Pós-incubação de empresas de base tecnológica por Iracema Machado de Aragão - Versão HTML

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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

FACULDADE DE ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE

DEPARTAMENTO DE ADMINISTRAÇÃO

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO

PÓS-INCUBAÇÃO DE EMPRESAS DE BASE TECNOLÓGICA

Iracema Machado de Aragão

Orientador: Prof. Dr. Martinho Isnard Ribeiro de Almeida

SÃO PAULO

2005

Prof. Dr. Adolpho José Melfi

Reitor da Universidade de São Paulo

Profa. Dra. Maria Tereza Leme Fleury

Diretora da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade

Prof. Dr. Eduardo Pinheiro Gondin de Vasconcellos

Chefe do Departamento de Administração da FEA/USP

Prof. Dr. Isak Kruglianskas

Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Administração da FEA/USP

IRACEMA MACHADO DE ARAGÃO

PÓS-INCUBAÇÃO DE EMPRESAS DE BASE TECNOLÓGICA

Tese apresentada ao curso de pós-graduação

em Administração, da Faculdade de

Economia, Administração e Contabilidade,

Universidade de São Paulo, como requisito

parcial à obtenção do título de Doutor.

Orientador: Prof. Dr. Martinho Isnard

Ribeiro de Almeida.

SÃO PAULO

2005

FICHA CATALOGRÁFICA

Elaborada pela Seção de Processamento Técnico do SBD/FEA/USP

Aragão, Iracema Machado de

Pós-incubação de empresas de base tecnológica / Iracema

Machado de Aragão. – São Paulo, 2005.

97 p.

Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, 2005.

Bibliografia.

1. Empreendedorismo 2. Incubadora de empresas I. Univer-

sidade de São Paulo. Faculdade de Economia, Administração e

Contabilidade. II. Título.

CDD – 658.421

v

Agradeço a Jesus Cristo e a meus pais, pela vida.

Ao prof. Dr. Martinho Isnard Ribeiro de Almeida, pela paciência e confiança.

Aos membros do Grupo de Pesquisa e, em especial, ao prof. Dr. Roland Juan Soliz Estrada e prof. Dr. Leonel Cezar Rodrigues, pelas valiosas contribuições ao estudo.

Agradeço aos empresários do Condomínio de Empresas de Alta Tecnologia de Campinas

(SP) e do Condomínio Industrial de Informática de Florianópolis (SC), pelas informações fundamentais para o desenvolvimento da tese.

Agradeço também a Sr. Maurício Susteras pela indicação do objeto de estudo.

Agradeço aos gestores das Incubadoras NADE, Núcleo Softex e Incamp, da cidade de

Campinas e aos gestores das Incubadoras CELTA e MIDI, em Florianópolis (SC).

Aos responsáveis pelo programa de incubadoras do SEBRAE (SP) e FIESP (SP).

Agradeço ao gerente do pólis de tecnologia do CPqD e Sr. Rui Albuquerque do LNLS.

Ao prof Dr Adolpho Walter Pimazoni Canton e prof. Dr. Alberto Borges Matias, eterna gratidão.

vi

RESUMO

Os programas de incubação de empresas são instrumentos de apoio fundamentais à criação de micro e pequenas empresas. Nesta tese é proposto um modelo de pós-incubação para micro e pequenas empresas de base tecnológica após a sua graduação das incubadoras. Para a

elaboração do modelo foi realizado um estudo dos dois programas conhecidos no Brasil: o condomínio de empresas de alta tecnologia de Campinas (SP) e o condomínio industrial de informática de Florianópolis (SC). O modelo de pós-incubação de empresas poderá ser utilizado como instrumento de apoio à consolidação e crescimento de micro e pequenas empresas de base tecnológica.

vii

ABSTRACT

The incubation programs are basic support structures for micro and small enterprise creation. Through this thesis, it is proposed a pos-incubation model for micro and small enterprises of technology after graduation of incubation. For model elaboration it was carried out case studies of two known support structures in Brazil: The High Technology Enterprise Condominium of Campinas (SP) and the Informatic Industrial Condominium of Florianópolis (SC). The micro and small enterprises of technology can have the use of the pos-incubation model for enterprise as a support instrument to consolidate and growth them up.

SUMÁRIO

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS .................................................................................. 9

LISTA DE QUADROS................................................................................................................ 10

1.

INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 11

1.1 Justificativa .......................................................................................................................... 13

1.2 Objetivos...............................................................................................................................18

2.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA...................................................................................... 19

2.1 Micro e Pequenas Empresas de Base Tecnológica (MPEBT) ......................................... 19

2.2 Incubadoras de empresas.................................................................................................... 25

2.2.2

A experiência internacional ................................................................................... 25

2.2.1

A experiência brasileira ........................................................................................ 40

2.2.1.1

Metodologia de implantação das incubadoras.................................................... 44

2.2.1.2

Benefícios oferecidos ......................................................................................... 45

2.2.1.3

Critérios de seleção das empresas ...................................................................... 47

2.2.1.4

Resultados esperados.......................................................................................... 47

2.2.1.5

Limitações .......................................................................................................... 48

2.2.1.6

Entidades de fomento ......................................................................................... 49

2.2.1.7

A experiência de incubação de empresas da cidade de Campinas ..................... 51

3.

MÉTODO E TÉCNICAS DE PESQUISA ........................................................................ 58

3.1 Estudo de caso...................................................................................................................... 58

3.2 Etapas da pesquisa .............................................................................................................. 59

3.2.2

Unidades de estudo................................................................................................ 59

3.2.3

Coleta de dados...................................................................................................... 60

4.

CONDOMÍNIOS EMPRESARIAIS ................................................................................. 61

4.1 O Condomínio de Empresas de Alta Tecnologia de Campinas....................................... 61

4.2 A Associação de Empresas de Tecnologia (AET) ............................................................. 66

4.3 O Condomínio Industrial de Informática e a Associação Catarinense de Empresas

de Tecnologia (ACATE) ........................................................................................................... 69

4.4 Resultados da pesquisa........................................................................................................ 73

4.4.1

Condomínio de Campinas (SP) ............................................................................. 74

4.4.2

Condomínio de Florianópolis (SC) ....................................................................... 80

5.

MODELO DE PÓS-INCUBAÇÃO.................................................................................... 84

5.1 Política pública..................................................................................................................... 84

5.2 Critérios de seleção das empresas ...................................................................................... 85

5.3 Instalações ............................................................................................................................ 86

5.4 Sinergia................................................................................................................................. 86

5.5 Gestão ................................................................................................................................... 87

5.5.1

Avaliação do condomínio...................................................................................... 87

5.5.2 Captação de recursos financeiros................................................................................... 88

5.5.3

Articulação com Entidades parceiras .................................................................... 88

5.5.4

Articulação com Universidades e Centros de Pesquisa......................................... 89

5.5.5 Contratação de consultorias, assessorias, treinamento, palestras e cursos................ 89

6.

CONCLUSÃO...................................................................................................................... 91

REFERÊNCIAS .......................................................................................................................... 93

ANEXOS ...................................................................................................................................... 97

9

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

AET: Associação de Empresas de Tecnologia

ANPROTEC: Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos de

Tecnologias Avançadas

APEX: Agência de Promoção de Exportações

BNDES: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social

CELTA: Centro Empresarial para Laboração de Tecnologias Avançadas

CenPRA/CTI: Centro De Pesquisas Renato Archer / Fundação Centro Tecnológico para

Informática

CIATEC: Companhia de Desenvolvimento do Pólo de Alta Tecnologia de Campinas

CNI: Confederação Nacional da Indústria

CNPq: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico

CPqD: Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações

C&T: Ciência e Tecnologia

FIESP/CIESP: Federação e Centro das Indústrias de São Paulo

FINEP: Financiadora de Projetos

FUNDAÇÃO CERTI: Centro Regional de Tecnologia e Informática:

IEL: Instituto Euvaldo Lodi

INCAMP: Incubadora de Base Tecnológica da Universidade Estadual de Campinas

LNLS: Laboratório Nacional de Luz Síncrotron

MCT: Ministério da Ciência e Tecnologia

MDIC: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

MPEBT: Micro e Pequenas Empresas de Base Tecnológica

NADE: Núcleo de Apoio ao Desenvolvimento Empresarial

PUCCAMP: Pontifícia Universidade Católica de Campinas

SEBRAE: Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas

SECOOP: Secretaria Municipal de Cooperação Internacional

SOFTEX: Sociedade para Promoção da Excelência do Software Brasileiro

UNICAMP: Universidade Estadual de Campinas

10

LISTA DE QUADROS

Quadro 1- Particularidades dos programas de incubação internacionais que não foram

encontradas nos programas brasileiros ............................................................................. 57

Quadro 2 – Comparação entre os condomínios........................................................................ 73

Quadro 3 – Sinergia tecnológica (SP) ...................................................................................... 75

Quadro 4 – Sinergia operacional (SP) ...................................................................................... 76

Quadro 5 – Sinergia administrativa (SP).................................................................................. 76

Quadro 6 - Articulação - Entidades parceiras (SP)................................................................... 77

Quadro 7 - Articulação - Universidades e Centros de Pesquisa (SP)....................................... 78

Quadro 8 - Captação de recursos financeiros (SP) ................................................................... 78

Quadro 9 - Contratação de consultorias, assessorias, treinamento, palestras e cursos (SP)..... 78

