Para os Filhos dos Filhos dos Nossos Filhos por David Turner, Jesus Muñoz - Versão HTML

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PARA OS FILHOS DOS FILHOS DE

NOSSOS FILHOS

UMA VISÃO DA SOCIEDADE INTERNET

A 1ª EDIÇÃO IMPRESSA FOI PATROCINDA PELA OGILVY

PARA OS AMIGOS DOS AMIGOS DOS NOSSOS AMIGOS

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PARA OS FILHOS DOS FILHOS DE

NOSSOS FILHOS

UMA VISÃO DA SOCIEDADE INTERNET

Jesus Muñoz e David Turner

Jesus Muñoz jmuñoz@ tmp-spain.com

David Turner david.turner@ogilvy.com

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro)

Turner, David

Para os filhos dos filhos de nossos filhos :

uma visão da sociedade Internet / escrito por

David Turner e Jesus Muñoz – São Paulo :

Plexus Editora, 1999.

ISBN 85-85689-46-3

1. Comunicação – Previsão do futuro 2.Internet

(Rede de Computadores) – Aspectos sociais 3. Internet (Rede de computadores) – Previsão do futuro I. Turner, David. II. Título.

99-1091

CDD - 302.23

Índices para catálogo sistemático :

1. Internet : Meios de comunicação : Previsão

do futuro : Aspectos sociais 302.23

© 1999 David Turner e Jesus Muñoz

Todos os direitos reservados

Proibida a reprodução no todo ou em partes,

por qualquer meio, sem autorizaçãodo s Editor es.

Edição: Rita Ruschel

Capa: Virgílio Neves

Foto da capa: Souk Produção de Imagem

Revisão: João Guimarães

Editoração Eletrônica: Plexus Editora

Impressão e acabamento: Palas Athena

Plexus Editora Ltda.

Av. Manoel dos Reis Araujo, 1154

04664-000 – São Paulo – SP

Tel.: (11) 524-5301

E-mail: plexus@mandic.com.br

SUMÁRIO

Agradecimentos .................................................................................... 9

Introdução ...........................................................................................11

1. A Evolução Histórica da Espécie e seu Paralelo Social

........ 17

A comunicação define a estrutura social

A espécie comunicativa .......................................................................17

A primeira geração infolítica ..............................................................22

2. Há 60 anos...........................................................2..

4..

Nossa geração e as suas invenções

3. A Razão de Ser da Interne.t....................................

2 .8

Preliminares militares .........................................................................28

Bill Gates e os 500 satélites russos ...................................................30

4. Definição e Descrição...........................................

3 ..

2

A INTERNET não existe .................................................................32

Alguns dos serviços mais comuns ..................................................35

5. A Idade da Mente.................................................4..4.

Implicações e Aplicações ....................................................................44

Implicações Sociais ..............................................................................45

Aplicações .............................................................................................48

Implicações na Comunicação ............................................................52

Implicações no Consumo .................................................................54

Implicações no Comércio ..................................................................56

Implicações Econômicas ....................................................................63

Implicações Legais ..............................................................................65

6. Os Meios de Comunicação na Red.e.......................68

Implicações na Publicidade ................................................................72

7. Os Experts em Futuro...........................................

8 ..

0

8. A Revolução Francesa...........................................

8 ..

7

9. Daqui a 60 Anos..................................................

9 ..

3 ...

A Mídia que nos levará até lá .............................................................96

10. Pós-Data Publicitária...........................................

9 ..

8

AGRADECIMENTOS

Em setembro de 1995 foi lançado na Espanha o livro “O

Mundo Digital”, em inglês BEING DIGITAL, do professor Nicholas Negroponte.

Muito obrigado professor, seu livro mudou nossa vida.

Negroponte foi a maior influência na nossa vida profissional, mesmo depois de 30 anos de publicidade. Seu livro nos descortinou um futuro impressionante.

A partir daí, nos dedicamos a estudar o efeito que o mundo digital está nos causando e mais ainda… que cau-sará em nossas vidas e sobretudo na vida dos filhos dos filhos de nossos filhos.

9

INTRODUÇÃO

No verão de 1996, eu, Jesus Muñoz, reencontrei um velho amigo, o inglês David Turner, profissional ligado às novas tecnologias da Mídia da Comunicação. Alguém que não faz cara de extraterrestre quando lhe explico meus pontos de vista. Ao contrário, tento eu mesmo não fazer cara de extraterrestre quando David me explica seu jeito de pensar.

Depois de um magnífico jantar em Bogotá, superado o medo da noite e tremendamente afetados pelo jet lag, começamos a escrever tudo aquilo que tínhamos apren-dido sobre “O MUNDO DIGITAL” e, naturalmente,

vimos que era muito pouco.

Decidimos estudar e aprender mais. O trabalho que

vocês estão lendo foi apresentado pela primeira vez no mês de maio de 1998, ao pé das pirâmides egípcias e em versão compacta durante a Assembléia Mundial da IAA (International Advertising Association) no Cairo.

Lembrem-se que o que é afirmado aqui e agora, neste livro, evolui depressa demais e vai ser superado antes mesmo de termos terminado este texto, pois a velocidade do desenvolvimento tecnológico é enorme. Conto, abaixo, um exemplo pessoal meu (Jesus).

Quando li o livro de Nicholas Negroponte, me

conectei à INTERNET e coloquei um endereço

eletrônico nos meus cartões de visita. Após alguns meses, eu estava convencido de que tinha perdido

tempo e dinheiro, pois a linha “caía”, a ligação era 11

interrompida durante uma “queda” da Rede e ninguém me respondia. Estou falando de finais de 1996.

Mas insisti e de repente as coisas mudaram, tudo

mudou diametralmente. Tenho ampliado a capacidade

das minhas linhas. Agora trabalho na velocidade de um míssil, leio meus jornais favoritos na tela e tenho um serviço mundial de notícias que a cada 20 minutos me informa o que acontece no mundo e

permanentemente atualiza as cotações em Wall Street das empresas sócias da nossa empresa The Media

Partnership. Quando ligo para alguém, deixo uma notinha com o briefing da minha ligação e geralmente sou respondido rapidamente. Normalmente a

comunicação é mais fácil pela INTERNET do que por

telefone. No final do ano troquei de provedor e tenho recebido desde então mais de 1500 e-mails de todo

tipo. Eu envio cartas, material impresso em cores, mensagens musicais além de comprar livros, discos e material de informática...

A INTERNET continuará obrigando-nos cada vez

mais a modificar nossa visão do mundo, da sociedade e do mercado. É preciso analisar conceitualmente como pode ser essa visão. Este livro pretende fazer, nem mais nem menos, essa análise.

O conceito INTERNET promete no futuro a possibi-

lidade de participar de uma comunidade virtual composta de indivíduos de todos os pontos de nosso planeta. Isto é um avanço muito grande na ciência das comunicações.

Dito de outra maneira, a INTERNET contribuirá na

formação da sociedade do século 21 como o telefone o fez no século 20.

