Os Ciúmes de um Pedestre ou o Terrível Capitão do Mato por Martins Pena - Versão HTML

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OS CIÚMES DE UM PEDESTRE

Martins Pena

[OU

O TERRÍVEL CAPITÃO DO MATO]

Comédia em 1 ato

PERSONAGENS

ANDRÉ JOÃO, pedestre

BALBINA, sua filha

ANACLETA, sua mulher

ALEXANDRE, amante de Balbina

PAULINO, amante de Anacleta

ROBERTO, pai de Anacleta

O cabo da patrulha

Soldados permanentes

A cena passa-se no Rio de Janeiro.

[ATO ÚNICO]

Sala ordinária. Porta no fundo e laterais. No segundo plano, à direita, um armário, e à esquerda, uma escada de mão, que se supõe conduzir a uma trapeira sobre o telhado. No alto de cada uma das portas laterais haverá um buraco. Uma mesa, sobre a qual estará uma vela apagada. É noite.

CENA I

Ao levantar do pano, estará a cena às escuras e só. Ouve-se dar meia-noite em um sino ao longe. Logo que tenha expirado a última badalada, aparece PAULINO sobre a escada e principia a descer com precaução.

PAULINO, ainda no alto da escada – Meia-noite. São horas de descer...

(Principia a descer.) Ele saiu... Anda a estas horas em procura de negros fugidos... Que silêncio! O meu bem ainda estará acordado? A quanto me exponho por ela! Escorreguei no telhado e quase caí na rua. Estava arranjado! Mas, enfim, o telhado é o caminho dos gatos e dos amantes à polca... Mas cuidado com o resultado! (Neste tempo está nos últimos degraus da escada.) Ouço rumor

CENA II

BALBINA, da esquerda, metendo a cabeça no buraco da porta.

BALBINA, chamando – Minha madrasta? Minha madrasta?

PAULINO, à parte – Mau! A filha está acordada...

BALBINA, no mesmo – Da. Anacleta? Da. Anacleta?