Quadro 10 - Gestão do condomínio (SP).................................................................................. 79

Quadro 11 - Avaliação do condomínio (SP) ............................................................................ 79

Quadro 12 - Sinergia tecnológica (SC)..................................................................................... 81

Quadro 13 - Sinergia operacional (SC) .................................................................................... 81

Quadro 14 - Sinergia administrativa (SC) ................................................................................ 81

Quadro 15 - Articulação – Entidades parceiras (SC) ............................................................... 82

Quadro 16 - Articulação – Universidades e Centros de Pesquisa (SC).................................... 82

Quadro 17 - Captação de recursos financeiros (SC)................................................................. 82

Quadro 18 - Contratação de consultorias, assessorias, treinamento, palestras e cursos (SC) .. 83

Quadro 19 - Gestão do condomínio (SC) ................................................................................. 83

Quadro 20 - Avaliação do condomínio (SC) ............................................................................ 83

11

1. INTRODUÇÃO

Nos Estados Unidos, surge um parque industrial na região conhecida como Vale do Silício, com objetivo de promover a transferência de tecnologia desenvolvida na universidade de Stanford, para a criação de empresas intensivas em tecnologia, principalmente do setor eletrônico (MCT, p.15, 2001).

No entanto, sua estruturação configurou-se, de fato, no início dos anos 1980, quando, nos Estados Unidos e na Europa Ocidental, governos locais, universidades e instituições financeiras reuniram-se para alavancarem o processo de industrialização de regiões pouco desenvolvidas, ou em fase declínio. A partir daí, foram concebidas políticas governamentais de apoio à criação de ambientes especialmente planejados para acolher micro e pequenas empresas nascentes, bem como aquelas que buscam a modernização de suas atividades,

visando a criação de novas empresas, geração de postos de trabalho e de renda.

A reprodução de iniciativas semelhantes, no Brasil, iniciou em 1984, quando, por iniciativa do então presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico

(CNPq), Prof. Dr. Lynaldo Cavalcanti, foram criadas cinco fundações tecnológicas, para a geração de spin-off, ou seja, a transferência de tecnologia das universidades para o setor produtivo. As cidades beneficiadas foram: Campina Grande (PB), Manaus (AM), Porto

Alegre (RS), Florianópolis (SC) e São Carlos (SP). Sendo que, após a implantação da Fundação Parque de Alta Tecnologia de São Carlos (ParqTec) começou a funcionar a

primeira incubadora no país (ANPROTEC;SEBRAE, 2002, p.24).

Para a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologias Avançadas (ANPROTEC), disseminar a cultura empreendedora, gerar novas empresas, renda e postos de trabalho tem sido o resultado do sistema brasileiro de incubação que, em 2003, registrou 207 incubadoras em operação no país, 18.300 pessoas envolvidas e 3.600

empreendimentos conectados diretamente com este sistema.

Observa-se que o crescente número de incubadoras criadas no país, principalmente no final da década de 90, tem ocorrido devido ao apoio de diversas instituições: Serviço Brasileiro de 12

Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) nacional e estadual, federações e centros de indústrias estaduais, órgãos administrados pela Confederação da Indústria (CNI) - Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Serviços Social da Indústria (Sesi), Serviços Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) - a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologias Avançadas (ANPROTEC), o Banco do Nordeste, governos estaduais, prefeituras e órgãos do governo federal, principalmente o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Conselho

Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Banco Nacional de

Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Projetos (FINEP), além das Instituições de Ensino e Pesquisa que abrigam a maioria dessas incubadoras.

Mecanismos de criação e consolidação de pequenas empresas de base tecnológica foram discutidos no decorrer desta tese, dando ênfase aos dois programas de pós-incubação conhecidos no Brasil. O primeiro deles é o programa da Fundação Celta, criado em 1986, constituído pelo Condomínio Industrial de Informática e a Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (ACATE), em Florianópolis (SC). O segundo é o Condomínio de

Empresas de Alta Tecnologia e a Associação de Empresas de Tecnologia (AET), que surgiu em 2001, em Campinas (SP).

Este trabalho propôs um modelo de pós-incubação de empresas de base tecnológica para garantir a sinergia gerada na incubadora e dar maiores condições de consolidação e

crescimento de micro e pequenas empresas graduadas de incubadoras.

Pretende-se que este modelo seja a representação simplificada e abstrata do fenômeno de

“pós-incubação” e a referência para a observação, estudo, análise e reprodução em outros programas de apoio às MPEBTs. (FERREIRA, 1999).

