RESTOS MORTAIS por JJ DE SOUZA - Versão HTML

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MASCARA DO MAL

Um domingo como outro qualquer, talvez um pouco nublado, cinza.

Roberto e a família: o filho caçula Mauro, a filha adolescente Roberta e a mulher Lidia, resolveram passar o domingo na casa de praia da família, ele tinha uma surpresa de amor, o Engenheiro festejava o aniversário de casamento,porém em uma escolha surpreendente a mulher preferiu passar na casa de praia de praia, herança dos pais dela.

Roberto odiava aquela casa, anos atrás ocorreu um evento muito triste, Lidia e ele era simples namorados, um evento que ele queria esquecer para sempre, estranhamente isso não afetava a mulher que adorava a casa, eles nunca se entenderam sobre a casa, recentemente um amigo da família, senhor Conrado fez uma proposta e Roberto esperava a decisão de Lidia

-Não Beto, não quero festeja com ninguém, estou com um aperto no coração,queria passar com a minha família e minhas lembranças , se formos vender a casa eu quero passar o nosso aniversário de casamento aqui, mesmo se o tempo estiver nublado.

Sábado desceram a serra, na madrugada, como Beto gostava de viajas, chegando a praia domingo pela manhã, para a tristeza de todos o tempo estava muito nublado e chovia abundantemente, ar pesado de chuva morna consumia a energia das pessoas.

-Que merda! Por que Lidia escolheu a praia, ela sabe que não gosto daqui e logo em um dia de chuva, esse lugar está deserto?– disse Beto como se tivesse um interlocutor interessado nas suas palavras, o anel de brilhantes estava no bolso esquerdo, apesar da capa já estava todo molhado.

O local ficava em uma colina, dava para ver o mar cinzento da varanda mosqueado pela chuva intrusa, o local estava, deserto desprovido da vida das pessoas, da energia de um dia de sol, um palco para a morte e o mal.

-Olha isso gente, uma máscara– disse Mauro, os olhos de todos se voltaram para o garoto, molhado pesadamente pela chuva, segurava na mão um objeto grotesco, uma mascara de plástico, parecia ser de carnaval, porém sem a alegria da mascaras carnavalesca, estava suja de terra molhada e bati-da, feita de um plástico mole, tinha elástico para prede-la na região posterior da cabeça, o objeto grotesco trazia desenhado em cores vermelhas a horren-da figura do demônio.

-Dante...é Dante, claro que é. – disse Mauro.

-Quem é Dante? – perguntou Beto, olhando a criatura desenhada na mascara.

-é um personagem fictício e o protagonista principal da série de jogos eletrônicos Devil May Cry criada e publicada pela Capcom. Nos primeiros quatro jogos, Dante é um mercenário e caçador de demónios, dedicado a por-lhes um fim e a outras forças malignas supernaturais, uma missão que ele faz no sentido de perseguir aqueles que lhe assassinaram a mãe e corromperam-lhe o irmão Vergil. Dante é filho de Sparda, um demónio de grande poder, e como resultado dessa herança possui numerosos poderes que vão para além de qualquer humano, que ele usa em combinação com uma variedade de armas para realizar os seus objectivos. – disse Roberta, depois deu uma gargalhada que assustou o pai e a mãe, ela tinha crescido e continuou – alguma porcaria de japoneses.

-Larga isso, que coisa horrível! – disse Roberto estranhamente irrita-do.

-Quero ficar com ela pai, para a minha coleção de coisas perdidas–

disse Mauro .

-Não falei que esse garoto é esquisito? – falou Roberta, que era a úni-ca que parecia mais seca, cabelos presos e botas longas, muito bem protegida pela capa, a adolescente que foi a primeira a subir as escadas de pedra, talvez somente ela tenha percebido a sombra escura de um homem que sorria ao ver a família chegar, talvez a uma ilusão de Roberta; Correu toda a varanda, tinha certeza de ter visto algo, foi até a varanda do outro lado e espiou tentando forçar a visão através da chuva, perto do curral, ou era uma sombra, estava tão longe, achou que era coisa da sua cabeça e desistiu – que viagem idiota, isso parece mais um cemitério – completou.

A briga sobre a máscara continuava.

-Deixa Beto, quero esse feriado sem brigas – disse a mulher – é um personagem de jogos , santo Deus !Deixe o menino ficar .

O menino limpou a lama e guardou na bolsa.Olhou em volta e sorriu, falou baixo, pois sabia que seria ouvido.

-Sei que está ai. – O amigo de todas as vezes que veio na praia, só ele sabia da paixão de Mauro por Dante.

A chuva era torrencial, incomum para aquela época do ano, Mauro já estava sentado na poltrona com o videogame, a filha Roberta procurando um local melhor para falar no celular com o namorado, sussurrava uma série de palavrões.

-Por que a gente veio aqui, não voltamos aqui desde a morte da vovó? – perguntou Roberta – o lugar mete medo, pede para o papai olhar na direção do curral, acho que vi alguém lá.

-Nessa chuva – falou Beto – se tiver alguém lá espero que pegue uma pneumonia, e desligue o celular, sabe que não gosto dessa historia de namo-ro com o menino de cabelos espetados.

-Gente! Vamos ter um pouco de paz – disse Lidia.

-Paz?É difícil ter paz quando a sua liberdade é retirada e você sugada para um passeio, em uma praia deserta com chuva e ainda por cima com seus pais e o retardado do seu irmão caçula que gosta de conversar com amigos imaginários– disse Roberta e foi para o quarto.

Mauro abriu e fecho a porta da sala e sentou com ar de tristeza no sofá da sala, Roberto foi até ele,depois de perceber que o filho estava todo molhado.

-Por que foi lá fora?Com aquela coisa novamente – Beto virou-se para Lidia – o psicólogo disse que ele estava melhorando – ela não respondeu, talvez porque estivesse fora de alcance retirando a boca molhada, Beto olhou para o filho esperando uma resposta dele, acrescentou – o que foi fazer lá fora?

-Ele veio buscar a mascara – disse Mauro.

-Desisto – disse Beto, entrando no banheiro para retirar a roupa.

-Ele disse que era Dante e aquela mascara era dele – disse Mauro, que aos sete anos tinha uma fascinação por objeto e coisas sobrenaturais, principalmente relacionados com jogos – tive que entregar, ele é meu amigo pai.

-Não abra essa porta sem o consentimento de um adulto – disse Roberto e depois fechou a porta com chaves.

A volta seria na terça, Lidia continuava com aquele aperto no cora-

ção.

A noite falou com Roberto.

-Tem alguma coisa me afligindo, uma sensação ruim – disse na varanda com uma cerveja na mão.

-Deve ser aquela máscara horrorosa, e essa historia de amigo imaginário– disse Roberto, estranhamente nervoso - Agora, estamos tão bem financeiramente, o dinheiro, nossas coisas toda certa – ele tirou o anel dia-mante do bolso – Para que esse tempo dure para sempre.

Eles estavam na varanda, à chuva era intensa, cortante, fazia um barulho musical, porém sombrio, Roberto amava a esposa, olhou para baixo, dois quilômetros em direção ao mar havia uma casa de tijolos, agora abando-nada, no entanto com uma triste historia para contar, olhou para a mulher e perguntou.

-Lembra-se daquela casa? O que aconteceu ainda me assombra–

apontou com a mão a casa.