12

Mas como será esse futuro? Aí é que está o problema!

A literatura sobre as conseqüências da evolução da INTERNET costuma visualizar o futuro com ambigüidade e medo, pois as mudanças que enfrentaremos são transcendentais e são sempre arriscadas as decisões frente a semelhante desafio. Nós, particularmente, não desejamos oferecer insegurança, nem ambigüidade, nem temor.

O que este livro oferece, por definição, é uma versão pessoal, do ponto de vista mais humanista possível, sobre a evolução da sociedade em conseqüência desta enorme

“liberalização” da comunicação. Se despertarmos polê-

mica atingimos nossa meta. Estamos convencidos da

necessidade de pensar nesse futuro hoje e o pensamento se nutre e se beneficia do contraste de opiniões.

Esse pensamento é a base da construção do futuro. E

o futuro, como todos nós sabemos, chegará. Como ele vai chegar depende do nosso enfoque sobre o hoje. Podemos aguardar os acontecimentos passivamente, ou podemos agir assertivamente. Nossa posição é contribuir com a mais preciosa faculdade humana – O Pensamento – para oferecer uma visão sobre o futuro.

Não queremos gerar controvérsia usando de misticismo barato, com uma bola de cristal arbitrária. Pretendemos oferecer uma visão razoável e abalizada. É isso que tra-zemos nessas páginas. Se temos razão ou não, isso será constatado por outros, já que na data destas previsões, com certeza, estaremos os dois mortos e enterrados (se a engenharia genética não descobrir a cura da morte), mas enquanto isso achamos que é importante prosseguir com esse exercício intelectual. E no afã de justificar essa crença recorremos a antigos mestres da história do mundo.

Roger Bacon escreveu, no século 13:

13

Serão construídos objetos entre os quais grandes

naves com uma só pessoa no comando, que se

deslocarão com uma velocidade maior do que com

uma tripulação inteira. Charretes serão construídas e se movimentarão com incrível rapidez sem a ajuda de nenhuma tração animal. Serão criados instrumentos

de vôo e os homens sentados tranqüilamente,

pensando em qualquer assunto, poderão cortar o ar

com suas asas artificiais da mesma forma que os pássaros, assim como serão criadas máquinas que permitam ao

homem movimentar-se pelo fundo dos mares…

Aí estão. Barcos a vapor, automóveis, aviões e

submarinos. O divertido disso é que estas linhas foram escritas no século 13. Roger Bacon tinha imaginação, fez uso dela e acertou. Bem, alguns dirão que isso não é nada espetacular. Dirão que o mais difícil não é acertar o fato e sim a época em que ele ocorreu. Nosso amigo Bacon não marcou nenhuma data para esses eventos.

E dirão que este é o ponto central da questão e mencionarão o exemplo de Júlio Verne que falou da televisão mas DAQUI A MIL ANOS (com mil anos de antecedência). Apesar de todas as objeções, também é verdade que é possível pensar no futuro, por mais distante que ele esteja e acertar. É nesse sentido que justificamos o nosso propósito.

Arthur C. Clarke, autor de 2001, 2010 e 3001 entre outros filmes de sucesso, disse algo que ajuda a disciplinar nosso processo mental:

Tudo aquilo que é possível na teoria, se tornará

realidade na prática, seja qual for a dificuldade técnica, desde que assim for desejado.Mas a única maneira de 14

se descobrir os limites do possível é se aventurar um pouco além, até entrar no terreno do impossível.

Nada do que se sugere neste livro é impossível na

teoria. A realização de uma coisa depende apenas do nosso desejo de realizá-la. Depende de nós. Muita gente fala do futuro como se ele fosse um fenômeno totalmente arbitrário e independente de nós. Mas na realidade, nós é que construiremos esse futuro – seja pela ação ou pela omissão.

Arthur Clarke também escreveu:

As técnicas de comunicação que existem hoje são

tão maravilhosas, estão tão integradas no próprio

tecido da nossa sociedade, que não percebemos suas enormes limitações e temos dificuldade em imaginar qualquer avanço significativo.

Arthur Clarke escreveu isto há 40 anos. No entanto, parece especialmente adequado para descrever os dias de hoje. É pretensioso supor que a situação atual não possa evoluir até grandes e surpreendentes novidades e que a realidade de hoje seja o suficiente. O que acontece é que quando se projeta o futuro, pensa-se em termos da realidade atual e isto limita nossa visão. Para pensar no futuro, temos que nos transportar para esse futuro.

É difícil tentar imaginar como será o futuro além da nossa morte. Mas o mundo continua e a obrigação de qualquer ser pensante é integrar-se ao processo histórico e evolutivo. Se não for assim, corremos o risco de aceitar a frase de John Lennon:

15

Life is what happens to you, while

youŕe busy making other plans

Traduzindo ao pé da letra, é alguma coisa

assim como “a vida é o que acontece com você

enquanto você está ocupado planejando outras

coisas”. Lennon queria ensinar ao filho pequeno a

necessidade de viver o momento presente sem

se preocupar com mais nada. Na verdade, podemos

pensar no futuro ou deixar de fazê-lo, mas o

futuro acontecerá de qualquer maneira. Neste

livro, decidimos ser corajosos e abordar este

tema. Esperamos que desfrutem das nossas

“alucinações”.

16

1. A EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA ESPÉCIE E O

PARALELISMO SOCIAL

A COMUNICAÇÃO DEFINE A ESTRUTURA SOCIAL

AS ESPÉCIES COMUNICATIVAS

Antes de começarmos e antecipando o clima do que

vamos expor nesse livro, gostaríamos de dar uma opi-nião do ponto de vista humanístico. Queremos avaliar as conseqüências da comunicação nas relações humanas, com a intenção de promover um pano de fundo no qual as novas tecnologias e a sua aplicação na mídia da comunicação vão se desenvolver.

Neste planeta, as espécies precisam se comunicar para sobreviver.

As relações da comunicação são variadas, dependendo das espécies que a empregam. Não é igual a comunicação entre as baleias (um dos mais sofisticados sistemas da natureza) e entre as aves migratórias. Deixemos de lado, por ora, o Homo Comuniquens, embora seja justamente ele o foco da nossa atenção.

Pensem por um momento: A forma pela qual a espécie humana se comunica, determina sua condição evolutiva.

Em outras palavras, a comunicação entre as pessoas, de-terminou decisivamente, sua estrutura social. Os gestos definiram a estrutura social do Homem de Neanderthal. A escrita e a pintura definiram o Cromagnon, e o bit definirá o ser Infosocial.

17

Estamos no início de uma nova era da evolução

humana, que abrange, entre outros, os períodos:

PALEOLÍTICO

MESOLÍTICO

NEOLÍTICO

INFOLÍTICO

O PALEOLÍTICO

É o início da Idade da Pedra, caracterizado pela criação de ferramentas de pedra e pelo domínio do fogo, quando o homem vivia como caçador, coletor, predador e cons-trutor de ferramentas. No final desse período surgiram as primeiras evidências da arte rupestre nas pinturas das cavernas, que representam as tímidas intenções de uma comunicação formal.