Esta tese está estruturada da seguinte maneira: no capítulo I está apresentada a relevância do tema. No capítulo II foi descrita a fundamentação teórica sobre Micro e Pequenas Empresas de Base Tecnológica (MPEBTs). Também foi feito um levantamento sobre mecanismos de

apoio à criação das MPEBTs com base na experiência internacional e brasileira. No capítulo III apresenta-se o método de pesquisa. No IV estão descritos os condomínios empresariais estudados e os resultados das entrevistas realizadas. No capítulo V tem-se o modelo de pós-incubação de empresas de base tecnológica. E, o VI, a conclusão do trabalho.

13

1.1 Justificativa

As micro e pequenas empresas (MPEs) costumam ser mais agéis, pouco burocráticas e mais dispostas a assumirem riscos provenientes das inovações, dada a sua capacidade de absorver, adaptar e difundir novos conhecimentos. (ANPROTEC, 2003, p. 31). Estudos do SEBRAE

mostram que as MPEs e médias constituem cerca de 98% das empresas existentes, empregam 60% da população economicamente ativa e geram 42% da renda produzida no setor industrial, contribuindo com 30% do Produto Interno Bruto (MCT, 2001, p. 13).

Por outro lado, a vulnerabilidade das MPEs é marcada por um conjunto de fatores, dentre os quais: insuficiência de capital próprio, receitas irregulares, reduzidas economias de escala, falta de liquidez, ausência de garantias reais para captar financiamentos, pouca experiência em gestão, frágil estrutura de comercialização e quase nenhuma visibilidade no mercado.

(ANPROTEC, 2003, p. 31).

Estudos realizados pelo SEBRAE (2003), sobre a “sobrevivência e mortalidade das empresas paulistas”, mostram que 31% encerra suas atividades em menos de 1 ano; 37% em 2 anos; 49% em 3 anos; 53% com 4 anos e 60% das empresas fecham no 5º. ano de vida. Outro

estudo do SEBRAE, intitulado como “fatores condicionantes e taxa de mortalidade de

empresas no Brasil” (SEBRAE, 2004), mostrou que a taxa de mortalidade nacional é de 49,4% em 2 anos; 56,4% em 3 e 59,9% com 4 anos. Por isso, a preocupação mais atual, em termos de políticas públicas de desenvolvimento econômico regional, é a criação de

mecanismos de apoio à redução dessa mortalidade e incentivo ao empreendedorismo, tais como pólos e parques tecnológicos e incubadoras de empresas.

Entre as razões que ocasionam essa elevada taxa de mortalidade, estão os problemas

gerenciais. Outras razões citadas pelo Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo (SIMPI), são as dificuldades burocráticas, tributárias, de produção e

comercialização, concorrência, taxas de juros elevadas e difícil acesso a tecnologias. (MCT, 2001, p.13).

14

Estudos americanos, europeus e brasileiros indicam que a taxa de mortalidade, entre empresas que passam pelo processo de incubação é reduzida em relação à taxa de mortalidade das empresas nascidas fora do ambiente de incubadoras (ANPROTEC, 2003). Isto ocorre porque, o ambiente da incubadora é um habitat que oferece apoio gerencial e técnico, além de criar sinergia entre os empreendedores. (MCT, 2001, p.14).

O movimento de incubação está em expansão, o que estimula, também, o desenvolvimento de muitas pesquisas e publicações acadêmicas. Os artigos de autores internacionais demonstram as experiências de incubação de empresas no mundo inteiro, como: os Estados Unidos, Canadá, Europa, China, Israel, Rússia e países da Europa e a experiência japonesa. Nos Estados Unidos, há livros publicados pela National Business Incubation Association (NBIA).

NEVES e FERREIRA (2002) escreveram sobre “o apoio à criação de pequenas empresas de base tecnológica: a experiência do Quebec” com o objetivo de renovar uma antiga região portuária de Montreal. Um estudo interessante sobre a experiência de incubação na China foi realizado por Harwit (2002) que publicou o artigo “High-technology incubators: fuel for Chinaś new entrepreneurship?” demonstrando as peculariedades das incubadoras chinesas. A Câmara Brasil-Israel de Comércio e Indústria disponibiliza material sobre o funcionamento das incubadoras em Israel. Bruton (1998) escreveu um caso de incubação na Rússia no artigo

Incubators as a small business support in Russia: contrast of university-related U.S.

incubators with the Zelenograd Scientific and Technology Park”, cujo principal objetivo de criação foi evitar a evasão de cientistas russos. Casos de incubadoras européias, existentes na Inglaterra, França, Alemanha e Portugal são bastante estudados no Brasil. (SANTOS, 1985).

