Pesquisa e desenvolvimento de fármacos no Brasil: estratégias de fomento por Silvio Barberato Filho - Versão HTML

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190.000

Toxicidade crônica (26 semanas em ratos e 39 semanas em cães)

366.000-488.000

Toxicidade crônica (39 semanas em macacos)

2.900.000

Potencial mutagênico

25.000-69.000

Potencial carcinogênico

1.124.000-2.287.000

Efeitos sobre a reprodução

313.000-458.000

2.290.000-6.000.000

Custo total

ou mais

* Custos convertidos de Francos Franceses para Euros, referentes a 2000-2001.

Fonte: Preziosi (2004).

Segundo a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa dos

Estados Unidos ( PhRMA - Pharmaceutical Research and Manufacturers of America), entre 1991 e 2001, os gastos na fase de desenvolvimento passaram de 40% para

60%, e o custo dos ensaios clínicos aumentou cinco vezes, passando de US$ 106

milhões para US$ 467 milhões (BOOTH; ZEMMEL, 2004).

Em alguns casos, como nos ensaios de fármacos para tratamento de

câncer de mama, o número estimado de pacientes nos Estados Unidos, disponíveis para ensaios clínicos, é cinco vezes menor que o número total de pacientes

necessário para testar todos os fármacos em desenvolvimento. Pesquisar fármacos direcionados para doenças com menor incidência, ao invés de focar as pesquisas para doenças crônicas e atenção primária, pode ser uma alternativa interessante, principalmente por reduzir o número de pacientes envolvidos nos ensaios clínicos, resultando em menor custo do desenvolvimento (BOOTH; ZEMMEL, 2004).

Devido à sensibilidade política quanto ao preço de medicamentos,

várias organizações têm procurado estimar o custo total do desenvolvimento de fármacos. Algumas referências que tratam do tema estão relacionadas na Tabela 4.

Muitas destas estimativas incluem o custo de oportunidade para o

capital envolvido (estimativa da receita potencial, caso o capital fosse investido em 46

outra área), bem como o custo de desenvolvimento com candidatos malsucedidos

que não chegam ao mercado (SWEENY, 2002).

Tabela 4 - Estimativas do custo de desenvolvimento de um novo fármaco

AUTOR/ENTIDADE CUSTO

ESTIMADO

REFERÊNCIA

PhRMAa

US$ 500 milhões

PhRMA, 2001

Public Citizenb

US$ 110 milhões

Young; Surrusco, 2001

Tufts CSDDc

US$ 231 milhões

Di Masi et al., 2001

Tufts CSDDc

US$ 802 milhões

Di Masi et al., 2003

Goozner, Merrill

US$ 160 milhões

Goozner, 2004

a Pharmaceutical Research and Manufacturers of America

b Public Citizen (ONG dos Estados Unidos que representa o interesse dos consumidores) c Center for the Study of Drug Development – Tufts University

Diante destes investimentos em pesquisa e desenvolvimento, as

grandes empresas farmacêuticas procuram maximizar os lucros obtidos com a

comercialização dos medicamentos inovadores, em especial durante a vigência de patentes.

A indústria farmacêutica é motivada para inovar, não apenas

incrementalmente, mas também para produzir inovações radicais - breakthroughs -

que permitem maior lucratividade e vantagens competitivas (COHEN, 2005).

Pode-se afirmar que a pesquisa e desenvolvimento de fármacos

procura, com freqüência, a descoberta dos chamados blockbusters. Um bom exemplo é o Viagra® (sildenafila) que, somente no Brasil, rendeu 29 milhões de dólares em um ano e, no mundo todo, obteve faturamento de US$ 1 bilhão apenas no primeiro ano de comercialização (CALLEGARI, 2000).

A empresa Boston Consulting Group estima que 80% do crescimento

das dez maiores firmas farmacêuticas na última década, decorreu da venda de

blockbusters. Alguns analistas sustentam que para manter crescimento de vendas na casa de dois dígitos, as grandes companhias farmacêuticas precisariam lançar dois a três blockbusters por ano, o que parece inviável, pois o percentual de vendas necessário para manter este nível de P&D aumenta de maneira contínua (FRANTZ, 2005).

A Tabela 5 apresenta o número de blockbusters com lançamento

previsto até 2008 (PREZIOSI, 2004).

47

Tabela 5 – Número de blockbusters com lançamento previsto até 2008

Empresa Número

de

blockbusters

AstraZeneca 3

Eli Lilly

3

Merck

3

Pfizer 3

Abbott 2

Novartis 2

Bristol-Myers Squibb

1

GlaxoSmithKline 1

Nobex Corp

1

Otsuka 1

Sankyo 1

Schering-Plough 1

Fonte: Preziosi (2004).

