Prevalência de Candida spp e xerostomia em pacientes com líquen plano oral. Um estudo grupo-controle por Gabriela Artico - Versão HTML

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GABRIELA ARTICO

Prevalência de Candida spp. e xerostomia em pacientes com líquen plano oral.

Um estudo grupo-controle

São Paulo

2010

GABRIELA ARTICO

Prevalência de Candida spp. e xerostomia em pacientes com líquen plano oral.

Um estudo grupo-controle

Tese apresentada à Faculdade de

Odontologia da Universidade de São

Paulo para obtenção do título de Doutor

pelo programa de Pós-graduação em

Odontologia

Área de Concentração: Diagnóstico Bucal

Orientador: Prof. Dr. Dante Antonio Migliari

São Paulo

2010

FOLHA DE APROVAÇÃO

Artico G. Prevalência de Candida spp e xerostomia em pacientes com líquen plano oral. Um estudo grupo-controle. Tese apresentada à Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo para obtenção do título de Doutor em Odontologia.

Aprovado em / /2011

Banca Examinadora

Prof(a). Dr(a). ______________________________________________________

Julgamento: __________________ Assinatura: __________________________

Prof(a). Dr(a). ______________________________________________________

Julgamento: __________________ Assinatura: __________________________

Prof(a). Dr(a). ______________________________________________________

Julgamento: __________________ Assinatura: __________________________

Prof(a). Dr(a). ______________________________________________________

Julgamento: __________________ Assinatura: __________________________

Prof(a). Dr(a). ______________________________________________________

Julgamento: __________________ Assinatura: __________________________

DEDICATÓRIA

Especialmente, para Dulce, Bete e Ana, por tudo, pois novamente sem vocês nada disso teria se concretizado....

Para Alzira (in memorian); Margherita (in memorian); Alfredo (in memorian), saudade….

Para João, Silvana, Angelo e Giulia,

Para José, Icléia, Cibele, Alex, Lisandra, Marcos, Ciane, Bruno e Ludi.

AGRADECIMENTOS

Ao meu orientador Prof. Dr. Dante Antonio Migliari por sua dedicação constante e a todos os ensinamentos a mim transmitidos ao longo desses anos, meu agradecimento especial.

Ao Prof. Dr. Gil Benard, e Prof. Dra. Gilda Del Negro do Laboratório de Investigação Médica (LIM/53) do Departamento de Dermatologia do Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP) pela acolhida...

Agradecimento especial à micologista do LIM/53 (HCFMUSP) Roseli Santos Freitas por seu incansável trabalho, disposição ímpar em ensinar...

À Kátia C. Dantas, Cecília E Charbel (LIM/53) e Claúdia Freitas pelo apoio incondicional ao longo desses anos de convívio.

Aos aprimorados (LIM/53) Antonio Marques dos Santos Filho e Rafael Meissner da Costa pela dedicação a essa pesquisa e a aprimorada Edna Cleide Mendes Muricy.

Aos funcionários do LIM/53 (HCFMUSP), principalmente Dona Antônia e Dona Judith.

Especialmente ao Prof. Dr. Ricardo Romiti da Divisão de Dermatologia do HCFMUSP por ter tornado possível a participação no Grupo das colagenoses.

Aos Prof. Dr. Vitor Manoel dos Reis. Dr Marcelo Arnone, Profa. Dra Denise Takahashi e Dra Juliana Nakano da Divisão de Dermatologia do HCFMUSP pela acolhida e ensinamentos transmitidos.

Ao micologista Ricardo Spina e Cleiton Alves da Divisão de Dermatologia do HCFMUSP

pelo aprendizado e disponibilidade ímpar.

Aos residentes, preceptores e funcionários da Divisão de Dermatologia do HCFMUSP por sua acolhida e convivência agradável.

Aos professores e funcionários da disciplina de Patologia Bucal.

AGRADECIMENTOS

Especialmente aos professores da disciplina de Estomatologia Clínica pela acolhida e convívio durante todos esses anos...

Aos colegas do Programa de Pós-graduação em Odontologia do Departamento de Estomatologia da FOUSP.

Aos Sílvio K. Hirota, Alessandra Camargo, Anna Torrezani, Juliana Seo e Ingrid S. Bruno pelo atendimento aos pacientes do Grupo de pacientes com LPO.

Para Aparecida Ferreira Andrade (Cida), Iracema Mascarenhas Pires (Nyna) e Maria Cecília Forte Muniz (Cecil) pela amizade e pela disponibilidade ímpar em ajudar...

Aos funcionários do Departamento de Estomatologia pelo apoio prestado.

Aos funcionários do SDO/FOUSP em especial à Glauci Damásio Fidelis, Vânia Martins Bueno de Oliveira Funaro e Rita Mascarenhas Pires

Às funcionárias do setor de Pós-graduação da FOUSP por sempre sanarem minhas dúvidas e pelo atendimento agradável

A todos os pacientes, pois sem sua participação incondicional, nenhuma pesquisa clínica seria possível...

A todos os amigos que incondicionalmente estiveram presentes em todos os momentos de minha vida...

À FAPESP pelo auxílio à pesquisa (Processo 2008/57119-1).

A CAPES pela bolsa de Doutorado no programa Demanda Social.

Artico G. Prevalência de Candida spp e xerostomia em pacientes com líquen plano oral. Um estudo grupo-controle [tese]. São Paulo: Universidade de São Paulo, Faculdade de Odontologia; 2010.

RESUMO

Enquanto lesões cutâneas do líquen plano (LP) são autolimitantes, suas

manifestações orais (LPO) têm comportamento crônico, raramente apresentam

remissão espontânea, e podem sofrer transformação maligna, embora subsista controvérsia sobre esta ultima questão. A este respeito, alguns autores têm dado ênfase ao envolvimento da Candida spp. na malignização LPO devido à capacidade deste fungo em produzir enzima carcinogênica N-nitrobenzilmetilamina e sua relativa freqüência em lesões LPO. Adicionalmente, foi investigada a xerostomia que, além de ocorrer com maior freqüência em indivíduos da faixa etária em que o LPO é mais prevalente, é considerado fator predisponente à candidose. Portanto, a correlação entre xerostomia e colonização por Candida spp. apresente relevância de ser investigada. O presente estudo objetivou comparar a prevalência de Candida spp. e xerostomia em 37 pacientes com lesões LPO (grupo LPO) com a de 26 pacientes com lesões inflamatórias não-LPO (grupo não-LPO) e com a de 28 indivíduos sem lesões orais (grupo controle-saudável). Pacientes LPO foram predominantemente indivíduos do sexo feminino com média idade de 50 anos. Presença de xerostomia foi evidenciada em 35,1% dos pacientes do grupo LPO, em 38,5% do grupo não-LPO e em 25% do grupo controle-saudável, não havendo diferença estatisticamente

significante entre os três grupos (p > 0,05). Nos três grupos, medicação sistêmica e presença de distúrbios emocionais (ansiedade e depressão) não foram

estatisticamente significante associados como fatores ao desenvolvimento de xerostomia (p > 0,05). A presença de xerostomia não foi fator estatisticamente significante de predisposição à colonização por Candida spp. nos três grupos.

Colonização por Candida spp foi maior no grupo controle-saudável (53,5%) que nos outros grupos (29,7% no LPO e 26,9% no não-LPO), porém, não houve diferença estatisticamente significante (p > 0,05). Formas clínicas do LPO não foram fatores de predisposição à colonização por Candida spp. Espécie mais freqüentemente isolada nos três grupos foi Candida albicans. Formas não- albicans, especificamente a C.

dubliniensis, foram encontradas em três indivíduos do grupo controle-saudável.

Palavras-chave: Líquen plano bucal. Candida. Candidose. Xerostomia. Diagnóstico bucal. Carcinogênese bucal.

Artico G. Prevalence of Candida spp e xerostomia in patients with oral lichen planus.

A controlled study. [thesis]. São Paulo: Universidade de São Paulo, Faculdade de Odontologia; 2010.

