O uso do território brasileiro e as instituições de ensino superior por Cassiano Caon Amorim - Versão HTML

ATENÇÃO: Esta é apenas uma visualização em HTML e alguns elementos como links e números de página podem estar incorretos.
Faça o download do livro em PDF, ePub, Kindle para obter uma versão completa.

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS

DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA HUMANA

CASSIANO CAON AMORIM

O USO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO

E AS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR

São Paulo

2010

CASSIANO CAON AMORIM

O USO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO

E AS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR

Tese

apresentada

ao

Departamento

de

Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e

Ciências Humanas, da Universidade de São

Paulo, para a obtenção do título de Doutor em

Geografia Humana.

Orientadora: Profª Drª Maria Adélia Aparecida

de Souza

São Paulo

2010

AMORIM, C. C. O uso do território brasileiro e as instituições de ensino

superior. Tese apresentada ao Departamento de Geografia, da Faculdade de

Filosofia, Letras e Ciências Humanas, da Universidade de São Paulo, para a

obtenção do título de Doutor em Geografia Humana.

Aprovado em:

Banca Examinadora

Prof. Dr. ____________________________________________________________

Instituição: __________________________________________________________

Julgamento: _________________________________________________________

Assinatura: __________________________________________________________

Prof. Dr. ____________________________________________________________

Instituição: __________________________________________________________

Julgamento: _________________________________________________________

Assinatura: __________________________________________________________

Prof. Dr. ____________________________________________________________

Instituição: __________________________________________________________

Julgamento: _________________________________________________________

Assinatura: __________________________________________________________

Prof. Dr. ____________________________________________________________

Instituição: __________________________________________________________

Julgamento: _________________________________________________________

Assinatura: __________________________________________________________

Prof. Dr. ____________________________________________________________

Instituição: __________________________________________________________

Julgamento: _________________________________________________________

Assinatura: __________________________________________________________

Dedico à minha mãe,

Maria José Caon Amorim

APRESENTAÇÃO

“Eu sei que isto que estou dizendo é dificultoso, muito

entrançado [...] eu queria decifrar as coisas que são

importantes [...]. Lhe falo do sertão. Do que não sei. Um

grande sertão. Não sei. Ninguém ainda não sabe [...]”

Guimarães Rosa ( Grande sertão veredas)

Estas palavras de Guimarães Rosa expressam seu olhar frente à geografia

do interior das Minas Gerais. Algo que particularmente me remete ao que, na

Geografia, aprendi sob a designação de lugar. Terminologia sistematizada ao longo

dos anos, numa longa jornada de aprendizagem: primeiros anos, no ensino

fundamental e médio; aprofundamento dos estudos, durante a graduação em

Geografia, na Universidade Federal de Juiz de Fora; curso de Mestrado em

Geografia, na Universidade Federal Fluminense; e agora, o doutorado em Geografia

Humana, na Universidade de São Paulo

História que tem origem na Zona da Mata de Minas Gerais, em uma região de

relevo acidentado, que os geógrafos franceses, nos anos de 1950,

geomorfologicamente, classificaram como “Mares de Morros”. História de

movimento, assim como o que aparentemente é dado pelas muitas elevações que

ajudam a caracterizar esse recorte de região natural.

História, portanto, de migrante, estudante que sai de uma das inúmeras

pequenas cidades do interior das Gerais, em busca de estudo e emprego, suportes

de “vida digna”, na linguagem e representação do povo simples do interior, coisas

muito distantes da realidade “urbana” da minha origem.

Narrativa histórica que é espaço-tempo aberto materializado pelas ações

humanas, ao longo de períodos específicos que, no fazer da vida cotidiana, em

cada momento, em cada lugar, cria certa arrumação dos espaços geográficos. Esse

jeito de estar do espaço geográfico, ao qual a geografia se dedica a entender por

meio de seu estudo: uma arrumação temporária e singular, na medida em que, a

cada pessoa que chega ou sai, a cada evento novo, a cada acontecimento aqui, ali

ou acolá, nova arrumação se processa. Outro homem se constrói ali, e outro espaço

também. Rearranjando os seus espaços em cada tempo, o homem também se

refaz.

Acredito que o meio em que vivi favoreceu, desde cedo, quando ainda

criança, um contato com um “pequeno mundo”, o que motivou uma incipiente leitura

“freiriana” deste mundo.