As primeiras publicações sobre o movimento de incubadoras no Brasil foram de autoria do Prof. Silvio Aparecido dos Santos que, em 1985, publicou o artigo “A criação de empresas industriais de tecnologia avançada: a experiência européia e as perspectivas brasileiras”. O

artigo publicado por Medeiros e Atas (1995), sob título “Incubadoras de empresas: balanço da experiência brasileira” é um estudo interessante sobre os resultados da incubação de empresas no Brasil. O SEBRAE elaborou um “Manual de Implantação e Operação do Programa, em

1998. O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) publicou, em 2001, o “Manual para a Implantação de Incubadoras de Empresas do Programa Nacional de Apoio as Incubadoras de Empresas (PNI)”. A ANPROTEC e SEBRAE (2002) publicaram um livro sobre

“Planejamento e implantação de incubadoras de empresas” para facilitar a criação de incubadoras no país.

15

Para a Companhia de Desenvolvimento do Pólo de Alta Tecnologia, entidade vinculada à Secretaria de Cooperação Internacional da Prefeitura Municipal de Campinas-SP (CIATEC) escreveu que uma das dificuldades enfrentadas por uma incubadora é que ao “graduar” suas empresas estas se distribuem, no mundo real, em um ambiente hostil e altamente competitivo, e perdem não apenas os apoios financeiros e material, mas antes de tudo, perdem a facilidade de trocas de informação e ajuda mútua de que dispunham quando incubadas, pois ainda não têm porte para construir suas próprias instalações em parques tecnológicos ou estes ainda não dispõem de espaços para locação (CIATEC, set.2001).

Por isso, os mecanismos de apoio às micro e pequenas empresas devem ir além do período de permanência no programa de incubação, de forma que as empresas graduadas tenham

condições de manter a sinergia resultante do uso compartilhado da planta industrial, instalações, pessoal, equipamentos e ferramentas, transferência de P&D e tecnologia, garantindo sua maior consolidação e crescimento. Isso pode ser possível por meio de um programa de pós-incubação, tal como foi proposto pela Companhia de Desenvolvimento do Pólo de Alta Tecnologia de Campinas-SP (CIATEC).

O programa foi consolidado, em novembro de 2001, no “Condomínio de Empresas de Alta Tecnologia” para abrigar as seguintes empresas: Bioluz Equipamentos e Serviços Ltda, Ecco Fibras e Dispositivos Ltda, Elemed Equipamentos Médicos e Hospitalares Ltda, FiberWork Comunicações Ópticas Ltda, Optolink Indústria e Comércio Ltda e SAAT

Informática Comércio Importação e Exportação Ltda.

A proximidade física entre empresas já graduadas na incubadora tradicional ficou preservada e as dificuldades de consolidação e crescimento dessas empresas foram amenizadas. Isto é, ao participarem do programa proposto, as empresas compartilharam infra-estrutura física, operacional e tecnológica com custos bem menores do que seriam assumidos

individualmente por cada uma delas. (CIATEC, set.2001).

A origem real desse programa foi a demanda dos próprios empresários e a preocupação com a eventual mortalidade das empresas criadas em incubadoras. (CIATEC, set.2001).

Vale comentar que a continuação do apoio às empresas já graduadas só faz sentido quando há um grau razoável de interação entre as empresas para criar condições de sinergia.

16

O programa de pós-incubação constitui-se, também, num estágio intermediário entre a saída das empresas graduadas na incubadora e a implantação definitiva das mesmas no Pólo de Alta Tecnologia de Campinas, o qual é um empreendimento imobiliário fomentado pela CIATEC e Prefeitura Municipal de Campinas.

O CNPq forneceu recursos para a aquisição de equipamentos e contratação de serviços de terceiros, consultorias especializadas e participação em ferias, por reconhecer a pós-incubação como o conjunto de apoio oferecido às empresas graduadas pela incubadora. Assim como outras entidades, ligadas ao movimento de incubação, tratam as pós-incubadas como

empresas associadas, ou seja, aquelas que já deixaram a incubadora, mas mantém vínculo com a mesma.

Pouca literatura foi encontrada, tanto nacional quanto internacional, em relação aos programas de pós-incubação. Sabe-se que existem apenas dois casos de pós-incubação consolidados em condomínios de empresas, nas cidades de Florianópolis (SC) e Campinas (SP). O SEBRAE

(SP) e a Federação e Centro das Indústrias de São Paulo (FIESP/CIESP) já demonstraram a preocupação com o tema1. Sabe-se também que os gerentes das três incubadoras de Campinas

– o Núcleo de Apoio ao Desenvolvimento (NADE), a Incubadora de Software (SOFTEX) e a Incubadora da UNICAMP (INCAMP) - estão realizando esforços, visando a formatação de um modelo de pós-incubação conjunto, com vistas a racionalizar as ações, maximizar os resultados e reduzir custos. (CIATEC, mai.2004).

