Padrões e condicionantes da dinâmica da paisagem na floresta com bambus do Parque Estadual... por Luciana Spinelli de Araujo - Versão HTML

ATENÇÃO: Esta é apenas uma visualização em HTML e alguns elementos como links e números de página podem estar incorretos.
Faça o download do livro em PDF, ePub, Kindle para obter uma versão completa.

Universidade de São Paulo

Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”

Centro de Energia Nuclear na Agricultura

Padrões e condicionantes da dinâmica da paisagem

na floresta com bambus do Parque Estadual Intervales, SP

Luciana Spinelli Araujo

Tese apresentada para obtenção do título de Doutor em

Ecologia Aplicada

Piracicaba

2008

Luciana Spinelli Araujo

Engenheira Florestal

Padrões e condicionantes da dinâmica da paisagem

na floresta com bambus do Parque Estadual Intervales, SP

Orientador:

Prof. Dr. GERD SPAROVEK

Tese apresentada para obtenção do título de Doutor em

Ecologia Aplicada

Piracicaba

2008

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

DIVISÃO DE BIBLIOTECA E DOCUMENTAÇÃO - ESALQ/USP

Araujo, Luciana Spinelli

Padrões e condicionantes da dinâmica da paisagem na floresta com bambus do

Parque Estadual Intervales, SP / Luciana Spinelli Araujo. - - Piracicaba, 2008.

126 p. : il.

Tese (Doutorado) - - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, 2008.

Bibliografia.

1. Bambu – Mata Atlântica 2. Dinâmica temporal 3. Paisagem 4. Sensoriamento

remoto I. Título

CDD 633.587

A663p

“Permitida a cópia total ou parcial deste documento, desde que citada a fonte – O autor”

3

Dedico

A Sidney e Sidney Jr., minhas eternas luzes...

4

AGRADECIMENTOS

Agradeço sinceramente as muitas pessoas que contribuíram, direta e indiretamente, para a realização deste trabalho. Espero representar aqui uma parte deste universo...

A FAPESP, pela concessão da bolsa e apoio aos projetos vinculados (03/12485-7, 04/13047-6 e 1999/09635-0).

A ESALQ/USP/CENA e a todo o corpo de funcionários.

Ao Dr. Gerd Sparovek, pela orientação e auxílio no direcionamento do projeto.

Ao Dr. Ricardo Rodrigues, pelas contribuições e, especialmente, por ter plantado a semente do Projeto Bambu.

Ao Dr. João Roberto dos Santos, pelas infinitas contribuições e, principalmente, pela disponibilidade, apoio e amizade.

Ao Prof. Carlos Tadeu Santos Dias, pela parceria nas análises estatísticas.

Ao Instituto Florestal de São Paulo, pela cessão das fotos aéreas e apoio no decorrer do Projeto.

A Fundação Florestal de São Paulo, em especial a Sandra Leite e Maurício Marinho, pelo apoio ao Projeto.

Ao Projeto “Diversidade, dinâmica e conservação em Florestas do Estado de São Paulo: 40ha de parcelas permanentes” (BIOTA/FAPESP) e seus integrantes, pela oportunidade de aprendizagem.

As equipes dos Planos de Manejo dos Parques Estaduais Intervales e Carlos Botelho, pela convivência e colaboração mútua.

Aos funcionários e agregados do Parque Estadual Intervales, em especial ao Elizeu, Luiz, Faustino, Robson, Zé Floido, Zarife e Lucy, pela companhia nos longos campos e por compartilhar tantos conhecimentos da região.

Aos entrevistados anônimos, que colaboraram com o levantamento do histórico do PEI.

Aos pesquisadores e colegas do INPE, em especial a Márcio Valeriano e Herman Kux, pelas colaborações neste período de doutorado, e a Paulo César Gurgel de Albuquerque, pelo apoio no campo de Carlos Botelho.

A Alessandra Gomes e Luciana Soler, pelas discussões sobre SIGś e afins.

Aos pesquisadores Bruce Nelson, Marcos Silveira, Débora Rother, Renato Lima, Gilberto Terra e Cláudia Nogueira, pelas valiosas trocas de idéias sobre os bambus, Eduardo Araújo e Eduardo 5

Pinheiro, pelo auxílio no processamento de imagens, e Leonardo Meireles, pelas discussões estatísticas.

A Dra. Natália Ivanauskas, pelas sugestões no exame de qualificação.

A Dra. Ana Paula Gonçalves, pela identificação botânica e, principalmente, por compartilhar a paixão pelos bambus.

Aos integrantes do grupo de discussão Bambu Brasil, por compartilhar conhecimentos e dúvidas do universo bambu.

A Gislaine Cipriano, pelo auxílio e paciência na organização dos recursos e relatórios do Projeto.

A Cecília Haddad, Cibele Oliveira, Denise Melo, Renata Momoli e Roberta Montolar, grandes amigas, pela cumplicidade e apoio nos meus melhores e piores momentos em Piracicaba.

Ao Grupo CECu – Sady, Othon, Henrique, Guilherme, Camila, Biba, Renata e demais agregados, pelos bons filmes e conversas nas divertidas noites de quinta-feira em Pira.

Aos companheiros de Rucas – Rafael, Patrícia, Wirifran, Luciélio, Bruno, Gisele, Vanderlei, Carlos etc., pelo essencial momento diário de café & filosofias.

Ao povo itinerante da salinha de geoprocessamento, pelo convívio e amizade.

A Diléia, Joseline, Marilene e Lila, amigas que me acolheram na minha chegada a ESALQ.

Aos meus muitos amigos de Caçapava – Lucas, Denis, Cláudia, Carla, Ju, Marcão e todos os demais, pela torcida e compreensão (!) nos períodos de ausência.

As famílias Spinelli & Araujo, em especial ao irmão e grande amigo Eduardo, a avó Rosa e a minha mãe Neusa, por estarem comigo, mesmo distantes, em todos os momentos importantes.

Às energias que me acompanham, orientando e iluminando meu caminho...

“que a fé não costuma faiá" ...

6

“Não é o mais forte da espécie que sobrevive, nem o mais inteligente;

é o que melhor se adapta às mudanças.”

Charles Darwin

7

SUMÁRIO

RESUMO ............................................................................................................................... 10

ABSTRACT ........................................................................................................................... 11

1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 12

Referências ............................................................................................................................. 15

2 A DINÂMICA ESPAÇO-TEMPORAL DA PAISAGEM (1960-2000) DO PARQUE

ESTADUAL INTERVALES .................................................................................................

17

Resumo ...................................................................................................................................

17

Abstract .................................................................................................................................. 17

2.1 Introdução ........................................................................................................................ 17

2.1.1 Objetivo ......................................................................................................................... 20

2.2 Área de Estudo ................................................................................................................. 20

2.3 Metodologia ..................................................................................................................... 21

2.3.1 Coleta de relatos orais ................................................................................................... 21

2.3.1.1 Entrevistas .................................................................................................................. 22

2.3.1.2 Oficina participativa ................................................................................................... 22

2.3.2 Análise temporal de fotos aéreas ..................................................................................

22

2.4 Resultados ........................................................................................................................ 23

2.4.1 Análise documental ....................................................................................................... 23

2.4.2 Relatos orais .................................................................................................................. 25

2.4.2.1 Síntese das entrevistas ................................................................................................ 25

2.3.2.2 Síntese da oficina participativa ..................................................................................

29

2.4.3 Análise temporal de fotos aéreas .................................................................................

29

2.5 Discussão ......................................................................................................................... 36

2.6 Conclusões ....................................................................................................................... 40

Referências ............................................................................................................................. 41

8

3 ASPECTOS FISIONÔMICO-ESTRUTURAIS DA VEGETAÇÃO NA

CARACTERIZAÇÃO DA PAISAGEM DO PARQUE ESTADUAL INTERVALES........

44

Resumo ...................................................................................................................................