Isso já sinalizava certa ansiedade para entender a diferenciação entre os

lugares. E achava muito interessante conhecer os lugares através de suas

diversidades. Ainda criança, em cada cidade que conhecia, gostava de andar entre

os desconhecidos, ver como era o comércio, os bares, as lojas de roupas, calçados

e, claro, as lojas de brinquedos.

Parafraseando o professor Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro (2002), De

certa forma, os conteúdos geográficos do espaço vivido, das experiências nos

lugares, foram portadores de uma geografia como “veículo de educação”.

Esses conteúdos geográficos foram para mim motivadores da curiosidade

pelo conhecimento do território, do lugar, da região, da paisagem, sendo

sistematizado, posteriormente, pela geografia acadêmica.

Nos tempos-espaços da escolarização, do antigo Primeiro Grau, conforme

orientação dos currículos oficiais das escolas brasileiras, tive contato com os

estudos da Geografia. Nos livros didáticos, nos discursos dos professores, nos

mapas apresentados em sala ou ainda naqueles que desenhávamos, o conteúdo

geográfico ampliava-se. O esforço, empenho e competência da professora Maria do

Carmo, que me acompanhou da quinta à oitava série, até a primeira série do então

denominado Segundo Grau, foram significativos para a escolha do caminho a seguir,

a partir do vestibular para ingresso na Universidade Federal de Juiz de Fora.

No ano de 1994, com 19 anos e tendo terminado o Ensino Médio dois anos

antes, aconteceu meu ingresso na vida universitária, na UFJF. Sem me dar conta

ainda do que estava acontecendo, começava a se processar uma profunda

mudança na minha vida, como um verdadeiro “divisor de águas”. O curso de

Geografia trouxe um outro lugar de construção das relações, um outro ciclo de

amizades, uma outra forma de ter que lidar com os sentimentos, com a saudade de

casa, dos pais, irmãs, tios, primos, amigos. Saudade dos lugares. A despeito de

tudo, concluí o curso de graduação em geografia – licenciatura e bacharelado – no

final de 1998.

Em 2002, tornei-me mestrando em Geografia, na UFF (Universidade Federal

Fluminense), em Niterói. Esse novo passo foi fruto da minha imersão em projetos de

pesquisa e extensão universitária, além do contato com os professores nas

monitorias, nos estágios e na iniciação científica, durante a graduação. O gosto pela

pesquisa, ensino e extensão foi desenvolvendo-se e construindo o desejo de

ingressar na carreira universitária, exigindo, para tanto, o mestrado e,

posteriormente, o doutorado.

Em Juiz de Fora, não havia (e ainda não há) mestrado na área de Geografia.

Embora, na Faculdade de Educação, onde fui professor substituto, houvesse

mestrado em Educação, não havia nenhuma linha de pesquisa que atendesse aos

meus interesses de estudo na Geografia.

Durante o mestrado na Universidade Federal Fluminense, cursei disciplinas

específicas dos conteúdos geográficos, sendo fundamentais as que tratavam de

teoria e método em geografia, por ampliar a discussão conceitual e aspectos

metodológicos das abordagens geográficas da realidade. O tema da minha

dissertação tratou das questões regionais na Zona da Mata Mineira, tendo como

título: Leituras Geográficas da Zona da Mata Mineira. De certa forma, estavam

presentes, nas minhas reflexões acadêmicas, os lugares da minha formação.

O ingresso e a conclusão do mestrado abriram-me portas para o trabalho em

outras instituições de ensino superior. Tive oportunidade de trabalhar em várias

instituições privadas, em Juiz de Fora e região. Durante esse tempo, comecei a

observar, mais de perto, o crescimento do número de IES, no país e,

particularmente, em Juiz de Fora. A década de 1990 caracterizou-se por uma

vigorosa expansão no número de instituições e, com ela, um significativo aumento

no número de vagas, matrículas e concluintes em cursos superiores. Esta expansão,

naquele momento, era caracterizada por um crescimento do ensino em instituições

privadas, em sua grande maioria e, como pude, inicialmente, constatar, não ocorria

em todos os lugares.

