Questão de consciencia por Jorge Manuel Diogo Peres - Versão HTML

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QUESTÃO DE

CONSCIENCIA

jorge peres

jp - QUESTÃO DE CONSCIENCIA

I

Deixemme apresentarvos o meu amigo Ricardo.

Ricardo Lobato Rodrigues, trinta e cinco anos, um

metro e noventa e três de altura, noventa quilos de peso, cabelo ameaçando iniciar a sua ausência, óculos de haste metálica, olhar vivo e penetrante, sorriso aberto e contagioso, veste de forma subtil e normal.

Ricardo é um indivíduo absolutamente banal, com um

emprego banal, num escritório de contabilidade, conduz uma das marcas de carro mais vendidas no país, tem uma vida mais que banal, toma café, invariavelmente num dos cafés mais frequentados da cidade.

Familiarmente é casado, já vai para cinco anos, com Liliana Trigueiros Rodrigues, três anos mais nova, não tem filhos, habitam num banal apartamento alugado, de três assoalhadas.

Ricardo gosta de uma vida pacata, sem acidentes de

percurso, ou grandes desafios que possam, eventualmente, fazer abalar a estrutura rotineira do seu dia a dia.

Será fácil imaginálo, daqui a uns vinte anos, com a mesma esposa, no mesmo apartamento, conduzindo idêntica viatura, com o mesmo patrão, subindo apenas as posições que lhe permitam a longevidade do seu tempo de serviço.

Perguntase pois, por que razão, é este ser humano, que

já se viu ser puramente banal, a personagem principal desta história ?!

jp - QUESTÃO DE CONSCIENCIA

II

É que numa coisa, Ricardo, é diferente dos outros homens ... uma única coisa ... ... a sua maneira de pensar sobre ...

o casamento.

Após um namoro, por alguns considerado demasiado rápido, Ricardo e Liliana, casaram, para espanto geral, formando desde então um casal deveras invejável.

Realmente dá gosto vêlos, quando fora de horas de trabalho de ambos, decidem uns momentos de descontracção, passeando de mãos dadas, pelo maior centro comercial da cidade.

Em cinco anos de enlace, Ricardo orgulhavase, de sempre, e em todas as circunstâncias, ter sido fiel a sua esposa.

E aqui reside a diferença. Quando os colegas de escritório contavam histórias envolvendo aventuras com lindas mulheres, apesar de casados, Ricardo limitavase a dizer que lhe bastava a sua Liliana, apesar de bem saber que a grande maioria dos episódios eram pura invenção.

Primeiramente encarado como snobe, a pouco e pouco as

pessoas que o rodeiam foramse convencendo da veracidade das suas palavras, e hoje é olhado com respeito e admiração. Alguns colegas confessam mesmo, que gostariam de ser como ele.

Mas Ricardo não se achava nada de especial.

Funcionava de acordo com a sua consciência e pronto.

Naquela tarde,

Ricardo saíra do emprego

particularmente cansado.

Chegou a casa e abraçou ternamente a esposa, como sempre fazia, como se há anos a não visse.

Tens um ar exausto, querido.

É verdade, amor! sentouse pesadamente no sofá.

jp - QUESTÃO DE CONSCIENCIA

III

O jantar está quase pronto. Depois podemos ver um

pouco de televisão. Concordas ?

Sim. Sim. Querida. Tudo bem.

Durante a refeição olhavamse ternamente. De quando

em vez, a mão dele afagavalhe os cabelos. Que linda que era Liliana.

Cabelos loiros reluzentes, rosto a raiar o tipo oriental,

olhos de um castanho aclarado, vivos e irrequietos. Corpo quase escultural, com umas pernas bem torneadas, uma anca estreita, e um par de seios de fazer esquecer todos os cansaços.

Tudo lhe agradara quando a vira pela primeira vez, mas

o que verdadeiramente o cativara fora o seu sorriso radiantemente infantil, deixando visualizar um pequeno dente um pouco mais deslocado em relação aos outros , que na altura achara extremamente sensual.

