Paz de Cristo por Tiago Bonacho - Versão HTML

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PAZ DE CRISTO

COPYRIGHT©2010TIAGO BONACHO

PAZ DE CRISTO

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EXCEPTUANDO AS NOTAS DE RODAPÉ, ESTE LIVRO É O RESULTADO DA COMPILAÇÃO DE

SEGMENTOS REVISTOS PROVENIENTES DO LIVRO ERGONOMIA DA VERDADE, EM VIRTUDE

DA VONTADE DO AUTOR EM POSSUIR UMA IDEIA SINTETIZADA DE ALGUNS ASPECTOS DO

SEU PENSAMENTO CRISTOLÓGICO, DO GÉNERO LITERÁRIO NO QUAL TAIS TEXTOS FORAM

ORIGINALMENTE ESCRITOS, PARA UM OUTRO FORMATO, DESIGNADAMENTE, DE UMA

FORMA ROMANCEADA PARA A DE UM ENSAIO.

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PAZ DE CRISTO

ACERCA DA BÍBLIA

A

Bíblia,

por

razões

de

exposição

ou

contextualização geral, poderia ser dita como sendo

constituída por duas grandes partes: O Antigo

Testamento e o Novo Testamento. O que faz estas

duas grandes partes uma única unidade coerente é

uma Pessoa, Jesus Cristo.

O Antigo Testamento é constituído por quase todos

os Livros ou Textos Sagrados do que hoje em dia é

o Judaísmo em geral, Textos, esses, já existentes

antes do Nascimento de Jesus; e o Novo

Testamento é o conjunto de Livros ou Textos que

apareceram depois de Cristo, sendo Jesus, nos

mesmos, identificado explicitamente como sua

Causa e Razão – para os Cristãos, o Antigo

Testamento também é entendido como tendo a sua

Causa e Razão em Jesus, sendo, portanto, o Novo

Testamento, isto é, a Pessoa de Jesus, o

cumprimento do Antigo – sendo isso o que

diferencia fundamentalmente os Cristãos dos

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PAZ DE CRISTO

Judeus, apesar da crença mútua na quase

totalidade dos Textos do que é designado no

Cristianismo como Antigo Testamento –, estando

em desacordo, essencialmente, no que concerne ao

Messias, que, segundo Doutrina Cristã, resultou não

só em alguém providencial prometido e feito surgir

por Deus para o benefício temporal de um só povo

entre povos, mas no Próprio Filho de Deus

Encarnado, Juiz Eterno e Critério Universal, isto é,

já aqui, poderia ser dito, para lá de qualquer

definição científica que possa ser feita acerca dEle,

contextualizado assim em Teologia somente por

convenção, porque Ele É, simplesmente, Origem e

Fim da Realidade, suspensão de tudo aquilo que se

poderia contemplar como se sabendo até ao

encontro com Ele, sendo Santo, Senhor e Mestre,

como É, de tudo o que alguma vez possa vir a

denominar-se positivamente sob lei ou natureza.

Por que é que os Cristãos entendem a Bíblia como

sendo diferente de qualquer outro livro? Em primeiro

lugar, por causa de Jesus – que se acredita ser o

Filho de Deus, logo, Critério Absoluto relativamente

não só a esta matéria, mas a tudo o resto –, mas

por causa de Jesus, que se identificou com os

Textos que perfazem o Antigo Testamento, dos

quais disse que falavam e profetizavam acerca de Si

Próprio, e também por declarar, por exemplo,

acerca dos mesmos, algo como: é mais fácil que

passem o céu e a terra do que não seja cumprido

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PAZ DE CRISTO

um só til da Lei/Escritura1, entenda-se, Antigo

Testamento – daí que, todos esses Textos, apesar

de terem sido grafados através de intermediários

humanos, são para serem entendidos como tendo

tido uma participação decisiva e objectiva do Próprio

Deus aquando da escrita dos mesmos, logo, de

qualidade singular, sem paralelo e únicos em todo o

universo literário.