No ano de 2004, num simpósio de geografia realizado em uma das IES, onde

trabalhava, tive a oportunidade de conhecer a Professora Maria Adélia Aparecida de

Souza, que esteve em Juiz de Fora, a convite da instituição, para proferir uma

palestra sobre o método geográfico de conhecimento do mundo. Nesse evento,

através do qual tive contato com a professora, surgiu o convite para participar dos

grupos de estudos que ela mantinha com alunos e alguns convidados. No ano de

2005, comecei a frequentar os encontros, que se realizavam sempre às sextas-

feiras, uma vez por mês. No segundo semestre de 2005, fiz o pedido de matrícula

como aluno especial na disciplina “Região – teoria e prática geográfica”, oferecida

pela professora, e fui aceito. Cursei a disciplina e fui aprovado. No edital de

doutorado em Geografia Humana, do ano de 2006, inscrevi-me, participei da

seleção, sendo também aprovado.

Desde então, dedico-me a compreender os usos do território brasileiro,

considerando a existência das instituições de ensino superior. Nesses anos de

dedicação aos estudos, nas viagens de idas e vindas de Juiz de Fora para São

Paulo, os deslocamentos foram uma constante. Atributo do território, a fluidez

permitiu-me ampliar os horizontes da aprendizagem geográfica e, portanto, humana.

Os encontros fazem parte do enredo desta narrativa. No percurso que,

resumidamente, tracei, deparei-me com muitas pessoas que, sem dúvida,

permitiram-me a realização deste e de outros trabalhos. São interlocutores

acadêmicos, literários, artísticos, amigos, familiares, amores. Cada um, com sua

particularidade em mirar o mundo, viver o mundo, expor-se ao mundo. Todos eles,

cada um com o seu tempero, foram ajudando-me “a decifrar as coisas que são

importantes”: as da pesquisa, as da família, as do coração, as da vida econômica,

enfim, coisas da vida, que foram tornando-se menos “dificultosas”, menos

“entrançadas”, talvez.

Alguém disse que é possível que não sejamos mais que uma imperiosa

necessidade de palavras. Agradecer às pessoas significativas em momentos como

este é dobrar-se a essa necessidade, é exercitar a gratidão.

Mesmo correndo o risco de esquecer algumas desses importantes

referenciais, arrisco-me a estender meus mais sinceros agradecimentos:

Aos meus pais, Melchiades Amorim, carinhosamente chamado de Quitito, e

Maria José Caon Amorim: sempre cuidando para que eu pudesse realizar meus

sonhos.

À minha irmã Franciana, como eu, geógrafa e professora de geografia,

também sempre cuidando de mim. E ao meu novíssimo cunhado, Márcio Henrique,

por cuidar da Fran e de todos nós.

À minha irmã Luciana, ao meu cunhado José Clarét, aos meus amados

sobrinhos Karol, Ivan e João Pedro: obrigado pelo interesse e pelo carinho.

Ao Rafael, ou simplesmente Rafa: pela acolhida sempre carinhosa em São

Paulo. Obrigado por sua compreensão, carinho e dedicação.

Ao amigo Jader: pelo incentivo, pela presença amiga, pelas oportunidades.

Aos amigos Carlo Frederico e Gláucio: pelas aprendizagens no âmbito da

justiça brasileira, pelas boas gargalhadas, pelos resumos em Francês, pelas dicas

de concursos públicos.

Aos amigos Marco Aurélio e Ivan: por abrir as portas de suas casas para que

encontros, sempre muito divertidos, acontecessem. Obrigado pelo abstract.

À amiga Adriana Oliveira: pela grande amizade e interesse em ajudar-me nas

pesquisas, favorecendo o trabalho junto aos arquivos da Biblioteca Central da UFJF.

À amiga Elisângela Mendes: além da amizade, pelas demoradas conversas

sobre a tese; pelos livros sobre a história de Juiz de Fora e, claro, por ser grande

parceira de dança, nos bailes aonde vamos mundo afora.

À amiga Helena Gonçalves: por debruçar-se com imensa dedicação na

correção dos meus textos e, também, por partilhar comigo, momentos de “lucidez

poética”.

À amiga Naomi Akazaka: jovem geógrafa, ex-aluna e excelente profissional,

que me ajudou na organização da cartografia, tabelas e gráficos. Muito obrigado

pela paciência.

Aos amigos do grupo de pesquisas e estudos da USP, coordenado pela

professora Maria Adélia, particularmente ao Edmilson, pelas conversas, caronas,

dicas e incentivo.

