Poesias da Alma por Rogerio Alberto de Barros Figueiredo - Versão HTML

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A Guisa de Prefácio

Acerca de nós,

Estamos continuamente em processo de mudanças, há dias que a nossa motivação

está a pleno vapor e em outros, parece que o tempo parou. Mas é esse colorido

dinâmico da vida, que a faz interessante de ser trilhada, se todos os dias fossem glórias, qualquer simples derrota, representaria um ledo engano. Qual o quê!. A sabedoria está exatamente aí, em saber e aceitar a vida como um aprendizado, do qual fazem parte, as boas e as más notas.

Sejam bem vindos às minhas páginas e procurem encarar os textos, não como

vivências ou relatos fidedignos de minha experiência pessoal, pois nem sempre o são, mas como filhos, que uma vez criados, são posse de si mesmo.

Sobre a poesia,

Para falar de poesia não são necessárias palavras, pois ela exprime justamente tudo aquilo que não conseguimos verbalizar. O mundo sem a poesia seria como um árido deserto sem que ao menos se pudesse pintar um oásis.

Abraços e bom voo!

Rogerio.

Não abrace o Mundo.

Um dia acordei com um estranho ímpeto,

Abri os braços, tracei uma hipérbole e dancei até cair,

O teto se fez carrossel e os cavalos me olhavam,

Por instantes pensei, enlouqueci...

Tantas coisas fiz e tantas deixei de fazer,

Vi um amontoado de dias, despencando da folhinha,

E vozes gritando impropérios aos meus ouvidos,

Por instantes pensei, morri...

A quem caberá o legado das coisas inacabadas,

Que borracha será usada para apagar meus erros,

Em que saco serão colocados os meus sonhos e meus pesadelos ?

Por instantes pensei, a ninguém e em lugar nenhum...

Então, tudo foi inútil, tudo não passou de uma brisa,

E estas rugas, e estes cabelos brancos?

Afinal, como devo atravessar o arco-íris com o que restou de mim?

Por instantes finais pensei,

Minha culpa foi ter braços curtos...

Desconstrução

Derrida que me perdoe, mas ele nada entende de Zé Benedito.

Da massa disforme, preparada com suor e lágrimas, surgia a beleza,

Não se sabe como e de onde vinha, tanta criação,

Só sei, que os desafios eram seus pontos de partida.

Do seu jeito calado, sem saber ao menos como se explicar,

Iam se materializando teoremas e anátemas,

E em cada ato, ficava a certeza da criação por amor.

Em si, não havia espaço nem tempo, para orgulho ou vaidade,

Em si, não cabiam interesse ou reconhecimento,

Simplesmente era a sua única maneira de agir,

Sua escolha era sempre a perfeição duradoura.

Mas eu te observava, sem que soubesses, assim aprendi a te admirar.

Mas agora que partiste, da mesma forma como vivestes, sem alardes,

O que será da simplicidade, dos desafios, como criar sem o criador?

Amigo Zé, a tua partida para a eternidade, tirou de nós a tua arte,

Mas fica a certeza de que o céu se tornará mais perfeito.

Detalhes

Os dias avançam e os horizontes se estreitam,

Dramas vão se acumulando sem desfazer os anteriores,

Deixam a vida apertada e o medo se aproximando,

Já não ousamos dobrar esquinas sem antes espiar.

Mas nem sempre foi assim, houve um tempo de leveza,

Deitávamos sobre as nuvens e vagávamos pelos lagos,

A vida sorria e as promessas se cumpriam,

Éramos colhedores de margaridas e amantes da esperança.

Mas nem para sempre será assim, agora tropeçamos em pedras,

Os tempos felizes despencaram da folhinha, tal qual folhas mortas,

E nossas longas noites, são resquícios de espera e agonia,

Que nem mesmo o alvorecer traz a cura da insônia.

Mas são apenas detalhes... Ainda há muito mais, muito mais,

Esse pesar há de frutificar e se multiplicar,

Nada mais certo do que uma curva descendente,

Nada mais a esperar, agora é só lamentar...

Para Sempre

Alguma vez vc ousou dizer essas palavras ?