-Acho que superei, não podemos controlar todas as tragédias da vida

– ela passou a mão na cabeça dele e disse – não teve culpa, foi um acidente.

-Ela só tinha quatro anos, você sabe que o aniversário dela é amanhã – ele olhou bem para a mulher e perguntou – por que voltamos aqui, não gosto desse lugar.

-Decide vendê-la – ela olhou para o mar – vou sentir falta daqui, por isso resolvi passar o ultimo final de semana nesta casa, resolvi aceitar a proposta do Sr. Conrado.

Roberto sorriu e beijou a mulher.

-Eu amo você, nós seremos mais feliz sem esse lugar. – disse Roberto.

Ela chorou, se abraçaram e novamente entendiam por que se esco-lheram.

O homem havia assistido tudo, até o momento que entraram no quarto, entrou na casa e segurou a mascara que o menino achou, firme, entre os dentes um ódio que não morre, o menino havia crescido, ele estudou tudo sobre eles, tudo, cada detalhe.

Ele sabia que todos estavam dormindo, então tudo seria muito fácil, como sedar imobilizar e prender a família que odiava.

-O que é isso? – Perguntou Roberto, que estava amarrado e era o úni-co que não estava amordaçado.

O homem com a mascara do demônio olhou para ele, a máscara escondia meia face, o queixo do homem e a cicatriz horrível que partia o lábio superior no meio, junto com uma fileira de dentes podres amarelados pelo cigarro.

Ele gritava palavras que ninguém entendia, estava eufórico, então começou a falar.

-O inferno chegando até você Sr. Roberto- com o revolver na mão e bem próximo de Roberto falava e gesticulava – ficou rico, criou bem os filhos, principalmente o menino– disse e se aproximou, tão próximo que Roberto podia ver que todos estavam amarrados e sentados em uma cadeira, em fila indiana, Roberto era o primeiro e o seu filho o ultimo.

-Se é dinheiro o que quer....Eu tenho, posso dar para você, não ma-chuque a minha família.

-Dinheiro, acha que uma pessoa distinta como eu quer dinheiro?

O homem chegou bem perto de Roberto, sua proximidade contami-nava a respiração, seu halito de nicotina era áspero e carregado, colocou a arma na cabeça de Roberto e deu uma gargalhada, fragmentos de saliva inun-daram a metade esquerda da face de Roberto.

-Ricos e a sua forma de viver, conseguem comprar tudo, não estou aqui pelo dinheiro. Na vida existem coisas mais importantes que o objeto do desejo da compra, dinheiro, viagens, objetos e mulheres, que felicidade, não?

No mundo cheio de posses!Não. Não foi para isso que vim, eu estou aqui para o acerto de contas do demônio, do demônio que consome a minha alma, entende, lá(no inferno) - ele apontou para baixo – a moeda é outra.

-O que você quer? – gritou desesperado Roberto.

A mulher de Roberto começou a chorar, o homem correu até a mulher e colocou o revolver na testa dela e disse palavras lentas, diante da proximidade dele ela jogou o corpo para trás e a cadeira caiu, então o homem horrível gritou ajeitando a cadeira.

-Cala a boca, só isso que peço, ai vamos ver se o cara te ama mesmo. – ele deu uma gargalhada e voltou-se para Roberto – tem que escolher senhor Roberto, um deles tem que morrer, é a minha lei – ele mostrou a fotografia de uma menina – olho por olho.

-OH, meu Deus !Perdão, perdão, perdão eu imploro, senti tanto com aquela perda...Não tive culpa, foi uma circunstância tão estúpida.

-Chato não é?Perder alguém assim, como eu perdi,sabe que mor-remos junto, viramos palha andando por ai, espantalhos, eu vivo no inferno desde então – ele pegou guardou a foto depois de beijar – depois da perda a pessoa não acredita em nada, se perdeu o seu anjo perde tudo, passa a não acreditar em coisas como: Deus, moral e o caralho, essa foi minha filha, queria ser uma princesa para poder ajudar todos os animais, quatro anos, um anjo – ele fez uma pausa e enxugou as lagrimas - minha mulher morreu logo depois, tomou um monte de remédios, eu sou covarde, gente com eu não se mata, não sem antes acertar as contas .

-Por favor, posso fazer qualquer coisa.

-Traga ela de volta – disse o homem e completou – viu, não pode qualquer coisa, não é? O ser humano ainda acha que tem livre arbitro. Eu disse olho por olho, então tem que conviver com a perda como eu convivi nesses anos, não me adianta matar você – disse o homem.

Roberto começou a chorar e completou.

-Foi um acidente, Jesus Cristo, um cachorro não tem juízo...Eu tentei e não consegui segurar a coleira dele.

-Um acidente, uma fatalidade – disse o homem com a mascara do demônio - minha filha foi considerada um nada, filha de gente pobre vaquei-ro, um caseiro de praia, nem mesmo admitiu o seu erro.

-Foi há tanto tempo– disse Roberto.

-Vai aprender que no inferno o tempo não passa.

Roberto gritou por socorro, mas tudo que ouviu foi à chuva melancó-

lica como uma musica da morte.

O homem disse.

-Escolhe um dos seus amados parentes, estou te dando uma chance que não tive de escolher – Roberto suava frio, sempre achou que aquela historia voltaria, uma fatalidade, o seu cachorro, uma menina , como alguém pode culpar um cão por agir assim.A vida cobra tudo e com juros, olhou para aquele homem , ele estava ali, salivava bem próximo, com lagrimas de desespero nos olhos Roberto escutou o homem falar– eu sou o cão agora Sr.

Roberto.

Escutava o choro das pessoas que mais amava.

-Escolhe – disse o horrível homem que estava com mascara do demô-

nio – escolhe, senão mato os três.

Roberto sentiu um aperto no coração, não havia outra forma de falar e abriu os olhos e corajosamente encarou o demônio.

-Sabe que vou poupar as crianças – disse e abaixou a cabeça, nem viu quando o homem com a mascara do demônio atirou em sua mulher, parte dele morreu junto, mas o monstro não parou, encostou a arma na cabeça do caçula, Roberto queria gritar.

-A sua conta é pesada demais, ele sempre foi o meu preferido, é inteligente, lembra a minha filha – Roberta chorava e de olhos vermelhos implo-rava pela vida do irmão – não se preocupe menina, vai viver, não cobro mais do que me devem, vou levar o menino e a divida do seu pai está paga..

O segundo disparo atingiu Mauro na cabeça e fez Roberto perder os sentidos, quando acordou estava no hospital, Roberta chorava segurando a sua mão.

-Por que pai ele fez tudo isso?Quem é aquela menina da foto? – ela disse chorando – acharam o corpo dele.

Roberto abraçou a filha com seu ultimo tesouro.

Vento maligno

-Três horas esperando e não me responde, o cara combi-nou com a gente, precisamos dos creditos dessa entrevista para terminar o curso, estou começando a ficar preocupada. – disse Laura desligando o telefone e fazendo uma anotação no caderno, suas mãos tremiam um pouco, efeito colateral da Bup e da decisão radical de parar de fumar, o cigarro estava levando a sua pele e seu cabelo.Sempre esteve a frente de tudo, ela reuniu e escolheu o grupo, Milton, pela inteligência, Rodrigo por conhecer Helmer, Isabel pela grana.Laura queria terminar o seu curso de jornalismo com chave de ouro.