ABSTRACT

While cutaneous lesions of lichen planus (LP) are self-limiting, its counterpart oral manifestations (OLP) are chronic, hardly ever undergo spontaneous remission, and may suffer malignant transformation, though this latter issue still bears some controversy. In this respect, some authors have believed that Candida spp. might play a part in the OLP process of malignant transformation since this fungi has the ability to produce carcinogenic N-nitrobenzilmetilamina enzyme and has been found in OLP lesions. Apart that, xerostomia is considered a predisposing factor to candidosis and occurs more frequently in individuals at an aging in which OLP is more prevalent. Therefore, the correlation between xerostomia and candidosis may be worth it investigating. This study aimed at comparing the prevalence of Candida spp. and xerostomia in 37 patients with OLP lesions (OLP group) with that of 26

patients with inflammatory non-OLP disease (non-OLP group) and with that of 28

subjects without oral mucosal lesions (healthy-control group). OLP patients occurred predominantly in females at a mean age of 50 years. Presence of xerostomia was seen in 35.1% of patients in the OLP group, in 38.5% of the non-OLP and in 25% of the healthy-control group with no statistically significant difference among the three groups (p > 0.05). In all the groups, systemic medication and the presence of psychological disorder (anxiety and depression) were not statistically significant factors associated with the development of xerostomia. The presence of xerostomia was not a statistically significant factor at predisposing the colonization by Candida spp. in the three groups (p > 0.05). Colonization by Candida species was higher in healthy-control group (53.5%) than in other groups (29.7% in OLP and 26.9% in non-LPO), but the difference among them did not reach a statistical significance (p > 0.

05). Clinical forms of OLP were not predisposing factors to the colonization by Candida spp. The most frequently isolated species in the three groups were Candida albicans. Non- albicans forms, specifically C. dubliniensis, was found in three patients in the healthy-control group.

Keyworks: Oral lichen planus. Candida. Candidosis. Xerostomia. Oral diagnosis. Oral carcinogenesis

LISTA DE FIGURAS

Figura 5.1 Micromorfologia dos isolados (em agar fubá) da mucosa oral de

pacientes LPO (400X) ............................................................................ 47

Figura 5.2 Micromorfologia de C. dubliniensis, isolado de mucosa oral de paciente grupo controle-saudável (600X):.............................................................48

LISTA DE TABELAS

Tabela 5.1

Características gerais dos grupos LPO, não-LPO e controle-saudável

(CS) ................................................................................................. ....41

Tabela 5.2 Prevalência de xerostomia versus fatores sistêmicos (medicação sistêmica e distúrbio emocional) nos grupos LPO, não-LPO e controle-saudável (CS) .................................................................................... 42

Tabela 5.3 Medicamentos mais usados pelos pacientes dos grupos LPO, não-

LPO e controle-saudável .................................................................... 43

Tabela 5.4 Prevalência de Candida spp. versus xerostomia e taxa de fluxo salivar nos grupos LPO, não-LPO e controle-saudável (CS) .......................... 44

Tabela 5.5

Prevalência de Candida spp. nos grupos LPO, não-LPO e controle-

saudável .............................................................................................. 45

Tabela 5.6 Prevalência de espécies de Candida identificadas nos grupos LPO, não-LPO e controle-saudável ............................................................. 46

LISTA DE ABREVIATURA E SIGLAS

CMV cytomegalovírus

(citomegalovírus)

Br Brasil

EUA

Estados Unidos da América

IFN-γ interferon-gama

IL-2 interleukin-2

(interleucina-2)

HPV

human papiloma virus (vírus do papiloma humano)

HHV-6

human herpex virus 6 (vírus do herpes humano 6)

HSV-1

herpex simplex virus 1 (vírus do herpes simples 1)

LP

lichen planus (líquen plano)

LPO

líquen plano oral

MHC I

major histocompatability complex class I (complexo maior de

histocompatibilidade classe I)

mL mililitros

mL/min

mililitros por minuto

mm milímetros

OLP

oral lichen planus

RPM

rotações por minuto

SDA

Sabouraud Dextrose Agar (agar Sabouraud Dextrose

Spp.

species plural (várias espécies que ainda não foram identificadas)

TNF-α

tumor necrosis factor-alpha (fator necrose tumoral-alfa)

LISTA DE SÍMBOLOS

oC graus

Celsius

NaCl

cloreto de sódio

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO .............................................................................................. 15

2 REVISÃO DA LITERATURA ........................................................................ 18

2.1 EPIDEMIOLOGIA DO LPO ........................................................................ 18

2.2 CARACTERÍTICAS CLÍNICAS DO LPO .................................................... 18

2.3 CARACTERÍTICAS HISTOPATOLÓGIAS DO LPO ................................... 19

2.4 DIAGNÓSTICO DO LPO ............................................................................ 20

2.5 ETIOLOGIA E PATOGÊNESE DO LPO ..................................................... 21

2.5.1 Mecanismo etiopatogênico do LPO ..................................................... 21

2.6 TRATAMENTO DO LPO ............................................................................ 22

2.7 POTENCIAL DE MALIGNIZAÇÃO DO LPO ............................................... 22

2.8 Candida spp. EM LESÕES LPO E LEUCOPLASIA ORAL ......................... 25

2.9 Candida spp. E CANCERIZAÇÃO ORAL ................................................... 26

2.10 XEROSTOMIA COMO FATOR DE PREDISPOSIÇÃO À CANDIDOSE ORAL .... 28

2.11 XEROSTOMIA E LPO .............................................................................. 29

3 PROPOSIÇÃO .............................................................................................. 31

4 CASUÍSTICA-MATERIAL E MÉTODOS ...................................................... 32

4.1 CASUÍSTICA .............................................................................................. 32

4.1.1 Grupo LPO ............................................................................................. 32

4.1.2 Grupo de pacientes com lesões orais não-LPO ................................. 33

4.1.3 Grupo de indivíduos sem lesões orais (controle-saudável) .............. 33

4.1.4 Ética ........................................................................................................ 33

4.2 MÉTODOS ................................................................................................. 34

4.2.1 Procedimento para determinação do fluxo salivar............................. 34

4.2.2 Coleta de material para cultura e isolamento de Candida spp. ......... 35

4.2.2.1 Pacientes com lesões LPO e não-LPO ................................................ 35

4.2.2.2 Pacientes sem lesões orais (grupo controle-saudável) ........................ 35

4.2.3 Transporte das amostras ...................................................................... 36

4.2.4 Processamento das amostras .............................................................. 36

4.2.5 Isolamento e identificação de Candida spp. ....................................... 36

4.2.5.1 Meio CHROMagar® .............................................................................. 37

4.2.5.2 Prova de tubo germinativo .................................................................... 37

4.2.5.3 Cultivo em agar fubá-Tween 80 ........................................................... 37

4.2.5.4 Método de crescimento a 45oC (termotolerância) e cultivo em meio

SDA acrescido de 6,5% de cloreto de sódio .................................................... 37

4.2.5.5 Cultivo em agar Staib ........................................................................... 38

4.2.5.6 Assimilação de fontes de carboidratos e nitrogênio (auxanograma) .... 38

4.2.5.7 Fermentação de açúcares (zimograma) ............................................... 39

4.2.6 Análise estatística ................................................................................. 39

5 RESULTADOS .............................................................................................. 40

5.1 CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS PACIENTES ..................................... 40

5.2 PREVALÊNCIA DE XEROSTOMIA E SUA CORRELAÇÃO COM FATORES

SISTÊMICOS (MEDICAÇÃO SISTÊMICA E DISTÚRBIO EMOCIONAL) ........ 40

5.3 PREVALÊNCIA DE Candida spp. E SUA CORRELAÇÃO COM XEROSTOMIA E

TAXA DE FLUXO SALIVAR .............................................................................................. 43

5.4 PREVALÊNCIA E IDENTIFICAÇÃO DAS ESPÉCIES DE Candida ........... 44

6 DISCUSSÃO ................................................................................................. 49

7 CONCLUSÕES ............................................................................................. 53

REFERÊNCIAS ................................................................................................ 54

ANEXOS .......................................................................................................... 62

15

1 INTRODUÇÃO

Líquen plano (LP) é uma doença inflamatória crônica que afeta pele e/ou

mucosas. Sua manifestação oral (LPO) é freqüente, com prevalência estimada entre 0,1% a 4% da população em geral (Scully et al., 1998). O LPO acomete

predominantemente indivíduos adultos de meia-idade, sendo mais comum em

mulheres, e rara em crianças. Sua etiologia permanece desconhecida (Scully et al., 1998; Sugerman et al, 2002b).

