Participação do óxido nítrico na hipertensão do avental branco por Leila Maria Marchi Alves - Versão HTML

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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

ESCOLA DE ENFERMAGEM DE RIBEIRÃO PRETO

PARTICIPAÇÃO DO ÓXIDO NÍTRICO NA HIPERTENSÃO

DO AVENTAL BRANCO

Leila Maria Marchi Alves

Ribeirão Preto - SP

2006

Leila Maria Marchi Alves

PARTICIPAÇÃO DO ÓXIDO NÍTRICO NA HIPERTENSÃO DO

AVENTAL BRANCO

Tese apresentada à Escola de

Enfermagem de Ribeirão Preto da

Universidade de São Paulo para obtenção

do título de Doutor em Enfermagem

Área de Concentração: Enfermagem

Fundamental

Linha de Pesquisa: Processo de cuidar do

adulto com doenças agudas e crônico-

degenerativas

Orientadora: Profa. Dra. Evelin Capellari Cárnio

Ribeirão Preto - SP

2006

Marchi-Alves, Leila Maria

Participação do óxido nítrico na hipertensão do avental

branco. Ribeirão Preto, 2006.

101 f.; 30cm.

Tese de Doutorado apresentada à Escola de

Enfermagem de Ribeirão Preto/USP –

Área de

Concentração: Enfermagem Fundamental –

Linha de

Pesquisa: Processo de cuidar do adulto com doenças

agudas e crônico-degenerativas.

Orientador: Cárnio, Evelin Capellari.

1. Pressão arterial. 2. Hipertensão. 3. Óxido nítrico.

Data da Defesa: 17/10/2006

Folha de Aprovação

Leila Maria Marchi Alves

Participação do óxido nítrico na hipertensão do avental branco

Tese apresentada à Escola de Enfermagem

de Ribeirão Preto da Universidade de São

Paulo para obtenção do título de doutor em

Enfermagem Fundamental, linha de pesquisa:

Processo de cuidar do adulto com doenças

agudas e crônico-degenerativas.

Banca Examinadora

Profa. Dra. Evelin Capellari Cárnio

Professora Associada do Departamento de Enfermagem Geral e Especializada da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo.

Orientadora.

Julgamento _______________________ Assinatura _____________________

Prof. Dr. José Antunes Rodrigues

Professor Titular do Departamento de Fisiologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

Julgamento _______________________ Assinatura _____________________

Profa. Dra. Maria Suely Nogueira

Professora Associada do Departamento de Enfermagem Geral e Especializada da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo.

Julgamento _______________________ Assinatura _____________________

Profa. Dra. Miyeko Hayashida

Doutora em Enfermagem. Chefe da Seção de Apoio Laboratorial da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo.

Julgamento _______________________ Assinatura _____________________

Profa. Dra. Claudia Bernardi Cesarino

Professora Doutora do Departamento de Enfermagem da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto.

Julgamento _______________________ Assinatura _____________________

Mãe,

Antes

teu amor preencheu minha luta,

tua paciência, meu desespero,

teu tempo, minha carência.

Hoje,

com meu amor,

tento preencher espaços

que ficaram vazios,

e dedico aos nossos sonhos

essa vitória.

Agradecimentos

À Profa. Dra. Maria Suely Nogueira, lembrança de ética e dedicação na relação aluno-professor, transformada em valiosa amizade, meu reconhecimento pela acolhida, pelo incentivo e pelo exemplo.

Ao Prof. Dr. José Antunes-Rodrigues, por ter partilhado seu imenso conhecimento intelectual, colaborando para a essência científica deste estudo.

À Dra. Miyeko Hayashida, pela atenção cuidadosa, sugestões e preciosa contribuição para o aprimoramento deste trabalho. Agradeço sobretudo o tempo dedicado ao meu auxílio nas dificuldades

encontradas ao final deste trabalho.

À Profa. Dra. Claudia Bernardi Cesarino, pela oportunidade de aprendizado, colaboração e competente análise crítica desta investigação.