44

Abstract .................................................................................................................................. 44

3.1 Introdução ........................................................................................................................ 44

3.1.1 Objetivo ......................................................................................................................... 46

3.2 Área de Estudo ................................................................................................................. 47

3.3 Metodologia ..................................................................................................................... 48

3.4 Resultados ........................................................................................................................ 49

3.4.1 Bambus do PEI ..............................................................................................................

49

3.4.1.1 Guadua Kunth ............................................................................................................

49

3.4.1.2 Chusquea Kunth .........................................................................................................

51

3.4.1.3 Merostachys Spreng. ..................................................................................................

53

3.4.2 Caracterização da paisagem ..........................................................................................

54

3.5 Discussão ......................................................................................................................... 62

3.6 Conclusões ....................................................................................................................... 65

Referências ............................................................................................................................. 66

4 IMAGENS DE ALTA-RESOLUÇÃO NA ANÁLISE DOS ASPECTOS

ECOLÓGICOS ASSOCIADOS À DINÂMICA DA PAISAGEM FLORESTAL COM

BAMBUS DO PARQUE ESTADUAL INTERVALES........................................................

71

Resumo ...................................................................................................................................

71

Abstract .................................................................................................................................. 71

4.1 Introdução ........................................................................................................................ 73

4.1.1 Objetivo ......................................................................................................................... 74

4.2 Área de Estudo ................................................................................................................. 75

4.3 Metodologia ..................................................................................................................... 75

4.4 Resultados ........................................................................................................................ 76

4.5 Discussão ......................................................................................................................... 81

4.6 Conclusões ....................................................................................................................... 85

Referências ............................................................................................................................. 86

9

5 FATORES CONDICIONANTES DA OCORRÊNCIA E DOMINÂNCIA DAS

FLORESTAS COM BAMBUS NO PARQUE ESTADUAL INTERVALES.......................

89

Resumo ...................................................................................................................................

89

Abstract .................................................................................................................................. 89

5.1 Introdução ........................................................................................................................ 89

5.1.1 Objetivo ......................................................................................................................... 94

5.2 Metodologia ..................................................................................................................... 94

5.2.1 Dados de entrada ........................................................................................................... 94

5.2.1.1 Variáveis biológicas ................................................................................................... 94

5.2.1.2 Variáveis históricas .................................................................................................... 94

5.2.1.3 Variáveis ambientais .................................................................................................. 95

5.2.1.4 Variáveis cartográficas ............................................................................................... 96

5.2.2 Análise dos dados ..........................................................................................................

96

4.3 Resultados ........................................................................................................................ 96

5.4 Discussão ......................................................................................................................... 99

5.5 Conclusões ....................................................................................................................... 107

Referências ............................................................................................................................. 108

6 CONSIDERAÇÕES SOBRE A FLORESTA COM BAMBUS DO PARQUE

ESTADUAL INTERVALES: CENÁRIOS ATUAL E FUTURO......................................... 113

ANEXO .................................................................................................................................. 118

10

RESUMO

Padrões e condicionantes da dinâmica da paisagem na floresta com bambus do Parque Estadual Intervales, SP

No Contínuo de Paranapiacaba, remanescente representativo do bioma Mata Atlântica formado pelos Parques Estaduais Intervales, Carlos Botelho e Alto Ribeira e a Estação Ecológica de Xitué, florestas com ocorrência dominante de bambus são, atualmente, integrantes da paisagem, perfazendo extensa área dessas Unidades de Conservação do sul do Estado de São Paulo. Este trabalho teve como proposta descrever o cenário dessas florestas com bambus, a partir da análise dos padrões e condicionantes dessa paisagem no Parque Estadual Intervales (PEI). O

trabalho partiu da hipótese de que a ocorrência dominante dessas áreas com bambu seja conseqüência de perturbações históricas. A análise temporal de fotos aéreas recobrindo o período de 1960 a 2000, apresentado no Capítulo 2, possibilitou espacializar e caracterizar os diferentes processos de ocupação no Parque, com a dinâmica da paisagem sendo associada a dois principais vetores de perturbação, atividades de roça e exploração de palmito juçara ( Euterpe edulis), que ocorreram de forma desordenada, intensa e recorrente na extensa área entre a Sede e as bases Carmo e São Pedro. A partir da caracterização da vegetação discutida no Capítulo 3, os padrões da paisagem atual do PEI foram associados, fundamentalmente, às áreas florestais sem e com ocorrência dominante de bambus das espécies Guadua tagoara (Nees) Kunth, Chusquea oxylepis (Hack.) Ekman, Chusquea sp. e Merostachys sp., que interferem na estrutura florestal. Os padrões da paisagem relacionados à ocorrência dominante, dinâmica e histórias de vida das diferentes espécies de bambus refletem nos padrões identificados na imagem QuickBird no Capítulo 4, possibilitando delimitar grandes clareiras ocupadas por populações de bambus internamente sincronizadas. A relação dessa dominância de bambus e alguns fatores naturais e antrópicos foram abordados no Capítulo 5, com os resultados direcionando para o modelo de que o evento de dominância por bambus é potencializado por perturbações naturais e/ou antrópicas, e quando estabelecidos, os bambus tornam-se o próprio agente de perturbação do ecossistema, resultando em uma possível homogeneização permanente da paisagem. A integração de informações nas diversas escalas de observação permitiu o entendimento do contexto dessa floresta com bambu, evidenciando a necessidade de escalas adequadas aos estudos nessa paisagem. Na escala local, considerando os indivíduos e populações, foi possível a caracterização das fenofases, principalmente dos ciclos reprodutivos maciços e processos de regeneração das espécies dominantes. Na escala de comunidade observaram-se as interações entre as espécies de bambus, com a ocorrência associada e sobreposição dos ciclos reprodutivos de algumas delas, e a interferência na estrutura da floresta. Na escala de paisagem, os padrões de população e comunidade de bambus foram identificados nas imagens, permitindo discutir esse padrão de dominância em relação a outras áreas com bambus, ainda que em fisionomias florestais distintas.

Os resultados encontrados contribuem para o entendimento da dinâmica da floresta com bambus do Contínuo de Paranapiacaba, possibilitando definir indicadores do processo de dominância, fundamentais para a gestão desse remanescente de Mata Atlântica.

Palavras-chave: Bambus; Mata Atlântica; Dinâmica; Paisagem; Sensoriamento remoto 11

ABSTRACT

Patterns and conditioning factors of landscape dynamic at the bamboo forests from Intervales State Park, SP

The so-called region “Continuous from Paranapiacaba”, a representative remnant of the Atlantic Forest, is constituted by São Paulo State Parks Intervales (PEI), Carlos Botelho, Alto Ribeira and Ecological Station of Xitué. These forests that have dominant bamboo occurrences, are presently integrating the landscape at large sections within these conservation units in the southern São Paulo State. The objective of this work is to describe the scenery of such forests from the analysis of patterns and conditioning factors of the landscape at PEI. As a working hypothesis, it was assumed that the dominant occurrence of bamboo is a consequence of historical perturbations. The temporal analysis of aerial photographs covering the timeframe 1960 to 2000

presented at Chapter 2 allowed the mapping and characterization of the different processes of land occupation within the park. The landscape dynamics is associated to two main types of perturbation factors, namely to small-scale clear-cutting and to the exploitation of palm tree Euterpe edulis, which occurs disorderly, intensely and recurrently at the extensive area between the administration office and the bases of Carmo and São Pedro. From the characterization of vegetation, discussed at Chapter 3, the present landscape patterns of PEI were associated to forest areas with and without dominant occurrences of bamboo from species Guadua tagoara, Chusquea oxylepis, Chusquea sp. and Merostachys sp., which interfere at the forest structure. The landscape patterns related to the dominant and dynamic occurrence and to the histories of life from the different species of bamboo can be seen at the different patterns identified on the QuickBird image presented at Chapter 4, allowing mapping of the large clearings occupied by populations of bamboos internally synchronized. The relation between this dominance of bamboos with some natural and human factors is presented at Chapter 5 and the results are directed towards the model that the dominance event is increased by natural or human perturbations, and when bamboos are established they are themselves the perturbation agent of the ecosystem, resulting in a possible permanent homogenization of the landscape. The integration of information from different scales of observation allows the understanding of the context from this bamboo forest, evidencing the need of adequate scales to study these landscapes. At the local scale, considering the individuals and populations, it was possible to characterize the phenological phases, especially of the massive reproduction cycles and of the recovery processes of dominant species. At the scale of community, one can observe the interactions between bamboo species with the associated occurrence and superposition of reproductive cycles of some of these species, and its interference at the forest structure. At the landscape scale, the population patterns and communities of bamboos were identified at the images, permitting the discussion of this dominance pattern in relation to other areas with bamboo, but at distinct forest physiognomies. The results found in this study contribute to understand the bamboo forest dynamics of this region, permitting the definition of indicators from the dominance process, of importance for the management of this remnant from the Atlantic Forest.