O MESOLÍTICO

Este é o período de transição entre o paleolítico e o neolítico. O termo mesolítico marca uma era de coexis-tência entre sociedades paleolíticas de caçadores e os grupos neolíticos de agricultores. O progressivo aqueci-18

mento da Terra faz do nosso planeta um local propício ao arado e ao cultivo do solo.

O NEOLÍTICO

Estes primeiros inventos “tecnológicos” conduzem ao estabelecimento de uma nova sociedade baseada em

comunidades assentadas que agora criam gado e lavram a terra. Essa é a nova e última Idade da Pedra. Nasce uma nova sociedade que evolui mais rapidamente devido à transmissão, de geração para geração, de conhecimentos e técnicas. Esta transmissão constitui naturalmente uma versão primitiva de um sistema de comunicação.

O INFOLÍTICO

Acelerando o passo sem timidez, ultrapassamos 6.000 anos até chegarmos aos tempos atuais onde a sociedade

moderna aprendeu a fabricar “pedras” muito pequenas mas carregadas de grande quantidade de informação – os chamados microchips. Essas pedras modernas permitem aumentar o volume de informação e a velocidade com que ela é transmitida assim como o número de pessoas que possa se beneficiar desse conhecimento.

Mas voltemos atrás um momento. A urgência de conhe -

cimento e técnica que permita organizar a raça humana em comunidades mais estáveis deu um salto no ritmo da evolução da espécie através da comunicação. Daí a

importância dos meios de comunicação – dos Meios com 19

maiúscula. Porque os Meios condicionam a sociedade humana e os Meios determinam o relacionamento e a

evolução da nossa sociedade.

A comunicação pictórica das primeiras culturas do

Homo Sapiens, causou sem dúvida uma autêntica revo-lução na evolução da espécie. Se o período Paleolítico dura quase um milhão de anos, as primeiras concentra-

ções sociais e com elas as primeiras experiências em comunicação do conhecimento, permitem à raça humana evoluir da Idade da Pedra à Idade Tecnológica em apenas 15.000 anos.

O próximo avanço foi a linguagem escrita. Como e

quando a raça humana começou a desenvolver um sistema fonético de comunicação? Este é um assunto que merece ser discutido à parte. Será que foi inventado um sistema para descobrir o significado de cada desenho ou será que por meio de imagens explicava-se cada som? Nós não sabemos.

Sabemos apenas que os chineses inventam uma lin-

guagem que é desenhada em folhas de seda. Por sua vez, os egípcios desenvolveram seu próprio sistema

lingüístico-pictórico de hieroglíficos traçados em folhas de papiro. Hieróglifos desenhados nos escuros corredores de suas magníficas pirâmides e em outros recintos funerários e de culto religioso. Se o homem paleolítico superior conseguiu vencer o problema da transmissão da experiência, as culturas orientais dos últimos milênios antes de Cristo conseguiram superar o problema da difusão do conhecimento. Mas esta difusão é privilegiada, reservada apenas para as classes do poder político ou religioso, como também aconteceu nas culturas que surgiram no Mediterrâneo 20

(Grécia e Roma) e posteriormente durante o sombrio período medieval/cristão europeu (veja “O Nome da Rosa”).

Esta difusão li-mi-ta-da, gera uma situação onde a informação e o conhecimento ficam nas mãos de uma minoria que pretende se autoperpetuar numa posição lucrativa, con-trolando seu acesso. O patrimônio intelectual da humanidade fica restrito a poucas bibliotecas e à mercê da insanida-de bélica perpetuada pelo homem, através dos séculos.

Tamanha a sabedoria humana, às

vezes!!!

Simultaneamente e para a grande maioria da população mundial, começa a tradição oral. A experiência e o conhecimento humano são transmitidos através de quem memoriza as epopéias e as reconta. Era isso que faziam os antigos contadores de história. A mitologia e as grandes lendas, os deuses e as fadas, as figuras superdimensionadas da história do homem, são o resultado inevitável desta mesma tradição oral.

É isso que acontece até o ano de

1450!!!

Nessa data o alemão Gutenberg construiu a primeira máquina de imprensa. A nova tecnologia se estendeu rapidamente pela Europa Continental e em 1475 William Caxton introduziu-a na Inglaterra. Com este invento, é rompido o ciclo da difusão restrita do conhecimento e em apenas 500 anos o mundo é infestado de livros, jornais, revistas, guias, mapas, diretrizes. Um longo et cetera 21

de variáveis do princípio básico da difusão impressa de dados. Um invento técnico no mundo do pensamento

permite difundir idéias e conhecimento, contribui com a educação universal e abre espaço para novas técnicas desenvolvidas por indivíduos de todas as partes do mundo.

Ou seja, a criação da imprensa dá lugar ao primeiro fato da comunicação de massa da história do homem: O Livro.

Com essa invenção soluciona-se o problema da memória.

Mais tarde, Alexander Graham Bell inventa um aparelho que transporta a voz humana através de um cabo e o chama de Tele-Phone. Bell não imaginava o alcance da sua invenção, porque o que ele inventou na realidade foi uma Nova Sociedade, tendo solucionado o problema das distâncias. Quem pode imaginar a vida hoje sem o telefone?

Há quem diga: “A metade da população mundial nunca utilizou esse aparelho!”. Restam os outros 50%, o que significa que a outra metade utilizou o telefone. É apenas uma questão de pessimismo e otimismo – do copo meio vazio e do copo meio cheio.

A PRIMEIRA GERAÇÃO INFOLÍTICA

Qual é a primeira geração infolítica? Será a nossa? A de nossos filhos? O início de uma geração não é uma linha divisória imutável. Este é um fato evolutivo, que VAI SE

PRO-DU-ZIN-DO. Nossa geração criou a maior parte

das invenções que vão condicionar os Meios de Comunicação de amanhã. Precisamos escrever novos nomes dos modernos chanson de geste (trovadores medievais) dos dias de hoje:

22

Steve Jobs

William Gates (mais conhecido por Bill)

Nicholas Negroponte

Al Gore

E outros como:

Tony Blair (primeiro-ministro britânico)

Esperanza Aguirre (ministra espanhola de

Educação e Cultura)

Esses são os apóstolos da cultura do BIT (dígito binário). Nós, os mais modernos da nossa geração, somos os introdutores, os estimuladores, os visionários de um fenômeno. Mas nossos filhos e seus filhos e os filhos de seus filhos vão executar, desenvolver, organizar esta nova era social e mundial porque sem dúvida, TUDO

MUDARÁ. A organização social, os Estados, as nações, a economia. Em definitivo, o Ser Infolítico será o Ser Humano global. E

esse Ser de maneira nenhuma pode continuar organizado social-mente segundo nosso quase-tribal sistema de agrupamento humano baseado em coincidência ideológica ou racial.