À Profa. Dra. Isabel Amélia Costa Mendes, por ter-me apresentado projetos de sonhos e por me desafiar e a construí-los.

À amiga Simone de Godoy, pelo convívio fraterno, participando dos momentos de alegria e amenizando os dias de ansiedade com sua torcida e sempre pronta e eficiente cooperação.

À Izabel Martins Mastrogiácomo, por sua dedicação, paciência, carinho e tão valiosa ajuda no atendimento dos pacientes.

Ao enfermeiro Sidiney Moreira. dos Santos, amigo que tanto contribuiu com seu apoio e profissionalismo, auxiliando

especialmente nos imprevistos do cotidiano .

Aos médicos da Unidade Mista de Saúde de Dumont, em especial ao Dr Gianete Martins Garcia e ao Dr. Hélio Marques Jr., que com muita luz e conhecimento trabalharam em benefício dos participantes desta pesquisa.

Ao Dr. Walter Brito Ribeiro: tudo o que fazemos pensando em ajudar ao próximo, pela própria lei da natureza, nos é devolvido em dobro.

Só entendemos direito o milagre da vida quando deixamos que o inesperado aconteça. Obrigada e boa sorte!

Aos funcionários da Unidade Mista de Saúde de Dumont, pela compreensão, respeito e colaboração.

À Eliana Llapa Rodríguez, pela disponibilidade em realizar a tradução ao espanhol do resumo desta tese.

À madrinha Xili, meu eterno carinho pelas orientações de vida.

Aos amigos do Laboratório de Fisiologia da EERP-USP: Marcelo, Juliana, Flávia, Daniela, Rafael, Viviana, Angelita, Dalize e

Elaine, por tantas demonstrações de amizade e pela ajuda e disponibilidade na realização dos experimentos.

Aos colaboradores do Laboratório de Fisiologia da FMRP-USP, pelo suporte técnico que possibilitou a realização dos ensaios

experimentais para a dosagem de nitrato.

À Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, berço de minha formação profissional e acadêmica.

À FAPESP, pela concessão de financiamento para a condução desta pesquisa.

...as pessoas entram em nossa vida por acaso, mas não é por acaso que elas permanecem...

Agradecimentos especiais

À minha orientadora, Profa. Dra. Evelin Capellari Cárnio, pelos muitos ensinamentos, compreensão e orientação. Mais importante que a forma de expressar os sentimentos bons, é a grandeza que existe num ato de amizade. E neste ato, seja ele qual for, certamente sempre existirão três quesitos básicos: respeito, confiança e admiração.

Ao Prefeito Municipal de Dumont, Sr. Antonio Roque Bálsamo, por terme confiado a saúde dos munícipes ante seu esmerado e paternal governo. Orgulho-me de ter sido merecedora de tão grande crédito, fundamental para a concretização desta jornada. Se o desafio era enorme, a motivação e apoio recebidos foram ainda mais grandiosos.

Aos participantes desta pesquisa: vivemos juntos intensos momentos, que nos permitiram dividir trabalho, risos, choros, angústias e sucesso, além de palavras e atitudes de mútuo incentivo e

encorajamento. Meu eterno carinho e gratidão a todos, não importa quantos nomes vocês tenham.

Não apenas este projeto, mas todas as minhas conquistas

profissionais são dedicadas aos meus queridos pais, Geraldo e

Thereza, por suas sábias lições de esperança que me infundiram a confiança necessária para transpor obstáculos e prosseguir sempre.

Aos meus irmãos, Stella,

Eduardo,

Tereza

e Márcia, leais

companheiros de hoje e de sempre, que em nenhum momento deixaram de me apoiar.

À Rafaella, Beatrice e Breno, lembrando que cada instante vivido com vocês torna plena de emoção e de ternura a minha vida.

A toda minha família, incluindo Neile, Alexandre e Sérgio.

...A cada um de vocês, o meu reconhecido agradecimento

por suas presenças afetivas nos distintos momentos de

elaboração e condução deste estudo, tornando-os todos

autores deste trabalho...