Esse estatuto exclusivo não se aplica somente aos

Textos que compõem o Antigo Testamento, mas,

agora, isto é, depois de Jesus, aos do Novo

Testamento também, que fala e comenta sobre a

Sua Pessoa, o Filho de Deus, sendo, então, a

totalidade desses dois grandes conjuntos de Textos,

os que perfazem a Bíblia, entendidos como tendo

sido escritos por seres humanos que, como se

convencionou denominar em teologia, foram

inspirados por Deus aquando da efectivação dessa

mesma tarefa, sendo Deus, por essa mesma razão,

tido como o verdadeiro Autor da Bíblia. Posto isto, a

Bíblia é tida como Canon, isto é, tida como

Medida/Regra Sagrada, exactamente por ser

entendida como tendo sido escrita sob Inspiração

Divina – que, no que à Bíblia diz respeito, só é

assim entendida somente no que concerne a um

género específico de textos numa específica janela

temporal.

1 Cf. MATEUS 5,18; LUCAS 16,17.

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PAZ DE CRISTO

Hoje em dia, a Bíblia, por motivos de uma

preparação e interpretação generalizadas acerca da

mesma, é lembrada por especialistas para ser

entendida como estando escrita em diferentes

géneros literários – basicamente, não se lê ou

entende um poema ou expressão poética do mesmo

modo como se faria uma narrativa ou uma descrição

literal de um facto. Esta atenção a ser dada aos

géneros literários deve ser tida em conta enquanto

lendo ou interpretando tanto o Antigo como o Novo

Testamento, mas parece que, numa primeira fase, e

sem nenhuma preparação prévia acerca da Bíblia, e

se descobrindo-a por nós próprios, os géneros

literários devem ser tidos mais em conta no Antigo

Testamento, dado que, o Novo Testamento,

exceptuando os Evangelhos, os Actos dos

Apóstolos e o Livro do Apocalipse, é constituído

sobretudo por Textos do género, ou formato, melhor

dizendo, epistolar, por cartas, que, apesar de serem

de natureza teológica, providencialmente acabaram

por contextualizar criticamente não só os Textos do

Novo Testamento, como os do Antigo também, que,

alguns deles, por si só (isto é, os Textos do Antigo

Testamento), poderiam parecer somente como a

literatura religiosa de um povo em particular, entre

outras religiões, em formatos como relatos históricos

e/ou poesia religiosa em sentido lato, isto é, se

entendidos somente dessa maneira, o que eles

significam verdadeiramente acerca da Realidade –

logo, interpretação acertada –, poderão ser

compreendidos somente de modo parcial ou até

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PAZ DE CRISTO

totalmente mal entendidos, como se Deus estivesse

a falar numa língua completamente desconhecida.

Agora, a questão dos géneros literários traz consigo

a questão da interpretação do Texto bíblico,

basicamente, o seu sentido literal e as suas

alternativas, ou seja, num sentido muito

fundamental, ou a Bíblia somente deseja transmitir o

que diz literalmente em todos os seus Livros ou

Textos, ou poderá transmitir algo mais noutros

níveis de interpretação, de forma semelhante ao que

se tornou denominação convencionada na ciência

literária como toda e qualquer expressão verbal em

que o seu significado poderá estar não só ou nada

no seu sentido literal, mas no seu, enfim, de modo

geral, sentido metaliteral, como aquando do uso de

sentidos figurados ou expressões metafóricas,

pontualmente, ou já numa compreensão global de

um texto, que poderá ser entendido, no seu todo,

como pertencendo aos géneros literários de história,

poesia ou saga. Então, o que dizer de tudo isto?

Como é que a Bíblia deve, então, ser

lida/interpretada? De acordo com a perspectiva dos

géneros literários, depende do Texto. Existem

Textos na Bíblia cuja maior parte poderá não ser de

todo inconveniente uma interpretação literal, como a

maior parte do Novo Testamento e aqueles

entendidos como pertencendo sobretudo, mas não

só, ao género histórico no Antigo, e outros cujos

significados ou compreensões convenientes possam

estar não só no seu entendimento literal mas

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PAZ DE CRISTO

também ou sobretudo em níveis que não o daquele

de uma semântica literal contingente.