Mais uma vez, do ponto de vista pessoal, podemos discutir esta transformação sob a ótica da forma, ritmo, ciclo, velocidade, mas não acreditamos que possa ser feita na sua essência. Porque a evolução dos Meios, que vai do formato molecular até o bit, tem que ser aceita como um fato INEVITÁVEL. Esta inexorabilidade que nos precipita ao futuro, como foi explicado pelo nosso admi-rado Negroponte, se baseia no bit, no digital. Maiores referências no já citado “O Mundo Digital”.

23

2. HÁ 60 ANOS

NOSSA GERAÇÃO E AS INVENÇÕES

Os meios de comunicação que existem no mundo são o resultado direto dos diferentes avanços tecnológicos conquistados ao longo dos séculos. Quando foi inventada a impressora no século 15, aconteceu uma revolução na armazenagem e transmissão do conhecimento. O mundo não dependia mais da tradição oral e de um copista para o intercâmbio de informação. Os grandes textos do mundo, começando pelos tratados religiosos, políticos e sociais, agora já podem ser consumidos em massa. Diferente do que acontecia anteriormente. A conseqüência social desta grande invenção foi a enorme influência que teve na sociedade, em todos os aspectos. Essa invenção nos fez emergir definitivamente da escura Idade Média. E a essa passagem devemos, em parte, a atual estrutura social e cultural que conhecemos com o nome de RENASCIMENTO.

Tão revolucionário, tão grande e tão fundamental foi esse acontecimento, que pouca coisa pode-se destacar neste terreno quanto às novas tecnologias. No século 18 com o invento da rotativa, acontece então um desenvolvimento técnico e não uma inovação radical. A Revolução In -

dustrial deu um enorme empurrão no progresso

tecnológico em geral e o século 19 trouxe vários inventos muito significativos para a comunicação. O século 20, como pode-se ver no quadro a seguir, marca a decolagem definitiva. Nossos meios de comunicação são o resultado direto desta evolução tecnológica e esta evolução é drama-24

ticamente exponencial. A corrida tecnológica é cada vez mais veloz e os meios de comunicação vêm atrelados a ela.

Desde o início deste livro, estamos prometendo uma previsão do futuro.

Qual futuro? Até onde podemos prever?

Queremos prever o que acontecerá dentro de 60

ANOS!!! E precisamente 60, porque esse número nos

atualiza no centro geométrico temporal, que unifica a geração dos pais de nossos pais, com a dos filhos dos nossos filhos. Porque quando nossos avós estavam

vivendo os melhores anos de suas vidas, aconteceram alguns fatos de grande transcendência. Vamos dar uma olhada no passado…

No ano de 1938, tempo dos pais de nossos pais, não existia a TV, nem computação em grande escala, nem fax.

Nesse tempo não existia avião a jato, nem viagem ao espaço, nem satélite.

É verdade que a 2.a Guerra Mundial deu um empurrão no desenvolvimento da radiodifusão e em várias outras tecnologias ainda embrionárias. Na verdade, a vida em 1938 era ainda bastante primitiva em comparação com a nossa sociedade de hoje. Os desenhos animados ficaram famosos um ano antes com “Branca de Neve” dos Estúdios Disney. O herói Super-Homem já tinha nascido e Orson Welles iria semear o pânico na sociedade norte-americana com sua interpretação radiofônica da “Guerra dos Mundos”

Por outro lado, o ano de 1938 é testemunha de importantes avanços tecnológicos: os irmãos Biro inventam o 25

polígrafo ou caneta esferográfica; faz-se a primeira cópia xerográfica; inventa-se o teflón e acontecem importantes avanços no uso de plásticos aplicados à vida cotidiana, desde cadeiras até secadores de cabelos. Talvez o mais irônico é que nesse mesmo ano, 1938, descobre-se a fissão nuclear e por sua vez um homem chamado Howard

Hughes bate o recorde mundial, dando a volta ao mundo, em apenas três dias. O recorde anterior, de 1933, conquistado por Wiley Post, era superior a sete dias.

Olhando para nossos dias atuais, aquilo parece pré-

histórico – uma sociedade quase sem tecnologia às vésperas da loucura coletiva de uma guerra mundial. Somente 60 anos. Que maravilhas nos esperam nos próximos 60

anos? Apenas 60 anos!

26

Algumas datas importantes:

Século 15

Século 18

Século 19

Século 20

Imprensa

Rotativa

Fotografia

Rádio

Plásticos

Aviões

Telefone

Parabólica

Microfone

Televisão

Linotipia

Magnetofone

Cinema

Circuito impresso

Computadores

Fotocomposição

Holograma

Satélites

Laser

Vídeo

Microchips

Fax

Controle remoto

INTERNET

Realidade Virtual

27

3. A RAZÃO DE SER DA INTERNET

Para qualquer pessoa envolvida no universo da comunicação, a criação e o desenvolvimento do que é conhecido como “A Rede das Redes”, constitui um elemento vital na análise, interpretação e previsão do que o futuro nos reserva em termos de comunicação.

Nós autores, nunca teríamos embarcado nessa aventura de projetar no futuro a nossa vivência social sem a influ-

ência do que os simples mortais chamam de mágica ou fascinação. Foram exatamente essa mágica e essa fascinação pelo fenômeno da INTERNET que uniu esses dois profissionais de mídia.

É grande a potência da Rede. É tal sua capacidade de unificar critérios. É tal sua capacidade de subverter idéias .

É tal sua capacidade de criar discrepância. É tal sua polêmi-ca capacidade de acumular energia mental. É tal o poder que pode-se encontrar AÍ DENTRO…

...e a única coisa que temos, é tratar de ENTENDER.

E para isso queremos oferecer-lhes nossa visão da

INTERNET.

PRELIMINARES MILITARES

A INTERNET, como a grande maioria dos avanços

tecnológicos, nasceu do trabalho de peritos militares. É

difícil precisar exatamente qual foi a data de seu nasci-28

mento. No entanto, tem suas raízes na ARPANET, a Rede da Agência de Investigação de Projetos Avançados dos Estados Unidos. Em 1962, a Força Armada dos Estados Unidos encomendou um estudo para avaliar como suas linhas de comunicação poderiam ser estruturadas de forma que permanecessem intactas ou pelo menos pudessem

ser rapidamente recuperadas em caso de um ataque nuclear.

A resposta foi montar uma Rede de comunicações que não dependesse de um só núcleo central cuja destruição pudesse comprometer toda a Rede. O briefing era simples mas complexo: desenhar uma Rede de comunicações

totalmente independente que fosse invulnerável a qualquer tentativa de destruição ou controle por parte de qualquer entidade ou potência. A ARPANET foi acionada em 1969.

Uma das vantagens imediatas do sistema ARPANET

foi o correio eletrônico. O e-mail permitia uma comunicação mais direta, sem as formalidades ou preâmbulos da

correspondência escrita tradicional. As mensagens conta-giaram-se com a rapidez do sistema e fizeram-se mais breves e concisas. Além disso, as pessoas podiam conversar entre si. A diferença da comunicação telefônica é que não era necessária a presença simultânea do emissor e do receptor.

