Os 100 Acontecimentos Mais Importantes da História do Cristianismo por Varios - Versão HTML

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Os 100 Acontecimentos mais importantes

da história do Cristianismo

Do incêndio de Roma ao crescimento da igreja na China

A. Kenneth Curtis

J. Stephen Lang

Randy Petersen

©1991, de Christian History Institute

Título do original · The 100 most important events in Christian

history,

edição publicada pela FLEMING Η. REVELL,

um selo da BAKER BOOK HOUSE COMPANY

(Grand Rapids, Michigan, EUA)

Todos os direitos em língua portuguesa reservados por

EDITORA VIDA

Rua Júlio de Castilhos, 280 # Belenzinho

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©2001, publicada por Editora Vida,

salvo indicação em contrário.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Curtis, A. Kenneth-

Os 100 acontecimentos mais importantes da história do cristianismo: do incêndio de Roma ao

crescimento da igreja na China / A. Kenneth Curtis, J. Stephen Lang e Randy Petersen ; tradução

Emirson Justino — São Paulo: Editora Vida, 2003.

Título original : The 100 most important events in Christian history

ISBN 85-7367-738-4

1. Cristianismo 2. Igreja - História 3. Igreja - História - Cronologia 4. Vida cristã I. Lang J. Stephen II.

Petersen, Randy. III. Título.

03-5909

CDD 270

Índice para catálogo sistemático

1. Igreja : Historia : Cristianismo 270

Prefácio

Quais as dez coisas mais importantes que aconteceram na sua vida nos últimos cinco anos?

Agora, peça ao seu pai, à sua filha, à sua esposa, ao seu marido ou até mesmo a qualquer amigo

mais próximo que respondam a essa mesma pergunta com relação a você. Você perceberá

rapidamente como somos capazes de atribuir diferentes significados aos acontecimentos, até

mesmo entre os que vivem mais perto de nós e compartilham nossa intimidade.

Precisamos admitir, logo de início, que ninguém tem a palavra final sobre as datas mais

importantes na história do cristianismo. Na verdade, a lista de Deus provavelmente, é, bastante

diferente de qualquer lista que possamos elaborar.

Não tivemos a intenção de nos colocar como juizes autorizados a decidir o que foi realmente

importante na vida da igreja em todos esses séculos. Em vez disso, tentamos apresentar um

panorama dos acontecimentos na surpreendente história do povo de Deus que possibilitará aos que

não são nem especialistas nem historiadores uma visão adequada dos principais contornos e dos

eventos-chave que moldaram o cristianismo.

Muitos cristãos de hoje querem saber mais sobre as raízes de sua fé e de que maneira muitos

ensinos e práticas foram adotados em suas igrejas. Contudo, poucas pessoas têm tempo ou

disposição de consultar as obras acadêmicas impressas em vários volumes. Este tipo de livro deverá

ajudar a satisfazer esse interesse. Os não-cristãos encontrarão aqui uma maneira de se informar

sobre as pessoas, os movimentos, os propósitos e os acontecimentos mais importantes da história

do cristianismo.

Começamos nossas considerações sobre a história da igreja exatamente depois (ou pelo menos

de uma perspectiva de fora) dos acontecimentos registrados no Novo Testamento. Obviamente, a

ressurreição de Cristo, a conversão de Paulo, o Concilio de Jerusalém e outros fatos são datas

importantes na história da igreja, mas onde pararíamos? Julgamos melhor, portanto, selecionar

apenas os acontecimentos que não estão registrados no NOVO TESTAMENTO.

Em vez de classificar os acontecimentos por ordem de importância, apresentamos os fatos em

ordem cronológica para criar uma espécie de roteiro ao longo dos séculos.

Alguns assuntos importantes foram tratados junto com temas correlacionados. Em uma primeira

pesquisa, por exemplo, incluímos os tópicos sobre a proclamação de Lutero e das Noventa e cinco

teses a Dieta de Worms, mas preferimos ficar somente com o primeiro tópico, que engloba os dois

assuntos.

Outros acontecimentos foram incluídos não apenas por sua importância imediata, mas porque os

fatos subseqüentes seriam muito diferentes se os primeiros não tivessem acontecido. O Sínodo de

Whitby, por exemplo, não é considerado um dos grandes concilios da igreja, mas é de fundamental

importância, pois a igreja inglesa optou por se unir a Roma naquela época. A história poderia ter

sido bastante diferente caso outra decisão tivesse sido tomada.

Apresentamos também vários verbetes que podem parecer controversos ou superficiais. Nem o

mundo nem a igreja mudaram nas datas de nascimento de Bach e Handel, mas a pesquisa ficaria

incompleta se não incluíssemos a contribuição da boa música desses mestres na vida de adoração

dos crentes. Portanto, diversos verbetes foram incluídos também por seu valor simbólico.

Evitamos a inclusão de fatos do final da década de 1970 até o início da década de 1990 porque,

apesar de vermos algumas alternativas atraentes, estamos muito próximos dos acontecimentos para

ter a devida perspectiva.

Alguns poderão nos acusar de darmos maior ênfase ao Ocidente, aos homens, aos protestantes e

aos evangélicos. Até certo ponto, isso é inevitável, mas, sem dúvida, também é reflexo de nossa

inclinação.

Contudo, conforme mencionamos, não estamos defendendo esta obra como a palavra final e,

desde o começo, tivemos uma expectativa quanto às reações imediatas de leitores que querem nos

desafiar quanto ao que gostariam de ver incluído ou omitido. Desse modo, convidamos nossos

leitores a nos escrever e informar sobre suas idéias, assim como a expor de forma pormenorizada

suas razões. Conforme o número de respostas, estamos dispostos a publicar o segundo volume

intitulado "Mais datas importantes da história do cristianismo". Os que quiserem informações sobre

o segundo volume estão convidados a nos escrever. A correspondência poderá ser enviada para

Ken Curtis, Christian History Institute, Box 540, Worcester, PA 19490.

Quando era editor da revista Christian History [História do cristianismo], escrevemos aos nossos

assinantes e pedimos a eles que nos dissessem que datas deveriam constar dessa lista. Depois disso,

reunimos e preparamos todo o material e enviamos a relação de volta aos assinantes, pedindo que

marcassem os verbetes com os quais concordavam, riscando os que não concordassem e

adicionando outros que não estivessem em nossa lista. Suas respostas produziram uma nova

relação. Uma pesquisa também foi enviada a todos os membros da Society of Church History

[Sociedade Americana de Historia Eclesiástica], um grupo de historiadores eclesiásticos

profissionais. A seleção presente neste livro leva em conta as duas pesquisas, mas assumo a

responsabilidade pela escolha final.

Durante todo o processo de escolha, tivemos plena consciência de que algumas coisas dentre as

mais importantes são mais difíceis de ser identificadas e quantificadas. Estamos na mesma situação

do tesoureiro do Templo que, provavelmente, diante de todas as ofertas vultosas, não perceberia a

importância da oferta da "viúva pobre". Jesus deixou claro que o amor era a marca distintiva mais

importante de seus seguidores. Ele também falou de maneira aprobatoria sobre as coisas simples,

como dar um copo d'água em seu nome. Muitos dos verbetes refletem essas qualidades básicas do

cristianismo, porém outros certamente não o fazem. A maioria das coisas que possuem importância

eterna não será conhecida até aquele dia, quando o Juiz de todos nós nos mostrar o que realmente é

trigo e o que é joio.

