Padres conciliares brasileiros no Vaticano II: participação e prosopografia - 1959-1965 por José Oscar Beozzo - Versão HTML

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BCEF

=

Boletim Concílio em Foco, 1963

BIEF

=

Boletim Igreja em Foco, 1964-1966

CivCat

=

“La Civiltà Cattolica”, Roma.

CM

=

“Comunicado Mensal”, Boletim da CNBB, Rio de Janeiro.

CrSt

=

“Cristianesimo nella Storia”, Bologna 1980.

DocCath

=

“Documentation Catholique”, Paris.

InfCath

=

“Informations Catholiques Internationales”, Paris.

OssRm

=

“L'Osservatore Romano”, Città del Vaticano.

RAE

=

“Revista do Assistente Eclesiástico”, da ACB, 1947 ss.

REB

=

“Revista Eclesiástica Brasileira”, Petrópolis 1940 ss.

10

2. Siglas:

2.1 Documentos conciliares:

AA - Decretum de apostolatu laicorum “Apostolicam actuositatem” , 18 novembris 1965.

AG - Decretum de activitate misionali ecclesiae “Ad gentes divinitus” , 7 decembris 1965.

CD - Decretum de pastoralis episcoporum munere in ecclesia “Christus Dominus” , 28 oct. 1965.

DH - Declaratio de libertate religiosa “Dignitatis humanae” , 7 decembris 1965.

DV - Constitutio dogmatica de divina revelatione “Dei verbum” , 18 novembris 1965.

GE - Declaratio de educatione christiana “Gravissimum educationis” , 28 octobris 1965.

GS - Constitutio pastoralis de ecclesia in mundo huius temporis “Gaudium et spes” , 7 dec. 1965.

IM - Decretum de instrumentis communicationis socialis “Inter mirifica” d. 4 decembris 1963.

LG - Constitutio dogmatica de ecclesia “Lumen gentium” , 21 novembris 1964.

NE - Declaratio de ecclesiae habitudine a religiones non-christianas “Nostra aetate” , 28 oct. 1965.

OE - Decretum de ecclesiis orientalibus catholicis “Orientalium Ecclesiarum” , 21 nov. 1964.

OT - Decretum de institutione sacerdotali “Optatam totius” , 28 octobris 1965.

PC - Decretum de accommodata renovatione vitae religiosae “Perfectae caritatis” , 28 oct. 1965.

PO - Decretum de presbyterorum ministerio et vita “Presbyterorum ordinis” , 7 decembris 1965.

SC - Constitutio de sacra liturgia “Sacrosanctum Concilium” , 4 decembris 1963.

UR - Decretum de oecumenismo “Unitatis redintegratio” , 21 novembris 1964.

2.2 Fundos arquivisticos

FVatII/ISR

=

Fundo Vaticano II do Istituto per le Scienze Religiose de Bolonha.

FVatII/SP

=

Fundo Vaticano II de São Paulo.

2.3. Entrevistas

FAM = Dom Francisco Austregésilo de Mesquita Filho

AF = Dom Antônio Fragoso

RCB = Raymundo Caramuru Barros

11

3. Observações sobre as fontes do Vaticano II

A documentação disponível sobre o Concílio Vaticano II pode ser classificada,

para o escopo deste trabalho, em quatro diferentes blocos:

3.1. Fontes Oficiais do Concílio Vaticano II

Por decisão do Papa Paulo VI, logo após o término do Concílio, iniciou-se a

publicação das Acta Synodalia Sacrosancti Concilii Oecumenici Vaticani II (1962-1965), cura et studio Archivi Concilii Oecumenici Vaticani II, Typis Polyglottis Vaticanis, tendo saído entre 1970 e 1971, os quatro tomos relativos à primeira sessão conciliar de 1962 ( Volumem I: Periodus Prima); entre 1971 e 1973, os seis tomos referentes à segunda sessão conciliar de 1963

( Volumen II: Periodus secunda); entre 1973 e 1976, os oito tomos da terceira sessão conciliar de 1964 ( Volumen III: Periodus Tertia); entre 1976 e 1978, os sete tomos da quarta sessão conciliar de 1965 ( Volumen IV: Periodus quarta); entre 1989 e 1991, os três tomos de processos verbais do Conselho de Presidência, do Secretariado do Concílio para os

Negócios Extraordinários, da Comissão de Coordenação dos Trabalhos Conciliares e dos

Moderadores ( Volumen V: Processus Verbales). Começaram a sair, em 1996, as Atas da Secretaria Geral: Volumen VI: Acta Secretariae Generalis. Pars I: Periodus Prima, MCMLXII.

Entre 1996 e 1999 haviam sido publicados quatro tomos: Acta Synodalia VI Acta Secretariae Generalis, Pars I – IV.

Saíram também os três volumes dos Indices (1980); Appendix (1983) e Appendix Altera (1984). Da fase ante-preparatória e preparatória, que cobrem o período entre o anúncio do Concílio por João XXIII, a 25 de janeiro de 1959, à sua abertura a 11 de

outubro de 1962, foram publicados, em 1960, dentro da Series I: Antepreparatoria, um volume das Atas do Sumo Pontífice João XXIII; entre 1961 e 1962, oito tomos com os vota dos Bispos e Prelados de todo o mundo ( Volumen II: Consilia et vota Episcoporum ac

Praelatorum); em 1961, os dois tomos de apêndices ( Appendix volumini II: Analyticus conspectus consiliorum et votorum quae ab Episcopis et Praelatis data sunt); em 1960, o tomo com os propostas e observações dos organismos da Cúria Romana ( Volumen III: Proposita et monita Sacrarum Congregationum Curiae Romanae); em 1961, os três tomos dos Estudos e Votos das Universidades ( Volumen IV: Studia et vota Universitatum et Facultatum Ecclesiasticarum et Catholicarum) e, ainda em 1961, o tomo dos índices ( Volumen V: Indices). Estes volumes permaneceram debaixo de “segredo pontifício” e, portanto sem divulgação, até a decisão

12

de Paulo VI de mandar publicar todas as atas e papeis conciliares. Da Series II, Praepatoria, já foram editados os seguintes tomos: em 1964, atas de João XXIII ( Volumen I: Acta Summi Pontificis Ioannis XXIII); entre 1965 e 1968, os quatro tomos do volume II ( Volumen II: Acta Pontificiae Commissionis Centralis praeparatoriae Concilii Vaticani II); em 1969, os dois tomos do volume III ( Volumen III: Acta Commissionum et Secretariatuum Praeparatorium Concilii Oecumenici Vaticani II); entre 1988 e 1995, os cinco tomos das sub-comissões ( Volumen IV: Acta Subcommissionum Commissionis Centralis praeparatoriae). No total, já saíram publicados 62

tomos, em formato grande. Faltam ainda os processos verbais de todas as Comissões e

Subcomissões conciliares que trabalharam durante as quatro sessões conciliares e as três inter-sessões, de 1962 a 1965

3.2. Fontes da Igreja do Brasil relativas ao Vaticano II

3.2.1. Fontes inéditas

a) FUNDO VATICANO II de São Paulo (FVatII/SP): O acervo mais

importante encontra-se depositado no FUNDO VATICANO II1, que recolhe cerca de

5.000 documentos doados por bispos e peritos brasileiros participantes do Concílio e que se encontra depositado na Biblioteca da Obra Social Redentorista Pesquisas Religiosas, à Rua Oliveira Alves, 164, no Ipiranga, em São Paulo.

Dentro do acervo, destacamos duas fontes manuscritas de inigualável valor:

- As cartas de Dom. Helder Pessoa Câmara, escritas quase que diariamente,

durante as quatro sessões do Concílio, para seus colaboradores da CNBB no Rio de Janeiro e, em seguida, também no Recife, para onde foi transferido a 12 de março de 1964.

Depois de seis anos de insistentes pedidos, Dom Helder concordou em ceder

cópia de suas cartas, para servir aos pesquisadores de São Paulo e Bolonha, trabalhando na História do Concílio Vaticano II.

As cartas encontram-se depositadas, numa versão datilografada, na Fundação

Irmão Francisco do Recife que cedeu uma fotocópia para o Istituto per le Scienze Religiose de Bologna. Uma segunda cópia encontra-se no Fundo Vaticano II, em São Paulo. Com o

scanner, foi realizada, por Luiz Carlos Luz Marques, cópia dos originais manuscritos das cartas que se encontravam, no Rio de Janeiro, sob a guarda de Maria Luiza J. de Amarante.

1 BARAÚNA, L. J., Fontes Brasileiras do Concílio Vaticano II – Fundo Vaticano II, in BEOZZO, J. O., História do Concílio Vaticano II: A Igreja Latino-americana às vésperas do Concílio, Paulinas, São Paulo, 1993, pp. 25-37

13

Uma cópia destes manuscritos datilografados e agora um CD-Rom com o espelho dos

próprios originais e do texto datilografado, foram também depositados no FVatII/SP.

As cartas de Helder Câmara serão abreviadas HC Circ., seguidas do número da

Circular, o ano, o local de onde foi escrita e a data.

No total são, 297 circulares, das quais faltam sete da primeira sessão do

Concílio (1962), que se perderam.

Estas são as circulares, ano a ano:

1962: 53 circulares (faltam as de número 8, 10, 11, 32, 34, 42 e 47).

1963: 59 circulares

1963/64: 17 circulares escritas durante a intersessão, no momento em que D.

Helder esteve em Roma, para o trabalho das Comissões (existem duas diferentes às quais

D. Helder deu o mesmo cardinal [13ª], por isto da carta de número 14, em diante, a

numeração de D. Helder não corresponde à numeração “física”).