A historia de Helmer era estranha e rendia boas tomadas, escritor e cineasta famoso era um homem cheio de esquisitices e egocêntrico, pintava o corpo de vermelho e usava uma cartola a moda do século dezoito, tinha dentes implantados e o corpo tatuado, a sua ultima aparição em publico foi há vinte anos.

Quando Rodrigo apareceu com a historia Laura viu que se tratava de um começo de carreira, algo que podia impulsionar todos.

Helmer foi considerado o maior cineasta do terror B, inglês , considerado extremamente supersticioso , sumiu e parece ter escolhido o Brasil para desaparecer.

-Helmer é bem louco – disse Laura sozinha, para refletir em voz alta.

Milton olhou sério para Laura, foi o único a desaprovar a história, apesar de inteligente e bonito era excêntrico, fumava muito.

-Por que escolheu logo esse, com um monte de cineasta brasileiro foi logo pegar um eremita americano da década de setenta, esse cara de fumar maconha, beber uísque e ser cabeludo, será que vamos encontrar o Elvis por aqui? – disse Milton jogando a fumaça para fora do carro, ele tinha os cabelos pentea-dos para trás, usava uma jaqueta vermelha, seu olhar era triste.

-Além do mais – completou Milton – sou muito mais a bela década de 80, filmes de Ed Wood, Roger Corman, Larry Cohen, David E. Durston, José Mojica Marins (o nosso Zé do Caixão), George Romero, William Friedkin, Mario Bava, Paul Morrissey, Dario Argento, Luciu Fulci entre outros. Jovens cineastas norte-americanos da década de 1980, criaram uma nova roupagem para o gênero se utilizando de roteiros muito bem construídos, muita pouca grana e revolucionários efeitos de garagem que foram evoluindo ao longo da década, o primeiro marco desta era foi o filme A Morte do Demônio (Evil Dead)de 1981 de Sam Raimi que redefiniu os padrões do gênero, o seu filme foi feito com uma quantidade irrisória de dinheiro e os atores assim como o maquiador que deu vida aos demônios bizarros e toda carnificina do filme, eram amigos do diretor e não cobraram nada para participar da produção. Sam Raimi filmou todo o filme apenas com uma câmera na mão e o resultado não poderia ser mais original, ele reformulou a técnica ‘’Shaky Cam’’

o estilo de câmera tremida dando ao filme um ar documental, a “Chase Cam” onde a câmera faz um papel de antagonista contracenado com os protagonistas perseguindo-os, e a “Lurk Cam” onde a câmera fica a espreita atrás de arvores, janelas e cantos escuros.

-Está falando como um professor – disse Rodrigo, ele não gostava de Milton, afinal disputavam a mesma mulher e Milton tinha uma vantagem, Laura gostava dele, porém o que tudo indicava é que Milton estava interessado em Isabel, o que era irônico é que também Isabel parecia ter um interesse por Laura, apesar de flertar com Milton, Rodrigo conhecia o aquele olhar de admiração, também pesquisou na faculdade, todos diziam que Isabel tinha uma paixão louca por Laura e que fazia todas as vontades dela. Laura por sua vez agia como se nada disso estivesse acontecendo e aceitava os presentes e a ajuda da amiga.

Rodrigo depois de pensar em todas essas coisas, respondeu no lugar de Laura para que a conversa não morresse..

-Ele foi o papa do terror nos anos 70, entende, o cara é um mito, está escondido, pinta e tatua o corpo de vermelho, plantou um chifre na cabeça e usa uma cartola, terno e gravata borboleta, isso sim é um historia, - ele fez uma pausa para balançar teatralmente a cabeça - muita gente nunca viu esse cara, ele se mudou para o Brasil porque devia dinheiro a máfia italiana, desapareceu, mas agora parece estar interessado em voltar aos holofotes da mídia, dizem que ele é uma espécie de eremita e o cara é um prato cheio para uma boa reportagem, sabe, ele é do tipo duende, bruxas, demônios, sumiu no final da década de setenta, tinha uma paixão por H. P. Lovecraft e pelo universo do autor, mas os seus filmes eram de baixo orçamento, se hoje em dia nenhum cineasta se arisca em H. P. Lovecraft, imaginem um pobretão sem orçamento da década de setenta, por isso os seus filmes ficaram raros e qualquer palavra que conseguimos arrancar dele pode trazer sucesso a esse documentário – completou Rodrigo.

-É verdade que morreu gente nas filmagens? – perguntou Isabel.

-É os filmes são considerados amaldiçoados, em locais muito religiosos são proibidos, Escócia, países mulçumanos, são raros e valem uma nota no mercado negro.

-Mesmo na época da internet, esse filmes têm valor

?Além do mais quem liga para H. P. Lovecraft, os contos são elaborados e é preciso inteligência para entender – disse Isabel.

- H. P. Lovecraft é um clássico, na verdade nem sei se é possível filmá-lo , nem sei se é possível filmar uma boa obra literária, um filme é um filme e um livro é um livro, para mim são coisas diferentes – disse Milton, com isso quase todos concordaram, principalmente Laura.

-H. P. Lovecraft, amo esse cara – disse Laura apaixona-da por filmes de terror, complementou, mesmo sabendo que a maioria ali já sabia do que ia falar – mas eu preferia ter entrevis-tado Nicolas Roeg, ou o próprio H.P, vocês sabem que o princípio literário de Lovecraft era o que ele chamava de “Cosmicis-mo” ou “Terror Cósmico”, que resume-se à ideia de que a vida é incompreensível ao ser humano, e de que o universo é infini-tamente hostil aos interesses do homem. Isto posto, suas obras expressam uma profunda indiferença às crenças e atividades humanas. H.P Lovecraft originou o ciclo de histórias que poste-riormente passaram a ser categorizadas no denominado Cthu-lhu Mythos e também criou o fictício grimório Necronomicon, supostamente vinculado ao astrônomo e ocultista britânico do século XVI, John Dee. Ao decorrer de suas criações, Lovecraft criou um panteão de entidades extremamente anti-humanas que, em suas histórias, geralmente podem ser contatadas através do Necronomicon.

Milton olhou no relógio, estava começando a escurecer a estrada de chão que entraram era esburacada e o sedan tinha dificuldade para se manter estável, Laura olhava para frente e ele sabia que ela estava disposta a acabar tudo com Rodrigo porá ficar com ele, porém Milton não estava pronto para ter um relacionamento sério com alguém, vinha tomando remédios para diminuir as visões além do mais, Milton até que gostava de Laura, não era feia, inteligente se interessavam pelas mesmas coisas, se esforçava muito no sexo., porém o amor é uma coisa estranha, sua paixão por Isabel chegará no ápice e ela estava co-respondendo a suas investidas.

Isabel tinha cabelos pretos curtos na altura da nuca, um busto sensual e natural e uma voz rouca,com corpo que leva a personalidade feminina ao mistério que tanto deseja, seus lábios era exuberante e lembravam atrizes italianas. Inglesa, teve a primeira infância em Londres e tinha herdado uma fortuna de sua tia , quando conheceu Milton na faculdade de jornalismo ele sabia que era ela a sua amada e sentia-se como o fantasma da opera regendo uma sinfonia para o amor e catástrofe, pois teve o dissabor de saber que Isabel era gay e que isso pelo jeito era irreversível, porém Milton não desistiu e veio junto para saber se a magia do mundo o ajudaria de alguma forma a transformar a sua amada.