Em relação ao aspecto etiopatogênico, o desenvolvimento da lesão LPO está

associado ao mecanismo de imunidade celular mediada pela ativação de linfócitos CD8+, cuja indução ocorre por alteração na expressão antigênica de queratinócitos.

Segundo alguns estudos, a alteração na antigenicidade dos queratinócitos pode ser induzida por medicamentos, materiais dentários (restaurações metálicas), agentes infecciosos e alimentos (Scully et al., 1998; Sugerman et al, 2000, 2002b; Lodi et al., 2005a). A ativação de linfócitos CD8+ pode ser responsável pela apoptose dos queratinócitos, resultando no processo de formação da lesão oral nos indivíduos com predisposição genética para o desenvolvimento do LPO (Scully et al., 1998; Sugerman et al, 2002b; Lodi et al., 2005a; Farhi; Dupin, 2010).

Uma das questões mais importantes em relação ao LPO é o seu potencial de

transformação maligna (Eisen, 2002, 2003; Mignona et al., 2007). Embora ainda exista controvérsia a respeito da cancerização do LPO, a maioria dos autores considera o LPO uma doença com potencial intrínseco de malignização, com taxa de transformação estimada entre 0,4% e 1,74% (van der Meij et al., 2003a, 2007).

Os mecanismos envolvidos na transformação maligna das lesões de LPO

ainda não são conhecidos, porém a exposição a agentes químicos com potencial mutagênico como álcool e tabagismo, e infecciosos como Candida spp. e vírus do papiloma humano (HPV) e do herpes humano (HHV) pode aumentar

substancialmente o risco de malignização do LPO (Scully et al., 1998; Eisen, 2002).

De acordo com resultados de alguns estudos, a prevalência de tabagismo e

etilismo em pacientes com LPO não apresenta diferença estatisticamente significante da observada na população em geral (Gorsky et al., 1996; Silverman; Bahl, 1997; Hirota et al, 2010). Porém, a investigação desses hábitos deve ser sempre incluída 16

em estudos clínicos, sobretudo em pacientes com lesões potencialmente

cancerizáveis.

O HPV subtipo 16 (HPV-16), bem como o vírus do herpes simples tipo 1 (HSV-

1), o citomegalovírus (CMV) e HHV-6 foram detectados em lesões LPO (Scully et al., 1998; Oflartharta et al., 2003; Lodi et al., 2005a). Entretanto, a participação desses vírus no comportamento de lesões LPO ainda necessita de estudos adicionais envolvendo, principalmente, análise de biologia molecular.

Investigações a respeito da presença de Candida spp. em lesões LPO foram relatados em alguns estudos que detectaram positividade para várias espécies de Candida, em 37% a 50 % dos casos (Lundström et al., 1984; Krogh et al., 1987a, 1987b; Hatchuel et al., 1990; Lipperheide et al., 1996; Vuckovic et al., 2004). Nesses estudos não foi observada variação na prevalência da Candida em relação a formas conhecidas do LPO (reticular, atrófica, erosivo e em placa). Entretanto, estudo mais recente (Zeng et al., 2009), no qual as lesões LPO foram classificadas em dois grupos (formas erosivas e não-erosivas), constatou maior prevalência da Candida spp. na forma erosiva (72%) quando comparada com à das formas não-erosivas do LPO (28%), com diferença estatisticamente significante.

Existem poucos estudos de investigação sobre o papel da Candida spp. na transformação maligna das lesões de LPO. Associação de Candida spp. e transformação maligna têm sido mais freqüentemente analisada em leucoplasias orais, principalmente nas de localização retrocomissural (Sitheeque; Samaranayake, 2003). Mas, mesmo nessas lesões leucoplásicas, a ação da Candida, como agente de transformação maligna, ainda é especulativo. Pois, na maioria desses estudos, não há informação adequada no que diz respeito à exposição crônica ao consumo de álcool e tabaco nos casos de transformação maligna de leucoplasias

retrocomissurais, o que traria dificuldade em estabelecer se a transformação maligna dessas lesões resultaria exclusivamente desses agentes carcinogênicos ou com a participação concomitante da Candida spp., caracterizando uma associação

sinérgica de múltiplos agentes.

Vários fatores estão associados à predisposição à candidose oral, o que inclui a xerostomia (Farah et al., 2000). Xerostomia, definida como a sensação subjetiva de boca seca (Guggenheimmer; Moore, 2003; Rayman et al., 2010) pode ou não resultar de diminuição da quantidade de saliva ou pela alteração de componentes salivares, principalmente mucinas (Zussman et al., 2007).

17

Embora estudo recente tenha mostrado que pacientes com LPO podem

apresentar queixa de xerostomia ou boca seca persistente (Colquhoun; Ferguson, 2004), há pouco interesse em investigar a coexistência de xerostomia e LPO, talvez porque sejam duas entidades de patogênese distinta sem uma possível inter-relação.

Todavia, o perfil do paciente em que o LPO tem maior incidência, geralmente paciente do sexo feminino, pós-menopausa e em uso de medicação sistêmica,

coincide com o da xerostomia (Guggenheimmer; Moore, 2003; Porter et al., 2004), o que, em princípio, justifica a investigação de xerostomia em pacientes com LPO.

O objetivo do presente estudo foi determinar a prevalência de Candida spp. e de xerostomia em pacientes LPO, e analisar o que esses fatores possam representar no comportamento das lesões LPO.

18

2 REVISÃO DA LITERATURA

2.1 EPIDEMIOLOGIA DO LPO

Líquen plano (LP) é uma doença inflamatória crônica e não-infecciosa que

afeta pele e/ou mucosas (Carrozo; Gandolfo, 1999; Sugerman et al., 2000; Epstein et al., 2003). Sua manifestação oral (LPO) é freqüente, com prevalência estimada entre 0,1% a 4% da população em geral (Scully et al., 1998). Aproximadamente 15%

dos pacientes com LPO apresentam ou desenvolvem lesões LP em pele (Eisen,

1999). Afeta predominantemente indivíduos adultos de meia-idade; sendo mais comum em mulheres apresentando relação entre mulher/homem de 2:1, e rara em crianças e adolescentes (Scully et al., 1998; Eisen, 2003; Ingafou et al., 2006).

2.2 CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS DO LPO

As lesões de LPO possuem características clínicas distintas e na maioria das vezes, se apresentam como estrias brancas múltiplas (estrias de Wickham) com distribuição bilateral e de forma simétrica. Ocorrem mais freqüentemente em mucosa jugal (90% dos casos), língua (aproximadamente em 30% dos casos) e gengiva (em 13% dos casos), mas raramente no palato e na semimucosa labial (Scully et al., 1998; Xue et al., 2005; Ingafou et al., 2006; Al-Hashimi et al., 2007). Pacientes com LPO podem apresentar envolvimento concomitante em diferentes sítios da mucosa oral. A ocorrência de LPO em um único sítio é menos freqüente, entretanto, quando isso ocorre, as lesões localizam-se preferencialmente em gengiva (Scully et al., 1998; Eisen, 2002) e, ocasionalmente em lábio ou língua (Scully; Carrozzo, 2007).

O LPO é uma doença polimorfa que pode se apresentar através de quatro

formas clínicas: reticular (estrias de Wickham ou pápulas brancas) que é a predominante; atrófica (associação de eritemas e formações reticulares); erosiva (forma atrófica e presença de ulceração); e em placa (lesão plana, branca, de 19

superfície lisa ou rugosa, geralmente acompanhada por estrias periféricas). Estas formas clínicas podem ocorrer isoladamente ou em múltiplas associações (Scully et al.,1998; Eisen, 2003; Al-Hashimi et al., 2007). Ainda as lesões LPO podem so caracterizada por períodos de remissão e exacerbação espontâneas das lesões A presença de alguns fatores de irritação local como fricção crônica de

próteses ou restaurações que possuam superfícies irregulares, traumas mecânicos decorrentes de procedimentos odontológicos e hábito de sucção da mucosa podem exacerbar a severidade das lesões pré-existentes ou induzir à formação de novas lesões, estas alterações são denominadas de fenômeno de Koebner que está mais associado ao LP cutâneo, mas também pode ser observado na mucosa oral. Após a eliminação dos fatores irritativos ocorre a melhora parcialmente e até mesmo total das manifestações (Eisen, 2002).