A Tabela 6 apresenta os 20 medicamentos mais vendidos (sob

prescrição) nos Estados Unidos, em 2004. Pode-se observar que apenas um dos 20

medicamentos apresentou faturamento anual inferior a US$ 2 bilhões. Considerando o ano de introdução de cada medicamento, comprova-se que o faturamento destes blockbusters tende a se sustentar por vários anos, garantindo lucros extraordinários para os inovadores. Dez deles foram introduzidos no mercado há mais de dez anos e 13 foram desenvolvidos por laboratórios americanos (RxLIST, 2005).

Tabela 6 - Os 20 medicamentos mais vendidos (sob prescrição) nos Estados Unidos, em 2004

Medicamento

Laboratório

Faturamento

Laboratório Inovador

Ano de

Posição

(Nome Comercial no

Fármaco

País Sede

produtor nos

(em bilhões de

(Nome Atualb)

introdução

Brasila)

Estados Unidos

US$)

1 LIPITOR

atorvastatina

Parke-Davis

(Pfizer) Estados

Unidos

1997

Pfizer

7,10

2 ZOCOR

sinvastatina

Merck

Estados

Unidos

2000 Merck

5,50

3 PREVACID

(Ogastro)

lansoprazol

Takeda Japão

1992

Tap

Pharma

4,00

4 NEXIUM

esomeprazol

AstraZeneca

Inglaterra 1992

AstraZeneca

3,60

5

PROCRIT (Eprex)

alfaepoetina

Amgen

Estados Unidos

1999c

Johnson & Johnson

3,30

6 ZOLOFT

sertralina

Pfizer

Estados Unidos

1990

Pfizer

3,00

7 PLAVIX

clopidogrel

Sanofi

(Sanofi-Aventis) França

1998

Bristol-Myers

Squibb

2,90

8

ADVAIR DISKUS (Seretide) salmeterol + fluticasona

GlaxoSmithKline

Inglaterra 1990

GlaxoSmithKline 2,80

9

ZYPREXA

olanzapina

Lilly

Estados Unidos

1996

Eli Lilly

2,70

10 CELEBREX

(Celebra)

celecoxibe

Searle

(Pfizer) Estados

Unidos

1999

Pfizer

2,70

11 NEURONTIN

gabapentina

Warner-Lambert

(Pfizer) Estados

Unidos

1993

Pfizer

2,50

12

EPOGEN (Eprex)

alfaepoetina

Amgen

Estados Unidos

1999c

Amgen 2,50

13

EFFEXOR XR (Efexor XR)

venlafaxina

Wyeth-Ayerst Estados

Unidos

1994 Wyeth

2,50

14 PROTONIX

(Pantozol) pantoprazol

Byk

Gulden (Altana)

Alemanha

1994

Wyeth

2,40

15 NORVASC

anlodipino

Pfizer

Estados Unidos

1990

Pfizer

2,30

16 SINGULAIR

montelucaste

sódico Merck Estados

Unidos

1998

Merck

2,10

17 ARANESP

(Não

alfadarbepoetina Amgen

Estado

Unidos

2002c

Amgen 2,10

comercializado)

18

RISPERDAL

risperidona

Janssen (Johnson & Jonhson)

Estados Unidos

1993

Johnson & Johnson

2,00

19 SEROQUEL

quetiapina

Zeneca

(AstraZeneca) Inglaterra 1997 AstraZeneca

2,00

20 FOSAMAX

alendronato

sódico

Inst. Gentili

Itália

1993

Merck

1,90

a Nome comercial no Brasil aparece entre parênteses apenas quando é diferente do nome comercial nos Estados Unidos.

b Nos casos em que o laboratório descobridor tenha passado por processo de fusão e aquisição, aparece o nome atual da companhia entre parênteses.

c Ano de aprovação nos Estados Unidos e não o ano da primeira introdução no mercado mundial, como os demais.

Fonte: Adaptado de RxList (2005).

48

49

A indústria farmacêutica tem história de inovações disruptivas iniciais -

breakthroughs - que representam, com freqüência, o primeiro-da-classe ( first-in-class), mas que podem apresentar deficiências após serem comercializados. Do ponto de vista estratégico, as empresas farmacêuticas exploram estas fragilidades como oportunidade para desenvolver melhorias gradativas e contínuas nas

moléculas destes fármacos, resultando muitas vezes em produtos de sucesso

equivalente ou superior ao de seus antecessores ( best-in-class). Tais melhorias incluem maior segurança, redução de efeitos adversos e interações

medicamentosas, maior duração do efeito e melhores esquemas terapêuticos

(COHEN, 2005; SCHMID; SMITH, 2002).

De fato, o sucesso do primeiro fármaco de uma classe e dos seus

respectivos seguidores varia bastante em cada classe terapêutica. Na maioria dos grupos, há aumento crescente do faturamento nos primeiros 5-10 anos após a

introdução do primeiro fármaco. Porém, há muitos exemplos nos quais os

seguidores apresentam maior faturamento que o primeiro fármaco da classe, e

outros exemplos nos quais, mesmo depois de 20 anos, surgiu um seguidor com

maior sucesso que o primeiro fármaco (PARKER; AMAR, 2005; SCHMID; SMITH,

2002).