KEN KURTIS

Datas com propósitos

Essas são as datas que identificamos como algumas das mais importantes na história do

cristianismo.

Ano

Acontecimento

64

O incêndio de Roma

70

Tito destrói Jerusalém

c. 150

Justino Mártir escreve sua Apologia

c. 156

O martírio de Policarpo

177

Ireneu se torna bispo de Lião

c. 196

Tertuliano começa a escrever livros cristãos

c. 205

Orígenes começa a escrever

251

Cipriano escreve Unidade da igreja

270

Antão começa sua vida de eremita

312

A conversão de Constantino

325

O Concilio de Nicéia

367

A carta de Atanásio reconhece o cânon do Novo Testamento

385

O bispo Ambrosio desafia a imperatriz

387

Conversão de Agostinho

398

João Crisóstomo se torna bispo de Constantinopla

405

Jerónimo completa a Vulgata

432

Patrício é enviado como missionário à Irlanda

451

O Concilio de Calcedonia

529

Bento de Núrsia estabelece sua ordem monástica

563

Columba vai à Escócia como missionário

590

Gregorio I se torna papa

664

O Sínodo de Whitby

716

Bonifácio parte para ser missionário

731

Beda, o Venerável, conclui sua Historia eclesiástica da Inglaterra

732

A Batalha de Tours

800

Carlos Magno é coroado imperador

863

Cirilo e Metódio evangelizam os eslavos

909

Um mosteiro é estabelecido em Cluny

988

Conversão de Vladimir, príncipe da Rússia

1054

O cisma entre Oriente e Ocidente

1093

Anselmo é escolhido arcebispo de Cantuária

1095

O papa Urbano II lança a primeira Cruzada

1115

Bernardo funda o mosteiro de Claraval

c. 1150

Fundação das universidades de Paris e de Oxford

1173

Pedro Valdo funda o movimento valdense

1206

Francisco de Assis renuncia à riqueza

1215

O IV Concilio de Latrão

1273

Tomás de Aquino completa sua Suma teológica

1321

Dante conclui A divina comédia

1378

Catarina de Sena vai a Roma para solucionar o Grande Cisma

c. 1380

Wycliffe supervisiona a tradução da Biblia para o inglés

1415

João Hus condenado à fogueira

1456

João Gutenberg produz a primeira Bíblia impressa

1478

O estabelecimento da Inquisição espanhola

1498

Savonarola é executado

1512

Michelangelo completa a cúpula da Capela Sistina

1517

Martinho Lutero afixa As noventa e cinco teses

1523

Zuínglio lidera a Reforma na Suíça

1525

Início do movimento anabatista

1534

O Ato de Supremacia de Henrique VII

1536

João Calvino publica As instituías da religião cristã

1540

O papa aprova os jesuítas

1545

Abertura do Concilio de Trento

1549

Cranmer produz o Livro de oração comum

1559

John Knox volta à Escócia para liderar a Reforma

1572

O massacre do Dia de São Bartolomeu

1608-1609

John Smyth batiza os primeiros batistas

1611

Publicação da Versão do Rei Tiago da Bíblia

1620

Os peregrinos assinam o Pacto de Mayflower

1628

Comênio é expulso de sua terra natal

1646

A Confissão de fé de Westminster

1648

George Fox funda a Sociedade dos Amigos

1662

Rembrandt pinta O retorno do filho pródigo

1675

Philip Jacob Spener publica Pia desideria

1678

Publicação da obra O peregrino, de John Bunyan

1685

Nascimento de Johann Sebastian Bach e de George Frederic Handel 707

1707

Publicação da obra Hinos e cânticos espirituais, de Isaac Watts

1727

Despertamento em Herrnhut dá início ao movimento dos Irmãos Morávios

1735

Grande despertamento sob a liderança de Jonathan Edwards

1738

Conversão de John Wesley

1780

Robert Raikes dá início à escola dominical

1793

William Carey viaja para a Índia

1807

O Parlamento britânico vota a abolição do comércio de escravos

1811

Os Campbells dão início aos Discípulos de Cristo

1812

Adoniram e Ann Judson viajam para a Índia

1816

Richard Allen funda a Igreja Episcopal Metodista Africana

1817

Elizabeth Fry dá início ao ministério às mulheres encarceradas

1830

Começo dos avivamentos urbanos com Charles G. Finney

c. 1830

John Nelson Darby ajuda a dar início à comunidade dos irmãos de Plymouth

1833

O sermão Apostasia nacional, de John Keble, dá início ao Movimento de Oxford

1854

Hudson Taylor chega à China

1854

Soren Kierkegaard publica ataques à cristandade

1854

Charles Haddon Spurgeon torna-se pastor em Londres

1855

Conversão de Dwieht L. Moodv

1857

David Livingstone publica Viagens missionárias

1865

William Booth funda o Exército de Salvação

1870

O papa Pio IX proclama a doutrina da infalibilidade papal

1886

Início do Movimento Estudantil Voluntário

1906

O avivamento da rua Azusa dá início ao pentecostalismo

1910-1915

Publicação da obra Os fundamentos lança o movimento fundamentalista

1919

Publicação do Comentário da carta aos romanos, de Karl Barth

1921

Transmissão do primeiro programa cristão de rádio

1934

Cameron Townsend dá início ao Instituto de Verão de Lingüística

1945

Dietrich Bonhoeffer é executado pelos nazistas

1948

O Conselho Mundial de Igrejas é formado

1949

Cruzada Billy Graham em Los Angeles

1960

Início da renovação carismática moderna

1962

Início do Concilio Vaticano II

1963

Martin Luther King Jr. lidera a Marcha até Washington

1966-1976

A igreja chinesa cresce apesar da Revolução Cultural

Índice:

O incêndio de Roma 11

Tito destrói Jerusalém 13

Justino Mártir escreve sua Apologia 15

O martírio de Policarpo 17

Ireneu se torna bispo de Lião 19

Tertuliano começa a escrever livros cristãos 21

Orígenes começa a escrever 23

Cipriano escreve Unidade da igreja 25

Antão começa sua vida de eremita 27

A conversão de Constantino 29

O Concilio de Nicéia 31

A carta de Atanásio reconhece o canon do Novo Testamento 33

O bispo Ambrosio desafia a imperatriz 35

Conversão de Agostinho 37

João Crisóstomo se torna bispo de 39

Jerônimo completa a Vulgata 41

Patrício é enviado como missionário à Irlanda 43

O Concilio de Calcedonia 45

Bento de Núrsia estabelece sua ordem monástica 47

Columba vai à Escócia como missionário 49

Gregorio I se torna papa 51

O Sínodo de Whitby 53

Bonifácio parte para ser missionário 55

Beda, o Venerável, conclui sua História eclesiástica da Inglaterra 57

A Batalha de Tours 59

Carlos Magno é coroado imperador 61

Cirilo e Metódio evangelizam os eslavos 63

Um mosteiro é estabelecido em Cluny 64

Conversão de Vladimir, príncipe da Rússia 65

O cisma entre Oriente e Ocidente 67

Anselmo é escolhido arcebispo de Cantuária 68

O papa Urbano II lança a primeira Cruzada 70

Bernardo funda o mosteiro de Claraval 72

Fundação das universidades de Paris e de Oxford 73

Pedro Valdo funda o movimento valdense 74

Francisco de Assis renuncia à riqueza 76

O IV Concilio de Latrão 77

Tomás de Aquino completa sua Suma teológica 79

Dante conclui A divina comédia 81

Catarina de Sena vai a Roma para solucionar o Grande Cisma 82

Wycliffe supervisiona a tradução da Bíblia para o inglês 84

João Hus é condenado à fogueira 86

João Gutenberg produz a primeira Bíblia impressa 88

O estabelecimento da Inquisição espanhola 89

Savonarola é executado 91

Michelangelo completa a cúpula da Capela Sistina 92

Martinho Lutero afixa As noventa e cinco teses 93

Zuínglio lidera a Reforma na Suíça 95

Início do movimento anabatista 97

O Ato de Supremacia de Henrique VIII 99

João Calvino publica As institutas da religião cristã 101

O papa aprova os jesuítas 103

Abertura do Concilio de Trento 105

Cranmer produz o Livro de oração comum 106

John Knox volta à Escócia para liderar a Reforma 107

O massacre do Dia de São Bartolomeu 109

John Smyth batiza os primeiros batistas 111

Publicação da Versão do Rei Tiago da Bíblia 113

Os peregrinos assinam o Pacto de Mayflower 114

Comênio é expulso de sua terra natal 116

A Confissão de fé de Westminster 118

George Fox funda a Sociedade dos Amigos 120

Rembrandt pinta O retorno do filho pródigo 122

Philip Jacob Spener publica Pia desideria 124

Publicação da obra O peregrino, de John Bunyan 126

Nascimento de Johann Sebastian Bach e de George Frederic Handel 128

Publicação da obra Hinos e cânticos espirituais, de Isaac Watts 130

Despertamento em Herrnhut dá início ao movimento dos Irmãos Morávios 131

Grande despertamento sob a liderança de Jonathan Edwards 133

Conversão de John Wesley 135

Robert Raikes dá início à escola dominical 137

William Carey viaja para a Índia 139

O Parlamento britânico vota a abolição do comércio de escravos 141

Os Campbells dão início aos Discípulos de Cristo 143

Adoniram e Ann Judson viajam para a Índia 145

Richard Alien funda a Igreja Episcopal Metodista Africana 147

Elizabeth Fry dá início ao ministério às mulheres encarceradas 149

Começo dos avivamentos urbanos com Charles G. Finney 151

John Nelson Darby ajuda a dar início à comunidade dos Irmãos de Plymouth 153

O sermão Apostasia nacional, de John Keble, dá início ao Movimento de Oxford 155

Hudson Taylor chega à China 157

Soren Kierkegaard publica ataques à cristandade 159

Charles Haddon Spurgeon torna-se pastor em Londres 161

Conversão de Dwight L Moody 163

David Livingstone publica Viagens missionárias 165

William Booth funda o Exército de Salvação 167

O papa Pio IX proclama a doutrina da infalibilidade papal 169

Início do Movimento Estudantil Voluntário 171

O avivamento da rua Azusa dá início ao pentecostalismo 173

Publicação da obra Os fundamentos lança o movimento fundamentalista 176

Publicação do Comentário da carta aos Romanos, de Karl Barth 179

Transmissão do primeiro programa cristão de rádio 181

Cameron Townsend dá início ao Instituto de Verão de Lingüística 184

Dietrich Bonhoeffer é executado pelos nazistas 186

O Conselho Mundial de Igrejas é formado 188

Cruzada Billy Graham em Los Angeles 190

Início da renovação carismática moderna 192

Início do Concilio Vaticano II 194

Martin Luther King Jr. lidera a Marcha até Washington 196

A igreja chinesa cresce apesar da Revolução Cultural 198

Os 100

acontecimentos

mais importantes

da história do

cristianismo

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64

O incêndio de Roma

Talvez o cristianismo não se expandisse de maneira

tão bem-sucedida, caso o Império Romano não tivesse

existido. Podemos dizer que o império era um tambor de

gasolina à espera da faísca da fé cristã.

Os elementos unificadores do império ajudaram na

expansão do evangelho. Com as estradas romanas, as viagens

ficaram mais fáceis do que nunca. As pessoas falavam grego

por todo o império e o forte exército romano mantinha a paz.

O resultado da facilidade de locomoção foi a migração de

centenas de artesãos, por algum tempo, para cidades maiores

— Roma, Corinto, Atenas ou Alexandria — e depois se

mudavam para outro lugar. O cristianismo encontrou um

clima aberto à religiosidade. Em um movimento do tipo

Nova Era, muitas pessoas começaram a abraçar as religiões

orientais — a adoração a Isis, Dionisio, Mitra, Cibele e

outros. Os adoradores buscavam novas crenças, mas algumas

dessas religiões foram declaradas ilegais por serem suspeitas

Nero durante o incêndio de Roma

de praticar rituais ofensivos. Outras crenças foram

oficialmente reconhecidas, como aconteceu com o judaísmo,

que já desfrutava proteção especial desde os dias de Júlio César, embora seu monoteísmo e a

revelação bíblica o colocassem à parte das outras formas de adoração.

Tirando plena vantagem da situação, os missionários cristãos viajaram por todo o império. Ao

compartilhar sua mensagem, as pessoas nas sinagogas judaicas, nos assentamentos dos artesãos e

nos cortiços se convertiam. Em pouco tempo, todas as cidades principais tinham igrejas, incluindo a

capital imperial.

Roma, o centro do império, atraía pessoas como um ímã. Paulo quis visitar Roma (Rm 1.10-12),

e, na época em que escreveu sua carta à igreja romana, vemos que ele já saudava diversos cristãos

romanos pelo nome (Rm 16.3-15), talvez porque já os tivesse encontrado em suas viagens.

Paulo chegou a Roma acorrentado. O livro de Atos dos Apóstolos termina narrando que Paulo

recebia convidados e os ensinava em sua casa, onde cumpria pena de prisão domiciliar, ainda que,

de certa forma, não vigiada.

A tradição também diz que Pedro passou algum tempo na igreja romana. Embora não tenhamos

números precisos, podemos dizer que, sob a liderança desses dois homens, a igreja se fortaleceu,

recebendo tanto nobres e soldados quanto artesãos e servos.

Durante três décadas, os oficiais romanos achavam que o cristianismo era apenas uma

ramificação do judaísmo — uma religião legal — e tiveram pouco interesse em perseguir a nova

"seita" judaica. Muitos judeus, porém, escandalizados pela nova fé, partiram para o ataque,

tentando inclusive envolver Roma no conflito.

