Poemas por Safo - Versão HTML

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Poemas

Safo

Ciberfil Literatura Digital

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Versão para Acrobat Reader por Marcelo C. Barbão Março de 2002

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A Átis

A uma mulher amada

(fragmentos de um poema)

Para Anactória

O Amor

As Rosas de Piéria

A Lua já se Pôs

Para Mnesídice

Como a Doce Maçã

A amada

...

A Lua

O ciúme

Um jardim

Adeus

A Átis

Não minto: eu me queria morta.

Deixava-me, desfeita em lágrimas:

"Mas, ah, que triste a nossa sina!

Eu vou contra a vontade, juro, Safo". "Seja feliz", eu disse,

"E lembre-se de quanto a quero.

Ou já esqueceu? Pois vou lembrar-lhe Os nossos momentos de amor.

Quantas grinaldas, no seu colo,

— Rosas, violetas, açafrão —

Trançamos juntas! Multiflores Colares atei para o tenro

Pescoço de Átis; os perfumes Nos cabelos, os óleos raros Da sua pele em minha pele!

[...]

Cama macia, o amor nascia

De sua beleza, e eu matava A sua sede" [...}

Cai a lua, caem as plêiades e É meia-noite, o tempo passa e Eu só, aqui deitada, desejante.

— Adolescência, adolescência, Você se vai, aonde vai?

— Não volto mais para você, Para você volto mais não.

A uma mulher amada

Ditosa que ao teu lado só por ti suspiro!

Quem goza o prazer de te escutar, quem vê, às vezes, teu doce sorriso.

Nem os deuses felizes o podem igualar.

Sinto um fogo sutil correr de veia em veia por minha carne, ó suave bem querida, e no transporte doce que a minha alma enleia eu sinto asperamente a voz emudecida.

Uma nuvem confusa me enevoa o olhar.

Não ouço mais. Eu caio num langor supremo; E pálida e perdida e febril e sem ar, um frêmito me abala... eu quase morro... eu tremo.

(fragmentos de um poema)

"Parece-me igual aos deuses ser aquele homem que, à sua frente sentado, de perto, doces palavras, inclinando o rosto, escuta,

e quando te ris, provocando o desejo; isso, eu juro, me faz com pavor bater o coração no peito; eu te vejo um instante apenas e as palavras todas me abandonam;

a língua se parte; debaixo da minha pele, no mesmo instante, corre um fogo sutil; meus olhos me vêem; zumbem meus ouvidos

um frio suor me recobre, um frêmito me apodera do corpo todo, mais verde que as ervas

eu fico

e que já estou morta

parece (...)

Mas (...)".

Para Anactória

A mais bela coisa deste mundo para alguns são soldados a marchar, para outros uma frota; para mim é a minha bem-querida.

Fácil é dá-lo a compreender a todos: Helena, a sem igual em formosura, achou que o destruidor da honra de Tróia era o melhor dos homens,

e assim não se deteve a cogitar em sua filha nem nos pais queridos: o Amor a seduziu e longe a fez ceder o coração.

Dobrar mulher não custa, se ela pensa por alto no que é próximo e querido.

Oh não me esqueças, Anactória, nem aquela que partiu:

prefiro o doce ruído de seus passos e o brilho de seu rosto a ver os carros e os soldados da Lídia combatendo cobertos de armadura.

O Amor

O Amor agita meu espírito

como se fosse um vendaval

a desabar sobre os carvalhos.

As Rosas de Piéria

E morta jazerás: de ti

não restará lembrança, em tempo algum, nem mesmo compaixão jamais despertarás: nas rosas de Piéria não tiveste parte.

Desconhecida até na casa de Hades, errante esvoaçarás em meio a obscuros mortos.

A Lua já se Pôs

A lua já se pôs,

as Plêiades também:

meia-noite; foge o tempo,

e estou deitada sozinha.

Para Mnesídice

Com as meigas mãos, ó Dice, trança ramos de aneto,

e põe essa coroa

em teus cabelos:

fogem as Graças

de quem não tem grinalda,

mas felizes acolhem

quem se enfeita de flores.

Como a Doce Maçã

Como a doce maçã que rubra, muito rubra, lá em cima, no alto do mais alto ramo os colhedores esqueceram; não, não esqueceram, não puderam atingir.