1964: 79 circulares.

1965: 89 circulares

Existem ainda diversos anexos manuscritos, alguns muito longos, como por

exemplo, Perspectives de nouvelles structures de l'Eglise, datado de 19 de novembro de 1964, escrito em Roma, de próprio punho por D. Helder e contando com 23 páginas)

- O jornal mural “O Conciliábulo”, do gênero noticioso e satírico-

humorístico foi produzido, diariamente, com raras interrupções, durante as quatro sessões do Concílio, por um pequeno grupo de bispos, sob a responsabilidade de D. Alberto

Gaudêncio Ramos, arcebispo de Belém do Pará. O jornal, disputadíssimo, por causa de

suas farpas e bom humor, era afixado num quadro da Domus Mariae, onde residia a maior parte do Episcopado brasileiro, durante o Concílio. Para fins de citação, utilizaremos a abreviação “CO”, para “O Conciliábulo”, seguida do número da sessão conciliar, em

algarismos romanos, do número do jornal em algarismos arábicos e do dia, mês e ano, ao

final. Infelizmente, encontra-se desaparecida a coleção de “O Conciliábulo”, referente à primeira sessão do Concílio. Os três volumes seguintes, devidamente encadernados e em

bom estado de conservação foram consignados ao Fundo Vaticano II de São Paulo, pelo

Arcebispo de Belém, pouco antes do seu falecimento. Uma cópia destes originais, em

microfilme encontra-se no ISR de Bologna e no FVatII/SP. Uma cópia em CD-Rom foi

realizada em fevereiro de 2001 por Luiz Carlos Luz Marques e encontra-se no FVatII/SP.

Os originais da segunda sessão (60 números que vão de 28 de setembro de 1963 a 03 de

dezembro de 1963), estão numerados de 1 a 60; da terceira (67 números que vão de 12 de

14

setembro a 21 de novembro de 1964), estão numerados de 121 a 188 e da quarta (65

números, do dia 13 de setembro a 8 de dezembro de 1965), estão numerados de 213 a 278.

Há dois saltos na numeração. Não consegui atinar com a razão porque se passa do número

188, ao final da terceira sessão para 213, no início da quarta, pulando-se 25 números.

Quanto ao outro salto, do número 60 ao final da segunda sessão para o 121 no início da

terceira, compreendendo 61 números, é provável que seja devido ao desejo de dar uma

numeração corrida ao jornal, incorporando assim os números da primeira sessão. Do

conjunto das três sessões, faltam dois números desaparecidos na Domus Mariae, o número 49 de 22 de novembro de 1963 e o número 238 de 13 de outubro de 1965.

b) Arquivo da CNBB: Na sede da CNBB, encontra-se o arquivo da entidade,

com toda a correspondência ativa e passiva da presidência, da secretaria geral, dos antigos secretariados (rebatizados depois como “linhas pastorais” e hoje, “dimensões”). Estão ali arquivadas todas as atas das reuniões da presidência, conselho permanente, comissão

episcopal de pastoral, assim como das assembléias da CNBB, desde a sua fundação em

1952.

A Biblioteca do Instituto Nacional de Pastoral (INP), funcionando no mesmo

prédio da sede da CNBB, cumpre a função de Biblioteca, mas ao mesmo tempo, de centro

de documentação, abrigando um rico arquivo da Ação Católica, mas também do Vaticano

II e de outros aspectos da vida da Igreja.

Destes Arquivos, foram feitas para o Fundo Vaticano II, cópias dos

documentos mais importantes referentes à atuação dos bispos brasileiros e da CNBB, no

Vaticano II

3.2.2. Fontes Impressas

Distinguimos entre as fontes impressas, aquelas de circulação reservada e as de

circulação pública.

a) Fontes de circulação reservada: Comunicado Mensal da CNBB, destinado

exclusivamente aos membros do Episcopado

Mesmo uma fonte, aparentemente comum como o Comunicado Mensal da

CNBB, vem se tornando de difícil acesso. Não foi possível localizá-la na Cúria Diocesana de Lins, nem na Biblioteca das Pesquisas Religiosas dos Redentoristas [faltam exatamente os quatro anos do Concílio, na coleção!], da Faculdade de Teologia N. S. da Assunção [a coleção está incompleta], na Biblioteca dos Dominicanos ou na sede do Regional Sul I da 15

CNBB, em São Paulo. Coleção completa só encontramos na Biblioteca do INP, na sede da

CNBB, em Brasília. O “Comunicado Mensal” será abreviado CM

b) Fontes de domínio público: Concílio em Foco

Começou a ser editado, no início da II Sessão do Concílio, a 28 de setembro de

1963.

O primeiro responsável pelo “Concílio em Foco”, foi o jornalista Otto Engel,

naquele momento, estudante de teologia na Universidade Gregoriana e aluno do Colégio Pio Brasileiro e, em seguida, Frei Romeu Dale OP, em Roma e Raymundo Caramuru Barros, no

Rio de Janeiro. O primeiro número foi duplo e saiu a 28 de setembro de 1963, com o seguinte expediente: “Boletim Semanal editado pelo Secretariado Nacional de Opinião Pública da

CNBB e pelo Departamento de Imprensa dos Religiosos do Brasil”.

Inicialmente, saia como um suplemento da “Voz de Santo Antônio”, da Editora

Vozes de Petrópolis. Durante a 2a sessão conciliar, de setembro a novembro, sairam 11

números. Com o número duplo 16-17, de janeiro de 1964, o Boletim ganha novo nome “Igreja em Foco”. Para a primeira fase está abreviado como BCEF e para a segunda, BIEF.

Embora conste do catálogo da Biblioteca dos Redentoristas, parte da coleção

está desaparecida. Uma coleção completa, entretanto, encontra-se na Biblioteca dos

Dominicanos de São Paulo, à Rua Atibaia, 420, nas Perdizes e outra na Biblioteca do INP, na sede CNBB, em Brasília.

3.2.3. Fontes no Istituto per le Scienze Religiose de Bologna - ISR

O ISR2 recolheu a mais importante documentação sobre o Concílio Vaticano3,

constituída por fundos de cardeais, bispos e teólogos, além de todos os papeis do Papa

João XXIII4. Abriga a que é, provavelmente, a mais rica biblioteca contemporânea de

História da Igreja e ciências afins. A Biblioteca encontra-se agora vinculada à Universidade de Bologna. O ISR foi fundado por Giuseppe Dossetti, ex vice-secretário geral da

Democracia Cristã, deputado constituinte e membro da comissão de redação da

2 MENOZZI, Daniele, Le origini del Centro di Documentazione (1952-1956), in ALBERIGO, Angelina e Giuseppe (a cura de), Con tutte le tue forze – I nodi della fede cristiana oggi – Omaggio a Giuseppe Dossetti, Marietti, Genova, 1993, pp. 333-370

3 ALBERIGO, G., Fondo Documentario “Vaticano II” dell’Istituto per le Scienze Religiose di Bologna, in GROOTAERS J. et C. SOETENS, Sources Locales de Vatican II – Symposium Leuven - Louvain-la-Neuve, 23-25-X-1989, Leuven, 1990, pp. 59-66

4 LAZZARETTI, Lorella, La documentazione bolognese per la storia del Concilio Vaticano II - Inventario dei Fondi G. Lercaro e G. Dossetti, Bologna, 1995. Para os Arquivos do Papa Paulo VI, fundamentais para a história das três últimas sessões do Concílio, há mais dificuldade de acesso. Cfr. AUBERT, R., Les archives de l’Istituto Paolo VI de Brescia, in GROOTAERS J. et C. SOETENS, o. cit. pp. 91-94

16

Constituição italiana, que se tornou posteriormente sacerdote diocesano da arquidiocese de Bologna e finalmente fundador de uma comunidade monástica contemplativa5. O ISR e

seus colaboradores tornaram-se o principal apoio do Cardeal Giacomo Lercaro nos

trabalhos conciliares, além de Dossetti ter sido, por um período, o influente secretário dos quatro Moderadores do Concílio, entre os quais se encontrava o Cardeal Lercaro. A obra

de Dossetti foi levada avante, com competência, pelo historiador Giuseppe Alberigo que

soube reunir um seleto grupo de jovens investigadores para angariar, organizar e explorar o fundo de documentação sobre o Concílio e congregar, nos últimos dez anos, outras

universidades e centros de investigação ao redor do mundo, para a tarefa de se escrever a história do Vaticano II.

3.2.4. Outras fontes e bibliotecas

As mais importantes encontram-se nas universidades belgas de Louvain-la-

Neuve6 e Leuven7, onde está depositada parte da documentação do Cardeal Leo Joseph

Suenens8, moderador do Concílio, de outros bispos do país e de quase todos os teólogos e peritos belgas que atuaram no Concílio.

No Instituto Católico de Paris estão os papeis de Mgr. Pierre Haubtmann9, um

dos mais importantes peritos que colaboraram na redação da Constituição Pastoral,

Gaudium et Spes e, em toda a França, foi realizado grande esforço para se organizar os fundos diocesanos com os documentos dos bispos locais relativos ao Concílio10.

5 MELLONI, Alberto, Cronologia e bibliografia di Giuseppe Dossetti, in ALBERIGO, o. cit,. pp. 371-389

6 SOETENS, Claude, Les Archives Vatican II à Louvain-la-Neuve, in GROOTAERS J. et C. SOETENS, o. cit. pp. 33-38; ____, Concile Vatican II et Église Contemporaine (Archives de Louvain-la-Neuve), I. Inventaire des Fonds Charles Moeller, G. Thils, Fr. Houtart, Louvain-la-Neuve, 1989; FAMERÉE, J., II . Inventaire des Fonds ª

Prignon e H. Wagnon, Louvain-la-Neuve, 1991; FAMERÉE J. et L. HULSBOSCH, III . Inventaire du Fonds Ph.