Keywords: Bamboo; Atlantic Forest; Dynamic; Landscape; Remote sensing

index-13_1.png

index-13_2.png

index-13_3.jpg

index-13_4.png

12

1 INTRODUÇÃO

O bioma Mata Atlântica, considerado um importante repositório de biodiversidade, está inserido em um contexto histórico de devastação (DEAN, 1995), resultando na perda quase total de suas florestas originais e degradação dos remanescentes florestais (CAPOBIANCO, 2001).

Inserido na política ambiental brasileira, o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, SNUC (BRASIL, 2008), tem como compromisso, entre outros, contribuir para a preservação e a restauração da diversidade de ecossistemas naturais e para a manutenção da diversidade biológica no território nacional.

O Estado de São Paulo possui o maior número de Unidades de Conservação no Domínio da Mata Atlântica (CAPOBIANCO, 2001), destacando-se aqui o Contínuo Ecológico de Paranapiacaba (Figura 1.1), que soma cerca de 150 mil hectares de vegetação composta quase que integralmente de Floresta Ombrófila Densa. Formado pelos Parques Estaduais Intervales, Carlos Botelho e Alto Ribeira e a Estação Ecológica de Xitué, o Contínuo situa-se entre a Serra de Paranapiacaba, nome regional dado a Serra do Mar no momento em que se afasta do oceano, e o Vale do Ribeira, entre os Rios Paranapanema e Rio Sorocaba/Médio Tietê, ao norte, e o Ribeira do Iguape, ao sul, abrangendo 12 municípios da região sudoeste desse Estado (FUNDO

BRASILEIRO PARA A BIODIVERSIDADE - FUNBIO, 2008).

o 48º40’

o 48º30’

o 48º20’

o 48º10’

o 48º00’

o 47º50’

s 24º05’

s 24º05’

PECB

s 24º15’

EEX

s 24º15’

PEI

s 24º25’

s 24º25’

PETAR

s 24º35’

s 24º35’

8

0

8

1 km

o 48º40’

o 48º30’

o 48º20’

o 48º10’

o 48º00’

o 47º50’

Figura 1.1 - Contínuo Ecológico de Paranapiacaba, formado pelos Parques Estaduais Intervales (PEI), Carlos Botelho (PECB) e Alto Ribeira (PETAR) e a Estação Ecológica de Xitué (EEX); imagem TM/Landsat de 18/07/1994

13

Atualmente, um dos focos de discussão nos Planos de Manejo dessas Unidades de Conservação do Contínuo são as extensas áreas de florestas com ocorrência dominante de bambus (SÃO PAULO 2007, 2008), que somado às freqüentes pressões antrópicas que estas áreas estão sujeitas, ameaçam a diversidade local. Os recentes levantamentos evidenciam a necessidade de conhecimento das características peculiares desse fragmento, essencial para o planejamento de políticas públicas visando à conservação e preservação deste bioma.

Pertencente a Família Poaceae, os bambus são componentes típicos de florestas tropicais e subtropicais (CALDERÓN; SODERSTROM, 1980). A subfamília Bambusoideae constitui um grupo dentro da Família Poaceae, compreendendo os bambus herbáceos (tribo Olyreae) e os bambus lignificados (tribo Bambuseae) (JUDZIEWICZ et al., 1999), sendo este último grupo foco deste trabalho.

Devido as suas características de rápida colonização a partir do rizoma e ao comportamento invasivo (WONG, 1991), estes bambus são frequentemente relacionados à ambientes perturbados, como clareiras de origens naturais e antrópicas. Além disso, geralmente apresentam um longo período vegetativo, entre 20 e 60 anos, culminando na etapa de reprodução sexuada com elevada produção de sementes e mortalidade maciça da população (JANZEN, 1976).

Essas características de propagação dos bambus associadas possibilitariam seu estabelecimento dominante em clareiras, interferindo na estrutura e regeneração florestal e diversidade de espécies (LIMA et al., 2007; GRISCOM; ASHTON, 2003) e, consequentemente, na dinâmica florestal, resultando em padrões diferenciados da paisagem (NELSON et al., 2006; FRANKLIN, 2004). Assim, os ciclos de vida, estrutura, evolução e ecologia dos bambus devem ser entendidos no contexto (JUDZIEWICZ et al., 1999), considerando a análise integrada de diversas escalas de trabalho (SILVEIRA, 2001).

Os longos intervalos entre as florações dos bambus refletem, ainda, em dificuldades no estabelecimento dos períodos reprodutivos dessas plantas e, consequentemente, no seu monitoramento, restringindo o conhecimento dos ciclos de vida a poucas espécies. No Brasil, de modo geral, há uma escassez de informações sobre os bambus existentes, principalmente em relação à taxonomia e à ecologia, considerando que cada espécie tem suas características e ciclos de vida próprios, e aos registros de ocorrência nas diversas fisionomias de vegetação, essenciais para análises da sua distribuição, dinâmica e estratégia de ocupação.

14

No caso do Contínuo, especificamente de Intervales, que possui um histórico de perturbações antrópicas relacionado às antigas atividades de roça e de exploração de Euterpe edulis, o palmito juçara, as áreas abertas por essas atividades poderiam ser ambientes propícios para a colonização dominante de bambus, de ocorrência comum nas florestas úmidas da Mata Atlântica (RIZZINI, 1979), ocasionando a homogeneização da paisagem, como vem sendo observado nessa região.

Dentro do contexto apresentado, este trabalho tem como proposta descrever o cenário dessas florestas com bambus do Contínuo Ecológico de Paranapiacaba, a partir da análise dos padrões e condicionantes dessa paisagem no Parque Estadual Intervales, partindo-se da hipótese que esse evento de dominância seja conseqüência de perturbações históricas. Assim, um conjunto de metas foi estabelecido e os resultados são descritos nos capítulos que seguem, com objetivos específicos direcionados a cada tema.

O Capítulo 2 abordará a caracterização do cenário histórico do Parque, através da integração de informações baseadas na análise temporal de fotos aéreas e de entrevistas para a espacialização dos eventos de perturbação. O Capítulo 3 é referente à descrição dos padrões da paisagem atual do Parque, com a caracterização estrutural da vegetação e informações quanto à ocorrência de diferentes espécies de bambus. No Capítulo 4 são discutidas as possibilidades de uso de dados de sensoriamento remoto, especificamente de imagens de alta-resolução, na discriminação de padrões dessas florestas com bambus para o aprimoramento dos processos de caracterização e monitoramento dessa paisagem. O Capítulo 5 compreende as análises e discussão da associação entre as variáveis históricas e padrões da paisagem levantados nos primeiros capítulos, com a inclusão de variáveis ambientais e cartográficas para análise das possíveis condicionantes deste evento de dominância de bambus. O conjunto dessas informações geradas em cada etapa integra o banco de dados do Projeto, que visa fornecer bases para o entendimento da dinâmica e monitoramento das florestas com ocorrência dominante de bambus da Mata Atlântica, embasando as considerações apresentadas no Capítulo 6, sobre os cenários atual e futuro deste evento.