Rodrigo era o mais pragmático do grupo, só aceitou fazer o trabalho quando Isabel disse que bancava tudo.O fato de Rodrigo ser pobre e de personalidade volátil não era suficiente para Milton não gostar dele, o futuro jornalista, para Milton era o protótipo da imprensa que abriu mão da “liberdade” de imprensa .Simbólica ou apenas para ‘Inglês ver” a impressa havia morrido do ponto de vista critico, comprada pelos políticos, ela mesma censurava seus conteúdos, deformada pelo dinheiro e pela audiência, Milton desprezava tudo isso, talvez escrevesse alguma coisa na internet, estava terminando o curso apenas para agradar o pai e ficar perto de Isabel.

-Alguém pensou em outra opção? – perguntou Milton.

-Nicolas Roeg – disse Laura, querendo apenas continuar a conversa ,sem responder para Milton – tirou do fundo do baú, é de segunda, foi diretor de vários filmes péssimos, Iniciou-se no cinema como diretor de fotografia. Nessa qualidade, traba-lhou em filmes como Fahrenheit 451 de François Truffaut e Far From The Madding Crowd de John Schlesinger, entre outros.

Foi só em 1970 que realizou o seu primeiro filme - Performance

-, um exercício cinematográfico que multiplica as virtuosidades técnicas, recusando a progressão linear ao quebrar a relação espaço-tempo. Este filme, protagonizado por Mick Jagger, e co

-realizado pelo escritor Donald Cammell, acabou por não ter o sucesso esperado e, assim, Roeg teve que ir para a Austrália para dirigir o seu primeiro filme a solo (Walkabout, 1971), que foi também o seu último trabalho como diretor de fotografia.

-Continuo achando que a decada de oitenta é melhor. A Morte do Demônio (Evil Dead) de 1981 foi um filme independente que teve como força motriz a paixão pela sétima arte e a vontade do idealizador em conceber uma obra com sua personalidade, assim, tendo apenas uma câmera na mão, Sam Raimi revolucionou todo um gênero. Este filme tirou da obscuridade os filmes considerados Trash ou horror B, os elevando à outro nível hierárquico. Em 1987 Sam Raimi resolveu refazer a estória de outrora com o filme Evil Dead 2, só que agora com efeitos e tecnologia que só um bom orçamento consegue conceber, se o filme antes era semi amador agora ele se colocava no nível profissional, com o talentoso maquiador de filmes de horror Gregory Nicotero e novamente Bruce Campbell fazendo o personagem Ash, que viria a se tornar bastante popular e multipli-caria o patrimônio de Sam Raimi com vendas de HQ’s, bonecos e tudo mais que os fãs de horror (inclusive este que vos fala) adora comprar e colecionar.O canadense David Cronenberg, um dos diretores mais inventivos, excêntricos e originais desta geração revitalizou o subgênero ou estilo de horror definido como ‘’body horror’’, um estilo de filme onde a degradação, mutação e degeneração do corpo humano até a sua completa destruição é uma metáfora das consequências da ambição humana por poder e conhecimento supremos, são filmes visualmente grotescos e bizarros que na maioria das vezes possui conotações científicas de cunho biológicos e tecnológicos que remetem principalmente a cultura cyberpunk. Suas principais obras neste período foram: Scanners de 1981, Videodrome de 1983 e A Mosca (The Fly) de 1986. – disse Milton – o cinema é que mudou, ficou mais visual, menos roteiro, então caras como esse perdem espaço.

-Você curte cinema pra caralho – disse Rodrigo – não conheço ninguém que fale desse jeito, parece um computador.

-Acho que tudo é um tédio sem paixão – disse Milton e ao mesmo tempo olhou para Isabel – o cinema para mim é uma paixão.

Laura sorriu, era isso que ela admirava em Milton.

Por uns instantes a exposição longa e detalhada de Milton deixou todos calados, então puderam perceber a paisagem, já existia centenas de túmulos pela estrada, muitos com cruz, outros com nada, a vegetação era baixa e vazia, então um homem de pé podia ver um imenso descampado cheio de túmulos.

-Quanta gente morreu aqui – disse Isabel.

-É um cemitério familiar – disse Rodrigo – mas parece ter mais de duzentas a trezentas pessoas enterradas neste lugar.

-Percebe isso – disse Milton – é o vento, mas parece um voz.

-Tá de sacanagem – disse Laura – é só o vento, para de meter medo que esse lugar já é horrível por natureza.

Algo bateu no vidro do carro, quase que Rodrigo perdeu a direção acertou o volante e parou. Tosos desceram do carro, olharam para frente, o parabrisa estava quebrado, começaram a procurar o que o carro tinha acertado.

-ali, tem uma coisa se mexendo no chão – disse Milton apaontando uma lanterna.

-O que é isso? – perguntou Isabel – que horror.

-Parece uma lacraia, uma largarta, mais tem mais de um metro – disse Rodrigo.

-De onde isso veio? – perguntou Laura.

-Não sei – disse Rodrigo – quando percebi essa coisa já tinha acertado o meu carro.

-Gente vamos voltar – disse Laura – o cara não me atende, esse lugar dá arrepios.

-Você acredita em almas, essas coisas não existem – disse Rodrigo – o barato é a questão do símbolo, de como isso nos atormenta, dos nossos medos, é por isso que estou aqui.

Todos se olharam e voltaram para o carro.

-esse Maldito vento – disse Milton .

A escuridão cobria tudo com o seu breu inviolável, não havia estrelas no céu e a estrada ficava pior a cada minuto, Milton fechou a janela pois um ventou entrou e sacudiu a suas costas, trazendo para a sua alma a sua estranha melancolia.

-Não tenho medo do desconhecido, mas como é mesmo o nome dele? – perguntou Isabel.

-Roger Helmer alguma coisa, foi o Rodrigo quem achou o endereço dele na internet...

-Um desconhecido ?Nunca ouvi falar dele – disse Milton.

-talvez porque ele não dirigiu Panico – hironizou Rodrigo.

-Talvez quem sabe um nome como Wes Craven que criou um dos personagens mais icônicos do gênero Slasher Movie (filmes de horror onde seriais killers perseguem adolescentes), no filme A Hora do Pesadelo de 1984, o maníaco homicida que perturbava os pesadelos dos adolescentes com seu humor sádico, irônico e muita violência. Freddy Krueger interpretado por Robert Englund, foi um dos personagens mais originais já criados do gênero, ele entra e manipula os sonhos de suas ví-

timas tendo o poder de mata-las durante o sono, manipulando este mundo onírico ao seu bel prazer e sadismo. Outro personagem marcante do gênero, que era o pesadelo dos adolescentes criado nesta mesma década, mas especificamente em 1980, foi Jason Voorhees na série Sexta Feira 13. Outro personagem icônico e cultuado deste período foi o sádico Pinhead ou cabe-

ça de prego, um personagem criado pelo britânico Clive Baker originalmente no seu livro The Hellbound Heart, e o próprio autor do livro dirigiu e roteirizou o filme Hellraiser - Renascido do Inferno de 1987, um filme que explora de forma fantasiosa o sadomasoquismo, onde criaturas do inferno conhecidas como cenobitas, incorporam no mundo terreno afim de torturar e matar de forma ultra violenta, criativa e cruel os seres humanos que premeditadamente ou não, os invocam em busca do prazer supremo através da dor, agora esse cara não tenho ideia de quem seja, para mim a melhor decisão é voltar, posso conseguir um outro cineasta, ou mesmo um ator, mas não estou gostando dessa viagem.