A sintomatologia das lesões de LPO varia de acordo com a manifestação

clínica e depende do grau de severidade das lesões (Migliari, 2004; Xue et al., 2005), variando de leve desconforto a dor severa, porém a sensação de queimação ou ardência bucal é a queixa mais freqüente (Machado et al., 2004; Xue et al., 2005). As lesões reticulares são geralmente assintomáticas e, por causa disso, descobertas durante exame de rotina, embora em alguns casos haja a sensação de aspereza. As lesões erosivas e atróficas podem ser acompanhadas de desconforto, dor, ardência, edema, irritação, e sangramento durante a higienização dos dentes, interferindo geralmente na qualidade de vida dos pacientes (Scully et al., 1998; Eisen, 2003; Machado et al., 2004; Migliari, 2004; Scully; Carrozzo, 2007; van der Waal, 2009).

2.3 CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS DO LPO

O quadro histopatológico do LPO deve exibir infiltrado inflamatório

predominantemente linfocitário disposto em banda subepitelial, presença de degeneração liquefativa da camada basal, presença de queratinócitos necróticos (corpos citóides ou de Civatte), hiperqueratose ou hiperparaqueratose focal e acantose regular. Cabe lembrar que a existência de displasia epitelial exclui o diagnóstico de LPO (Scully et al., 1998; van der Meij; van der Waal, 2003b).

20

2.4 DIAGNÓSTICO DO LPO

O diagnóstico do LPO é assunto controverso, existindo muita discussão

quanto à utilização dos critérios clínicos e histopatológicos que concorrem para o diagnóstico final do LPO (van der Meij; van der Waal, 2003b).

Alguns pesquisadores se baseiam exclusivamente nos achados e critérios

clínicos, entretanto, existem críticas a respeito desta conduta (McCartan et al., 2003) uma vez que algumas lesões como as lesões ulcerativas e vésico-bolhosas (aftas, eritema multiforme, pênfigo vulgar, penfigóide benigno das mucosas), as infecciosas (sífilis secundária, candidose hiperplásica), as colagenoses (lúpus eritematoso discóide e sistêmico), as lesões brancas (leucoplasia, queratoses reacionais) e lesões malignas incipientes do carcinoma de células escamosas, podem possuir aparência clínica semelhante ao do LPO (Migliari, 2004).

O diagnóstico histopatológico é fundamental, porém depende da área

biopsiada e da atividade da doença, por isso nem sempre os achados histológicos são característicos para conduzir a um diagnóstico conclusivo de LPO. Com isso o diagnóstico histopatológico pode ser caracterizado como conclusivo de LP,

compatível com LP e não-LP (Migliari, 2004).

A Organização Mundial da Saúde em 1978 estabeleceu critérios clínicos e

histopatológicos para o diagnóstico de LPO que foram modificados por alguns pesquisadores que salientaram a necessidade da correlação clínicopatológica, para que haja o diagnóstico definitivo de LPO (van der Meij; van der Waal, 2003b), com isso, apesar de não ser de consenso mundial, o LPO é classificado em dois grupos: casos conclusivos LPO e casos compatíveis com LPO (van der Meij et al., 2003a; van der Meij; van der Waal, 2003b).

Casos conclusivos de LPO são os que possuem características clínicas e

histopatológicas de acordo com os critérios diagnósticos LPO, estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde em 1978, sendo denominados LPO. Casos

compatíveis de LPO são os que apresentam um ou outro aspecto característico seja clínico ou histopatológico, mas não ambos; ou os que possuam aspectos clínicos ou histopatológicos sugestivos, mas não conclusivos de LPO (Migliari, 2004).

21

2.5 ETIOLOGIA E PATOGÊNESE DO LPO

A etiologia do LPO permanece desconhecida. As investigações são mais

relacionadas ao aspecto etiopatogênico da doença.

Todavia, o LPO parece estar associado a uma resposta celular

imunologicamente mediada que seria desencadeada por vários fatores exógenos (medicamentos, materiais dentários (restaurações metálicas), agentes infecciosos e alimentos) e endógenos (fatores hormonais, distúrbios endócrinos e metabólicos, distúrbios emocionais como ansiedade e depressão; e doenças sistêmicas,

principalmente, as de origem autoimune) em indivíduos com predisposição genética para a doença (Scully et al., 1998; Sugerman et al, 2002b).

2.5.1 Mecanismo etiopatogênico

Células apresentadoras de antígeno e infiltrado inflamatório com

predominância de linfócitos T parecem ter associação com a patogênese do LPO

(Eversole, 1997).

O processo patogênico tem início com a transferência do estímulo antigênico (ao tecido epitelial) para o sistema imune do indivíduo através das células apresentadoras de antígeno dos queratinócitos da camada basal do epitélio que são responsáveis pela indução da resposta imune celular, no epitélio são as células de Langherans (CL) e as células dendríticas no tecido submucoso, ambas são potentes estimuladoras de linfócitos T. As CL se deslocam do tecido epitelial via submucosa para os linfonodos regionais interagindo com os linfócitos T CD4+. Esses eventos caracterizam a fase de indução da resposta celular imune e resultam na ativação dos linfócitos T citotóxicos CD8+ que é mediada pela expressão do complexo maior de histocompatibilidade classe I (MHC). A ocorrência de intensa liberação de citocinas como a interleucina-2 (IL-2), interferon-gama (IFN-γ) e fator necrose tumoral-alfa (TNF-α) mantém a ativação dos linfócitos T CD8+ que se deslocam dos linfonodos ao tecido epitelial o que caracteriza a fase efetora da resposta imune (Eversole, 1997). A interação dos linfócitos T CD8+ com os queratinócitos antígeno-22

específicos da camada basal tem como resultado a destruição tecidual, o que é caracterizado histologicamente pela liquefação da camada basal, lise celular e necrose (apoptose) dos queratinócitos. A contínua liberação de mediadores

imunológicos leva à amplificação da atividade linfocitária, sendo mantida a produção de citocinas através dos linfócitos T, queratinócitos imunocompetentes e mastócitos, o que favorece a progressão e a cronicidade da doença (Eversole, 1997; Scully et al., 1998; Sugerman et al., 2002b; Lodi et al., 2005a).

2.6 TRATAMENTO DO LPO

O tratamento do LPO depende da sintomatologia e do grau de severidade das

lesões, uma vez que seu objetivo é o controle sintomático das lesões. Muitos agentes terapêuticos têm sido usados para o tratamento do LPO como

corticosteróides, retinóides, ciclosporina, fototerapia, criocirurgia e laserterapia.

Geralmente são usados com maior freqüência medicamentos de ação tópica, porém, em casos mais agressivos, se faz necessário o uso de medicamentos sistêmicos (Lodi et al., 2005b; Al-Hashimi et al., 2007; Scully; Carrozzo, 2008; Carrozzo; Thorpe, 2009).

O medicamento de primeira escolha é o corticosteróide tópico (propionato

de clobetazol, betametasona e acetonido de triancinolona), por sua comprovada eficácia na diminuição da dor e inflamação, bem como, o cloridrato de tetraciclina por sua ação antiinflamatória. Em casos LPO com queixa de aspereza, é utilizado o ácido retinóico para aplicação local. Outra opção terapêutica é o uso de tacrolimus, imunomodulador tópico, principalmente para casos de LPO erosivo. Antifúngicos também são usados no tratamento LPO (Lodi et al., 2005b).

2.7 POTENCIAL DE MALIGNIZAÇÃO DO LPO

O potencial de malignização do LPO é assunto que gera muita controvérsia

entre os pesquisadores. Supõe-se que alguns relatos de transformação maligna de 23

LPO não sejam realmente de lesões LPO, mas de lesões que apresentavam

displasia epitelial com características liquenóides, uma vez que ainda não existe consenso mundial em relação aos critérios diagnósticos (Mattsson et al., 2002; Sugerman et al., 2002a).

Porém, LPO é considerado uma lesão com risco intrínseco aumentado ao

desenvolvimento de neoplasia maligna (Scully et al., 1998; Mignona et al., 2001; 2007; Rödström et al., 2004).

Em 1910, Hallopeau relatou um caso de malignização de LPO e desde então,

casos esporádicos de transformação maligna do LPO têm sido descritos na literatura (Lo Muzio et al., 1998).