A estratégia dos seguidores (aprimorar fármacos inovadores) agrega

ainda a vantagem de apresentar menor risco no desenvolvimento. Embora se

observem seguidores de sucesso mesmo 20 anos após o lançamento do primeiro

fármaco de uma classe, isto só será possível quando o novo fármaco apresentar vantagens importantes em relação às alternativas terapêuticas disponíveis

(PARKER; AMAR, 2005; SCHMID; SMITH, 2002).

Inovações incrementais muitas vezes representam avanços na

segurança e eficácia dos medicamentos, propiciam novas formulações e novas vias de administração. Do ponto de vista econômico, representam a possibilidade de redução de preços, devido ao aumento da concorrência na respectiva classe

terapêutica (WERTHEIMER; SANTELLA, 2005).

Portanto, inovações incrementais são importantes e não devem ser

desencorajadas por políticas nem por preconceito. Segundo informações da PhRMA, aproximadamente 20% do total investido em pesquisa e desenvolvimento tem sido alocado em projetos de inovação incremental de fármacos já comercializados

(COHEN, 2005).

50

Mesmo a proteção patentária, que é fundamental para os inovadores,

não evita a competição terapêutica e o lançamento de seguidores ocorre cada vez mais cedo, sendo, muitas vezes, o resultado do desenvolvimento de fármacos

considerados melhor-da-classe (DICKSON; GAGNON, 2004).

A indústria farmacêutica tem explorado novos mecanismos de ação

para tratar doenças novas ou há muito conhecidas. Esta estratégia apresenta

elevado risco técnico, porém menor risco comercial, uma vez que estes fármacos não encontram concorrentes no mercado. Porém, evidências apontam que

concentrar esforços no desenvolvimento de fármacos que representem o primeiro-da-classe pode não ser a melhor estratégia para muitas empresas. É mais

importante focar em inovações clínicas e não apenas em novos mecanismos de

ação, que nem sempre resultam em benefício clínico. A atorvastatina, por exemplo, aprovada mais de dez anos depois da lovastatina, apresenta maior redução de

lipoproteína de baixa densidade que os produtos anteriores - melhoria clínica considerada muito significante (PARKER; AMAR, 2005; BOOTH; ZEMMEL, 2004).

Pode-se afirmar que, o valor da inovação depende muito do

observador; e na medicina, há pelo menos quatro observadores: pacientes, médicos, agências reguladoras e compradores. Parâmetros como segurança, efeitos adversos reduzidos, conveniência e esquema terapêutico têm sido cada vez mais avaliados e contribuem também para acelerar o registro dos novos medicamentos, promover a prescrição médica e aumentar a adesão ao tratamento (PARKER; AMAR, 2005).

Mais importante ainda, é cada empresa manter um portfólio de

pesquisa ajustado às suas próprias características, que inclua primeiros-de-classe, melhores-de-classe, seguidores e extensões de linha (PARKER; AMAR, 2005).

A descoberta da estrutura do DNA foi o marco inicial para o

desenvolvimento de nova geração de fármacos, agora originados de processos

biológicos que utilizam técnicas de engenharia genética (biofármacos). A importância dessa nova geração é crescente, com taxas anuais de crescimento de 20% e 371

produtos em fase de testes pré-clínicos e clínicos nos Estados Unidos (PALMEIRA FILHO; PAN, 2003).

Os fármacos de origem biotecnológica, embora ainda em número

reduzido, têm garantido excelente retorno econômico para os inovadores. Os dez principais fármacos de origem biotecnológica, segundo as vendas mundiais em

2001, foram: alfaepoetina; alfainterferona 2b; filgrastim; insulina humana;

51

betainterferona 1a; rituximabe; somatropina; etanercepte; infliximabe e palivizumabe.

Juntos, estes dez fármacos alcançaram vendas de aproximadamente US$ 14

bilhões em 2001 (BERG; NASSR; PANG, 2002).

Entre 1989 e 2002, foram aprovados 28 biofármacos, sendo 17 deles

desenvolvidos por empresas biotecnológicas e apenas 11 por empresas

farmacêuticas tradicionais, mas não se pode afirmar que exista tendência de

mudança radical dos inovadores ao longo do tempo (COHEN, 2005).

A distinção entre empresas farmacêuticas tradicionais e empresas de

biotecnologia tem se tornado cada vez mais difícil. Algumas empresas de

biotecnologia como a Amgen, alcançaram tamanho semelhante às tradicionais

companhias farmacêuticas e estão enfrentando as mesmas pressões que as firmas farmacêuticas tradicionais sofrem. Isto tem gerado uma onda de fusões e aquisições também no setor biotecnológico, visando superar problemas de produtividade e

ampliar o portfólio de produtos em desenvolvimento (SWEENY, 2002).