15

Referências

BRASIL. Lei n. 9985, de 18 de julho de 2000. Dispõe sobre o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC). Disponível em

<http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/L9985.htm>. Acesso em: 18 mar. 2008.

CALDERÓN, C.E.; SODERSTROM, T.R. The genera of Bambusoideae (Poaceae) of the American continent: keys and comments. Smithsonian Contributions to Botany, Washington, n. 44, p. 1-27, 1980.

CAPOBIANCO, J.P.R. (Org). Dossiê Mata Atlântica 2001: Projeto Monitoramento Participativo da Mata Atlântica. São Paulo: Instituto Socioambiental; Rede de ONGs da Mata Atlântica; Sociedade Nordestina de Ecologia, 2001. 407 p.

DEAN, W. A ferro e fogo: a história da devastação da Mata Atlântica Brasileira. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. 484 p.

FRANKLIN, D.C. Synchrony and asynchrony: observations and hypotheses for the flowering wave in a long-lived semelparous bamboo. Journal of Biogeography, Oxford, v. 31, p. 773-786, 2004.

FUNDO BRASILEIRO PARA A BIODIVERSIDADE. PICUS: Continuum do Paranapiacaba (SP). Disponível em: <http://www.funbio.org.br/>. Acesso em: 02 jan. 2008.

GRISCOM, B.W.; ASHTON, P.M., Bamboo control of forest succession: Guadua sarcocarpa in Southeastern Peru. Forest Ecology and Management, Amsterdam, v. 175, p. 445-454, 2003.

JANZEN, D.H. Why bamboos wait so long to flower? Annual Review of Ecology and Systematics, Palo Alto, v. 7, p. 347-391, 1976.

JUDZIEWICZ, E.J.; CLARK, L.G.; LONDOÑO, X.; STERN, M.J. American Bamboos.

Washington; London: Smithsonian Institution, 1999. 392 p.

LIMA, R.A.F.; ROTHER, D.C.; ARAUJO, L.S.; GANDOLFI, S.; RODRIGUES, R.R. Bamboo-dominated gaps in the Atlantic Rain Forest: impacts on vegetation structure and species diversity.

In: CONGRESSO DE ECOLOGIA DO BRASIL, 8., 2007, Caxambu. Anais... São Paulo: Sociedade de Ecologia do Brasil, 2007. p. 1285.

NELSON, B.W.; OLIVEIRA, A.C.A.; VIDALENC, D.; SMITH, M.; BIANCHINI, M.C.;

NOGUEIRA, E.M. Florestas dominadas por tabocas semi-escandentes do gênero Guadua, no sudoeste da Amazônia. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BAMBU: ESTRUTURAÇÃO DA

REDE DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO, 1., 2006, Brasília. Anais... Brasília: Universidade de Brasília, 2006. p. 49-55.

RIZZINI, C.T. Tratado de fitogeografia do Brasil: aspectos sociológicos e florísticos. São Paulo: Hucitec, 1979. v. 2, 375 p.

16

SÃO PAULO (Estado). Secretaria do Meio Ambiente. Instituto Florestal. Plano de Manejo do Parque Estadual Carlos Botelho. São Paulo, 2007. 501 p.

SÃO PAULO (Estado). Secretaria do Meio Ambiente. Instituto Florestal. Plano de Manejo do Parque Estadual Intervales. Disponível em:

<http://www.fflorestal.sp.gov.br/planodemanejo/default.asp>. Acesso em: 30 jun. 2008.

SILVEIRA, M. A floresta aberta com bambu no sudoeste da Amazônia: padrões e processos em múltiplas escalas. 2001. 109 p. Tese (Doutorado em Ecologia) - Universidade de Brasília, Brasília, 2001.

WONG, K.M. The growth architecture and ecology of some tropical bamboos. Journal of The American Bamboo Society, Louisiana, v. 8, p. 43-59, 1991.

17

2 A DINÂMICA ESPAÇO-TEMPORAL DA PAISAGEM (1960-2000) DO PARQUE

ESTADUAL INTERVALES

Resumo

Neste capítulo são apresentados os resultados referentes ao resgate histórico (1960-2000) do Parque Estadual Intervales, a partir do emprego conjunto de análise temporal de fotos aéreas, coleta de relatos orais e análise documental. O cruzamento dessas diferentes fontes de informação foi de fundamental importância para a espacialização e entendimento do processo de ocupação do PEI, possibilitando associar a dinâmica da paisagem nesse período a dois principais vetores de perturbação, atividades de roça e exploração de palmito, resultando na definição de duas regiões distintas quanto ao histórico de uso. Frente à escassez de informações referentes ao Parque no período compreendido entre as décadas anteriores à sua criação, esses dados tornam-se bases relevantes para o entendimento da dinâmica da vegetação, fornecendo subsídios para as discussões da paisagem atual.

Palavras-chave: Dinâmica; Paisagem; Fotos aéreas; Perturbação

Abstract

In this chapter the results referring to the historical analysis (1960-2000) of State Park Intervales (PEI) are presented, using a joint temporal analysis of aerial photographs, data from interviews and document analysis. Crossing these different information sources was of fundamental importance for the spatial representation and understanding of the occupation process from PEI, permitting the association of landscape dynamics in this timeframe to two main perturbation vectors (i.e. small-scale clear-cutting and to the exploitation small-scale agriculture and palm tree exploration), resulting on the definition of two distinct regions regarding the history of land use. Taking into account the lack of information referring to PEI for the timeframe of the decades before its foundation, such data became relevant bases to understand the dynamics of vegetation, delivering data for the discussion of the present landscape.

Keywords: Dynamic; Landscape; Aerial photos; Perturbation

2.1 Introdução

Nas diversas conceituações existentes, a noção básica de paisagem é a espacialidade, a heterogeneidade do espaço onde o homem habita (TROLL, 1971), considerando que a idéia de espaço de inter-relação do homem com o seu ambiente está imbuída na maior parte das definições (METZGER, 2001). Nos diversos biomas brasileiros, processos de ocupação desordenados têm ocasionado impactos negativos na paisagem. No contexto da Mata Atlântica, perturbações de diferentes magnitudes, que interferem na disponibilidade de substratos ou modificam o ambiente 18

físico (PICKETT; WHITE, 1985), têm contribuído significativamente na alteração dos padrões da cobertura florestal e, consequentemente, da paisagem.

Dentre os principais vetores de perturbação associados às alterações da vegetação, destacam-se os eventos naturais com abertura de clareiras por quedas de árvores, deslizamentos de terra, raios, geadas, e os de influência antrópica, principalmente desmatamento e exploração seletiva (BEGON, 2007), na maioria das vezes de maior intensidade do que os naturais. Esses diferentes fatores têm importante papel na transformação ou dinâmica das paisagens florestais, processo associado à variação histórica e temporal dos elementos de uma determinada região (FORMAN, 1995).

No caso específico do Parque Estadual Intervales (PEI), Unidade de Conservação do Estado de São Paulo do denominado Contínuo de Paranapiacaba, alguns trabalhos fizeram menção ao processo de ocupação (NASCIMENTO, 1994; MANTOVANI, 2001), relacionados a atividades de roça e exploração de palmito ( Euterpe edulis) no período anterior a criação do Parque em 1995. Contudo, não há estudos voltados à espacialização deste uso histórico, fundamental ao entendimento das alterações e dinâmica da paisagem nesta área, considerando recentes levantamentos sobre extensas áreas de florestas com ocorrência dominante de bambus.

Essa paisagem com bambus vem sendo foco de discussão na região de todo o Contínuo, formado ainda pelos Parques Estaduais Carlos Botelho e Alto Ribeira e a Estação Ecológica de Xitué (SÃO PAULO, 2007).