Ao James, pela grande ajuda na cartografia dos dados da pesquisa.

À Virginia Holanda, pelo grande incentivo no início da caminhada do

doutorado.

Aos funcionários da Secretaria de Pós Graduação em Geografia, da FFCHL.

À Aninha, pela competência, presteza e simpatia em me receber no

Laboratório de Geografia Política e Planejamento Territorial e Ambiental.

Aos professores Carlos Fernando e Lola Yasbeck, por me aceitarem como

aluno na disciplina História da Educação Brasileira, na UFJF.

Aos amigos: Rodrigo Pitanga, Flavia Calvano, Rosangela Nasser, Liane

Castro, Maria Claudia, Roberta Gregório, Andrea Moreira, Daniele Evangelista,

Renata Miranda e Carla Evangelista, pela amizade de longa data e por serem

grandes incentivadores dos meus projetos.

Aos amigos Luis Henrique (Lula) e Carlos: pela sempre deliciosa acolhida em

sua residência, em São Paulo;

Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico: pela

bolsa de doutorado que permitiu, neste último ano, dedicação total à pesquisa.

A Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage: pelo acesso ao material publicado

sobre a cidade de Juiz de Fora, em especial a Daniel de Souza Carvalho Rodrigues.

A todos professores que aceitaram da participar da banca de defesa da tese.

Por fim, devo dizer que, se uma das mais belas imagens do professor é a de

alguém que conduz alguém a si mesmo, agradeço à professora Maria Adélia

Aparecida de Souza, minha orientadora. Ela me possibilitou participar das

discussões sobre a construção de uma geografia nova, orientando minhas

aprendizagens, lendo meus textos, elaborando críticas e sugestões, incentivando a

participação de eventos, incitando publicações, instigando a avançar sempre na

direção de um conhecimento sólido, pertinente e inovador sobre o mundo.

RESUMO

AMORIM, C. C. O uso do território brasileiro e as Instituições de Ensino

Superior. Tese (Doutorado). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, da

Universidade de São Paulo. São Paulo, 2010.

O presente estudo defende o pressuposto de que a localização específica das

Instituições de Ensino Superior, no processo de formação territorial brasileira,

comprova que a seletividade espacial representa a ação dada em lugares escolhidos

pelos agentes sociais. Com formas e conteúdos bastante diferenciados, com

variadas densidades humanas, o território brasileiro, no tempo presente, encontra-se

inteiramente apropriado. Ainda que de forma bastante desigual quanto à sua

distribuição, constata-se, num crescente número de lugares, maior densidade

técnica acompanhada de maior densidade informacional. Trata-se de constatações

concretas quando comparamos o crescimento de modernizações em parcelas do

território que, até recentemente, encontravam-se pouco conectadas a outros

subespaços do país. O crescimento do número de instituições de ensino superior,

em cidades fora das regiões metropolitanas e com mais de 100 mil habitantes,

sinaliza para o fato de uma interiorização desse evento, correspondendo a uma

verdadeira “conquista do território”. É importante destacar que, nesse movimento,

embora o que se amplia seja uma demanda por qualificações específicas em todo o

território, a oferta de vagas em tais instituições acompanha as especializações

produtivas dos lugares. Em consonância com as necessidades do período técnico-

científico-informacional, o ensino superior desenvolve-se de forma que suas ofertas

ajudam a configurar o território. É nesse contexto que compreendemos a realidade

de Juiz de Fora/MG: historicamente, a cidade aglutina fixos favorecendo fluxos que,

por conseguinte, impulsionaram a atração de investimentos, de pessoas, de

instituições, enfim. Ratificando a tese que defendemos, a cidade exibe, portanto, o

processo de seletividade espacial na alocação de instituições de ensino superior.

Palavras chave: território brasileiro, Instituições de Ensino Superior, técnica, meio

técnico-científico-informacional, Juiz de Fora.

ABSTRACT

AMORIM, C. C. The Brazilian territorial’s use and Higher Education Institutions.

Tese (Doutorado). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, da

Universidade de São Paulo. São Paulo, 2010.