- Não pensei que fosse supersticioso – disse Isabel –

não precisamos de uma enciclopédia ambulante, precisamos de coragem jornalística, temos uma oportunidade aqui de não ser brega de não ser o mesmo do mesmo, o cara está sumido, tem vinte anos que ninguém sabe nada sobre ele e você quer desistir?Eu vou até o final.

-Eu também – desse Laura.

-Conta comigo – Rodrigo falou com um ar de deboche, provocativo.

Milton não respondeu, olhou para fora e teve aquela sensação novamente provocada pelo maldito vento, forte suficiente para balançar a escassa vegetação e fraco para ajudar a diminuir o terrível calor, além do mais existia aquela voz infernal, aquele barulho, talvez tenha se excedido um pouco ao demonstrar o seu conhecimento isso não impressionava Isabel, tudo parecia agora mais nebuloso na cabeça de Milton.

-A década definitivamente é oitenta – disse Milton – nem só de norte-americanos vivemos na decada de oitenta, não senhor – disse e ascendeu outro cigarro, não estava ligando para o vento frio maldito e a sua voz - Não foram só os norte-americanos que revolucionaram o gênero, mas os italianos também tiveram uma grande parcela de responsabilidade reinventan-do os filmes de horror psicológicos, filmes sobre zumbis e os slashers movies, diretores como Lucio Fulci com seus filmes de horror gore, fantasiosos, lisérgicos e totalmente experimentais criava uma nova percepção entre a relação dos filmes de horror com o sobrenatural e com assassinos seriais nos filmes As Sete Portas do Inferno (...E Tu Vivrai Nel Terrore! L’aldilà) de 1981, A Casa do Cemitério (Quella Villa Accanto al Cimitero) de 1981

e O Estripador de Nova York (Lo Squartatore di New York) de 1982. Lamberto Bava modificava e reformulava os Slashers movies os deixando mais violentos, divertidos e caricatos com a trilogia Demons.Caralho , oitenta foi uma década e tanto para o gênero terror.

-Por favor – disse Isabel – pare de falar assim, está me assustando.

-Sabe que você é a garota mais bonita que eu já vi – disse Milton.

-Vou pedir uma coisa, não fale mais nada – disse Isabel.

Quando tinha doze anos passou a ver espíritos, sempre horríveis, monstros, nunca falou a ninguém, agora estava vendo uma segunda cabeça em Isabel, era de uma mulher, mas não tinha olhos, parecia querer sair do corpo de Isabel, parecia estar colada ali, Milton teve uma náusea.Quando criança chorava sozinho , agora precisava falar, conversar, pois não aguentava mais ver a aberração tentando deixar o corpo de Isabel.Milton tinha medo até da sombra quando era criança, agora convivia com aquelas coisas, as vezes era bom e elas o ajudavam a se livrar de situações, porém agora a criatura que estava em Isabel não queria sair e levaria todos a uma morte violenta.

Esses espíritos cresceram com Milton, passou a sua vida toda querendo se afastar deles, porém ele podia ver todos agora, pedindo para que se afastasse daquela expedição ou seria o seu fim e o de Isabel.

Queria falar, mas não sabia o que, então novamente falou de cinema.

- Dario Argento, considerado o Alfred Hitchcock italiano, dava aos filmes de horror toda a sua genialidade como contador de histórias, seus filmes são suspenses psicológicos mais filosóficos com uma boa pitada de humor negro, eles são visualmente deslumbrantes, estilosos e com cenas de horror gore, a percepção fílmica e metafórica de Dario Argento mudou todo o conceito de cinema de horror, os seus principais filmes remetem a década de 1970 sendo que ele concebeu também alguns extraordinários filmes na década de 1980 como Mansão do Inferno (Inferno) de 1980, Tenebre (Tenebrae) de 1982, Pheno-mena de 1985 e Terror na Ópera de 1987. Dario Argento e Lucio Fulci tiveram o marco de suas carreiras na década de 1970 e seus filmes lançados neste período serviram de inspiração para vários realizadores da década de 1980. Ruggero Deodato com seus filmes de horror que faziam severas críticas sociais, polí-

ticas e culturais horrorizou muitas pessoas nesta época e seus filmes entraram para os anais da sétima arte como os filmes de horror mais polêmicos da história, suas principais obras deste período foram: Cannibal Holocaust de 1980, Cut and Run (Inferno in Diretta) de 1985 e The House on the Edge of the Park (La casa sperduta nel parco) de 1980. Neste período também teve a reformulação dos filmes de horror psicológicos que fugia dos padrões fantasiosos, eles remetiam distúrbios psiquiátricos como psicopatia e sadismo de maneira mais realista e brutal, eles tinham a pretensão de trazer sentimentos angustiantes naqueles que os assistiam, por serem filmes bastante polêmicos para época eles foram renegados e poucos filmes foram pro-duzidos neste formato. Cineastas como o estadunidense John McNaughtone (Henry, 1986) e o austríaco Gerald Kargl (Angst, 1983) podem ser considerados dois dos principais cineastas representantes deste estilo nesta década. Alguns filmes em específico também revolucionaram o gênero, como o filme estadunidense de horror sobrenatural Poltergeist de 1982 dirigido por Tob Hooper, um filme de horror muito divertido que brinca com a ideia de uma casa mal assombrada por espíritos maléficos e portais para outras dimensões. Filmes mais sérios e intimistas que criticavam a religião e valores familiares como a obra francesa Possessão de 1981, dirigido pelo genial Andrzej Zulawski, também marcou este período. O filme Um Lobisomem Americano em Londres de 1981, dirigido por John Landis, trouxe para esta década o lendário e místico lobisomem mantendo as suas características clássicas, este filme possui a metamorfose de ser humano para a criatura de lobisomem mais impressionantes e aterrorizantes da história do cinema. Outra criatura cultuada do submundo explorada por este período foram os vampiros, com os filmes Fome de Viver de 1983 dirigido por Tony Scoot, Quando Chega a Escuridão de 1987 dirigido por Kathryn Bige-low e o terror adolescente A Hora do Espanto de 1985 dirigido por Tom Holland, todos estes filmes também respeitaram as características clássicas do monstro sedento de sangue; O filme de John Carpenter O Enigma de Outro Mundo de 1982 deu uma nova roupagem para os filmes sobre invasões alienígenas, em uma obra-prima que mistura body horror, suspense psicológico, ação e ficção científica. Outra joia rara desta década dirigida por John Carpenter é um outro filme sobre invasões alienígenas, Eles Vivem de 1988, o filme fala sobre alienígenas capitalistas disfarçados de seres humanos que exploram o planeta Terra afim de acabar com todos os seus recursos, manipulando os terráqueos com mensagens subliminares afim de faze-los seus escravos, um filme que faz uma crítica ácida ao capitalismo sel-vagem. Falando sobre filmes de invasões alienígenas como não citar Força Sinistra de 1985 dirigido por Tob Hooper, um filme que fala sobre alienígenas hostis no cometa halley que querem destruir a humanidade, um filme que se aproveitou da fama do cometa halley que foi um fenômeno astrológico e cultural desta época. Outra obra-prima deste período é o filme Aliens: O Resgate de 1986 que manteve apenas uma parcela do horror e do suspense do primeiro filme porque esta continuação foca mais na aventura, ficção científica e na ação muito bem dirigida por James Cameron, o Spielberg do submundo! Outro filme sobre alienígenas que mistura ação e horror - muito mais ação do que horror - é o filme O Predador de 1987 dirigido por John McTiernan, alguns não consideram Aliens: O Resgate e O Predador como filmes de horror, mas isso fica à critério de cada um que os assistem. Os filmes de Zumbis também tiveram suas obras-primas neste período, como o genial filme de George Romero Dia dos Mortos de 1985 que completa a sua trilogia dos mortos-vivos começada em 1968 com A Noite dos Mortos Vivos. O filme A Volta dos Mortos Vivos também de 1985 dirigido por Dan O’ Bannon, é uma divertida comédia de humor negro que tem os mortos-vivos como personagens principais, como assistir a este filme e não se divertir com a expressão BRAINS! A adaptação para o cinema do livro ho-mônimo de Stephen King Cemitério Maldito de 1989 dirigido por Mary Lambert, um filme onde os mortos vivos eram menos caricatos e não menos aterrorizantes, este filme remetia a dor da perda pela morte que fazia com que as pessoas ressuscitassem seus entes queridos através de magia negra os transformando em mortos-vivos homicidas. O norte-americano Stuart Gordon adaptou um conto homônimo de H.P. Lovecraft e concebeu uma obra-prima, um filme sobre mortos vivos totalmente diferente de tudo que já havia sido feito, um dos melhores do gênero, Re-Animator de 1985. A série de filmes Guinea Pig foi além, alguns estudantes de cinema do Japão resolveram fazer um vídeo de uma mulher sendo estrupada e esquartejada viva, lógico que tudo era mentira, um curta metragem feito com efeitos de garagem toscos mas muito convincentes, diz a lenda que o ator Charlie Sheen ao assistir a este vídeo na internet o denunciou para a polícia, pois ele achou que este curta metragem mostrava um assassinato real. Outra obra-prima do gênero foi Tetsuo - O Homem de Ferro de 1989 dirigido pelo japonês Shin’ya Tsukamoto, ele pegou o conceito de body horror de David Cronenberg e o levou para a cultura cyberpunk nipônica.