As grandes empresas farmacêuticas da atualidade, que já existiam na

década de 40, mas tinham portes bem menores, alcançaram esta posição

privilegiada porque aproveitaram as oportunidades abertas pelo avanço do

conhecimento em síntese química e sua aplicação na medicina, para crescer de

forma acelerada, apoiadas nas seguintes ações (PALMEIRA FILHO; PAN, 2003):

¾ investimento intensivo em pesquisa e desenvolvimento de novas moléculas, o que possibilitou o lançamento de grande número de novos produtos de sucesso em

variadas classes terapêuticas;

¾ forte atuação na promoção das qualidades terapêuticas dos novos medicamentos; ¾ estabelecimento de plantas produtivas de medicamentos perto ou nos próprios mercados de consumo, utilizando os fármacos produzidos em instalações

próprias e de forma centralizada.

Estas empresas foram favorecidas por proteção patentária; reduzidos

controles oficiais de preço; aceitação, pelo mercado, dos elevados preços cobrados pelos produtos inovadores, com base na premissa de que “saúde não tem preço”; e ambiente regulatório menos exigente. A partir de 1990, essas condições se

alteraram e elas passaram a sofrer com (PALMEIRA FILHO; PAN, 2003):

¾ questionamentos crescentes sobre os preços cobrados pelos novos produtos

lançados, deixando de ter a mesma facilidade anterior para estabelecer os preços que julgavam “justo”;

52

¾ concorrência de genéricos, devido ao vencimento de patentes;

¾ maiores exigências regulatórias, que resultaram em aumento dos prazos das

pesquisas clínicas requeridas para lançamento de novo produto.

Mesmo quando a conjuntura se tornou menos favorável, com a

ampliação do controle por parte de órgãos públicos e privados, esse grupo de

empresas teve condições de manter e ainda elevar seus investimentos em P&D, que atingiram os recordes históricos de 18,2% das vendas em 2002 e valores totais, no mesmo ano, de US$ 32 bilhões para as empresas sediadas nos Estados Unidos.

Exame superficial dos valores envolvidos nessa atividade indica que provavelmente as remunerações obtidas são elevadas: nenhum produto da lista dos mais vendidos rendeu menos de US$ 2 bilhões por ano. Considerando os prazos de exploração

comercial de um produto com exclusividade, de cinco a dez anos, o faturamento total por produto atinge, no mínimo, de US$ 10 bilhões a US$ 20 bilhões durante o

período de proteção patentária, indicando que os custos de desenvolvimento são facilmente amortizados (PALMEIRA FILHO; PAN, 2003).

Em 2003, dos 66 medicamentos com faturamento anual superior a um

bilhão de dólares, 47 foram desenvolvidos por uma das dez maiores empresas

farmacêuticas (SELLERS, 2004).

Para manter os níveis de lucro esperados, a indústria farmacêutica

concentra-se no potencial de lucro dos mercados ricos. Isto fica evidente com a constatação de que a América do Norte, Europa e Japão representam cerca de 80%

do mercado farmacêutico mundial e abarcam apenas 20% da população; por outro

lado, África, Ásia, Oriente Médio e América Latina representam 80% da população mundial e respondem por apenas 20% do mercado (MÉDECINS SANS

FRONTIÈRES, 2001).

No Brasil, de acordo com estimativas da Febrafarma, apenas 19% dos

domicílios – aqueles com renda acima de dez salários mínimos - são responsáveis por 39% do consumo de medicamentos. Segundo Magalhães et al. (2003a apud

CAPANEMA; PALMEIRA FILHO, 2004), o gasto das famílias brasileiras

metropolitanas com produtos e serviços de saúde corresponde à cerca de 9% do

total de seus dispêndios. Os 10% mais ricos da população respondem por 25% do total das compras de medicamentos no país, enquanto os 20% mais pobres são

responsáveis por apenas 7%. No entanto, essas famílias mais pobres aplicam 66%

do total de seu dispêndio com saúde na compra de medicamentos, enquanto as

53

mais ricas gastavam apenas 24%. Assim, o aumento de preços de medicamentos

apresenta maior impacto sobre as famílias de baixa renda.

Uma análise do desenvolvimento de fármacos entre 1975-1999 revelou

que apenas 15 novos medicamentos para tratar doenças negligenciadas foram

introduzidos no mercado: duas novas moléculas para tratar tuberculose

(pirazinamida e rifapentina); duas novas formulações (anfotericina B lipossomal

[leishmaniose] e isetionato de pentamidina [tripanossomíase africana]); e 11 novas moléculas para tratar doenças tropicais (halofantrina, mefloquina, artemeter, atovaquina [malária], benznidazol, nifurtimox [doença de Chagas], albendazol [anti-helmíntico], eflornitina [tripanossomíase africana], ivermectina [oncocercose], oxamniquina, praziquantel [esquistossomíase]). Estas doenças afetam as

populações mais pobres e respondem por 12% da carga global de doenças. Em

comparação, 179 novos medicamentos foram desenvolvidos para tratar doenças

cardiovasculares, que representam 11% da carga total de doenças (MÉDECINS

SANS FRONTIÈRES, 2001).

