Rabiscos contos por Roberto Matos - Versão HTML

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Roberto Matos

Rabiscos contos

A minha vida se resume na vontade de

aprender e de escrever — Roberto Matos.

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Rabiscos contos

ÍNDICE

- A Comunicação – 05

- Amanhã talvez – 10

- Cariri cearense - 23

- Conecta-me – 30

- O alcoolismo- 37

- O Aviso – 45

- O Condomínio – 51

- O Homem espiritual - 62

- O Lugar – 67

- O Nevoeiro - 71

- O Sonho - 78

- O Professor – 80

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- Palestina: Ontem e hoje – 92

- Sindicalismo atual e atuante – 109

- Verdes são os meus olhos - 113

- Virtudes - 121

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Roberto Matos

Rabiscos contos

A Comunicação

não era minha intenção provocar

E tamanho alvoroço e estimular o debate

sobre os direitos das mulheres. Mas naquela

oportunidade me veio o ímpeto instantâneo de

criticar a direção do programa, mas não pelas

palavras do apresentador em si. A minha crítica

estava direcionada ao besteirol que a TV tem

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Roberto Matos

Rabiscos contos

apresentado

ultimamente.

Quando

eu

falo

‘ultimamente’ me refiro a quase meio século da

popularização

desse

importante

veículo

de

comunicação a partir da década de 70. A mídia

continua a tratar seus telespectadores como

desinformados, alienados e burros, principalmente

as mulheres. Nós sempre fomos discriminadas pela

cultura machista da nossa sociedade conservadora.

Fomos forçadas por essa cultura discriminatória a

passar mais tempo em casa e, por isso, ficamos

mais expostas ao besteirol midiático. Felizmente, a

popularização da internet aliada a política de

ampliação

dessa

rede

feita

a

partir

da

implementação da banda larga para a população

das classes menos favorecidas tem contribuído,

consideravelmente, para suprir essa desinformação

praticada pelas emissoras de TV. Hoje, no Brasil, o

número de pessoas que acessam a internet é três

vezes maior do que o número de pessoas que

assistem à televisão. O número crescente de

internautas tem aumentado consideravelmente no

nosso país a partir do ganho real da massa salarial

e das políticas sociais implementadas a partir de

2002 quando o socialismo governamental imprimiu

essas mudanças. Mas o nível educacional e, por

conseguinte, cultural da população do nosso país

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Roberto Matos

Rabiscos contos

tem

melhorado

gradativamente

enquanto

a

qualidade dos programas na TV tem declinado na

mesma proporção.

Entretanto, se a minha crítica teve essa

repercussão alarmante é um forte indício de que

esse protesto estava retido na garganta de muitas

mulheres do Brasil e do mundo. Essa mesma

internet tem protagonizado as revoltas surgidas no

mundo árabe. A Primavera Árabe é um fenômeno

político-social da população árabe oprimida por

governantes déspotas perpetuados no poder por

força da política intervencionista americana.

E eu aprendi isso dentro de casa navegando

na internet e também lendo bons livros. Por

exemplo, certa vez eu li o livro de um jornalista

chamado de Gilberto Dimenstein cujo título é ‘O

Império da rede Globo’. Naquele livro ele mostra

como a TV brasileira evoluiu com o dinheiro e a

tecnologia ‘made in USA’. A partir dali é fácil

entender que assistindo TV é praticamente

impossível aprender qualquer coisa útil – salvo em

raríssimas ocasiões. E o mais grave é que esse

sistema de comunicação é similar em todo o

continente sul-americano. Ele foi instalado aqui

com a função de desinformar a população sobre os

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Rabiscos contos

graves problemas causados pelo modelo neoliberal

que é representado pela forma de governo que

segue a ideologia do capitalismo perverso. Isso

tudo se traduz hoje no nosso continente pelo grau

de endividamento dos países junto à comunidade

financeira internacional e pela precariedade dos

níveis educacionais da população que redundou no

atraso tecnológico de pelo menos 30 anos em

relação aos países desenvolvidos. Isto ampliou a

nossa dependência e fomentou a nossa pobreza.

Assim, nós exportamos commodities que são

frutos da economia primária aplicada ao campo e

de matérias primas de cunho extrativista como é o

caso do minério de ferro levado ao exterior na

forma bruta e a preço de banana. Esses produtos

primários retornam na forma de bens de consumo

industrializado, que são conhecidos como bens de

valores

agregados

porque

geram

emprego,

riquezas,

impostos

e

divisas

nos

países

desenvolvidos. E isso, eu também aprendi no livro

de Eduardo Galeano intitulado de ‘As veias abertas

da América latina’. Também se aprende muito

quando lemos os livros do economista, intelectual

e professor Celso Furtado cujo reconhecimento nos

meios acadêmicos se estende a nível internacional.