Como não existe a sistematização de programas de pós-incubação de empresas, surgem as seguintes questões de pesquisa:

1. Como e por que surgiram os programas de pós-incubação?

2. Como eles são estruturados?

3. Quais são os benefícios oferecidos?

1 Entrevista não estruturada com o gerente da Unidade de Inovação e Acesso à Tecnologia do SEBRAE (SP), jun.2003.

17

4. Como é realizada a gestão e avaliação do programa?

5. Como deve ser um modelo de pós-incubação para Micro e Pequenas Empresas de

Base Tecnológica (MPEBTs) graduadas de incubadoras, a partir da experiência

brasileira?

Dessa forma, o objetivo do presente trabalho foi estudar e propor um modelo de pós-incubação para MPEBTs, como mecanismo de manutenção da sinergia gerada na

incubadora, de modo a oferecer melhores condições à sua consolidação e crescimento.

18

1.2 Objetivos

O objetivo geral da tese foi propor um modelo de pós-incubação para MPEBTs graduadas, como mecanismo de manutenção da sinergia gerada na incubadora para dar melhores

condições de consolidação e crescimento das mesmas.

Os objetivos específicos necessários para alcançar o objetivo geral, foram:

a)

Identificar os programas de incubação de MEPBTs dos Estados Unidos, Canadá, China,

Japão, Israel, Rússia, França, Inglaterra, Alemanha e Portugal e compará-los com a

experiência brasileira;

b)

Analisar os programas de pós-incubação de MPEBT existentes no Brasil para entender

seu planejamento, gestão, estrutura e resultados;

c) Desenvolver

um

modelo de pós-incubação para MPEBTs graduadas.

19

2. FUNDAMENTAÇÃO

TEÓRICA

2.1

Micro e Pequenas Empresas de Base Tecnológica (MPEBT)

Micro e pequenas empresas de base tecnológica são empresas industriais com menos de 100

empregados, ou empresas de serviço com menos de 50 empregados, que estão comprometidas com o projeto, desenvolvimento e produção de novos produtos e/ou processos, caracterizando-se, ainda, pela aplicação sistemática de conhecimento técnico-científico. Estas empresas usam tecnologias inovadoras, têm uma alta proporção de gastos com P&D, empregam uma alta proporção de pessoal técnico-científico e de engenharia e servem a mercados pequenos e específicos (MACHADO et al, 2001, p.5).

A criação de MPEBTs, conforme Lemos e Maculan (1998, p. 569), advém da intensidade e rapidez das mudanças tecnológicas vistas nessa nova economia, baseada no conhecimento.

Por isso, a criação dessas empresas é comumente feita por engenheiros, técnicos, ou ex-pesquisadores, antes ligados a laboratórios ou instituições de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).

As MPEBTs são uma categoria específica de empresas, também, porque resultam do

fenômeno do empreendedorismo, dada a sua capacidade de absorver, criar, adaptar e difundir novas tecnologias materializadas em novos produtos e serviços; atividade imprescindível para o desenvolvimento econômico de uma região e, até mesmo, de um país. (LEMOS;

MACULAN, 1998, p. 571).

No entanto, as MPEBTs apresentam duas características contraditórias: de um lado, todo o potencial de crescimento e, de outro, a vulnerabilidade resultante da escassez de recursos.

Essas características contêm, em si, uma recomendação para que medidas de política pública sejam implementadas para ajudá-las a superarem suas dificuldades gerenciais, financeiras e tecnológicas.

Essas empresas são marcadas por muitas incertezas, uma vez que não se conhece a trajetória tecnológica de resolução de problemas de engenharia que será adotada ao longo do tempo, incertezas sobre o funcionamento do novo produto, o prazo de colocação do produto no mercado, a garantia de qualidade do serviço, o padrão tecnológico que os clientes vão adotar e as futuras mudanças nas necessidades desses clientes.

20

Além do risco inerente à inovação, na medida em que procura identificar e criar novos produtos e serviços, ainda existe a incerteza quanto ao retorno comercial e financeiro desta inovação. Ocorre, ainda, que os produtos tecnológicos apresentam acelerada obsolescência e há sempre a ameaça das grandes organizações. No entanto, essas incertezas permitem uma grande variedade de alternativas e oportunidades de criação de produtos e serviços destinados, geralmente, a um mercado bastante específico.(MACHADO et al, 2001, p. 7).

A origem de um novo produto, ou serviço, é a invenção, para Betz (1987). A invenção que gera uma inovação possibilita a criação de produtos, processos e serviços que permitem a criação e desenvolvimento de uma empresa. Para o autor, “a inovação é a introdução no mercado de novos produtos, processos, ou serviços”, baseados em novas tecnologias.

As inovações tecnológicas podem ser classificadas em três tipos diferentes, segundo Marquis2, citado em Betz (1987): A radical, que é a inovação capaz de mudar ou criar uma indústria inteira. A sistemática, a qual leva muitos anos e milhões de dólares para ser desenvolvida e a incremental, que representa as pequenas inovações, mas promovem desenvolvimentos importantes nos produtos, processos ou serviços.