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO

1

1.1. Fatores que contribuem para a hipertensão do avental

9

branco

1.2. Papel do óxido nítrico no controle da Pressão Arterial 10

2. OBJETIVOS

15

3. METODOLOGIA

17

3.1. Local onde o trabalho foi desenvolvido

18

3.2. Consentimento livre e esclarecido

18

3.3. População / Cadastro dos Participantes

18

3.4. Medida indireta da pressão arterial

21

3.5. Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial

21

3.6. Protocolo para realização dos exames de sangue e

23

urina

3.7. Determinação indireta de NO plasmático através de

24

dosagem de nitrato

3.8. Tratamento estatístico

25

4. RESULTADOS

26

5. DISCUSSÃO

50

6. CONCLUSÕES

65

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

69

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

72

APÊNDICES

79

ANEXO

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1.

Distribuição dos indivíduos de acordo com as patologias

27

cadastradas no Sistema de Cadastramento de

Hipertensos e Diabéticos – HIPERDIA, Dumont, 2006

Figura 2.

Pressão arterial sistólica (mmHg), verificada no

36

consultório, de indivíduos normotensos (NT), hipertensos

essenciais (HT) e hipertensos do avental branco (HAB)

Figura 3.

Pressão arterial diastólica (mmHg), verificada no

37

consultório, de indivíduos normotensos (NT), hipertensos

essenciais (HT) e hipertensos do avental branco (HAB)

Figura 4.

Pressão arterial sistólica (mmHg), no período de vigília

38

durante o exame de MAPA, de indivíduos normotensos

(NT), hipertensos essenciais (HT) e hipertensos do

avental branco (HAB)

Figura 5.

Pressão arterial diastólica (mmHg), no período de vigília

39

durante o exame de MAPA, de indivíduos normotensos

(NT), hipertensos essenciais (HT) e hipertensos do

avental branco (HAB)

Figura 6.

Índice de massa corporal (kg/m2) de indivíduos

40

normotensos (NT), hipertensos essenciais (HT) e

hipertensos do avental branco (HAB)

Figura 7.

Relação cintura/quadril (cm) de indivíduos normotensos

41

(NT), hipertensos essenciais (HT) e hipertensos do

avental branco (HAB)

Figura 8.

Glicemia plasmática de jejum (mg/dL) de indivíduos

42

normotensos (NT), hipertensos essenciais (HT) e

hipertensos do avental branco (HAB)

Figura 9.

Colesterol total plasmático (mg/dL) de indivíduos

43

normotensos (NT), hipertensos essenciais (HT) e

hipertensos do avental branco (HAB)

Figura 10. Triglicérides plasmático (mg/dL) de indivíduos 44

normotensos (NT), hipertensos essenciais (HT) e

hipertensos do avental branco (HAB)

Figura 11. Sódio plasmático (mEq/l) de indivíduos normotensos 45

(NT), hipertensos essenciais (HT) e hipertensos do

avental branco (HAB)

Figura 12. Potássio plasmático (mEq/l) de indivíduos normotensos 46

(NT), hipertensos essenciais (HT) e hipertensos do

avental branco (HAB)

Figura 13. Uréia plasmática (mg/dL) de indivíduos normotensos 47

(NT), hipertensos essenciais (HT) e hipertensos do

avental branco (HAB)

Figura 14. Creatinina plasmática (mg/dL) de indivíduos 48

normotensos (NT), hipertensos essenciais (HT) e

hipertensos do avental branco (HAB)

Figura 15. Nitrato plasmático (µM) de indivíduos normotensos (NT), 49

hipertensos essenciais (HT) e hipertensos do avental

branco (HAB)

LISTA DE TABELAS

Tabela 1.

Número e porcentagem de indivíduos normotensos

28

(NT), hipertensos essenciais (HT) e hipertensos do

avental branco (HAB) de acordo com a classificação

por índices pressóricos, Dumont, 2006

Tabela 2.

