultados que

deram origem ao m undo que vivenciam os hoj e?

Certam ente, terá havido m uitos tom adores de decisão ao longo da História

que, agindo com o pensam ento equipado de visão estratégica, foram capazes de,

adotando as m etodologias m ais diversificadas (guerras, alianças estratégicas e

artifícios surpreendentes), influenciar com segurança um rum o definido para a

criação de situações de ordem econôm ica, política e social, sensivelm ente

m odificadas frente a um determ inado statu quo ante.

E quando foi que essas coisas com eçaram ? Quando foram introduzidas as

m odificações que deram início ao que acabou sendo alterado tantas vezes, ao

longo do tem po?

Segundo o que propõe o autor, o Ocidente dos nossos tem pos — cuj as

características geopolíticas e econôm icas são suscetíveis de análises e

interpretações dos nossos contem porâneos e dos historiadores que nos

inform aram — terá surgido em decorrência de um longo processo m etabólico

que, para ser analisado, conhecido e entendido, precisa ser situado ao longo de

um a faixa de 20 m il anos anteriores ao nascim ento de Cristo.

Com o todo m etabolism o, esse longuíssim o processo terá sido caracterizado

por um a intrincada com plexidade e som ente pode ser analisado, observando-se

por partes, m irando-se a localização; e por tem pos, a época de cada um dos

fenôm enos datados ou datáveis.

É assim que Luiz Fernando da Silva Pinto aborda m om entos e lugares onde se

passaram cenas m arcantes e decisões determ inantes do veio a acontecer depois.

Fenôm enos que podem ser tom ados com o fundam entais (fundadores) para os

processos históricos e seus respectivos protagonistas tiveram lugar em cidades

com o Jericó, conhecida, principalm ente, por quem leu sobre o fam oso cerco

relatado na Bíblia.

Esses fenôm enos foram tão m ais duradouros e representativos de um a

m arcada evolução econôm ica, típica de determ inadas urbes absolutam ente

inovadoras, inclusive em sua sustentabilidade.

Relações políticas peculiares com o as que terão m arcado os laços que uniram

Egito e Creta e eram caracterizadas por um m isto de aliança estratégica e

terceirização, entretanto, soam , para nós, com fortes aspectos de novidade e

surpresa.

Visão estratégica, inovação, sustentabilidade, são conceitos de profunda

indagação, aceitação e uso m uito recentes, que j á se encontravam perm eando o

pensam ento form ulador dos governantes, elites e pessoas. Há vários m ilênios.

Ressalta, entretanto, a definitiva percepção de que m uitos dos conceitos

sistêm icos, especialm ente aqueles identificados com a interdependência,

estavam presentes nos fenôm enos relatados, ou fizeram parte do m om ento —

insight — de sua com preensão.

As conclusões a que chega o autor, após um a exaustiva busca de revelações

em textos de dezenas de outros autores consagrados, perm item um a audaciosa

operação de inteligente análise calcada em interpretações e ilações.

Um verdadeiram ente colossal esforço de erudição e rem issões a textos longos

e consistentes que, se não elim inam dúvidas nem acrescentam certezas de

sustentação do tipo m atem ático, evidenciam relações de interdependência e

interfaces indiscutíveis entre fatos, processos e fenôm enos. A rica pesquisa

bibliográfica e a oportunidade das citações garantem o suporte das conclusões

que se transform am em proposições teóricas definitivas.

Estou seguro quando penso da im portância e da oportuna utilidade, para m im ,

do fato de ter lido, com toda a m erecida e necessária atenção, este livro de tanta

atualidade. Ele nos traz argum entos m uito atuais para exigências do futuro

próxim o, reforçados pela descoberta que fazem os de sua antiquíssim a

perm anência.

Sem pre foram úteis os tais conceitos que hoj e consideram os m uito m odernos.

Nem deixam de ser atualíssim os por j á terem sido relevantes nos processos

decisórios de tanto tem po atrás.