Para Scully et al. (1998) os pacientes com lesões LPO possuem maior risco ao desenvolvimento de câncer oral do que o verificado na população em geral.

A incidência de transformação maligna em LPO é muito variável de acordo

com dados da literatura. Estudos prospectivos mostraram estimativa de

transformação variando entre 0,4% e 1,74% (van der Meij et al., 2003a).

Holmstrup et al. (1988) acompanharam 611 pacientes, desses 409 mulheres e

202 homens com lesões LPO em um período de 1 a 26 anos. Durante esse período 9

pacientes (1,5%), 8 mulheres (1,9%) e 1 homem (0,5%) com média de idade entre 56

a 79 anos, apresentaram diagnóstico de carcinoma de células escamosas em áreas de lesões LPO.

Revisão de prontuários de 832 pacientes com diagnóstico confirmado de LPO

tratados no período de 1983 a 1996 mostrou que sete (0,8%) desenvolveram

carcinoma de células escamosas intraoral e três casos de carcinoma in situ (Rajentheran et al., 1999). Eisen (2002) em seu estudo clínico mostrou que de 723

pacientes acompanhados por um período de seis meses a oito anos, em 0,8% foi constatado o desenvolvimento de carcinoma epidermóide nos sítios com diagnóstico de LPO. Estudo retrospectivo de Rödström et al. (2004) com 1028 portadores de LPO

mostrou incidência de transformação maligna em 0,5% dos casos.

Carbone et al., (2009) em seu estudo retrospectivo com 808 pacientes

acompanhados por um período de 6 a 17 anos, constataram que durante este

período de acompanhamento, 15 pacientes desenvolveram carcinoma epidermóide aproximadamente em 52,33 meses depois do diagnóstico inicial do LPO.

Para muitos autores, o risco de transformação maligna do LPO é mais

freqüentemente associado com as formas erosivas e atróficas e localizadas

24

principalmente em língua, gengiva ou mucosa bucal (Scully et al., 1998, Xue et al., 2005). Porém, para outros pesquisadores o potencial de malignização independe da apresentação clínica do LPO (Gandolfo et al., 2004).

O sinal clínico mais importante indicativo de transformação é a perda de

homogeneidade da lesão LPO (Mignona et al., 2001). Mudanças evidentes em lesões LPO requerem biópsia adicional (Epstein et al., 2003)

Por isso, acompanhamento periódico é importante, devendo ser realizado de

duas a quatro vezes por ano (Scully et al., 1998; Eisen, 2002; Rödström et al., 2004; Ingafou et al., 2006; van der Meij et al., 2007). Rajentheran et al. (1999) e Xue et al.

(2005) recomendam acompanhamento dos pacientes com LPO por muitos anos.

Eisen (2002) em seu estudo clínico afirmou a necessidade de controle periódico dos pacientes com LPO, pois de 723 pacientes acompanhados por um período de seis meses a oito anos, em 0,8% foi constatado o desenvolvimento de carcinoma

epidermóide em sítios com diagnóstico de LPO. Para Mignona et al. (2001, 2007) o monitoramento regular e exame oral meticuloso em portadores de LPO devem ser realizados no mínimo três vezes por ano possibilitando a detecção de neoplasias malignas em fases iniciais obtendo-se assim, prognósticos mais favoráveis.

Acompanhamento periódico de 402 pacientes, dos quais 246 mulheres e 156 homens com diagnóstico de LPO (realizado entre janeiro de 1988 a julho de 1999) até fevereiro de 2001 constatou que 7 mulheres (2,8%) e 2 homens (1,3%)

desenvolveram carcinoma epidermóide (Gandolfo et al., 2004).

Os mecanismos específicos envolvidos na transformação maligna do LPO

ainda não são conhecidos, porém, existem muitas hipóteses a esse respeito.

Contudo, transformação maligna pode estar associada principalmente com

exposição a fatores carcinogênicos (Scully et al., 1998; Eisen, 2002; Sugerman et al., 2002b). Álcool, tabaco e agentes infecciosos como Candida spp. e os vírus HPV, HHV são fatores associados ao risco de malignização do LPO (Scully et al., 1998; Eisen, 2002; Sugerman et al., 2002; Gandolfo et al., 2004).

Estudos relativos ao consumo de álcool e tabaco por portadores de LPO

constataram que o número de pacientes LPO que possuem esses hábitos nocivos não é maior quando comparado com a população em geral (Gorsky et al., 1996; Silverman; Bahl, 1997; Mignona et al., 2001, Hirota et al., [2010]).

25

Os vírus HPV e HHV já foram encontrados em LPO, entretanto, suas

implicações em relação à malignização requerem ainda muitos estudos (Scully et al., 1998; Eisen, 2002).

Estudos confirmaram a presença de Candida spp. em lesões LPO, com isso, muitos pesquisadores afirmam ser necessária a investigação da presença de Candida spp. em lesões de LPO, pois existem hipóteses que estas leveduras possuam potencial de induzir a cancerização de lesões orais (Lundström et al., 1984; Krogh et al., 1987b; Hatchuel et al., 1990; Vuckovic et al., 2004).

2.8 Candida spp. EM LESÕES LPO E LESÕES DE LEUCOPLASIA ORAL

Lundström et al. (1984) investigaram a presença de Candida spp. em 41

pacientes LPO, destes, 19 pacientes (46%) apresentaram presença de leveduras em cultura ou em exame histológico.

Hietanen et al. (1999) constataram em seu estudo que 5 de 8 pacientes com

lesões de LPO mostraram crescimento de fungos em cultura; e 2 dos 8 pacientes apresentaram hifas em ácido periódico de Schiff (PAS).

Presença

de

Candida spp. foi confirmada em 0 a 17% das biópsias, não sendo

levado em consideração o tipo de manifestação clínica de LPO (Krogh et al., 1987a; Hatchuel et al., 1990), uma vez que formas erosiva e não-erosiva de LPO não apresentam diferenças entre si quanto à freqüência de Candida (Hatchuel et al., 1990) . Embora , em estudo recente (Zeng et al., 2009), no qual as lesões LPO foram classificadas em dois grupos (formas erosivas e não-erosivas), foi encontrada maior prevalência de Candida spp. na forma erosiva (72%) em comparação com à das formas não-erosivas do LPO (28%), apresentando diferença estatisticamente

significante.

Entretanto em estudo de Holmstrup; Dabelsteen (1974) que investigou a

freqüência e distribuição de Candida spp. em biópsias de lesões LPO exibindo hiperortoqueratose e hiperparaqueratose e as compararam com achados em

leucoplasias orais. Estes pesquisadores concluíram que lesões LPO são menos suscetíveis à infecção por espécies de Candida uma vez que, de 43 biópsias, somente uma apresentou invasão por Candida.

26

Lipperheide et al. (1996) em investigação quanto à prevalência da colonização por espécies de Candida em pacientes com leucoplasia oral e LPO comparados a indivíduos sem lesões orais constataram que a colonização por leveduras foi maior no grupo de pacientes com leucoplasia oral 54,3% (19 de 35) e no grupo de

indivíduos sem lesões orais 45,3% (43 de 95) que no grupo LPO 35,3% (12 de 34).

Vuckovic et al. (2004) investigaram a presença de Candida spp. em lesões com potencial de malignização, especialmente leucoplasia oral e LPO, e constataram que 3 (25%) das 12 lesões de leucoplasia oral e 4 (44 %) dos 9 casos de LPO

mostraram presença de Candida spp.

A presença de leveduras foi confirmada em 82% dos pacientes com

leucoplasias orais e em 37% dos pacientes com LPO, espécie dominante foi a Candida albicans em ambas as lesões, porém, C. tropicalis, C. pintolopesii, Torulopsis glabrata e Saccharomyces ceresivae também foram encontradas (Krogh et al., 1987a, 1987b).

Lipperheide et al. (1996) em seu estudo a respeito da prevalência da

colonização de espécies de Candida em pacientes com lesões LPO, leucoplasias orais e indivíduos sem lesões orais avaliaram 116 isolados, desses 25 de leucoplasia oral, 17 de LPO e 74 de indivíduos sem lesão oral e constataram que C. albicans foi a espécie predominante em todos os grupos, sendo confirmada em 76% dos isolados de leucoplasia oral, 88,2% de LPO e 60,8% dos indivíduos sem lesões orais. Outras espécies como C. famata, C. tropicalis, C. parapsilosis, C. guilliermondii, Rhodotorula rubra e Trichosporon capitatun foram identificadas nas lesões de leucoplasia oral e de LPO e nos indivíduos sem lesão oral foram identificadas também C. glabrata, Cryptoccocus albidus, C. krusei, C. lipolytica, C. intermédia e C. rugosa.