Delhaye, Louvain-la-Neuve, 1993; E. LOUCHEZ, Inventaire du Fonds J. Dupont et B. Olivier, 1995; 7 SABBE, M. , Les Archives du Vatican II à la Katholieke Universiteit Leuven, in GROOTAERS J. et C.

SOETENS, o. cit. pp. 39-46

8 L. DECLERCK et E. LOUCHEZ, Inventaire des Papiers Conciliaires du Cardinal L.-J. Suenens, 1998

9 ABEL, A. M. & RIBAUT, J.-P., Documents pour une Histoire du Concile Vatican II – Inventaire du Fonds Pierre Haubtmann, Institut Catholique de Paris, Paris, 1992

10 ABEL, A.-M, RIBAUT J.-P., Répertoire des Archives de Vatican II en France, in SOETENS, o.cit., pp.

11-18; Inventaire des Fonds Jacques Le Cordier, publié par A. M. Abel et J.-P. Ribaut, 1993 ; Inventaire des Fonds Jean Streiff, publié para A. M. Abel, 1996; Inventaire des Fonds Pierre Veuillot, classé par J.-P. Ribaut et publié par A.

M. Abel; Inventaire des Fonds Charles de Provenchères, 1998 ; Inventaire des Fonds Achille Liénart, classé et presenté par R. Desreumaux et établi en collaboration avec A. M. Abel et J.-P. Ribaut, 1998; Inventaire des Fonds Jacques Ménager, préface de Mgr. Guy Herbulot avec le concours du Diocèse d’Evry-Corbeil-Essones, 1999.

17

Na Alemanha, há uma grande riqueza de arquivos tanto dos seus bispos como

dos teólogos. Estes arquivos foram sumariados por Klaus Wittstadt11 que, de modo

particular, trabalhou nos Arquivos do Cardeal Julius Döpfner, um dos quatro moderadores do Concílio12. Na Universidade de Innsbruck, na Áustria, encontra-se parte susbstancial dos arquivos conciliares de Karl Rahner, SJ, um dos mais importantes teólogos do século XX13. Nos outros países, como Holanda14, Espanha15, Inglaterra16, com maior ou menor

intensidade, desenvolve-se também um trabalho de organização das fontes do Vaticano II.

Na África, a situação é bem mais difícil e muito da sua documentação deve ser buscada nos arquivos das congregações missionárias que atuavam no continente, em tempos do

Concílio17. No Canadá, o fundo mais importante é constituído pelos papeis do Cardeal

Paul-Émile Leger, arcebispo de Montreal18. Nos Estados Unidos, a Georgetown University

de Washington guarda os arquivos de John Courtney Murray, cuja contribuição foi

fundamental para o esquema e a Declaração Dignitatis Humanae sobre a Liberdade Religiosa19. Georgetown converteu-se, graças ao trabalho de J. A. Komonschak, no mais

importante centro de investigação do país, sobre o Vaticano II. A Universidade de Notre Dame, em Indiana abriga também alguns fundos importantes20.

Foi realizado igualmente grande esforço por inventariar e explorar as fontes do

Concílio depositadas em Moscou, tanto no Patriarcado Ortodoxo, que enviou dois

observadores para o inteiro período conciliar, quanto nos arquivos do Ministério das

Relações Exteriores e do Conselho dos Assuntos Religiosos do antigo governo soviético,

11 WITTSTADT, Klaus, Deutsche Quellen zum II. Vatikanum, in GROOTAERS J. et C. SOETENS, o.

cit. 19-32. Sobre a contribuição da área cultural alemã (Alemanha, Áustria, Suiça) ao Concílio, cfr.

WITTSTADT, Klaus und W. VERSCHOOTEN (Hrgb .) Der Beitrag der Deutschsprachigen und Osteuropäischen Länder zum Zweiten Vatikanischen Konzil, Leuven, 1996

12 WITTSTADT, Klaus (Hrsg.), Julius Kardinal Döpfner, 1913-1976, Bistum Würzburg, 1996

13 NEUFELD, Karl, “Der Beitrag Karl Rahners zum II. Vatikanum”, in WITTSTADT, Klaus und W. VERSCHOOTEN (Hrgb .), o.cit. 109-120 ; KLINGER, Elmar, “Der Beitrag Karl Rahners zum Zweiten Vatikanum im Licht des Karl-Rahner-Archivs-Elmar-Klinger in Würzburg”, in M.T. FATTORI

– A. MELLONI (eds), op. cit. 261-274

14 JACOBS, J. , Les Pays-Bas et le Concile Vatican II: Premières orientations sur les sources d’archives, in GROOTAERS J. et C. SOETENS, o. cit. pp. 47-58

15 RAGUER H., Fuentes para la historia del Vaticano II: España, in GROOTAERS J. et C. SOETENS, o.

cit. pp. 81-90

16 STACPOOLE, Aa., Sources for Recording British Participation in the Second Vatican Council, in GROOTAERS J. et C. SOETENS, o. cit. pp. 67-80

17 MEDEIROS, François, Les Archives Africaines, in GROOTAERS J. et C. SOETENS, o. cit. pp. 95-97

18 P. LAFONTAINE, Inventaire des Archives Conciliaires du Fonds Paul-Émile Leger, Montréal, 1995; ___, Inventaire des Archives Conciliaires du Fonds André Naud, Quebec, 1998

19 GONNET D., L’apport de John Courtney Murray au schema sur la liberté religieuse, in M. LAMBERIGTS-CL. SOETENS – J. GROOTAERS (éd), Les Commissios Conciliaires à Vatican II, Leuven, 1996, pp. 205-215

20 Vatican II Collection, University of Notre Dame, Indiana, 1991 [Papers E. Lucey; Papers M. Mc Grath; Papers J. Dearden]

18

que foram abertos aos pesquisadores21. Sobre a complexa relação entre a União Soviética, a Igreja Ortodoxa Russa, o Partido Comunista Italiano, João XXIII, a Igreja Católica e o

Concílio, o Colóquio realizado em 1995, em Moscou, numa colaboração entre o ISR de

Bologna e o Instituto de História Universal da Academia de Ciências Russa, trouxe novas e importantes luzes22. Os Arquivos do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), em Genebra,

abrigam rica documentação sobre a presença dos observadores não católicos no Concílio.

Na América Latina, o Chile foi o país que, ao lado do Brasil, teve a participação

mais intensa e organizada no Concílio, graças à atuação do Cardeal Raul Silva Henriquez, respaldado pelos estudos dos teólogos da Faculdade de Teologia da Universidade Católica de Santiago e do bispo de Talca, Dom Manuel Larrain E., vice-presidente do CELAM e,

logo depois, presidente da entidade, durante o período conciliar. O Cardeal Silva Henriquez publicou suas memórias23 antes do seu falecimento e de Manuel Larrain, morto

prematuramente, em 1966, num acidente automobilístico, a diocese encarregou-se da

publicação de seus escritos24.

No dia 17 de setembro de 1964, o CELAM começou a publicar em castelhano,

um Boletin para los Obispos de América Latina, depois de organizar, em Roma, a partir do III Período um Centro Latinoamericano de Información 25.

Para a contribuição conciliar do oriente cristão, o bispo de São Paulo Kyr

Pierre Mouallem, da Eparquia Melquita do Brasil, traduziu e prefaciou a coletânea das

intervenções na Aula Conciliar e dos demais documentos conciliares dos bispos melquitas, preparada pelo Patriarca Maximos IV26.

21 MELLONI A (ed.)., Vatican II in Moscow (1959-1965) – Acts of the Colloquium on the History of Vatican II. Moscow, March 30 – April 2, 1995 , Leuven, 1997.

22 MELLONI, A. , Chiese sorelle, diplomazie nemiche. Il Vaticano II a Mosca fra Propaganda, Ostpolitik ed ecumenismo, ibidem, pp. 1-14; ROCCUCCI, Russian Observers at Vatican II. The “Council for Russian Ortodox Church Affairs and the Moscow Patriarcate between Anti-Religion Policy and International Strategies, ibidem, pp. 45-72. Sobre o significado para o ecumenismo da participação ortodoxa russa no Vaticano II, cfr. BOROJOIJ V., Il significato del Concilio Vaticano II per la Chiesa Ortodossa Russa, ibidem, pp. 73-90; VELATI M., La Chiesa ortodossa russa tra Ginevra e Roma negli anni del Concilio Vaticano II, ibidem, 91-110; LANNE E., La perception en l’Occident de la participation du Patriarcat de Moscou à Vatican II, ibidem, pp. 111-128. Sobre as dimensões políticas na Itália e na URSS da participação russa ao Concílio, cfr.BURIGANA R., Il Partito Comunista Italiano e la Chiesa negli anni del Vaticano II, pp. 189-226; RICCARDI A., Antisovietismo e Ostpolitik della S. Sede, ibidem, pp. 227-268.