Nova, é a leitura do que j á se passou antes, quando aplicada ao que será

preciso fazer m ais tarde. Eis que perm anecem , na raiz das soluções daquilo que a

dinâm ica da vida volta e m eia nos indaga, as estruturas m entais que resultam de

algo que poderíam os denom inar de diálogo dos fatos.

Fatos que vêm desafiando a hum ana capacidade de com preendê-los, de

interpretá-los, de inferir ilações conclusivas.

Fatos que im põem a capacidade e a habilidade de identificar as interfaces e

usar a m ais genuína e com pleta conectividade.

A raízes estratégicas do Ocidente são exploradas de form a audaz e m inuciosa

através da concatenação dos relatos, testem unhos e análises de historiadores,

econom istas e outros autores, através dessa arqueologia bibliográfica que o autor

cavou, interpretou e nos oferta em desafiadora leitura.

Heitor Chagas de Oliveira

Mem bro da Academ ia Brasileira de

Ciências da Adm inistração

APRESENTAÇÃO

O trigo, a água e o sangue: as raízes estratégicas do Ocidente insere-se em um

conj unto de pesquisas relativas a form ulações estratégicas realizadas com

sucesso na evolução das sociedades organizadas e posicionadas com o sendo de

interesse da Fundação Getulio Vargas. Nesse sentido, publiquei três trabalhos:

Pedro, o Grande, o caçador do tempo (finalista do Prêm io Jabuti/1998); A

estratégia Romanov e os meninos-falcão (vencedor do Prêm io Jabuti/2000) e

Sagres – a revolução estratégica (vencedor do Prêm io Jabuti/2001).

O desafio da presente publicação é especialm ente com plexo, pois cobrirá um

período que se inicia em 20000 a.C. e se estende até 1200 a.C. A escrita não era

praticam ente existente e quando o foi, não era vulgarizada. Com o tal o trabalho é

espinhoso e com plexo para todos que se aventurarem nessa em preitada. As

leituras arqueológicas são lentas e árduas. De um m odo geral, talvez por essa

razão, os esforços analíticos de pesquisadores e estudiosos do passado partam

m aj oritariam ente da fundação de Esparta, Atenas, o século de Péricles e a

notável aventura (ou ações de guerra e rapina) de Alexandre da Macedônia.

Outros estudiosos com o Gibbon, por exem plo, iniciaram suas análises j á com a

presença de Rom a.

Esse período entre 20000 a.C. e 1200 a.C. – o qual denom ino de a Grande

Antiguidade – apresenta, entretanto (essa é a m inha suspeita desde o início do

trabalho), “desenhos” e “soluções” estratégicas soberbas! É exatam ente sobre

essas configurações surpreendentes que nos deterem os. Aí se posiciona o nosso

desafio estratégico. Principalm ente, porque trabalhos sobre com petência

estratégica referentes a esse período são m uito rarefeitos. De fato, “um vazio de

pesquisas” im pressionante.

A presente obra dem andou vários anos de esforço, reflexões e trabalho. A sua

redação final iniciou-se em j ulho de 2009 com térm ino efetivado em j aneiro de

2011. Infelizm ente (e considerando que todo e qualquer livro deveria ser

recom eçado quando o m esm o se encerra) chegam os a bom term o som ente

nesse m om ento, após leituras críticas (riquíssim as) do prim eiro original

realizadas por Arlindo Lopes Corrêa, Fernando Lem os, Fernando Mauro Mendes

de Carvalho, Gabriel Lacerda, Heitor Chagas de Oliveira, Jorge Sávio, João

Maurício de Araúj o Pinho, Lindolpho de Carvalho Dias, Luiz Roberto do

Nascim ento e Silva, Márcio João de Andrade Fortes, Marcos de Carvalho

Candau, Ney Oscar Ribeiro de Carvalho, Obertal Mantovanelli, Paulo de Assis,

Paulo Roberto Cam pos Lem os, Raul Milliet, Renato Flores, Sérgio de Figueiredo

Rodrigues, Sérgio Gustavo Silveira da Costa, Sy lvio Massa e William de Alm eida

Carvalho. A propósito, com Sy lvio Massa foram realizadas im ensas discussões

sobre construções literárias.