O britânico Ken Russell também concebeu, o que para mim, é uma obra-prima do horror e ficção científica que fala sobre estágios de consciência que nos leva aos instintos mais primais através da memória guardada em nossos genes da era em que eramos apenas primatas, com o filme Viagens Alucinantes de 1980. Com Gothic de 1986 Ken Russell conta uma estória fantasiosa e onírica de como Mary Shelley’s teve a epifania regrada a muito láudano de escrever o livro de horror gótico, e uma das grandes obras-primas da literatura mundial, Frankenstein. Toda essa mesrda nos anos oitenta, por que estamos atrás de um cineasta fodido da decada de setenta?

A criaatura que parasitava Isabel torseu o pescoço e ficou mais sinistra, ela tinha um língua pontiaguda de cobra e seus cabelos eram machados de sangue, Milton estava prestes a perder o controle.

Milton sabia que havia pelo menos um demônio ali, do lado de fora poderia existir mais, e não estava conseguido fazer aquelas pessoas entenderem que voltar poderia ser a solução mais plausível, porém se tudo fosse loucura da sua cabeça, se aquela cabeça extra que estava em Isabel não era o argumento simbólico que precisava para deixa-la em paz, ou então ele estava mesmo louco, como o médico disse uma vez.

-Você precisa de remédio rapaz. – disse Rodrigo que já estava arrependido de ter deixado o exentrico Milton entrar para aquele grupo, mas todos diziam que ele era capaz de sinte-tizar e escrever qualquer coisa, parecia uma boa ideia.

-Isso é um cemitério? – perguntou Laura.

-Ele mora em um cemitério abandonado. – disse Rodrigo Milton não gostou, não era cristão, não acreditava em um Deus cristão, mas não desafiava o sobrenatural, principalmente aquelas vozes estranhas na sua cabeça, queria respeitar tudo aquilo, tinha maturidade suficiente para ficar equidistante de cemitérios, coisas dessa natureza.A cabeça havia projetado o ombro e uma mão para fora do corpo de Isabel, porque uma alma parasita quer fugir, o que têm de tão medonho a espera deles que nem aquela coisa quer enfrentar?

-Isso é excitante – disse Isabel, mudando o tom de voz e ficando de alguma forma mais jovial, nesse momento Milton colocou a mão na coxa de Isabel, ela olhou e sorriu, depois colocou a mão sobre a mão de Milton, acariciou por alguns segundos e depois retirou a mão de Milton.A cabeça olhou para Milton e falou alguma coisa, só depois Milton entendeu.

-Todos mortos...

Rodrigo parou bruscamente o sedan.

-O que foi? – perguntou Laura apertando os olhos para enxergar a frente.

-Parece que teremos que seguir a pé – e apontou para frente – a ponte caiu.

Milton podia ver centenas de almas, seres estranhos e até no córrego, cabeças amassadas rolando como se fossem pedras, figuras horríveis com fisionomia de animais, corpos se arrastando.

-Eu não vou – disse desesperado – tem alguma coisa muito sinistra ai, algo horrendo, não vou me arriscar.

-Covarde! – disse Isabel, já sem o demônio parasita.

Milton não queria passar por covarde.

-Não deve ir.

Uma menina, não mais de cinco anos, que segurava um urso de pelúcia, sujo de lama, olhou para ele com a metade da face partida, deixando amostra nervos tendões, seu lábio havia sido arrancado e uma de suas mãos estava presa pela pele.

-Tem muita maldade no mundo, parte dela esta presa depois desse rio, por isso ele veio para cá, não pode salvar seus amigos, mas pode salvar a você mesmo, pois os mortos gostam de você.

Milton olhou para as outras pessoas, mas como sempre apenas ele podia ver a aberração, teve medo dessa vez, nunca tinha visto criança, olhou para Isabel, Laura e Rodrigo, agora cada um tinha uma espécie de demônio de escolta, estavam tão próximos que as suas figuras poderiam ser confudidas com uma só, sua barriga doeu e ele passou a vomitar, sempre quando en-trava em pânico ele fazia vômitos, parou ficou de pé enquanto o grupo assitia tudo impassível, resolveu contar a verdade.

-Vejo pessoas mortas, espíritos, demônios – Milton olhou a expressão dele – eles estão aqui, por todo lugar.

Gargalhadas foram ouvidas.

Isabel chegou perto de Milton e disse com a voz firme.

-Covarde, fantasmas não exisitem, espírito?Pelo amor de Deus, um jornalista com a sua cabeça a sua capacidade intelec-tual pensar que existe o mal, pense bem, vá a igreja, pois se você agredita em um, logo tem que acreditar no outro também - depois de falar ela foi a primeira a descer o morro para atravessar o rio.

-Vamos cara – disse Rodrigo – estamos atrás da maior reportagem das nossas vidas.

-Vem – disse Laura.

Milton desceu logo atrás, olhou de volta para o alto a criança estava na beira e moviementava a cabeça em negativa, o vento atigiu a suas costas e fez sentir o arrepio da morte.

Os quatro de mochilas e lanternas a mão tiveream que descer devagar a encosta e molhar a suas botas em um córrego de águas gelatinosas e frias, mas de tudo isso o pior era o frio cortante e o vento aterrador, um barulho de fundo feito pelo vento parecia uma sinfonia diabólica, Milton andava com um nó na garganta e o coração apertado, segurava a mão de Isabel, mas não parecia estar ali.