E quando disse, refletiu sobre sua profundidade ?

Acho que não... perdoe - me, mas você mentiu!

E mesmo assim, tentou me fazer acreditar.

Mas isso, não é motivo para poesia, nem para um conto,

Se pensou que o vento as eternizou,

Lamento informar que na verdade, ele as levou...

Na areia ficou gravado, o que os dedos marcaram,

Mas o tempo demonstrou ser um momento ilusório,

O que já foi antes, voltou a ser,

E o depois se tornou um nada...

Para sempre... tuas palavras ainda retornam com frequência,

Mas agora que o Senhor da razão, já assumiu o seu trono,

Elas já não abalam, não comovem nem convencem,

A quem nunca vivenciou tolas promessas ...

Saudade...

Toda saudade é reticente,

Toda saudade encerra em si mais do que uma ausência.

Se saudade dói, essa lancinante dor é intratável.

Diz-me se tens saudade, que te direis se és feliz.

Olha à tua volta, percebe o quanto a saudade é soberana,

Capta esse breve momento, absorve cada aroma que se esvai,

Ouve o que diz teu coração, como na canção,

... a saudade é o pior castigo...

Sob meus passos, deixas-te marcas que o tempo não apagou,

Sob meus olhos, deixas-te fontes que revelam forte avalanche,

Que nenhuma represa jamais ousou estancar.

Se tens o dom do acalanto, derrama sobre mim o teu manto,

Afasta dos meus passos, essa derradeira tirania,

Concede-me, mesmo que por breves instantes,

O esquecimento, dessa tormenta, dessa distancia...

O Mar e as Gaivotas.

Brincávamos, brincávamos muito, naquela manhã ensolarada,

E a cada onda, um sorriso, um grito de alegria faziam eco,

Nossos olhos ardiam e nos lábios o gosto de sal,

A areia fugia entre os dedos e o equilíbrio faltava.

De repente, vindo do horizonte, uma revoada de gaivotas,

Elas iam e vinham, davam rasantes, quase nos tocavam,

As ondas, as gaivotas e nós , emoldurávamos o horizonte.

O tempo parou... só o sol como testemunha e Deus como Autor.

Por instantes a criação recapitulou: o ar, o mar, as aves e nós,

Brindar a renovação, eternizar em cada gesto o porvir,

Esta é a nossa missão, por isso as gaivotas sempre retornam.

Os Caminhos.

Bem além dos nossos olhos, prosseguem os caminhos,

E sempre existirão novos caminhos a percorrer,

A cada passo que dermos, outros serão necessários,

Assim são os caminhos que trilhamos ao longo dos tempos.

Novos caminhos, se sucederão a outros já superados,

O horizonte será sempre um marco inatingível,

E a poeira que restar, será testemunha ocular,

Das marcas superadas e dos passos avançados.

Longos caminhos já percorremos, alguns com pedras e paus,

Outros com aplausos e sorrisos, mas nada se compara

Aos caminhos da honra e do amor, trilhados por Helena e Menelau,

Ali se entrelaçaram a perfídia, o orgulho e o egoísmo,

Por aqueles caminhos desfilaram o ódio, a traição e a vulgaridade.

Levada ao extremo a tragédia grega, retrata as nossas escolhas

E os diversos caminhos, que testemunham em cada um de nós,

As feridas e as cicatrizes espalhadas aos sete ventos,

Ao se tornarem irreversíveis, nos fazem devedores, de eternos males.

Terá valido a pena ?

Só a justiça divina pode prolatar essa sentença!

A CASA DEMOLIDA

Passaram-se tantos anos e, nas fotos, a casa teima em existir,

Ainda sinto o cheiro de terra molhada, quando ao final da tarde,

Meu pai se esmerava em regar todos os cantos do jardim,

No ar ainda pairam os latidos de Paloma, a cadela da casa.

Ainda sou capaz de identificar virtualmente no solo, as minhas pegadas,

No espaço, ainda vejo o colorido dos papagaios, que tanto amava,

A bailar ao redor da mangueira, que teimava em reter seus voos,

Quantas vezes desejei vê-la seca, mas as mangas eram doces.