E o resultado chegou até vocês. O fundamento disto é tão familiar hoje para todos nós como “o nome que for

@ onde quer que seja ponto com”. Começou há 30 anos.

E a gente acha que foi ontem.

Portanto, a INTERNET nasceu de um projeto militar

durante a Guerra Fria.

Mas hoje, a INTERNET é um meio de comunicação

muito mais completo que permite a troca de informação, conhecimento, a prática de jogos, transações comerciais e um longo et cetera entre indivíduos ou entidades.

29

É muito importante destacar que a INTERNET de

hoje foi criada pelos seus próprios usuários.

Cresceu organicamente, como bem diz o famoso ditado:

“A função cria o órgão”. E com a consideração adicional de que este crescimento orgânico é muito rápido também.

BILL GATES E OS 500 SATÉLITES RUSSOS

Os esforços tecnológicos, que num passado não tão distante, dirigiam-se a operações militares e guerras vão, a partir de agora, se dirigir ao desenvolvimento da comunicação. Os novos meios são distribuídos por satélites artificiais que orbitam na estratosfera. Não acreditamos que seja em vão a compra que Bill Gates fez de 500 satélites-espiões da ex-União Soviética, que estavam apodrecendo por inatividade, para utilizá-los como satélites de comunicações. É por aí que a INTERNET vai se desenvolver.

Freqüentemente pedem nossa opinião sobre o papel dos sistemas de cabeamento na evolução da INTERNET.

Nossa opinião é que o desenvolvimento da INTERNET, a obtenção da cobertura global, a rapidez da penetração em áreas desconhecidas e de difícil acesso, virá de mãos dadas com os satélites de comunicações.

Os sistemas de cabeamento servirão como sistema com-plementar no desenvolvimento da INTERNET, mas

acima de tudo, encontrarão sua máxima expressão funcional, como provedores de serviços numa escala mais local: 30

Sistemas de informação

Controladores de custos de energia

Distribuição especializada

Entretenimento

Compra-Venda, entre outras utilidades

31

4. DEFINIÇÃO E DESCRIÇÃO

A INTERNET NÃO EXISTE

A primeira coisa a aceitar é que a INTERNET não existe.

A percepção sensorial não nos permite reconhecer isto que chamamos de INTERNET…

…desde o ponto de vista molecular.

A Rede é um veículo de transmissão de dados, ima-

gens, sons... É alguma coisa que nos obriga a modificar nosso conceito da palavra.

TRANSMISSÃO

Como conseqüência, a primeira grande mudança mental que devemos assimilar, é que vamos passar da essência e transmissão MOLECULAR para a cultura do BIT.

E o bit é a quinta-essência da física. Obedece a outras leis e assume outras formas. Não pode-se tocar, nem ver, nem ouvir, nem saborear. Mas aqui farejamos alguma coisa importante e nos atrevemos a defini-la como “A RELIGIÃO DO FUTURO”. O primeiro dogma desta religião

é: a transformação de átomos em bits é irrevogável e irrefreável.

Em outras palavras, isso quer dizer que a transmissão mudará de forma. Não duvidem, será assim mais cedo ou mais tarde.

32

Quando? Não temos certeza da data mas na nossa opi-nião será muito antes do que todos nós supomos.

Nos últimos anos, tivemos o privilégio de viver e pre-senciar a maior revolução no mundo das comunicações desde a invenção da imprensa, há quase meio milênio.

Mas esta revolução está tão próxima que normalmente não temos nem tempo, nem vontade para sentar e pensar que tipo de vida herdarão nossos filhos e netos.

Um dos maiores problemas que a INTERNET susci-

ta é a sua quantificação. Qualquer número se torna instantaneamente obsoleto. O ritmo é frenético. O universo INTERNET cresce mensalmente 10% ou mais. A extensão do objeto construído também. Somente como refe-rência, oferecemos alguns dados históricos, já que por definição não podemos ter uma idéia do que a INTERNET

é hoje em dia. Incluímos um quadro para que adicionem novos dados à medida que sejam publicados.

A situação em junho de 1998:

Número de países

124

Universo (milhões)

119

EUA versus Restante do Mundo 60%/40%

Anunciantes Multinacionais

2.000+

Emissoras de TV

200+

Revistas

4.000+

Jornais

2.000+

Emissoras de Rádio

2.000+

33

A INTERNET atinge mais de 124 países do mundo e

conta com um índice de penetração nos Estados Unidos de 32%, isto é, um em cada três lares utiliza a

INTERNET.

Esse universo total de 119 milhões de pessoas, somente dos Estados Unidos, cada vez se expande mais, no mundo inteiro. Se em fevereiro de 1998 a cifra era de 70%, três meses depois tinha diminuído para menos de 60%.

Os anunciantes aderiram em massa à INTERNET.

Quase todas as grandes multinacionais têm seu website

são mais de 2.000 – mas talvez mais significativo ainda, seja um GRANDE conjunto de micro e pequenas empresas na Rede.

Todos os meios de comunicação estão se unindo também.

Os meios de comunicação estão rapidamente se transfor-mando para se adequar a nova linguagem da interação.

Existem mais de 200 canais de televisão, mais de 4.000

revistas, mais de 2.000 jornais e o mesmo número de emissoras de rádio, localizáveis na INTERNET. Todos os filmes de Hollywood têm seu website de pré-estréia na INTERNET.

Há muitas outras coisas na INTERNET também. De

fato, o benefício real de estar ligado baseia-se no grande leque de produtos e serviços que são oferecidos através da INTERNET. Na realidade, uma lista completa desses produtos e serviços ocuparia vários volumes, mas aqui nos limitaremos a resumir alguns exemplos da dimensão da INTERNET.

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ALGUNS DOS SERVIÇOS MAIS COMUNS:

Correio eletrônico (

e-mail ): É o serviço utilizado com

maior freqüência atualmente. Permite trocar correspondência com qualquer outro usuário de qualquer parte do mundo.

As listas de correio eletrônico possibilitam participar de salas de discussão sobre uma enormidade de assuntos e os provedores de correio permitem recuperar todo tipo de informação da Rede. As vantagens desse sistema de correio são a enorme rapidez e seu custo reduzido, já que a conexão é cobrada como uma ligação telefônica local mesmo se estivermos enviando um e-mail para o outro lado do mundo.

Conversações on-line: Muito popular a expressão in-glesa CHAT, inclusive em países de outros idiomas. Pode-se conversar em tempo real com outros usuários da

INTERNET como se faz numa ligação telefônica. É ideal para breves conversações de longa distância ou entre dois usuários que não falam o mesmo idioma, pois é mais fácil escrever do que falar.

Acesso à informação

: Muitos provedores têm arquivos

de informação que podem ser consultados ou mesmo

impressos sem custo algum. Estes arquivos podem ser informativos, lúdicos ou técnicos como os programas de software. Uma enorme gama de possibilidades: desde videogames até sistemas operacionais.

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Boletins de informação

: O sistema USENET conta com

serviços de informação contínua sobre diversos temas.

Existe informação para todos os níveis, desde esportes até teoria política incluindo um banco de dados internacional de piadas.