Infelizmente, a nossa realidade é outra. Por outro

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Roberto Matos

Rabiscos contos

lado, a maioria das mulheres sempre esteve mais

interessada nos programas de culinária e nas

novelas levadas ao ar exaustivamente. Essa

programação direcionada nos transformaram em

consumidoras pacíficas e submissas.

***

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Roberto Matos

Rabiscos contos

Amanhã talvez

sol,

ainda

pálido,

ergue-se

O preguiçosamente, propagando o calor e

realçando as cores dos objetos que banha, ao

espraiar-se sobre a terra cearense. A cor verde da

folhagem das plantas ornamentais embeleza o

pátio da igreja e contrasta com a cor amarelo-

creme da parede exterior da casa de Deus. As

tulipas, com suas flores brancas, amarelas e

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Roberto Matos

Rabiscos contos

vermelhas proporcionam um colorido especial e

alegram a manhã.

Então Daniel vê a moça na calçada da Igreja

da Sagrada Família naquela manhã ensolarada e

há outras pessoas ao lado dela. Por causa da

distância ele fica na dúvida se são os pais dela ou

os tios.

— Na verdade, aquelas pessoas não se

identificam muito com a moça. Não tanto pela

fisionomia. Mas porque elas estão sérias e

parecem tensas. Ao passo que a moça está

radiante. — Pensa Daniel.

Enquanto isso, a uma distância discreta,

Daniel continua a observar a moça. Seus olhos

estão embevecidos. Extasiados - melhor dizendo.

Eles ficam assim quando olham aquele vestido com

estampa floral que ela usa naquela ocasião. O

vestido realça as curvas maravilhosas do corpo

dela. Do belo vestido sem mangas, os ombros nus

sobressaem-se e, abrasados pelo sol, têm um

encanto à parte. O decote discreto descobre

parcialmente os seios roliços. À luz dos olhos dele

ela está idêntica a uma fada. Assim ele não

resiste: Desconversa e pede licença ao pequeno

grupo de amigos. Ele se dirige ao encontro dela

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Roberto Matos

Rabiscos contos

ensaiando mentalmente a conversa que irá

articular. A timidez e a insegurança acompanham-

no. Ele tem a impressão de que os amigos

observam-no com olhares críticos. Mas segue

firme ao encontro da moça.

— Bom dia para todos!

— Bom dia! — Responderam em uníssono.

— Ah! Que maravilha! Curtir a natureza e

aspirar o ar puro dessa belíssima manhã

ensolarada; A família e os amigos presentes; A

conversa alegre e despretensiosa jogada fora.

Para não encompridar muito a conversa,

dona Adélia, mãe da Amanda, interrompe as

palavras dele dizendo:

— A propósito, Sr. Daniel faz alguns finais de

semana que não o vemos por aqui e receei que

tivesse mudado de religião.

De relance dona Adélia estende um olhar

cúmplice para a filha enquanto movimenta

freneticamente o abano de estampa florida com o

intuito de amenizar o calor.

— Decerto que não, dona Adélia. Continuo

firme em minhas origens, muito embora eu seja

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Roberto Matos

Rabiscos contos

levado a crer que toda manifestação religiosa é

importante para a formação intelectual do

indivíduo. — Ele responde alargando o sorriso.

— Você já colou grau na universidade,

jovem? — Inquire- lhe, por sua vez, o Sr. Cesário

pai de Amanda..

— Ainda não, Sr. Cesário; entretanto, já

mandei confeccionar os convites na gráfica do Didi

da Léa. E o convite da sua distinta família será um

dos primeiros a ser entregue.

— Vamos Cesário — diz dona Adélia, ao

puxar o marido pelo braço e justificando:

— Estou ansiosa para tomar um copo de

refresco gelado a fim de amenizar este calor.

Na verdade, ela pretende mesmo é deixar os

dois jovens mais à vontade.

— E você Amanda, continua sempre tão linda

e encantadora — Daniel fala depois que vê os pais

dela afastarem-se.

— Ora Daniel, gentileza sua. Nós nos

conhecemos, praticamente, desde a maternidade e

você, sempre tão polido e comedido nas palavras.

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Rabiscos contos

Um verdadeiro cavalheiro — diz Amanda com um

sorriso maravilhoso aflorando nos lábios carmim.

— Mas...

Em seguida ela interrompe a sua própria

fala. (E fica imaginando que ele poderia ser mais

agressivo e falar logo de uma vez por todas o que

ela ansiava ouvir a tanto tempo).

— Mas... Você dizia... — Encoraja e espera

que ela conclua a frase entrecortada.

— Nada não, Daniel. Apenas um fato sem

importância ocorreu-me por um momento.