23 CAVALLO A., Memorias Cardenal Raul Silva Henriquez, 2 tomos, Santiago, 1991

24 LARRAIN, M., Escritos completos (organizados por Pedro DE LA NOI), 4 tomos, Santiago, 1976-1986

25 Cópias de alguns dos Boletin del CELAM encontram-se no FVatII/SP: 006.1/019 a 006.1/023

26 MOUALLEM P., A Igreja Greco-Melquita no Concílio – Discursos e notas do Patriarca Máximo IV e dos Prelados de sua Igreja no Concílio Ecumênico Vaticano II, São Paulo, 1992

19

4. Metodologia da pesquisa

O trabalho inicial foi o de recolher a documentação relativa ao Concílio

Vaticano II, aqui no Brasil. Enviei carta a todos os bispos e peritos brasileiros ainda vivos, que haviam participado do Concílio Vaticano II, tentando convencê-los de ceder os seus

arquivos pessoais para o Fundo Vaticano II, por mim organizado na Biblioteca dos Padres Redentoristas em São Paulo. Foram também contatadas as dioceses daqueles bispos que já

haviam falecido, na tentativa de se obter os seus documentos. Consegui também os papeis do único observador protestante do continente latino-americano, o Dr. Miguez Bonino de

Buenos Aires. .

O segundo trabalho foi organizar, classificar e catalogar todos esses

documentos, seguindo o mesmo procedimento eletrônico já adotado para o ordenamento

da rica documentação sobre o Vaticano II, depositada no Istituto per le Scienze Religiose de Bologna, na Itália. Este procedimento visou tornar compatível a exploração de ambos

os fundos documentais, seguindo-se o mesmo método de classificação e utilizando-se os

mesmos programas de computador, para o fichamento dos documentos27. Foram assim

ordenados e classificados cerca de cinco mil papeis, esquemas conciliares, anotações de bispos, peritos e teólogos brasileiros que participaram do Concílio Vaticano II, em sua fase preparatória (1959-1962) e durante a sua realização (1962-1965).

Numa etapa posterior, Luiz J. Baraúna, um dos pesquisadores empenhados na

reconstrução da história da participação brasileira no Concílio Vaticano II, fotocopiou nos Arquivos da CNBB em Brasília, documentação complementar à que havia sido recolhida

ao Fundo Vaticano II, depositando estas fotocópias em São Paulo.

Ao lado da organização e exploração da documentação recolhida em São

Paulo, a pesquisa foi complementada com três meses e meio de trabalho nos Arquivos e na Biblioteca do Istituto per le Scienze Religiose de Bologna e nos Arquivos e Bibliotecas Romanas, incluindo aí a do Colégio Pio Brasileiro, de março a junho de 1993 e novamente em março de 2000. O acervo de Bologna, como já foi assinalado, é o mais importante para a história do Concílio, por causa da sua biblioteca, a mais completa sobre o tema, e pelos seus fundos documentais aí recolhidos: diários, cartas, anotações de alguns dos mais

importantes teólogos, bispos e cardeais que participaram do Vaticano II. Encarregado da 27 Cfr. MELLONI, Per una prosopografia e cronologia critica del Vaticano II, in GROOTAERS J. et C.

SOETENS, o. cit. pp. 1-10

20

análise de todos os papeis do Papa João XXIII, para o seu processo de canonização, o ISR

pode dispor de um acesso único a esta documentação privilegiada que permite retraçar o

laborioso itinerário do anúncio à abertura da primeira sessão (11-10-1962) do Concílio e da inter-sessão entre 1962 e 1963, podendo seguir a mente e as intervenções do Papa, que

havia convocado o Concílio.

Ao lado de Bologna, encontram-se, evidentemente, dos Arquivos Romanos,

em curso de publicação, desde o imediato pós concílio, por ordem de Paulo VI28. Da fase Ante-Preparatória, Preparatória e dos quatro Sessões do Concílio já foram publicados 59

grandes volumes.

Como um dos responsáveis pela redação da História do Vaticano II, vim

participando, desde 1989 com os demais integrantes do projeto dos encontros e seminários que foram mapeando as principais questões metodológicas e práticas para se escrever a

história do Concílio, acontecimento complexo e multitudinário, envolvendo bispos e

peritos procedentes de praticamente todos os países e culturas hoje existentes, enfrentando a gigantesca tarefa de repensar, em bases novas, a Igreja Católica, sua missão, tarefas e estruturas no mundo de hoje29.

Com o rápido desaparecimento dos principais protagonistas do Concílio e com

a aceleração das mudanças do mundo e da igreja, para as quais sem dúvida contribuiu o

28 Para se estabelecer uma comparação historicamente relevante sobre a publicação da documentação conciliar, as atas e demais documentos do Concílio de Trento (1545-1563) só se tornaram inteiramente acessíveis aos historiadores trezentos anos depois, com a abertura, por Leão XIII (1878-1903), dos Arquivos do Vaticano. A publicação das Atas, Diários, Cartas só viu a luz em 1901, por obra da Societas Goerresiana de Friburgo. Escreve Hubert Jedin que nos brindou a monumental história do Concílio de Trento em quatro volumes (1949-1962): “Desde Sarpi e Pallavicino, es decir, desde hace trecientos años, está esperando el mundo una historia del conclio de Trento que sea algo más que una acusación y una apología. Ranke la tenía por imposible, pues quienes la querían escribir, no podían, por serles inaccesibles las fuentes; y los que podían, no querían. El obstáculo de la inaccesibilidad de las fuentes há desaparecido por la apertura de los Archivos Vitacanos. Pero subsiste outra dificultad y aun puede decirse que, desde Ranke, se há agigantado.

Hoy, más que nunca una história del concilio es una aventura. El historiador tiene delante una tarea, cuyo adecuado desempeño es imposible para uno solo hombre”. JEDIN, Hubert, História del Concilio de Trento, I –

La lucha por el Concílio, Ediciones Universidad de Navarra, Pamplona, 1972, p. IX

29 Para uma síntese das questões hermenêuticas e metodológicas implicadas na história do Vaticano II, cfr. ALBERIGO G., Critères herméneutiques pour une histoire de Vatican II, in M. LAMBERIGTS et CL.

SOETENS (ed.), À la veille du Concile Vatican II – Vota et réactions en Europe et dans le catholicisme oriental, Leuven, 1992, 12-23. Cfr. também, J. FAMERÉE, Instruments et perspectives pour une histoire du Concile Vatican II, ibidem, pp. 258-268 e ainda MELLONI, A., Per una prosopografia e cronologia critica del Vaticano II, in GROOTAERS J. et C. SOETENS, o. cit. pp. 1-10. Extremamente proveitoso para nós foi também a participação no seminário promovido pela Universidade de Tübingen na Alemanha, juntamente com a Katholische Akademie der Diözese Rottenburg-Stuttgart, de 17 a 19 de março de 1997, sobre a hermenêutica da interpretação do Concílio: “Zur Hermeneutik der Interpretation des Zweiten Vatikanischen Konzils”, no quadro do projeto de pesquisa mais amplo sobre “Cultura Global e a Fé Cristã”: “Globalkultur und Christlicher Glaube – Die Bedeutung des Zweiten Vatikanischen Konzils im kulturellen Transformationprozess der Gegenwart”. As atas do congresso estão em curso de publicação. Cfr. ainda de HÜNERMANN, P ., Il Concilio Vaticano II come evento – Una riflessione fondamentale sull’ermeneutica dei testi conciliari. (mimeo, págines 16). Este estudo foi apresentado no Colóquio de Bologna, “Il Vaticano II: l’evento, l’esperienza e i documenti finali”, de 12 a 15

de dez. de 1996

21

Concílio, faz-se mais urgente o trabalho do historiador, tanto no sentido de identificar, salvaguardar, catalogar e tornar disponíveis as fontes, como de afrontar a difícil tarefa de superar a simples crônica conciliar, “historicisando” e interpretando este acontecimento30.

Outro imperativo decorre do fato que, para as novas gerações, o Concílio tornou-se um

acontecimento já longínquo no tempo e cuja densidade e importância histórica é

dificilmente perceptível.

Dediquei-me tanto a uma quanto à outra empresa, a de reunir e classificar as

fontes documentais brasileiras e a de iniciar uma primeira interpretação da participação brasileira no Concílio, consciente da urgência da tarefa, como das próprias limitações, em termos de formação histórica e de tempo para dedicar-me a esta tarefa, que de per si, exige um esforço coletivo. O obstáculo crescente para recrutar colaboradores reside no problema do domínio da língua latina, em que se encontram redigidos todos os documentos

conciliares oficiais, os debates, anotações, trabalhos em comissões e subcomissões, assim como a maior parte das contribuição dos peritos e teólogos.

Finalmente, esse trabalho sobre o episcopado brasileiro no Vaticano II, insere-

se no âmbito de pesquisas semelhantes que vêm sendo conduzidas em outros países,

permitindo um termo de comparação com a atuação dos outros episcopados, com o

esforço para o levantamento das fontes, as hipóteses de trabalho e as linhas de

interpretação31.

Os estudos sobre os outros países e sobre os diversos grupos informais

atuantes no Concílio, têm permitido um proveitoso cruzamento de dados, no sentido de

desvendar a complexa rede de articulações e interferências mútuas entre os diferentes

atores da aventura conciliar, situando nesta trama a participação do episcopado brasileiro.