Jogos e Lazer: O famoso MUD ( Multi-user Dungeon) já é quase uma instituição na INTERNET e é jogado com

pessoas de toda parte do mundo. O IRC ( Internet Relay Chat) é a conversação entre os usuários que quiserem intervir em qualquer assunto.

Comércio e publicidade

: Evidentemente, um meio de

comunicação com estas características interessa a fabricantes e empresas de serviços, já que permite transformar o mundo inteiro em um só mercado, em um só universo.

Tanto os fabricantes como os publicitários e os meios tradicionais de comunicação estão ansiosos para tirar proveito deste novo meio de comunicação, pensando

somente (somente?) na enorme quantidade de pessoas e entidades que já estão conectadas e que se conectarão no futuro com a INTERNET.

Hoje, o potencial da INTERNET continua sendo bas-

tante maior que a realidade. Esta nova “comunicação informática” é ainda muito nova, faltando muito para aprender, mas asseguramos que a Rede presume uma verdadeira e autêntica revolução na comunicação entre as pessoas que habitam este planeta, da mesma forma que a imprensa e o telefone, quando foram criados.

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Muito bem, mas finalmente,

O que é a INTERNET?

De um ponto de vista intelectual, ou talvez ideológico, ou sintetizando em um termo mais amplo, humanista, este enorme conceito/fenômeno que conhecemos com o nome de INTERNET, pode ser considerado como a

máxima expressão da DEMOCRACIA.

Depois de verter esta informação para você, admirável leitor, vemo-nos na necessidade de lhe oferecer a página em branco para relaxar um pouco, para tomar um lanche, ou pensar numa outra coisa, porque a partir de agora você vai deixar o livro definitivamente de lado e reclamar de quem o recomendou, ou pode fazer duas coisas muito diferentes:

1. Discordar veementemente das informações que afir-mam ser a Internet é a expressão máxima da democracia ou

2. Considerar cuidadosamente todos esse dados e se aprofundar neste mundo que nós abrimos por esta via.

Se optar por qualquer uma destas possibilidades, não hesite em nos contatar. Está aqui novamente nosso endereço: David.Turner@ogilvy.com

jmuñoz@tmp-spain.com

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Por que a máxima expressão da

DEMOCRACIA?

A INTERNET constitui uma comunidade livre, igua-

litária e fraternal.

Historicamente, a informação era considerada, e de fato era, uma arma, uma maneira de adquirir poder sobre os outros... como por exemplo...

...Stálin odiava o telefone porque esse aparelho permitia que duas pesso as tivessem uma conversa sem que ele soubesse o que diziam.

...Krushchev foi derrotado porque foram mudados

todos os números de telefone em Moscou enquanto ele viajava para o exterior, para que não pudesse saber o que se passava na Rússia. Privaram-no da informação.

Todos os Estados controlavam, e alguns ainda controlam , os canais estatais de televisão. Na realidade, muitas das visões do futuro da literatura, ou mesmo do cinema de Hollywood, tem compartilhado da mesma premissa:

PODER MEDIANTE O

CONTROLE DA INFORMAÇÃO

porque

A INFORMAÇÃO É PODER.

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Alguns exemplos do mundo da ficção que ilustram

estas afirmações:

1984 .................................. (George Orwell) Admirável Mundo Novo ... (Aldous Huxley)

Blade Runner ...................... (Philip S. Dick) Guerra nas Estrelas ............ (George Lucas)

Alien ............(Grupo Andróides Anônimos)

Toda a visão indesejável da organização social do

futuro, baseada no controle da informação, acaba quando os sistemas de comunicação social são totalmente abertos a todas as pessoas, isto é, quando qualquer um pode mani-festar sua opinião livremente.

A INTERNET se revela como o instrumento capaz

de terminar de uma vez por todas com esse PODER,

porque:

A INTERNET é como a própria liberdade. Uma vez que a gente prova, quer mais.

Mas nem tudo são rosas. A INTERNET é anárquica e

caótica. Tem também todos os “maus elementos” da nossa sociedade. Existe tráfico de armas, terrorismo, pedofilia.

E tem que existir! Porque uma autêntica democracia admite todas as opiniões e crenças. Não podemos ter uma democracia só para os bons. É o preço que temos que pagar. Precisamente por isso, a INTERNET é universal – é para todos.

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É liberdade.

Houston, temos um problema!

Com a frase que ficou mundialmente conhecida quando houve a famosa falha na nave espacial da missão Apollo XIII, queremos ilustrar, a título de análise, o tema segurança. A segurança que a Rede oferece para a informação que circula através dela.

Um dos aspectos fundamentais da INTERNET é per-

mitir o acesso à informação armazenada pelos provedores que existem mundo afora. Mas é evidente, pela pró-

pria natureza do sistema, que quando alguém se conecta com a INTERNET para consultar e/ou obter dados, todo o universo INTERNET se conecta simultaneamente com essa pessoa. A conseqüência disso é uma série de riscos na segurança e controle de nossa própria informação .

Existem quatro riscos básicos em matéria de segurança:

· Pessoas não desejadas se apropriam do conteúdo de arquivos, de propriedade privada ou confidencial.

· Interceptação de dados confidenciais enviados a um provedor (por exemplo dados de cartões de crédito).

· Fuga de informações que permitem a pessoas não

desejadas acessar um computador.

· Vírus que permitam executar instruções sobre um computador para modificar ou danificar o sistema. Isto inclui os ataques de “negação de acesso” onde se bombardeia um computador com milhares de solicitações DE ACESSO, até que ele entre em colapso.

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Infelizmente, até os sistemas mais complexos e portanto mais potentes, são vulneráveis em matéria de segurança.

Pode-se dizer a mesma coisa do software INTERNET.

Quanto mais complexo ele é, mais frágil. Aqui, enfrentamos uma clássica decisão salomônica: ou ficamos com a criança inteira, ou não ficamos com nada. Não há meio termo.

Existe uma série de medidas que podem ser consideradas para reduzir a falta de segurança. Elas incluem a eliminação do sistema de usuários inativos ou caducados, ou a eleição de passwords e log-in bons e difíceis de descobrir. Também pode-se eliminar qualquer um que já não seja mais utilizado. Inclusive, existe um programa, Tripwire, que permite detectar níveis de suspeita de atividade na Rede.

Talvez a solução mais fácil, atualmente, seja a instalação de uma espécie de comporta ou firewall que permita controlar e limitar entradas e saídas.

Atualmente, o assunto mais “quente”, refere-se às transações comerciais feitas através do World Wide Web que implica pagamento em dinheiro. A INTERNET avança

em mão dupla na intenção de proporcionar segurança nas transações comerciais:

A primeira via, aplicável a todo o campo de segurança em geral, chama-se criptografia. Enviam-se dados

criptografados para o provedor que os decifra, envol-vendo até questões de segurança nacional. Nos Estados Unidos foi feita uma tentativa para trazer para a legislação a proibição que restringe a exportação sem restrições de programas criptografados e de tráfego de mensagens cifradas. Mesmo assim, a INTERNET, como já vimos,

foi criada especificamente para resistir ao controle, e nem sequer o presidente Clinton foi capaz de impor sua vontade.