No entanto, deverá ser dito, isto parece ser como

que um falso problema, isto é, no que diz respeito à

interpretação e aos géneros literários, e o que se

disse até agora acerca da Bíblia parece ser algo

mais para ser dito para quem não acredita em vez

de para quem tem fé, como uma introdução ou

contextualização literária geral para um primeiro

encontro com a Bíblia, dado que o que a Bíblia

parece fazer basicamente no seu todo – e isto

parece essencial no que diz respeito ao como todo e

qualquer Texto bíblico possa ser interpretado –, mas

o que a Bíblia parece fazer ou almejar

essencialmente é apresentar o Deus Cristão como o

Deus Vivo, o único Deus verdadeiramente existente,

manifestado na Bíblia de variados modos literários.

Isto parece ser essencial relativamente a

interpretação bíblica para notar que se aceita que os

Textos bíblicos têm significados para lá do seu

sentido literal, mas – e é por causa do que se segue

que se diz que isto parece ser algo como um falso

problema hermenêutico –, mas uma interpretação

literal de todo e qualquer Texto bíblico talvez não

deva ser tida como uma coisa difícil de se fazer ou

aceitar, isto é, o acreditar ou aceitar na possibilidade

de ter acontecido literalmente ou que irá acontecer

literalmente no futuro em seja de que forma for em

como possa estar descrito na Bíblia – outra vez, não

por se achar irreal ou não se acreditar nos sentidos

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PAZ DE CRISTO

metafóricos que os Textos também ou sobretudo

possam querer transmitir aqui ou ali, mas – e aqui

está – porque a crença em Deus Todo-Poderoso

(apriorística à leitura de qualquer Texto da Bíblia), já

aí parece relativizar, em absoluto, qualquer

obstáculo que se poderia ter na crença de um

desfecho literal de tudo o que está escrito na Bíblia

para o mundo da sensibilidade humana, passado,

presente, futuro ou eterno, sendo ou não o sentido

literal do Texto o ou um dos aspectos essenciais a

ser retirado do mesmo. E isto porquê?