Número e porcentagem de indivíduos normotensos

29

(NT), hipertensos essenciais (HT) e hipertensos do

avental branco (HAB) de acordo com o sexo, Dumont,

2006

Tabela 3.

Número e porcentagem de indivíduos normotensos

30

(NT), hipertensos essenciais (HT) e hipertensos do

avental branco (HAB) de acordo com a faixa etária,

Dumont, 2006

Tabela 4.

Número e porcentagem de indivíduos normotensos

31

(NT), hipertensos essenciais (HT) e hipertensos do

avental branco (HAB) de acordo com a naturalidade,

Dumont, 2006

Tabela 5.

Número e porcentagem de indivíduos normotensos

32

(NT), hipertensos essenciais (HT) e hipertensos do

avental branco (HAB) de acordo com a cor da pele,

Dumont, 2006

Tabela 6.

Número e porcentagem de indivíduos normotensos

33

(NT), hipertensos essenciais (HT) e hipertensos do

avental branco (HAB) de acordo com o grau de

escolaridade, Dumont, 2006

Tabela 7.

Número e porcentagem de indivíduos normotensos

34

(NT), hipertensos essenciais (HT) e hipertensos do

avental branco (HAB) de acordo com o estado civil,

Dumont, 2006

Tabela 8.

Número e porcentagem de indivíduos normotensos

35

(NT), hipertensos essenciais (HT) e hipertensos do

avental branco (HAB) de acordo com fatores de risco,

Dumont, 2006

LISTA DE ABREVIATURAS

AAMI

Association for the Advancement of Medical Instrumentation (Associação para Avanço dos Equipamentos Médicos)

ABESO

Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da

Síndrome Metabólica

ANOVA

Analysis of Variance (análise de variância)

BHS

British Hypertension Society (Sociedade Britânica de Hipertensão) CID

Código Internacional das Doenças

DATASUS

Banco de Dados do Sistema Único de Saúde

DM Diabetes

mellitus

EDRF

E ndothelium-derived relaxing factor (fator relaxador derivado do endotélio)

EPM

Erro Padrão da Média

HA Hipertensão

Arterial

HAB

Hipertenso do avental branco

HIPERDIA Sistema de Cadastramento e Acompanhamento de Hipertensos e Diabéticos

HT Hipertenso

IBGE

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

IMC

Índice de Massa Corporal

L-NAME

NG-nitro-L-arginine metil ester

MAPA

Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial

MS

Ministério da Saúde

NO

Nitric oxide (óxido nítrico)

NOS

Nitric oxide synthases (óxido nítrico sintase)

NT Normotenso

PA Pressão

Arterial

PAD

Pressão Arterial Diastólica

PAS

Pressão Arterial Sistólica

RCQ

Razão Cintura/Quadril

SUS

Sistema Único de Saúde

LISTA DE SIGLAS E SÍMBOLOS

%

porcento

<

menor que

>

maior que

= igual

a

±

mais ou menos

maior ou igual que

µl microlitro

µM micromol

Cm centímetro

HCl ácido

clorídrico

Kg quilograma

Kg/m2

quilograma por metro quadrado

l litro

m metro

mEq/l

miliequivalente por litro

mg/dL

miligrama por decilitro

ml mililitros

mmHg milímetros

de

mercúrio

no número

NO2-

nitrito

NO3-

nitrato

O3

Ozônio

ºC

graus Celsius

p

valor de p

UI/ml

Unidade Internacional por mililitro

RESUMO

MARCHI-ALVES, L.M. Participação do óxido nítrico na hipertensão do avental branco. 2006. 101 f.Tese (Doutorado) - Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2006.