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No fundo o dilema é: se todos os dados estão abertos, temos problemas de segurança e se todos os dados são criptografados, também existe risco de segurança. Houston temos um problema!!

Mas a codificação do arquivo em criptografia não só é uma forma de impedir que terceiros indesejáveis captu-rem nossa informação, como também é uma maneira de divulgar informação de modo controlável. Da mesma maneira que o pay-per-view (canais de televisão a cabo), difun-de um sinal codificado e vende a chave da decodificação, os provedores da informação divulgam seus documentos cifrados para terem compradores para a chave ou para ter controle do banco de dados.

Mas os publicitários, obviamente, têm outros interesses.

Quanto mais gente ver sua mensagem, muito melhor para eles... eles pensam. Por isso, a criptografia vai ser interessante somente nas transações comerciais.

A liberação da criptografia é provavelmente inevitável a longo prazo. Não se pode limitar o tipo de documento a ser cifrado. Os algoritmos utilizados são os mesmos para as aplicações, são multi-uso. Se você sabe criptografar o arquivo, você sabe criptografar o correio eletrônico.

Uma vez mais, a INTERNET é contundente – ou tudo

ou nada.

A segunda via, especificamente dirigida para resolver problemas de segurança nas transações comerciais, é o conceito do dinheiro eletrônico. Um dos problemas do cartão de crédito, mesmo protegendo sua retransmissão pela INTERNET, é que depois de sermos reconhecidos pelo nosso credor, continuamos deixando nosso rastro para outros. O uso de cartão de crédito deixa marcas eletrônicas indeléveis que podem ser consultadas na reconstrução 42

da nossa vida – uma violação à privacidade histórica. O

dinheiro, ao contrário, é totalmente anônimo.

Existem sistemas efetivos de dinheiro eletrônico ou ciberdólares/ciberbucks. Estes são créditos que adquirimos para usar em transações comerciais eletrônicas na Rede.

O dinheiro eletrônico também é anônimo e totalmente seguro, apesar de criar problemas macroeconômicos que veremos nos próximos capítulos.

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5. A IDADE DA MENTE

IMPLICAÇÕES E APLICAÇÕES

A INTERNET é uma revolução. É uma revolução

tecnológica mas também um fenômeno que afeta e afetará em todos os aspectos a sociedade mundial. Dada a tendência dos historiadores de catalogar nossa civilização em diferentes idades: a Idade do Gelo, a Idade da Pedra, a Idade da Razão, a Idade da Iluminação, a Idade

Tecnológica, nos atrevemos a nomear a nova era: a Idade da Mente. Falando em Idade da Mente é curioso notar que muitas visões futuristas nos apontam precisamente para uma sociedade de grandes poderes mentais. Também é interessante constatar que a expressão física do extraterrestre descrito pela ficção científica, em sua grande maioria, é de um humanóide com cabeça grande e testa protuberante. Será que estas visões são a prova do que Arthur C. Clarke chama de memória racial – nossa profunda memória do futuro?

O que na realidade parece evidente é que tanto a

imprensa, como o telefone quatro séculos mais tarde, e a INTERNET agora, deixarão importantes seqüelas em

cada aspecto de nossa vida e nossa cultura. Comentar todas as implicações inerentes ao desenvolvimento da INTERNET ocuparia mais espaço do que temos neste pequeno livro. Não dispomos também de autênticos visioná-

rios com conhecimentos privilegiados sobre o futuro. No entanto, neste capítulo, tentaremos destacar algumas das prin-cipais implicações desse novo meio de comunicação.

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IMPLICAÇÕES SOCIAIS

Com a criação da imprensa, o século 16 criou uma

corrente de pensamento que deu lugar a uma organização social cuja evolução trouxe o homem até nossos dias. E

provavelmente a INTERNET nos levará a participar do que poderíamos chamar de um NOVO RENASCIMENTO

CULTURAL. Baseados nessa nova tendência podemos

definir esse Renascimento como Negroponte o faz: A CULTURA DO BIT.

Estão-se produzindo importantes trocas sociais devido à INTERNET. É necessária uma menção especial a dois governantes, que estão impulsionando este admirável mundo novo:

1. O atual vice-presidente dos EUA, Al Gore. Aliás, qual será o destino do Partido Democrático pós-ZIPPERGATE?

2. O primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, que assinou um contrato inédito com Bill Gates. No ano 2000, cada estudante inglês de primeiro grau terá um computador, como a nossa geração tinha lápis e papel.

Neste território das mudanças sociais, a WWW está aju-dando a criar o que poderíamos chamar de comunidades globais de interesses comuns. Nestas comunidades o

“espaço físico” será irrelevante e o “tempo” terá outro papel. Guarde bem, respeitável leitor, este novo conceito em sua mente, pois ele é determinante na conceituação da organização social do futuro. Uma comunidade mundial com um interesse em comum converte-se numa unidade de coesão humana. Rompe-se o critério de agregação social 45

atual, que é baseado, fundamentalmente, na proximidade espacial/geográfica. Esse tipo de associação humana remonta às formas primitivas de organização social do Período Neolítico.

Há muitos anos, no norte da Europa, foi criada uma organização para fomentar a correspondência, por carta, entre jovens de diferentes países. Chamava-se penpals ou Amigos da Caneta. Enviava-se dados pessoais, interesses e passatempos e a organização nos oferecia os endereços de outros jovens que podiam ter afinidade conosco, para com isso iniciar uma correspondência. Às vezes, alguma

“amizade por correspondência” florescia e convertia-se em algo mais profundo e duradouro. A WWW significa uma extensão deste conceito em escala mundial. Não é emocionante?

A diferença mais importante é que agora se trata de comunidades, talvez inicialmente pequenas, mas unidas por um único fim – a comunicação “quase” pessoal. A personalidade de cada um é importante, ninguém é apenas um número e cada um pode encontrar uma alma gê-

mea em qualquer parte do mundo. Alguém com quem

compartilhar hobbies e interesses específicos sem levantar da cadeira. Este é o grande hino à individualização. E a grandeza do que estamos comentando é que apesar dessa individualização…

A INTERNET NÃO TEM CLASSE SOCIAL.

Este é outro conceito de grande transcendência no desenvolvimento da Rede, porque…

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…Mesmo que existam provedores diferenciados, nenhum computador é melhor do que outro. Nenhum usuário é melhor ou pior do que outro. Não importa a idade ou o aspecto físico. Não importa o status social.

Procurando no anedotário da INTERNET, encontramos

um exemplo da conseqüência deste aspecto que pode ser negativa. Um homem se apaixonou por outro homem

acreditando que se tratava de uma mulher.

A surpresa veio quando os dois marcaram um en-

contro para um drink.