Assim, também é preciso desenvolver estratégias que estimulem o

desenvolvimento de fármacos destinados ao tratamento de doenças com baixa

perspectiva de lucros (REICH, 2000).

A indústria se defende desta argumentação, de não ter compromisso

com a saúde da população dos países menos desenvolvidos, apresentando 48

fármacos desenvolvidos entre 1978 e 1998, para tratar doenças tropicais: malária (3); cólera (2); pneumonia (16); leishmaniose (4); criptosporidiose (1); hidatidose (1); filaríase (1); esquistossomíase (1); hepatites (12); febre tifóide (1); dengue (1); hanseníase (3); helmintíases (1) e raiva (1). (INTERNATIONAL FEDERATION OF

PHARMACEUTICAL MANUFACTURERS ASSOCIATIONS, 1999).

Mas como qualquer indústria, a farmacêutica não nega que depende

do lucro na comercialização de medicamentos para manter os elevados

investimentos em pesquisa e desenvolvimento. De maneira surpreendente, em

conferência na Universidade de Tufts, Raymond Gilmartin, presidente da Merck, abandonou a estratégia rotineira das empresas inovadoras de vincular o preço dos novos medicamentos ao custo das pesquisas. Ele foi muito claro ao afirmar que o preço de um novo medicamento é determinado pelo seu valor na prevenção e

tratamento das doenças. Em última instância, é o interesse de médicos e pacientes 54

pelo novo medicamento que determina seu preço (AMERICAN ASSOCIATION OF

PHARMACEUTICAL SCIENTISTS, 2002).

Isto faz com que o custo elevado dos produtos inovadores restrinja

ainda mais o acesso da população aos medicamentos, especialmente àqueles que

apresentam superioridade comprovada sobre seus antecessores (TACHINARDI,

1993).

55

CAPÍTULO 2

PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DE FÁRMACOS NO MUNDO E NO BRASIL

As atividades do primeiro estágio são aquelas relacionadas com a

pesquisa e desenvolvimento de novos fármacos e representam o elemento básico

da dinâmica competitiva da indústria no longo prazo (FRENKEL, 2002).

Segundo Silva (1999 apud CAPANEMA; PALMEIRA FILHO, 2004), os

grandes laboratórios internacionais utilizam como sustentação de suas vendas a diferenciação de produto, obtida de duas formas: por meio da inovação, traduzida no lançamento de novos produtos, e por meio de gastos intensivos na promoção de

medicamentos.

Ao mesmo tempo em que a produtividade da pesquisa e

desenvolvimento diminui, aumenta a pressão dos governos e dos consumidores

privados para reduzir o preço de medicamentos. Isto tem levado os grandes

laboratórios inovadores a procurar reduzir o custo do desenvolvimento de fármacos, através de estratégias como: melhorar o portfólio de pesquisa, eliminar o quanto antes os candidatos menos promissores e reduzir o tempo de avaliação em cada

fase do desenvolvimento (SWEENY, 2002).

Com o objetivo de caracterizar a pesquisa e desenvolvimento nos

laboratórios inovadores, foram analisados os novos fármacos introduzidos no

mercado mundial por um período de 20 anos (1984-2003).

2.1 – Pesquisa e desenvolvimento de fármacos no mundo

Todas as informações dos fármacos introduzidos no mercado mundial

entre 1984 e 2003 foram obtidas do Annual Reports in Medicinal Chemistry (ALLEN, 1985; ALLEN, 1986; ALLEN, 1987; BERNARDELLI; GAUDILLIÈRE; VERGNE, 2002;

BOYER-JOUBERT; LORTHIOIS; MOREAU, 2003; CHENG, 1994; CHENG, 1995;

CHENG, 1996; GALATSIS, 1997; GALATSIS, 1998; GAUDILLIÈRE, 1999;

GAUDILLIÈRE; BERNA, 2000; GAUDILLIÈRE; BERNARDELLI; BERNA, 2001;

HEGDE; CARTER, 2004; ONG; ALLEN, 1988; ONG; ALLEN, 1989; ONG; ALLEN,

56

1990; STRUPCZEWSKI; ELLIS, 1992; STRUPCZEWSKI; ELLIS, 1993;

STRUPCZEWSKI; ELLIS; ALLEN, 1991), que publica anualmente um capítulo

denominado “To market, to market”, apresentando cada um dos fármacos

introduzidos no mercado mundial no ano anterior ao da publicação. O nome dos

fármacos foi traduzido em conformidade com as Denominações Comuns Brasileiras (DCB); aqueles que não constavam nas DCBs, nem tinham regras claras de

nomenclatura, foram traduzidos com base no INN - International Nonproprietary Names for Pharmaceutical Substances ou, em última instância, foram denominados de acordo com a nomenclatura adotada no Annual Reports in Medicinal Chemistry (BRASIL, 2005e).