A propósito, o planej am ento final da obra foi exposto de form a abrangente

em j unho de 2009 a Carlos Ivan Sim onsen Leal, Lindolpho de Carvalho Dias e

Sérgio Franklin Quintella – cuj as sugestões e ponderações foram de grande valia

para a sua execução. Carlos Ivan Sim onsen Leal, com um a visão

superabrangente relativa a Creta e ao Im pério Hitita, delineou ênfases

im portantíssim as para as pesquisas em preendidas, ao lado de sua riquíssim a

leitura estratégica da Ilíada e da Odisseia. Carlos Ivan Sim onsen Leal constituiu-

se no principal interlocutor estratégico para a realização de várias partes da

presente pesquisa.

Ricardo Pernam buco Backheuser, João Pedro Backheuser, Victor Monteiro

Barbosa Coelho, Carlos Eduardo da Silva Pinto, Ronnie Alm eida, Roberto de

Oliveira Cam pos Júnior – apoiaram -m e com observações, publicações,

inform ações, discussões e reflexões m uito densas relativas aos tem as analisados.

Aos m eus interlocutores finalíssim os – Miriam Mam brini, Carlos Mam brini,

Arnaldo Franco de Toledo e Carlos Antonio Gebara – devo um a série de

observações preciosas sobre o livro.

Alceu Cardoso, Arm ando Alencar, Carlos Henrique Bravo Galvão, Carlos

Eduardo Palerm o, César Aché, Francisco Diacovo, José Roberto Pim entel, Júlio

César Cordeiro Mattos, Oswaldo Cam pos Pinto, Salim Nigri e Thom az Montello

colaboraram de form a adm irável relativam ente às m inhas indagações sobre

vários tem as equestres contidos na pesquisa realizada. Conversas “trintenárias”

com Paulo Azam buj a de Oliveira produziram -m e inúm eras inform ações sobre o

deslocam ento da cavalaria m ilitar e sim ulações de cavaleiros-correio,

im ensam ente úteis para a com preensão do m undo hitita. Muito grato, Paulo!

Aspectos m uito im portantes relacionados ao desenvolvim ento e à conclusão

da presente obra foram debatidos com Afonso Arinos de Mello Franco Neto,

Agliberto Alves Cierco, Antonio Freitas, Bianor Scelza Cavalcanti, Carlos Osm ar

Bertero, Irapoan Cavalcanti, Clovis José Daudt Ly ra D. de Faro, Fernando Faria

Salgado, Isnard Marshall Junior, José Eduardo de Carvalho Rezende, Luiz

Guilherm e Schy m ura de Oliveira, Cesar Cunha Cam pos, Mário Rocha Souza,

Maristela Rivera Tavares, Mary Kim iko Guim arães Murashim a, Miguel Lim a,

Paulo de Assis, Paulo Mattos Lem os, Paulo Rabello de Castro, Pedro Carvalho

Mello, Renato Fragelli Cardoso, Renê Garcia, Ricardo Sim onsen, Ricardo Spinelli

de Carvalho, Sidnei Gonzalez, Silvio Roberto Badenes de Gouvêa e Tânia Furtado.

Viagens e m ais viagens! Conversas e m ais conversas! Trabalhos e m ais

trabalhos! Anos e m ais anos!

Os trabalhos prelim inares de pesquisas bibliográficas e aquisições de m ateriais

técnicos relacionados à Grande Antiguidade tiveram início na cidade de Curitiba,

onde se contou com o apoio de Edm arson Bacelar Mota, George Am orim

Natividade, Norm an de Paula Arruda Filho, Roberto Canapeli Pasinato e Sérgio

Pires. Já lá se vai bem m ais que um a década. Um a longa e grande garim pagem

nos sebos da cidade. Produtiva! Recom pensadora! Malas e m ais m alas de livros!