E num impulso repentino Daniel diz-lhe:

— Sabe, Amanda, eu gostaria de vê-la mais

vezes. Tenho observado que o meu coração bate

mais forte quando eu vejo você.

— Eu adoro quando estou com você, Daniel.

Se você tivesse observado melhor já teria notado

esse detalhe. — Diz Amanda sem pensar duas

vezes.

— Verdade? — Pergunta Daniel, parecendo

surpreso.

Timidamente ele toma as mãos dela entre as

suas e murmura:

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Rabiscos contos

— Gosto de você desde o dia em que

dançamos juntos no baile de colação de grau do

ginásio. Ainda sinto o cheiro do perfume que você

usava naquela noite. Você estava linda dentro

daquele vestido.

— Ah! Daniel não fala daquele vestido

horroroso. Ele era muito cafona. Eu usei porque foi

uma imposição da minha mãe.

— Sim, apenas para concluir o que eu estava

dizendo. Contudo, ultimamente esse sentimento

vem transformando-me. É como se você fizesse

parte de mim.

— Que bom que pense assim Daniel. Eu já

não sabia o que fazer para despertar a tua

atenção.

— Vamos assistir a missa juntos e a noite eu

passo na tua casa, depois das 19 horas. Lá eu

falarei com os teus pais sobre a minha intenção de

te namorar — ele conclui.

— Ah! Que romântico. Mas veja se não se

complica no palavreado senão não sobrará tempo

para nós dois.

Os dois ainda estão sorrindo quando

penetram o interior do templo cristão.

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Rabiscos contos

O interior da igreja está decorado com

simplicidade. Apenas algumas esculturas de santos

moldadas em gesso e pintadas com cores fortes,

colocadas dentro de suportes de madeira em

mogno trabalhado e protegidos com tampa de

vidro. Os bancos são confeccionados em madeira

de lei cobertos com verniz em tons escuros. No

altar, o velho pároco repete automaticamente em

latim os trechos do evangelho e todos os presentes

fingem compreender o significado de tais palavras

e imitavam a cantilena do pároco. Enquanto isso, o

coroinha espalha incenso balançando o turíbulo

ornamentado em prata. Naquela hora, o recinto

está lotado de fiéis.

Naquele momento, Daniel ouve o sermão ao

lado de Amanda. E ao lado da moça estão os pais

dela: Dona Adélia e o senhor Cesário. Todos na

igreja estão de pé. O pároco conta uma parábola

que ele deve ter ouvido de algum seminarista no

seu tempo de estudante. Mas o narrador, naquela

oportunidade, omitiu que se tratava de uma

parábola árabe. Ou seja, muçulmana. A narrativa

diz o seguinte:

— A lenda do gafanhoto tem a sua origem na

região Nordeste do continente Africano. Ela diz que

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Rabiscos contos

lá naquela região viveu um povo cuja bondade o

tempo não apagou. Aquele povo era o guardião do

chamado Livro dos livros o qual deveria servir de

guia espiritual para a humanidade. De forma

alguma o livro poderia cair em mãos erradas, com

o risco do povo, guardião do Livro, desaparecer

junto com ele. Na capa desse livro havia o desenho

de um gafanhoto e sobre ele se lia: Para ser

considerado um ser humano é preciso entender

que:

A diversidade leva à unidade;

A unidade leva à solidariedade;

A solidariedade leva à igualdade;

A igualdade leva à liberdade;

A liberdade leva à diversidade.

Ainda na capa desse livro e ao lado da figura

do gafanhoto um pequeno texto afirmava: O

gafanhoto é um inseto que assume a forma e a

natureza dos sete viventes da terra. Isso porque

ele tem a cabeça do cavalo, o pescoço do touro, as

asas da águia, a cauda serpente, o ventre do

escorpião e os chifres da gazela.

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Roberto Matos

Rabiscos contos

— Não se sabe o que aconteceu com o povo

que habitava naquele oásis, mas Beduínos de uma

tribo daquela região da África deixaram relatos de

que eles teriam se ocultado para proteger o livro. E

que um dia reapareceriam para que a humanidade

pudesse entender o significado dele.

O pároco sorveu um longo gole da taça de

vinho e prosseguiu com a narrativa, dizendo:

— Se vocês chegaram até aqui e não

entenderam a mensagem, não prossigam. Os

avisos sobre a vinda do Redentor são como

parábolas: são repletas de metáforas, mas são

verdadeiras. Dito isso, sorveu o resto do conteúdo

da taça de um gole só. Mas, encorajado pelo

consumo do vinho, abusou das palavras, criticando

duramente os homens que traíam as suas

mulheres e vice-versa. Em seguida, alertou os

jovens para se afastarem do vício do álcool e das

drogas. Somente depois, já para finalizar o

sermão, lembrou aos fiéis que a estrutura da

Igreja necessitava de uma reforma e, portanto, os

donativos deveriam ser mais generosos. E o padre

prossegue dizendo:

— Observem e aprendam que os animais são

mais generosos do que os homens, pois nunca se

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Roberto Matos

Rabiscos contos

viu um leão escravo de outro leão, nem cavalo

escravo de outro cavalo.