Hipertensão do avental branco significa uma elevação persistente da pressão arterial no consultório médico ou clínica, com pressão normal em quaisquer outras circunstâncias. Existem diversos questionamentos a respeito da origem, significado clínico, prognóstico e tratamento desta manifestação. Em relação à etiologia, nossa hipótese é que uma alteração endotelial, resultando em deficiência na produção ou utilização de óxido nítrico endógeno, constitua um fator primário para a ocorrência da hipertensão do avental branco. Este estudo, desenvolvido entre moradores do município de Dumont - São Paulo, Brasil, teve como objetivos caracterizar os participantes em relação a fatores demográficos, alterações fisiológicas e metabólicas para posteriormente identificar e comparar os níveis plasmáticos de nitrato - produto da degradação do óxido nítrico –

entre os sujeitos da pesquisa. De uma amostra de 441 voluntários, selecionamos 109 indivíduos, que foram divididos em três grupos: normotensão (no=58), hipertensão essencial (no=33) e hipertensão do avental branco (no=18), após medidas de pressão arterial com aparelho oscilométrico e exame de Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial.

Realizamos entrevista, mensuração de dados e coleta de exames laboratoriais para comparação das variáveis encontradas entre os grupos.

Para o tratamento estatístico, foram utilizados os testes ANOVA e Tukey. Os resultados foram expressos como médias ± erros padrões das médias. As diferenças foram consideradas estatisticamente significativas para p<0,05. A prevalência de hipertensão do avental branco foi de 34,1%, com predominância do sexo feminino (83,3%), média de idade de 45,28 anos, sendo a maioria natural do Estado de São Paulo (66,7%), de cor branca (88,9%), alfabetizada (33,3%), casada (72,2%), com histórico familiar para doenças cardiovasculares (72,2%). A análise da quantificação de nitrato plasmático apontou diferença significativa entre os grupos hipertensão do avental branco e normotensão em comparação aos hipertensos, com elevação dos níveis de nitrato sérico em portadores de hipertensão essencial. Também encontramos diferença estatisticamente significativa para índice de massa corporal, relação cintura/quadril, glicemia e creatinina plasmáticas, na comparação entre hipertensos do avental branco e normotensos. As distinções observadas entre os grupos e a presença de variações clínicas, demográficas e bioquímicas possibilitam inferir que a hipertensão do avental branco é uma condição que deve ser analisada de maneira distinta em relação a indivíduos normotensos e portadores de hipertensão essencial.

Palavras-chave: pressão arterial, hipertensão, óxido nítrico ABSTRACT

MARCHI-ALVES, L.M. Participation of nitric oxide in white coat hypertension. . 2006. 101 f.Thesis (Doctorate) – Nursing School of Ribeirão Preto, University of São Paulo, Ribeirão Preto, 2006.

The white coat hypertension is understood as a persistent increase in arterial pressure in the medical office or clinic, while normal blood pressure is observed in any other circumstances. There are several issues regarding the origin, clinical meaning, prognosis and treatment of this condition.

Concerning the etiology, our hypothesis is that an endothelial alteration, leading to deficiency either in the production or utilization of endogenous nitric oxide, may constitute a primary factor for the occurrence of white coat hypertension. This study, developed with the population of the city of Dumont

– São Paulo, Brazil, aims to characterize the participants in relation to demographical factors and metabolic and physiological changes to afterwards identify and compare plasma levels of nitrate – product of nitric oxide degradation – among the research’s subjects. We selected 109

individuals, from a sample of 441, who were divided in three groups: normotensive (n=58), essential hypertension (n=33) and white coat hypertension (n=18), following arterial pressure measures with oscilometric device and Arterial Pressure Monitoring Exam. Interviews, data measures and laboratory exams were accomplished as to enable the comparison of the variables found between groups. For the statistical treatment, ANOVA and Tukey’s test were used. Results were expressed in terms of means ± means’

standard deviations. The significance level adopted was p<0,05. White coat hypertension prevalence was of 34,1% with predominance of the feminine gender (83,3%), mean age 45,28, most of the participants original from the state of São Paulo (66,7%), white (88,9%), alphabetized (33,3%), married (72,2%) and with family history of cardiovascular diseases (72,2%).