O descaso de Roma pela situação pode ser visto no relato do historiador romano Tácito. Ele

relata uma confusão entre os judeus, instigada por um certo "Chrestus", ocorrida em um dos

cortiços de Roma. Tácito pode ter ouvido errado, mas parece que as pessoas estavam discutindo

sobre Christos, ou seja, Cristo.

Por volta de 64 d.C, alguns oficiais romanos começaram a perceber que o cristianismo era

substancialmente diferente do judaísmo. Os judeus rejeitavam o cristianismo, e cada vez mais

pessoas viam o cristianismo como uma religião ilegal. A opinião pública pode ter começado a

mudar em relação à fé nascente até mesmo antes do incêndio de Roma. Embora os romanos

aceitassem facilmente novos deuses, o cristianismo não estava disposto a partilhar a honra com

outras crenças. Quando o cristianismo desafiou o politeísmo tão profundamente arraigado de Roma,

o império contra-atacou.

Em 19 de julho, ocorreu um incêndio em uma região de trabalhadores de Roma. O incêndio se

prolongou por sete dias, consumindo um quarteirão após o outro dos cortiços populosos. De um

total de catorze quarteirões, dez foram destruídos, e morreram muitas pessoas.

A lenda diz que o imperador romano Nero "dedilhava" um instrumento musical, enquanto Roma

era destruída pelas chamas. Muitos de seus contemporâneos achavam que Nero fora o responsável

pelo incêndio. Quando a cidade foi reconstruída, mediante o uso de altas somas do dinheiro

público, Nero se apoderou de grande uma extensão de terra e construiu ali os Palácios Dourados. O

incêndio pode ter sido a maneira rápida de renovar a paisagem urbana.

Objetivando desviar a culpa que recaíra sobre si, o imperador criou um conveniente bode

expiatório: os cristãos. Eles tinham dado início ao incêndio, acusou o imperador. Como resultado,

Nero jurou perseguir e matar os cristãos.

A primeira onda da perseguição romana se estendeu de um período pouco posterior ao incêndio

de Roma até a morte de Nero, em 68 d.C. Sua enorme sede por sangue o levou a crucificar e

queimar vários cristãos cujos corpos foram colocados ao longo das estradas romanas, iluminando-

as, pois eram usados como tochas. Outros vestidos com peles de animais, eram destroçados por

cães nas arenas. De acordo com a tradição, tanto Pedro quanto Paulo foram martirizados na

perseguição de Nero: Paulo foi decapitado, e Pedro foi crucificado de cabeça para baixo.

Entretanto, a perseguição ocorria de maneira esporádica e localizada. Um imperador podia

intensificar a perseguição por dez anos ou mais; mas um período de paz sempre se seguia, o qual

era interrompido abruptamente quando um governador local resolvia castigar novamente os

cristãos de sua área, sempre com o aval de Roma. Esse padrão se prolongou por 250 anos.

Tertuliano, escritor cristão do século li, disse: "O sangue dos mártires é a semente da igreja".

Para surpresa geral, sempre que surgia perseguição, o número de cristãos a ser perseguido

aumentava. Em sua primeira carta, Pedro encorajou os cristãos a suportar o sofrimento, confiantes

na vitória derradeira e no governo divino que seria estabelecido em Cristo (lPe 5.8-11). O

crescimento da igreja sob esse tipo de pressão provou, em parte, a veracidade dessas palavras.

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70

Tito destrói Jerusalém

Géssio Floro amava o dinheiro e odiava os judeus. Como

procurador romano, governava a Judéia e pouco se

importava com as sensibilidades religiosas. Quando a

entrada de impostos era baixa, ele se apoderava da prata

do Templo. Em 66, quando a oposição cresceu, ele

enviou tropas a Jerusalém para crucificar e massacrar

alguns judeus. A ação de Floro foi o estopim para uma

revolta que já estava em ebulição havia algum tempo.

No século anterior, Roma não tinha tratado os judeus de

maneira adequada. Primeiramente, Roma havia

fortalecido o odiado usurpador Herodes, o Grande.

Apesar de todos os belos edifícios que construíra,

Herodes não conseguiu lugar no coração das pessoas.

Arquelau, filho de Herodes e seu sucessor-, era tão cruel

que o povo pediu a Roma que lhe desse um alívio. Roma

atendeu a esse pedido enviando diversos governadores:

Pôncio Pilatos, Félix, Festo e Floro. Eles, assim como

Erguido no fórum de Roma, o Arco de

Tito celebra a vitória em Jerusalém

outros, tinham a tarefa, nada invejável, de manter a paz

em uma terra bastante instável.

O espírito independente dos judeus nunca morreu. Eles olhavam com orgulho para os dias dos

macabeus, quando se livraram do jugo de seus senhores sírios. Agora, suas desavenças mesquinhas

e o fabuloso crescimento de Roma os colocavam novamente sob o comando de mãos estrangeiras.

O clima de revolução continuou durante o governo de Herodes. Os zelotes e os fariseus, cada um

à sua maneira, queriam que as mudanças acontecessem. O fervor messiânico estava em alta. Jesus

não estava brincando quando disse que as pessoas falariam: "'Vejam, aqui está o Cristo!' ou Ali está

ele!'". Esse era o espírito da época.

Foi em Massada (formação rochosa praticamente inexpugnável, que se eleva próximo ao mar

Morto, onde Herodes construiu um palácio e os romanos ergueram uma fortaleza) que a revolta

judaica teve seu início e um fim trágico.

Inspirados pelas atrocidades de Floro, alguns zelotes ensandecidos decidiram atacar a fortaleza.

Para surpresa de todos, eles a conquistaram, massacrando o exército romano que estava acampado

ali.

Em Jerusalém, o capitão do Templo, quando interrompeu os sacrifícios diários a favor de César,

declarou abertamente uma rebelião contra Roma. Não demorou muito para que toda a Jerusalém

ficasse alvoroçada, e as tropas romanas fossem expulsas ou mortas. A Judéia se revoltou, e a seguir

a Galiléia. Por um breve período de tempo, parecia que os judeus estavam virando o jogo.

Céstio Galo, o governador romano da região, saiu da Síria com 20 mil soldados. Cercou

Jerusalém por seis meses, mas fracassou, deixando para trás seis mil soldados romanos mortos e

grande quantidade de armamentos que os defensores judeus recolheram e usaram.

O imperador Nero enviou Vespasiano, general condecorado, para sufocar a rebelião. Vespasiano

foi minando a força dos rebeldes, eliminando a oposição na Galiléia, depois na Transjordânia e por

fim na Idu-méia. A seguir, cercou Jerusalém.

Contudo, antes do golpe de misericordia, Vespasiano foi chamado a Roma, pois Nero morrera. O

pedido dos exércitos orientais para que Vespasiano fosse o imperador marcou o fim de uma luta

pelo poder. Em um de seus primeiros atos imperiais, Vespasiano nomeou seu filho, Tito, para

conduzir a guerra contra os judeus.

A situação se voltou contra Jerusalém, agora cercada e isolada do restante do país. Facções

internas da cidade se desentendiam com relação às estratégias de defesa. Conforme o cerco se

prolongava, as pessoas morriam de fome e de doenças. A esposa do sumo sacerdote, outrora

cercada de luxo, revirava as lixeiras da cidade em busca de alimento.