Cinco anos passados e mantinha todos os seus

atractivos. Cinco anos passados, e ele não se cansava de a admirar.

Após o jantar, e depois de ambos terem arrumado a loiça

e a cozinha, foram sentarse no confortável sofá da sala, diante do televisor.

Correram os quarenta canais da TV Cabo sem se deterem, especificamente em nenhum deles.

Acabaram por ficar no canal três, português, onde passava uma série de continuação.

No elenco principal estava Alexandra Lencastre, num

papel refrescante, com uma exagerada minisaia e um decote a prometer mais do que realmente deixava antever.

jp - QUESTÃO DE CONSCIENCIA

IV

Liliana, deitada, repousando a cabeça no colo de Rodrigo, teve um momento de hesitação, e de repente, sentandose, olhou o marido.

Agradate ?!

A principio não a percebeu.

Desculpa ? !!! !!! ?

A loira. A Alexandra, ou como é lá o nome dela.

Agradate ?!

Ricardo demorou a despertar. Depois de abarcar a entoação dela sorriu e abraçoua.

Tolinha ! Que tem ela que tu não tenhas?

Foi a vez de Liliana parar para pensar.

Talvez ... mas confessa que te agrada olhar para ela...

Claro que sim. Tal como gosto de olhar a Torre de

Belém, o mosteiro dos Jerónimos, ou o Convento de Mafra, e não os quero em casa. . Tu és o meu grande amor. O gostar de ver não significa, necessariamente gostar de ter.

Ela pareceu aceitar a resposta com agrado. De novo se

enroscou a ele.

Não tardaram a passar à cama. Cansados como estavam, arrasados por um dia comprido de trabalho, não demoraram a adormecer.

Ricardo sentiuse, então, transportado num sonho com forte sentido de realismo. Um sonho estranho, misto de positivo e pesadelo.

jp - QUESTÃO DE CONSCIENCIA

V

Olhou à volta, mas não reconheceu o local daquele sonho. Pouco a pouco a imagem foise tornando nítida.

Estava num bar. Um bar interessante, desconhecido, mas agradável. Viase sentado num banco do balcão. Á sua frente um copo estava meio cheio, de uma qualquer bebida que não identificou. Estranho, já que ele nem sequer ingeria bebidas alcoólicas.

O bar encontravase bastante repleto de clientes, espalhados por pequenos grupos. Os bancos de ambos os lados, encontravamse ocupados.

À sua frente um habilidoso barman remexia umas misturas, numa tentativa infrutífera de imitar Tom Cruise em Coktail.

Foi então que a viu entrar.

De estatura baixa, blusa de seda lavada, num decote

generoso, não deixando qualquer dúvida sob qual a côr das rendas do soutien, uma saia muito mini descobrindo uma pernas bem feitas, um cabelo loiro, não natural e, principalmente, uma atitude tão sensual que todos pararam para a ver.

Mas o mais estranho ainda, desse sonho, é que ela parecia olhar para ele.

Bem que disfarçou e se esforçou em olhar para o copo.

Mas sempre que olhava para ela ... não estava enganado ... ela olhava mesmo para ele …

E então ela furou por entre os clientes, e aproveitando o

facto de ter vagado o banco mesmo a seu lado foi ali que se sentou.

Olhou para ele, de uma forma quase convidativa.

jp - QUESTÃO DE CONSCIENCIA

VI

Não se importa que eu me sente aqui, pois não ?!

Ricardo sentiu as suas faces tornaremse vermelhas.

Tentou disfarçar, mas as suas mãos trémulas, não lho

permitiram. Ao mesmo tempo um som familiar, mas que a princípio não reconheceu, aumentava lentamente na sua cabeça.

Primeiramente parecialhe um besouro, qualquer coisa

como um alarme de incêndio, ou o soar de um telefone, mas sem interrupção.

Por fim percebeu. Era o despertador, indicandolhe que

eram horas de acordar.

Tinha de ir trabalhar.

Tacteou o interruptor do candeeiro da mesinha de cabeceira, acendeu a luz e olhou para o lado. Liliana dormia calmamente.