O apoio técnico-funcional conferido pela Fundação Getulio Vargas a essa

pesquisa – por m eio de Luiz Carlos Ranna, Ocário Silva Defaveri, Evely se Maria

Freire Mendes e Nuno Pedroso – transform ou m om entos de m uitas dificuldades

na execução do trabalho em degraus absolutam ente viáveis e francam ente

superáveis. A propósito, Otávio dos Anj os Marçal e seus colaboradores

encarregaram -se de form a m uito com petente da reprodução do volum e final dos

m eus originais.

Christiane Alves de Oliveira Jorge, além de secretária, operou nesse trabalho

com o m inha efetiva assistente – e com extrem a com petência, em inúm eras

atividades relacionadas ao O trigo, a água e o sangue – tais com o rastream ento

de obras, organização do m aterial de pesquisa, editoração e m ontagem final de

textos (quase sem pre ininteligíveis). Grande parte dos diagram as, esquem as e

fluxos incluídos no trabalho são de sua autoria. Sem o seu apoio, as suas

cobranças e a sua determ inação, sem pre bem -hum orada, o trabalho não teria

progredido com o o ocorrido. A sua presença foi absolutam ente essencial. Cabe

ressaltar tam bém , todo o apoio conferido pelo colaborador do Gabinete da

Presidência da FGV, Erick Tavares da Silva, realizado sem pre da m elhor form a

possível.

A pesquisa aborda questões relacionadas a em preendedorism o, liderança,

equilíbrio econôm ico-financeiro, gestão financeira, sistem as de decisões

condicionadas, sustentabilidade, construção de am bientes estratégicos e m uitos

outros tem as para os quais o instrum ental de pensam ento estratégico (e tam bém

o agir estrategicam ente) contribuiu de form a densa para o pinçam ento de várias

questões. A circunstância de trabalhar ininterruptam ente com a disciplina de

estratégia nos cursos de MBA/ FGV vem m e enriquecendo, sobrem odo técnica e

intelectualm ente, nesse cam po pelos diálogos com alunos e coordenadores e

tam bém conveniados.

Por últim o, m as não m enos im portante, gostaria de ressaltar os seguintes

aspectos:

• o apoio e a oportunidade que Arlindo Lopes Corrêa, Marcos de

Carvalho Candau, Roberto Eduardo Gursching, Dora Nunes Kupper e

sob o com ando de Luiz Gonzaga do Nascim ento e Silva m e

conferiram para trabalhar (e pesquisar) em proj etos onde a presença

da com unidade era relevante no Ministério da Previdência e

Assistência Social (1976-79);

• as fam ílias de m inha m ãe e m eu pai, e a Ignês e Mário, que m e

ensinaram a respeitar pobres e ricos, a am ar as coisas sim ples da vida,

e tam bém à natureza. Ler, ler e m ais ler – sem pre, levar a sério a

profissão escolhida, em penhar-m e no trabalho e respeitar a pesquisa,

a tecnologia, a ciência, a Academ ia – enfim , a im portância de ser

parceiro da com petência. E ter coragem . Às irm ãs e aos irm ãos de

m inha m ãe e especialm ente a m eu tio – Luiz Fernando de Carvalho

Dias (de quem herdei m eu nom e, com grande orgulho) – que m uito

m e aj udaram a entender a fam ília, o cam po, a com unidade, seus

m istérios e a am ar os cavalos. E a recom eçar sem pre, sem desistir

j am ais! E a m eu m ais antigo, queridíssim o e exem plar m estre,

Benedito Augusto Barreto;

• a Mario Henrique Sim onsen, m ais irm ão do que m estre e chefe – o

qual sem pre incentivou-m e a criar, inovar e rom per com o

tradicional, sem pre que necessário ou conveniente. “Ousar LF, ousar

LF”, dizia-m e ele.