This study defends the presupposition that the specific location of Higher

Education Institutions, in the process of Brazilian territorial formation, proves that

space selectivity represents the action taken in places which were chosen by social

agents. With forms and contents and a variety of human densities, the Brazilian

territory is entirely appropriated nowadays. Although in a rather unequal way

regarding its distribution, it is possible to detect in a growing number of places, higher

technical density accompanied by higher informational density. These are concrete

perceptions when we compare the growth of modernizations in parts of the territory

which until a short time ago, had few connections with other sub-spaces in the

country. The increasing number of Higher Educations Institutions, in towns outside

metropolitan areas and with more than 100,000 inhabitants, is a sign of this event,

which can be considered a true “conquest of territory”. It is important to highlight that

in this movement, although what is amplified is a demand for specific qualifications in

all the territory, the offer of positions in such institutions is accompanied by the

productive specializations of the places. In accordance with the necessities of the

technical-scientific-informational era, higher education progresses in a way that it

offers help to shape the territory. It is in this context that we understand the reality of

Juiz de Fora, Minas Gerais. Historically the city incorporates facilities and that is

favorable to flows which, therefore, increase the attraction of investments, people

and institutions. Confirming the thesis we defend, the city exhibits the process of

space selectivity in the allocation of Higher Education Institutions.

Key words: Brazilian territory, Higher Educations Institutions, technical, technical-

scientific-informational environment, Juiz de Fora.

RÉSUMÉ

AMORIM, C. C. Le use de territoire brésilien des l’institutions d’Enseignement

Supérieur. Tese (Doutorado). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas,

da Universidade de São Paulo. São Paulo, 2010.

L'étude ci-joint part de la supposition de que la localisation spécifique des

Institutions d‟Enseignement Supérieur, en ce qui concerne la formation territoriale

brésilienne, démontre que la sélectivité spatiale représente l‟action des agents

sociaux vers des lieux choisis. Actuellement, le territoire brésilien, dans toutes ses

formes et contenus différenciés, marqué par ses densités humaines variées, se

trouve entièrement occupé. Malgré une inégalité de distribution, on aperçoit, dans

une quantité croissante de lieux, plus de densité technique accompangnée de plus

de densité informationnelle. Il s‟agit d‟une constatation concrète, fruit de l‟analyse de

la croissance d‟une modernisation morcelée, dans un territoire dont les unités,

jusqu‟à récement, ne se trouvaient pas connectées aux autres sousespaces du pays.

La croissance du nombre d‟ institutions supérieures, hors des régions

métropolitaines, dans les villes de plus de 100 mil habitants, indique une

intériorisation d‟un évènement, une « conquête du territoire » légitime, à vrai dire.

Dans ce mouvement, il est important de pontifier que l‟offre de place dans ces

institutions suive la spécialisation productive des lieux, même que l‟objet de cette

amplification soit uniquement la demande par qualification spécifique dans tout le

territoire. En consonance avec les nécessités de la période technique-cientifique-

informationnelle, l‟ enseingment supérieur se développe de manière que ses offres

puissent aider à configurer le territoire. Dans ce contexte, on peut comprendre la

réalité de Juiz de Fora/MG: historiquement, la ville agglutine les fixes en favorisant

les flux. Par conséquent, ceux-ci ont impulsioné l‟attraction d‟investissement, de

personnes et d‟institutions, enfin. En somme, pour ratifier la thèse déffendue, on peut

affirmer que la ville affiche les reflets de la sélectivité spaciale sur le placement des

institutions d‟enseignement supérieur.

Mots-clés:

Territoire brésilien. Institution d‟enseignement supérieur.

Technique. Période technique-cientifique-informationnelle. Juiz de Fora.

RESUMEN

AMORIM, C. C. El uso del território brasileño de lãs Instituciones de Enseñanza

Superiora. Tese (Doutorado). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas,

da Universidade de São Paulo. São Paulo, 2010.

El presente estudio defiende el supuesto de que la ubicacion específica de

las Instituciones de Enseñanza Superiora, en el proceso de formación territorial

brasileña, comprueba que la selectividad espacial representa la acción dada en

lugares escogidos por los agentes sociales. Con formas y contenidos bastantes

diferenciados, con varias densidades humanas, el territorio brasileño, en el tiempo

presente, se encuentra enteramente apropiado. Todavía que de forma bastante

desigual en cuanto a su distribución, se constata, en un creciente número de

lugares, mayor densidad técnica acompañada de mayor densidad informacional. Se

trata de constataciones concretas cuando confrontamos el crecimiento de

modernizaciones en parcelas del territorio que, aun recién, se encontraban poco

conectadas a otros subespacios del país. El crecimiento del número de instituciones