Que sonho estranho !

O dia passou normalmente, arrastandose pelos

segundos que o separavam da hora de sair do trabalho e voltar para casa. Era a ideia dominante de Ricardo enquanto trabalhava. O seu principal objectivo era regressar aos braços da sua Liliana.

E essa hora parecia não mais chegar.

Do sonho não mais se lembrou. À noite, de novo cansado,

deitouse ao lado da esposa. Abraçandoa de encontro a ele deitoulhe a cabeça no seu peito. Era assim que gostava de adormecer. Depois maquinalmente cada um se chegava para o

seu lado da cama. Mas era bom, ao apagar das luzes, sentiremse assim bem juntinhos.

jp - QUESTÃO DE CONSCIENCIA VII

E adormeceu …

Não tardou a ver de novo aquele bar. Continuava sentado ao balcão. À sua frente, o copo de bebida parecia manter o seu volume.

Não se importa que eu me sente aqui, pois não ?!!!

Aquela loira parecia falar mesmo com ele. Baixinha, mas

de bem curta mini saia, decote auspicioso. Era evidente. Falava mesmo com ele.

Por mim tudo bem. Faça favor !

O banco fixo, junto ao balcão era um pouco alto, talvez

nem tanto para uma pessoa da sua estatura ... mas ela era baixinha. Para subir teve que ensaiar um pequeno passo de ginástica. As pernas abriram, a saia subiu ainda mais ... ... que visão arrebatadora ... não conseguiu tirar os olhos daquelas pernas tão bem feitas ... conseguiu mesmo ver um pouco mais !!!

Ela bem reparou no seu olhar pesquisador. Não pareceu

importarse com o facto. Dirseia mesmo estar divertida com a situação.

Estes bancos não dão mesmo jeito nenhum ... não

acha.

Bem ... se calhar não é precisamente culpa dos bancos.

Ela olhouo, primeiramente séria, ou talvez intrigada.

Depois soltou uma larga gargalhada.

Gostei da sua subtileza. Palavra de que gostei.

Ele sorriu também. Não se sentia já envergonhado, nem

sequer acanhado.

jp - QUESTÃO DE CONSCIENCIA VIII

Toma algo ???!!!

Sim. Pode ser ... um Bailays, por favor! Com gelo e uma colher de café com neskuik!

O barman afastouse, solicito. Ela voltou a concentrar a

sua atenção nele.

É novo por aqui !!!???

Depende do que considere novo. Se se refere a este

bar, é verdade ... é a primeira vez que me lembro de aqui estar.

Ainda bem que veio hoje.

Porquê ???!!!

Geralmente nunca há ninguém interessante por aqui.

Às vezes perguntome a mim mesma por aqui venho. Mas volto

sempre.

Não deu a entender que tinha encaixado o piropo.

Para ser franco, estou a ficar farto de estar aqui sentado. Acho que preciso de apanhar um pouco de ar.

Às vezes sinto o mesmo.

O barman voltou com a bebida dela.

Já pensou passear pela cidade, de vidros abertos, a

baixa velocidade, saboreando o vento a baterlhe na cara ??? !!!

Não. Mas pareceme uma ideia apelativa. Quer experimentar ?

Deixeme só acabar a bebida. Pode ser ?!!!

jp - QUESTÃO DE CONSCIENCIA

IX

Anuiu com a cabeça. De novo a percorreu com olhar. Ela

tinhase inclinado um pouco para ele. Assim conseguia ver muito mais através daquele decote. E o que via agradavalhe ... claro que sim ... antevia dois seios, talvez não muito grandes ... mas ao que parecia, bem firmes.

Ela limitouse a sorrir.

Sentouse na cama mesmo sem acender a luz. Era a segunda vez que tinha aquele tipo de sonho. A seu lado ouviase a respiração profunda de Liliana.

Aqueles sonhos começavam a preocupálo. Não era justo

para Liliana verse naquelas situações. Não ele, que nunca se metera com mulher alguma desde o casamento.

Mas que culpa tinha de sonhar assim ?!!!?