2.9 Candida spp. E CANCERIZAÇÃO ORAL

Pesquisas realizadas na década de 60 foram as primeiras a relatar possível associação entre Candida spp. e cancerização oral. (McCullough et al., 2002).

Lesões com alterações pré-cancerosas avançadas mostraram a presença de

leveduras com alto potencial de nitrosação (Krogh et al., 1987b).

27

Na década de 70, alguns trabalhos constataram forte evidência da ligação

entre Candida albicans (especificamente) e o desenvolvimento de câncer oral (McCullough et al., 2002). Para Nagy et al. (1998) a freqüência de Candida spp., principalmente de Candida albicans é maior em sítios de carcinomas orais do que em áreas saudáveis.

Estudo de Barrett et al. (1998) foi estatisticamente significante quanto à existência da associação entre infecção fúngica e lesões orais com presença de displasia epitelial (histologicamente confirmada). Esse estudo sugere que existe uma interação entre a infecção oral por leveduras, especialmente por espécies de Candida e o desenvolvimento de displasia e neoplasia epiteliais orais.

McCullough et al. (2002) também concluíram existir uma ligação entre a

presença de leveduras e displasia epitelial oral. Lesões orais diferentes são freqüentemente associadas com a presença de Candida spp., incluindo a candidose crônica hiperplástica ou candidose leucoplásica que se não tratada, pode estar diretamente ao risco elevado de malignização. Essa associação mostra a forte evidência do envolvimento dessas leveduras nas alterações displásicas epiteliais (Field et al., 1989; Sitheeque; Samaranayake, 2003).

O mecanismo de ação das infecções por leveduras, responsável pelo

desenvolvimento e progressão da displasia, ainda permanece desconhecido

(McCullough et al., 2002).

Estudo em modelo animal constatou que espécies de Candida possuem

habilidade potencial para produção endógena de nitrosaminas. As nitrosaminas são substâncias carcinogênicas para a mucosa oral (Reibel, 2003).

A capacidade de metabolização de nitrosaminas endógenas por espécies de

Candida, principalmente demonstrada pela Candida albicans. Estas nitrosaminas podem estar ligadas direta ou indiretamente – ou em conjunto com outras

substâncias carcinogênicas – na ativação de oncogenes específicos que são os responsáveis pelo desenvolvimento de lesões malignas (Krogh et al., 1987b; Sitheeque; Samaranayake, 2003; Dwivedi et al., 2009).

Entretanto, apesar de existirem muitos trabalhos mostrando a associação

entre Candida spp. e carcinogênese oral, essa associação ainda é questionável e necessita estudos mais aprofundados (Meurman; Uittamo, 2008).

28

2.10 XEROSTOMIA COMO FATOR DE PREDISPOSIÇÃO À CANDIDOSE ORAL

Xerostomia é definida como a sensação subjetiva de boca seca. Acomete

com maior freqüência mulheres pós-menopausa. É mais prevalente em indivíduos de meia-idade e idosos, mas pode ocorrer em qualquer faixa-etária (Field et al., 1997; Cassolato; Turnbull, 2003; Guggenheimmer; Moore, 2003; Rayman et al., 2010).

As causas da xerostomia incluem reação adversa a medicamentos (mais de

500 tipos de medicações dentre eles: anti-hipertensivos, antidepressivos, anti-histamínicos, antiinflamatórios não-esteroidais, diuréticos, entre outros); doenças auto-imunes (síndrome de Sjögren, artrite reumatóide, lúpus eritematoso); doenças endócrino-metabólicas (diabetes tipo I e II); doenças congênitas ou adquiridas das glândulas salivares; radioterapia na região de cabeça e pescoço; quimioterapia; estados emocionais de ansiedade e depressão; injúrias que acometam o sistema nervoso autônomo (simpático e parassimpático) responsável pela produção e

secreção da saliva pelas glândulas salivares; e distúrbios psiquiátricos como ansiedade e depressão (Bergdhal; Bergdhal, 2000; Guggenheimer; Moore, 2003; Porter et al., 2004; Tschoppe et al., 2010).

A taxa de fluxo salivar necessária para o desempenho das funções orais

normais é variável entre indivíduos (von Bültzingstöwen et al., 2007) . Apesar disso, muitos pesquisadores acreditam que a sensação de boca seca ocorre quando há redução de 40% a 50% do fluxo salivar (Suh et al., 2007).

Entretanto, sensação subjetiva de boca seca nem sempre está relacionada

com a diminuição da quantidade do fluxo salivar, mas com alteração em sua

composição química. (Bergdhal; Bergdhal, 2000; Guggenheimer; Moore, 2003;

Porter et al., 2004; Tschoppe et al., 2010)

A extensão do prejuízo causado pela diminuição ou alteração na composição

química do fluxo salivar no ambiente oral e na qualidade de vida varia de pessoa para pessoa (Shizimu et al., 2008). Conseqüências clínicas da xerostomia incluem o aumento do número de cáries, alterações no paladar, dificuldade na ingestão de alimentos secos e predisposição à candidose oral (Guggenheimer; Moore, 2003).

A colonização da cavidade bucal pelas espécies de Candida depende de muitos fatores como as proteínas salivares, porém, essa situação, pode ser alterada 29

e ocorrer transição do comensalismo para o parasitismo através da associação de vários fatores, tais como, virulência intrínseca do agente infeccioso (fungo), fatores predisponentes locais e sistêmicos. (Farah et al., 2000; Cassolato; Turnbull, 2003, Oliveira et al., 2007).

Estudos mostram que a diminuição do fluxo salivar em níveis quantitativos ou qualitativos acarreta a redução do pH do meio bucal e a diminuição de proteínas salivares com propriedades antimicrobianas como a histatina, a lactoperoxidase e a lizosima facilitando a aderência e a proliferação de leveduras o que resulta no processo de infecção (Drumond et al., 1995; Bergdahl; Bergdahl, 2000; Davies et al., 2006). Cabe ressaltar então, que o aumento da colonização por Candida spp. está relacionado com a diminuição da secreção salivar e não com a queixa subjetiva de boca seca (Torres et al., 2003, 2007; Atkinson et al., 2005).

Candida spp. são organismos comensais presentes na microbiota oral normal de 30% a 60% de indivíduos saudáveis, mas também são considerados fungos

patogênicos oportunistas. A espécie considerada mais patogênica e freqüentemente associada com a candidose oral é a C. albicans, mas outras espécies menos

patogênicas podem estar envolvidas como C.glabrata, C. tropicalis, C. parapsilosis, C. krusei (Kleinegger et al., 1996; Oliveira et al., 2007). Cabe lembrar que uma nova espécie de Candida a C. dubliniensis também foi associada à candidose oral principalmente em pacientes imunodeprimidos, entretanto pode também ser

encontrada na cavidade oral de indivíduos imunocompetentes (Montour et al., 2003).

2.11.XEROSTOMIA E LPO

Estudos de investigação sobre a presença de xerostomia em pacientes LPO

são poucos, mas em relação a características clínicas dessas duas doenças, como sexo e idade ambos se assemelham, uma vez que são mais prevalentes em

mulheres pós-menopausa, bem como o uso de grande número de medicamentos por esses dois tipos de pacientes.

Estudo entre 100 pacientes LPO pareados com 42 indivíduos do grupo-

controle não encontrou diferença entre fluxo salivar total estimulado e não-estimulado 30

entre os dois grupos (Ramon et al., 2000), concluindo que não há relação entre LPO

e a quantidade de fluxo salivar.

Para Colquhoun e Ferguson (2004) a sensação de boca seca persistente pode

estar presente em alguns indivíduos com LPO, pois esses pesquisadores

constataram em seu estudo que em questões relativas à xerostomia houve diferença estatisticamente significante entre pacientes com LPO e indivíduos do grupo controle.