de enseñanza superiora, en ciudades fuera de las regiones metropolitanas y con

más de 100 mil habitantes, señala para el hecho de una interiorizacion de ese

evento que corresponde a una verdadera “conquista del territorio”. Ademas, en ese

movimiento, aunque lo que se amplía sea una demanda por calificaciones

específicas en todo el territorio, el ofrecimiento de vacantes en tales instituciones

acompaña las especializaciones productivas de los lugares. En consonancia con las

necesidades del período técnico científico informacional, la enseñanza superiora se

desarrolla de forma que sus ofertas ayudan a configurar el territorio. Es en ese

contexto que comprendemos la realidad de Juiz de Fora / MG: históricamente, la

ciudad aglutina fijos favoreciendo flujos que, por consiguiente, impulsaron la

atracción de inversiones, de personas, de instituciones. Ratificando la tesis que

defendemos, la ciudad exhibe, por lo tanto, el proceso de selectividad espacial en la

imputación de instituciones de enseñanza superiora.

Palabras clave: Territorio brasileño. Instituciones de enseñanza superiora. Técnica.

Medio técnico científico informacional. Juiz de Fora.

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 –

Evolução da população brasileira nas maiores cidades: final do

século XIX...................................................................................

118

Tabela 2 –

Evolução da população brasileira: 1872-1960 ..........................

128

Tabela 3 –

Brasil: PEA por setores da atividade 1940-1960........................

147

Tabela 4 –

Grandes Regiões Fisiográficas: participação na formação da

renda interna nacional................................................................

148

Tabela 5 –

Distribuição setorial dos empréstimos do BIRD ao Brasil .......... 153

Tabela 6 –

Maiores produtores de café da zona da Mata.............................

215

Tabela 7 –

Crescimento populacional Zona da Mata....................................

216

Tabela 8 –

Principais instalações industriais de Juiz de Fora: 1905 ............

231

Tabela 9 –

Principais instalações industriais de Juiz de Fora: 1914 ............

232

Tabela 10 – Média anual de graduados nas IES de Juiz de Fora:

1915-1957 ..................................................................................

265

Tabela 11 – Evolução do crescimento demográfico em Juiz de Fora:

1950- 2007 ...............................................................................

276

Tabela 12 – Evolução do número de alunos matriculados em IES:

2002-2008...................................................................................

285

Tabela 13 – Matrículas entre 2002 e 2008 ....................................................

285

Tabela 14 – Evolução do número de cursos oferecidos por IES:

2002-2007 .................................................................................

286

Tabela 15 – Número de instituições de educação superior segundo

categoria (pública e privada) por regiões metropolitanas e

municípios acima de 100 mil habitantes (Região Norte)............

316

Tabela 16 – Número de instituições de educação superior segundo

categoria (pública e privada) por regiões metropolitanas e

municípios acima de 100 mil habitantes (Região Nordeste)......

317

Tabela 17 – Número de instituições de educação superior segundo

categoria (pública e privada) por regiões metropolitanas e

municípios acima de 100 mil habitantes (Região

Centro-Oeste).............................................................................

320

Tabela 18 – Número de instituições de educação superior segundo

categoria (pública e privada) por regiões metropolitanas e

municípios

acima

de

100

mil

habitantes

(Região

Sudeste)......................................................................................

321

Tabela 19 – Número de instituições de educação superior segundo

categoria (pública e privada) por regiões metropolitanas e

municípios

acima

de

100

mil

habitantes

(Região

Sul).............................................................................................. 328

LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 – Taxa de analfabetismo da população de 15 anos ou mais............. 164

Gráfico 2 – Distribuição do PIB por setor da economia em Juiz de Fora:

1970-2005 ...................................................................................... 280

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Ilustração 1 –

Universidade de Paris ............................................................

85

Ilustração 2 –

Observatório do astrônomo Tycho Brahe ..............................

89

Ilustração 3 –

Banco de Crédito Real de Minas Gerais ................................ 239

Ilustração 4 –

Usina Marmelo Zero ............................................................... 241

Ilustração 5 –

Sistema de Bondes em Juiz de Fora .....................................

244

Ilustração 6 –

Fluxos: Estrada União-Indústria ............................................. 250

Ilustração 7 –

Fios e trilhos: Rua Halfeld em 1878 .......................................