Rodrigo caminhava à frente, atleta, conhecido por sua sorte com mulheres, parecia completamente distraído pela aventura, portava na cintura uma arma de fogo, um rapaz alto e de porte atlético, cabelos escuros e sorriso bem feito, porém com uma capacidade de afastar pessoas , sua inteligência e seu voca-bulário sempre de uma natureza vulgar, que não agravam Laura, agora ia destemido a frente, principalmente após perceber um certo medo em Milton.

-Está longe? – perguntou Laura.

-Sete minutos de caminhada, já estamos no velho cemité-

rio – disse Rodrigo.

Laura olhou para os lados e tomou um susto, escorregou

, rolou de volta ao lago, Rodrigo não conseguiu segurá-la.

-Que foi – disse levantando a namorada toda molhada.

-Vi alguma coisa, algo horrível – disse Laura.

-Foi sua imaginação – disse Rodrigo – eu vou lá...

-Não vá.

Tarde de mais para o apelo de Laura, Rodrigo sumiu na escuridão lateral, ela apontou a lanterna depois ouviu um grito de horror, depois outro, depois ela gritou pelo nome de Milton.

Ninguém respondeu.

Ela resolveu voltar,Laura chorava muito, suas roupas estavam molhadas e tinha um dos joelhos sangrando.

Milton e Isabel andavam logo atrás.

Isabel foi puxada por uma mão , Milton tentou segurar, porém ela desapareceu na escuridão

-Quem são? – perguntou Laura.

-Gente maligna que morreu e veio para este lugar....

-Vamos morrer?

Milton viu olhos vermelhos na escuridão, a menina estava perto da margem e balançou a caberça negativamente.

-Não, parece que essa gente gosta da mim.... – a menina balançou a cabeça negativamente então ele completou – parece que eles precisam de mim.

Laura deu a mão a Milton e eles passaram a voltar.

Um vulto apareceu na frente dos dois.

-Meu nome é Helmer, você precisa retirar todos os meus filmes de cirulação, ele entrgou o papel com mais de trinta endereços – quando terminar pode vir buscar ela, sei que gostava da outra, porém é essa que está no seu destino.

Milton saiu de lá e nunca voltou, nunca gostou muito mesmo de Laura.

-O senhor matou aquela gente? – perguntou o delegado quando Milton foi preso.

Milton olhou para o canto da sala a menina estava lá, apontou o paple com a lista de filmes de Helmer e balançou a cabeça negativamente, como Milton foi estúpido achando que poderia quebrar o acordo, então pensou um pouco e pediu.

-Delegado preciso ver o meu advogado – o delegado concordou, Milton precisava resgatar aqueles filmes e o advogado poderia ajudar.

-Podemos tentar outro, os outros dois desistiram.

Quando um homem magro chegou e se apresentou

como advogado a primeira coisa que Milton pediu foi que reco-lhesse os filmes nos endereços custasse o que sustasse.

Quando Milton acabou de falaro o homem magro disse.

-Agora sim está entendendo a nossa liguagem.

Então Milton viu a criança dar um gargalhada.

A porta da cela que Milton estava abriu novamente e entrou um senhor gordo que disse.

-Sou seu advogado.

Milton olhou para o canto onde estava a menina.

Os seus lábios mexeram e ele escutou no interior da sua cabeça um voz aguda.

-Filmes...

-Senhor – disse o advogado e colocou sobre a mesa um livro, Milton coseguiu ler o titulo do livro, tinha certeza que não estava ficando louco, o nome do livro: O Clube dos Suicidas, Antecipando-se ao moderno romance policial, numa verdadeira “extravagância literária” para os padrões da época, O clube dos suicidas apresenta um grupo de cavalheiros que querem se matar, mas não têm coragem. No intuito de investigar esta curiosa associação, o destemido príncipe Florizel e seu fiel confidente Coronel Geraldine não sabem que, ao entrarem como sócios, podem ser sorteados a assassinar um dos membros, transformando a investigação numa complicada e sinistra aventura. Afinal, quem arquiteta esses crimes sob a fachada do clube?Nesta novela perturbadora e envolvente, Stevenson, além de entreter o leitor e mantê-lo com os sentidos aguçados da primeira à última página, faz um minucioso levantamento dos costumes do século XIX, conduzindo a ação com admirável desenvoltura e criando personagens inesquecíveis.Quem estava falando aquela merda toda na cabeça dele? – Senhor?

-um espelho, quero um espelho.

-O quê?

-Quero ir ao banheiro – gritou e um policial entrou.

No banheiro algemado, havia um pequeno espelho, então ele pode ver o ser no seu corpo, um homem, vermelho e usava uma cartola e dizia coisas na sua cabeça.

Ela é para sempre

-O senhor sabe que o que me pede é ilegal? – disse o mecânico, seus olhos eram extrabicos, um maior que o outro, face carcomida, talvez pela radiação ou algum comprometimento genético, havia na face uma cicatriz em meia lua junto ao lábio, cato esquerdo, homem repugnante, de baixa estatu-ra, de sua altura Paulo, que tinha um metro e noventa, ver a sua careca e os fiapos nascendo do centro , caminhando como serpentes para a parte de trás da cabeça, as sobrancelhas eram grossas, parado parecia um anão, porém quando se movimentava parecia ainda mais baixo e era certo que ele mancava da perna direita que era tão curta que para equilibrar-se o homem tinha que encostar a mão no chão.

O que estava fazendo ali? Pensou Paulo: é que o homem tinha repu-tação, apesar de feio era um engenheiro conhecido no mercado negro, ofi-cialmente o que Paulo queria era proibido.

-Tenho certeza absoluta – Paulo olhou para os filhos parados e silen-ciosos ao seu lado - ou o senhor acha que viajei dois mil quilômetros até essa área deserta somente para termos uma conversa senhor Spencer? – disse Paulo, ainda segurava a caixa na mão coma o que tinha de mais importante na sua vida.

-Sabe que não posso dizer de onde as carcaças vêm – o homem parecia mastigar as palavras - mister Paulo, o senhor é um homem muito rico e famoso, nem mesmo para o senhor posso dar essa garantia, tenho um respeito muito grande pelo o seu pai, ele foi um herói de guerra, lutando contra todos aqueles androides imbecis, mas as regras são claras, não posso dizer a origem de uma carcaça alfa, elas são raras, depois da guerras ó sobraram as porcarias de carcaça beta e muita sucata, essas não servem para nada, prestam apenas para falsificações – ele cuspiu uma gosma branca – por isso veio até mim, tem medo de uma falsificação?Sabe que admiro o seu pai, sabe que ele me tirou daquele buraco radioativo.– disse o mecânico sentou em um banco imundo e olhou para a montanha de sucata de androide, Paulo sabia que era arriscado o que estava pedindo a Spencer, porém no mercado negro ele era o único capaz de fazer a fusão – posso construir mas a fusão não pode ser controlada, mesmo numa carcaça alfa, neste mundo que sobrou duas carcaça dessas deixam o homem rico, o senhor sabe que vai ter que pagar muito bem pelo androide pronto?Não posso fazer nada por amizade, não aqui nesse inferno.

-Sei senhor Spencer.

Paulo e os filhos tinham viajado dois mil quilômetros até a planície sul no deserto novo onde fica a casa de Spencer, fortemente guardada por androides recondicionados. Seu Pai o general David salvou Spencer e contou a historia do gênio deformado de como ele era capaz de fusionar as memórias a uma carcaça e fazer a alteração necessária para trazer de volta uma pessoa da morte.