A casa tinha uma magia, todos os papagaios lhe vinham ter,

E os moleques gritavam no portão, em vão, ali era minha fortaleza.

Doces anos, paredes caiadas que viram minha sombra crescer,

E à noite, com as mãos, criava monstros, dava-lhes vida.

Agora no álbum, as fotos parecem querer saltar, vamos... descolem-se,

Soltem as amarras, enquanto é tempo, resgatem cada detalhe da história.

Olha, Monteiro Lobato, a Casa foi demolida,

Mas o menino ainda existe...

Um pouco de Paz.

Em breves instantes, precisamos refletir sobre a paz,

Essa paz tão desejada, não é mesma sempre alcançada,

Nem é aquela, que vemos em rostos risonhos ou em belas figuras,

Tampouco se encontra entre vencedores e bem sucedidos.

A paz que se almeja, jamais coube numa pomba branca,

Nem em uma estátua, num castelo ou numa torre,

Essa é a paz aparente, que se mostra em público,

A paz como essência, cabe em um grão de areia.

A paz que imagino, essa fugidia, nunca está aonde deveria,

Sua morada pode ser qualquer reino, do céu ou da terra,

Sua presença é tão marcante, e seu poder tão grandioso,

Que mesmo em face do maior estrago, ela se revitaliza.

Tal qual a Fênix, ressurge, se instala e predomina,

Seu poder transformador é incomensurável,

Sua doçura é indescritível, mas é possível ser cultivada,

Essa é a paz que busco, e também a que vos dedico.

MEU FILHO.

Uma interrogação conduziu grande parte da minha vida,

A angustia e o medo, foram fantasmas sempre presentes,

As cenas do futuro, agora tão nítidas, já não se ocultam,

Os caminhos finalmente foram desvendados...

Em teus pés, as correntes nunca cessaram de reter os teus passos,

O que restou de alerta dentro de ti, não espelhou a minha esperança,

Nem mesmo a vocação para a grandeza com que foste concebido,

Foi capaz de anular a alienação, que se fez vitoriosa...

Qual foi o lampejo divino, pelo qual orei e aguardei veio me socorrer ?

Quais foram os nós, que mesmo após tanta luta, consegui desatar ?

Se valeu a pena todo meu empenho, se o tempo serviu de consolo,

Não sei dizer, diga você, nobre leitor...

Como suportar na aurora da vida, essa sensação de fracasso,

Essa desesperança que me envolve, essa indiferença no teu olhar,

Quando a todo momento, o que esperei de ti, foi um despertar ?

Foi que teus braços e sorriso se abrissem para o espaço que te cerca,

E a tua luz, tal como uma centelha, explodisse em mil sóis...

Galeria de palhaços

Afinal, quem são os verdadeiros palhaços,

Serão os protagonistas ou os espectadores ?

Afinal, quem são os palhaços,

Serão os políticos ou os eleitores ?

Tudo isso é muito surrealista em pleno século moderno,

O que não se faz em nome da democracia,

Temos de suportar mais esse imposto ,

Chamado " horário eleitoral gratuito ".

Pois é ali, naquele tempo e lugar, que reina a fantasia e a mentira,

Promessas e mais promessas de pinóquios desconhecidos,

Quem são voces para nos iludir dessa forma,

Como ousam entrar em nosso lar com essas caras maquiadas ?

Nós que somos apenas seres comuns, alijados do poder e da fala,

Temos de nutrir esperanças, fazer escolhas, entre figuras impostas,

Só nos cabe apenas lamentar a derrocada da " nobre flor do lácio",

E contar os derradeiros minutos para o fim dos impropérios,

Com os ouvidos protegidos contra o terror dos nocivos decibéis...

O palhaço

Querem saber o que sempre me deu saudade de verdade?

Foi aquele rosto pintado, debochando da vida,

Foram os risos e as caretas que marcaram o meu tempo,

Foi toda aquela irreverencia perante o trágico.

Lembram das tardes de domingo ? O circo repleto de olhares vivos.

Lembram dos gritos de alegria misturados ao pavor?