No Brasil cabe destacar tam bém o apoio de determ inadas livrarias e sebos

que foram da m aior im portância para a execução das investigações: Livraria

Nova Rom a em Porto Alegre, Ilum inações em Cam pinas, Livraria Francesa em

São Paulo, Livrarias Fígaro e Osório em Curitiba e livrarias Berinj ela, Rio Antigo,

Leonardo da Vinci, Mar de Histórias, Padrão, Cabral, Travessa, Luzes da Cidade

e, a m ais solicitada, a Livraria da FGV no Rio de Janeiro, entre m uitas outras. No

exterior gostaria de ressaltar a im portância de livrarias, “bouquinistes” e sebos

situados no Quartier Latin em Paris, onde obtive m aterial de extrem a valia para

as pesquisas que realizei, nom eando um a delas, a Lusophone, com o se todas (e

todos) fosse. Sou m uito grato à colaboração das m esm as na obtenção de m aterial

específico para o esforço em preendido.

Um trabalho que se aventura por um terreno difícil, com relevo com plexo e

m al explicado – só é possível porque m uitas pessoas colaboram com o autor –

apontando “closes”, referências bibliográficas e até m esm o insights. Sem todas

essas pessoas, sem suas “agregações” não se teria avançado nesse trabalho:

am igos, livreiros, professores e vários outros.

A crítica m uitas vezes é dura e im placável! Em contrapartida busquei atender

a todas (penso). Algum as com um a im ensa m á vontade de m inha parte e um ego

m uito m agoado. Fazer o quê? Entretanto, as realizei, na m edida do possível.

Tenho certeza de que a leitura de O trigo, a água e o sangue perm itirá ao

eventual leitor um a visão estratégica m uito consistente da Antiguidade,

conj ugando-se vários planos m aiores de observação, análise e encadeam ento

lógico. Ou sej a, conectividades e insights. Em outras palavras, o Ocidente surgiu

de um surpreendente e extraordinário proj eto estratégico conduzido pelo hom em

desde 20000 a.C. É o que exatam ente buscarei dem onstrar no correr do texto.

De todos os m eus insights identificados nessa pesquisa, de fato, o que m ais

gosto (pela sua descarada obviedade) refere-se à Biblioteca-Clone de

Alexandria. Estou convencido de que ela será localizada em poucos anos a uns 50

km de sua posição original na Antiguidade. Se isso acontecer, e com o torço para

isso ser real, dedico aos m eus queridos críticos esse provocador, im prudente e

onipresente insight. Mais um a vez ousei, Mario Henrique. Muito obrigado pelos

seus alertas.

Sou ainda m uito grato à Biblioteca Mario Henrique Sim onsen, da FGV, pelas

inúm eras pesquisas desenvolvidas para este trabalho sob a coordenação sem pre

supercom petente e dedicada da professora Evely se Maria Freire Mendes.

DESENVOLVIMENTO DO TEXTO G LOBAL POR MEIO

DE PARTES AUTOSSUSTENTADAS

A pesquisa realizada, na sua apresentação final, foi agrupada em três grandes

partes.

A parte I apresenta os principais instrum entos que serão utilizados para a

observação do processo de evolução da Grande Antiguidade. Fundam entalm ente

os com entários expostos nessa parte referem -se às m anifestações com unitárias e

à construção de am bientes estratégicos. Nesse contexto específico, num a

prim eira abordagem aos tem as com esses instrum entos, vinculam -se os m esm os

a determ inadas ações históricas, povos e nações, de tal m odo que se tom e contato

(de form a concreta) com a técnica de abordagem às questões que serão tratadas

nessa pesquisa – exem plificando o processo por m eio de arranj os sistem áticos.

É im portante assinalar que 20 m il anos da história do hom em , período que

denom inarei de a Grande Antiguidade (com o j á observado), não são triviais de

serem enfrentados m esm o porque em inúm eras situações (a m aioria absoluta

delas, aliás) não se verificava m em ória escrita com o j á referido. Enfim , a

m etodologia de Bárbara Tuchm an, fluindo elegantem ente a sua narrativa (ou a

pesquisa) ao correr do tem po é m uito com plexa e até m esm o praticam ente

im possível de ser aplicada nesse caso, em m inha própria avaliação.