As Tabelas 1.1 a 1.20 do Apêndice - Desenvolvimento de fármacos: os

lançamentos da indústria farmacêutica no mercado mundial entre 1984 e 2003 -

apresentam o nome dos novos fármacos introduzidos no mercado mundial, os

laboratórios inovadores e seu país de origem, os laboratórios responsáveis pela primeira introdução de cada medicamento no mercado, os países dos lançamentos e as respectivas indicações terapêuticas.

No período estudado (1984-2003) foram introduzidos no mercado

mundial 766 fármacos e o número anual de lançamentos variou entre 25 e 60, com média anual de 38 lançamentos. Considerando o trabalho de Reis-Arndt (1983), que estudou 1498 medicamentos introduzidos no mercado entre 1961 e 1980, observa-se que o número de novos fármacos caiu vertiginosamente de 1961 até 1980, com o número de lançamentos anuais variando entre 99 e 45 (a média de lançamentos

naquele período correspondia a 75 novos fármacos/ano). Reis-Arndt (1983)

chamava a atenção para a redução de mais de 50% no número de lançamentos ao

longo daquele período; com base nos resultados apresentados neste capítulo, pode-se observar que a situação dos últimos 20 anos tornou-se ainda mais crítica. A Figura 1 sintetiza o número de lançamentos anuais entre 1961 e 2003. As

informações referentes a 1981 e 1982 foram obtidas de Reis-Arndt (1987), enquanto os dados de 1983 foram obtidos do próprio Annual Reports in Medicinal Chemistry (ALLEN, 1984), com a finalidade de garantir a continuidade dos registros.

A Tabela 7 (p. 58) apresenta os países sede dos laboratórios

inovadores e o número de fármacos descobertos em cada país, no período estudado (1984-2003). Os Estados Unidos foram responsáveis pelo maior número de

lançamentos, com 225 inovações, enquanto o Japão alcançou o segundo lugar com 57

197 inovações. A Inglaterra foi responsável pelo desenvolvimento de 74 novos

fármacos, a Alemanha por 58, e a Itália por 45 inovações; França e Suíça foram responsáveis por 43 novas descobertas cada, seguidas pela Espanha com 15,

Dinamarca e Suécia, ambas com 11 novos fármacos. Observa-se que, Estados

Unidos e Japão, juntos, foram responsáveis por 55% dos novos fármacos

desenvolvidos no período, enquanto os outros oito países mencionados foram

responsáveis por mais 39% das inovações.

2003

2 7

2 0 0 2

3 3

2 0 0 1

2 5

2000

3 5

1 9 9 9

3 6

1 9 9 8

2 7

1997

3 9

1996

3 8

1995

3 5

1994

4 4

1 9 9 3

4 3

1992

3 6

1991

3 5

1990

3 7

1989

3 3

1 9 8 8

5 3

1 9 8 7

6 0

1986

4 9

1985

4 0

1984

4 1

1 9 8 3

4 9

1 9 8 2

4 6

1981

7 4

1980

4 8

1979

4 5

1978

5 4

1 9 7 7

6 7

1 9 7 6

6 0

1975

7 3

1974

7 7

1973

7 7

1 9 7 2

6 7

1 9 7 1

9 1

1970

7 1

1969

8 5

1968

8 4

1967

8 7

1 9 6 6

8 4

1965

7 3

1964

7 0

1963

9 9

1962

9 3

1 9 6 1

9 3

0

1 0

2 0

3 0

4 0

5 0

6 0

7 0

8 0

9 0

1 0 0

1 1 0

Figura 1 – Novos fármacos introduzidos no mercado mundial entre 1961-2003

Fontes: Ampliado de Reis-Arndt (1983, 1987); Allen (1984)

Tabela 7 – Principais países sede dos laboratórios farmacêuticos inovadores (1984-2003) PAÍS INOVADOR