Eram reflexos das nossas nascedoras angústias,

Foram as primeiras testemunhas do medo que nunca entendemos.

Ali no centro do picadeiro, o herói de todos, reinava absoluto,

O palhaço, que ao ocultar a sua dor, fazia de conta que era feliz.

Mas a sua falsa felicidade, lhe escorria pela tinta do rosto,

Embora pelo ar, espalhasse a magia de uma alegria que nunca conheceu.

Não importava... o que trazia dentro de si, pois tudo era oculto,

Pela fantasia e pelos sonhos que disseminava, fazia crer,

Que por traz de toda aquela tinta, existia um mundo melhor,

Para o qual todos os olhares de esperança vindos da plateia,

Eram convidados a participar para um brinde inesquecível,

Que de tão atual , se tornou eterno...

OS ROSTOS

Fomos feitos por uma mão perfeccionista,

Talhados por um cinzel esmerado e preciso,

Dentro de cada um foram embutidas bondades,

E o acabamento, como arte, mereceu uma finalização.

Assim surgiram os rostos...

Eles traduzem uma forma de ser, única e sem par.

A sua diversidade não foi obra do acaso,

E assim, o criador quis mostrar sua criatura,

Com a exclusividade que merecemos.

O rosto se tornou uma espécie de janela para o mundo,

Por ele podemos expressar nossa alegria ou desapontamento,

Em suas linhas, são escritas nossas vivencias,

Em seus detalhes revelamos, para os que sabem ver,

As grandes venturas ou desventuras, que marcaram nossos passos.

Assim são os rostos, por isso, não existem cópias idênticas...

Hoje te descobri.

Finalmente, após long time, hoje te descobri,

Não da forma como deveria ser, mas como sempre foi,

De súbito, tal qual avalanche, desabaste em mim,

E soterrado, pude ver e sentir, a tua verdadeira face.

Esse mistério, tão bem guardado, já havia sido esquecido,

Enfim, hoje te descobri...

Não me queixo da tua desfaçatez, nem da tua hipocrisia,

Apenas lamento que esse teu talento, tenha sido vão.

Agora que és um fato real, não há mais o que temer,

Podes finalmente, rasgar essa mascara, que se tornou tua pele,

E desmanchar esse sorriso que secou em tua face,

Porque, mesmo a contragosto,

Hoje, eu te descobri...

Os caminhos...

Bem além dos nossos olhos, prosseguem os caminhos,

E sempre haverão novos caminhos a percorrer,

A cada passo que dermos, outros serão necessários,

Assim são os caminhos que trilhamos ao longo dos tempos.

Novos caminhos, se sucedem a outros já superados,

O horizonte será sempre um marco inatingível,

E a poeira que restar será testemunha ocular,

Das marcas superadas e dos passos avançados.

Longos caminhos já percorremos, alguns com pedras e paus,

Outros com aplausos e sorrisos, mas nada se compara

Aos caminhos da honra e do amor, trilhados por Helena e Menelau,

Alí se entrelaçaram a perfídia, o orgulho e o egoísmo,

Por aqueles caminhos desfilaram o ódio, a traição e a vulgaridade.

Levada ao extremo, a tragédia grega, retrata as nossas escolhas

E os caminhos diversos, que testemunham em cada um de nós,

As feridas e as cicatrizes espalhadas aos sete ventos,

Que ao se tornarem irreversíveis, nos fazem devedores, de eternos males.

Teria valido a pena ?

Só a justiça divina pode prolatar essa sentença!

Sem título

Construa-me uma ponte

Eu sei que você e eu

Nunca fomos iguais.

E eu costumava olhar para as estrelas à noite

E queria saber de qual delas eu vim.

Porque eu pareço ser parte de um outro mundo

E eu nunca saberei do que ele é feito.

A não ser que você me construa uma ponte, construa-me uma ponte,

Construa-me uma ponte de amor.

Eu quero muito ser bem sucedido.

E tudo o que preciso é ter uma ponte,

Uma ponte construída de mim até você.

E eu estarei junto a você para sempre,

Nada poderá nos separar.