A amada

Ventura, que iguala aos deuses, Em meu conceito, desfruta

Quem, junto de ti sentada, As doces falas te escuta,

Goza teu mago sorrir.

Quando imagino em tal gosto ë minha alma um labirinto; Expira-me a voz nos lábios; Nas veias um fogo sinto;

Sinto os ouvidos zunir.

Gelado suor me inunda;

O corpo se me arrepia;

Foge-me as cores do rosto, Como ao vir da quadra fria Entra a folha a desmaiar.

Respiro a custo, e já cuido Que se esvai a doce vida!

Arrisquemo-nos a tudo...

Contra uma angústia insofrida tudo se deve tentar.

...

Toca, minha amiga,

as cordas puras da tua lira.

Já a idade fez secar meu corpo, embranquecendo-me os cabelos que eram pretos, tornando-me os joelhos mais que frouxos.

E agora, ó companheira bem amada, querem levar-te para longe do meu peito, como fazem também às jovens corças.

Adoro, mais que tudo, a flor da juventude.

Meu coração apaixonou-se pelo sol, meu coração apaixonou-se pela beleza.

Igual aos deuses me parece quem a teu lado vai sentar-se, quem saboreia a tua voz

mais as delícias desse riso.

quem me derrete o coração

e o faz bater sobre os meus lábios.

Assim que vejo esse teu rosto, quebra-se logo a minha voz, seca-me a língua entre os dentes, corre-me um fogo sob a pele, ficam-me surdos os ouvidos e os olhos cegos de repente.

Torna-se líquido o meu corpo: transpiro e tremo ao mesmo tempo.

Vejo-me verde: mais que a erva.

Só por acaso é que não morro.

Mergulha o teu corpo nesta água clara; veste-lhe a brancura de açafrão e púrpura; e o bordado brilho que há na tua túnica aumente a beleza que me é tão cara...

A morte não é um bem.

Os próprios deuses o sabem.

Eles preferiram viver...

A Lua

Em redor da formosa lua, as estrelas, escondem de novo o seu rosto brilhante, quando ela, cheia, brilha em todo o seu fulgor sobre a terra...

O ciúme

Parece-me igual aos deuses o homem que, diante de ti e próximo, escuta a tua doce voz e o teu riso amorável. Isso faz-me tumultuar o coração no peito. Na verdade, basta-me ver-te para que

a voz me falte, a língua

se me fenda e um repentino fogo subtil alastre

sob a minha pele, os olhos se me escureçam, os ouvidos me zumbam, o suor

me inunde, um arrepio

me percorra toda. Fico

mais verde do que a erva. Sinto que vou morrer.

Mas tudo é suportável, desde que humilde.

Um jardim

Vem de Creta até este templo sagrado, onde há um gracioso bosque de macieiras e altares onde arde o incenso.

Aqui, a água fresca canta através dos ramos das macieiras, a sombra das roseiras cobre todo o recinto e das trémulas folhas escorre um sono pesado.

Aqui, o prado onde pastam os cavalos já se cobriu de flores primaveris e as brisas sopram docemente [...]

[...]

Vem, Cípris, coroada de grinaldas, e, graciosamente, nas douradas taças o néctar ligado aos festins derrama

Adeus

Sinceramente, a minha vontade é morrer.

Por entre abundantes lágrimas, afastou-se de mim e disse-me:

"Que horrível sofrimento, Safo! É verdadeiramente contrariada que te deixo."

Eu respondi-lhe:

"Vai, não chores, e lembra-te de mim, bem sabes como te amei.

Se não, quero ao menos

que lembres tudo o que

de belo e doce nós vivemos.

Tantas coroas compostas juntamente de violetas, de rosas e açafrão com que, a meu lado, te enfeitavas e tantas grinaldas tecidas de belas flores, entrelaçadas à volta do teu colo tenro

e tantas ricas essências e o régio perfume com que

tu impregnavas a minha cabeleira e, deitada, num leito

macio, junto a mim,

o desejo aplacavas...

e nem casamento nem

disputa nem sequer correntes de água podiam destruir os laços pelos quais estamos unidas.

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