30 Cfr. ALBERIGO, G. e A. MELLONI, Per la storicizzazione del Vaticano II, in CRISTIANESIMO

NELLA STORIA, XIII/3, ottobre 1992, pp. 473-474; FOUILLOUX, E., Histoire et événement: Vatican II, ibidem, pp. 515-538; J. O’MALLEY, Interpretare il concilio Vaticano II, ibidem, pp. 585-592; G. ALBERIGO, Il Vaticano II nella tradizione conciliare, ibidem, pp. 593-612

31 Os seguintes estudos foram apresentados no Colóquio Internacional para a “Storia del Concilio Vaticano II”, realizado sob os auspícios da Fondazione Giovanni XXIII – Istituto per le Scienze Religiose de Bologna, de 12 a 15 de dezembro de 1996: P. DABEZIES (Montivideo), Los Obispos de Uruguay en el Concilio; M. IMPAGLIAZZO, (Roma), I vescovi nord-africani al Vaticano II; J. KLOCZOWSKI (Lublin), L’Episcopato Polacco al Concilio; A. LAZZAROTTO (Roma), I vescovi cinesi al Concilio; P. NOËL, (Laval), Les épiscopats et leurs organizations – Sinthèse; P. PULIKKAN (Thrissur), The Indian Participation at Vatican II; F. SPORTELLI (Bari), La Conferenza Episcopale italiana; A. ZAMBARBIERI (Pavia), I vescovi del Giappone al Vaticano II; L. ZANATTA, (Bologna), Il “Coetus Argentinus”. A publicação destes estudos está sendo ultimada pela Bibliotheek van de Faculteit Godgeleerdheid da Universidade de Leuven, na Bélgica.

“Nenhum medo. O Senhor está presente. Um tempo novo começou...” 31

João XXIII

INTRODUÇÃO

Ao escolher, como tema da dissertação de doutorado, a participação no

Concílio Vaticano II (1959-1965) do episcopado brasileiro, articulado na CNBB

(Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), orientavam-me alguns pressupostos.

Em primeiro lugar, o da relevância do tema, pois o Vaticano II foi, na opinião

dos especialistas, o mais importante acontecimento no campo cristão durante o século

XX32 e, provavelmente, sem similar no panorama religioso deste século.

Os Concílios Ecumênicos, em número de 21, marcaram profundamente a

história do mundo cristão; os quatro primeiros (Nicéia, em 325; Constantinopolitano I, em 381; Éfeso, em 431 e Calcedônia, em 451) foram recebidos no Oriente quase que com a

mesma veneração tributada aos quatro evangelhos33.

Na série dos 21 concílios, os sete primeiros são acolhidos igualmente pelo

Ocidente e pelo Oriente cristãos - com exceção das antigas igrejas orientais -; o oitavo foi fator de grande dissensão entre o Oriente e o Ocidente por causa da tensão entre Roma e os patriarcados orientais e da medida disciplinar que destituiu o Patriarca Fócio da sede de Constantinopla34. Os concílios seguintes, a partir do Laterano I (1123), recebidos como 31 Últimas palavras de João XXIII no seu leito de morte, dirigidas ao seu secretário e colaborador, Mons. Loris Cappovilla e retransmitidas por este a Dom Helder Camara, em carta pessoal: HC III/16, 26-27/09/1964.

32 O Vaticano II, foi “indubitavelmente a mais ampla obra de reforma jamais empreendida pela igreja”, R. LATOURELLE, verbete Vaticano II, em Dicionário de Teologia Fundamental, sob a direção de R. Latourelle -

R. Fisichella. Petrópolis, Vozes, 1994, p. 1043. Latourelle, professor e ex-reitor da Universidade Gregoriana dos jesuítas, em Roma, coordenou grande obra coletiva de balanço dos 25 anos de início do Vaticano II (1962-1987), patrocinada pela mesma Gregoriana: LATOURELLE, R., Vaticano II: Bilancio & Prospettive, venticinque anni dopo - 1962-1987, vol. 1 e 2, Roma, 1987. É reconhecido como um dos principais teólogos deste século.

33 A obra clássica sobre os Concílios Ecumênicos é, ainda, a de HEFELE-LECLERCQ, Histoire des Conciles (1907-1921). O anúncio e realização do Vaticano II provocaram nova primavera de estudos sobre os concílios, dentre os quais se destaca a coleção, Histoire des Conciles Oecuméniques, em 12 volumes, editada pelas Éditions de l’Orante, em Paris, sob a direção de Gervais DUMAIGE, S.J., 1963-1981, além de muitas sínteses, dentre as quais a mais feliz foi a de H. JEDIN, Concílios Ecumênicos - História e Doutrina. São Paulo: Herder, 1961) e a mais recente e competente a de ALBERIGO G. (org.), História dos Concílios Ecumênicos. São Paulo: Paulus, 1995. O Istituto per le Scienze Religiose (ISR) de Bologna publicou também, sob a direção de ALBERIGO G., edição bilíngüe, latim e italiano, [trilingüe, incluindo o grego, para os oito primeiros concílios, do Niceno (321) ao Constantinopolitano IV (869-70)], dos decretos de todos os concílios ecumênicos: Conciliorum Oecumenicorum Decreta. Bologna: ISR-Dehoniana, 1972.

34 PERRONE, Lorenzo, “O Constaninopolitano IV (869-870): Primado romano, pentarquia e

comunhão eclesial às vésperas da separação entre Oriente e Ocidente”, in ALBERIGO, História dos Concílios Ecumênicos, o. cit. pp. 157-183.

23

ecumênicos pela Igreja Latina, são considerados pelos orientais, apenas concílios ocidentais e, portanto, não ecumênicos.

O Vaticano II procurou dar passos para superar a secular ruptura entre o

Oriente e o Ocidente cristãos, consumada em 1.054, convidando as Igrejas Ortodoxas35 e

as antigas Igrejas Orientais36 a participarem do Concílio, enviando observadores. Ao

término do Concílio, na manhã do dia 7 de dezembro de 1965, em celebrações simultâneas, em Roma, perante todos os padres conciliares do Concílio e, em Constantinopla, perante o Sínodo Patriarcal, Paulo VI, o patriarca do Ocidente e Athenagoras, o Patriarca ecumênico de Constantinopla, levantaram, em declaração conjunta, num gesto de paz, no caminho da

reconciliação e da unidade, as excomunhões e anátemas proferidos entre as duas igrejas37.

35 As igrejas ortodoxas, seguindo caminho próprio, desde a ruptura de 1054 entre oriente e ocidente e de posteriores desdobramentos históricos, agrupam cerca de 200 milhões de fiéis que habitam, em sua maioria, os territórios da atual Comunidade dos Estados Independentes (antiga União Soviética), os Bálcãs e o Próximo Oriente, com diásporas importantes nos Estados Unidos, Canadá, América do Sul e Austrália, por conta das migrações da segunda metade do século XIX e século XX. Elas compreendem: Oito patriarcados: Alexandria (o Concílio de Nicéia, em 325, no cânon 6, reconheceu que seu Bispo exercia jurisdição superior sobre toda a diocese civil romana do Egito), Jerusalém, Antioquia, Constantinopla como primus inter pares (o primeiro entre iguais. Estes três patriarcados juntos com Alexandria e Roma, são reconhecidos no Concílio de Calcedônia, 451, como formando a pentarquia que regia a Igreja); Moscou (constituído em Igreja autocéfala no Sínodo de Moscou de 1448 e em Patriarcado em 1589), Belgrado na Sérvia (1920). Bucareste na Romênia (1925), Sofia na Bulgária (1953, 1961); Quatro igrejas autocéfalas: Grécia, Chipre, Polônia e Checoslováquia; Igrejas autônomas (dependentes de algum patriarcado): Igreja da China, do Japão e da Finlândia; Igrejas da diáspora. Sobre o Patriarcado de Constantinopla e o trabalho ecumênico desenvolvido pelo Patriarca Athenagoras, cfr. MARTANO, Valeria, Athenagoras, il Patriarca (1886-1972). Um Cristiano fra crisi della coabitazione e utopia ecumênica. Bologna: Il Mulino, 1996. Cfr. OLIVIER, Clement, L’Eglise Ortodoxe. 4 ª ed., Paris: PUF, 1991; BOSCH NAVARRO, Juan, Para Compreender o Ecumenismo. São Paulo: Loyola, 1995, p. 64; AP 1987, “Patriarcados”, pp. 1706-1707.

Durante o Concílio, enviaram observadores para alguma das quatro sessões, o Patriarcado de Constantinopla (III e IV), o Patriarcado Grego Ortodoxo de Alexandria (III e IV), a Igreja Russa Ortodoxa - Patriarcado de Moscou (I, II, III, IV), Igreja Servia Ortodoxa (IV), Igreja Ortodoxa da Geórgia (II, III, IV), Igreja Búlgara Ortodoxa (IV), Igreja Russa Ortodoxa no estrangeiro (I, II, III, IV). Cfr. AS - Appendix Altera, Tabella V, pp.

276-278. Sobre o diálogo e as relações por vezes tensas e difíceis entre a Igreja Católica e a Ortodoxia russa, cfr. TAMBOURA, Angelo, Chiesa cattolica e ortodossia russa. Due secoli di confronto e dialogo dalla Santa Alleanza ai nostri giorni. Milano : Paoline, 1992

36 As antigas igrejas orientais, algumas delas remontando ao primeiro século do cristianismo, separaram-se da corrente grego bizantina majoritária, à raiz das controvérsias cristológicas que precederam o Concílio de Calcedônia (451), sendo, por isso, também chamadas de monofisitas, nestorianas ou simplesmente não calcedonianas. Agrupam cerca de 30 milhões de fiéis e compreendem a Igreja Apostólica Armênia, a Igreja Síria Ortodoxa, a Igreja Copta Ortodoxa, a Igreja Ortodoxa na Etiópia. Mandaram seus observadores para o Concílio, a Igreja Copta Ortodoxa (I, II, III, IV), a Síria Ortodoxa (I II, III, IV), a Armênia Ortodoxa do Catholicossat de Etchmiazidin (II, III, IV) e do Catholicossat da Cilícia (I, II, III, IV); a Etiópica Ortodoxa (I, II, IV); a Síria Ortodoxa da Índia (II, III, IV); a Assíria do Catholicossat do Patriarcado do Oriente (III) e a Síria Mar Thomas do Malabar (II, III, IV). AS, Appendix Altera, Tabella V, pp.