250

Ilustração 8 –

Associação Comercial de Juiz de Fora .................................. 252

Ilustração 9 –

Instituto Granbery em 1889 .................................................... 254

Ilustração10 –

Academia de Comércio .......................................................... 255

Ilustração11 –

Juiz de Fora: Av. Rio Branco. Anos 1950 ..............................

269

Ilustração 12 –

Escola de Farmácia e Odontologia de Juiz de Fora ..............

270

Ilustração 13 –

Escola de Engenharia de Juiz de Fora ..................................

271

Ilustração 14 –

Terreno preparado para construção da UFJF......................... 274

Ilustração 15 –

Campus da UFJF ...................................................................

277

Ilustração 16 –

Instituto Vianna Junior ............................................................ 279

Ilustração 17 –

Faculdade Suprema ............................................................... 289

Ilustração 18 –

FACSUM ................................................................................

289

Ilustração 19 –

Faculdade Estácio de Sá .......................................................

289

Ilustração 20 –

Região Central de Juiz de Fora .............................................

291

LISTA DE MAPAS

Mapa 1 –

Universidades na Europa Medieval ................................................

82

Mapa 2 –

Colégios Jesuítas no Brasil: século XVIII ...................................... 104

Mapa 3 –

A marcha do povoamento e a urbanização: século XVII ............... 107

Mapa 4 –

Povoamento e urbanização: século XVIII ...................................... 110

Mapa 5 –

Faculdades isoladas criadas no período de 1891-1914 ................. 122

Mapa 6 –

Distribuição de matrículas no território brasileiro: 1908 ................. 123

Mapa 7 –

Número absoluto de IES no Brasil: 1955 ....................................... 145

Mapa 8 –

Número absoluto de docentes em IES: 1955 ................................. 146

Mapa 9 –

Número absoluto de IES: 1991, 1998, 2007 .................................. 169

Mapa 10 – Instituições de ensino superior no Brasil: regiões metropolitanas

e cidade com mais de 100 mil habitantes....................................... 175

Mapa 11 – Número absoluto de vagas em IES no Brasil ................................. 179

Mapa 12 – Inscrições de vestibular para IES no Brasil .................................... 181

Mapa 13 – Número absoluto de matrículas em IES no Brasil .......................... 182

Mapa 14 – Número absoluto de ingressantes em IES no Brasil ...................... 184

Mapa 15 – Número absoluto de concluintes em IES no Brasil ........................ 185

Mapa 16 – Número absoluto de IES no Brasil – Capital/interior ...................... 189

Mapa 17 – Número absoluto de Docentes em IES no Brasil ........................... 191

Mapa 18 – Número absoluto de IES no Brasil – Pública/privada ..................... 193

Mapa 19 – Número absoluto de matrículas em IES no Brasil -

Diurno/noturno................................................................................. 194

Mapa 20 – Região Sudeste .............................................................................. 204

Mapa 21 – Grande Região Leste: evolução da rede ferroviária ....................... 221

Mapa 22 – Zona da Mata: Municípios com IES ............................................... 263

LISTA DE QUADROS

Quadro 1 –

Plano de modernização de Juiz de Fora ...................................... 236

Quadro 2 –

Dos cursos secundários ao ensino superior ...............................

264

LISTA DE SIGLAS

AGSC

Acordo Geral sobre Comércio e Serviços

BDMG

Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais

BID

Banco Interamericano de Desenvolvimento

BIRD

Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento.

CES-JF

Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora

CLACSO

Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais

FACSUM

Faculdade do Sudeste Mineiro

FIES

Financiamento Estudantil

FJF

Faculdades de Juiz de Fora

FMI

Fundo Monetário Internacional

GATS

Acordo Geral sobre Serviços

IBGE

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatístico

INEP

Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio

Teixeira

IPEA

Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

IES

Instituições de Ensino Superior

LDB

Lei de Diretrizes e Bases da Educação

MEC

Ministério da Educação

OIT

Organização Internacional do Trabalho

ONU

Organização das Nações Unidas

OTAN

Organização para o Tratado do Atlântico Norte

PIB

Produto Interno Bruto

PROUNI

Programa Universidade para Todos

RFFSA

Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima

SENAI

Serviço Nacional da Indústria

SME

Setor de Mercado Externo

SMI