Segundo Betz (1987), existe uma interação entre conhecimento científico e tecnológico. A ilustração 1 mostra essa interação de modo simplificado, onde o conhecimento científico gera questões fundamentais de ciência e tecnologia, que são trabalhadas nos projetos de pesquisa.

Os projetos de pesquisa são divulgados por meio de publicações científicas. As publicações estimulam novos conhecimentos e, assim, o processo recomeça.

2 MARQUIS, D. G. The anatomy of successful innovations. Innovation. November. Reprinted in Readings in the Management of Innovations. M.L. Tushman and W. L. Moore, eds. (Marshfield, Mass.: Pitman, 1982).

21

CIËNCIA

Disciplinas de

Conhecimento

Questões

ciência e

Projetos de

científico

fundamentais

Publicações

tecnologia

pesquisa

TECNOLOGIA

Estratégia de

Proj. de

Proj. de

Planta

Produção

Teste

Marketing

P&D

pesquisa

desenvolvimento

piloto

inicial

industrial

Ilustração 1 - Resumo do processo de inovação

FONTE: Adaptado de: BETZ, 1987, p. 50

A inovação tecnológica ocorre quando os projetos de pesquisa geram projetos de

desenvolvimento, planta piloto, teste e a produção inicial de um novo produto.

Para interpretar a questão da inovação tecnológica, Marcovitch (1988) recorre a duas abordagens - o triângulo de sábato e a teoria schumpeteriana. O triângulo de sábato foi uma abordagem enunciada por Jorge Sábato e Natálio Botana, quando publicaram um artigo sobre o papel da ciência e tecnologia no desenvolvimento da América Latina, em 1968. No referido trabalho criaram a interdependência dos atores - governo, estrutura produtiva e infra-estrutura de ciência e tecnologia – os quais deveriam estar presentes para viabilizar as inovações tecnológicas.

Conforme a teoria schumpeteriana, produzir significa combinar fatores de produção que estão ao nosso alcance. Produzir coisas novas, ou as mesmas, com método diferente, significa combinar diferentemente esses fatores. (SCHUMPETER, 1982, p. 48). Produção engloba a introdução de um novo bem, a introdução de um novo método, o estabelecimento de uma nova organização e/ou a abertura de um novo mercado. O empresário inovador é o agente econômico que traz novos produtos para o mercado por meio de combinações mais eficientes dos fatores de produção, ou pela aplicação prática de alguma inovação tecnológica. Daí a prescrever, a “destruição criadora”, ou seja, a substituição de antigos produtos por novos.

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Para Machado et al (2001) e A.D.Little, citado em Steele (1989), a inovação tecnológica pode ser caracterizada pelo modelo de ciclo de vida, como a chamada curva S. Na ilustração 2 tem-se o ciclo de vida da tecnologia apresentado em quatro fases: embrionária, crescimento, amadurecimento e envelhecimento, numa analogia com o ciclo de vida dos organismos vivos.

TECNOLOGIA

Envelhecimento

Maturidade

Crescimento

Embrionária

TEMPO

Ilustração 2Curva S de maturidade tecnológica

FONTE: STEELE (1989), citado em MACHADO et al (2001, p.7)

Na fase embrionária existe um grande número de alternativas de engenharia para a resolução dos problemas. Isso ocasiona o lançamento de muitos modelos distintos, até que se estabeleça a configuração de um design dominante.

Na fase de crescimento, a medida em que a tecnologia passa a ser aplicada, os equipamentos e aplicações precisam evoluir conjuntamente. Assim, as configurações básicas tornam-se padronizadas e determinados materiais preferenciais começam a dominar.

Na fase de maturidade, o ritmo de progresso diminui e as tecnologias básicas tornam-se bem conhecidas. Os avanços tecnológicos são menores e mais previsíveis.

Na fase de envelhecimento, uma parte substancial dos avanços técnicos e científicos já ocorreu. Finalmente, a tecnologia alcança uma fase de estagnação, não mais podendo obter incrementos no seu desempenho.

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Para Adizes (1996), assim como ocorre com os organismos vivos, o crescimento e o

envelhecimento das organizações manifestam-se por estágios, ou ciclos de vida. No primeiro estágio de desenvolvimento de uma organização, ela existe enquanto idéia. A empresa nasce quando o risco é assumido.

A organização passa ao estágio seguinte, denominado por Adizes (1996) de “infância”, quando o enfoque passa a ser a produção. O estágio seguinte à infância é o de “pré-

adolescência”, quando a organização cresce de maneira não planejada e tende a abrir frentes ao mesmo tempo.