277-278.

37 AS IV/7, 652-662; KLOP V, pp. 486-493; ; WENGER, Antoine, Vatican II - Chronique de la Quatrième Session. Paris: Editions du Centurion, 1966, pp. 449-466; CAPRILE V, pp. 506-513.

24

Buscou igualmente superar a divisão oriunda da reforma protestante de 1517,

criando o Secretariado para a União dos Cristãos38 e convidando também observadores das igrejas protestantes39. Assinalou, deste modo, a tardia entrada oficial da Igreja Católica na grande corrente do movimento ecumênico contemporâneo40. Essa entrada no complexo

campo das relações ecumênicas mexeu com a autoconsciência das várias igrejas, levou a

uma notável flutuação semântica na maneira de cada igreja autodenominar-se e de ser

denominada pelas outras e continua provocando mal-entendidos e desconforto, como no

caso da recente declaração da Congregação para a Doutrina da Fé, a Dominus Jesus 41.

Sem descer à complexidade do assunto, é importante, no mínimo, historicizar

o uso habitual e o conceito corrente de Igreja Católica. Pelo menos até o Concílio de

Trento, o nome que lhe é aplicado é o de Igreja Latina, para contrapô-la ao Oriente

cristão42. Após a divisão de 1054, a Igreja Oriental passou a autodenominar-se “Ortodoxa”, para contrapor-se à Latina que teria se afastado da reta doutrina, ou seja, da Ortodoxia. Em Roma, os ortodoxos foram regularmente chamados de “gregos”.

38 Sobre o Secretariado e sua criação, cfr. KOMONCHAK, Joseph, “O Secretariado de Promoção da Unidade Cristã”, in História I, pp. 264-272; VELATI, M., “Le Secrétariat pour l ‘Unité des Chrétiens et l’origine du décret sur l’oecuménisme”, in LAMBERIGTS, M. - Cl. SOETENS - J. GROOTAERS, Les Comissions Conciliaires à Vatican II. Leuven: Bibliotheek van de Faculteit Godgeleerdheid, 1996, pp. 181-204.

39 Enviaram observadores as seguintes Igrejas ou famílias confessionais oriundas da reforma ou de posterior evolução histórica: Igreja Vétero Católica - União de Utrecht (I, II, III, IV); Comunhão Anglicana (I, II, III, IV); Federação Luterana Mundial (I, II, III, IV); Aliança Presbiteriana Mundial (I, II, III, IV); Igreja Evangélica da Alemanha (I, II, III, IV); Conselho Mundial dos Metodistas (I, II, III, IV); Conselho Internacional dos Congregacionalistas (I, II, III, IV); Convenção Mundial das Igrejas de Cristo - Discípulos (I, II, III, IV); Comitê Mundial dos Amigos (I, II, III, IV); Associação Internacional do Cristianismo Liberal -

I.A.R.F.(I, II, III, IV); Igreja da Índia do Sul (II, III, IV); Igreja Unida do Cristo do Japão (IV); Federação Protestante da França (IV); Conselho Mundial de Igrejas - Genebra (I, II, III, IV); Conselho Australiano de Igrejas (IV), além de vinte e dois hóspedes do Secretariado para a União dos Cristãos, presentes a título pessoal, pertencentes a estas ou a outras igrejas cristãs. AS, Appendix Altera, Tabella V, pp. 279-282.

40 ROUSE, R. and NEIL S. C., A History of Ecumenical Movement I (1517-1948; FEY, H.E., II (1948-1978, SPK, London, 1993, 4 ª ed. especialmente o cap. 15, vol. I, de Oliver Stratford Tomkins, The Roman Catholic Church and the Ecumenical Movement, 1910-1948, pp. 677-693 e o cap. 12, vol. II de Lukas Vischer, The Ecumenical Movement and the Roman Catholic Church, pp. 311-352.

41 Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração “Dominus Jesus”, sobre a unicidade e universalidade salvífica de Jesus Cristo e da Igreja. Roma, 06-08-2000. A Declaração de fato só foi publicada e apresentada oficialmente pelo Cardeal Joseph Ratzinger a 08-09-2000. Para uma leitura crítica da Declaração à luz do Vaticano II, cfr.

BOFF, Leonardo, “Quem subverte o Concílio? Resposta ao Cardeal J. Ratzinger, a propósito da Dominus Jesus”.(inédito).

42 O termo latino, por outro lado, evoca más recordações no Oriente, como não deixaram de relembrar Máximos IV na última reunião da Comissão Central, em janeiro de 1962: “Se os orientais podem ser católicos sem se tornar latinos, pergunto: por que manter no Oriente, em pleno século XX, em país muçulmano, um patriarcado latino ocidental que só pode existir latinizando, em prejuízo da Igreja oriental? A latinização do Oriente empreendida pelo patriarcado latino de Jerusalém, constitui lamentável desmentido às declarações formais dos Papas, prometendo aos Orientais que retornassem à unidade que não seriam obrigados a latinizar”. A tradução desta intervenção e das intervenções do patriarca e dos demais bispos melquitas, na preparação do Concílio e durante a sua realização, foi publicada no Brasil: MOUALLEM, Kyr Pierre, A Igreja Greco-Melquita no Concílio - Discursos e notas do Patriarca Máximo IV e dos Prelados de sua Igreja no Concílio Ecumênico Vaticano II, Eparquia Melquita do Brasil - Loyola, São Paulo, 1992, pp. 162.

25

Com a reforma protestante, na tradição luterana, a Igreja Latina passou a ser

chamada de Igreja Romana e, atualmente, de Igreja Católica Romana (ICR), nome que lhe é atribuído na literatura do Conselho Mundial de Igrejas.

A Igreja Latina, por sua vez, nos tempos do Tridentino, quando a contradição

religiosa principal, liquidada pela tomada de Constantinopla pelos turcos (29-05-1453), deixou de ser entre latinos e gregos, e foi substituída pela tensão entre católicos e

protestantes, passou a autodenominar-se Igreja Católica Apostólica Romana, ou

simplesmente Igreja Católica.

Durante o Concílio, os católicos orientais reagiram fortemente à identificação

entre o ser “católico” e o ser “romano”. Reivindicando a sua plena catolicidade e sua

comunhão com Roma, não se sentiam, nem por isso, latinos ou romanos e, sim, orientais.

É lapidar a intervenção do Patriarca Antioqueno dos Melquitas, Máximos IV Saigh, sobre a questão em tela, durante a I Sessão do Concílio. Recusando-se a falar em latim, a língua oficial do Concílio, causou sensação ao quebrar, propositalmente, o regulamento e dirigir-se em francês à Assembléia.

“Il ne faut pas oublier en effet qu’on s’adresse ici à l’Église orientale. Église

pleinement apostolique dans ses éléments constitutifs, et nettement distincte de la latinité.

C’est une Église première-née du Christ et des Apôtres. Son développement et son

organisation historique sont l’exclusive oeuvre des Pères, de nos Pères grecs et orientaux.

Elle doit ce qu’elle est au Collège des Apôtres, toujours vivant dans l’épiscopat en

collégialité, avec Pierre en son centre, avec ses responsabilités et ses droits distinctifs.

Cette Église ne doit historiquement au Siège Romain ni son origine, ni ses rites,

ni son organisation, ni rien de ce qui la fait concrètement. En bref, nul ne l’a engendrée dans la foi hors les Apôtres; personne, hormis les Pères, ne l’a constituée dans tout son patrimoine de prière, d’organisation et d’activité. Peut-on dire que les Saints Basile, Grégoire, Cyrille, Chrysostome et autres sont des catholiques de second rang, parce que non romains en tout ce qu’ils ont reçu et tout ce qu’ils ont legué?43”

Assim, pois, os melquitas católicos sentem-se plenamente em comunhão com

Roma, mas de modo algum aceitam ser caracterizados como romanos ou identificados com

a Igreja Católica “Romana” ou, na sua linguagem, com a Igreja “Latina”. Por outro lado, sentem-se cultural e espiritualmente parte integrante do oriente cristão e da herança

43 Intervenção de Máximos IV Saigh, Patriarca Antioqueno dos Melquitas na XXVIII Congregação Geral (27/11/1962). AS I/3, 616-618. MOUALLEM, o. cit. pp. 341-343.

26

“ortodoxa”, sentindo-se chamados a serem uma ponte para restabelecer a antiga comunhão

(sobornost) entre oriente e ocidente.

Esta flutuação no vocabulário, dentro do atual quadro de relações ecumênicas

e das transformações internas da Igreja Católica, em boa parte desencadeadas pelo

Vaticano II, leva-me a referir-me à “Igreja Católica”, como “Igreja Latina”, quando estão em jogo suas relações com os orientais católicos ou ortodoxos; como “Igreja Católica

Romana” (ICR), quando se considera o modo de os protestantes e, em particular, de os

luteranos a chamarem; e “Igreja Católica” simplesmente, no uso corrente do Brasil, sem

contudo negar o caráter de “catolicidade” a outras igrejas que o reivindicam.

Se o olhar do outro é sempre um elemento revelador da própria identidade,

pelo menos sob o ângulo daquele que a capta, deixo o registro do balanço de um dos

pioneiros do ecumenismo, o Professor grego-ortodoxo, Alivisatos de Atenas, ao final do

Concílio, depois que Roma e Constantinopla haviam levantado, simultaneamente, as

condenações mútuas, datando de 1054: “Par la célébration de ce Concile, l’Église

Catholique romaine, de catholique est devenue, sans conteste, oecuménique”44.