Enquanto isso, os romanos empregavam novas máquinas de guerra para arremessar pedras

contra os muros da cidade. Aríetes forçavam as muralhas das fortificações. Os defensores judeus

lutavam durante todo o dia e tentavam reconstruir as muralhas durante a noite. Por fim, os romanos

irromperam pelo muro exterior, depois pelo segundo muro, chegando finalmente ao terceiro muro.

Os judeus, no entanto, continuaram lutando, pois correram para o Templo — sua última linha de

defesa.

Esse foi o fim para os bravos guerreiros judeus — e também para o Templo. Josejo, historiador

judeu, disse que Tito queria preservar o Templo, mas os soldados estavam tão irados com a

resistência dos oponentes que terminaram por queimá-lo.

A queda de Jerusalém, essencialmente, pôs fim à revolta. Os judeus foram dizimados ou

capturados e vendidos como escravos. O grupo dos zelotes que havia tomado Massada permaneceu

na fortaleza por três anos. Quando os romanos finalmente construíram a rampa para cercar e invadir

o local, encontraram todos os rebeldes mortos. Eles cometeram suicídio para que não fossem

capturados pelos invasores.

A revolta dos judeus marcou o fim do Estado judeu, pelo menos até os tempos modernos.

A destruição do Templo de Herodes significou mudança no culto judaico. Quando os babilônios

destruíram o Templo de Salomão, em 586 a.C, os judeus estabeleceram as sinagogas, onde podiam

estudar a Lei de Deus. A destruição do Templo de Herodes pôs fim ao sistema ‘sacrificai judeu’ e

os forçou a contar apenas com as sinagogas, que cresceram muito em importância.

Onde estavam os cristãos durante a revolta judia? Ao lembrar das advertências de Cristo (Lc

21.20-24), fugiram de Jerusalém assim que viram os exércitos romanos cercar a cidade. Eles se

recusaram a pegar em armas contra os romanos e retiraram-se para Pela, na Transjordânia.

Uma vez que a nação judaica e seu Templo tinham sido destruídos, os cristãos não podiam mais

confiar na proteção que o império dava ao judaísmo. Não havia mais onde se esconder da

perseguição romana.

C. 150

Justino Mártir escreve sua Apologia

O jovem filósofo caminhava junto à costa, sua mente estava agitada, sempre ativa, buscando

novas verdades. Ele estudara os ensinamentos dos estoicos, de Aristóteles e de Pitágoras; e, naquele

momento, era adepto do platonismo, que prometera uma visão de Deus aos que sondassem a

verdade com profundidade suficiente. Era isso que o filósofo Justino queria.

Enquanto caminhava, encontrou-se com um cristão, já idoso. Justino ficou perplexo diante de

sua dignidade e humildade. O homem citou várias profecias judaicas, mostrando que o caminho

cristão era realmente verdadeiro. Jesus era a verdadeira expressão de Deus.

Esse encontro ocasionou grande mudança na vida de Justino. Debruçado sobre aqueles escritos

proféticos, lendo os evangelhos e as cartas de Paulo, ele se tornou um cristão dedicado. Assim, nos

últimos trinta anos de sua vida, viajou, evangelizou e escreveu. Desempenhou um papel muito

importante no desenvolvimento da teologia da igreja, assim como da compreensão que a igreja

tinha de si mesma e da imagem que apresentava ao mundo.

Praticamente desde o início, a igreja funcionou em dois mundos: o judeu e o gentío. O livro de

Atos dos Apóstolos registra o lento e, às vezes, doloroso desabrochar do cristianismo no mundo

gentío. Pedro e Estêvão pregaram aos ouvintes judeus, e Paulo falou aos filósofos atenienses e aos

governadores romanos.

A vida de Justino apresenta muitos paralelos com a vida de Paulo. O apóstolo era um judeu

nascido em área gentia (Tarso); Justino era um gentio nascido em área judaica (a antiga Siquém).

Eles tinham boa formação e usavam o dom da argumentação para convencer judeus e gentíos da

verdade de Cristo. Os dois foram martirizados em Roma em razão de sua fé.

Durante os reinados dos imperadores do século I, por exemplo, Nero e Domiciano, a igreja se

esforçava sobreviver, para continuar sua tradição e para mostrar ao mundo o amor de Jesus Cristo.

Os não-cristãos viam o cristianismo como uma seita primitiva, uma ramificação do judaismo

caracterizada por ensinamentos e práticas estranhas.

Em meados do século II, sob o comando de imperadores mais razoáveis como Trajano, Antonino

Pio e Marco Aurélio, a igreja teve uma nova preocupação: explicar o motivo de sua existência para

o mundo de maneira convincente. Justino se tornou um dos primeiros apologistas cristãos, ou seja,

um dos que explicavam a fé como sistema racional. Com escritores que surgiriam mais tarde —

como Orígenes e Tertuliano —, ele interpretou o cristianismo em termos que seriam familiares aos

gregos e aos romanos instruídos de seus dias.

A maior obra de Justino, a Apologia, foi endereçada ao imperador Antonino Pio (a palavra grega

apologia refere-se à lógica na qual as crenças de uma pessoa são baseadas). Enquanto Justino

explicava e defendia sua fé, ele discutia com as autoridades romanas por que considerava errado

perseguir os cristãos. De acordo com seu pensamento, as autoridades deveriam unir forças com os

cristãos na exposição da falsidade dos sistemas pagãos.

Para Justino, toda verdade era verdade de Deus. Os grandes filósofos gregos haviam sido

inspirados por Deus até certo ponto, mas permaneciam cegos com relação à plenitude da verdade de

Cristo. Desse modo, Justino trabalhou livremente com o pensamento grego, explicando Cristo como

seu cumprimento. Ele se aproveitou do princípio apresentado pelo apóstolo João, no qual Cristo é o

Logos, a Palavra. Deus Pai era santo e separado da humanidade maligna, e Justino concordava com

Platão nesse aspecto. Porém, por intermédio de Cristo, seu Logos, Deus pôde alcançar os seres

humanos. Como o Logos de Deus, Cristo era parte da essência de Deus, embora separado, do

mesmo modo que uma chama se acende a partir de outra (é por isso que o pensamento de Justino

foi fundamental no desenvolvimento da consciência da igreja com relação à Trindade e à

encarnação).

Contudo, Justino tinha uma linha de pensamento judia que caminhava com suas inclinações

gregas. Era fascinado pelas profecias já cumpridas. Ε possível que isso tenha nascido no encontro

com o idoso à beira-mar. Porém, ele percebeu que a profecia hebraica confirmou a identidade

singular de Jesus Cristo. Como Paulo, Justino não abandonou os judeus à medida que se

aproximava dos gregos. Em Diálogo com Trifão, outra grande obra, ele escreve a um judeu, um

conhecido dele, apresentando Cristo como cumprimento da tradição hebraica.

Além de escrever, Justino viajou bastante, sempre argumentando a favor da fé. Ele se encontrou

com Trifão em Êfeso. Em Roma, encontrou-se com Marcião, o líder gnóstico. Em outra ocasião,

durante uma viagem a Roma, Justino se indispôs com um homem chamado Crescendo, o Cínico.