Se você me construir uma ponte, uma pequenina ponte, minúscula ponte

De minha alma, para o fundo de seu coração.

McKean

Autista, 28 anos, escritor

Indignação e outros temas

Como sempre na vida, teremos lições a apreender,

E se castelos na areia, continuamos a fazer,

A cada desmoronamento teremos mais o que sofrer,

Até que um dia, quem sabe, a tão almejada solidez,

Venha a nos socorrer.

Tem sido assim, de porto em porto, a cada desembarque,

A solidão se faz companheira e a incompreensão é a norma,

As mágoas vão se acumulando e a indignação reina absoluta,

Até quando, ò catilina, continuaras a me desafiar ?

Nada mudou, nem há indícios de mudanças,

O homem continua sendo o lobo do homem,

Suas presas continuarão a ser devoradas ferozmente,

Tem sido assim desde o prólogo da humanidade,

E assim será até o Apocalipse...

O que nos resta fazer ?

Senão preparar o nosso próprio banquete,

Em que mais acreditar ou em que embalar nossos sonhos ?

Se as esquinas da vida, continuam a nos surpreender,

Devemos arriar as velas ou rumar para novos mares ?

Aonde estará o limite de nossa própria loucura,

Em que descalabro naufragaremos mais adiante ?

Ainda bem que temos a poesia...

A Uma Linda Mulher 1

A você que sobrevive nessa imensa batalha,

A você que é autêntica e guerreira,

Mas que no sentimento, se mostra frágil como criança

E pede colo à menor tribulação,

A você que se posta acima dos anseios humanos,

Mas que está sempre com as mãos estendidas.

A você que tutela os mais fracos,

E sempre tem palavras amigas para os momentos amargos

Rendo meus melhores sentimentos,

Dedico minhas mais doces palavras,

Elaboro meus mais nobres pensamentos,

E em segredo, desejo-te a fortaleza de um mar revolto,

E a doçura, de um pôr do sol de primavera...

Entardecer

Sem avisar, tal como um susto,

Cai sobre mim, o manto pesado da noite.

O que antes era brilho, de súbito se torna opaco,

Das poeiras cósmicas descem faíscas cintilantes.

Deixo a porta aberta para colher os primeiros orvalhos,

Preparo os meus olhos para vislumbrar um novo espetáculo.

Vejo Descer ao chão as sombras das estrelas que ainda virão,

Brindar minha solidão, como fogos de fim de festa.

A tristeza mora ao lado, dentro de mim habitam mil sóis,

Um só instante de euforia, valem mil anos de lágrimas.

Dentro de mim habita a grandeza, que não queda sufocada,

E num momento mágico, terei as esperanças renovadas.

Abro minha janela, afasto a cortina para os cantos,

Modelo meu sorriso, visto o mais lindo vestido,

Abro os braços, preparo o melhor de mim,

Abraço a luz que me envolve, absorvo o ar que me rodeia,

E agradeço por mais este dia ...

.

Enfim, você venceu ...

Está bem, vou escrever! você venceu...

Que seja como você quer, não é e não foi sempre assim ?

Que a sua palavra, seja mais uma vez a última.

Que predominem novamente os teus caprichos e se anule a minha vontade...

O que quer que eu escreva ? O que posso mais dizer afinal ?

Servirá um lamento, ou mesmo um pedido de socorro,

O que você espera que eu escreva ?

Ou então, diga o que quer ler...

Nada do que eu escreva, será do seu agrado,

Parole... parole... que me resta afinal ?

Que tal um mural, que tal frases no muro das lamentações ?

Que tal um tremular das mãos ou um galopar do coração ?

Quem sabe um sussurro, ou mesmo um murmúrio final,

Quem sabe se em vez de caneta, eu usasse um bisturí ?

Sim, esse deve ser teu secreto desejo, inconfessável ainda...

Que escorra de mim, contido pela pele e veias,

O sangue que servirá de tinta, para assinar a minha capitulação.

E assim seja...

Certa Vez...

Não foi por acaso que escolhi, este ou aquele caminho,

Pois nuncaousei pensar, que a minha escolha era a melhor,

Não foi assim que as coisas se sucederam

E você sabe, sempre soube...