Mesmo no interior do que se costuma chamar de Igreja Católica Romana, é

preciso estar atento a identidades próprias, herdadas do passado e não de todo abolidas.

Assim, a Igreja de Milão conserva sua antiga liturgia que remonta ao século V, o Rito

Ambrosiano, e não a Liturgia Romana; na Igreja de Toledo, na Espanha, até hoje, se

preserva o rito mozarábico em algumas de suas paróquias e numa capela da Catedral.

Durante o Concílio, os Bispos da Espanha imprimiram e ofereceram a Paulo VI, o Ordo Missae Ritu Mozarabico peragendae 45. Braga, em Portugal e Lyon, na França, mantiveram, até a reforma litúrgica do Vaticano II, peculiaridades litúrgicas próprias. Ordens religiosas, como os dominicanos, continuam conservando também o seu próprio rito.46

44 ALIVISATOS, jornal Virma (A Tribuna). Atenas, 9-11/01/1966, citado por WENGER, Antoine, Vatican II - Chronique de la Quatrième Session. Paris: Editions du Centurion, 1966 IV, p. 466.

45 Na introdução ao folheto da celebração foi colocado um breve excurso histórico do rito: “Liturgia mozarabica liturgia occidentalis est et latina, efformata ac evoluta in Hispania sub dominatione wisigothorum, maxime ab eorum conversione, anno 589, usque ad initium saec. VIII. Hinc vetus hispanicus ritus melius et proprius liturgia hispanowisigothica vel, ut saepe dicitur, “toletana” denominaretur quia Toletum, caput regni, centrum religiosum et sedes conciliorum, recognitione ordinum, textuum et melodiae unitati cultuali norma fuit. Non raro etiam ritus isidorianus nuncupatur”. Ordo Missae Ritu Mozarabico peragendae. Toleti: Editorial Catolica Toledana, 1963.

46 “Nell’Ocidente finì col prevalere universalmente la liturgia derivata da Roma. Anche l’antichissima liturgia gallicana, largamente diffusa e che fornì alle liturgie locali ed anche alla romana non pochi elementi, venne sostituita, dall’epoca di Carlo Magno, con la liturgia romana. Similmente nel secolo XI successe per la liturgia ispana o mozarabica, in certi elementi vicina alla gallicana (e che fu poi fatta rivivere nel secolo XVI dal Car. Ximénez de Cisneros in uma cappella della Cattedrale ed alcune parrocchie di Toledo dove tuttora si conserva). Nell’Arcidiocesi di Milano (nonchè in diverse parrocchie delle diocesi di Bergamo, Novara, Pavia e 27

Por outro lado, após o Vaticano II, é preciso registrar a diversidade que vai

emergindo nas Igrejas da Ásia, África e América Latina, conquistando, cada uma delas, seu rosto próprio. Estas Igrejas estão em comunhão com Roma, mas trilhando o caminho de

uma crescente inculturação lingüística, litúrgica, pastoral e teológica. Nota-se, nelas, uma progressiva diversidade que, sociológica e historicamente, não permite mais caracterizá-las simplesmente como igrejas “latinas” ou “romanas”.

As Igrejas Católicas Orientais serão aqui chamadas cada uma por seu nome

próprio: Copta Católica, Melquita47, Maronita48, Ucraniana49, Armena50, e assim por diante.

As quatro últimas estão hierarquicamente organizadas no Brasil, existindo ainda um

Ordinariato para os fieis de Ritos Orientais, com sede no Rio de Janeiro, RJ, circunscrição pessoal para aqueles que não contam com um ordinário do próprio rito.51

O Concílio Vaticano II significou, para a Igreja Católica, um divisor de águas, o

fim de uma época e o início de outra, pois encerrou, de certo modo, a longa fase

inaugurada com o Concílio de Trento (1545-1563), fase de ruptura com o nascente mundo

moderno e de confronto com as correntes espirituais, culturais e políticas que emergiram do conjunto da renascença e de modo particular, da reforma protestante.

O catolicismo latino, com o rosto que perdurou até a década de 60 deste

século, foi fruto direto da reforma católica selada pelas orientações doutrinais e

institucionais do Concílio de Trento52. Para Marc Venard, o Concílio de Trento “abre o

Lugano) sussiste attualmente la liturgia ambrosiana, riordinata da S. Carlo Borromeo. Varie peculiarità di liturgie locali furono soppresse dal Concilio di Trento non avendo autorità da due secoli; ne sopravvissero invece alcune fino al Concilio Vaticano II nelle Arcidiocesi di Braga e di Lione ed in famiglie religiose, ad. es.

presso i Domenicani e i Certosini.” AP 1994, p. 1716.

47 Eparquia de Nossa Senhora do Paraíso, em São Paulo, para os fiéis de Rito Melquita, criada a 29/11/1971, sufragânea da Arquidiocese de São Paulo e pertencente ao Patriarcado de Antioquia dos Gregos Melquitas.

48 Eparquia de Nossa Senhora do Líbano de São Paulo, para os fiéis do Rito Maronita, criada a 29/11/1971, sufragânea da Arquidiocese de São Paulo e pertencente ao Patriarcado Maronita de Antioquia.

49 Eparquia de São João Batista de Curitiba. O Exarcado Apostólico para os fiéis do Rito Ucraniano, foi criado a 20/05/1962 e elevado a Eparquia sufragânea da Arquidiocese de Curitiba a 29/11/1971. Pertence à tradição ritual constantinopolitana ou bizantina.

50 Exarcado Apostólico Armeno para a América Latina e o México, criado a 03/07/1981, tem sua sede em São Paulo e pertence ao Patriarcado Armeno de Sis e Cilícia.

51 O Ordinariato para os fiéis de Ritos Orientais foi criado em 14/11/1951 e tem sua sede na Arquidiocese do Rio de Janeiro, tendo sido o Cardeal Dom Jaime de Barros Câmara (1951-1971), o seu primeiro ordinário.

52 Reforma ou Contra-Reforma? Para este debate, leia-se Chaunu que consegue escapar ao dilema e definir o período todo como um longo tempo de “reformas”. Ele abre o seu estudo, já um clássico da reinterpretação historiográfica do período, escrevendo: “Cet essai est consacré à ce que l’on est tenté d’appeler, dans um premier mouvement, les deux Réformes de l’Eglise. Mieux vaut dire le temps des deux Réformes de l’Église. La problematique des deux Réformes, réforme protestante d’abord, réforme catholique ensuite - plus et mieux que Contre-Réforme, ce calque un peu limitatif de la Gegen Reformation des histoirens allemands de la fin du siècle dernier --, constitue incontestablement un progrès par rapport à la problématique 28

novo tempo do catolicismo como confissão nascida no seio de uma cristandade dividida.

Resposta tardia ao drama da revolta de Lutero, o Concílio de Trento deverá dar uma

definição a todos os pontos controvertidos do dogma católico e reformar as práticas, e, sobretudo, o espírito da velha Igreja, tendo em vista melhor equipá-la para o confronto com as suas jovens rivais”53.

Já à luz da grande virada do Vaticano II, Hubert Jedin, o principal historiador

do Tridentino, que iniciou sua pesquisa vinte anos antes do Vaticano II e só a concluiu depois do término do Concílio, alerta, entretanto, que a herança de Trento permanece e é parte do debate na renovada busca da identidade católica no período pós-conciliar.54

De outra parte, o Vaticano II representou, para a Igreja Católica no Brasil, uma

ocasião impar em sua história, reorganizando-a, não só internamento, mas inserindo-a

também num complexo tecido de relações com as demais igrejas do mundo todo, com as

outras igrejas da América Latina e redefinindo suas relações com o centro romano. Usando uma imagem dos dias de hoje, o Vaticano II, tirou a Igreja do Brasil duma relativa

des histoires religieuses confessionnelles (les Anglais diraient dénominationnelles) et, plus limitativement encore, institutionelles qui ont continué d’imposer leurs limites presque jusqu’au milieu du siècle. Au plan des grands traités d’histoire générale, cette manière de fractionner une continuité tronquée et perdue aboutissait aux chapitres séparés, ballottés, où, lontemps après Luther, Calvin, Knox, Elisabeth, les guerres de Religion, émergeaient les articles du concile de Trente, l’oeuvre de saint Charles Borromée, les colonnades de Maderna et puis, plus tard, dans un tout autre environnement, Bérulle, Pascal, les tensions tragiques d’un siècle de saints, classiques et français. Cette problematique des deux Réformes en continuité, Lucien Febvre l’avait entrevue, lui qui a retrouvé, au coeur religieux du XVI siècle, le cheminement spirituel de Martin Luther - un destin qui domine bien plus qu’un long XVI siècle -, dans un survol lucide et intelligent des lourds et savants in -quarto de l’éruditon allemande; il a déblayé le terrain. Il a manqué à Lucien Febvre encore un peu de temps, un peu de familiarité avec le XVII siècle et un peu plus de sympathie pour la spiritualité catholique pour imposer, avec son talent et son autorité, la problématique des deux Réformes en continuité”.

CHAUNU, Pierre, Les Temps des Réformes - La crise de la chrétienté: l’éclatement 1250-1550. Paris, Fayard, 1975, p.

9. Na verdade, Chaunu irá falar não de duas reformas, dramaticamente opostas no passado, hoje reconciliadas, mas sim de quatro: a dos que buscaram reformar a igreja na idade média, entre os séculos XI e XIV, protestante - luterana e calvinista -, a reforma católica e os anabatistas, unitários e outras correntes

“heterodoxas”. Ibidem, pp. 10-12.