Só ao jantar voltou a recordar alguns aspectos do seu

sonho.

Pareces preocupado, querido.

Apenas cansado, fofinha. Apenas cansado.

Andamos realmente muito cansados. Se calhar seria

boa ideia tirarmos uma férias. Que dizes ?

Podemos pensar nisso.

Realmente parecia uma boa ideia. Umas férias num local distante, só os dois. Seria muito romântico.

Pensava nisso quando adormeceu.

jp - QUESTÃO DE CONSCIENCIA

X

Sentiu no rosto o ar fresco da noite. Tinha saído do bar.

O carro estava estacionado do outro lado da rua. Ela seguia a seu lado. Cada vez que a olhava ela parecia sorrir.

Delicadamente abriulhe a porta para ela entrar. Ela abriu as pernas para se sentar. A impressão com que ficara no bar foi confirmada. Por debaixo da saia nada mais usava. Pela primeira vez sentiu um forte desejo. Não tinha dúvidas.

Desejava, e de que maneira, possuir aquela mulher.

Fechou a porta, contornou o carro e sentouse ao volante.

Não reconhecia o veículo que conduzia, mas que importava isso ?

Vá devagar. Desfrute a paisagem.

Não percebeu muito bem a que se referia. Mas também

nem iria tentar perceber.

Sentiase ferver. Os seus raciocínios já não eram lógicos,

mas terrivelmente emocionais.

Compreendeu que não conseguiria conduzir por muito

mais tempo. Por isso estacionou num parking quase vazio, com vista para o mar.

Não é lindo ?

Tinha razão. A paisagem àquela da noite era sublime e

relaxante. Mas ele tinha apenas olhos para ela.

Ainda não me disse o seu nome. Lembrome agora que

nem nos apresentamos.

Ela encostou a cabeça no seu ombro e suspirou.

jp - QUESTÃO DE CONSCIENCIA

XI

Deixe lá. Que importam os nomes ?!!! Pense num

nome bonito, que goste, que lhe soe bem ... eu posso ser esse nome ! Eu farei o mesmo consigo.

Já não falava, sussurrava. Muito de mansinho, junto ao

ouvido dele.

Então o inevitável aconteceu. Inclinou um pouco a cabeça e beijoulhe os lábios. Eram doces, quentes ... húmidos …

As suas línguas cruzaramse, enrolaramse, fundiramse

numa só. As suas mãos tornaramse autónomas. Como que ganharam vida própria. Da blusa restavam, apenas apertados, três botões. Facilmente se ultrapassou esse obstáculo. Avançou a mão por dentro de um pequeno soutien de meia taça. Toda a sua mão ficou preenchida por um daqueles seios. Tal como imaginara na sua primeira observação, não eram grandes, mas eram bem

firmes. Ela gemeu de prazer. Sempre beijandoa, foi brincando com os mamilos, agora já bem duros. Ela derretiase e ronronava deleitada. Então achou que era altura de fazer descer ainda mais a sua mão. Acaricioulhe o joelho, a pele lisa das pernas. Foi avançando prudente mas firmemente até encontrar o alvo pretendido. De repente a sua mão ficou humedecida.

Foi a vez das mãos dela se tornarem vivas. Não esteve

com rodriguinhos. Foi direita ao assunto e tratou de imediatamente de começar a tarefa, nada fácil por sinal, de lhe desabotoar o cinto das calças. Após alguns minutos, e graças á intervenção auxiliar dele, atingiu o objectivo.

Se ele se comportava como verdadeiro mestre na matéria, ela não ficava atrás. Acariciouo como se acabasse de ter um curso intensivo de Kama Sutra.

Sentiu que ia atingir o clímax, talvez mais cedo do que

desejava. Pediulhe que parasse. Não ... assim não. Tinha de a possuir.

jp - QUESTÃO DE CONSCIENCIA XII

Vamos para minha casa.

A expressão veio surpreendêlo. Para casa dela ?!!! Agora

!!!?

Mas ... vives sozinha ?!!!