Em estudos para avaliação da dinâmica da paisagem, o uso de séries temporais de dados de sensoriamento remoto tornou-se fundamental no resgate do histórico da área, com produtos selecionados em função da necessidade de escala temporal e espacial do foco de análise. Assim, apesar da entrada de novos sensores e do avanço em técnicas de processamento de imagens, as fotos aéreas continuam sendo base de levantamentos históricos para a identificação e mapeamento da paisagem, possibilitando a detecção das transformações de ocupação do solo ao longo de um período. Nestes trabalhos, a interpretação ou fotointerpretação utiliza parâmetros como cor, textura, forma e padrão com o propósito de identificar objetos ou alvos e deduzir seu significado (RYDÉN, 1997; LILLESAND; KIEFER, 1994; VERSTAPPEN, 1977).

Os fatores escalas temporal e espacial delimitam os produtos resultantes destes estudos de dinâmica, diferenciando mapas de cobertura do solo, com informações da fisionomia da vegetação, composição florística e grau de perturbação do uso do solo, e mapas de uso e ocupação 19

do solo, contendo classes de diferentes graus de detalhamento, como vegetação natural, agricultura, pastagem, áreas urbanas, estradas (METZGER, 2001). Desses diferentes resultados, o uso da terra seria um conceito abstrato, possuindo um conjunto de fatores culturais e econômicos não extraídos diretamente dos dados de sensoriamento remoto (BARNSLEY; MOLLER-JENSEN; BARR, 2001). Assim, aliado ao emprego do sensoriamento remoto, outros registros utilizados para delinear a trajetória histórica contribuem para o entendimento das interações entre os fatores ambientais e sócio-econômicos que interferem na dinâmica de paisagens.

Apesar dos relatos orais ainda serem questionados como método de coleta de dados (QUEIROZ, 1987), ainda são muito utilizados em trabalhos de levantamento históricos. Dentre as várias modalidades para a captação das informações, pode-se citar o questionário como a mais fechada, por ser construído pelo pesquisador antes de ir ao campo, embasado em problemas de investigação previamente definidos, construídos sobre conceitos científicos e hipóteses do pesquisador (VIERTLER, 2002). O questionário consiste em um conjunto de questões pré-

elaboradas, sistemáticas e seqüencialmente dispostas em itens que constituem o tema da pesquisa, com o objetivo de gerar respostas por escrito ou verbalmente sobre assunto que os informantes saibam opinar ou informar (CHIZZOTTI, 2001).

Entre o questionário e o outro extremo, o da observação, situa-se a técnica da entrevista, mais flexível e aberta às peculiaridades culturais do informante, podendo ser organizadas de diferentes formas de acordo com a definição de tópicos fixos: inteiramente estruturada, parcialmente estruturada e não estruturada (VIERTLER, 2002). Esta técnica, forma mais antiga e mais difundida de coleta de dados orais nas ciências sociais, fornece dados originais ou complementares aos já obtidos de outras fontes (QUEIROZ, 1987), podendo ser baseadas em questionários ou conduzidas livremente pelo pesquisador (DITT et al. 2003). Ainda dentre os métodos de diagnóstico qualitativo de coleta de dados, o grupo focal pode ser enquadrado como uma espécie de entrevista de grupo, guiada por tópicos fornecidos por um moderador e apoiada na interação entre os participantes para obtenção de dados (CARLINI-COTRIM, 1996).

A associação de diversas fontes de coleta de dados históricos possibilita o enriquecimento em estudos de dinâmica de paisagens, permitindo o entendimento das informações de forma unificada.

index-21_1.png

index-21_2.png

index-21_3.png

index-21_4.png

index-21_5.png

20

2.1.1 Objetivo

Dentro do contexto apresentado, este trabalho tem como objetivo caracterizar a dinâmica da cobertura e uso da terra do PEI no período de 1960 a 2000, através da espacialização dos principais vetores de perturbação naturais e antrópicos, aliando técnicas de sensoriamento remoto, relatos orais e análise documental. Os resultados gerados integram o banco de dados de um projeto para a análise da distribuição espacial e temporal das florestas com bambus de Intervales, embasando as discussões no entendimento das alterações da paisagem nesta região.

2.2 Área de Estudo

O Parque Estadual Intervales localiza-se entre as coordenadas geográficas 24o12’ a 24o32’

de latitude sul e 48o03’ a 48o32’ de longitude oeste, ao sul do Estado de São Paulo, estendendo-se pelos municípios de Ribeirão Grande, Guapiara, Iporanga, Eldorado Paulista e Sete Barras, totalizando 40.727,5 ha (Figura 2.1).

Capão Bonito

Guapiara

Ribeirão Grande

Sete Barras

Apiaí

Eldorado

Iporanga

Figura 2.1 - Localização do Parque Estadual Intervales (PEI) no Estado de São Paulo Intervales apresenta como cobertura vegetal predominante a Floresta Ombrófila Densa (SÃO PAULO, 2008), sendo uma porção representativa de remanescente do bioma Mata Atlântica, juntamente com as demais Unidades de Conservação do Contínuo, mas com histórico de intervenções antrópicas diversas no período anterior a criação do Parque em 1995

(FUNDAÇÃO FLORESTAL, 1998).

21

2.3 Metodologia

As atividades para o levantamento de dados históricos foram embasadas na abordagem multitemporal, com apoio de fotos aéreas na geração de mapas de cobertura da terra para analisar os processos de ocupação, complementadas com a coleta de dados junto a antigos moradores através da aplicação de entrevistas e de análise documental. A associação de diversas fontes de informação permite uma análise comparativa para melhor compreensão do local, sendo os resultados do levantamento histórico validados pelo cruzamento e discussão de dados dessas diferentes fontes. O trabalho de resgate histórico foi concentrado no período entre 1960 e 2000, pela disponibilidade de fotos aéreas e pela possibilidade de contato direto com pessoas que presenciaram este período anterior e posterior à criação do Parque.

Para a espacialização dessas informações, os produtos adquiridos da área de estudo (Quadro 2.1) foram inseridos em um banco de dados no ArcView 3.2, um Sistema de Informação Geográfica (SIG).

Base de dados vetoriais, escala de 1:50.000, cedidos pelo Instituto Florestal de São Paulo.

Fotos aéreas de sobrevôo de 1962 e 1973, escala de 1:25.000, adquiridas do Instituto Agronômico de Campinas.

Fotos aéreas de sobrevôo de 1981, escala de 1:35.000, cedidas pelo Instituto Florestal de São Paulo.

Fotos aéreas do sobrevôo de 2000/2001, resolução 0,98 m, cedidas pelo Instituto Florestal de São Paulo.

Imagens TM/Landsat, Bandas 3, 4 e 5, resolução 30 m, órbita/ponto 220/77, datas: 04/06/84, 18/07/94, 08/04/04, cedidas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

Quadro 2.1 - Material base disponível no Banco de Dados do Projeto

2.3.1 Coleta de relatos orais

A fase de coleta de dados junto a antigos moradores da área atual do PEI foi realizada com o objetivo de melhor compreensão do cenário histórico da área, considerando a escassa documentação sobre a fase anterior à criação do Parque, principalmente em relação ao uso e ocupação da terra e ocorrência do bambu. Esta etapa de coleta de relatos orais foi realizada em duas situações, sendo a primeira de entrevistas individuais direcionadas a um grupo pré-definido com o apoio de um informante e a segunda através de uma oficina participativa realizada com um grupo de antigos funcionários do PEI.

22

2.3.1.1 Entrevistas

Para esta etapa de levantamento, optou-se por um questionário semi-estruturado aplicado em forma de entrevista, em que a padronização de uma seqüência única de perguntas facilita a condução da coleta de dados em relação aos temas de interesse, permitindo ao entrevistado também adicionar informações que apoiassem a caracterização das áreas. As entrevistas foram realizadas por uma pessoa apenas, com o apoio de um gravador digital para posterior análise, tendo como público-alvo pessoas com relação direta no passado com o PEI, seja como antigo morador ou funcionário nas administrações anteriores à Fundação Florestal.