Quando Justino retornou a Roma, por volta do ano 165, Crescendo o denunciou às autoridades.

Justino foi preso, torturado e decapitado, com outros seis crentes.

Justino escreveu certa vez: "Vocês podem nos matar, mas não podem nos causar dano

verdadeiro". O apologista apegou-se a essa convicção até a morte. Ao fazer isso, recebeu o nome

que passaria a usar por toda a história: Justino Mártir.

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C. 156

O martírio de Policarpo

O dia estava quente. As autoridades de Esmirna procuravam Policarpo, o respeitado bispo da

cidade. Elas já haviam levado outros cristãos à morte na arena. Agora, uma multidão exigia a morte

do líder.

Policarpo saíra da cidade e se escondera na propriedade de

alguns amigos, no interior. Quando os soldados entraram, ele

fugiu para outra propriedade. Embora o idoso bispo não

tivesse medo da morte e quisesse permanecer na cidade, seus

amigos insistiram em que se escondesse, talvez com temor de

que sua morte pudesse desmoralizar a igreja. Se esse era o

caso, estavam completamente equivocados.

Quando os soldados alcançaram a primeira fazenda,

torturaram um menino escravo para que revelasse o paradeiro

de Policarpo. Assim, apressaram-se, bem armados, para

prender o bispo. Embora tivesse tempo para escapar,

Policarpo se recusou a agir assim. "Que a vontade de Deus

seja feita", decidiu. Em vez de fugir, deu as boas-vindas aos

seus captores, ofereceu-lhes comida e pediu permissão para

passar um momento sozinho em oração. Policarpo orou

durante duas horas.

Policarpo

Alguns dos que ali estavam com a finalidade de prendê-lo

pareciam arrependidos por prender um homem tão simpático.

No caminho de volta a Esmirna, o chefe da guarda tentou argumentar com Policarpo: "Que

problema há em dizer 'César é senhor' e acender incenso?".

Policarpo calmamente disse que não faria isso.

As autoridades romanas desenvolveram a idéia de que o espírito (ou o "gênio") do imperador

(César) era divino. A maioria dos romanos, por causa de seu panteão, não tinha problema em

prestar culto ao imperador, pois entendia a situação como questão de lealdade nacional. Porém, os

cristãos sabiam que isso era idolatria.

Pelo fato de os cristãos se recusarem a adorar o imperador ou os outros deuses de Roma e adorar

Cristo de maneira silenciosa e secreta em seus lares, a maioria das pessoas achava que eles não

tinham fé. "Fora com os ateus!", gritavam os habitantes de Esmirna, enquanto buscavam os cristãos

para prendê-los. Como sabiam apenas que os cristãos não participavam dos muitos festivais pagaos

e não ofereciam os sacrifícios comuns, a multidão atacava o grupo considerado ímpio e sem pátria.

Então, Policarpo entrou em uma arena cheia de pessoas enfurecidas. O procónsul romano

parecia respeitar a idade do bispo. Como Pilatos, queria evitar uma cena horrível, se fosse possível.

Se Policarpo apenas oferecesse um sacrifício, todos poderiam ir para casa.

— Respeito sua idade, velho homem — implorou o procónsul.

— Jure pela felicidade de César. Mude de idéia. Diga "Fora com os ateus!".

O procónsul obviamente queria que Policarpo salvasse a vida ao separar-se daqueles "ateus", os

cristãos. Ele, porém, simplesmente olhou para a multidão zombadora, levantou a mão na direção

deles e disse:

— Fora com os ateus!

O procónsul tentou outra vez:

— Faça o juramento e eu o libertarei. Amaldiçoe Cristo!

O bispo se manteve firme.

— Por 86 anos servi a Cristo, e ele nunca me fez qualquer mal. Como poderia blasfemar contra

meu Rei, que me salvou?

A tradição diz que Policarpo estudou com o apóstolo João. Se isso foi realmente verdade, ele

era, provavelmente, o último elo vivo com a igreja apostólica. Cerca de quarenta anos antes, quando

Policarpo começou seu ministério como bispo, Inácio, um dos pais da igreja, escreveu a ele uma

carta especial. Policarpo escreveu, de próprio punho, uma carta aos filipenses. Embora não seja

especialmente brilhante e original, essa carta fala sobre as verdades que ele aprendeu com seus

mestres. Policarpo não fazia exegese de textos do Antigo Testamento, como os estudiosos cristãos

posteriores, mas citava os apóstolos e os outros líderes da igreja para exortar os filipenses.

Cerca de um ano antes do martírio, Policarpo foi a Roma para acertar algumas diferenças quanto

à data da Páscoa com o bispo daquela cidade. Uma história diz que, nessa cidade, ele debateu com

o herege Mar-cião, a quem chamava "o primogênito de Satanás". Diz-se que diversos seguidores de

Marcião se converteram com sua exposição dos ensinamentos apostólicos.

Este era o papel de Policarpo: ser uma testemunha fiel. Líderes posteriores apresentariam saídas

criativas diante de situações em constante mutação, mas a era de Policarpo requeria apenas

fidelidade. Ε ele foi fiel até a morte.

Na arena, a argumentação continuava entre o bispo e o procónsul. Em certo momento, Policarpo

admoestou seu inquisidor: "Se você [...] finge que não sabe quem sou, ouça bem: sou um cristão. Se

você quer aprender sobre o cristianismo, separe um dia e me conceda uma audiência". O procónsul

ameaçou jogá-lo às feras.

Policarpo disse: "Pois chame-as. Se isto fosse uma mudança do mal para o bem, eu a

consideraria, mas não posso admitir uma mudança do melhor para o pior".

Ameaçado pelo fogo, Policarpo reagiu: "Seu fogo poderá queimar por uma hora, mas depois se

extinguirá; mas o fogo do julgamento por vir é eterno".

Por fim, anunciou-se que Policarpo não se retrataria. O povo de Es-mirna gritou: "Este é o

mestre da Ásia, o pai dos cristãos, o destruidor de nossos deuses, que ensina o povo a não sacrificar

e a não adorar!".

O procónsul ordenou que o bispo fosse queimado.

Policarpo foi amarrado a uma estaca, e o fogo foi ateado. Contudo, de acordo com testemunhas

oculares, seu corpo não se consumia. Conforme o relato dessas testemunhas, ele "estava lá no meio,

não como carne em chamas, mas como um pão sendo assado ou como o ouro e a prata sendo

refinados em uma fornalha. Sentimos o suave aroma, semelhante ao de incenso, ou ao de outra

especiaria preciosa".

Quando um dos executores o perfurou com uma lança, o sangue que jorrou apagou o fogo.

Este relato foi repassado às congregações por todo o império. A igreja valorizou esses relatos e

começou a celebrar a vida e a morte de seus mártires, chegando a coletar seus ossos e outras

relíquias. Em 23 de fevereiro, todos os anos, comemoravam o "dia do nascimento" de Policarpo no

Reino celestial.