1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003

TOTAL

ESTADOS UNIDOS

10 13 10 15 9 6 7 14 8 10 11 8 10 10 13 14 11 15 10 21 225

JAPÃO

15 9 14

18

12

12 9 7 13

15

21

10 4 7 3 7 6 3 9 3 197

INGLATERRA

2 2 4 3 5 4 4 4 5 0 2 5 8 6 1 3 5 2 9 0 74

ALEMANHA

1 3 6 3 5 2 4 2 3 3 3 1 5 4 5 4 2 0 1 1 58

ITÁLIA

5 7 4 8 4 1 2 1 3 5 0 0 0 2 0 1 1 0 1 0 45

FRANÇA

3 3 6 4 7 2 0 1 0 2 2 3 1 3 2 1 0 2 1 0 43

SUÍÇA

3 1 2 2 2 2 4 3 1 3 2 4 4 3 2 0 1 3 0 1 43

ESPANHA

2 0 1 0 0 0 4 0 3 0 0 1 0 1 0 0 2 0 0 1 15

DINAMARCA

0 0 0 3 0 1 0 2 0 1 0 0 3 0 0 0 0 0 1 0 11

SUÉCIA

0 0 1 0 2 1 2 0 0 1 0 1 1 1 0 0 1 0 0 0 11

OUTROS**

0 2 1 4 7 2 1 1 0 3 3 3 2 2 1 6 7 0 2 0 47

TOTAL DE NOVOS 41 40 49 60 53 33 37 35 36 43 44 35* 38 39 27 36 35* 25 33* 27 766

FÁRMACOS

* Em 1995, um fármaco foi desenvolvido em conjunto pelos Estados Unidos e Suécia; em 2000, um fármaco foi desenvolvido em conjunto pelos Estados Unidos e Inglaterra; em 2002, um fármaco foi desenvolvido em conjunto por Bélgica e República Checa

** Os outros países são: Países Baixos (8), Bélgica (7), Finlândia (5), Índia (5), Canadá (3), Austrália (2), Áustria (2), China (2), Israel (2), Noruega (2), Coréia, Coréia do Sul, Hungria, Iugoslávia, Kasakistão, Mônaco, Nova Zelândia, República Checa, URSS.

58

Tabela 8 – Principais laboratórios farmacêuticos inovadores e seus respectivos lançamentos anuais (1984-2003) LABORATÓRIO

1984 1985 1986

1987

1988

1989

1990

1991

1992

1993

1994 1995

1996

1997

1998

1999

2000

2001

2002

2003 TOTAL

PFIZERa

2 4 2 2 2 1 3 2 3 3 2 3 4 2 1 3 1 4 2 46

ROCHEb

2 2 3 4 1 4 3 1 2 2 2 2 2 2 2 2 1 2 39

GLAXOSMITHKLINEc

2 2 3 3 1 4 4 2 1 3 4 2 1 2 1 3 38

AVENTISd

2 1 4 2 5 4 1 1 1 2 1 1 2 1 2 30

NOVARTISe

2 1 1 3 1 3 2 1 1 2 1 2 1 1 2 1 3 28

MERCKf

1 1 1 4 1 1 1 1 1 4 1 1 1 1 20

ASTRAZENECAg

1 1 3 1 2 2 3 2 1 4 20

TAKEDA

1 1 2 1 1 1 1 2 1 2 1 1 15

BOEHRINGER INGELHEIN

2 1 2 3 1 1 1 1 12

JOHNSON & JOHNSON

2 2 2 3 1 1 1 12

LILLY

1 2 1 1 2 1 1 3 12

BRISTOL-MYERS SQUIBBh

2

1 1 2

1

1

2 1 11

YAMANOUCHI

1 1 1 2 1 1 1 1 1 1 11

SANKYO

1 1 1 2 2 1 1 1 10

BAYER

2

1 2 1

1

1

1 1 10

SUMITOMO

1

1

2 1 1

1

1 1

1 10

SANOFI-SYNTHÉLABOi

1 2 1 1 1 2 1 9

ONO

1 1

2 1 1 2 8

SHIONOGI

1 1 2 1 1 1 1 8

WYETHj

1 1 1 1 1 1 1 7

OUTROS LABORATÓRIOS

24 19 29 37 23 17 17 18 23 31 25 14 15 18 11 25 25 15 11 13 410

TOTAL DE NOVOS

41 40 49 60 53 33 37 35 36 43 44 35 38 39 27 36 35 25 33 27 766

FÁRMACOS

LEGENDA – Principais processos de fusão, aquisição e associação envolvendo os laboratórios inovadores incluídos nesta tabela: a) PFIZER (16); WARNER LAMBERT (10); AGOURON (1); PHARMACIA & UPJOHN (6); PHARMACIA (5); UPJOHN (1); ERBAMONT (4); KABI PHARMACIA (1); SEARLE (2) b) ROCHE (10); HOFFMANN-LA ROCHE (7); BOEHRINGER MANNHEIN (5); GENENTECH (6); SYNTEX (5); ROCHE BIOSCIENCE (2); CHUGAI (4) c) GLAXO WELLCOME (7); GLAXO (6); WELLCOME (3); BURROUGHS-WELLCOME (3); SMITHKLINE BEECHAM (8); SMITHKLINE & FRENCH (2); ISF-SMITHKLINE (1); BEECHAM (5); GSK (3) d) HOECHST MARION ROUSSEL (4); HOECHST AG (7); ROUSSEL (2); ROUSSEL UCLAF (4); MERREL DOW (3); FISONS (2); RHONE-POULENC RORER (3); RHONE-POULENC (3); AVENTIS (2) e) NOVARTIS (10); SANDOZ (11); CIBA-GEIGY (7)

f) MERCK & CO (6); MERCK (12); E. MERCK (1); DUPONT MERCK (1)

g) ASTRA (6); ZENECA (6); ICI (3); ASTRAZENECA (5)

h) BRISTOL-MYERS SQUIBB (7); BRISTOL-MYERS (1); SQUIBB (1); BRISTOL (1); MEAD JOHNSON (1) 59

i) SANOFI (3); SYNTHÉLABO (5) SANOFI-SYNTHÉLABO (1)

j) AYERST (1); WYETH (1); WYETH-AYERST (2); AMERICAN HOME PRODUCTS (3)