Se por vezes, me pareceu ter domínio sobre o inusitado,

Ledo engano, nada pior do que um sonho mal interpretado.

Essa trilha que agora persigo, é na realidade um vôo sem rota,

Devia ter buscado mais, amado mais, e sofrido menos...

Assim, quando enfim surgisse o porvir, não restariam lástimas,

Nem histórias para contar ou para lamentar.

Já sei, farei de conta, que tudo se passou como num flash,

Que foi apenas o lampejo de um mal inevitável,

Que foi apenas, uma certa vez...

Amar é obrigatório!

Viver é necessário, morrer é apenas um ato de renovação,

Viver sem ter amado, é repaginar um livro em branco,

Que vida foi essa, que nada resultou ou acrescentou,

Que vida foi essa, que passou ao leu e não amou ?

Amar é necessário, viver não é necessário,

Escrever poemas de amor, quando se é tomado por inteiro,

É confessar nossa condição divina,

É expor em cada letra, um pouco da nossa missão.

Amar é obrigatório, ser amado é circunstancial.

Amar é uma obrigação de vida, é discernir entre o bem e o mal,

Amar é finalidade imperiosa, ser amado é detalhe.

Ter exercido a plenitude do amor, é dever cumprido,

É ter conhecido o nirvana e provado do néctar dos deuses.

Quando enfim, cessar em mim a centelha do princípio vital.

O amor, que transcende a morte, triunfará vitorioso.

Amar e viver, tem elos na própria eternidade,

Pois, para isso fomos feitos, para reafirmarmos em cada existência,

Nosso destino de seres amantes...

Fim de Plantão

Sete horas da manhã, é hora de arrumar o coração,

Foram 24 horas de exaustivo labor, quantas glórias, quantas perdas?

Não queiram que faça essa conta, nunca daria resultado exato,

Nada se cria ou se perde, apenas se transforma, é o lema...

Em breves momentos recapitulei a criação, em outros o holocausto

Do que era belo pouco restou, a carne dilacerada, em ultima instancia,

Se apresenta disforme e mostra um interior sempre igual,

Nada faz diferença entre o belo e o feio, entre o rico e o pobre

Dramas desfilaram diante dos meus olhos como filmes de terror,

A impotencia, a ineficiencia, a falta de condições,

Triunfaram a cada instante, nos fazendo de meros atores,

De uma peça que para alguns não terá bis...

Cabeça atordoada, a luz do sol aquecendo meu rosto pálido,

Roupa e cabelos em desalinho, pensamentos alvoroçados,

Vou aos poucos retomando os passos iniciais,

Deixando para traz um rastro de lágrimas e sangue,

Essas horas que foram inesquecíveis para alguns,

E para outros derradeiras,

Tal como o orvalho nas tênues fôlhas matinais,

É apagado para que o destino se cumpra...

Perdas

As perdas são sempre dolorosas,

Mesmo quando compreendidas, mesmo esperadas,

Num momento existir, noutro apenas ter existido,

E sempre deixam como rastro, a saudade.

As perdas são irreparáveis,

Levam consigo parte de nós,

E mesmo reconhecendo como egoismo,

O afeto não perdoa essa subtração.

Perdas são definitivas,

Quando a morte se impõe como déspota,

Quem fica experimenta a orfandade,

Quem parte reencontra os seus erros.

Perdas são inevitáveis,

E prenúncio de um recomeço,

Quem parte deixa o convívio,

Quem fica acrescenta uma prece...

Uma só Carne

Estamos abraçados, como num corpo sólido

Ficamos assim, emudecidos, noite à dentro

As emoções beiram o enlouquecer,

Os lábios se encontram e reencontram

Os olhos se penetram, se fundem, se confundem,

Num desejo de possuir e se dar cada vez mais...

A busca se acelera, o coração descompassa

A vida cruza nossas mentes, os corpos entram em sintonia

Nossa hora se aproxima, as primeiras gotas de suor anunciam,

Que em breve o céu estará a nosso alcance...

E assim vamos, movidos por um impulso divino,

Embalados por uma história de amor,