Pacientes LPO possuem a mucosa inflamada apresentando textura diferente

da mucosa não-afetada, o que pode contribuir para a sensação de boca seca, mesmo que a mensuração do fluxo salivar total não esteja relacionada com a queixa.

O mecanismo da associação entre LPO e xerostomia ainda não é bem conhecido, uma vez que é difícil saber se uma condição predispõe à outra, ou se ambas ocorrem independentemente (Colquhoun; Ferguson, 2004).

31

3 PROPOSIÇÃO

Esta pesquisa teve por objetivo investigar a prevalência de espécies de

Candida e xerostomia em pacientes portadores de líquen plano oral (grupo LPO) e comparar com a de pacientes portadores de lesões inflamatórias, auto-imunes ou queratóticas (grupo não-LPO) e indivíduos sem lesão oral (grupo controle-saudável).

32

4 CASUÍSTICA, MATERIAL E MÉTODOS

4.1 CASUÍSTICA

A fase clínica desse estudo, que incluiu o diagnóstico das lesões, a

determinação do fluxo salivar e a coleta de amostras citológicas de lesões e tecido sadio, foi realizada no ambulatório de Estomatologia da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (FOUSP) e no ambulatório das Colagenoses da

Divisão de Dermatologia do Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP). A fase laboratorial foi realizada no

Laboratório de Investigação Médica (LIM/53) do Departamento de Dermatologia do HCFMUSP. Três grupos de pacientes foram investigados.

4.1.1 Grupo LPO

Trinta e sete pacientes portadores de lesões LPO, diagnosticados clínica e histopatologicamente segundos critérios estabelecidos por Organização Mundial da Saúde modificados por van der Meij EH, van der Waal (2003), foram incluídos neste estudo. De acordo com os critérios desses autores, foram incluídos somente casos com lesões clínicas características ou sugestivas de LPO e com exame

histopatológico característico ou compatível com LP. Foram consideradas as seguintes formas clínicas do LPO: reticular (estrias de Wickham ou pápulas brancas); atrófica (associação de eritemas e formações reticulares); erosiva (forma atrófica e presença de ulceração); e em placa (lesão plana branca de superfície lisa ou rugosa); os achados histológicos são principalmente constituídos por infiltrado inflamatório linfocitário subepitelial disposto em banda, degeneração liquefativa da camada basal, hiperqueratose focal acantose regular e queratinócitos necróticos (Corpos de Civatte) e ausência de displasia epitelial.

Pacientes

em

tratamento de longa duração com medicação sistêmica e/ou

tópica oral com corticosteróides, antibióticos, antifúngicos e imunossupressores; com 33

diabetes ou com manifestações de lesões estritamente em contato com

restaurações de amálgama, caracterizadas como reações liquenóides de contato; e com lesões do tipo estomatite protética foram excluídos da coleta de dados.

4.1.2 Grupo de pacientes com lesões orais não-LPO

Foi composto por 26 pacientes com lesão de mucosa oral de natureza

inflamatória (ulceração aftosa e eritema multiforme), auto-imune (pênfigo e penfigóide) ou queratótica, mas não-LPO. (queratose reacional, leucoplasia e lúpus discóide). Os mesmos critérios de exclusão aplicados ao grupo LPO também foram utilizados neste grupo.

4.1.3 Grupo de indivíduos sem lesões orais (controle-saudável)

Foi composto por 28 indivíduos clinicamente saudáveis, especificamente sem lesões de mucosa oral, igualados ao grupo LPO por idade, sexo e cor da pele.

Indivíduos desse grupo foram selecionados dentre os pacientes que procuraram tratamento odontológico no serviço de triagem da FOUSP.

4.1.4 Ética

Este projeto de pesquisa obteve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da FOUSP (Anexo A) e da Comissão de Ética para Análise de Projetos de Pesquisa-CAPPesq da Diretoria Clínica do HCFMUSP (Anexo B). Todos os pacientes,

independentemente de terem consentido ou não sua participação nesta pesquisa, foram atendidos conforme procedimentos de rotina do ambulatório de Estomatologia Clínica, que incluem avaliação clínica, diagnóstico e tratamento das lesões orais. Os pacientes do grupo controle-saudável foram encaminhados de acordo com suas 34

necessidades de atendimento para outras clínicas da FOUSP. Pacientes com lesões LPO, lesões não-LPO e indivíduos do grupo controle-saudável receberam informação verbal e escrita sobre este projeto de pesquisa. Para os pacientes que concordaram na participação deste estudo, foi solicitado seu consentimento por escrito pacientes do grupo LPO e não-LPO (Anexo C); indivíduos do grupo controle-saudável (Anexo D); pacientes não-LPO/HCFMUSP (Anexo E) e permissão para a eventual veiculação em meios científicos dos dados obtidos.

4.2 MÉTODO

Foi aplicado protocolo clínico aos pacientes do grupo LPO (Anexo F) e dos

grupos não-LPO e controle-saudável (Anexo G). Os dados coletados incluíam sexo, idade e cor da pele, sinais e sintomatologia das lesões orais, tempo de duração da doença, sítios de envolvimento, presença de lesões cutâneas, e em outras mucosas, doenças sistêmicas, uso de medicações sistêmicas e tópicas (freqüência e

posologia), distúrbios emocionais (ansiedade e depressão), hábitos nocivos (consumo de álcool e tabaco) e queixa de xerostomia.

4.2.1 Procedimento para determinação do fluxo salivar

A determinação do fluxo salivar foi realizada utilizando saliva total não-

estimulada, de acordo com o método descrito por Vitali et al. (1993). A coleta da saliva foi realizada pelo período da manhã, entre 9h e 10h, após duas horas do desjejum. Saliva foi coletada em proveta plástica de 10 mL (graduada a 0,1 mL), durante 15 minutos. A taxa do fluxo salivar foi expressa em mL/min.

O paciente foi considerado xerostômico quando apresentou queixa de boca

seca independentemente do valor da taxa do fluxo salivar ou quando o valor da taxa do fluxo salivar foi menor que 0,1 mL/min, independentemente da presença ou não de queixa de boca seca; não-xerostômico quando não apresentou queixa de boca seca e quando o valor da taxa do fluxo salivar foi maior ou igual que 0,1 mL/min.

35

Foi

aplicado

questionário

para investigação/avaliação da xerostomia (baseado

em Vitali et al., 1993). Foi considerado como xerostômico, quando houvesse resposta positiva para pelo menos uma das seguintes perguntas:

1.Sente sede com freqüência?

2.Acorda à noite para beber água?

3.Necessidade de manter a boca úmida?

4.Sensação de boca seca?

5.Dificuldade em ingerir alimentos secos?

4.2.2 Coleta de material para cultura e isolamento de Candida spp.

4.2.2.1 Pacientes com lesões LPO e não-LPO

Amostras

coletadas

por

raspagem

de lesões orais foram obtidas com

cytobrush (Vagispec, Adlin Plásticos, Brasil). Em lesões localizadas na língua foi realizada coleta adicional e acondicionada em recipiente à parte.

4.2.2.2 Pacientes sem lesões orais (grupo controle-saudável)

Amostras foram obtidas por raspagem (cytobrush) da mucosa jugal (lados

direito e esquerdo) e de dorso de língua, esta última acondicionada em recipiente à parte.

36

4.2.3 Transporte das amostras

Amostras

coletadas

com

cytobrush foram transferidas para tubos individuais

(com tampa de rosca) contendo 5 mL de solução salina estéril (NaCl 0,9%) e transportadas em recipiente térmico, para o LIM/53, onde foram imediatamente processadas

4.2.4 Processamento das amostras

As amostras coletadas foram centrifugadas (Centrifuga Excelsa® II modelo

206-BL – Fanem, São Paulo, Br) a 5000 rotações por minuto (RPM) por 10 minutos, após, o sobrenadante foi desprezado e o sedimento inoculado em agar Sabouraud-Dextrose (SDA, DIFCO – Becton, Dicknson and Company, EUA) acrescido de cloranfenicol a 0,1%, e posteriormente incubado à temperatura ambiente (28ºC).