Inicialmente foi realizada uma etapa de aplicação de entrevistas-piloto, em fase anterior a aplicação do questionário final, com o intuito de caracterizar o público-alvo e testar o conteúdo do questionário. Nesta fase foram levantadas informações sobre o número de pessoas ainda moradoras da região que trabalharam com atividades de roça e extração de palmito na época anterior ao PEI. Antes do início da aplicação do questionário, uma breve apresentação das propostas e objetivos do Projeto era realizada para o entrevistado, enfatizando o foco no levantamento de informações sobre o uso histórico da área do PEI.

A partir desta entrevista-piloto, o questionário foi detalhado (Anexo A) a fim de levantar informações mais precisas sobre os entrevistados e suas áreas de uso, incluindo interpretações do próprio entrevistado sobre os eventos registrados pela pesquisa.

2.3.1.2. Oficina participativa

A segunda fase de coleta de dados foi realizada através de uma oficina participativa com antigos funcionários, baseada no conceito de grupo focal, onde, inicialmente, cada participante recordou sua relação com a área na fase anterior à criação do Parque, seguida da interação do grupo para a construção de um mapa com a espacialização da ocupação histórica da área do PEI.

Esta etapa foi conduzida pela equipe do Plano de Manejo do PEI.

2.3.2 Análise temporal das fotos aéreas

Para a análise temporal das fotos aéreas considerou-se a disponibilidade de material e o recobrimento do período de interesse, compreendido entre as décadas anteriores e posteriores à criação do PEI, sendo selecionado para essa etapa de interpretação o material referente aos anos de 1962, 1973, 1981 e 2000 (escalas entre 1:25.000 e 1:35.000).

23

A primeira etapa do trabalho foi focada na análise visual das fotos aéreas em papel com o auxílio de estereoscópio de espelhos, visando, principalmente, o reconhecimento de padrões dos alvos da área de trabalho e definição das classes para a chave de interpretação, considerando informações como tonalidade, textura, forma e cor para cada data, associadas aos parâmetros estruturais da vegetação, como porte e densidade do dossel. Cabe ressaltar que as classes foram definidas em função da elaboração de uma legenda comum às diferentes datas, considerando para o mapeamento os diversos graus de perturbação dessa área florestal, de acordo com os conceitos discutidos anteriormente.

Após essa análise inicial, foi gerado o mosaico faixa a faixa dessas fotos, considerando apenas sua área útil, em formato digital. O georeferenciamento das faixas, tendo como base o mosaico georeferenciado de fotos aéreas referente ao ano de 2000, bem como a geração do mosaico final de cada ano foram realizados no software Spring 4.2.

O mapeamento da série temporal foi realizado no ArcView 3.2, em escala comum de 1:10.000, iniciando-se pelo ano de 1962, utilizado como base por ser o material mais antigo disponível. Cada polígono mapeado nessa interpretação visual foi associado a uma das classes definidas previamente. O resultado dessa interpretação foi sobreposto ao mosaico de 1973 e realizada a análise dos polígonos demarcados de 1962 em relação ao mosaico de 1973, além da inclusão de novos polígonos. A mesma metodologia foi utilizada sequencialmente para a interpretação das fotos de 1981 e 2000.

Desta etapa, resultaram 4 mapas de cobertura da terra que, posteriormente com o cruzamento das diferentes fontes de informação, foram discutidos no âmbito de uso da terra no período de 1960 a 2000.

2.4 Resultados

2.4.1 Análise documental

Apesar de registros indicando a Serra de Paranapiacaba como passagem de povos indígenas a caminho do litoral e de jesuítas em busca de ouro (CASTANHO FILHO1, não publicado), a topografia acidentada, o clima com chuvas abundantes, a mata densa e a carência de 1 CASTANHO FILHO, E.P. A vocação conservacionista de Intervales.

24

estrutura básica mantiveram estas área ocupadas por um número restrito de pequenos proprietários, posseiros e grileiros, que chegaram à região a partir do século XVI.

O histórico documentado do PEI inicia-se na década de 50 e a partir deste período, Intervales é caracterizada por marcos que contribuíram para a definição de sua história, incluindo diferentes administradores e formas de condução da área.

Na década de 50 a Companhia do Incremento Rural do Altiplano Paulista (CIRAP) instalou-se na região, para a implantação de um projeto agropecuário que não foi bem sucedido, perdendo suas terras, aproximadamente 10.000 ha, para o Banco do Estado de São Paulo (BANESPA), dando início à formação da Fazenda Intervales (CASTANHO FILHO1, não publicado). Durante a administração pelo BANESPA foram incluídas novas propriedades, como a região formada pelos atuais núcleos Funil, Guapuruvu, Saibadela e Quilombo, e o estabelecimento de infra-estrutura, incluindo a construção de uma vila na região da Sede e de casas isoladas para a implantação de bases de vigilância (Figura 2.2). Em torno de 1976 o BANESPA utilizava os serviços de uma coligada, CIGEBRAS S/A Mineração, indústria e Comércio, para administrar a Fazenda, época em que ocorreu o beneficiamento e até exportação de palmito e a população da Fazenda chegou a 300 pessoas (CASTANHO FILHO1, não publicado). Na década de 80 foi decretada a Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra do Mar, abarcando Intervales, o que norteou a formação do Parque em 1995, já de responsabilidade da Fundação Florestal desde 1987 (FUNDAÇÃO FLORESTAL, 1998).

Sede

Barra Grande

Carmo

Zezinho

Capinzal

São Pedro

Figueira

Funil

Rancho Queimado

Guapiruvu

Bulha D’água

Saibadela

Alecrim

Quilombo

Leite

trilhas

Figura 2.2 - Localização dos núcleos e bases de referência do PEI

25

A face de Intervales voltada para o Vale do Ribeira, cuja colonização foi iniciada em torno de 1530, manteve-se muito melhor conservada do ponto de vista ambiental (FUNDAÇÃO

FLORESTAL, 1998). Nessa região, próximo da Base Guapuruvu do PEI, localiza-se o bairro de mesmo nome, um dos mais estruturados em termos de conscientização ambiental no entorno do Parque e de grande influência regional. Relatos orais dos moradores mais antigos do Guapuruvu indicam que a origem do bairro está provavelmente ligada ao processo regional de deslocamento de agricultores posseiros para a ocupação das encostas dos morros e grotões, dedicando-se quase sempre à agricultura de subsistência, já que na década de 1870 algumas famílias, originárias de Iguape e Cananéia, teriam formado o primeiro núcleo populacional no bairro (BERNINI, 2005).

Na década de 60 chegaram os primeiros produtores de banana, adquirindo para isso terras no bairro, seguindo-se pressão por parte de especuladores de terra que iniciam processo de expulsão dos moradores de suas posses, desencadeando a luta por terras que se estende até hoje.

Atualmente, nesta região do Continuum, há comunidades quilombolas e de pequenos produtores rurais que utilizam os recursos naturais como alternativas de geração de renda, além de grandes empreendimentos que também exercem pressão sobre a biodiversidade (FUNBIO, 2008).

2.4.2 Relatos orais

2.4.2.1 Síntese das entrevistas

A etapa de questionários visou à complementação e validação de informações levantadas com as fotos aéreas, além de aproveitar a oportunidade de contato com a última geração de pessoas diretamente ligadas ao passado do PEI e resguardar a memória desta região. Com base nas informações da análise documental e de dados previamente levantados, os tópicos da entrevista referentes aos vetores de perturbação focaram nas atividades de roçado e exploração de palmito, além de eventos climáticos, especificamente de uma importante geada de 1975.

A principal dificuldade durante esta etapa foi a idade avançada de alguns entrevistados, impossibilitando idas ao campo para reconhecimento preciso das áreas que foram de suas responsabilidades. Porém, as referências a essas áreas por nomes de antigos moradores ou denominações por quais as regiões são conhecidas facilitou o processo de localização com o apoio dos funcionários atuais do PEI.