Quantification of plasma nitrate showed significant difference between the white coat hypertension group and the normotensive group in comparison to hypertensive patients, with increased levels of serum nitrate in essential hypertension patients. We also found statistically significant difference for corporal mass index, hip/waist ratio, plasma glucose and creatinine, in the comparison between white coat hypertensive and normotensive patients. The distinctions observed between groups and the presence of clinical, demographical and biochemical variations allow us to suggest that the white coat hypertension is a condition which must be analyzed in a distinct way in relation to normotensive and essential hypertension patients.

Keywords: arterial pressure, hypertension, nitric oxide

RESUMEN

MARCHI-ALVES, L.M. Participación del óxido nítrico en la hipertensión de delantal blanco. 2006. 101 f. Tese (Doctorado) - Escuela de Enfermería de Ribeirão Preto, Universidad de São Paulo, Ribeirão Preto, 2006.

Hipertensión de delantal blanco denota una elevación persistente de la PA en el consultorio médico o servicio, con presión normal en cualquier otras circunstancias. Existen diversos cuestionamientos con respecto al origen, significado clínico, pronóstico y tratamiento de esta manifestación. En relación a la etiología, nuestra hipótesis considera que una alteración endotelial, que resulta en una deficiencia en la producción o utilización de oxido nitrico endógeno, constituye un factor primario para la ocurrencia de la hipertensión de delantal blanco. Este estudio, desarrollado entre habitantes del municipio de Dumont – São Paulo, Brasil, tuvo como objetivos caracterizar a los participantes en relación a los factores demográficos, alteraciones fisiológicas y metabólicas para posteriormente identificar y comparar los niveles plasmáticos de nitrato – producto de la degradación de óxido nitrico – entre los sujetos de la pesquisa. De una muestra de 441

voluntarios, seleccionamos 109 individuos, que fueran divididos en tres grupos: normotensión (n=58), hipertensión esencial (n=33) e hipertensión de delantal blanco (n=18), posterior a la medida de presión arterial con tensiómetro de manómetro y examen de Monitorización Ambulatoria de la Presión Arterial. Realizamos entrevista, medida de datos y recolección de exámenes laboratoriales para comparación de las variables encontradas entre los grupos. Para el tratamiento estadístico, fueron utilizados los test ANOVA e Tukey. Los resultados fueron expresados como medias ± errores padrón de medias. Las diferencias fueron consideradas estadísticamente significativas para p<0,05. La prevalencia de hipertensión de delantal blanco fue de 34,1%, con predominio del sexo femenino (83,3%), edad media de 45,28 anos, siendo la mayoría natural del Estado de São Paulo (66,7%), de piel blanca (88,9%), alfabetizada (33,3%), casada (72,2%), con historia familiar de enfermedades cardiovasculares (72,2%). El análisis de la cuantificación de nitrato plasmático indicó diferencia significativa entre los grupos hipertensión de delantal blanco y normotensión en comparación a los hipertensos, con elevación de los niveles de nitrato sérico en portadores de hipertensión esencial. También encontramos diferencia estadísticamente significativa para índices de masa corporal, relación cintura/cadera, glicemia y creatinina plasmática, en comparación entre hipertensos de delantal blanco y normotensos. Las diferencias observadas entre los grupos y la presencia de variaciones clínicas, demográficas y bioquímicas posibilitaron deducir que la hipertensión de delantal blanco es una condición que debe ser analizada de forma distinta en relación a individuos normotensos y portadores de hipertensión esencial.

Palabras-claves: presión arterial, hipertensión, oxido nitrico.

1. INTRODUÇÃO

Introdução

2

A pressão arterial (PA) é um parâmetro vital dependente de

condições fisiopatológicas inerentes a cada organismo, que tem seu valor alterado em decorrência das situações a que um indivíduo é submetido no decorrer do dia. Desta forma, a PA pode variar em função de flutuações verdadeiras ou aparentes. As primeiras se devem à variação intraindividual, quer durante as 24 horas, quer no decorrer de períodos mais longos de tempo, em função de estímulos fisiológicos intrínsecos ou ambientais (GUYTON; HALL, 1997).

Embora investigações atuais reconheçam o aumento da PA

relacionado à presença do médico, com descrição precisa do fenômeno avental branco somente em décadas recentes, há muito existem relatos de variações de sinais e sintomas associados ao exame clínico.