A lenda é que só em uns poucos lugares existia uma carcaça alfa, no mundo habitável, Spencer era considerado um criminoso. Após a guerra os criminosos foram banidos para fora do mundo civilizado, Spencer, considerado um gênio por muitos era odiado por políticos. Paulo tinha conexões polí-

ticas e beneficio de uma vida confortável, por isso um certo medo em estar frete a frente com Spencer.

-Sei dos riscos senhor Spencer e agradeço o fato de me receber, pagarei muito bem pelo seu trabalho – disse Paulo e apertou o lábio direito – eu e meus filhos vivemos dessa esperança e gastamos tudo o que tínhamos nessa ideia, a minha esperança é tê-la de volta, o senhor é nossa única possibilidade.

-Vai ser caro – Spencer balançou o dedo e continuou sem olhar nos olhos de Paulo – mesmo para o filho do general, tenho um modelo alfa –

Spencer ligou o computador – sim senhor esse vai servir, posso fazer a remodelação molecular e deixar esse modelo com a aparência de uma bela mulher de trinta anos e ele vai durar muito tempo, uns vinte a vinte cinco anos, talvez trinta – ele fechou o arquivo vermelho - posso trazer a sua mulher de volta com essas memórias senhor Paulo, porém terá que me levar de volta para civilização esse é o preço, uma casa, roupas limpas e uma mulher de verdade

– sorriu Spencer com dentes podres a mostra.

-Não sei se posso – disse Paulo.

Spencer fixou os olhos carcomidos em Paulo.

-O senhor vai conseguir, sei que vai – disse Spencer.

Paulo olhou para os filhos Fernando e Marcos, dois adolescentes, um de dezessete e outro de quinze, eles não suportavam mais a ausência.

-Ok.– disse e empurrou a caixa com as memórias da esposa para o mecânico.

O velho pegou a caixa e fez um gesto com os ombros de desdém.

-Ela será bem próxima da outra, porém terá uma intervenção da carcaça, entende isso?

-Sei disso, não sou um leigo em genética, nem em robótica.

“Não , não é, é só um idiota com dinheiro que me procura para fazer o que não sabe fazer sozinho, sei que me despreza, me vê como uma aberra-

ção.” , pensou Spencer.

-Nunca fiz isso para uma família, vai ser divertido, antes quem me contratava era o próprio, você sabe? O cara que estava prestes a morrer, deve ter amado muito essa mulher não é mesmo senhor Paulo? – o sorriso de Spencer era negro, uma crosta de dentes amarelos e pretos, Paulo tinha repugnância.

-Sem dúvida – Paulo olhou para os filhos novamente – prometi a eles que a traria de volta.

-Posso saber como ela morreu? – perguntou Spencer olhando o monitor do computador.

-Ela não morreu, tinha câncer, ela morreria em dois anos, nós decidimos em casa, ela concordou em retirar a sua memória em vida assim poderíamos ter o maior numero de memórias....

-Meu Deus, retiraram a memória dela em vida, deixaram de viver com uma pessoa real por dois anos para viver com uma aberração – ele cuspiu no chão, Spencer parecia que desprezava tudo aquilo –E eu que sou o monstro.

-Quando termina? – disse Paulo sem querer alongar muito a conversa.

-Três semanas, quatro para o trabalho ficar perfeito.

O tempo passou rápido, Paulo voltou a sua rotina junto prefeitos

, além de administrar a sua fabrica de reciclagem de silício , tinha um bom dinheiro, o tratamento do câncer da esposa foi caro e a integração da memó-

ria dividiria a sua fortuna ao meio. Spencer era um rato, assim que chegasse a cidade mandaria policiais locais prendê-lo, não podia se arriscar a deixar Spencer solto dentro da sua cidade.

Quando o general lhe falou de Spencer foi 2112 , agora Paulo queria se candidatar a prefeitura e queria a mulher de volta, logo ele seria lei majoritária na sua cidade e não poderia ter Spencer por perto.

O comunicador tocou, era Spencer.

-Sr. Paulo, tive vontade de experimentar, a mulher ficou bonita, eu gosto muito de mulher,não posso mais procriar, a radiação matou as minhas bolas, venha dar uma olhada, já está pronto – perguntou pelo comunicador para o mecânico.

-OK.

-Ah pelo jeito seremos vizinhos.

-É mesmo – Paulo sentiu um gosto ruim na boca.

A viagem para o deserto foi turbulenta, mesmo com a escolta do exercito, Paulo teve pesadelos com Spencer e sonhos com a mulher, os filhos conversavam animadamente no fundo da 8010, modelo de nave a jato, caro que só herdeiros da guerra tinham. Quando chegou ao local Spencer tinha um sorriso largo e feio , já se considerava intimo de Paulo o que provocava uma repugnância.

-Eu mesmo chequei se a coisa dela estava gostosa – gargalhou Spencer – brincadeira, eu sou profissional e além do mais você está devolvendo a minha vida de volta, quando foi ativada já vestia um vestido azul escuro e tinha os cabelos presos no alto da cabeça. A surpresa chocou e emocionou Paulo, os filhos choraram, ele ia mostrar ao congresso que essa era uma possibilidade, tinham que reativar o projeto do androide alfa e a preservação do ente querido deveria ser feita a qualquer custo.

-Obrigado senhor Spencer – disse Paulo, teve pena do homem, não viveria muito tempo na cidade, o exercito tinha ordens de executá-lo em seis semanas.

A vida voltou ao normal, o aparecimento da mulher em publico dobrou a popularidade de Paulo, como ele pensava a sua mulher e o projeto androide alfa eram as duas plataformas vencedoras para a sua eleição, em breve teria o poder total sobre a cidade.

Quatro semanas se passaram, nem sinal da mudança de Spencer para a cidade, os espiões do governo, agentes secretos encarregados de vigiar Spencer, disseram que ele estava viajando pela costa azul, vendo o mar, “menos mal, vai aproveitar a vida um pouco”.

Sua bela mulher estava de pé, ele sentiu desejo e se aproximou dela.

Amanda tinha feito ovos mexidos no café, seus olhos tinham um brilho incrível, que trabalho maravilhoso fez Spencer , pensou Paulo, os filhos corriam pelo jardim. A androide era a mulher, não havia duvidas a voz a fala a lembrança, tudo isso trazia seus sonho de volta o que seria o homem sem a sua mulher?

Paulo deu a ordem para execução de Spencer. Um ou dois dias depois de assinada a ordem uma coisa estranha aconteceu, Paulo encontrou sobre a mesa da cozinha uma faca com sangue , a androide segurava nas mão um crânio humano.

-AH meu Deus!Meu filho Fernando, que fiz?

Paulo chorou.

Spencer entrou pela porta dos fundos, dois androides seguravam armas e Amanda ficou ao lado de Spencer, depois de dar um beijo na boca do anão pustulento o que surpreendeu Paulo.

-Eu sou Deus – disse Spencer – eu a criei.

-Bandido onde esta Marcos? – disse desesperado Marcos.

- Seus filho esta bem, é um salvo conduto – Spencer apontou para Amanda – teremos que dividir a androide – ele passou os lábios na boca – ela ficou demais – Spencer gargbalhava.

Paulo não tinha noção do inferno que estava por vir.

Contos de terror

Por JJ DE SOUZA