26

Após a entrevista-piloto e adequação do questionário, 11 entrevistas foram realizadas no período de 05 a 12 de agosto de 2005, totalizando 6 horas de gravação, sendo restritas às pessoas do gênero masculino, que estavam diretamente envolvidas com atividades de roçado e/ou extração de palmito no passado. O material foi analisado, sendo aqui apresentada uma síntese das informações referentes ao conteúdo do questionário, com ênfase nos pontos divergentes e convergentes dos temas relevantes para a discussão. Os 11 entrevistados foram denominados de E1 a E11.

a) Perfil dos entrevistados

O grupo de entrevistados foi identificado em função da atividade que exerceu no passado, sendo que 09 trabalharam exclusivamente com atividade de roça (E01 a E09) e 02 com atividade de extração de palmito (E10 e E11).

Os entrevistados sobre as atividades de roça, com idades entre 59 e 85 anos, foram todos ex-posseiros contratados posteriormente pelo Banco do Estado, sendo que 07 continuaram prestando serviços para a Fundação Florestal e, destes, 05 ainda continuam como funcionários do PEI. Dos entrevistados sobre a extração de palmito, um, com idade de 56 anos, continua prestando serviços gerais ao PEI (E11), enquanto o outro (E10), de 65 anos, se desvinculou após a aquisição da área pela Fundação Florestal.

b) Uso da terra

De acordo com o levantamento considerando o sub-grupo com idade média de 65 anos (E1

a E7), as atividades de roçado foram mais intensas e recorrentes nas áreas entre a Sede Administrativa e a Base do Carmo, incluindo as áreas denominadas pelos entrevistados de Capuava, Caçadinha, Caité, e Arcão, em referência às bases, trilhas e/ou rios existentes situadas entre os dois núcleos. Neste local, a atividade foi realizada de modo contínuo entre os anos de 1960 e 1975 e, independente da época, o sistema foi descrito como sendo preferencialmente realizado em áreas de capoeira. Já 02 dos entrevistados, com idade de 75 e 85 anos, tiveram roças na região de Seu Zezinho e São Pedro, respectivamente, entre o final dos anos 50 e início dos anos 60, ainda em áreas de “floresta madura”, como se referiram às áreas de floresta primária.

Independente da faixa etária, a atividade foi descrita de modo similar às denominadas roças-de-toco (SIMINSKI; FANTINI, 2007), iniciando-se com a derrubada da mata, em área de 1

27

a 2 alqueires, secagem do material por uns dois meses, seguido da queima do material seco e plantio. No local, os posseiros estabeleciam-se com suas famílias por um período de aproximadamente 05 meses, para o cultivo de arroz, mandioca, feijão e preferencialmente milho, utilizado para a engorda da criação de porcos, que posteriormente eram levados à cidade para a troca por outros produtos. Normalmente a área era abandonada por uns dois anos, sendo novamente utilizada quando a capoeira já estava iniciada. O sistema de produção também era realizado de modo comunitário, com a participação de amigos e parentes, especialmente daqueles que tinham plantios próximos, resultando em áreas contínuas de roça.

Nessa etapa de entrevistas, não foram localizadas pessoas disponíveis que houvessem trabalhado com atividade de roça na região oposta à descrita, próximo dos núcleos Saibadela e Quilombo, porém, de acordo com levantamento de Bernini (2005) sobre o histórico do bairro do Guapuruvu, limítrofe ao PEI, o uso da terra ocorria de modo análogo ao descrito. Os agricultores plantavam milho, mandioca, arroz e tinham criação de galinha, de porco e, até gado. A produção era para a subsistência da família e o excedente comercializado para que obtivessem os gêneros e os bens de consumo que não produziam. O acesso livre às terras permitia que a agricultura fosse praticada num sistema de rotação de terras, ou seja, delimitava-se uma área e praticava-se a derrubada, secagem e a queima da vegetação e logo após o plantio. Depois de cerca de três anos de cultivo, essa área era deixada em descanso para que os nutrientes do solo se reconstituíssem e assim, passado alguns anos, pudesse ser novamente utilizada.

c) Extração de palmito

De acordo com as informações dos dois entrevistados que trabalharam diretamente com essa atividade (E10 e E11), similares ao comentário de Nascimento (1994), o Banespa contratou funcionários de outras regiões para auxiliar nessa atividade, que migraram para outros locais com o fim da atividade, o que impossibilitou o acesso a este grupo. Ainda segundo os entrevistados, a atividade de extração iniciou-se na década de 70, sendo realizada em torno da Sede, incluindo a região de Capuava e Alecrim, sendo posteriormente direcionada para a região de São Pedro na década de 80.

Segundo o entrevistado E10, vindo do Estado de Minas Gerais e que trabalhou na área de 1981 a 1987, inicialmente na região de Alecrim e depois em direção a São Pedro, a extração era realizada preferencialmente em áreas baixas (próximas de rio) e de antigas roças, pois a retirada 28

era facilitada em capoeiras. O grupo montava o acampamento base e ficava na área até 3 meses, prosseguindo de acordo com a abertura pelas máquinas da estrada para São Pedro. No auge da atividade o grupo era formado por aproximadamente 100 funcionários na extração, sendo que cada um tirava em média 10 dúzias por dia.

Já o entrevistado E11, originário da própria região do PEI e que trabalhou com a extração do palmito na região de São Pedro, relata que a atividade era realizada indiscriminadamente em áreas mais baixas e em topos de morro, com produção de 5 a 7 dúzias/dia/pessoa.

Também na região de Guapuruvu, a extração de palmito para comercialização começou ainda no final da década de 40, época em que o próprio governo estimulou essa prática (BERNINI, 2005).

Esse incentivo pelo Estado à indústria do palmito se deu já que representava um negócio bastante lucrativo, visto que o investimento do empresário era pouquíssimo em relação à exploração do trabalho dos mateiros (ALMEIDA, 2004 apud BERNINI, 2005). Porém, de acordo com os entrevistados, não foi realizada a extração de palmito por parte do Banespa nas áreas das bases Saibadela e Quilombo.

d) Ocorrência de bambus

De modo geral, em relação à área ocupada por bambus no PEI ao longo dos anos, houve significativa divergência de opiniões dos entrevistados. Para 3 dos entrevistados houve aumento, 1

acha que diminuiu, 4 que não houve alteração e 3 não souberam responder. Ressalta-se que o termo bambu foi utilizado como sinônimo de taquaruçu, sendo as outras espécies de bambus do PEI identificadas por seus nomes vulgares.

Segundo os entrevistados E10 e E11, as roças eram feitas sobre áreas de floresta primária, com ocorrência de bambu com distribuição espaçada, não dominando a área. Já os demais entrevistados citam a presença de bambu em muitas das roças feitas em áreas de capoeira, comentando ainda a preferência para o estabelecimento da lavoura nessas áreas com bambus pela facilidade no processo da queima do material derrubado.

Ambos os entrevistados da atividade de extração citam a ocorrência de bambus e que os melhores palmitos estão nessas áreas, apesar de serem mais escassos e a atividade mais trabalhosa.

29

e) Geadas

Sobre a geada, com exceção de dois entrevistados (E6 e E10), os demais presenciaram o evento de julho de 1975 e confirmaram esta como sendo a maior geada desses anos. Segundo estes, grande parte da vegetação, inclusive o bambu, secou com a queda brusca de temperatura. O

termo “queimou tudo” foi utilizado por 8 entrevistados para caracterizar a vegetação afetada pela geada. Para 9 dos entrevistados a regeneração da vegetação foi lenta. Para 3 entrevistados, o bambu aumentou após a geada, 2 acham que diminuiu e 5 que continuou similar.