Historicamente, já em 1738, mesmo na impossibilidade de

determinação direta da PA, cientistas reportavam mudanças pronunciadas na freqüência e qualidade do pulso dos doentes, quando na presença do médico. Ainda no século XVIII, era recomendado ao praticante de medicina conversar com o paciente e tranqüilizá-lo antes de estimar as características do pulso, devendo o mesmo procedimento ser realizado por diversas vezes antes do diagnóstico final. Curiosamente, recomendações semelhantes permanecem em nossas mais modernas diretrizes (LEMMER, 1995).

Apesar disso, se considerarmos que tais referências são alusivas à manifestação de ansiedade frente ao médico, com conseqüente episódio de taquicardia, temos que a primeira descrição clássica de hipertensão do avental branco é creditada ao importante estudo de Ayman e Goldshine Introdução

3

(1940), que observaram que a variação da PA no ambiente domiciliar difere daquela observada no ambiente ambulatorial ou hospitalar.

Hipertensão do avental branco, termo também conhecido como

hipertensão de consultório, significa uma elevação persistente da PA no consultório médico ou clínica, com pressão normal em quaisquer outras circunstâncias (PICKERING et al.,1988). Sua definição precisa é inevitavelmente arbitrária, assim como a de qualquer outra categoria de hipertensão.

Deve-se enfatizar que ela não pode ser definida com base numa única visita a clínica. Muitos indivíduos têm uma pressão relativamente alta quando examinados pela primeira vez, porém tais cifras podem se apresentar mais baixas em consultas subseqüentes, provavelmente por adaptação ao ambiente. De acordo com Pickering (1995), um critério comumente utilizado para o diagnóstico de hipertensão do avental branco é o da obtenção de uma PA elevada à primeira visita clínica, que permanece aumentada após a segunda e terceira visitas, com comportamento normal fora da clínica, quando avaliada pela Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA).

Esse novo método de aferição da PA tem sido progressivamente utilizado na prática por sua capacidade de fornecer informações adicionais às usualmente obtidas a partir dos métodos tradicionais de medida da pressão. Sabemos que a medida da PA casual de consultório, apesar de considerado procedimento padrão para o diagnóstico de hipertensão e seguimento de pacientes hipertensos, está sujeita a inúmeros fatores de Introdução

4

erro, destacando-se a influência do observador e do ambiente onde a medida é realizada. Além disso, propiciam um número reduzido de leituras que não apresentam boa reprodutibilidade em longo prazo, conforme apontado pelas DIRETRIZES BRASILEIRAS DE HIPERTENSÃO

ARTERIAL-IV (2002). A MAPA é um recurso utilizado para medida da PA que, além de eliminar esses fatores de erro, amplia as possibilidades diagnósticas e terapêuticas (MION JR; NOBRE; OIGMAN, 1998).

Embora a MAPA não se preste ao diagnóstico de hipertensão

arterial, que deve preceder detalhada anamnese e acurado exame físico, sabemos que, na ausência de investigação do comportamento tensional nas 24 horas, muitas vezes o portador de hipertensão do avental branco é submetido a um tratamento impreciso.

Há que se diferenciar, ainda, efeito avental branco de hipertensão do avental branco. De acordo com a DIRETRIZ PARA USO DA

MONITORIZAÇÃO AMBULATORIAL DA PRESSÃO ARTERIAL –IV (2005),

define-se efeito avental branco como o valor obtido pela diferença entre a medida da pressão arterial no consultório e a da MAPA, sem haver mudança no diagnóstico. Já a hipertensão do avental branco ocorre quando há valores anormais na medida da pressão arterial no consultório e valores normais de pressão arterial pela MAPA durante o período de vigília. Saliente-se que nessa condição, sucede mudança de diagnóstico de normotensão fora do consultório para hipertensão no consultório.

É necessário observar que os critérios utilizados para definir a hipertensão do avental branco são importantes determinantes de sua Introdução