Não, vivo com uma amiga, mas estaremos à vontade.

Aqui é um pouco complicado ... e o espaço não é lá bem grande coisa …

Sorriulhe. No fundo ela tinha razão. Rapidamente compôs as calças, não sem alguma dificuldade, derivado ao volume excessivo que agora tinha de acondicionar. Ela devolveu ao soutien aquelas pequenas bolas.

Sentouse rapidamente na cama. Não acendera a luz,

mas não precisava para sentir como estava suado. Pingava de suor. Impressionante ! Levantouse lentamente. Liliana dormia profundamente. Ligou a água quente na casa de banho. Um duche... era mesmo o que estava a precisar. Que loucura de sonho !

E não era justo para a sua querida esposa. Como se

sentia mal. No fundo estava a ser infiel a Liliana em sonhos.

Mas ele não controlava esses sonhos.

Deveria contar tudo à esposa ? Seria difícil ela entender.

Se ele próprio não conseguia encontrar explicação …

A água quente a baterlhe nos ombros confortouo.

Sentiuse bem melhor. Sentiase confuso. ... Que coisa ... fora apenas um sonho ...

Reparou que continuava excitado. Afinal, era apenas

um sonho ... ... mas um sonho que deixava marcas …

Posso fazerte companhia ?!

jp - QUESTÃO DE CONSCIENCIA XIII

Estremeceu. Não dera conta que a porta da casa de banho se abrira. Liliana deixara cair a camisa de noite aos pés.

Todo o seu corpo escultural despontou diante dos seus olhos.

Deulhe a mão e ajudoua a entrar na banheira.

Esqueceu a noite. A sua esposa era superior a qualquer sonho.

Foi fogosamente que fizeram amor ali mesmo, de uma

forma desinibida, por vezes quase selvagem, a maior parte do tempo, com a maior das ternuras. Perdeuse naquele corpo, bem melhor do que o da falsa loira do sonho.

No fim, exaustos, deixaramse ficar, meio submersos, na

água tépida.

Mas a preocupação deixara marcas. O dia decorreu com

ele sempre meio ausente. Porque sonhava assim. Seria normal ?

Pela hora de almoço sentiu que não tinha fome.

Telefonou a Liliana, só para dar um beijinho. Ela estranhoulhe a voz. Desculpouse com o excesso de trabalho.

Ao fim da tarde, ao regressar a casa, parou num dos

semáforos. Casualmente ao olhar em redor, leu a placa que se encontrava por cima de uma das entradas de um prédio vizinho : Aurélio Vasques, Psiquiatra. O semáforo ficou verde e ele seguiu para casa.

Foi já com alguma ansiosidade que ele aguardou a hora

de se deitar. Como seria aquela noite? Com tudo aquilo demorou a adormecer.

Podes parar aqui. Chegamos.

Tens a certeza que estás sozinha ?!

jp - QUESTÃO DE CONSCIENCIA XIV

Mesmo que a minha amiga esteja, os quartos são separados. Ela não se mete na minha vida, eu não me meto na dela. Anda. Vem.

Subiram a um segundo andar. Ela sempre à frente, bamboleando as ancas provocadoramente. Ele atrás, de olhos bem abertos.

Ao chegar, meteu a chave na fechadura, mas de repente

encostouse de costas para a porta. Ele estava demasiado perto.

Beijaramse ali mesmo.

Consideraste um homem de ideias abertas ?!!!

A pergunta saíra disparada repentinamente.

Penso que sim ... porquê ?!

Nada ! Só para saber.

Finalmente entraram. Ouviram vozes e pararam no corredor tentando perceber o que se passava. Ela percebeu e sorriu.

Pegoulhe na mão, e puxouo .

É a minha amiga. Vêse que não está sozinha.

Realmente, agora identificava os sons. Eram gemidos e

sons de respiração ofegantes. Num daqueles quartos, alguém fazia amor de uma forma desinibida, como quem tem a certeza de estar sozinho em casa.

Ao passar pela porta do quarto apurou os sentidos. Uma

voz feminina, implorava por mais. Calculava a que se referia.