4.2.5 Isolamento e identificação de Candida spp.

Após o isolamento das leveduras no meio SDA, houve plaqueamento em

meio cromogênico (CHROMagar® Candida - DIFCO – Becton, Dicknson and Company, EUA). Para identificação das leveduras foram utilizados os seguintes testes: prova do tubo germinativo, cultivo em lâmina em agar fubá (DIFCO – Becton, Dicknson and Company, EUA) acrescido de 1% de Tween 80 (Riedel de Haën,

Alemanha) e provas bioquímicas por meio do auxanograma e zimograma (Hoog et al, 2000; Lacaz et al., 2002).

37

4.2.5.1 Meio CHROMagar®

As leveduras foram plaqueadas para isolamento de colônia (s) pura (s) em

placas de Pétri contendo CHROMagar® Candida (DIFCO – Becton, Dicknson and Company, EUA), incubadas a 37oC por 48 horas. Este meio, por sua atividade cromogênica consegue diferenciação presuntiva, através de cores, as diferentes espécies: Candida albicans (verde); C. tropicalis e C. krusei (azul acinzentado); C.

dubliniensis (verde escuro) outras espécies (branco à rosa).

4.2.5.2 Prova de tubo germinativo

A levedura que cresceu em cultura pura foi inoculada, em tubos de ensaio

com 1 mL de soro fetal bovino (Laborclin, Paraná, Brasil), incubada a 37oC por duas horas. Posteriormente, uma amostra desta cultura foi transferida para lâmina de vidro e coberta com uma lamínula. Formação de tubo germinativo foi observada por meio de microscopia ótica em aumento de 10x e 40x.

4.2.5.3 Cultivo em agar fubá-Tween 80

Paralelamente à prova do tubo germinativo, as leveduras isoladas, no meio

cromogênico foram re-isoladas em SDA e após crescimento foram inoculadas na forma de estrias paralelas em meio ágar fubá-Tween 80 disperso em lâmina de vidro, coberto com lamínula, acondicionadas no interior de placas de Pétri estéreis contendo 1 mL de água destilada para manter o ambiente úmido. As placas foram mantidas por até cinco dias a 25oC para a verificação micromorfológica de

identificação do gênero e presuntiva das espécies, pois este meio induz a produção de hifas, pseudo-hifas, blastoconídios e clamidoconídios, realizada através de microscopia ótica em aumento de 10x e 40x. A presença das estruturas fúngicas produzidas, neste meio, auxilia na diferenciação das espécies de Candida.

38

4.2.5.4 método de crescimento a 45oC (termotolerância) e cultivo em meio SDA acrescido de 6,5% de cloreto de sódio

Todos isolados na qual a micromorfologia apresentou produção de

clamidoconídios terminais, e que tiveram identificação presuntiva de C. albicans ou C. dubliniensis, foram repicados em meio SDA e colocados em estufa a 45ºC por 72

horas (Pinjon et al., 1998). Paralelamente estas culturas foram repicadas em meio SDA acrescido com cloreto de sódio 6,5% e incubadas por 72h, uma vez que esse meio hipertônico inibe o crescimento da C. dubliniensis (Alves et al., 2002) . Após este período verificou-se se houve crescimento dos isolados. Em seguida, também se observou o comportamento fisiológico de assimilação de carboidratos (xilose e trealose) para a diferenciação das duas espécies (Pincus et al., 1999; Campanha et al., 2005).

4.2.5.5. Cultivo em agar Staib

Amostras de leveduras com micromorfologia (em agar fubá-Tween 80)

compatível com C. albicans passaram por prova auxiliar de diferenciação entre C.

albicans e C. dubliniensis, através do meio de Staib. O meio de Staib foi disperso em lâminas de vidro e coberto com lamínulas que foram acondicionadas no interior de placas de Pétri estéril contendo 1 mL de água destilada para manter o ambiente úmido, essas placas foram incubadas por até cinco dias a 25oC. Este meio favorece a produção de clamidoconídio terminal, sendo positiva para C. dubliniensis e negativa para C. albicans (Staib; Morschhäuser, 1999) .

4.2.5.6. Assimilação de fontes de carboidratos e nitrogênio (auxanograma)

A realização do auxanograma se processou inoculando em placas de Pétri

(90X 15 mm), 2 mL de uma suspensão da leveduras diluída em salina a 0,9%, com 39

turbidez correspondente a concentração de 0,5 da escala de McFarland. A seguir foi a suspensão com 20 mL de meio C (Yeast carbohydrate base - DIFCO – Becton, Dicknson and Company, EUA) acrescentada e homogeneizada. Após solidificação acrescentaram-se os açúcares a 2% (dextrose, maltose, galactose, lactose,

sacarose, rafinose, xilose, inositol, melibiose, trealose e celobiose). A verificação da assimilação do açúcar foi realizada através da formação de halos ao redor da fonte de carbono inoculada (Hoog et al, 2000; Lacaz et al., 2002).

4.2.5.7 Fermentação de açúcares (zimograma)

Para a realização do zimograma inoculou-se em tubos com 3 mL de meio de

fermentação, 3 gotas da suspensão da levedura diluída em salina a 0,9%, com turbidez correspondente a concentração de 0,5 da escala de McFarland. Os

açucares a 2% utilizados foram: dextrose, maltose, sacarose e lactose. Foi considerado como teste positivo para fermentação do açúcar avaliado o tubo que apresentou formação de gases no interior (Hoog et al, 2000; Lacaz et al., 2002).

4.2.6 Análise estatística

Os resultados obtidos foram analisados através do teste exato de Fisher e do teste de Qui-quadrado (X2) com correção de Yates. Nível de significância estatística foi estabelecido para p ≤ 0,05.

40

5 RESULTADOS

5.1 CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS PACIENTES

Três grupos foram analisados neste estudo (Tabela 5.1): grupo LPO,

representado por 37 pacientes, 28 mulheres e 9 homens (média de idade 50 anos; variação, 29–76 anos); grupo não-LPO, constituído de 26 pacientes, 18 mulheres e 8

homens (média de idade 55,6 anos; variação, 35–81 anos) e o grupo controle-saudável composto por 28 indivíduos (média de idade 46,4 anos; variação, 22–75

anos). Características gerais destes grupos estão representadas na tabela 5.1. Não houve diferença estatisticamente significante entre os três grupos em relação ao uso de medicação sistêmica (p > 0,05). Quanto a hábitos de tabagismo e etilismo, diferença estatisticamente significante foi observada somente na comparação entre grupo não-LPO e grupo LPO, havendo mais fumantes no primeiro grupo (p < 0,05).

5.2 PREVALÊNCIA DE XEROSTOMIA E SUA CORRELAÇÃO COM FATORES

SISTÊMICOS (MEDICAÇÃO SISTÊMICA E DISTÚRBIO EMOCIONAL)

Presença de xerostomia foi evidenciada em 35,1% dos pacientes do grupo

LPO, em 38,5% do grupo não-LPO e em 25% do grupo controle-saudável, não

havendo diferença estatisticamente significante entre os três grupos (Tabela 5.2; p > 0,05). Xerostomia não esteve estatisticamente associada com o uso de medicação sistêmica nos três grupos analisados (Tabela 5.2; p > 0,05). Também não foi observada diferença estatisticamente significante quando xerostomia foi

correlacionada a distúrbio emocional (ansiedade e depressão) (Tabela 5.2; p > 0,05).

Casos de xerostomia não associada à diminuição na da taxa do fluxo salivar foram observados em 76,9% (10/13) pacientes do grupo LPO, em 70% (7/10) do grupo não-LPO e em 100% (7/7) dos pacientes do grupo controle-saudável. Os

medicamentos mais usados nos três grupos estão descritos na tabela 5.3. Anti-41

hipertensivos foram as drogas mais usadas pelos pacientes dos grupos LPO e não-LPO e indivíduos do grupo controle-saudável.

Tabela 5.1 – Características gerais dos grupos LPO, não-LPO e controle-saudável (CS) Grupos

LPO (n = 37)

Não-LPO (n = 26)

Controle-saudável (n = 28)

M (%)

H (%)

Total (%)

M (%)†

H (%)

Total (%)

M (%)

H(%)

Total (%)

Número de pacientes

28 (75,7)

9 (24,3)

37 (100)

18 (69,2)

8 (30,8)

26 (100)

26 (92,9)

2 (7,1)

28 (100)

Idade

Média

49,5 51,1 50

56,4 53,7 55,6

45,7 54,5 46,4

Variação 29–70

37–76

29–76

3581 4068 35–81

22–75 44–55 22–75

Cor da pele