A “linearidade tem poral” e tem ática nesse contexto é bem m enos que um a

realidade factual. É quase um sonho difícil de ser atendido! Foi exatam ente

dentro dessas características – aliás, provocadoras, que decidi desenvolver a

pesquisa em três grandes partes, os quais, a rigor, poderão ser observadas,

refletidas e trabalhadas de form a isolada e praticam ente autossustentada,

facilitando os leitores especiais e suas eventuais ações decorrentes. Portanto, três

grandes planos (partes) de trabalho – com o enfatizado a seguir. No m eu

entendim ento esse é o procedim ento m ais adequado para nos deslocarm os em

período de tem po tão am plo. Vinte m ilênios!

Assim , a prim eira parte cuidará do instrum ental m etodológico a ser utilizado –

ou sej a, enfatizando a relevância com unitária e a sua interação com a construção

de am bientes estratégicos. A parte II caracterizará a notável alavancagem

com unitária processada na Grande Antiguidade. E, finalm ente, a parte III

investigará a organização de am bientes estratégicos m uito especiais, referentes

aos grandes povos, nações, identificando inclusive encadeam entos e

interatividades relevantes ocorridas entre eles àquela época.

Tanto a parte III quanto as anteriores, com o referenciado, serão

desenvolvidas para operarem de form a independente. Isso vale dizer que

eventualm ente poderão ser lidas, trabalhadas e observadas de form a

razoavelm ente estanque um as das outras. Operando com o se livros

razoavelm ente independentes fossem . É exatam ente por esse m otivo que o Egito,

por exem plo, ou os hititas – poderão ser referenciados nas três partes. Não se

trata, portanto, de monótonas repetições e, sim um recurso superválido para o

desenvolvimento de textos autossustentados – destacando-se sempre as

conectividades-chave procedidas e os insights identificados.

Hoj e estou cada vez m ais convencido de que a ausência dessas partes

expositivas independentes iria dificultar sobrem odo o enfrentam ento de todos os

tem as aqui propostos, com sérios riscos de perderm os o fio da m eada ao correr

da obra. Mesm o! É interessante observar que, caso a linearidade tem poral (ou

tem ática) fosse adotada de form a dom inante, as recorrências seriam , com

certeza, m uito m ais intensas e m enos esclarecedoras.

Com plem entando, a parte II tratará da m ontagem da m acro-organização

com unitária procedida na Grande Antiguidade, destacando-se aspectos-chave

dessa evolução da m esm a form a que na parte I serão efetuadas determ inadas

linkages entre povos e nações as quais, ao correr do tem po, iriam dar

infraestrutura às suas realizações com o concurso de redes com unitárias

preexistentes em seus próprios territórios. Acredito que essa atitude m esm o que

ocasionalm ente repetitiva, com o j á frisado, torna-se absolutam ente essencial ao

posicionam ento integrado (e perm anente) das com unidades na Grande

Antiguidade. Nada existiu m ais im portante do que elas, m esm o quando se

contem pla o tem a sobre a ótica restrita de am bientes estratégicos.

Avançando, a parte III observa a genial construção de am bientes estratégicos

nessa m esm a Grande Antiguidade e os seus m ais notáveis desdobram entos.

Assinale-se por últim o que, em tese, a grande discussão poderia vir à luz e tom ar

seu próprio corpo j á a partir da parte III. Entretanto, estou certo de que as

explanações anteriores relativas aos instrum entos investigatórios, conhecim ento

do m undo com unitário e características dos am bientes estratégicos, são

essenciais à com preensão plena do m undo ocidental. Da m esm a form a, assum e-

se com o sendo m uito relevante observar o notável processo de alavancagem

com unitária, base real de todo o arranj o político, econôm ico e social processado

em sequência. Quase 20 m il anos da evolução do hom em tornam obrigatório o

convívio com alguns pontos de passagem prévios para que se possa entender de

forma integrada e sequenciada o nascimento e a eclosão estratégica do Ocidente.

