Poesias por Júlio Dinis - Versão HTML

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P O E S I A S

...quelle singuliére et triste impression

Produit un manuscritl Tout á l'heure, á ma table

Tout ce que j'écrivais me semblait admirable.

Maintenant, je ne sais — je n'ose y regarder.

Au moment du travail chaque nerf, chaque fibre

Tressaille comme un luth que Ton vient d'accorder

On n'écrit pas un mot que tout T'étre ne vibre.

(Soit dit sans vanité, c'est ce que Ton ressent)

On ne travaille pas — on ecoute — on attend.

C'est comme un inconnu qui vous parle á voix basse.

On rest quelque fois une nuit sur la place.

Sans faire un mouvement et sans se retourner.

On est comme un enfant dans sea habits de féte,

Qui criant de se salir et de se profanar.

Et puis et puis — enfin! — On a mal á la tete,

Quel étrange réveil ! Comme on se sent boiteux!

Comme on voit que Vulcain vient de tomber des éteux.

(Alfred de Musset — Premieres poésies)

Rien, à mon avis, de si insupportable que la lecture suivie d'un

recueil de vers; ils ne peuvent se lire que fort à batons rompus; cepen-dant en les reprenant et les quittant souvent, on les lit tout entiers et

quelque foi on y trouve de très jolies choses.

Essais dans le goüt de ceux de Montagne, on les loisirs

d'un ministre d'État (pág. 388).

Nota do Autor. — Havia muito tempo que eu pensava isto mesmo em relação aos volumes de poesías.

PRIMEIRA PARTE

A MEU IRMÃO

(JOSÉ JOAQUIM GOMES COELHO)

Também tu, meu irmão, inda aos vinte anos,

Dizes ao mundo teu extremo adeus!

Deixas-me só e partes! os arcanos

Vais da vida sondar aos pés de Deus?

Inda há bem pouco aspirações ridentes,

Despertadas ao sol da juventude,

Te apontavam futuros resplendentes

De mil glórias, de amor e de virtude.

Há pouco em devaneios tão risonhos,

Cantavas em sentida poesia

As meigas ilusões, dourados sonhos

Que te adejavam sempre à fantasia.

Há pouco tu julgavas do horizonte

Ver dum belo porvir sorrir-te a aurora,

Bem como a áurea luz c'roando o monte,

Do Sol precede a chama animadora.

Tudo isso era ilusão, simples quimera,

Que aos vinte anos sonhamos acordados;

Curta página a sorte te escrevera

No grande livro incógnito dos fados I

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P O E S I A S

E enquanto descuidado te entregavas

Aos sonhos da exaltada fantasia,

Sob a florea vereda que trilhavas

A morte, a fria morte, se escondia!

Tu viste uma por uma emurchecerem

As mais viçosas flores da tua vida;

E as esperanças seu verdor perderem

Com a aridez da existência desflorida.

E a vida te pareceu áspero deserto,

Assim desguarnecida de ilusões,

De laços materiais cedo liberto

Remontaste às celestes regiões.

Não te lamento, irmão; a tua sorte,

Ao que padece, inveja só produz;

Porque às trevas finais da hora da morte

Seguem-se anos sem fim de imensa luz.

Eras justo, no Céu gozas a palma,

Que ao mundo, aqui debalde pedirias,

E os anjos acolheram a tua alma

Num coro de suaves harmonias.

Mas eu, que te amei, pra quem tu eras

Mais que irmão, mais que pai, mais que amigo,

Eu, a quem desde infante ofereceras,

Pra suprir o de mãe fraterno abrigo.

Mais infeliz fui eu; junto a meu lado

Vago está o lugar que abandonaste.

Vivo só, com as saudades do passado,

Do tempo que de encantos povoaste.

Nesta acerba aridez do meu presente

Recordo-me da vida que passou,

E bem vejo que a sorte fatalmente

Na vida do infortúnio me lançou.

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