Nos 150 anos seguintes, à medida que centenas de outros mártires caminharam fielmente para a

morte, muitos foram fortalecidos pelos relatos do testemunho fiel do bispo de Esmirna.

177

Ireneu se torna bispo de Lião

Até mesmo quanto às heresias, "não há nada novo debaixo do sol" (Ec 1.9). Os falsos

ensinamentos que surgiram dentro e em torno da igreja permanecem basicamente os mesmos.

Em vez de se voltar para a obra expiatória de Cristo, muitos buscam salvar a si mesmos pela

descoberta de algum conhecimento secreto. Isso surgiu na igreja primitiva por meio de um conjunto

de heresias chamado de gnosticismo ( gnosis é uma palavra grega que significa "conhecimento").

Aparentemente, já existia uma forma de gnosticismo antes da fundação da igreja. João desfechou

um golpe contra esse falso ensinamento, quando escreveu sua primeira carta. Contudo, essa

doutrina ainda continuou a exercer influência no século o.

Sabemos pouco sobre Ireneu, o homem que se opôs ao gnosticismo na segunda metade do

século n. Nasceu, provavelmente, na Asia Menor, por volta do ano 125. Em virtude do intenso

comércio entre a Ásia Menor e a Gália, os cristãos puderam levar a fé àquela região, onde foi

estabelecida uma igreja vigorosa em sua cidade principal, Lião.

Enquanto serviu como presbítero em Lião, Ireneu viveu de acordo com seu nome, que significa

"pacífico", viajando até Roma para pedir indulgência aos montañistas da Ásia Menor. Durante essa

missão, a perseguição cresceu em Lião, e o bispo daquela cidade foi martirizado.

Ireneu o sucedeu como bispo em seu lugar e descobriu que o gnosticismo conseguira algumas

conversões na Gália. Essa doutrina se espalhou facilmente, porque os gnósticos usavam termos

cristãos, embora tivessem interpretações radicalmente diferentes dessas expressões. A fusão dos

termos cristãos com os conceitos da filosofia grega e das religiões asiáticas era atraente aos que

queriam acreditar que poderiam salvar a si mesmos, sem depender da graça do Pai todo-poderoso.

Ireneu estudou as várias formas de gnosticismo. Embora variassem grandemente, os

ensinamentos mais comuns eram os seguintes: o mundo físico é mau; o mundo foi criado e é

governado por poderes angelicais, e não por Deus; Deus está distante e não está realmente ligado a

este mundo; a salvação pode ser alcançada pelo aprendizado de alguns ensinamentos secretos

especiais. As pessoas espirituais — ou seja, os próprios seguidores do gnosticismo — são

superiores aos cristãos comuns. Os mestres do gnosticismo sustentavam essas idéias valendo-se dos

evangelhos gnósticos

— volumes que normalmente tomavam emprestado o nome de um apóstolo e retratavam Jesus

Cristo ensinando doutrinas gnósticas.

Quando o bispo de Lião finalmente tomou conhecimento dessa heresia, escreveu a obra

denominada Contra as heresias, um enorme trabalho no qual buscava revelar a tolice do "falso

conhecimento". Valendo-se tanto do Antigo Testamento quanto do Novo, Ireneu mostrou que o

Deus amoroso criou o mundo, que se corrompeu por causa do do pecado humano. Adão, o primeiro

homem inocente, tornou-se pecador ao ceder à tentação. Porém, sua queda foi des-feita — rematada

— pela obra do segundo homem inocente, Cristo, o novo Adão. O corpo não é mau, e, no último

dia, o corpo e a alma dos crentes ressuscitarão; viverão para sempre com Deus.

Ireneu compreendia que o gnosticismo se valia do desejo humano de conhecer algo que os

outros não conheciam. Com relação aos gnósticos, escreveu: "Tão logo um homem é convencido a

aceitar a forma da salvação deles [dos gnósticos], se torna tão orgulhoso com o conceito e a

importância de si mesmo, que passa a andar como se fosse um pavão". Porém, os cristãos deveriam

humildemente aceitar a graça de Deus, e não se envolver em exercícios intelectuais que levavam à

vaidade.

Durante toda a sua vida, Ireneu recordou com alegria o fato de ter sido próximo de Policarpo,

que conhecera pessoalmente o apóstolo João. Desse modo, talvez não seja surpreendente o fato de

Ireneu apelar para a autoridade dos apóstolos, quando desaprovou as afirmações do gnosticismo. O

bispo destacou que os apóstolos ensinaram em público, e não guardaram segredo sobre nenhum dos

ensinamentos que receberam do Mestre. Por todo o império, as igrejas concordavam sobre certos

ensinamentos que vieram dos apóstolos de Cristo e que apenas esses ensinamentos formavam os

fundamentos de sua crença. Ao declarar que os bispos, os sucessores dos apóstolos, eram os

guardiães da fé, Ireneu aumentou o respeito dispensado aos bispos.

Na obra Contra as heresias, Ireneu apresentou o padrão para a teologia da igreja: toda a verdade

que precisamos está na Bíblia. Ele também provou ser o maior teólogo desde o apóstolo Paulo. Suas

discussões amplamente divulgadas foram um golpe mortal para o gnosticismo em sua época.

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C. 196

Tertuliano começa a escrever livros

cristãos

"O sangue dos mártires é a semente da igreja."

"É certo por ser impossível." "O que Atenas e Jerusalém têm em comum?"

Frases mordazes como essas eram típicas das obras de Quinto Septímio Florente Tertuliano —

ou simplesmente Tertuliano. Nativo de Cartago, foi criado em um lar de cultura paga e educado nos

clássicos da literatura, na arte de discursar e em Direito. Por volta do ano 196, quando voltou seu

poderoso intelecto para os tópicos cristãos, Tertuliano mudou o caráter do pensamento e da

literatura da igreja ocidental.

Até esse ponto, a maioria dos escritores cristãos usava o grego — uma língua flexível e sutil,

perfeita para filosofar e para discutir ninharias. Os cristãos de fala grega geralmente aplicavam a

propensão filosófica à sua fé.

Embora Tertuliano, um africano, soubesse grego, preferia escrever em latim. Suas obras

refletem a inclinação romana para a praticidade e para enfatizar a moral. Esse influente advogado

atraiu muitos outros escritores para sua língua favorita.

Enquanto os cristãos gregos discutiam a divindade de

Cristo e sua relação com o Pai, Tertuliano buscava unificar

a fé e esclarecer a posição ortodoxa. Em função disso,

criou uma fórmula bastante útil que é usada ainda hoje:

Deus é uma única substância, consistindo em três pessoas.

Ao introduzir a fórmula o que se tornou a doutrina da

Trindade, Tertuliano extraiu sua terminologia não dos

filósofos, mas dos tribunais romanos. A palavra latina

substantia não significava "material", mas carregava a idéia

de "direito à propriedade". A substantia de Deus era o seu

"torrão", por assim dizer. A palavra persona não significava

"pessoa", do modo como usamos a palavra. Ela se referia a

uma das partes na ação legal. Conforme esse uso, o termo

permite que seja concebível que três personae pudessem

compartilhar a mesma substantia. Três pessoas (Pai, Filho e

Espírito Santo) compartilham uma substância (a soberania

divina).