Ao superar as fronteiras com uma informação que está ao alcance de todos, a INTERNET contribui com a

nivelação progressiva da sociedade, porque retira da equação o fator “poder aquisitivo”. Um estudante de Belas Artes em Assunção possivelmente não pode viajar a Paris e visitar o museu de Louvre. Com a conexão da

INTERNET passeia-se pelos corredores desse museu

de maneira virtual. Ainda não é o mesmo que estar lá, MAS estamos chegando perto.

A INTERNET é quase totalmente uma comunidade

democrática e isso se deve a sua própria natureza mais do que qualquer decisão específica de consciência. Portanto, devemos tolerar na Rede a presença de elementos indesejáveis, de caráter marginal e anti-social, que usam a pornografia, o fascismo, a fraude, por exemplo. Estes elementos encontrarão seu próprio nível natural no sistema.

Depende de todos nós. O conceito da maioria colocará cada coisa em seu lugar. A INTERNET provê informação o tempo todo, sem processá-la. Cabe a cada usuário utilizar a Rede com responsabilidade.

A própria natureza da INTERNET obriga um comércio

honesto, precisamente porque essa honestidade, essa quali-47

dade, trabalha a favor dos interesses comerciais de quem os vende. Pela própria natureza da INTERNET sobreviverão apenas os produtos e serviços que atraem um público suficientemente amplo para que a operação resulte rentável. Se tiverem qualidade, atingirão o nível de aceitação.

A INTERNET será regida pela ética e pelos diferentes gostos mais do que pela legislação. É nossa, é de todos nós – e nós faremos dela o que quisermos. De fato, a proposta de censura na INTERNET por parte do governo de Bill Clinton fracassou várias vezes. As massas falaram e quando as massas falam, não existe força ou poder que resista. Aí está a queda do muro de Berlim, que era um assunto impensável há alguns anos. Está aí o acordo de paz da Irlanda do Norte ou do Oriente Médio. Quando o povo fala numa só voz, impõe sua lei.

APLICAÇÕES

A INTERNET permite consultar numerosos provedores

que contêm uma quantidade enorme de informação, mas não pode garantir que esta informação seja exata ou verí-

dica. Esse é um tema profundamente importante. Grande quantidade de informação não significa necessariamente maior facilidade de decisão ou escolha.

A INTERNET coloca ao nosso alcance uma enorme

quantidade de dados e informação mas não as recomenda ou as interpreta. Talvez isso represente uma importante oportunidade para os futuros jornais eletrônicos que poderão atuar como guias através desse mar de informação. A Central de Jornalismo Europeu apresentou em Maastrich, Holanda, em setembro de 1998, um estudo intitulado

“O FUTURO DA IMPRENSA – DESAFIOS EM UM

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MUNDO DIGITAL”. Entre as conclusões do congresso,

encontra-se a seguinte no processo de valorização das versões digitais dos jornais:

OS JORNAIS VÃO SE TRANS-

FORMAR EM FÓRUNS PÚBLICOS

DE DEBATES, GUIANDO SEUS

LEITORES ATRAVÉS DE UMA

INTRINCADA SUPERSATURAÇÃO

DE INFORMAÇÃO OFERECIDA

PELAINTERNET.

O CONTRASTE constitui um fator básico em nosso

processo mental. Como podemos conceber o mal sem ter um conceito mais ou menos desevolvido do bem? Como podemos saber se uma coisa é verdadeira sem saber que a outra é falsa? Nossos cérebros são binários.

O CAOS inerente das informações, via INTERNET,

pode até nos dificultar para tomar decisões e assumir opiniões, porque o nosso cérebro precisa de algum sistema organizado de apresentação de dados. O usuário, então, é o responsável pela comprovação dos dados que envolvem a Rede. Essa liberdade de acesso à informação é responsabilidade dos indivíduos e das empresas. A facilidade de comunicação representada pela INTERNET pode nos

ajudar ou pode nos atrapalhar se não respeitamos as normas de educação e de ética dos serviços comerciais.

A INTERNET nasceu da anarquia, é companheira de

viagem da democracia e crescerá porque oferece a cada 49

indivíduo do planeta a possibilidade de dar sua opinião, por mais louvável ou escabrosa que seja, a quem queira escutar.

No entanto, nos atrevemos a afirmar que a

INTERNET vai além do conceito de acesso a um grande banco de dados. Vai além de uma simples questão de cultura geral. Há um fator fundamental na INTERNET

que é a idéia de trocar e compartilhar informação. Ocorrem-nos dois exemplos muito claros na aplicação e desenvolvimento da INTERNET. São duas áreas de ação que envolvem diretamente os difíceis desafios que qualquer país emergente da África, América Latina, Ásia ou Europa Oriental deve enfrentar com a Educação e Saúde.

Vimos nas páginas anteriores, como o estudante de Belas Artes em Assunção pode visitar, mesmo que virtualmente , o museu de Louvre e isto é muito bom, sem dúvida. Mas existe um desafio muito mais difícil e básico no campo da educação que é o desafio de oferecer a muitas crianças de baixa renda a possibilidade de uma educação básica. Estas crianças estão distribuídas em áreas pobres e perigosas das cidades e estão perdidas nas grandes regiões rurais cada vez mais despovoadas, o que resulta em um problema de logística quanto ao estabelecimento de escolas.

A partir de agora, para qualquer governo, é mais econômico instalar escolas dentro de residências. De uma conexão futurista na INTERNET usando satélites, com parabólicas muito pequenas, com um terminal passivo que no futuro será cada vez mais rudimentar (e barato), tendo apenas uma tela e um teclado será possível espalhar educação pelos “quatro cantos” do mundo. Com os programas de software sendo armazenados na INTERNET

e já que as economias de escala facilitarão a criação desses programas barateando custos, é possível que estas crianças 50

tenham acesso a uma programação básica de educação centralizada que vai melhorar o nível cultural e portanto o nível econômico. Imagine o significado dessa contribuição para solucionar problemas específicos como o das crianças segregadas no outback australiano e no sertão brasileiro!

A comunidade médica foi uma das primeiras a reco-

nhecer e aproveitar o potencial da INTERNET como

banco de dados de informação e fonte de conhecimento.

Digamos assim: nosso mundo é privilegiado porque conta com excelentes intelectos no campo da medicina em todas as partes do planeta. No entanto, foi demonstrado que a interação entre tais intelectos provoca uma espécie de anomalia matemática onde o total resulta ser maior do que a soma das partes. Se um médico em Bombaim

encontra vestígios de uma doença até então desconhecida, se descobre uma reação nova em algum paciente a um tratamento específico, ele pode consultar ou informar através da INTERNET e instantaneamente estará em contato com todos os outros gênios da medicina da atualidade, em qualquer parte desse planeta. Isto não só ajuda a elevar o nível geral da prática da medicina no mundo inteiro, como também contribui de forma decisiva para acelerar os avanços na área da descoberta de medicamentos e da cura eficaz para importantes pragas da era moderna como a Aids e o câncer. O intercâmbio instantâneo de observações, sintomas , casos médicos e descobertas só pode contribuir para um recurso médico cada vez mais eficaz.