Mas ela puxavao para o outro quarto.

jp - QUESTÃO DE CONSCIENCIA XV

Anda ... não percas tempo.

Ele não perdeu. De um momento para o outro estavam

num quarto, com uma grande cama ... redonda …

Nunca se tinha deitado numa cama redonda.

Ele deitouse por cima dele e recomeçou a tarefa de o

aliviar da roupa. Não esperou mais. Penetroua imediatamente.

Ela gemeu de prazer, cavalgandoo com sabida

experiência. Naquela posição os seus seios pareciam maiores, e, balouçavam loucamente diante do seus olhos. De quando em vez, os seus dentes apanhavam um mamilo, num daqueles movimentos. Docemente ... sem magoar ... De cada vez que o fazia ela parecia enlouquecer.

Sem dizerem uma só palavra, ambos entenderam que

queriam experimentar outra posição. Mexeramse em perfeita sincronia. Ela ajoelhou, inclinouse para a frente e ofereceulhe uma visão de encantar. Ele ajoelhou por detrás e de novo a possuiu. Não tardou que a respiração de ambos se tornasse cada vez mais rapidamente. Por fim, o esperado aconteceu. O orgasmo foi simultâneo ... arrebatador ... imparável …

Mas ela não parecia já saciada. Prontamente, sentindoo

relaxar, começou a beijarlhe o pescoço e os ombros. Os seus lábios contactando a pele de Ricardo pareciam pequenos choques eléctricos ... mas ele sentiase bem ... ela passou para o peito e foi descendo ... descendo ... ... …

O despertador veio devolvêlo à realidade. De novo acordara todo suado. De novo se impunha imperiosamente um

banho. Só que desta vez, Liliana não apareceu.

Ficara mesmo preocupado. Liliana estranhouo de manhã. Mal a conseguia olhar de frente. No trabalho esteve jp - QUESTÃO DE CONSCIENCIA XVI

quase sempre ausente. O seu patrão, e amigo de longa data chamouo ao gabinete.

Que se passa contigo, Ricardo ?! Estás estranho …

Cansaço, Luis. Apenas cansaço.

Vem aí o fim de semana, vê se descansas, homem !

Assim que saiu, naquele dia, Ricardo foi andando calmamente, até que parou diante da porta que já avistara várias vezes. Aurélio Vasques , Psiquiatra. Olhou em redor.

Ninguém conhecido. Empurrou a pesada porta e entrou rapidamente.

Após ter passado pela secretária da recepcionista e de

ter aguardado cerca de meia hora deu por si já no consultório do doutor. Senhor dos seus cinquenta anos o Dr. Vasques era uma figura simpática e logo o pôs à vontade. Expôslhe as suas preocupações.

Entendo o que o preocupa Sr. Ricardo. Os sonhos constituem um tema apaixonante, e já muitos cientistas se debruçaram sobre eles. Freud foi uma dessas personalidades. No entanto, e mais do que interpretar os seus sonhos, que não são assim tão raros como imagina, acho que o seu problema é mais do foro da consciência. O senhor sentese culpado por sonhar com uma mulher. O senhor sente que está a ser infiel a sua esposa.

Essa preocupação está a atormentálo durante o dia. Por outro lado não consegue evitar uma certa ânsia enquanto o dia não acaba e a noite não chega para voltar a sonhar.

Parou para o observar. Não havia dúvida que ele acertara em cheio. Olhouo interrogativo.

Pois é, meu caro amigo. Não se deve preocupar.

Ninguém controla os sonhos. Ninguém coordena o que vai sonhar jp - QUESTÃO DE CONSCIENCIA XVII

na próxima noite. Como o não pode fazer, não vejo porque se háde torturar com sentimentos e culpa.

Logo, se não posso controlar os meus sonhos não estou

a ser infiel a Liliana.

Exactamente !

Quando alguns momentos depois se viu a transportar a

porta de saída, depois de ter pago a consulta à recepcionista, Ricardo sentiase mais aliviado. Naquele fim de tarde já conseguiu encarar Liliana de outra forma. No entanto mal conseguiu esconder a ansiedade pela chegada da noite.