O MEU MUNDO COMUNITÁRIO

De fato, durante 17 anos (dos 4 aos 20 anos de idade) convivi com am bientes

m uito sim ilares (em inúm eros aspectos) aos das com unidades rurais da

Antiguidade. O período dessa convivência foi equivalente a 68 m eses

(considerem -se inicialm ente 4 m eses de férias escolares por ano). Acresça-se a

esse quantitativo cerca de 36 m eses interagindo com com unidades rurais e

urbanas na LBA e pelo m enos 24 m eses com o engenheiro em m inha vivência na

Consultec S/A no desenvolvim ento de trabalhos de cam po, proj etos rurais etc.

Portanto, cerca de 178 m eses (equivalente a 15 anos) “com unitários”. Essa

vivência/experiência correspondeu a um qualifying indispensável para que se

possa entender o processo com unitário presente na Grande Antiguidade. Sem

essa vivência tenho certeza de que seria im possível inserir-m e nesse m undo tão

especial que no m eu entendim ento está sendo perm anentem ente subestim ado

quando o com param os com as análises relativas aos caçadores-coletores e às

polis no correr da história do hom em e de suas correspondentes evoluções. A

com unidade é quase que totalm ente som breada pelos analistas do passado. A

propósito, Toy nbee constitui um a honrosa exceção, apesar de ela não ser seu

major field de ocupação e concentração técnico-intelectual.

CONDICIONAMENTOS-CHAVE

Da m esm a form a que um pesquisador-chefe estabelece um a série de

condicionam entos para que um colaborador integre a sua equipe (idiom a, títulos

de m estrado, doutorado, experiência prévia etc.) para participar de um a

determ inada frente de pesquisas arqueológicas na Grécia Antiga (o que é

bastante razoável, é claro) há que se ter vivenciado (bem ) com unidades rurais

para que se possa regressar à grande aventura que representa a investigação das

raízes estratégicas do Ocidente. Denom inarei essa ocorrência de fator vicco

(vivência e convivência com unitária) em m eu trabalho. Efetuadas essas

observações especiais, busquei, na m edida do possível, “linearizar” a m inha

exposição ao m áxim o – aj ustada aos seus propósitos e particularidades de

análise.

Com o descrito, essa obra foi agrupada em três grandes partes e, cada um a

delas necessariam ente terá que conviver com inúm eros tem as, tais com o

caçador-coletor, com unidades, Egito, Fenícia, Creta, Sum éria, Mesopotâm ia,

hititas, Troia, gregos m icênicos, gregos hom éricos, Rom a e outros. A presença

sistem ática de todos esses tem as é essencial para o bom balanceam ento de cada

parte estrutural da pesquisa. Cabe, entretanto, ressaltar que ao correr de cada um

desses três grandes segm entos buscarei, m ediante alertas singelos, destacar quais

os tópicos m ais im portantes no desenvolvim ento do texto específico. Portanto,

não se trata de repetição ou recorrências m onótonas, m as apenas inclusões que

viabilizem o m elhor balizam ento possível para a sustentação plena de todas as

questões apresentadas, ou sej a, a busca determ inada de um a linearidade final. O

tem po é “im enso” e, em cada tópico analisado, não se perm ite o som bream ento

de um grande player estratégico.

Nesse contexto, a narrativa de m inha pesquisa “deslizará” sobre três grandes

partes, assim estruturadas analiticam ente:

• parte I – o fator vicco, o hom em , o tem po, o em basam ento

m etodológico, a pesquisa e os grandes atores – onde se descrevem os

“veículos” com os quais irem os adentrar e percorrer a Grande

Antiguidade, buscando interagir com m últiplos aspectos de sua

sabedoria vencedora. Lentes de observação m etodológicas;

• parte II – o fator Jericó, a alavancagem com unitária na Grande

Antiguidade – onde se busca observar o processo com unitário de

m odo abrangente, aliás, um efetivo “tapete m ágico” que iria

acom panhar a evolução do hom em e da hum anidade ao correr de

m ilênios. Presença estratégica;

• parte III – o fator Creta, os povos, suas polis e seus am bientes

estratégicos – onde “persegue-se” as construções estratégicas m ais

relevantes para a form ação do Ocidente (as suas raízes) e onde Creta