2.3.2.2 Síntese da oficina participativa

A oficina foi realizada em 11 de maio de 2007 junto com membros da equipe do Plano de Manejo do PEI. Na ocasião, 07 antigos funcionários, com idades entre 62 e 77, foram reunidos com o propósito principal de construção conjunta de um mapa de uso histórico do PEI. Dentre esses, 02 haviam participado da fase de entrevistas descritas no item anterior, sendo que os demais não participaram por não viverem nas proximidades. Assim, nesta oportunidade foi também realizado um levantamento complementar sobre dados históricos com o objetivo de buscar a confirmação de fatos que já haviam sido considerados como estabelecidos em função das evidências obtidas anteriormente.

No mapa resultante da oficina foram espacializadas as áreas com maior uso por atividades de roça e por exploração de palmito na fase anterior a criação do Parque. As atividades de roça foram apontadas com concentração entre as áreas denominadas Sede, Capuava, Figueira e Capinzal. As regiões de Alecrim, Leite, Zezinho e São Pedro também foram indicadas como áreas de roça pontuais. As regiões dos núcleos de Quilombo, Saibadela e Guapuruvu foram citadas como sendo de uso restrito, limitando-se à área em torno da base. Quanto ao palmito, a atividade de exploração foi iniciada entre as regiões da Sede, Carmo, Alecrim e Leite, sendo posteriormente direcionadas para a região entre Barra Grande e São Pedro. Os participantes comentaram ainda o efeito maior da geada na região alta do PEI, próximo a Sede, tendo sido de menor magnitude na região em direção a Saibadela e Quilombo.

2.4.3 Análise temporal de fotos aéreas

Como comentado, a interpretação digital foi realizada ano a ano, com base nos mosaicos gerados com as fotos aéreas de 1962, 1973, 1981 e 2000 (Anexo B), considerando 6 classes de

index-31_1.jpg

index-31_2.jpg

index-31_3.jpg

index-31_4.jpg

index-31_5.jpg

index-31_6.jpg

index-31_7.png

index-31_8.jpg

index-31_9.jpg

index-31_10.jpg

index-31_11.png

index-31_12.jpg

index-31_13.jpg

index-31_14.jpg

index-31_15.png

index-31_16.jpg

index-31_17.jpg

index-31_18.jpg

index-31_19.png

index-31_20.jpg

index-31_21.jpg

index-31_22.jpg

index-31_23.png

index-31_24.jpg

30

cobertura da terra comuns às diferentes datas e pré-estabelecidas a partir de padrões de fotos aéreas e estrutura da vegetação, definindo-se uma chave de interpretação (Quadro 2.2) conforme características específicas das diferentes datas.

Classe

Descrição das classes e padrões gerais

1962

1973

1981

2000

0

Corpos d´água: textura lisa.

1

Ausência de vegetação ou vegetação rasteira: textura

lisa a levemente rugosa.

2

Vegetação de pequeno porte: textura levemente

rugosa.

3

Vegetação de médio porte: textura rugosa.

4

Vegetação de grande porte com cicatrizes visíveis de

diferentes níveis de perturbação: textura rugosa a muito

rugosa.

5

Vegetação de grande porte sem sinais de cicatrizes

de processos de perturbação: textura muito rugosa

Quadro 2.2 - Classes e padrões empregados na etapa de interpretação das fotos aéreas de 1962, 1973, 1981 e 2000

Durante o processo de registro, geração de mosaico e análise das fotos aéreas verificou-se algumas distorções entre os produtos das diferentes datas. Essas distorções, inerentes a produtos gerados em diferentes ocasiões pelas características distintas de equipamentos empregados e altitudes de sobrevôos, não afetaram o objetivo da utilização dos mosaicos, sendo consideradas durante o processo de interpretação.

A análise temporal resultou em mapas temáticos da cobertura da terra referentes as 4 datas (Figuras 2.3, 2.4, 2.5 e 2.6) e na quantificação das taxas de conversões das áreas ocupadas por cada classe no período de análise (Tabelas 2.1, 2.2 e 2.3).

index-32_1.png

index-32_2.png

index-32_3.png

index-32_4.png

index-32_5.png

index-32_6.png

index-32_7.png

index-32_8.png

index-32_9.png

31

o 48º 03’/ s 24º 12’

Classes

0

1

2

3

4

5

0

5

10 km

5

5

0

5

10 km

o 48º 32’/ s 24º 32’

Figura 2.3 - Cobertura da terra do PEI a partir de interpretação visual do mosaico de fotos aéreas de 1962, considerando a legenda do Quadro 2.2

31

index-33_1.png

index-33_2.png

index-33_3.png

index-33_4.png

index-33_5.png

index-33_6.png

index-33_7.png

index-33_8.png

32

o 48º 03’/ s 24º 12’

Classes

0

1

2

3

4

5

0

5

10 km

5

o 48º 32’/ s 24º 32’

Figura 2.4 - Cobertura da terra do PEI a partir de interpretação visual do mosaico de fotos aéreas de 1973, considerando a legenda do Quadro 2.2

32

index-34_1.png

index-34_2.png

index-34_3.png

index-34_4.png

index-34_5.png

index-34_6.png

index-34_7.png

index-34_8.png

33

o 48º 03’/ s 24º 12’

Classes

0

1

2

3

4

5

0

5

10 km

5

o 48º 32’/ s 24º 32’

Figura 2.5 - Cobertura da terra do PEI a partir de interpretação visual do mosaico de fotos aéreas de 1981, considerando a legenda do Quadro 2.2

33

index-35_1.png

index-35_2.png

index-35_3.png

index-35_4.png

index-35_5.png

index-35_6.png

index-35_7.png

index-35_8.png

34

o 48º 03’/ s 24º 12’

Classes

0

1

2

3

4

5

0

5

10 km

5

o 48º 32’/ s 24º 32’

Figura 2.6 - Cobertura da terra do PEI a partir de interpretação visual do mosaico de fotos aéreas de 2000, considerando a legenda do Quadro 2.2

34

35

Tabela 2.1 - Matriz de conversão das áreas (hectare) das classes de cobertura da terra, descritas no Quadro 2.2, no período entre 1962 e 1973

1973

Área Total

Classe 1

Classe 2

Classe 3

Classe 4

Classe 5

Classe

1

92,87

28,55

105,79

93,85

7,06

328,11

(28,30%)

(8,70%)

(32,24%)

(28,60%)

(2,15%)

(0,81%)

Classe

2

89,44

87,95

164,79

237,69

41,03

620,89

(14,41%)

(14,16%)

(26,54%)

(38,28%)

(6,61%)

(1,52%)

1962

Classe 3

121,88

49,29

655,76

515,00

21,86

1363,79

(8,94%)

(3,61%)

(48,08%)

(37,76%)

(1,60%)

(3,35%)

Classe

4

86,53

17,56

235,99

1449,49

74,95

1864,53

(4,64%)

(0,94%)

(12,66%)

(77,74%)

(4,02%)

(4,58%)

Classe

5

41,73

21,49

196,63

875,18

35415,16

36550,18

(0,11%)

(0,06%)

(0,54%)

(2,40%)

(96,89%)

(89,74%)

Área Total

432,44

204,84

1358,96

3171,21

35560,06

40727,50

(1,06%)

(050%)

(3,34%)

(7,79%)

(87,31%)

(100%)

Tabela 2.2 - Matriz de conversão das áreas (hectare) das classes de cobertura da terra, descritas na Tabela 2, no período entre 1973 e 1981

1981

Área Total

Classe 1

Classe 2

Classe 3

Classe 4

Classe 5

Classe

1

98,82

84,08

117,66

131,88

0,00

432,44

(22,85%)

(19,44%)

(27,21%)

(30,50%)

(0,00%)

(1,06%)

Classe

2

24,80

36,40

83,35

60,29

0,00

204,84

(12,11%)

(17,77%)

(40,69%)

(29,43%)

(0,00%)

(050%)

1973

Classe 3

28,74

37,86

533,82

738,34

20,20

1358,96

(2,12%)

(2,79%)

(39,28%)

(54,33%)

(1,49%)

(3,34%)

Classe