Embora Tertuliano tivesse perguntado "o que Atenas [a

filosofia] e Jerusalém [a igreja] têm em comum?", a

filosofia estoica, bastante popular em sua época, causou

Pintura que retrata Tertuliano

grande influência na vida de Tertuliano. Alguns dizem que

a idéia do pecado original passou do estoicismo para Tertuliano e depois para a igreja ocidental.

Tertuliano parece ter pensado que, de alguma maneira, a alma era material: assim como o corpo é

formado pela concepção, o mesmo acontece com a alma. O pecado de Adão é passado adiante como

um traço genético.

A igreja ocidental passou a defender essa idéia, mas isso não aconteceu com a igreja do oriental

(que assumiu visão mais otimista da natureza humana).

Por volta do ano 206, Tertuliano deixou a igreja para se juntar aos montañistas, grupo de

"puristas" que reagiu contra o que consideravam uma frouxidão moral entre os cristãos. Eles

esperavam que a Segunda Vinda acontecesse logo e passaram a ressaltar a liderança imediata do

Espírito Santo, e não a do clero ordenado.

Embora Tertuliano tivesse começado a enfatizar a idéia da sucessão apostólica — a passagem do

poder e da autoridade apostólica aos bispos —, ficou perturbado pela afirmação dos bispos de que

tinham poder para perdoar pecados. Ele acreditava que isso levaria à frouxidão moral, assim como

afirmou que isso se tratava de grande presunção por parte dos bispos. Além do mais, pensava, não

seriam todos os crentes sacerdotes? Seria a igreja formada por santos que dirigiam a si mesmos ou

uma turba de santos e pecadores administrados por uma "classe" profissional, o clero?

Tertuliano lutava contra forças poderosas. Por mais de 1 200 anos, o clero teria um lugar

especial. Somente depois de Martinho Lutero ter desafiado a igreja é que "o sacerdócio de todos os

crentes" foi defendido outra vez.

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C. 205

Orígenes começa a escrever

Em seus primeiros dias, o cristianismo foi criticado

como uma religião de pobres e iletrados, pois, na

verdade, muitos dos fiéis vinham das classes mais

humildes. Como Paulo escreveu, na igreja "poucos

eram sábios segundo os padrões humanos; poucos

eram poderosos; poucos eram de nobre nascimento" (I

Co 1.26).

No século ni, porém, o maior intelectual da época

era cristão. Pagãos, hereges e cristãos admiravam

Orígenes. Sua instrução e conhecimento vastos

contribuíram muito para o futuro da cultura cristã.

Orígenes nasceu em Alexandria, por volta do ano

185, filho de pais cristãos devotos. Por volta do ano

201, seu pai, Leónidas, foi preso durante a perseguição

de Septímio Severo. Orígenes escreveu ao pai, que

estava na prisão, e o encorajou a não negar a Cristo por

amor à família. Embora Orígenes quisesse se entregar

às autoridades e sofrer o martírio com pai, sua mãe

Orígenes, no vitral da Igreja Presbiteriana

escondeu suas roupas e impediu esse ato zeloso, mas

de Winter Park, Flórida

tolo.

Depois do martírio de Leónidas, sua propriedade foi confiscada e sua viúva foi deixada com sete

filhos. Orígenes tomou as providências para sustentá-los, ensinando literatura grega e copiando

manuscritos. Uma vez que muitos dos estudiosos mais idosos fugiram para Alexandria na época da

perseguição, a escola catequé-tica cristã tinha grande necessidade de professores. Aos dezoite anos,

Orígenes tornou-se presidente da escola

e deu início à sua longa carreira de professor, estudioso e escritor.

Praticava a ascese, passava grande parte das noites em estudo e em oração, dormia no chão duro,

nos poucos momentos em que realmente conciliava o sono. Seguia o mandamento de Jesus, pois

tinha apenas uma capa e não possuía sapatos. Chegou até mesmo a seguir literalmente Mateus

19.12: ele se castrou como defesa contra as tentações carnais. O maior desejo de Orígenes era ser

fiel à igreja e honrar o nome de Cristo.

Como escritor extremamente prolífico, Orígenes foi capaz de manter sete secretários ocupados

com seus ditados. Ele produziu cerca de duas mil obras, incluindo comentários sobre quase todos os

livros da Bíblia, além de centenas de homílias. A obra Héxapla foi uma façanha da crítica textual,

pois tentou encontrar a melhor versão grega do Antigo Testamento. Em seis colunas paralelas, era

possível observar o A.T. em hebraico, uma transliteração para o grego, três traduções em grego e a

Septuaginta. A obra Contra Celso foi um dos mais importantes trabalhos apologéticos do

cristianismo, pois o defendeu dos ataques pagaos. A obra De principiis [Sobre os princípios] foi a

primeira tentativa de criar uma teologia sistemática. Nela, Orígenes examina cuidadosamente as

crenças cristãs referentes a Deus, a Cristo e ao Espírito Santo, bem como assuntos referentes à

Criação, à alma, ao livre-arbítrio, à salvação e às Escrituras.

Orígenes foi, em grande parte, responsável pelo estabelecimento da interpretação alegórica das

Escrituras, que dominaria a Idade Média. Acreditava que em todo o texto existiam três níveis de

significado: o literal, o moral (que servia para edificar a alma) e o alegórico ou espiritual,

considerado oculto é o mais importante para a fé cristã. O próprio Orígenes desprezou o significado

literal e o histórico-gramatical do texto, enfatizando o significado alegórico mais profundo.

Orígenes tentou relacionar o cristianismo à ciência e à filosofia de seus dias. Acreditava que a

filosofia grega era a preparação para a compreensão das Escrituras e usava a analogia, mais tarde

adotada por Agostinho, de que os cristãos "despojaram os egípcios", quando usaram a riqueza do

conhecimento pagão na causa cristã (Êx 12.35,36).

Ao aceitar os ensinamentos da filosofia grega, Orígenes adotou muitas idéias platônicas,

estranhas ao cristianismo ortodoxo. A maioria de seus erros era causada pela pressuposição grega

de que a matéria e o mundo material são intrínsecamente maus. Acreditava na existência da alma

antes do nascimento e ensinava que a posição de alguém no mundo era conseqüência de sua

conduta em um estado preexistente. Negava a ressurreição física e advogava que, no final de tudo,

Deus salvaria todos os homens e todos os anjos. Uma vez que Deus não podia criar o mundo

material sem entrar em contato com a matéria básica, o Filho foi eternamente gerado pelo Pai que,

por sua vez, criou o mundo eterno. Segundo ele, foi somente a humanidade de Jesus que morreu na

cruz, como pagamento feito ao Diabo em resgate pelo mundo.

Devido a equívocos como esses, o bispo Demetrio de Alexandria convocou o concilio que

excomungou Orígenes. Embora Roma e a igreja ocidental tivessem aceitado a excomunhão, a igreja

da Palestina e a maior parte do Oriente não a aceitaram. Eles continuaram consultando Orígenes

devido à sabedoria, à erudição e ao conhecimento que ele possuía.