Tabela 9 – Número de lançamentos anuais em cada uma das principais classes terapêuticas dos novos fármacos introduzidos no mercado mundial (1984-2003)

CLASSES TERAPÊUTICAS 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003

TOTAL

ANTIBIÓTICOS

5 9 4 10 7 3 4 3 9 6 3 1 0 3 2 3 1 1 5 1 80

ANTI-HIPERTENSIVOS

2 5 2 5 11 6 5 5 2 2 3 3 2 6 1 1 1 1 2 2 67

ANTINEOPLÁSICOS

2 1 4 1 4 2 1 3 5 4 6 4 0 1 8 4 2 5 3 60

ANTIINFLAMATÓRIOS

4 5 7 4 2 1 4 1 2 2 5 1 1 2 1 2 2 46

ANTIVIRAIS

2 1 1 1 1 1 3 3 5 4 2 4 1 2 1 4 36

ANTIULCEROSOS

2 4 2 5 1 1 1 1 1 1 2 1 1 1 4 1 29

ANTITROMBÓTICOS

1 1 4 3 2 1 2 1 1 2 1 1 1 1 22

ANTIALÉRGICOS

2 3 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 1 22

IMUNOMODULADORES*

1 1 3 2 1 5 2 1 1 1 1 1 20

ANTIFÚNGICOS

1 1 2 1 2 2 2 1 1 1 1 1 2 18

HIPOLIPEMIANTES

2 2 3 1 1 1 1 2 1 1 1 2 18

ANTIDEPRESSIVOS

2 2 3 2 1 3 3 1 17

TOTAL

22 27 29 42 31 20 23 22 23 22 27 18 14 23 11 20 16 11 21 14 435

* Inclui imunossupressores e imunoestimulantes

60

61

A concentração da pesquisa e desenvolvimento de fármacos fica ainda

mais evidente quando se observa que, além dos 10 principais países inovadores, apenas outros 19 países participaram, de maneira pontual, desenvolvendo algum novo fármaco.

A Figura 2 ilustra o desempenho de Japão e Estados Unidos no

período estudado, sempre agrupando o número de lançamentos em períodos de

cinco anos, para diminuir as oscilações bruscas no número de lançamentos anuais.

Pode-se observar que os Estados Unidos ampliaram sua capacidade inovadora,

enquanto o Japão apresentou trajetória declinante acentuada durante toda a década de 90, e só se estabilizou no final do período estudado, porém em patamar muito inferior ao do período inicial.

80

70

60

50

40

30

20

8

9

0

1

2

3

4

5

6

7

8

9

0

1

2

3

8

8

9

9

9

9

9

9

9

9

9

9

0

0

0

0

9

9

9

9

9

9

9

9

9

9

9

9

0

0

0

0

84-1

85-1

86-1

87-1

88-1

89-1

90-1

91-1

92-1

93-1

94-1

95-1

96-2

97-2

98-2

99-2

19

19

19

19

19

19

19

19

19

19

19

19

19

19

19

19

ESTADOS UNIDOS

JAPÃO

Figura 2 – Número de fármacos introduzidos no mercado mundial pelos

Estados Unidos e Japão, em períodos de cinco anos, entre 1984-2003

Entre os países estudados, apenas Estados Unidos e Inglaterra

terminaram o período inovando mais do que no início. Todos os outros países

apresentaram redução no número de fármacos desenvolvidos.

As Figuras 3, 4 e 5 mostram o desempenho de outros oito países.

Nestas figuras procurou-se agrupar países com capacidade inovadora semelhante.

62

A Suíça, que ocupa a sétima posição entre os países inovadores,

manteve boa regularidade no início do período, mas apresentou redução acentuada de lançamentos nos últimos dez anos.

25

20

15

10

5

0

8

9

0

1

2

3

4

5

6

7

8

9

0

1

2

3

198

198

199

199

199

199

199

199

199

199

199

199

200

200

200

200

84-

85-

86-

87-

88-

89-

90-

91-

92-

93-

94-

95-

96-

97-

98-

99-

19

19

19

19

19

19

19

19

19

19

19

19

19

19

19

19

INGLATERRA

ALEMANHA

SUIÇA

Figura 3 – Número de fármacos introduzidos no mercado mundial pela

Inglaterra, Alemanha e Suíça, em períodos de cinco anos, entre 1984-2003

10

8

6

4

2

0

88

89

90

91

92

93

94

95

96

97

98

99

00

01

02

03

19

19

19

19

19

19

19

19

19

19

19

19

20

20

20

20

1984-

1985-

1986-