53 VENARD, Marc, “O Concílio Lateranense V e o Tridentino”, in G. ALBERIGO (org.) o. cit. p.

317.

54 Concluindo a redação de sua monumental História do Concílio de Trento, que ocupou 35 anos de sua vida, já nos anos posteriores (1973) ao Concílio Vaticano II, H. Jedin, comentava o renascer das controvérsias sobre o significado do Tridentino: “Cuando tomé la decisión de escribir la historia del concilio de Trento, por el hecho de que se conocían las fuentes más importantes, parecía que era la salida de la lucha secular de las confesiones y entrada en la atmósfera más fría de la historiografía no partidista. Ahora que entrego la obra terminada, este Concílio ha entrado de nuevo a ocupar el centro de la controvérsia eclesial, pero menos confesional que en el interior del mundo católico. Desde la perspectiva del ecumenismo y de la reflexión de los católicos sobre sí mismos, después del Concílio Vaticano II, por unos es considerado como un obstáculo para la reunificación de las iglesias cristianas, por otros como el baluarte de la actitud de la confrarreforma, por otros en fin como la suma y compendio de la auténtica tradición. Este libro no entra directamente en esta disputa de partidos, no es bajo ningún aspecto un escrito polémico. Pero hace hablar a los hechos. El lector atento, que yo deseo para este libro, se verá sorprendido por su lectura no menos que su autor, cuando se dé cuenta de que mucho, y aún casi todo lo que entonces excitaba a las personas, hoy nos está encomendado de nuevo.”, JEDIN H., Historia del Concilio de Trento - 4/II t.: Tercer Período - Conclusión, o.

cit., p. 11.

29

marginalidade no seio da Igreja universal, para a condição de uma global player, na

complexa rede pastoral, espiritual, institucional e doutrinal do catolicismo contemporâneo.

Este passo a Igreja do Brasil o deu, junto com o restante da América Latina, que

protagonizou as conferências de Medellin (1968), Puebla (1979) e Santo Domingo (1992),

mas, de maneira preeminente, pelo seu peso específico, pelo dinamismo de sua base

eclesial, pela diversidade e qualidade de sua produção teológica e last but not least, pela continuidade nas orientações e opções da CNBB, calcadas em profunda fidelidade às

grandes linhas do Vaticano II.55

Este estudo faz-se tanto mais urgente, quanto a geração de bispos brasileiros

que participou do Vaticano II, está deixando definitivamente o cenário de

responsabilidades diretas na direção da CNBB, assim como o do pastoreio quotidiano no

governo de suas dioceses. Enquanto na anterior direção da CNBB, eleita a 15 de maio de

1995, para um mandato de quatro anos, havia ainda três bispos56 sobre 33 que haviam

tomado parte no Concílio Vaticano II, na nova direção eleita a 19 de abril de 1999, nenhum dos integrantes dos seus órgãos diretivos: presidência57, CEP (Comissão Episcopal de

Pastoral)58, Conselho Permanente59 ou a CED (Comissão Episcopal de Doutrina)60,

participou do Concílio.

55 Para se avaliar, de um lado, os muitos dos percalços sofridos pela CNBB e, de outro, sua capacidade de administrar pressões em contrário, guardando substancial coerência na sua trajetória, cfr. BEOZZO, José Oscar, “Tensão e diálogo: As relações entre a Santa Sé e a Igreja do Brasil”, in BEOZZO, J.O., A Igreja do Brasil de João XXIII a João Paulo II, de Medellin a Santo Domingo. Petrópolis: Vozes, 1993, 1996 2a.ed., pp. 207-303. Igualmente, REGAN, David, Igreja para a Libertação - Retrato pastoral da Igreja no Brasil. São Paulo: Paulinas, 1986; QUEIROGA, G.F. de, Conferencia Nacional dos Bispos no Brasil, CNBB - Comunhão e Corresponsabilidade. São Paulo: Paulinas, 1977.

56 Na CEP (Comissão Episcopal de Pastoral), Dom José Ivo Lorscheiter, bispo de Santa Maria, encarregado do ecumenismo e do diálogo inter-religiosos que já havia sido por duas vezes secretário geral (1972-1974 e 1974-1978) e, por duas vezes, presidente da CNBB (1979-1982 e 1983-1986); no Conselho Permanente, Dom Eugênio de Araújo Sales, cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, em representação do Regional Leste I e, na CED (Comissão Episcopal de Doutrina), Dom Aloísio Lorscheider, cardeal arcebispo de Fortaleza (1973-1995) e depois de Aparecida do Norte (1996-2000), que fora secretário geral (1968-1972) e, por duas vezes, presidente da CNBB (1972-1974 e 1974-1978).

57 Incluímos, para cada um deles, sua data de nascimento e elevação ao episcopado, todas elas posteriores ao término do Concílio, a 8 de dezembro de 1965. Presidência da CNBB - Presidente: Dom Jayme Henrique Chemello, bispo de Pelotas RS (n. 28-07-1932; e. 30-11-83); Vice-presidente: Dom Marcelo Pinto Carvalheira, arcebispo de João Pessoa PB (n. 01-05-1928; e. 05-11-1975); Secretário Dom Raymundo Damasceno Assis, bispo auxiliar de Brasília DF (n. 15-02-1937; e. 25-06-1986).

58 Comissão Episcopal de Pastoral (CEP): Dimensão Comunitária participativa - Setor Vocações e Ministérios: Dom Angélico Sândalo Bernadirno, bispo de Blumenau SC (n. 19-01-1933; e. 12-12-1979); Dimensão Comunitária Participativa - Setores Leigos, Juventude e Comunidades Eclesiais de Base (CEBs): Dom Mauro Montagnoli, bispo de Ilhéus, BA (n. 04-07-1945; e. 20-12-1995); Dimensão Missionária - CCM -

CENFI - SCAI - CIMI - COMINA: Dom Erwin Kräutler, bispo prelado de Xingu, PA (n. 12-07-1939; e. 07-11-1980); Dimensão Bíblico-Catequética: Dom Frei Francisco Javier Hernando Arnedo, OAR, bispo de Tianguá, CE (n. 13-01-1941; e. 06-03-1991); Dimensão Litúrgica e Santuários: Dom Geraldo Lyrio Rocha, bispo de Colatina, ES (n. 14-03-1942; e. 14-03-1984); Dimensão Ecumênica e de Diálogo Inter-religioso, Setor de Ensino Religioso Dom João Oneres Marchiori, bispo de Lages, SC (n. 02-05-1933, e. 25-01-1977); 30

Dos 311 bispos em função no Brasil, apenas 2 encontram-se entre os que

responderam à consulta de João XXIII, enviada pelo Cardeal Tardini, em carta de 18 de

junho de 195961, durante a fase ante-preparatória do Concílio: Dom Eugênio de Araújo

Sales62, cardeal arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ (n. 08-11-1920; e. 01-06-1954), então, jovem bispo auxiliar da diocese de Natal, RN e que respondeu

individualmente à mesma e Dom Serafim Fernandes de Araújo63, cardeal arcebispo de Belo

Horizonte (n. 13-08-1924), na época, bispo auxiliar da arquidiocese de Belo Horizonte, que subscreveu a resposta coletiva enviada pela província eclesiástica de Belo Horizonte.

Entre todos estes 311 bispos, restam na ativa apenas 8, que tomaram parte em

todos ou em algum dos quatro períodos conciliares, ou seja, 2,8% do atual episcopado.

Destes, 5 entregaram ultimamente sua carta de renúncia ao Papa, por já terem completado Dimensão Sócio Transformadora - Setor de Pastoral Social, Caritas, Comissão Brasileira de Justiça e Paz: Dom Jacyr Francisco Braido, CS, bispo de Santos, SP (n. 17-04-1940; e. 22-05-1995); Dimensão Sócio Transformadora - Setores de Comunicação Social e Cultura, Pastoral Universitária: Dom Décio Zandonade, SDB, bispo auxiliar de Belo Horizonte, MG (n. 02-12-1942; e. 11-12-1996); Dimensão Sócio-Transformadora. Pastoral da Criança, Pastoral Familiar, Educação: Dom Aloysio José Leal Penna, SJ, arcebispo de Botucatu, SP (n. 07-02-1933; e. 23-05-1984).

59 O Conselho Permanente é constituído pelos presidentes dos Regionais da CNBB: N 1 - Dom José Maria Pinheiro - bispo auxiliar de Guajará-Mirim, RO (n. 31-07-1938; e. 12-02-1997); N 2 - Dom Vicente Joaquim Zico, CM, arcebispo de Belém do Pará, PA (n. 27-01-1927; e. 05-12-1980); NE 1 - Dom Aldo di Cillo Pagotto, SSS, bispo de Sobral (n. 16-09-1949; e. 10-09-1997); NE 2 - Dom Antônio Soares Costa, bispo de Caruaru, PE (n. 18-06-1930; e. 02-12-1971); NE 3 - Dom Ricardo Josef Weberberger, OSB, bispo de Barreiras, BA (n. 05-09-1939; e. 21-05-1979); NE 4 - Dom Augusto Alves da Rocha, bispo de Picos, PI (n.

17-07-1933, e. 28-5-1975); NE 5 - Dom Affonso Felippe Gregory, bispo de Imperatriz, MA (n.06-02-1930; e.

08-08-1979): L 1 - Dom Frei Alano Maria Pena, OP, bispo de Nova Friburgo, RJ (n. 07-10-1935; e. 09-04-1975); L 2 - Dom Paulo Lopes de Faria, arcebispo de Diamantina, MG (n. 24-02-1931; e. 12-11-1980); S 1 -