Terminada a missa, quando a maioria das

pessoas estava no pátio da igreja, um grande

gafanhoto de cor amarelo-oliva pousa no ombro de

Daniel. Assustado ele bate com o dorso da mão no

inseto o qual é atirado no chão. Logo o inseto é

pisoteado pelas pessoas que saem do interior do

templo. Entretanto, aquele pequeno incidente não

passa despercebido à dona Adélia que, tomada de

espanto mudo arregala os olhos e leva a mão à

boca, contendo o grito espontâneo que ameaçava

aflorar-lhe à garganta. Mas nenhum comentário é

pronunciado sobre o incidente. Logo em seguida

Daniel acompanha à família até à casa dela. Ao

pequeno grupo soma-se a presença de dona

Sebastiana, apelidada de Sabá. Ela é uma mulher

de cor que desde muito habita à casa de dona

Adélia a quem ela chamava de ‘madrinha’. Ela já

fazia parte da família e assim era considerada.

Uma vez lá, despedi-me da Amanda e prometi

voltar

à

noite,

conforme

havia

combinado

anteriormente com ela.

***

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Roberto Matos

Rabiscos contos

Tão logo Sabá tem a oportunidade, ela se

acerca de dona Adélia e pergunta com jeito

assustado:

— A madrinha viu o gafanhoto esbarrar no

jovem mancebo? Isso é mau agouro! A madrinha

conhece a lenda do gafanhoto? Parece com aquela

história contada no sermão do padre Olegário...

Mas o final não é aquele. A história é outra!

— Virgem santíssima, Sabá! Aponta a tua

boca para o mar. — Repreende a dona Adélia

aborrecida. E completa:

— Agora que a minha menina tem o alento

de quem vai desencalhar, o capeta não pode meter

o bedelho nesse. Vamos logo acender uma vela

para o caboclo Ubirajara porque nessas horas não

dá para confiar somente numa religião. Há muito

tempo Santo Antônio perdeu a credibilidade por

aqui. A minha afilhada Lourdinha, filha da comadre

Perpétua, já está com 35 anos. E ela que é tão

formosa e tão prendada, agora está encalhada sem

arremedo. Mas tu sabes como é: a mulher

descambou dos trinta anos ela está ferrada. Só um

milagre a impede de ficar para titia!

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— Mas madrinha, a menina Amanda ainda

não completou 20 anos! Exclama Sabá.

Ainda é cedo da noite e Amanda já tomou

sua sopa e está acabando de se arrumar. O

problema é só o cabelo que não quer tomar

prumo. Nem prendedor, fivela ou laço parece dar

jeito. Impaciente ela diz para a mãe que vai

terminar de arrumar o cabelo na casa da sua

amiga Joana que mora quase defronte a sua casa.

Joana é também sua colega de classe, além de sua

confidente. Elas são amigas há muito tempo e

conversam animadamente sobre os assuntos que

lhes são peculiares: escola, moda, paquera,

música, artistas e os amigos de um modo geral.

Logo depois, já na casa de Joana, ela está

em pé e arruma o cabelo de Amanda a qual se

encontra sentada.

— Mas tanto na escola quanto na cidade tu

bem sabes que a conversa que rola é que o Daniel

casará com a Val. - Joana diz, observando a reação

de Amanda pelo espelho postado bem na frente

delas.

— Que Val Joana? — Pergunta-lhe Amanda

franzindo o cenho.

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— A Valquíria, filha do Leofulô, que estuda

na nossa classe.

— Boatos minha amiga. Dessa feita eu não

vou deixa-lo escapar-me. Mas não vais fofocar por

aí Joana!

— Ai! Logo eu, Amanda? Detesto fofocas e

mexericos. — Replica Joana aborrecida.

— Ah! Logo o Daniel com aquela altura

dele... Eu acho que tem mais de l,80 metros... O

cabelo preto encaracolado... Os olhos verdes... Diz

Amanda dando longo suspiro.

— E gordo, diz Joana com inveja da amiga.

— Gordo não! O porte dele está condizente

com a sua altura! Defende-se Amanda.

Nesse

ínterim,

o

cabelo

de

Amanda

finalmente é arrumado. Foram quase duas horas

até que Amanda parabeniza à amiga pelo

excelente penteado.

***

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