A empresa passa para o estágio de “adolescência” quando o fundador vai à procura de um gerente para a criação de normas e procedimentos, e, se ocorrer à sistematização

administrativa, a organização passa para o estágio de “plenitude”. Para Adizes (1996), plenitude é o ponto mais favorável na curva do ciclo de vida, pois indica que a organização atingiu um equilíbrio de controle e de flexibilidade entre: a) estrutura organizacional; b) visão institucionalizada; c) orientação para resultados; d) planejamento; e) crescimento das vendas e aumento da lucratividade, simultaneamente.

O maior desafio da organização plena é permanecer na plenitude, cujas necessidades são de descentralização; criação de unidades de negócio e a inovação. Caso contrário, ela passará para a fase denominada “estável”, que é o fim do crescimento e o começo do seu declínio ou a morte (falência).

A inovação, em tecnologia de produtos, é explicada pelo espectro de aplicação tecnológica, representado pela ilustração 3, conforme Rodrigues et al (2004).

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F a se s

I n o v a ç ã o e m T e c n o l o g i a

P a d r ã o d e a c e i t a ç ã o p e l o

d e P r o d u t o

M e r c a d o

P r e ç o

E x ó t ic o

I n o v a ç ã o e m T e c n o l o g i a

d e N e g ó c i o

E s p e c i a l i d a d e

D ifer e n c iad o

S e r i a d o

E s t á g i o s : In i c i a l

N o r m a t i v o

M a s s i fi c a ç ã o

Q u a n ti d a d e

.

.

Ilustração 3– Modelo de maturação tecnológica e ciclo de vida organizacional

FONTE: RODRIGUES et al (2004)

A primeira etapa representa um produto exótico que é um produto singular para as soluções a que se destina. Esse é feito artesanalmente, com base em tecnologia ainda em estado da arte.

A segunda etapa é representada por uma especialidade, que é um produto único ainda, por estar em seus primeiros estágios de introdução.

O terceiro estágio é sinalizado quando o produto já tem aceitação mercadológica e produção em escala significativa. A quarta etapa é definida por um produto seriado, produzido em larga escala.

Ao longo do trajeto da evolução do estágio inicial até o estágio de massificação, os empresários precisam desenvolver capacidades específicas. Durante o estágio inicial do produto novo no mercado, as capacidades ou competências devem estar distintamente

voltadas para a inovação em tecnologia de produto. Na fase inicial de inovação em tecnologia de produto, as competências necessárias focam-se mais nas capacidades individuais, e não no desenvolvimento da arquitetura de relações com o mercado. O estágio normativo é o período intermediário, em que os padrões de aceitação mercadológicos estão sendo estabelecidos entre clientes e fabricantes. Após esse ponto, as capacidades empresariais deverão ser voltadas para 25

a inovação em tecnologia de negócio ou atributos de valor mercadológico, do tipo

acessibilidade, disponibilidade e precificação. (RODRIGUES et al, 2004).

2.2

Incubadoras de empresas

2.2.2

A experiência internacional

Estados Unidos

Segundo ADKINS (2002, p. 3), duas iniciativas ocorridas nos Estados Unidos, uma, em 1959, e a outra , em 1964, podem ser consideradas como “protótipos” do que existe atualmente sob denominação de incubadoras e parques tecnológicos.

A primeira nasceu quando a família de varejistas, chamada Mancuso, da região de Batavia, Estados Unidos, adquiriu as instalações do Centro Industrial Batavia que foi fechado, em 1959, deixando 2.000 pessoas desempregadas. Sr. Joseph Mancuso, dividiu a construção para atrair pequenos negócios nascentes.

Como naquele tempo, a atividade econômica era pouco desenvolvida e existia pouca

assistência dos governos, ele ajudou as empresas locatárias a aumentarem seu capital.

Em 1964, a Universidade City Science Center (UCSC), começou a operar na Filadélfia, com um consórcio de vinte e oito faculdades, universidades e centros de pesquisa na área de saúde, aplicando recursos institucionais para resolver problemas da comunidade. Apesar deste centro ou parque não ter sido criado para se dedicar à incubação de empresas, sempre aceitou firmas no estágio inicial, disponibilizando espaços, na tentativa de prover um ambiente de suporte para as mesmas.

Mais exemplos advindos dos Estados Unidos, a partir de 1970, são os aglomerados de

indústrias de alta tecnologia altamente competitivas, são eles: o Vale do Silício, localizado no estado da Califórnia, e a Rota 128, na direção de Boston, estado de Massachussetts.

(SANTOS, 1985, p. 11).

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A existência do Vale do Silício deve-se ao esforço da Universidade de Stanford, enquanto a Rota 128 foi construída, em sua maioria, por empreendedores, ex-alunos ou professores provindos do Instituto de Tecnologia de Massachussetts (MIT) e da Universidade de Harvard.