E ela chegou.

Após lhe ter beijado todo o corpo convidouo a imitála.

Não se fez rogado. Tinha uma pela doce e suave, bem

cheirosa. Ele bem sabia como fazer. A sua língua imparável rapidamente produziu efeitos. O orgasmo dela foi monumental, gritou de forma a poder ouvirse até ao fim da rua, mas isso não o incomodou. Depois ela deitouse sobre o seu peito e ficou olhando para ele.

Tenho uma proposta para ti.

Para mim ?!!!

Sim. Disseste que tinhas um espirito aberto, lembraste ?!

Sim. Sim !

E seu convidasse a minha amiga e o seu companheiro

para se juntarem a nós ?!!!? Alinhavas ?!!!?

jp - QUESTÃO DE CONSCIENCIAXVIII

A proposta surpreendeuo . Não a esperava. Era a primeira vez que era exposto a uma tal situação. Teria estômago para isso?! Resolveu que sim. Brincar com duas mulheres ao mesmo tempo. Só a ideia excitouo repentinamente. Ela notou.

Hummm!!! Já vi que a ideia te agrada.

Sim. Porque não?!!!

Ela fez descer a mão para o pénis que começara a crescer. Massajouo com as mãos e acabou por colocálo entre os seus seios. Sentiuse levado rapidamente ao êxtase. Ela esperou sabiamente o momento e de repente parou.

Mantémte assim. Vou buscálos.

Levantouse num repente e desapareceu pela porta do

quarto. Olhou à volta. Não reconheceu nada do sitio onde se encontrava. Ela não tardou. Atrás dela entrou um indivíduo, tão nu como ele se encontrava. Olharamse de uma forma meio comprometida depois entrou ela ... ... ... ...

Ricardo levantouse de um salto como se tivesse levado um choque eléctrico. Perdeu toda a sensação de excitação encostandose contra a parede.

Liliana ??? !!! ??? !!!

A baixinha foi ter com ele.

Tens uma certa necessidade de chamar nomes a tudo

e todos, não é ?!

Mas ela é …

Ela é alguém indefinido. Isto é um sonho. Nós temos

as formas que tu quiseres. O teu mais profundo subconsciente manda mais do que tu.

jp - QUESTÃO DE CONSCIENCIA XIX

Mas ele tinha uma certa dificuldade em a ouvir. Ali, à

sua frente, Liliana, exponha o seu belo corpo, ao lado de um homem, que ele não conhecia, e com quem estivera a fazer amor no quarto ao lado. Sentiase traído, ludibriado ... …

Levantouse de rompante e acendeu a luz central do quarto. Liliana dormia, do outro lado da cama. Olhoua mais atentamente. Liliana estava coberta de suor.

Ricardo meteuse na casa de banho, e contrariamente ao que era hábito trancou a porta por dentro.

Não sabia o que pensar. Sentiase traído. Mas ele também traíra.

Como dissera o Dr. Vasques, ele não podia controlar os seus sonhos. Por essa óptica, Liliana também não.

Nem sequer sentia coragem para abordar esse assunto

com a sua esposa. Talvez um dia ... talvez um dia …

Ainda hoje, três anos passados sobre o corrido, Ricardo

não se sente à vontade para contar a Liliana os seus sonhos.

Também não mais sonhou com nenhuma mulher. Pelo menos que

se lembrasse.

Continua a ver a sua esposa como a mais linda mulher

do mundo. Continuam a sair juntos e a dar uma imagem comovente de ternura.

Agora tem a adicional alegria e saber Liliana grávida do seu primeiro filho.

Talvez um dia chegue a contar a sua história ao seu, ou

à sua, descendente, de modo a incutirlhe o sabor da responsabilidade de uma vida a dois.

jp - QUESTÃO DE CONSCIENCIA XX

É uma questão de dignidade.

É uma questão de consciência.

jorge peres

jp - QUESTÃO DE CONSCIENCIA XXI

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