Porque, de um modo geral, a semântica de um

símbolo, considerado aqui, em sentido lato, como os

tijolos ou estrutura de conceitos, (e, à excepção de

Deus, tudo o resto, poderia ser dito), mas a

semântica de um símbolo ou já o próprio símbolo,

ante a Omnipotência, parece ser paradoxal, isto é,

de natureza muito relativa no que concerne a

qualquer determinismo absolutamente invariável

que se possa entender da sua (aparente) natureza

exclusivamente simbólica. E isto porquê? Porque

colocando assim a questão, isto é, ao sugerir

interpretação bíblica através de géneros literários,

se mal entendido, mal aplicado ou sobrevalorizado,

poderá levar a concepções inapropriadas ou até a

um comprometimento ou atenuamento de fé em

Deus, especificamente no que diz respeito ao Seu

Poder, enquanto de certa forma parecer que se está

a sugerir uma impossibilidade entre qualquer

conceito que Deus possa ter na Sua Mente, e a

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PAZ DE CRISTO

possibilidade do primeiro se tornar exteriormente

real à segunda, se Deus assim o desejar, parecendo

ocorrer esta maneira de fazer exegese por

transferência (indevida), deliberada ou não, das

habilidades e entendimentos que nós, enquanto

humanos, temos de nós próprios, para Deus,

nomeadamente os condicionalismos que nós,

enquanto humanos, estamos sujeitos, de não

podermos transformar em realidade exterior às

nossas mentes qualquer que seja o conteúdo das

mesmas, isto é, conceptualizar e construir

exteriormente

uma

casa,

podemos,

mas

conceptualizar e, por exemplo, ressuscitar dos

mortos, não podemos – mas Deus pode. Assim, de

um modo muito geral, interpretar a Bíblia tendo

como preocupação se os autores bíblicos estavam

sempre em todo e qualquer Texto da Bíblia

relatando precisamente Realidade histórica, ou a

fazer uma interpretação teológica da Realidade, ou

a escrever um poema baseada na mesma, ou

expondo num formato de uma história ficcionada um

texto de modo a apresentar e resolver um problema

teológico dos seus tempos, ou todos os casos

citados, para Deus, no que concerne o que qualquer

conteúdo de qualquer texto possa significar para

Ele, no sentido de verdadeira interpretação, isto é,

de Realidade, passada, presente, futura e eterna,

ou, em última análise, o que Deus poderá desejar

querer fazer de sejam quais forem as palavras ou

conceitos, no sentido de os tornar reais para toda a

gente – no sentido de verdadeiramente igualizando

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PAZ DE CRISTO

interpretação correcta –, é tudo muito relativo – não

no que diz respeito a Regra de Doutrina ou

Tradição, mas no que concerne a um desfecho

específico no que na Bíblia, e/ou em qualquer forma

de conceptualização, possa mesmo (isto é,

eternamente) significar para Deus. Em resumo, a

Bíblia somente parece dizer verdadeiramente aquilo

que já diz ou pode ser entendido acerca dos

contornos do desfecho eterno da Vitória de Deus.

Enfim, tudo isto talvez possa ser resumido nas

palavras de São João Baptista: até mesmo destas

pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão2. Dado

que tudo neste mundo utente de livre-arbítrio, à

exceção de Deus, por força do mesmo parece ser

de natureza indeterminada até ser definida na morte

– não querendo dizer com isto que, mesmo aí, a

Misericórdia de Deus já não está disponível –,

sendo então eternizada, somente esta declaração –

isto é, e aqui está, se já acreditando em Deus –

deveria reiniciar qualquer que seja o sistema de

interpretação acerca da Realidade no seu todo,

mais ainda aquando de interpretação conceptual ou

simbólica quando, seja de que forma for, o Poder de

Deus é uma variável na equação.

De um modo geral, o exemplo seguinte pode ser

paradigmático no respeitante ao se procurar

entender se a Bíblia deveria ou não ser interpretada

2 Cf. MATEUS 3,9; LUCAS 3,8.

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PAZ DE CRISTO

literalmente ou metaforicamente, de ambas as

formas ou até de outra maneira ainda: as palavras

que encontramos no Antigo Testamento, no Livro do

Profeta Isaías3, quando se fala de uma futura

Personagem que daria a visão aos cegos e a

audição aos surdos, poderiam muito bem ser

entendidas, antes de Jesus, como sendo de

natureza metafórica e tendo essa mesma intenção

(de assim serem entendidas), no sentido de

esclarecimento ou Revelação da Verdade (que esse

Alguém traria aquando do Seu Tempo). Ora, Jesus,

poderia ser dito, cumpriu essa parte do Texto, como

tal, duplamente: não só esclarecendo e Revelando a

Verdade, isto é, metaforicamente falando, dando a

vista aos cegos e a audição aos surdos (ao nível da

razão/intelecto, com a Sua Doutrina), mas também

literalmente, isto é, fisicamente dando a vista aos

cegos e a audição aos surdos4.

Com tudo isto não se está a dizer que os géneros

literários, relativamente à Bíblia, são completamente

inúteis ou inconvenientemente usados como matriz

nos Textos bíblicos de modo a melhor compreende-

los e interpretá-los. Somente para dizer que uma

compreensão parcial da Bíblia até pode ser

considerada como tal por parte daqueles que não

3 Cf. ISAÍAS 29,18; 35,5.

4 Cf. JOÃO 14,6 e MATEUS 11,5, p. ex.; ou JOÃO 8,12 e MATEUS

20,34.

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PAZ DE CRISTO

acreditam, mas fé parece ser indispensável de

modo a entende-la com todas as nossas

possibilidades e sempre num nível diferente

daqueles que não crêem, em última análise porque

a maneira como a informação/mensagem é

processada, logo correctamente interpretada,

parece divergir fundamentalmente no que diz

respeito à crença que se tem ou não na verdadeira

existência do emissor.

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